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Ghalamkari: arte tradicional de estampagem em tecidos


Salam amigos! Hoje vamos falar do Ghalamkari, a arte tradicional iraniana de estampar em tecidos utilizando blocos de madeira entalhada. O termo ghalamkari deriva das palavras persas ghalam (caneta) e kari (trabalho), cujo significado pode ser traduzido como “desenho a caneta”. Esta técnica também é conhecida na Índia como Kalamkari. Ao tecido produzido com esta técnica é dado o nome de Ghalamkar.

A cidade de Isfahan é um dos mais importantes centros deste tipo de estampagem no mundo. Sua origem provavelmente remonta à era Safávida (séc. XVI). Os desenhos característicos da arte do Ghalamkari refletem os gostos e tendências desta época da história do Irã e eram utilizadas desde o vestuário até a decoração doméstica como cortinas, forros de mesa e painéis decorativos de tecido, geralmente pintados à mão. Os reis persas presenteavam os imperadores e dirigentes de outros países com tecidos Ghalamkar como prova de amizade e da mais alta consideração.

Oficina de Ghalamkari em Isfahan 
Até o final da era Qajar, todas estas peças decorativas eram pintadas à mão. Há cerca de 250 anos, com a necessidade de baratear o processo e produzir em maior escala, foram introduzidos os blocos para estampagem. Os primeiros blocos de impressão eram feitos de argila, depois passaram a ser de pedra e por fim de madeira de pereira, que é o material usado até hoje. Com o passar do tempo, o número de desenhistas dos tecidos Ghalamkar diminuiu e a variedade de padrões se limitou, mas graças à invenção dos blocos de impressão, os desenhos simples, significativos e belos continuam preservados e dando continuidade a esta arte milenar.

Os padrões das estampas são extremamente variados: geométricos, arabescos, florais e animais. Motivos figurativos pré-islâmicos como as gravuras de Persépolis, cenas de caça, jogo de polo e inscrições de poemas também são comuns. As cores principais são vermelho, azul, preto e amarelo. Uma toalha simples de 2 x1,40m (equivalente a uma mesa de seis lugares) recebe cerca de 580 estampas, já uma mais elegante pode chegar a 4000 estampas. Quanto maior o número de estampagens, mais valiosa a peça.

O processo de estampagem é feito com blocos de madeira entalhada 
Como são feitos os tecidos Ghalamkar:

As estampas são feitas utilizando blocos de madeira entalhados. Estes blocos de estampar geralmente são feitos de madeira de pereira que é considerada a mais durável e maleável para o entalhe. Com o bloco cortado no tamanho ideal, o desenho é feito à caneta e então entalhado com goivas e formões. A matriz é pressionada na tinta que tradicionalmente é feita à base de pigmentos minerais. O artesão bate a matriz no tecido com as próprias mãos, repetidas vezes até formar um padrão das bordas para o centro. Sempre aplica primeiro a cor preta, em seguida as demais cores. O trabalho é dividido entre vários artesãos, cada um trabalha com uma cor, utilizando uma matriz diferente.

Finalizada a estampagem, o tecido fica exposto ao sol e é fervido por uma hora para fixar os corantes. Ao mesmo tempo são adicionados os corantes naturais (rúbia e casca de romã) que dão o tom róseo do fundo do tecido. Em seguida, o tecido é lavado em um grande tanque. Após esta etapa, várias peças de tecido estampadas são colocadas em grandes tinas de cobre contendo um liquido estabilizador e fervidas novamente. Por fim, as peças recebem a lavagem final nas águas do rio Zayandeh, e são colocadas para secar nas suas margens.


>> Veja neste vídeo como é produzido o Ghalamkari





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