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Cineclube Apropriarte & Chá-de-Lima da Pérsia apresentam: "Ninguém Sabe dos Gatos Persas"



O Cine Clube Apropriarte em parceria com o blog Chá-de-Lima da Pérsia, convida você para uma sessão especial com exibição do filme: “Ninguém Sabe dos Gatos Persas ”. 

Negar e Ashkan são um jovem casal de músicos de indie rock que após saírem da prisão, decidem deixar seu país para tocar na Europa, onde inclusive já têm um show programado. Mas a tarefa é árdua. Eles tem que conseguir vistos e passaportes, além de driblar as autoridades e encontrar outros músicos dispostos a encarar essa perigosa empreitada.

Durante a busca, os dois jovens conhecem o trambiqueiro Nader que se mostra disposto a ajudá-los. Enquanto acompanhamos a jornada dos jovens músicos, o filme descortina um belíssimo panorama da educação musical e da produção underground em Teerã. Vemos e ouvimos grupos que ensaiam e tocam escondidos em lugares inusitados, como a banda de heavy metal que ensaia junto com as vacas de um estábulo ou os rappers que cantam em construções. 

Transitando entre o humor e a tragédia, neste filme, o diretor Bahman Ghobadi no traz um retrato exuberante da juventude urbana do Irã que busca através da arte conquistar seu espaço e expressar sua identidade em meio à repressão e a censura. 

Após a sessão haverá roda de conversa mediada por Janaina Elias, autora do blog Chá-de-Lima da Pérsia.


CINECLUBE APROPRIARTE: “NINGUÉM SABE DOS GATOS PERSAS” 
⛳ ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP (ver mapa)
📅 QUANDO: 25/06/19 - 19h30 
🎫 CONTRIBUIÇÃO: R$ 10,00


A história de amor de 1500 anos entre um príncipe da Pérsia e uma princesa da Coréia

Esta pintura persa do século XIV retrata uma cena do Kushnameh  que os estudiosos acreditam  ser o noivado do príncipe  persa Abtin com a princesa Frarang de Silla. (Museu da Universidade de Hanyang)
Você sabia que há mais de mil anos antes do primeiro explorador europeu chegar às costas coreanas, os persas já escreviam histórias de amor ambientadas nestas terras remotas do Oriente? No post de hoje vamos conhecer um épico persa de 1500 que revela o que pode ter sido o primeiro romance intercultural entre Irã e Coréia.

Recentemente, historiadores revisaram um épico persa escrito por volta de 500 d.C. e descobriram  que este continha a incomum história de amor entre um príncipe persa e uma princesa coreana.

E isto foi uma grande surpresa! Sabe por que?  Até recentemente, não se sabia se os persas daquela época tinham conhecimento sobre a existência da Coréia. Este novo achado revela que a Pérsia não apenas mantinha contato com a Coréia, mas esses dois países estavam intimamente conectados. E isso pode exigir uma reescrita total da história.

A obra conhecida como  Kushnameh é um imenso poema épico escrito por Ḥakim Irānshāh b. Abu'l-Khayr  entre os anos 501-04 / 1108-11, que narra a história de uma criatura maligna com presas de elefante chamada Kus, (sobrinho do terrível Zahhak) que aterroriza uma família ao longo das gerações. A história se estende por centenas de anos e milhares de linhas de poesia, mas a parte mais interessante está em algum lugar lá no meio, onde o autor criou incríveis 1.000 versos poéticos descrevendo a vida na Coréia durante a Dinastia Silla.

É nesta parte que entra em cena um jovem príncipe persa chamado Abtin. Por toda a sua vida, Abtin foi forçado a viver na floresta, escondendo-se do maligno Kus. Para protegê-lo, ele tem apenas uma arma, um livro mágico que prediz seu futuro.

E o livro de Abtin, não é nada menos do que uma cópia do livro do qual estamos falando neste momento, o próprio Kushnameh! Ao folhear algumas páginas para ver seu destino final, ele lê o próximo capítulo e descobre que deveria ir para o reino de Silla na Coréia, e  depois de ficar confuso e ir parar na China, acaba sendo recebido de braços abertos pelo rei de Silla.

A partir daqui, a história é apenas uma página após muitas páginas de descrições generosas de como a Coréia é linda. É verdade que algumas passagens parecem um pouco exageradas. Por exemplo, na que conta que a Coréia está tão repleta de ouro que até os cachorros são mantidos em coleiras douradas. Mas, no geral, a descrição é tão precisa que os historiadores modernos têm certeza de que o autor deve tê-la visitado pessoalmente.

Abtin é hipnotizado pela beleza do país e, logo depois, pela beleza da princesa Frarang. Loucamente apaixonado pela princesa coreana, ele implora ao rei por sua mão, e ela logo torna-se sua esposa e mãe de seu primogênito.
O casamento do príncipe Abtin e da princesa Frarang (Imagem: Daum )
É improvável que essa história tenha realmente acontecido. Em primeiro lugar porque não há evidências de que a Pérsia passou 1.500 anos sendo aterrorizada por um monstro imortal com presas de elefante, e ainda menos que os primeiros príncipes persas tinham livros de magia que poderiam predizer-lhes o futuro. Mas a riqueza do simbolismo da paixão de um príncipe persa por uma princesa coreana é inegável. Esta é uma prova rara de que os persas não apenas conheciam  a Coreia há 1.500 anos, mas  tinham uma profunda admiração por essa nação.

