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Guest post: "A evolução histórica da música iraniana ou persa"

Salam amigos! Aqui no blog você também tem espaço para compartilhar os seus conhecimentos sobre a cultura do Irã, seja por meio de histórias, relatos, artigos ou qualquer outro material. Hoje trago para vocês um artigo do nosso amigo e colaborador iraniano de Brasília, professor Farhad Sasani, que ministra os cursos de Iranologia - Cultura Iraniana e Língua Persa na Universidade de Brasília UnB. Neste artigo, ele descreve as características da música tradicional do Irã e sua evolução ao longo da história.



Por Farhad Sasani

A música iraniana ou persa tem uma longa história que remonta às antigas civilizações como o império Elamita (2700-539 a.C.). Porém, a música clássica do Irã tem raízes no Império Sassânida (224-651). Essa música se chama sonnati (tradicional) ou asil (original) em persa, e é celebrada e apreciada em todas as regiões do centro e Oeste da Ásia onde se pode sentir a influência da cultura iraniana e onde anteriormente se situava o Grande Irã. Muitos músicos como Bārbod (Pahlbod), Nagisā (Nakisā), Bāmshād e Rāmtin, para citar alguns nomes importantes, tocavam nas cortes Sassânidas. Eles utilizavam os instrumentos como tchang (harpa), alaúde, e ney (flauta). As dicas da música modal e a origem da música sonnati, foram desenvolvidas nesse período especialmente por Bārbod; em sete modos se chama dastgāh,  em 30 modos derivados se chama lahn e em 360 melodias se chama dastān, respectivamente de acordo com os números de dias da semana, mês e ano.

Representação de músicos em um carimbo descoberto em Tchoghā Miss (6800 a.C.), Shusha (Susa)
Harpistas sassânidas, relevo de Tāq e Bostān, Kermānshāh

Harpista, mosaico em um palácio Sassânida, Bishāpur, província de Fārs

Antigo prato com figuras de músicos, Império Sassânida

Após o advento do islã no Irã, no século VII, o sistema foi reelaborado por mestres e músicos e teorizado por cientistas como:

  • Nashid Fārsi (?-699)
  • Ebrāhim Museli (742-803)
  • Zeryāb (788-857), Ufi Al-Aqāni
  • Khordādbeh (826-912), que escreveu vários livros
  • Ahmad Sarakhsi (?-899), Musiqi e Kabir (O Grande Livro da Música) e Musiqi e Saqir (O Pequeno Livro da Música)
  • Zakariā Rāzi (854-925), Fi Jomal al-Musiqi (A Sinopse da Música)
  • Rudaki (858-941)
  • Abuabdollāh Khārazmi (?-981), que escreveu sobre música em sua enciclopédia, Mafātoh al-Olum (As Chaves das Ciências)
  • Eshāq Museli (766-849)
  • Abunasr Fārābi (872-950) que escreveu um dos mais importantes livros sobre música, Musiqi e Kabir (A Grande Música)
  • Abolfaraj Esfahāni (896-966) que escreveu Ketāb e Āqāni (O Livro de Aghani)
  • Avicena (980-1037), que escreveu sobre música em sua enciclopédia, Shafā (Cura)
  • Safioddin Urmavi (1216-1294) que escreveu os livros Resāle e Sharafiye (Tratado Sharafiyé) e  Ketāb e Advār (O Livro das Épocas)
  • Qotboddin-Mohammad Shirāzi (1236-1312) que escreveu uma enciclopédia sobre música
  • Ali Gorgāni (1340-1413), Maqālid e Olum (As Chaves das Ciências)
  • Abdolqāder Marāqi (1360-1434) que escreveu vários livros, especialmente Maqāsed al-Alhān va Jāme' al-Alhān (Os Ideais da Música e a Coleção da Música), e inventou seu próprio sistema de notação musical.

