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Por que os iranianos celebram o Dia do Rei Ciro?

Em outubro de 539 a.C., o rei persa Ciro, o Grande conquistou a Babilônia
Salam amigos! Ontem, 29 de outubro, os iranianos ao redor do mundo celebraram o dia internacional de "Ciro, o Grande", o rei da Pérsia, que foi o autor do primeiro estatuto dos direitos humanos da história do mundo, também conhecido como o Cilindro de Ciro

Uma celebração não oficial

O Dia de "Ciro, o Grande" (em persa Ruze Kurosh-e Bozorg) é comemorado por comunidades iranianas em diferentes países, como Irã, Estados Unidos e Reino Unido.

A observância não é oficial e não é designada em nenhum calendário oficial, nem no calendário iraniano, nem no da UNESCO. Em 2017, Bahram Parsaei, representante de Shiraz no parlamento iraniano, expressou o pedido popular para que esta fosse reconhecida como uma cerimônia oficial do estado.

A escolha dessa data que em alguns anos, cai no dia 28  e em outros no dia 29, no calendário persa corresponde ao dia  7 do mês de Aban, se dá porque os iranianos acreditam  ser este o dia do aniversário da entrada de Ciro na Babilônia. Em outubro de 539 a.C., o rei persa tomou a Babilônia,  antiga capital de um império oriental que cobria desde o Iraque moderno, até a Síria, o Líbano e Israel. 

Mas afinal, quem foi Ciro, o Grande?

Representação do retrato de Ciro, o Grande
Ciro II, mais conhecido como Ciro, o Grande, foi rei da Pérsia entre 559 e 530 a.C. Fundador do Império Aquemênida, sob o seu governo, o império abraçou todos os estados civilizados do antigo Oriente Próximo e expandiu-se tanto a ponto de tornar-se o maior império que o mundo já havia visto. 

Ele também proclamou o que foi identificado por estudiosos e arqueólogos como a mais antiga declaração conhecida de direitos humanos, que foi transcrita no famoso Cilindro de Ciro entre 539 e 530 a.C.

Após ter morrido em uma batalha no Egito, Ciro foi sucedido por seu filho, Cambises II, que conseguiu aumentar o império conquistando o Egito, a Núbia e a Cirenaica durante seu curto governo.

Um modelo de governo e respeito aos povos conquistados

A fama deste grande rei também se deu por ter respeitado os costumes e religiões das terras que conquistou. Diz-se que na história universal, o papel do Império Aquemênida fundado por Ciro reside em seu modelo bem-sucedido de administração centralizada e no estabelecimento de um governo trabalhando em proveito e lucro de seus súditos. De fato, a administração do império através de sátrapas e o princípio vital de formar um governo em Pasárgada foram obras dele.  

Ciro, o Grande, também é bem reconhecido por suas conquistas em direitos humanos, política e estratégia militar, bem como por sua influência nas civilizações orientais e ocidentais. Tendo nascido em Pars, que hoje corresponde à moderna província iraniana de Fars, Ciro desempenhou um papel crucial na definição da identidade nacional do Irã moderno. 

Ciro e, de fato, a influência aquemênida no mundo antigo também se estendia até Atenas, onde muitos atenienses adotaram aspectos da cultura persa aquemênida como próprios, numa troca cultural recíproca.

A Celebração no Irã e no mundo 

Túmulo de Ciro, em Pasárgada, província de Fars
 O "Dia de Ciro" é comemorado principalmente no Irã e por comunidades iranianas em outros países, como o Reino Unido e os Estados Unidos. No Irã, aqueles que querem honrar a memória de Ciro, o Grande, visitam seu túmulo em Pasárgada, a antiga capital do Império Aquemênida, que é hoje um sítio arqueológico na província de Fars, localizado a cerca de 60 km de Shiraz.

