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Cinema Iraniano: Gosto de Cereja

DE VOLTA, O FILME DO MÊS!
Uma obra prima que traz o brilhantismo e poesia do cinema iraniano, em um gênero inovador 


Badi (Homayoun Ershadi) é um homem de meia idade, que angustiado dirige seu carro pelas estradas poeirentas dos arredores de Teerã. Ele está em busca de alguém que o ajude a realizar uma estranha tarefa, por (200.000 tomans, o equivalente a seis meses de trabalho). A tarefa é: enquanto ele se deita em um buraco na terra, a pessoa iria chamar seu nome duas vezes; se ele responder de volta, ajudá-lo a sair do buraco, e se ele não responder, enterrá-lo. Em outras palavras, Badi está tentando cometer suicídio e quer alguém para enterrá-lo. 
Na beira da estrada, ele encontra vários rapazes para os quais oferece carona e revela seu plano. Primeiro ele pede a um soldado curdo, que recusa a tarefa e sai do carro bruscamente. Em seguida, ele pede a um seminarista afegão, que rejeita a tarefa por motivos religiosos. Finalmente, ele encontra um velho taxidermista azeri que concorda em ajudá-lo, por estar precisando do dinheiro para o tratamento de seu filho doente; mas que antes tenta dissuadi-lo de sua ideia. O ancião revela que há muitos anos atrás também teve o desejo de cometer suicídio, mas desistiu ao provar o gosto das cerejas ( é daí que vem o título do filme).  
Não sabemos qual é o motivo pelo qual o protagonista Badi está tentando acabar com sua própria vida. Percebemos através de seu olhar deprimido e expressão melancólica, que ele vive solitário e deprimido, embora sua boa aparência e veículo possante, revelem uma boa condição social. Alguns detalhes sutis, apontam para uma suposta homossexualidade do personagem, como o momento em que ele elogia a aparência de um trabalhador, mas nada conclusivo.
Gosto de Cereja (1997), dirigido por Abbas Kiarostami, é uma história incomum, que surpreendeu o mundo, com seu estilo inovador. Sendo o primeiro filme iraniano a ganhara Palma de Ouro em Cannes, consolidou um processo de reconhecimento internacional do diretor iniciado dez anos antes por “Onde fica a casa do meu amigo?” (1987) e revelando o carismático Homayoun Ershadi, que na época não era um ator profissional, mas que depois seguiu brilhantemente a carreira no cinema. 

Gosto de Cereja (1997)
Irã| Drama | 95 min.| cor
Direção: Abbas Kiarostami
Elenco: Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri, Afshin Khorshid Bakhtiari, Safar Ali Moradi, Hossein Noori 

>> Assista o filme completo com legendas em português:


A lenda de Arash, "o Arqueiro "

Escultura de Arash Kamangir, no palácio  Saadabad em Teerã
Salam amigos! Hoje vamos conhecer a lenda de Arash Kamangir, ou Arash “o Arqueiro”, um grande herói da mitologia persa que para os iranianos é o símbolo do sacrifício e coragem. O nome Arash é muito popular entre os iranianos (incluindo um cantor famoso) e significa "luminoso" ou "brilhante". O festival de Tirgan (solstício de verão) celebra a vida deste herói e sua história é contada no Shahnameh de Ferdowsi, e em muitas outras fontes da literatura iraniana. 

Resumidamente, a história de Arash é assim contada pela tradição popular:

Quando a longa e sangrenta guerra entre os reinos do Irã e Turan pela “glória real” (khwarrah) chegou ao fim, o General Afrasiab foi cercado pelas forças do justo Manuchehr, e os dois lados concordaram em selar a paz. Ambos chegaram a um acordo em que a terra à distância de um tiro de arco seria devolvida a Manuchehr e aos iranianos, e o restante para Afrasiab e os turanianos. Um anjo (segundo al-Biruni o Amesha Spenta Armaiti, chamado no persa médio de Spendarmad) instruiu Manuchehr a construir um arco e flecha especiais e Arash (segundo o Avesta “aquele que tinha a flecha mais rápida entre os arianos”), foi o escolhido para realizar a tarefa de atirá-la.

Arash, o melhor arqueiro do exército persa foi escolhido para demarcar a fronteira do Irã
Na brilhante manhã de Tirgan, o primeiro mês do verão (julho), Arash escalou o Monte Damavand e despindo-se disse: “Ora! Meu corpo está livre de qualquer ferida ou doença; mas depois de atirar esta flecha eu serei completamente destruído”. Assim, ele mirou em direção as terras de Turan, e com toda sua força esticou o arco. Deus comandou o vento e sustentou a flecha durante toda a manhã até as distâncias mais remotas de Khorasan onde esta caiu ao meio-dia, há 2250 quilômetros da margem do Rio Oxus que agora está na Ásia Central. Deste modo a fronteira entre os iranianos e turanianos estava estabelecida e permaneceu durante séculos até a invasão dos mongóis no séc. X.
Quando Arash disparou seu arco, seu corpo partiu-se em mil pedaços e ele morreu. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Ainda há histórias de viajantes que se perderam nas montanhas que dizem que ouviram a voz de Arash, e assim encontraram seu caminho de volta e salvaram suas vidas.