Durante o Império Safávida, muitas alterações foram feitas, mas foi durante a dinastia Qājār (1789-1925) que 7 dastgāhs (modos) e 5 āvāzi (canções) e mais 50 dastgāhs foram preservados e documentados. O nome das melodias derivadas nucleais atualmente é gushe, e a coleção completa das gushes se chama radif. Os sistemas de radif mais frequentemente usados atualmente foram elaborados por Mirzā Abdollāh (1843-1918), Abolhasan Sābā (1902-1957), Aliakbar Shahnāzi (1897-1985) e Abdollhāh Davāmi (1891-1981). Em 2009, o sistema musical Radif foi oficialmente registrado na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Características particulares da música tradicional persa: 

  1. A música tradicional persa tem base tanto na improvisação quanto na composição, e numa performance musical, os músicos compõem várias gushes improvisadamente
  2. A composição e notação musical da āvāz (canção) na música sonnati estão juntas com melodias musicais com as mesmas notações
  3. O maestro da orquestra é o vocalista
  4. O vocalista pode tocar um instrumento, em particular um de cordas tal como tār
  5. As letras geralmente são escolhidas de poemas clássicos que têm vários estilos métricos na prosódia persa, especialmente Qazal (Gazel). Os poemas mais cantados são os de Hafez (1315-1390) e Molavi (Rumi) (1207-1273). Portanto há um tema espiritual ou romântico nos poemas em geral. As letras das músicas nos estilos modernos do século XVIII, se chamam tasnif (balada ou ode).
  6. Um coro pode acompanhar o vocalista em alguns versos ou formar a música vocal
  7. As composições podem variar substancialmente do início ao fim, tanto que normalmente começam com um pishdarāmad (pré-prelúdio), darāmad (prelúdio), a canção rítmica e várias gushes, alternando entre peças baixas (forud), altas (oj), contemplativas e demonstrações estéticas sem letras ou com letras chamadas tahrir.
  8. Nessa música, há intervalos de um tom, três quartos-de-tom, semitom e um quarto-de-tom.

Famílias de instrumentos musicais 


Os instrumentos musicais tradicionais do Irã possuem três famílias:

  1. Instrumentos de corda: tchang (harpa), tār, dotār, setār, qānun, tanbur, robāb, mehri, shushak, serud, danbare, shahrud, barbat ou rud ou ud (alaúde), santur, kamāntche e qeytchak
  2. Instrumentos de sopro:  ney, neylabak ou ney-e-haftband sornā, karnā, shāx, arqanun, shāvqar, shahnāy, arabāne, musiqār, molu, nāymoshk ou neyanbun, bishe e tutak
  3. Instrumentos de percussão: tonbak, daf, dāyere, dohol, senj, jalājal, tchaqāne e zangal

Santur

Tār nas mãos do mestre Hossein Alizāde

A música é importante em todos os aspectos da cultura iraniana, nos momentos de felicidade ou de lamentações, na vida diária ou nos eventos. A música é a parte indispensável dos poemas folclóricos como matals e poemas para crianças como canções de ninar, das performances teatrais como teatros de fantoches e Shāhnāmekhāni (contação de histórias do Shahnāme teatralmente), das lamentações pessoais ou elegias religiosas como nohekhāni ou performances elegiais de shabihkhāni ou ta'zie (originamente Sug-e-Siāvash ou Elegias de Siavash), e dos esportes como koshti-e-pahlavāni ou varzesh-e-zurkhānei ou kushti-e-bāstāni, uma antiga arte marcial iraniana. 


As várias formas de música locais se chamam musiqi e navāhi; em todas as regiões do Irã com instrumentos tradicionais ou regionais as músicas são nomeadas como Khorāsāni, Kordi, Balutchi, Bushehri, Gilaki, Azari, Lori, Bakhtiāri, Jonubi, Turcoman...

Banda Rastāk tocando instrumentos tradicionais com melodias regionais
A música moderna iraniana, nos estilos clássico, pop, rock, hip-hop, pode conter vários instrumentos e melodias tradicionais. Além disso, há vários tipos de músicas amalgamadas e heterogêneas na música contemporânea iraniana.

Segue abaixo uma lista de artigos e referências sobre música iraniana:

Caton, Margarat e Neil Siegel (eds.), Cultural Parameters of Iranian Musical Expression (California: The Institute of Persian Performing Arts, 2002).

During, Jean, Zia Mirabdolbaghi e Dariush Safvat, The Art of Persian Music (Washington: Mage Publishers, 1991).

