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Homenagem aos leitores no Aniversário de 6 Anos do Chá-de-Lima da Pérsia


Salam amigos da Pérsia, do Brasil e de todo o mundo! Hoje é o dia em que o blog Chá-de-Lima da Pérsia completa 6 anos de uma história repleta de acontecimentos memoráveis. Em 24/01/2012, eu começava despretensiosamente a blogar, buscando saciar a minha vontade de conhecer o Irã, país tão incompreendido pela mídia ocidental. A cultura iraniana que até então, tem sido tão pouco explorada no mundo dos blogs se tornou a minha paixão e a motivação para produzir mais e mais conteúdo só cresceu de lá para cá.

Porém, eu jamais teria chegado aqui sozinha, afinal por trás de um blog de sucesso sempre há um público de qualidade ávido por boa informação. Este público composto de leitores, amantes e admiradores da cultura iraniana se tornou muito mais do que meros seguidores, mas uma verdadeira família de amigos que amam interagir, participar e abrilhantar o conteúdo do Chá com suas dicas, perguntas, contribuições e acima de tudo com seu carinho e respeito pelo trabalho desta blogueira que apelidam carinhosamente de Moça do Chá. E para agradecer a todo este apoio que continua crescendo a cada dia, compartilho nesta data tão especial a homenagem aos leitores deste ano: 
 


Continue participando do Aniversário do blog, deixe seu comentário!


Forugh Farrokhzād: uma voz que permanece viva na poesia


Salam amigos! Hoje vamos conhecer um pouco da vida e obra da célebre poetisa e cineasta iraniana Forough Farrokhzād, considerada uma das mais influentes vozes femininas da poesia no século XX.  

Forough Farrokhzād nasceu em 5 de janeiro de 1935 em Teerã, em uma família de classe média sendo a terceira de sete irmãos. Aos 15 anos ela ingressou na Escola Técnica Kamalolmolk, onde estudou moda e artes manuais. Aos 16, ela se casou com seu primo, o aclamado poeta satírico Parviz Shapour apesar de sua família ser contra e um ano depois teve seu primeiro filho Kamyar, para o qual dedicou “Um poema para você”. Seu casamento com Parviz durou apenas 3 anos, e após o divórcio seu ex-marido ganhou a guarda do filho. Após este episódio, ela decidiu atender seu chamado para a poesia e seguir a vida como uma mulher independente.

Forough com Parviz Shapour e seu filho Kamyar 
Sua primeira obra, publicada em 1955, intitulada Asir (A Cativa), contém quarenta e quatro poemas. Neste mesmo ano ela sofreu um colapso nervoso e foi internada em uma clínica psiquiátrica.  
Em julho de 1956 Forough deixou o Irã pela primeira vez em uma viagem de nove meses pela Europa, e também neste ano ela publicou seu segundo trabalho, contendo vinte e cinco poemas líricos curtos, intitulada Divar (O Muro), dedicados a seu ex-marido. Ao retornar para o Irã teve início o relacionamento de Forough com o escritor e cineasta Ebrahim Golestan que motivou sua inclinação para expressar a si mesma e a viver uma vida independente.  Em 1958, a terceira coleção de poemas de Forough. Esian (Rebelião), estabelecendo a ascensão de sua carreira como poeta.  

Em 1962, Forough também estreou sua carreira como cineasta, com o aclamado “A Casa é Escura” (assista aqui). Filmado em Tabriz, este documentário que mostra a vida em um leprosário foi aclamado internacionalmente e ganhou diversos prêmios.  Durante os doze dias das filmagens, ela se apegou a Hossein Mansouri, filho de um casal do leprosário, e adotou o menino que passou a viver na casa de sua mãe. Em 1963 a UNESCO produziu um documentário de trinta minutos sobre Forough. O renomado cineasta Bernardo Bertolucci também veio ao Irã para entrevista-la e decidiu produzir um filme sobre a vida da poetisa.