Durante 1.500 anos, as pessoas leram esta história acreditando que ela se passava na China. Na história, o reino coreano de Silla é referido como "Chin", um nome que pode se referir à China ou à Coréia. E é um fato curioso que a princípio, o próprio personagem Abtin, como a maioria dos historiadores, interpreta erroneamente o “jin” em seu livro mágico e acha que deveria ir para a China. 

Recentemente, porém, os historiadores deram uma nova olhada sobre as descrições dos locais e perceberam o quão perfeitamente elas realmente se equiparam à Coréia. As descrições neste livro não se parecem em nada com a China, mas são uma descrição perfeita e vívida da Coreia do século VI, um lugar onde, acredite ou não, eles realmente mantinham seus cães em coleiras de ouro puro!

Demorou até 1653 para que o primeiro explorador europeu chegasse à Coréia, isto é, mais de 1100 anos depois que o  Kushnameh foi escrito.

Rei e Rainha de Silla. Coreia do Sul, Museu Nacional do Folclore de Seul
- Trajes Tradicionais Coreanos do Reino de Silla (57 a.C - 935 d.C) 
Na verdade, a Pérsia sempre teve algum tipo de contato com a Coréia, pois ambos  faziam parte da Rota da Seda, e desse modo os produtos persas de alguma forma sempre foram parar na Coréia. Porém, o que nos chama atenção nesta história, é que a Coréia não é um mero parceiro comercial, mas sim uma aliada de confiança tão importante para os persas que estes literalmente não conseguem superar o mal até confiarem na liderança de um príncipe meio coreano e meio persa. É um casamento incrivelmente simbólico de culturas.

O épico também coloca outras relíquias sob uma nova luz. Em um túmulo antigo em Gyeong-Ju, por exemplo, há um antigo monumento a um herói de guerra da Coréia que se parece muito mais com um soldado persa do que um coreano. Agora, algumas pessoas estão começando a se perguntar se isso pode realmente ser o monumento a um herói persa esquecido que lutou pela Coréia.

Não há como saber até que ponto essas histórias são verdadeiras, mas elas podem mudar completamente o modo  como vemos a história desses dois países. Afinal, o conto do príncipe Abtin e da princesa Frarang é muito mais do que uma história de amor entre duas pessoas, é uma história de amor entre duas nações!


Adaptado do artigo de Mark Oliver para o site Ancient Origins 


Publique seu conteúdo no blog Chá-de-Lima da Pérsia


A Rede Colaborativa do blog Chá-de Lima da Pérsia é um espaço dedicado a todos os amigos e leitores que querem compartilhar seus guest post em forma de textos, resenhas, artigos, fotos, vídeos, relatos de viagem e/ou qualquer tipo de conteúdo não comercial que se relacione com a cultura do Irã. 


OFICINA: Dança Folclórica Persa Bandari

OFICINA: Dança Folclórica Persa Bandari  com Lena Yunis 
⛳ ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP
 (ver mapa)
📅 QUANDO: 19/06/19  | ⏰ 19h-21h 
🎫 CONTRIBUIÇÃO: R$ 100,00 (6 vagas)

INSCRIÇÕES: 11 98577-9437 (Janaina) |11 99186-2862 (Guti)


12 Provérbios persas relacionados com animais


A língua persa é repleta de provérbios e jogos de palavras, por isso é uma necessidade conhecer essas expressões idiomáticas para entender completamente essa língua. O mais interessante é que os iranianos adoram usar esses provérbios em suas conversas cotidianas e muitos desses estão relacionados com animais. Existem milhares de provérbios com este tema, o que vale uma bela pesquisa, mas por enquanto vamos conhecer alguns dos mais comuns:

1) Divâr mush dâreh, mush ham gush dâreh 

دیور موش داره موش هم گوش داره


Literalmente: "As paredes têm ratos e os ratos têm orelhas."

Significado: devemos ter muito cuidado com o que falamos mesmo entre quatro paredes, quando achamos que ninguém pode nos ouvir.

Em português, o equivalente seria "matos têm olhos e as paredes têm ouvidos”.

2) Dustiye khâleh kherse
دوستی خاله خرسه


Literalmente: "Amizade da tia ursa"

Significado: Esta expressão vem de uma parábola persa sobre um homem e um urso que se tornam melhores amigos. Um dia, o homem está dormindo quando uma mosca pousa em sua face, perturbando sua paz. O urso, querendo proteger seu amigo, pega uma pedra e joga na cabeça do homem para matar as moscas. Sem querer, ele acaba matando o homem também.
A moral da história  é:  às vezes queremos  ajudar alguém com a melhor das intenções, mas acabamos fazendo mais mal a essa pessoa.

Em nosso idioma também temos o equivalente "amigo urso".

3) Kine Shotori [dâshtan]
کینه شتری


Literalmente: "(guardar) um rancor de camelo"

Significado: Os camelos geralmente são criaturas muito dóceis. Mas você sabia que eles também são capazes de guardar rancor e até mesmo buscar vingança! Então, quando alguém guarda rancor, em persa, diz-se que guarda rancor como um camelo.


4) Filesh yâde hendustân kardeh

فیلش یادهندوستان کرده


Literalmente: "Seu elefante lembra a Índia."

Significado: Quando alguém tem um sentimento nostálgico sobre sua terra natal. Um iraniano diz esta expressão quando está em outro país ou cidade e ali encontra alguma coisa que faz lembrá-lo do país, cidade ou vilarejo onde nasceu.