Fallahzadeh, Mehrdad, Persian Writing on Music: A Study of Persian Musical Literature from 1000 to 1500 AD, Doctoral disseration (Uppsala Universitet, 2005).

Farhat, Hormoz, The Dastgāh Concept in Persian Music (Cambridge: Cambridge University, 1990).
Miller, Lloyd Clifton, Music and Song in Persia: The Art of Āvāz (Curzon Press, 1999).


Encyclopeadia Iranica (em inglês):

Wikipedia (em inglês):

Blog Magda Pucci: 

Mais informações sobre música iraniana aqui no blog: 


Como foi o evento Nowruz: Celebração Cultural do Ano Novo Persa em São Paulo


Salam amigos! Agora sim, nosso material em vídeo ficou pronto e você poderá recordar um dos momentos mais belos da história do Chá-de-Lima da Pérsia, o evento Nowruz: Celebração Cultural  do Ano Novo Persa, que ocorreu em São Paulo no dia 24/03/18 em parceria com o APROPRIARTE!

O evento, que deu sequencia a parceria entre o blog Chá-de-Lima da Pérsia e o APROPRIARTE, organizado e realizado com muito carinho e dedicação, contou com a presença de amigos brasileiros e iranianos. Trabalhamos com muito afinco em toda pesquisa de culinária, decoração e organização das atividades. Como resultado, o público teve a oportunidade de participar de uma verdadeira experiência de imersão na cultura iraniana, com decoração típica, bazar intercultural, exposição de livros, degustação de comidas típicas, música e muita descontração. 

Entre as atrações tivemos uma apresentação sobre o significado do Nowruz e o simbolismo da Haft Sin, a mesa tradicional, composta de sete objetos que começam com a letra "S" na língua persa. Em seguida, o professor Daniel Plácido apresentou uma palestra riquíssima sobre o filosofo persa Sohravardi e nossos convidados iranianos, os irmãos Farhad e Shirin Abdollahyan contaram como o Ano Novo persa é comemorado no Irã e pelos iranianos que vivem no Brasil e em outros países.

Nossa mesa Haft Sin completa saudando o Nowruz!

Apresentação sobre o simbolismo da mesa Haft Sin 

Detalhe da Haft-Sin (o peixinho dourado é de verdade!)

Exposição de livros e bazar intercultural 

Brasileiros e iranianos participaram do evento 

Os irmãos iranianos Farhad e Shirin contando como celebram o Nowruz 

Performance de dança Bandari com a Moça do Chá
Durante o evento, os participantes também tiveram a oportunidade de experimentar a culinária iraniana. Nosso cardápio foi composto de uma deliciosa porção de Mast o Khiar (iogurte com pepino), Sabzi Khordan va Kotlet ba Nan (verduras frescas e bolinhos de carne e batata com pão), um delicioso Cake Yazdi (bolo iraniano com água-de-rosas), refrescos de melão e romã, as saborosas tâmaras iranianas e o legítimo chá iraniano. 

Por fim, encerramos o evento com uma performance de dança bandari, apresentada por mim, convidando o público a vivenciar através da música e dança a alegria do povo iraniano.  

Veja o depoimento da nossa querida leitora amiga da Pérsia Raquel Ferrazzo sobre o evento: 
Gostaria de lhe dizer que foi um enorme prazer ter te conhecido e de ter participado desta celebração maravilhosa que foi o Nowruz (Ano Novo Persa). Senti-me em casa!  Ambiente agradável, pessoas gentis, divulgação da cultura persa com comidas típicas, artesanato, música, dança, palestra... Tudo perfeito!
Gostaria que tivesse mais eventos como este, pois acho muito importante este encontro de culturas (Brasil e Irã).
Parabéns pelo belo trabalho que você faz com o blog Chá-de-Lima da Pérsia e parabéns também para APROPRIARTE pela parceria. Muito sucesso a todos!

Enquanto os iranianos celebraram a chegada do Ano Novo Persa de 1397, muitos dos nossos amigos brasileiros tiveram o seu primeiro contato com esta festividade e com esta cultura em nosso evento. 
O Nowruz com certeza foi um evento inesquecível para todos! 