Durante as filmagens de "A Casa é Escura" (1962)
Em 1964 a quarta coleção de poemas de Forough, Tavallodi Digar (Outro Aniversário), com trinta e cinco poemas compostos durante um período de seis anos foi publicada. Sua poesia se tornara madura e sofisticada e uma rompeu profundamente com as convenções anteriores da poesia iraniana moderna. E em 1965, sua quinta coleção de versos "Vamos crer no início da estação fria” estava sendo impresso, mas foi publicado somente após sua morte.

Na tarde do dia 14 de Fevereiro de 1967, Forough sofreu um acidente enquanto dirigia seu automóvel ao voltar da casa de sua mãe em Darrus. Tentando evitar a colisão com um ônibus escolar, ela se chocou contra uma parede de pedra e ficou gravemente ferida. Com apenas 32 anos, no auge de sua criatividade faleceu uma das mais importantes vozes femininas da moderna poesia iraniana moderna. Seu enterro foi ao cair da neve no cemitério de Zahiro-Doleh em Teerã.

Forough Farrokhzad, ícone da resistência feminina
Durante os anos 1950, ela expressou claramente seus sentimentos a respeito do casamento, da luta das mulheres iranianas e de sua própria situação como esposa e mãe incapaz de viver uma vida convencional em poemas como “Cativa”, “A banda de casamento”, “Chamado aos braços” e “Para minha irmã”. Como mulher divorciada escrevendo poesias controversas em Teerã, Forough atraiu para si muita reprovação por parte da sociedade conservadora. Além disso, ela teve vários relacionamentos breves um dos quais descreve em seu poema “O Pecado”.

 A obra de Farrokhzad foi censurada durante mais de uma década após a Revolução Islâmica. No entanto ela é agora lembrada como uma famosa poetisa iraniana e defensora dos direitos das mulheres. Ela escreveu sua poesia em uma época muito difícil para as mulheres e suas poesias se tornaram controversas por sua ousadia e duras críticas a situação das mulheres na sociedade iraniana. Em outras palavras, a obra de Farrokhzad, é considerada a voz da mulher iraniana e mais de 50 anos depois sua influência ainda ressoa, ainda mais poderosamente e diretamente do que seria possível para as poetisas do Irã de hoje em dia.
   
Forough na década de 1960, fotografada por Ebrahim Golestan

BIBLIOGRAFIA DE FOROUGH FARROKHZAD

A Cativa (1955)
O Muro (1956)
Rebelião (1958)  
Outro Aniversário (1964)
Vamos crer no início da estação fria (póstumo 1967)
Pecado: poemas selecionados de Forough Farrokhzad (2007)

Ainda não há obras de Forough Farrokhzad traduzidas para a língua portuguesa. Por isso deixo com vocês duas traduções livres e em outras oportunidades postarei mais poemas:

OUTRO NASCIMENTO

Todo o meu ser é um cântico escuro
a perpetuar você
cântico que o levará ao amanhecer de eterno crescer e
desabrochar
Neste cântico eu suspirei você, suspirei.
Neste cântico eu uni você à árvore, à água, ao fogo.

A vida é talvez
uma longa estrada através da qual, uma mulher
carregando um cesto, passa todos os dias
A vida é talvez
uma corda com que um homem se pendura num galho
a vida é talvez uma criança voltando da escola.

A vida é talvez acender um cigarro,
repouso entorpecido entre dois atos de amor,
ou um passante confuso
que tira o chapéu para outro passante
com um sorriso vazio e um “bom dia”.

A vida é talvez o momento sem saída
quando meu olhar se destrói nos raios da íris dos seus olhos
e nisso há um sentimento
que se mescla à percepção da Lua
e da escuridão.

Numa sala, do mesmo tamanho que a solidão, meu coração é tão grande quanto o amor
que olha os simples pretextos da sua felicidade
na bela decadência das flores de um vaso
nos brotos que você plantou no nosso jardim,
na canção dos canários
que cantam na medida da janela.

Ah
esta é a parte que me cabe
esta é a parte que me cabe
parte que me cabe
é um céu que, quando cai
a cortina, é arrancado de mim.
A parte que me cabe desce uma escada sem uso
e alcança certa podridão e nostalgia.