5) Sage zard barâdare shoghâleh

سگ زرد برادره شغال است




Literalmente: "O cachorro amarelo é o irmão do chacal."

Significado: Era uma vez em uma aldeia, um chacal tão travesso que os aldeões acabaram por bani-lo. Sabendo o quanto eles gostavam de cachorros, o chacal decide se pintar de amarelo e voltar, desta vez, causando problemas em segredo. Por se assemelhar ao chacal, os aldeões o chamam de “o irmão do chacal”. Um dia, a chuva lava a tinta amarela do pequeno malandro, e sua verdadeira identidade é revelada. Os aldeões descobrem que o “irmão do chacal” é, na verdade, o próprio chacal.

O cachorro amarelo simboliza uma pessoa má e o chacal é alguém ainda pior. Quando duas pessoas são igualmente ruins, não se engane pensando que uma delas pode ser um pouco melhor. Afinal, o cachorro amarelo é o irmão do chacal.


6) Eng ar az damâghe fil oftâdeh
انگار از دماغ فیل افتاده


Literalmente: "É como se ele tivesse caído do nariz do elefante."

Signficado: Quando uma pessoa é muito orgulhosa ou metida a importante.

7) Shotor didi nadidi
شتر دیدی ندیدی


Literalmente: "Você viu um camelo,  não viu"

Significado: É o equivalente a dizer "Não vi nada, não sei de nada"

Provavelmente essa expressão tem como origem um conto tradicional que vou resumir aqui: 

O poeta Saadi atravessou o deserto e precisava desesperadamente de descanso. Ao encontrar pegadas de um camelo ele decide segui-las porque tem certeza de que elas o levariam a um bom local de descanso. Enquanto  segue as pegadas, ele se depara com um gramado e percebe que apenas a grama do lado esquerdo do caminho foi comida enquanto a do lado direito está intacta. Então, ele conclui que o camelo deveria ser cego do olho direito e, portanto, não podia ver a grama deste lado. 

À distância caminhando em direção a ele, vem o homem que perdeu o camelo e pergunta se ele o viu.

“Era cego de um olho?”, Pergunta Saadi. "Sim! Por favor, diga-me onde está meu camelo, ”o homem pede. "Não vi", responde Saadi.

Achando que estava sendo vítima de um gracejo, o dono do camelo começa a bater em Saadi. Nesse momento o camelo retorna e o homem pede desculpas.  E o pobre Saadi chega a conclusão que ele deveria ter dito desde o começo  que não viu nenhum camelo.

8) Morghe hamsâyeh ghâzeh

مرغ همسایه غاز است


Literalmente: "A galinha do vizinho é um ganso."

Signifcado: é o mesmo que dizer "a grama do vizinho é sempre mais verde".


9) Shir tu shir ou khar tu khar
شیر تو شیر


Literalmente: "Leão em leão" ou "burro em burro" 

Significado: Por exemplo,  quando você está em um transito caótico, é como dizer que tem "um burro dirigindo outro burro". (“Leão em leão” é a versão mais educada.)

10) Gorbeh shu kardan

غربه شو کردن


Literalmente: "Lavagem de gatos"

Significado: Quando você não lava algo bem o suficiente para limpá-lo, dizemos que você "lava como um gato". Também se diz quando alguém toma um banho muito depressa, o que costumamos chamar de "um banho de gato". 



11) Khoshbakht ânke kore khar âmad, olâgh raft

خوشبخت ان که کره خر آمد آلاغ رفت

 

Literalmente: "Sorte daquele que veio como um asno e morreu como uma mula."

Significado: em alguns casos, a ignorância é uma benção! 


12) Kâre hazrat fileh!
کارحضرت فیل است


Literalmente:"É um trabalho para sua excelência o elefante!"

Significado: É o mesmo que dizer "isso é osso duro de roer". Os elefantes são considerados animais inteligentes, ou seja, quando uma tarefa é muito  difícil você tem que ser tão esperto quanto um elefante para resolvê-la. 

Você conhece outras expressões  idiomáticas curiosas com animais? Deixe um comentário!

(Adaptado de My Persian Corner)


Assista a reportagem da GNT: Lugares incríveis no Irã


Salam amigos! Não deixem de assistir à reportagem do programa Lugares incríveis do Canal GNT sobre o Irã que foi reprisada devido ao seu enorme sucesso! 
O vlogueiro Pedro Andrade visitou as cidades de Teerã e Isfahan para desbravar sua cultura, arquitetura, gastronomia e riqueza histórica. Surpreso com suas descobertas sobre um Irã muito diferente daquele que é retratado na mídia, ele  relata: "Há duas maneiras de visitar o Irã: Você pode vir pra cá procurando o que a gente tem de diferente deles, ou você pode vir pra cá em busca do que a gente tem em comum. Se você vier pra cá em busca de diferenças, você terá uma experiência exótica, chocante e em momentos assustadora.Se você vier atrás das nossas semelhanças, você vai humanizar ele,  vai ver que a gente tem muito mais em comum do que a gente pensava."