>> Veja o vídeo do evento com maravilhosas imagens e edição de Livia Cappellari:  


Gratidão enorme a todos que participaram e colaboraram com o sucesso do nosso primeiro evento Nowruz: Celebração Cultural do Ano Novo Persa, em São Paulo! 

Agradecimentos especiais à direção e toda equipe de colaboradores do APROPRIARTE que acreditam em meu trabalho e abriram as portas para a realização deste sonho! 


CCSP exibe mostra de filmes do diretor Jafar Panahi


Salam amigos cinéfilos! De 24 a 29 de abril tem uma mostra de cinema dedicada ao diretor Jafar Panahi no Centro Cultural São Paulo (CCSP)! A programação traz os seus principais filmes, desde O balão branco até o seu filme mais atual, Onde está você, Jafar Panahi? e um curta-metragem documental sobre o seu mestre, Abbas Kiarostami.


Sobre o diretor: 
Panahi é um dos mais influentes diretores da “new wave iraniana”. Conhecido pelo seu retrato realista e corajoso da paisagem contemporânea da vida no Irã, e também um dos grandes diretores da atualidade, premiado nos principais festivais do mundo, como Cannes, Berlim e Veneza. Seus temas, geralmente mulheres e personagens à margem da sociedade, são tratados com um humanismo raro. Trabalhando sempre com atores não profissionais, geralmente interpretando a própria vida, seus filmes evocam a urgência social das realidades Irã, a partir do microcosmo de vidas comuns.
O diretor recentemente foi sentenciado a seis anos de prisão, junto com sua mulher, sua filha e mais 15 amigos, por propaganda contra o governo iraniano, e proibido de filmar por 20 anos, por sua associação com o Green Movement. Seus últimos filmes, o documentário Isto não é um filme, e o urso de ouro Táxi Teerã, foram feitos sob o regime de proibição, com o apoio de cineastas e organizações estrangeiras. 

Segundo o escritor Hamid Dabashi: “Panahi nunca faz o que lhe dizem – aliás, ele fez uma carreira de sucesso fazendo exatamente o contrário”.


Confira a programação completa e os horários dos filmes no site do Centro Cultural São Paulo (CCSP)


MOSTRA: Onde está você, Jafar Panahi?
ONDE: Centro Cultural São Paulo 
Rua Vergueiro 1000, Paraíso São Paulo - SP (Metrô Vergueiro)
Sala Lima Barreto (99 lugares)
QUANDO: De 24 a 29 de abril/2018 
GRÁTIS - a bilheteria será aberta uma hora antes da primeira sessão do dia 


A história do jazz no Irã

Ingresso para o concerto de Duke Ellington em Abadan, 1963
O jazz chegou ao Irã, juntamente com uma série de outras influências estrangeiras, durante a década de 1960. Duke Ellington e Ella Fitzgerald eram os favoritos entre os aficionados da moda do jazz intelectual do Irã no final dos anos 60, quando o ritmo fazia a trilha sonora dos resorts de verão em Mazandaran, no Mar Cáspio. Porém no final da década de 1970, a Revolução Islâmica trouxe uma proibição de longo prazo à música secular. Nos tempos atuais, as proibições perderam a força e é possível até relaxar ao som do jazz no Museu de Arte Moderna ou nos cafés de Teerã.  

A palavra jazz - ou  jaaz, como os iranianos tendem a pronunciá-lo - estava, no entanto, inicialmente sujeita a algum mal-entendido. "Como a bateria era vista como o principal instrumento do que para a maioria dos iranianos era um estilo musical novo, inicialmente havia uma tendência a se referir a qualquer música que tivesse esse instrumento como jazz", diz o produtor musical de Teerã, Ramin Sadighi. "Um dos maiores pop stars iranianos da época, Vigen Derderian, por exemplo, foi apelidado de  Sultan of Jazz, simplesmente porque sua banda apresentava um baterista."