Em outubro de 2016, milhares de jovens organizaram uma manifestação em Pasárgada. Eles cantaram: "Ciro é nosso pai, o Irã é nosso país", em uma crítica ao atual governo do Irã. A fim de conter as manifestações, desde 2017, o governo fechou o local do túmulo durante 3 dias próximos a data da comemoração.

Baseado em Cyrus the Great Day - Wikipedia  | Real Iran 


8 estereótipos culturais que os iranianos odeiam


Salam amigos!
Imagine a seguinte cena: você fala para seus amigos que já viajou para o Irã, e em seguida eles vem com uma série de perguntas como "Você fala árabe? Meu Deus, teve coragem de ir sozinha? Você teve que usar burca?"
A maioria das pessoas considera o Irã um país misterioso e intrigante. Mas o que pouca gente sabe é que ao visitar o país, descobre-se uma série de equívocos e falsos estereótipos todos inculcados pela mídia ocidental. Aqui está uma lista de oito estereótipos que os iranianos odeiam e que  com certeza, você  também deve evitar dizer, se não quiser deixá-los bem irritados!

1) Os iranianos são árabes

Iranianos com trajes típicos de várias etnias do país
Ao contrário do que muitos acreditam, nem todos os povos do Oriente Médio compartilham a mesma etnia. O Irã tem uma composição étnica incrivelmente diversa dentro de suas fronteiras, com o maior grupo étnico sendo composto pelos persas. Quase uma dúzia de outras minorias étnicas, incluindo azeris, curdos, árabes, balochis e lors, compõem mais de um terço da população total.

2) Os iranianos falam árabe


A língua oficial do Irã é, na verdade o persa, mas existem vários outros idiomas regionais reconhecidos, como o azeri, o curdo, o lori, o mazandarani, o gilaki e o balochi. O árabe também é falado principalmente na província de Khuzestan, na região sul. 

3) Tenha cuidado, o Irã é perigoso!

Fonte na Praça Amir Chakhmaq, em Yazd 
Até muito recentemente, muitos países desaconselhavam viajar para o Irã, mas isso foi em grande parte por falta de relações diplomáticas, em vez de preocupação genuína com a segurança. Na verdade, não só os crimes violentos contra estrangeiros é extremamente raro, mas a situação política interna também é muito estável, tornando-se um destino seguro para todos os turistas.

4) O povo iraniano odeia ocidentais

Não se deixe enganar pelos cantos de "morte aos EUA". Esse sentimento está reservado para certos presidentes e suas decisões prejudiciais de política externa e não se aplica a pessoas comuns do Ocidente! Na verdade, o povo iraniano é extremamente receptivo e hospitaleiro, então, como visitante, você certamente será bombardeado continuamente com convites para jantar e infindáveis ​​xícaras de chá durante todo o tempo em que estiver no Irã.

5) Não há nada para fazer no Irã

O Irã é um país extenso e há muito para descobrir em termos de maravilhas naturais, arquitetura requintada, em sua cultura milenar e em suas modernas cidades. Há atrações para todos os tipos de turistas no Irã incluindo aventura e esporte radicais cultura e história, religião e muito mais.   

6) As pessoas andam de camelos

Apesar das pesadas sanções internacionais, o Irã fez progressos consideráveis ​​em ciência e tecnologia, especialmente em áreas como ciência nuclear, ciência aeroespacial, desenvolvimento médico e pesquisa com células-tronco. A vida nas grandes cidades também é muito cosmopolita. A conta do Instagram Rich Kids of Tehran ganhou muita atenção recentemente por mostrar a ostentação do estilo de vida da classe alta do Irã.