Cineclube Apropriarte & Chá-de-Lima da Pérsia apresentam: “E Buda desabou de vergonha”


Este mês, o Cineclube Apropriarte & Chá-de-Lima da Pérsia  apresenta o filme: “E BUDA DESABOU DE VERGONHA”

Em meio às ruínas dos monumentais Budas de Bamyan, no Afeganistão, destruídos pela milicia Taliban em 2001, milhares de famílias lutam para sobreviver. Bakhtai, uma garotinha de 6 anos fica obcecada com a ideia de ir para a escola ao ver seu amigo que lê em voz alta na frente da caverna vizinha onde ela vive. Mas ela pertence a uma sociedade marcada pelos anos de opressão do Taliban incluindo o machismo, guerra, pobreza e alienação das crianças. Primeiro ela tem o desafio de conseguir algum dinheiro para comprar um caderno e um lápis. Finalmente à caminho da escola, ela é importunada por um bando de garotos que brincam guerra, imitando a terrível realidade que eles testemunharam. 

E Buda Desabou de Vergonha (2007) foi  o primeiro filme escrito e dirigido pela jovem diretora Hana Makhmalbaf. É uma história impressionante  que ilustra a coragem das meninas que lutam pela educação em um país destruído por sucessivas guerras.

Após a sessão haverá roda de conversa mediada por Janaina Elias, autora do blog Chá-de-Lima da Pérsia.


CINECLUBE APROPRIARTE: “E BUDA DESABOU DE VERGONHA” 
⛳ ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP (ver mapa)
📅 QUANDO: 17/05/19 - 19h30 
🎫 CONTRIBUIÇÃO: R$ 10,00


"Minha mãe me ensinou..." (Iraj Mirza)

Salam amigos! Parabéns àquelas que guiam nossos passos com ternura no caminho da vida! Ruze Madar Mobarek! Feliz Dia das Mães!
Mãe e Filha,  pintura de Imam Maleki  
“Eles dizem, que quando eu nasci,
minha mãe me ensinou a sugar o leite.
E toda noite ao lado do meu berço,
ela me ensinou como dormir tão suave como a seda.
Com um sorriso ela pressionou seus lábios aos meus,
enquanto minha boca se curvava de alegria.
Ela tomou minha mão e guiou os meus passos,
enquanto eu aprendi a caminhar com uma alegre melodia.
Uma palavra, duas palavras, então três e mais...
foi assim que ela me ensinou a falar.
É por isso que minha vida é parte da vida dela,
e assim será enquanto eu viver”
Tradução livre dos versos do poeta iraniano Iraj Mirza (1874-1926)


"Ao Jardim dos Viajantes" - poema de Sohrab Sepehri

Retrato do poeta Sohrab Sepehri (1928-1980)
Chame, oh me chame
sua voz soa tão bem
sua voz é como a verde essência da erva rara
que cresce na intimidade mais extrema da tristeza.
Nas dimensões desta era de silêncio,
Me sinto mais só que o fragmento de uma canção
ecoando na percepção de uma ruela.
Venha, deixe eu lhe dizer como é vasta a minha solidão
e minha solidão não previu
a magnitude da sua incursão noturna,
tal é a força do amor.
 
Não há ninguém.
Vamos roubar a vida, e depois
dividi-la entre dois encontros.
Vamos tentar entender, você e eu,
algo sobre a natureza da pedra.
Vamos discernir as coisas mais rapidamente.
Veja como as mãos da fonte pulverizam o tempo
na marca circular do lago.
 
Desvaneça como uma palavra na linha do meu silêncio
apague a massa luminosa do amor na palma da minha mão.
 
Tradução livre do inglês para o português realizada por Arlene Clemesha, a partir do livro The Lover is always Alone, Selected Poems –  traduzido do persa para o inglês por Karim Emami, Ed. Shaul Bakhash, 2004, Irã.

(Fonte: Revista Zunái)


Cineclube Apropriarte & Chá-de-Lima da Pérsia apresentam: “Tartarugas podem Voar”

O CINE CLUBE APROPRIARTE EM PARCERIA COM O CHÁ-DE-LIMA DA PÉRSIA ESTÁ DE VOLTA!

Este mês, você está convidado para uma sessão especial com a exibição do filme: “Tartarugas podem Voar ”

Em um campo de refugiados curdos na fronteira Iraque-Turquia às vésperas da invasão americana vive um garoto de 13 anos conhecido como Satélite, que tem este apelido por inventar antenas parabólicas de sucata que permitem aos moradores do vilarejo assistirem as notícias do mundo. Líder nato, Satélite, comanda as outras crianças na missão perigosa porém necessária de vasculhar campos minados para vender no mercado os artefatos que ainda não foram detonados.

Um dia, o engenhoso Satélite se apaixona por uma garota órfã que chegou de outro vilarejo que foi destruído pelas tropas iraquianas. Ele passa a ajudá-la em suas tarefas sempre que possível, a fim de ganhar seu coração. Porém a garota está sempre com uma cara de poucos amigos, que é consequência dos traumas de seu passado. Junto com a garota está seu irmão, que apesar de não possuir os dois braços, está sempre cuidando dela e parece ter o dom da clarividência, e além disso os dois carregam consigo um menininho cego.

Tartarugas Podem Voar, escrito e dirigido em 2004 pelo diretor Bahman Ghobadi, com a notável trilha sonora composta por Hossein Alizadeh, foi o primeiro filme gravado no Iraque após a queda de Saddam Hussein. O diretor Bahman Ghobadi, ele próprio de origem curda fez este filme com muitas crianças que nunca haviam atuado em nenhum filme e que realmente haviam sofrido na pele a dor dos ferimentos causados pelas armas da guerra.