Vigen, o saudoso "Sultão do Jazz" canta a canção Fenjun Tala 

De acordo com Sadighi, a história do jazz no Irã começa no início dos anos 1960: "A indústria petrolífera do país estava crescendo na época, especialmente na província de Khuzestan, no sudoeste. A maior parte da extração petrolífera era feita pelos britânicos e americanos. As empresas e os funcionários tinham seus próprios clubes - em Ahvaz, Khorramshahr e Abadan, por exemplo - onde tocava jazz. "

Em um artigo publicado no livro "Jazz World / World Jazz" em 2017, o musicólogo e professor Laudan Nooshin, de Londres, descreve o jazz como um interesse minoritário no Irã em comparação com a música pop, mas também aponta que Shah Mohammad Reza Pahlavi fez uso de sua popularidade crescente para promover seu objetivo de transformar o Irã em um estado secular.

Jovens dançando jazz em uma festa em Teerã na década de 1960
Durante esse período, muitas estrelas da música internacional vieram ao Irã e os músicos convidados evidentemente apreciavam o potencial inspirador que as viagens ao país ofereciam. Um deles, o baterista americano Max Roach, aproveitou a oportunidade para trabalhar com percussionistas iranianos tradicionais e em 1969 se apresentou no renomado Festival de Artes de Shiraz.

Em 1963, Duke Ellington também apareceu no palco em Abadan e Isfahan como parte de uma turnê pela Ásia patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA. Três anos depois, seu álbum "Far East Suite" foi lançado, com faixas como "Isfahan", refletindo as experiências e impressões coletadas durante a turnê.


Mas será que havia de fato algum músico de jazz iraniano naquela época? "Sim", diz Ramin Sadighi, "mas eles eram bandas cover, tocando coisas como 'Take Five' de Dave Brubeck, que era muito popular na época. As coisas mudaram na década de 1970 quando muitos grupos voltaram-se para o rock and roll..."

Foi Lloyd Miller  o principal responsável por ampliar os horizontes musicais de muitos dos artistas de jazz iranianos. Nascido em Glendale, Califórnia, em 1938, o etnomusicólogo, compositor e multi-instrumentista americano passou sete anos no Irã, a partir de 1970, realizando pesquisas.

Lloyd Miller em seu programa na televisão nacional iraniana na década de 1970
Com seu próprio programa de jazz no canal de televisão nacional iraniana NIRT, ele explorou os limites da música ocidental tradicional iraniana e moderna sob o pseudônimo de Kurosh Ali Khan, além de tocar piano, clarinete e vários instrumentos de percussão e cordas persas. Sua grande paixão era a improvisação e as sessões com músicos iranianos e não iranianos fariam as conexões entre culturas musicais aparentemente contrastantes visíveis e audíveis.

Embora o jazz tocado pelos iranianos seja agora mais diversificado e variado, Ramin Sadighi reluta em afirmar que músicos de jazz persas têm uma assinatura acústica única, especialmente tendo em vista o fato de que a música secular foi banida por mais de uma década, na esteira da Revolução Islâmica de 1979. "Até que houve um relaxamento das regras na década de 1990 e as coisas começaram a mudar. Com as importações de CDs do exterior permitidas, tornou-se possível comprar discos de nomes como Keith Jarrett e Jan Garbarek. O jazz iraniano existe hoje, mas há elementos da música tradicional persa e de seu sistema modal que se encaixam no jazz tocado aqui. Vestígios ocasionais da música persa também são detectáveis ​​nos ritmos ", disse Ramin. 

O produtor Ramin Sadighi
Ramin Sadighi descreve uma das bandas que ele produz, Quartet Diminished, como uma banda de jazz progressivo. Mas mesmo na música de grupos iranianos que não se veem primariamente como bandas de jazz, traços de gypsy swing, klezmer e outros ritmos relacionados ao jazz estão inconfundivelmente presentes - grupos como o Palett Band de Teerã, por exemplo, são populares tanto no Irã quanto com os iranianos da diáspora.


Esse tipo de intercâmbio entre a cena musical iraniana e as comunidades iranianas exiladas na América e na Europa também acontece com outros artistas. A cantora de jazz e blues Rana Farhan, por exemplo, mora em Nova York, mas suas letras predominantemente fazem referência a sua antiga pátria e poesia persa. Paaz, um coletivo internacional formado em Colônia pela cantora Maryam Akhondy, toca novos arranjos de composições conhecidas dos primórdios da rádio iraniana; suas influências se fundem em uma confluência musical melodiosa de jazz e chanson.