7) As mulheres iranianas usam burca

Màscara tradicional usada pelas mulheres do sul do Irã
É comum ouvir muitas mulheres dizendo que não viajariam para o Irã porque não querem usar burca.  A burca, aquele véu que cobre todo o rosto, não faz parte da cultura iraniana. Na verdade, as iranianas mais conservadoras usam um tipo de véu que cobre todo o corpo que se chama chador, e em algumas regiões do sul do Irã usam uma máscara cobrindo o rosto. As turistas são obrigadas a usar o véu, mas muitas iranianas se vestem com um estilo bem ocidentalizado e usam o véu deixando à mostra a parte da frente do cabelo ou as pontas dos cabelos às costas, ou simplesmente colocam o véu pendurado no coque com o cabelo quase todo à mostra. 

8) Os iranianos não têm instrução

A educação dentro da cultura iraniana é altamente respeitada. Isso se reflete na alta porcentagem de iranianos que estudam no ensino superior, estimado em mais de 50%, um número alto em todo o mundo.

(Adaptado de Culture Trip)


Cineclube Apropriarte & Chá-de-Lima da Pérsia apresentam: “Salve o Cinema”



NÃO PERCA, MAIS UMA SESSÃO ESPECIAL DA PARCERIA 
CINE CLUBE APROPRIARTE & CHÁ-DE-LIMA DA PÉRSIA!

Este mês, vamos juntos assistir à exibição do premiado filme documentário “Salve o Cinema”, do diretor Mohsen Makhmalbaf, feito em homenagem ao centenário do cinema em 1995. 

Nesta ocasião, o diretor resolveu fazer um documentário e, para recrutar os atores do novo filme, ele publicou em um jornal de Teerã um pequeno anúncio. Como resultado, cinco mil candidatos se apresentaram, provocando um tumulto inesperado.

No interior de um teatro, homens, mulheres, crianças, jovens, adultos e até idosos aspirantes a atores são submetidos a um teste rigoroso diante do diretor. Em busca de seu sonho, pessoas comuns criam as cenas mais inusitadas, passando por todas as nuances do humor ao drama, sem saber que já estavam na verdade participando do filme.

Divertido e fascinante, “Salve o Cinema” é um registro histórico que mostra com extremo realismo como a forma de arte mais popular do último século influenciou as multidões do Irã na década de 1990, quando a produção cinematográfica deste país passou a conquistar o mundo.

Após a sessão haverá roda de conversa mediada por Janaina Elias, autora do blog Chá-de-Lima da Pérsia e sorteio de um brinde. 

🎬 CINECLUBE APROPRIARTE: “SALVE O CINEMA”
ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP
QUANDO: 19/10/18 - 19h30
Entrada: R$ 10,00



Como foi o evento Sarau Persa - Celebração do Aniversário de Rumi


Salam amigos! Atendendo a pedidos, no post de hoje vamos recordar momentos especiais do primeiro Sarau Persa, organizado pelo Chá-de-Lima da Pérsia em parceria com o Apropriarte, celebrando o aniversário do grande poeta místico Jalaluddin Rumi, que ocorreu no dia 28/09/18.

Apesar de já termos realizado outros eventos com a temática persa para o público brasileiro no decorrer deste ano, o sarau persa foi uma proposta inédita, que contou com a participação de um público diversificado entre brasileiros e iranianos de diversas crenças, entre eles queridos seguidores do blog.

Setembro (originalmente no dia 30), foi o mês de aniversário do poeta persa Rumi, e a mensagem de amor universal contida na obra deste grande mestre, favoreceu uma atmosfera de inspiração e conexão. Já nos dias anteriores à preparação do sarau, vários amigos e colaboradores aceitaram nosso convite e se dispuseram com muito carinho a contribuir com seus talentos para abrilhantar o nosso evento.

À tarde... antes do Sarau, durante os preparativos...

À noite...Decoração especial na entrada do Apropriarte, dando boas vindas ao público
No início da noite, a entrada do Apropriarte, ambientada no estilo de uma sala de visitas do Oriente Médio, com tapete e almofadas nos prepara para uma experiência de imersão cultural. Lavamos as mãos em uma água perfumada com pétalas de rosas, provamos uma refrescante bebida de água com lima-da-pérsia, e adentramos iluminada pela chama das velas...