Após a sessão haverá roda de conversa mediada por Janaina Elias (autora do blog Chá-de-Lima da Pérsia) e pela convidada especial Vanessa Paulino. 


CINECLUBE APROPRIARTE: “TARTARUGAS PODEM VOAR” 
⛳ ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP (ver mapa)
📅 QUANDO: 25/04/19 - 19h30 
🎫 CONTRIBUIÇÃO: R$ 10,00


Trailer legendado do filme "Três Faces" de Jafar Panahi


Salam amigos! Confiram o trailer legendado do filme "Três Faces" o filme mais recente do diretor Jafar Panahi que já está em cartaz aqui no Brasil!

Sinopse: A renomada atriz Behnaz Jafari recebeu um vídeo desesperador com o pedido de ajuda de uma garota, proibida por sua família a dar sequência aos seus estudos no Conservatório de Teatro no Teerã. Behnaz abandona sua filmagem e se une ao cineasta Jafar Panahi para ajudar a resolver os misteriosos problemas da jovem. Eles viajam de carro para a aldeia da menina, onde têm encontros divertidos com o povo encantador, mas logo descobrem que a proteção de antigas tradições é tão generosa quanto a hospitalidade local.



Você já foi assistir este filme? Deixe sua opinião nos comentários! 


Veja como foi o evento Nowruz: Celebração do Ano Novo Persa 2019 | 1398


Salam amigos! No dia 21/03/19, o Chá-de-Lima da Pérsia teve a alegria de organizar pela segunda vez o evento  Nowruz: Celebração do Ano Novo Persa em parceria com o APROPRIARTE em São Paulo! 

Na noite seguinte a que é celebrado originalmente o Ano Novo no Irã, o evento reuniu brasileiros e iranianos e contou com a participação super especial de artistas, expositores de artesanato, dançarinos e especialistas em culinária persa. 

Haft Sin, mesa simbólica do Nowruz 
Abrimos o evento com uma apresentação do simbolismo de um dos elementos mais importantes do Nowruz, a mesa Haft Sin que contém 7 objetos iniciados com a letra S na língua persa e que expressam nossos desejos para o ano vindouro. Além destes objetos, outros elementos simbólicos típicos da cultura persa como espelho, velas, um peixinho dourado, ovos coloridos e a representação dos personagens Amu Nowruz e Haji Firuz  também fizeram parte da decoração.

Nossa programação cultural contou com a presença de nossa querida amiga Factima El Samra interpretando lindamente o conto tradicional persa "A Menina da Laranja". 

Contação de história persa com Factima El Samra 
Em seguida, uma atmosfera exótica e encantadora se formou com a performance do grupo Sisterhood Project apresentando a dança ATS (American Tribal Style) que tem influência de ritmos do Oriente Médio, ciganos, Ghawazee do Egito e da Argélia, danças clássicas indianas e árabes e flamenco espanhol.


Apresentação de dança ATS com Sisterhood Project (Foto: Vanessa Paulino)
A diversidade cultural do Irã foi representada pelos ritmos da dança, com a Moça do Chá apresentando performance de dança persa, nosso convidado iraniano Roozbeh dançando o estilo azeri e Factima El Samra com a dança do ventre. 

Performance de dança persa com a Moça do Chá :) (Foto: Vanessa Paulino)
Os participantes do evento  puderam conhecer a beleza do artesanato iraniano gentilmente apresentado por nossa amiga Remi da importadora Fars Gift.




Artesanatos originais do Irã (Fars Gift)
Também tivemos a alegria de convidar o casal iraniano Maryam e Amir Hossein que preparou com muito carinho uma maravilhosa degustação dos sabores da Pérsia com espetinho de frango, kuku sib zamini (bolinho frito de batata), mast o khyiar (iogurte com pepino) com pão tafton e chá iraniano.

Convidada iraniana Maryam Hosseini apresenta a culinária persa

Degustação especial de culinária persa 
O encontro de tantos talentos especiais resultou em um evento inesquecível que com certeza ficou marcado na memória de todo os presentes. 

Veja os depoimentos dos participantes sobre a experiência de celebrar o Nowruz: 
"Realizar e participar do Nowruz é conhecer sob forte emoção uma cultura de mais de 3 mil anos que muito nos ensina sobre amor, ética, alegria de viver e conviver. Obrigada Janaina por trazer a cultura persa para o Apropriarte."
Maria Augusta Dib  (diretora do Apropriarte)
O local do evento é muito bom! Gostei de ver que havia  artes da  Pérsia e também árabe e turca. Fiquei muito feliz por apresentar a dança da minha terra natal, Azerbaijão (província do Irã) e ver as danças persa e árabe. A mesa decorativa Haft Sin estava muito bonita! A comida persa original foi muio agradável. Foi muito interessante ver o casal de Shiraz explicar sobre a história, cultura e a poesia. Eu amei e quero que aconteça mais vezes.
Roozbeh Yahyakhani 
O Nowruz foi uma vivência de grande alegria e profunda renovação! Um evento que nos possibilitou encontros de almas.   
Maria Amélia  

"Participar do Nowruz foi como fazer uma viagem à Pérsia, mesmo estando aqui no Brasil. Perceber seus símbolos  permeado pela poesia, sabores e histórias de um país repleto de amor e conexão com o divino. Muito feliz em receber o convite de estar neste  encontro feito com tanto amor e carinho"  
Factima El Samra 

"Gostei muito de ver o interesse e a disposição das pessoas em ir até este evento para conhecer mais sobre a cultura do Irã. Junto com as danças podemos conhecer mais as músicas, em especial a dança ATS que não é especificamente iraniana mas é de uma beleza única. Adorei a comida também! Tive a oportunidade de interagir com as pessoas e falar sobre os artesanatos do Irã. Foi uma noite de uma energia tão boa e positiva, porque todas pessoas que estavam presentes eram muito legais. Enfim, foi uma experiência muito positiva!  
Remi (Fars Gift)  




Sentimento de realização é quando sua paixão encontra o local ideal e as pessoas mais incríveis para se manifestar!