A parte que me cabe é um passeio triste no jardim de memórias
ao deixar a vida na dor de uma voz que me diz:
Eu gosto das suas mãos.

Plantarei minhas mãos no jardim
e vou germinar, eu sei, eu sei, eu sei
e andorinhas botarão ovos
na cavidade manchada de tinta dos meus dedos.

Vestirei um par de cerejas vermelhas e idênticas, como brincos,
e enfeitarei com pétalas de dálias, as minhas unhas.
Há uma rua
onde os meninos que eram apaixonados por mim
demoram-se, ainda, com os mesmos cabelos despenteados,
pescoços finos e pernas magras.
Pensar no sorriso inocente de uma menina
que uma noite foi levada pelo vento.

Há uma rua
que meu coração roubou
dos bairros da minha infância.

Ao longo do tempo, a viagem de uma forma
insemina a linha seca do tempo,
uma forma consciente de uma imagem
voltando de uma festa num espelho.

E é dessa forma
que alguém morre
ou continua a viver.

Nenhum pescador achará uma pérola num miserável riacho
que deságua num açude.
Eu conheço uma triste fada,
que vive num mar imenso
e toca seus sentimentos mais profundos na flauta de madeira,

Pouco a pouco
uma pequenina e triste fada
morre com um beijo a cada noite
e renasce com um beijo a cada amanhecer.


SAUDAREI O SOL NOVAMENTE


Eu saudarei o sol novamente
Saudarei os córregos que fluem de mim
Saudarei as nuvens, meus longos pensamentos
O doloroso crescimento das flores no jardim
Que me acompanham na travessia da seca;

Saudarei os bandos de corvos que me trouxeram
A fragrância dos campos noturnos;
Minha mãe morava no espelho
E era a imagem da minha velhice;
A terra, com minha luxúria cotidiana
Preencheu suas entranhas, apaixonadamente, com sementes verdes.
Saudarei tudo isso novamente.
Eu virei, eu virei,
eu virei com meus cabelos: a continuação dos odores subterrâneos
Com meus olhos: as densas experiências da escuridão
Com as plantas que colho
Da floresta, atrás do muro.
Eu virei, eu virei, eu virei
E a chegada será preenchida de amor
E lá
Saudarei mais uma vez os apaixonados
E a menina que está em pé
Na entrada,
cheia de amor.


Traduções do livres inglês para o português realizadas por Gabriela Galli, a partir do livro Once again, Another Birth. Editor: Tofighafarin, Irã.




Participe da homenagem aos 6 anos do Blog Chá-de-Lima da Pérsia!


Salam amigos! No dia 24/01, o blog Chá-de-Lima da Pérsia completará 6 anos! E como vocês sabem, todo ano nesta data eu gosto de fazer uma homenagem bem especial a quem sempre me ajudou a estar tantos anos pesquisando e divulgando a cultura iraniana no Brasil, meus queridos leitores amigos da Pérsia!  No ano passado, fizemos uma homenagem super linda  com textos e fotos dos leitores com o tema que você pode conferir aqui,


Este ano vou fazer um pouco diferente...

Eu gostaria de saber:

Onde você pode encontrar a cultura iraniana aqui no Brasil? 
Em quais lugares da sua cidade, da web, ou do mundo real, pessoas ou estabelecimentos você recomenda para quem quer ter acesso à cultura do Irã aqui no Brasil?

Você pode enviar o seguinte: 
  • Fotos 
  • Depoimentos 
  • Uma montagem bem criativa
  • Desenhos ou trabalhos artísticos
  • Vídeos      (links para Youtube) 
Enfim, qualquer inspiração que você tenha com o tema de onde encontrar a cultura iraniana no Brasil...


Envie para o e-mail chadelimadapersia@hotmail.com até o dia 22/01/18! 


Participem e não deixem de abrilhantar os 6 anos de história do blog Chá-de-Lima da Pérsia!