Antes de iniciar o evento somos convidados a uma experiência gastronômica diferenciada preparada com muito carinho por nossa querida amiga Karima: um saboroso cozido de frango com trigo, pastas e pão sírio e um aromático chá de hibiscos acompanhado por brigadeiros de tâmara.

Damos início a cerimônia com a nossa convidada Renata Martins trazendo o poderoso gongo que nos chama para uma interiorização e nos envolve com suas potentes ondas sonoras.

Renata Martins abre a cerimônia com o som do gongo
Os músicos, Oscar Usman (flauta Ney) e Idel Fuks (bendir)

Entre os convidados, destacamos a presença de Leandra Yunis, especialista em literatura persa, nos presenteou com suas traduções inéditas dos poemas de Rumi. Recebemos também, Sérgio Rizek da  Attar Editorial que expôs alguns dos livros de Rumi traduzidos para o português, entre eles o maravilhoso Poemas Místicos - Divan de Shams de Tabriz que tive a felicidade de ler pela primeira vez.

Em seguida, a dupla de músicos Idel Fuks e Oscar Usman nos apresentaram belíssimas improvisações com o som potente do bendir  (percussão) e da hipnótica ney (flauta de bambu) e nos convidaram a cantar em uníssono, as melodias de inspiração Sufi. 

E para falar de um poeta místico como Rumi, ninguém melhor do que um representante de uma ordem Sufi. Tivemos a honra de ouvir Sheik Ahmad Shakir Nur ul-Huda, representante da Ordem Sufi Naqshbandi-Haqqani, no Brasil, falando sobre o significado da poesia no sufismo e nos convidando a experimentar a prática do Zikr, ou "lembrança de Deus", através do canto, acompanhado pela percussão e pelo som harmonizante da taça de cristal de quartzo.

A Moça do Chá declamando os poemas de Rumi :) 

Luis Felipe Dib, coordenador do Apropriarte e o Sheik Ahmad Shakir 
 Veja alguns depoimentos dos nossos convidados sobre a experiência de participar do evento: 
"Gostaria de agradecer ao espaço acolhedor e as pessoas inspiradoras que convergiram as afinidades através do poema e mística de Rumi, que nos trouxe uma alegria nesse encontro de celebração do nascimento desse Amigo de Deus" - Karima 
"O sarau foi surpreendente! A energia e a sintonia entre as pessoas estava incrível! Parabéns a Janaina e Maria Augusta pela iniciativa! " - Renata Martins (Coach e instrutora de Meditação)
"Agradecemos o convite e nos sentimos honrados por fazer parte desse dia tão especial que foi a comemoração do aniversário de um dos poetas mais significativos de todos os tempos" - Idel Fuks e Oscar Usman (músicos convidados) 

Somente quem esteve presente pode expressar o que foi participar de uma celebração poética, cultural e mística, compartilhar o que foi a essência da mensagem do mestre Rumi, o amor Universal!

>> Assista o vídeo: 



Gratidão enorme a todos os amigos, colaboradores e participantes que tornaram possível a realização e o sucesso deste primeiro Sarau Persa (e que este seja o primeiro de muitos!), em especial a Maria Augusta Dib, diretora, e Luis Felipe Dib, coordenador do Apropriarte por abraçarem com tanto carinho a divulgação da cultura persa em parceria com o Chá-de-Lima da Pérsia!

Compartilho aqui um trecho do poema que li do livro "Poemas Místicos: Divan de Shams de Tabriz" (Attar Editorial), uma coletânea dos poetas do mestre espiritual de Rumi: 
Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
E reflete, como a mina de rubis ,
Os raios de sol para fora de ti.
 
A viagem te conduzirá a teu ser,
Transmutará teu pó em ouro puro.
 
Ainda que a água salgada
Faça nascer mil espécies de frutos,
Abandona todo amargor e acidez
E guia-te apenas pela doçura.
Mawlana Rumi