Obrigada a todos que estiveram presentes e contribuíram para a realização deste evento inesquecível, em especial Maria Augusta Dib e Luís Felipe Dib (Apropriarte), Remi (Fars Gift), Amir Nasiri e Maryam Hosseini (Culinária Persa), Roozbeh Yahyakhani, Factima El Samra e ao grupo Sisterhood ATS Project. 

📺Assista o vídeo: 

  


FELIZ NOWRUZ - ANO NOVO PERSA 1398!


HOJE, 20/03 exatamente às 18:58 (Horário de Brasília) e 1:28 (em Teerã) saudamos a chegada do Nowruz: o Ano Novo Persa! 

NOWRUZ MOBARAK!
Feliz Ano Novo aos amigos da Pérsia, do Brasil, do Irã e do mundo todo!

E nesta quinta-feira 21/03, à partir das 19h venha comemorar com a gente no evento Nowruz: Celebração Cultural do Ano Novo Persa no Apropriarte!

A entrada é gratuita, traga seus amigos e familiares!

Durante os 13 dias em que é celebrado o Nowruz, acompanhe a cada semana aqui no blog as curiosidades desta celebração!


Venha para o NOWRUZ: Celebração Cultural do Ano Novo Persa!


O Ano Novo Persa, ou NOWRUZ é Patrimônio Mundial da UNESCO, celebrado em mais de 15 países. Venha conhecer a beleza desta tradição aqui no Brasil!

O NOWRUZ ou Ano Novo Persa é comemorado em países como o Irã, Afeganistão, Azerbaijão e outros países da Ásia Central. A data marca o início da primavera no hemisfério norte e suas tradições têm raízes no zoroastrismo, religião ancestral dos persas. Seu rico simbolismo se mantém vivo e presente na atualidade, como parte da herança cultural dos países em que é comemorado e nas comunidades de imigrantes que o celebram ao redor do planeta. Comidas típicas, histórias, músicas, poesias e a montagem de uma mesa com sete objetos simbólicos como espelho, velas, peixinhos dourados, flores, ovos coloridos, entre outros que representam os desejos para o novo ano fazem parte desta comemoração.

PORQUE VAMOS CELEBRAR O NOWRUZ EM SÃO PAULO? 

A comunidade iraniana no Brasil não é tão expressiva quanto em outros países como Canadá, EUA e Inglaterra, mas a quantidade de brasileiros interessados na cultura persa cresce a cada dia! A escassez de informações sobre a cultura do Irã em nossos meios de comunicação, infelizmente tem deixado uma grande lacuna. Há 7 anos, por meio do blog Chá-de-Lima da Pérsia busco contribuir para tornar a cultura iraniana acessível em nosso idioma.
Em parceria com o Apropriarte, espaço de convivência, arte, educação e cultura, o blog Chá-de-Lima da Pérsia tem a satisfação de organizar esta celebração, com o objetivo de apresentar a cultura do Irã para o público brasileiro. 

Durante o evento você irá apreciar:

  • ❁ Contação de história persa com Factima El Samra 
  • ❁ Performances de dança: Sisterhood  Project (ATS) e Janaina Elias (dança folclórica persa) 
  • ❁ Venda de joias e peças de artesanato importado do Irã
  • ❁ Degustação de comida típica iraniana


Entre outras surpresas!!!

Convide seus amigos e familiares e junte-se a nós para a Celebração Cultural do Ano Novo Persa!


Confira mais detalhes da programação e confirme sua presença no evento do Facebook!


NOWRUZ: CELEBRAÇÃO CULTURAL DO ANO NOVO PERSA

Onde: APROPRIARTE - Rua Dr. Homem de Melo, 961, Perdizes- São Paulo/SP
Quando: Quinta-feira 21/03/19 - 19h-22h
Entrada gratuita


8 Mulheres iranianas que vão te inspirar a ir longe


Salam amigos! Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, hoje trago 8 mulheres inspiradoras de origem iraniana. São artistas, cientistas, poetisas, escritoras, cineastas e ativistas que com suas histórias de vida, transcenderam os limites de seu tempo e sociedade trazendo contribuições magníficas para toda a humanidade. 