Ao contrário de seus colegas homens, no entanto, nem Farhan nem Akhondy têm permissão para se apresentar no Irã - mulheres solistas ainda estão proibidas há 29 anos após a Revolução Islâmica.

Adaptado de artigo de Bernd G. Schmitz para o site Qantara


Cine Clube Apropriarte e Chá-de-Lima da Pérsia apresentam: "O Silêncio"

EM ABRIL, CONTINUA A PARCERIA DO CINE CLUBE APROPRIARTE COM O BLOG CHÁ-DE-LIMA DA PÉRSIA.
Convidamos a todos para a sessão de cinema do mês de abril com exibição do filme: “O Silêncio”. 

“O Silêncio” traz a história de Khorshid, um garoto cego que possui uma incrível sensibilidade para sons e por isso ele trabalha em uma oficina afinando instrumentos musicais. Porém, sempre que ouve uma bela canção, o garoto se distrai e acaba chegando atrasado ao trabalho e recebe puxões de orelha de seu chefe. Além disso, Khorshid precisa conseguir o dinheiro do aluguel para que ele e sua mãe não sejam despejados da casa onde moram.
Neste premiado drama musical de rara beleza, ambientado no Tadjiquistão em 1998, o diretor Mohsen Makhmalbaf abandona a narração clássica e mostra alguns de seus temas favoritos usando o simbolismo da poesia Sufi. Uma obra prima do cinema iraniano que nos convida a refletir sobre como os sons do cotidiano regem a nossa vida. 

Após a sessão haverá roda de conversa mediada por Janaina Elias, autora do blog Chá-de-Lima da Pérsia e sorteio de um brinde. 

CINECLUBE APROPRIARTE: “O SILÊNCIO”
ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP
QUANDO: 06/04/18 - 19h30 
Entrada: R$ 10,00

Siga o Evento do Cine Clube Apropriarte no Facebook e fique por dentro da programação de cada mês!


Feliz Páscoa com ovos de Nowruz!

No Ano Novo persa estes ovos simbolizam o surgimento da vida, algo em comum com a data de hoje? 
Salam amigos da Pérsia que celebram esta grandiosa data cristã da Ressurreição de Cristo. Alguém aí ao abrir o papel alumínio reluzente de seus  ovos de chocolate acabou se lembrando que já comeu tudo antes dessa manhã abençoada? Que pena! Mas tudo bem, quem sabe você se lembra que Páscoa é um dia de reflexão e deixa a gula um pouco de lado. Ou então faz que nem os persas e tinge uns ovinhos cozidos com as cores da natureza (como se fazia antigamente no interior) para celebrar a vida e agradecer por ter bacalhau ou sardinha toda Semana Santa na mesa!
Mas brincadeiras e ironias a parte, ninguém me tira da cabeça que a tradição dos ovos de Páscoa surgiu na Pérsia. Aí você se pergunta, quem surgiu primeiro: o Nowruz ou a Páscoa? 
Resposta: há 5000 anos, séculos antes da Pessach dos hebreus e do Cristianismo se tornar uma religião e, da  indústria alimentícia explorar a nossa paixão pelo alimento calórico mais gostoso da terra, o chocolate, os persas já celebravam a chegada da primavera e o Nowruz com ovos cozidos pintadinhos. O costume chegou à Europa só lá pelo séc. XV, mas dizem que os primitivos cristãos do oriente que estavam ali pelas adjacências da Pérsia já associavam o simbolismo do ovo à ressurreição e surgimento de uma nova vida. Porém, essa história de coelhinhos que trazem ovos, não tem nada a ver com a Pérsia mesmo (alguns dizem que remonta ao antigo Egito, outros dizem que faz parte da mitologia germânica, etc).
No Irã, só celebram a Páscoa os cristãos Armênios, Assírios, Católicos e Protestantes, ou seja, uma minoria que não chega a 1%. Mas como algumas dessas igrejas seguem diferentes calendários, a data provavelmente não coincide o dia de hoje. A saudação de Feliz Páscoa em persa é : Eid-e-Pak Mobarak!

Ressurreição de Cristo, afresco na Catedral de Jolfa em Isfahan
!عید پاک مبارک
Feliz Páscoa!