Do alto do Monte Damavand, Arash dispara a flecha em direção as terras de Turan

Diferentes versões da lenda

A lenda de Arash é contada com maior riqueza de detalhes somente nas fontes do período islâmico, embora estas contenham muitas variações entre si.
Segundo Talebi e Bal’ami, após atirar a flecha, Arash é destruído pela força de seu tiro e desaparece. Segundo al-Tabari, após o feito ele é nomeado como comandante dos arqueiros e vive o resto de sua vida com grande honra. A distância da flecha também varia: segundo um autor, é de mil léguas (farsakhs), segundo outro ator é de quarenta dias de caminhada. Com relação ao tempo, para alguns autores a flecha viajou do amanhecer até o meio-dia, do amanhecer até o pôr-do-sol ou até mesmo 2 dias e 2 noites!
A flecha de Arash viajou do nascer do sol ao meio-dia...


A localização de onde Arash atirou sua flecha também varia. No Avesta (que não menciona locais do Irã ocidental), o ponto é o Airyo khshaotha, uma localidade não mais conhecida. Fontes da Era Islâmica tipicamente identificam o local em algum lugar ao sul do Mar Cáspio, sendo às vezes no Tabaristan, no topo de uma montanha em Ruyan , na Fortaleza de Amol, no Monte Damavand ou em Sari. O lugar onde a flecha caiu também é identificado como o Monte Khvanvant, no Avesta (localização também desconhecida); um rio em Balkh; a leste de Balkh nas margens do Rio Oxus ou em Merv. De acordo com al-Biruni, ela caiu em uma nogueira entre “Fargana and Tabaristan nos confins de Khorasan.” Outros registros se desviam dessa antigas tradições, provavelmente devido a influência das flutuações na compreensão de onde a fronteira oriental do Irã se situa atualmente. 

De acordo com o tratado em persa médio Mah i Fravardin, este evento ocorreu no 6º dia do 1º mês (Fravardin); porém outras fontes mais tardias associam o evento com o nome das festividades Tirgan em 13 de Tir (aproximadamente 3 ou 4 de Julho) “provavelmente” devido à semelhança do nome do Yazata Tir (cujo significado é “flecha"). Atualmente os iranianos celebram a data com guerra de água, danças, recitação de poesias e comidas típicas como sopa de espinafre e sholezard. Também há um costume entre as crianças de amarrar uma fita colorida em um apito que é tocado durante 10 dias e depois jogado fora em água corrente.


E você também se interessa pela mitologia persa? Deixe um comentário!


5 Segredos de beleza das mulheres iranianas

Ilustração: Rashin Kheirieh
Salam amigos! A beleza das mulheres iranianas é bem conhecida ao redor do mundo, apesar de serem obrigadas a manter a maior parte de seu corpo coberta, devido a lei islâmica, elas dão muita importância a tratamentos estéticos e a forma física, sem falar da obsessão atual por cirurgias plásticas. Pele perfeita, olhos expressivos e visual impecável são algumas das características marcantes destas mulheres. E qual é o segredo da beleza das iranianas? No post de hoje vamos revelar alguns dos hábitos de beleza iraniana que você também pode adotar!

1- Maquiagem para realçar os olhos 


As iranianas já possuem naturalmente rostos bonitos e olhos muito expressivos. E elas sabem realçar ainda mais esses atributos através da maquiagem. Uma vez que o rosto é uma das únicas partes do corpo que ficam à mostra, elas procuram torna-lo o mais atraente possível. O segredo delas é aplicar uma camada de base corretiva na região dos olhos, antes da sombra e do delineador. O kohl, que necessita um pouco mais de treino para aplicação é um dos produtos mais utilizados e traz um efeito muito atraente para o olhar. 


2- Depilação facial com linha 


As sobrancelhas das mulheres iranianas às vezes são muito grossas, ou até mesmo monocelhas. Por isso elas utilizam um método tradicional de depilação com linha chamado bande abru. Este método que também é utilizado para depilar as outras partes da face, remove o folículo do pelo e o resultado é impecável, mas deve ser feito por alguém com muita prática. Outro segredinho das iranianas para manter as sobrancelhas sempre arrumadas é penteá-las com uma escova de dentes, muitas fazem isso como um ritual várias vezes ao dia. 


3 – Uso da água-de-rosas como cosmético


As mulheres iranianas têm o hábito de utilizar a água-de-rosas na pele. Ela contém óleo de rosa e vitaminas A e E, ingredientes que ajudam a nutrir e suavizar a pele. Além de limpar, hidratar e perfumar, as propriedades anti-inflamatórias da água-de-rosas também ajudam a prevenir problemas de pele como acne e espinhas. É por isso que as iranianas têm uma pele sempre saudável e bonita. 