1- ANOUSHE ANSARI: A primeira astronauta iraniana  


Anoushe Ansari, engenheira e empresária
Anoushe Ansari é engenheira e empresária, nascida em Mashhad. Em 18 de setembro de 2006, subiu ao espaço na nave russa Soyuz TMA-9, para uma estadia de nove dias a bordo da Estação Espacial Internacional. Primeira mulher na categoria de turistas espaciais a pagar a sua própria passagem para fora da atmosfera terrestre, obteve a fama de ser a primeira turista do sexo feminino no espaço.
Emigrou para os Estados Unidos em 1984 para poder seguir estudos na área da Ciência, limitados às mulheres no Irã pós-revolução islâmica de 1979. Naturalizada norte-americana nos anos 80, formou-se em engenharia elétrica e ciência de computadores na prestigiosa Universidade George Washington, localizada em Washington, DC.
É hoje sócia, co-fundadora e CEO da empresa Telecom Technologies, que fundou com seu marido e seu cunhado nos anos noventa.
Como principal contribuinte financeira da Fundação X-Prize, Anousheh Ansari dá nome ao prêmio Ansari X Prize, oferecido pela fundação a quem fizesse o primeiro voo espacial sub-orbital independente da história. 

2- AZAR NAFISI:  professora de literatura que enfrentou a censura

 

Azar Nafisi, escritora a professora de literatura 
Azar Nafisi é uma escritora nascida em Teerã. Aos 13 anos mudou-se para os Estados Unidos, onde concluiu sua formação acadêmica em literatura inglesa e norte-americana. Retornou para o Irã em 1979, após a Revolução Islâmica, e ensinou literatura inglesa na Universidade de Teerã, onde permaneceu durante 18 anos contra a censura das obras literárias no âmbito da Universidade.
Em 1995, sua postura de discordância com as autoridades custou seu cargo como professora universitária, mas nem isso fez com que ela abandonasse sua paixão pela docência da literatura e convidou sete de suas melhores ex-alunas para prosseguir com os estudos em sua própria residência, em encontros "clandestinos". Elas se reuniram para estudar livros controversos na sociedade iraniana pós-revolução como Lolita, Orgulho e Preconceito buscando contextualizar estas obras na perspectiva do Irã moderno. A sua história é narrada no livro Lendo Lolita em Teerã (veja resenha aqui).
Atualmente ela vive nos Estados Unidos e é acadêmica visitante e conferencista no Instituto de Política Estrangeira na Escola de Estudos Internacionais Avançados (SAIS) da Universidade John Hopkins. 

3- FORUGH FARROKHZAD: uma poetisa à frente do seu tempo 


Forugh Farrokhzad, escritora, poetisa e cineasta
Forugh Farrokhzad foi uma poetisa, escritora e cineasta nascida em Teerã em 1935. Considerada uma das personalidades literárias mais importantes de seu país no século XX e um símbolo do feminismo no Irã.
Farrokhzad, se casou aos 16 anos com o satirista Parviz Shapour de quem se divorciou após dois anos. Na década de 1950, como mulher divorciada, escrevendo uma poesia controversa, acabou atraindo muitas reações negativas por parte da sociedade vigente. Em 1958, após passar 9 meses na Europa, ela retornou ao Irã e manteve um relacionamento com o cineasta Ebrahim Golestan, que a incentivou a expressar a si mesma e a viver como uma mulher independente.
Seu famoso documentário A Casa é Escura, sobre um leprosário em Tabriz, filmado em 1962 é considerado parte essencial da New Wave do cinema iraniano.
Farrokhzad morreu em um acidente de carro em fevereiro de 1967, aos 32 anos. Seus poemas, que utilizavam uma linguagem coloquial e com forte teor feminista foram censurados por mais de uma década após a Revolução Islâmica.
Atualmente ela é lembrada como uma defensora dos direitos femininos, por ter se tornado escritora em uma época onde as mulheres eram duramente reprimidas. 


4- MARJANE SATRAPI: a primeira escritora de HQ iraniana 


Marjane Satrapi, escritora, romancista gráfica, ilustradora e cineasta
Marjane Satrapi é uma romancista gráfica, ilustradora, cineasta e escritora nascida em Rasht em 1969. Ficou conhecida como a primeira iraniana a escrever história em quadrinhos. A adaptação animada de sua série de quadrinhos Persépolis, que ela co-dirigiu junto a Vincent Paronnaud, foi indicada para o Oscar.
Marjane Satrapi cresceu em Teerã em uma família que se envolveu com os movimentos comunista e socialista no Irã antes da Revolução Iraniana. Lá frequentou o Lycée Français e presenciou, durante a infância, a crescente repressão das liberdades civis e as consequências da política iraniana na vida cotidiana dos habitantes do país, incluindo a queda do Xá, o regime inicial de Ruhollah Khomeini, e os primeiros anos da Guerra Irã-Iraque.
Em 1983, então com 14 anos, Satrapi foi mandada para Viena, na Áustria, por seus pais. Ela permaneceu em Viena durante o ensino médio, morando na casa de amigos, em pensionatos e repúblicas estudantis, até finalmente ficar desabrigada e morar nas ruas. Após um ataque quase mortal de pneumonia, em decorrência das graves condições de vida, ela retornou ao Irã. Conheceu um homem chamado Reza, com quem se casou aos 21 anos e divorciou-se cerca de três anos depois.
Em seguida, ela estudou Comunicação Visual, e posteriormente obteve o mestrado em Comunicação Visual pela Faculdade de Belas artes em Teerã, Universidade Islâmica Azad. Atualmente ela vive em Paris, onde trabalha como ilustradora e autora de livros infantis. 


5- MARYAM MIRZAKHANI: uma estrela brilhante das ciências

 

Maryam Mirzakhani, matemática e cientista
Maryam Mirzakhani foi uma matemática nascida em 1977 em Teerã. Estudou no Liceu Farzanegan, ligado à Organização Nacional para o Desenvolvimento de Talentos Excepcionais (NODET). Em 1994, em Hong Kong, Mirzhakhani ganhou uma medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática, tornando-se a primeira mulher iraniana a receber o prêmio. Na edição da competição de 1995, sagrou-se como a primeira pessoa nascida no Irã a receber uma nota perfeita e a ganhar duas medalhas de ouro.
Em 1999, obteve um bacharelado em matemática na Universidade Tecnológica de Sharif de Teerã. Mudou-se para os Estados Unidos a fim de desenvolver sua pós-graduação, onde obteve um doutorado na Universidade de Harvard em 2004, orientada por Curtis McMullen que recebeu a Medalha Fields em 1998. Foi pesquisadora assistente do Clay Mathematics Institute em 2004 e conferencista da Universidade de Princeton. Aos 31 anos, em setembro de 2008, Mirzakhani tornou-se professora de matemática da Universidade Stanford.
Em 2014, Mirzakhani foi premiada em Seul com a Medalha Fields por "suas excepcionais contribuições à dinâmica e à geometria de superfícies de Riemann e seus espaços de módulos". Ela faleceu em julho de 2017, em Palo Alto nos Estados Unidos, vítima de câncer de mama. 

6- SAMIRA MAKHMALBAF: a menina prodígio do cinema 


Samira Makhmalbaf, cineasta
Samira Makhamalbaf é uma cineasta, nascida em Teerã em 1980. Aos 8 anos de idade ela atuou no filme O Ciclista, dirigido por seu pai Mohsen Makhmalbaf.
Aos 17 anos, ela dirigiu seu primeiro filme A Maçã e, se tornou a mais jovem diretora do mundo a participar da sessão oficial do Festival de Cannes em 1998, tendo recebido elogios do lendário cineasta Jean-Luc Godard. A Maçã foi convidado para mais de 100 festivais internacionais de cinema em um período de 2 anos.
Em 1999, Samira fez seu segundo filme Quadros Negros, e pela segunda vez foi escolhida para competir na sessão oficial de Cannes em 2000. Este filme também recebeu muitos prêmios internacionais incluindo o Federico Fellini Honor Award da UNESCO e o Francois Truffaut Award da Itália.
Em 2013, pela terceira vez Samira Makhmalbaf foi a Cannes e pela segunda vez recebeu o prêmio do Júri em com seu filme Às Cinco da Tarde, o primeiro filme feito no Afeganistão após a queda do Talibã. Em 2004, ela foi eleita uma das 40 melhores diretoras do mundo pelo jornal The Guardian. 

7- SHADI GHADIRIAN: a mais influente fotógrafa iraniana 


Shadi Ghadirian, fotógrafa
Shadi Ghadirian é uma fotógrafa, nascida em Teerã em 1974. Desde sua graduação pela Universidade Azad em Teerã com um bacharelado em fotografia, Shadi Ghadirian se estabeleceu como um dos maiores talentos criativos do Irã. Ela é mais conhecida por seus retratos evocativos que englobam uma grande variedade de assuntos incluindo a identidade feminina, censura, e questões de gênero.
Inspirando-se em suas próprias experiências de vida, a artista usa humor e paródia como ponto de partida para suas investigações sobre os paradoxos do que é ser mulher no Irã. De acordo com Anahita Ghabaian Etehadieh, diretora da Galeria Silk Road, já nos anos 90 Ghadirian se tornou uma das primeiras fotógrafas iranianas a mudar a percepção do público sobre a arte e sociedade contemporânea do Irã. "Por meio de um estilo único de expressão, ela começou a contradizer as imagens severas e brutais comumente associadas ao Irã, desafiando dilemas sociais do Oriente e como o mundo via o Irã através da linguagem da arte".
Atualmente, ela vive e trabalha em Teerã. 

8- SHIRIN NESHAT: uma artista engajada e de prestígio 

 

Shirin Neshat, artista visual
Shirin Neshat é uma artista visual nascida em Qazvin em 1957. Seus trabalhos, principalmente em vídeo arte e fotografia apontam os contrastes entre o Islã e o Ocidente, masculino e feminino, vida pública e privada, antiguidade e modernidade, buscando criar pontes entre estes temas. Ela deixou o Irã para estudar artes em Los Angeles, na época da Revolução Islâmica. Após concluir sua pós graduçação, mudou-se para Nova York e se casou com o curador coreano Kyong Park.
Shirin Neshat é uma artista de enorme prestígio e tendo recebido o Prêmio Internacional da XLVIII Venice Biennale em 1999 e também o Leão de Prata, como melhor diretora no 66º Venice Film Festival em 2009.
Em 2010, Neshat foi nomeada Artista da Década pelo crítico G. Roger Denson do Huffington Post.
Em 2015, ela foi selecionada pela fotógrafa Annie Leibovitz como parte do 43º Calendário Pirelli que celebrou algumas das mulheres mais inspiradoras do mundo. Atualmente ela vive em Nova York e seus trabalhos se encontram em diversas galerias do mundo. 

E você conhece mais alguma mulher de origem iraniana inspiradora e influente que não foi citada aqui? Com certeza se você der uma busca no Google, vai encontrar muitas e muitas que não caberiam em um só post! Que  sejamos inspiradas hoje e sempre pelos exemplos dessas grandes mulheres! 

💐Feliz Dia Internacional da Mulher! 💐