4 – Luva para esfoliação


Um dos segredos das iranianas para uma pele sempre bonita também é a esfoliação suave com o kiseh (luva para esfoliação) durante o banho. Junto com o kiseh, as iranianas também usam o sefitab, um esfoliante feito de minerais e gordura animal. A esfoliação remove as células mortas, ajudando a pele a respirar melhor e eliminar toxinas, deixando-a com uma aparência saudável e sedosa, além de ser muito energizante. 


5- Uso de óleos corporais 


O hábito de passar óleo no bebê que muitos de nós não dá mais importância na vida adulta é um dos hábitos de beleza das mulheres iranianas. Para ter uma pele radiante, as iranianas fazem o uso de bons óleos corporais. O seu uso ajuda a manter a pele fresca e hidratada, prevenindo o ressecamento e descamação. Além disso, seu uso regular ajuda a retardar o envelhecimento da pele. 

E você, utiliza alguns destes ou outros hábitos de beleza iranianos? Compartilhe sua dica com a gente deixando um comentário! 



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Ghalamkari: arte tradicional de estampagem em tecidos


Salam amigos! Hoje vamos falar do Ghalamkari, a arte tradicional iraniana de estampar em tecidos utilizando blocos de madeira entalhada. O termo ghalamkari deriva das palavras persas ghalam (caneta) e kari (trabalho), cujo significado pode ser traduzido como “desenho a caneta”. Esta técnica também é conhecida na Índia como Kalamkari. Ao tecido produzido com esta técnica é dado o nome de Ghalamkar.

A cidade de Isfahan é um dos mais importantes centros deste tipo de estampagem no mundo. Sua origem provavelmente remonta à era Safávida (séc. XVI). Os desenhos característicos da arte do Ghalamkari refletem os gostos e tendências desta época da história do Irã e eram utilizadas desde o vestuário até a decoração doméstica como cortinas, forros de mesa e painéis decorativos de tecido, geralmente pintados à mão. Os reis persas presenteavam os imperadores e dirigentes de outros países com tecidos Ghalamkar como prova de amizade e da mais alta consideração.

Oficina de Ghalamkari em Isfahan 
Até o final da era Qajar, todas estas peças decorativas eram pintadas à mão. Há cerca de 250 anos, com a necessidade de baratear o processo e produzir em maior escala, foram introduzidos os blocos para estampagem. Os primeiros blocos de impressão eram feitos de argila, depois passaram a ser de pedra e por fim de madeira de pereira, que é o material usado até hoje. Com o passar do tempo, o número de desenhistas dos tecidos Ghalamkar diminuiu e a variedade de padrões se limitou, mas graças à invenção dos blocos de impressão, os desenhos simples, significativos e belos continuam preservados e dando continuidade a esta arte milenar.

Os padrões das estampas são extremamente variados: geométricos, arabescos, florais e animais. Motivos figurativos pré-islâmicos como as gravuras de Persépolis, cenas de caça, jogo de polo e inscrições de poemas também são comuns. As cores principais são vermelho, azul, preto e amarelo. Uma toalha simples de 2 x1,40m (equivalente a uma mesa de seis lugares) recebe cerca de 580 estampas, já uma mais elegante pode chegar a 4000 estampas. Quanto maior o número de estampagens, mais valiosa a peça.

O processo de estampagem é feito com blocos de madeira entalhada 
Como são feitos os tecidos Ghalamkar:

As estampas são feitas utilizando blocos de madeira entalhados. Estes blocos de estampar geralmente são feitos de madeira de pereira que é considerada a mais durável e maleável para o entalhe. Com o bloco cortado no tamanho ideal, o desenho é feito à caneta e então entalhado com goivas e formões. A matriz é pressionada na tinta que tradicionalmente é feita à base de pigmentos minerais. O artesão bate a matriz no tecido com as próprias mãos, repetidas vezes até formar um padrão das bordas para o centro. Sempre aplica primeiro a cor preta, em seguida as demais cores. O trabalho é dividido entre vários artesãos, cada um trabalha com uma cor, utilizando uma matriz diferente.

Finalizada a estampagem, o tecido fica exposto ao sol e é fervido por uma hora para fixar os corantes. Ao mesmo tempo são adicionados os corantes naturais (rúbia e casca de romã) que dão o tom róseo do fundo do tecido. Em seguida, o tecido é lavado em um grande tanque. Após esta etapa, várias peças de tecido estampadas são colocadas em grandes tinas de cobre contendo um liquido estabilizador e fervidas novamente. Por fim, as peças recebem a lavagem final nas águas do rio Zayandeh, e são colocadas para secar nas suas margens.


>> Veja neste vídeo como é produzido o Ghalamkari