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Globo Repórter apresenta o Irã em dois programas


Salam amigos! Nesta sexta-feira (01/09) e na próxima (08/09) irá ao ar uma série de dois programas do Globo Repórter sobre o Irã.

Embora seja rotulado como "um dos países mais fechados do mundo" e "mais temidos do planeta" (para causar a "boa impressão" de sempre), o fato de a emissora anunciar dois episódios sobre o Irã, promete, assim ao menos esperamos um grande presente para nós, os amantes e admiradores dessa cultura!

A repórter Glória Maria esteve no país pela primeira vez, e segundo  a chamada do programa vai revelar "toda a magia do mundo persa, mostrando um povo alegre e gentil que adora conversar com estrangeiros". Os telespectadores brasileiros irão desvendar as tradições, cultura dos povos nômades, a beleza das cidades, das mesquitas e do artesanato iraniano! 

Veja a chamada completa da reportagem em:

Globo Repórter entra num dos países mais fechados do planeta: o Irã



"O Sapo da Árvore", um poema de Nima Yushij


Salam amigos! Hoje vamos conhecer um poema de Nima Yushi (1897- 1960) que é considerado o pai da poesia persa moderna.
Escrito originalmente, no dialeto mazandarani do autor, o poema Darvag, cuja tradução é o "O Sapo da árvore" fala sobre uma crença que as pessoas tem, especialmente no norte do Irã de que quando os sapos que vivem nas árvores começam a coaxar é um sinal de que a chuva está próxima. Então, esse anfíbio é conhecido como o mensageiro da chuva. Em linguagem simbólica, em um ambiente rural a chuva representa a felicidade e alegria e os dias nublados são dias felizes!

Minha fazenda está tão estéril
perto da fazenda do meu vizinho
embora seja dito:
Na costa das proximidades
Triste entre tristes
estão chorando
mas, sapo da árvore! 
mensageiro dos dias nublados
quando é que a chuva virá?
Em uma tenda que não é uma tenda
Em minha cabana escura que é totalmente sem alegria
na qual as amarras de junco nas paredes
estão quebrando de secura, 
Oh, sapo da árvore! 
mensageiro dos dias nublados
quando é que vai chover?

Tradução baseada em Easy Persian


Colabore com a divulgação gratuita da cultura iraniana no Brasil


Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia já tem  mais de 6 anos de existência, e em sua história já contribuiu com novas amizades, testemunhos incríveis de pessoas que perderam o medo de  viajar ao Irã, aprendizados e descobertas de valor incalculável. Os posts publicados tem tanta qualidade que até a própria Embaixada do Irã, além de sites internacionais recomendam o nosso conteúdo. Dá uma olhada nos comentários  que recebo quase todo dia: 
Muito interessante! Incrível esse Blog. Parabens ... em Como o Brasil via o Irã na década de 50?

O blog é SUPER original e MUITO bem organizado! Continue assim! Tudo de bom! o/ em Cinema Iraniano: Dez

Ola, Janaína! ... seu blog. Parece um livro bom de se ler....Parabéns e obrigada por compartilhar. Vou continuar lendo. Beijos em Viagem ao Irã: Jornada em Persépolis e Shiraz

... Janaina, querida! Assalamo alaikum. Adorei seu blog, já li outras vezes...Parabéns por trazer um pouco da cultura iraniana em português para o Brasil.. parabéns pelo carinho em cada detalhe no blog. em Sirvan Khosravi - Doost daram zendegi ro

Nossa!!! adorei demais esse post! de uns tempos pra cá, por curiosidade fui ler alguns textos iranianos (Farid ud Din Attar e Omar Khayaam) e me apaixonei pela sabedoria e cultura iraniana! Seu texto e o blog da Janaina, me fazem ter mais vontade de visitar esse lindo país! ... em Guest post: O sabor da hospitalidade, visitando uma família iraniana no Brasil
Todo este trabalho é feito de forma gratuita, com esforço, amor no coração e boa vontade! O que pouca gente sabe é que por trás de um blog tão bem sucedido existe uma pessoa que faz o trabalho de cinco. Olha só  quanta coisa ela dá conta de fazer sozinha, ao mesmo tempo:

  • Web Designer: para chegar neste layout maravilhoso dias e horas estudando códigos para Blogger e trabalhando em softwares designer gráfico. 
  • Pesquisadora: para chegar ao melhor conteúdo sobre de cultura iraniana também tem que "cavucar" muito na web, além de muita leitura e estudo diário, assistindo vídeos, conversando com pessoas. 
  • Tradutora: para ser o único blog dedicado exclusivamente a cultura iraniana em língua portuguesa, também tem que investir no aprendizado de idiomas. Apesar de não ser uma tradutora profissional, meu conteúdo tem sido elogiado pela clareza das informações.  
  • Redes Sociais:  Hoje em dia, no mundo da internet quem não tem Facebook e Instagram, não existe (rs)... mas não basta postar, tem que ter estratégia e criatividade. Isso poderia ser incluso como um trabalho de publicidade, sim? 
  • Consultora: sim, o blogueiro que vira autoridade em um assunto, tem que responder dezenas de e-mails semanais, ouvir críticas, dar dicas, ser conselheiro sentimental, e ainda ser sempre simpático e amável. 
  • Além de sobreviver como artista visual e educadora aqui no Brasil ...

Além disso, o que um(a) blogueiro(a) investe de si próprio? 
  • Tempo (em média 6hs semanais só no blog)  
  • Luz elétrica
  • Internet 
Apesar de todo este tempo de vida, reconhecimento e admiração dos leitores, o Chá-de-Lima da Pérsia ainda não é um blog profissional. Ou seja, ainda não tem um domínio próprio, não tem patrocinadores e  nem colaboradores diretos. 

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Resenha do livro: Lendo Lolita em Teerã



Salam amigos! Esta é a primeira vez que faço uma resenha de livro aqui no blog. Como muitos sabem, sou uma leitora ávida e escrever é minha segunda maior paixão. Recentemente, acabei de ler “Lendo Lolita em Teerã: Uma memória nos livros” (2003), da escritora iraniana Azar Nafisi, publicado no Brasil pela editora A Girafa. Confesso que há muito tempo eu tinha vontade de ler o livro “julgando o somente pela capa”, justamente pelo seu curioso e instigante título, que nos remete imediatamente a leitura do famigerado romance de Vladimir Nabokov, na capital do Irã, em um contexto de extrema censura a obras literárias consideradas impróprias pelo regime islâmico. 

O livro trata de uma história real, uma autobiografia da escritora e professora universitária Azar Nafisi, em uma narrativa não linear nos anos que se sucederam a Revolução Islâmica(1979), a Guerra Irã-Iraque (1979-1989) e uma relativa abertura política em meados dos anos 90, culminando com sua decisão de deixar definitivamente o país com a família em 1997. 

Azar Nafisi
Na verdade, ao contrário do que seu título nos faz pensar, o livro se divide em quatro capítulos onde em cada qual são analisados romances ocidentais cuja leitura foi proibida pelo regime da República Islâmica: Lolita (1955), de Vladimir Nabokov, O Grande Gatsby (1925) de F. Scott Fitzgerald, Daisy Miller (1878) de Henry James e Orgulho e Preconceito (1813) de Jane Austen, entre outras obras dos mesmos autores. Os romances são analisados em diferentes contextos, desde uma sala de aula na universidade de Teerã a uma turma secreta formada por mulheres de diferentes perfis organizada por Nafisi em seu próprio apartamento, depois de sua demissão por razões ideológicas. 

Podemos dizer que além de ser um livro sobre os desafios de ser mulher e intelectual na República Islâmica do Irã, este é também uma série de ensaios elaborada e fascinante sobre aspectos universais da humanidade explorados na literatura ficcional em épocas tão distantes quanto o séc. XIX e primeira metade do séc. XX. Questões como o julgamento moral , direito a escolha e parâmetros da sociedade sobre família, casamento e mulheres são lidas e questionadas sobre o viés da sociedade iraniana representadas pela própria autora, seus alunos, sua família e amigos. 

Nafisi nos assegura que todas as histórias contadas no livro são reais, assim como seus personagens (cuja maioria dos nomes foram trocados por uma questão de segurança). Entre desencontros e reencontros em momentos de grande tensão política, destacam-se as sete ex-alunas Azin, Mahshid, Nassrin, Manna, Mitra, Sanaz, Yassi e um aluno, Nima, de diferentes perfis ideológicos, mas todos apaixonados por literatura que passam a integrar uma turma secreta no apartamento da professora, seu paciente marido Bijan, os filhos carinhosos, a mãe que traz o café para a turma, seu amigo “o mágico”, um homem quase invisível, que é uma espécie de conselheiro, além de outros professores, alunos e amigos que tiveram um papel importante em suas memórias. 

Nos capítulos sobre Gatsby e James, há vários flashbacks onde a autora retorna para os anos pré-revolução e sua vida nos Estados Unidos, onde as expectativas de derrubada do antigo regime eram vistas com otimismo pelos jovens intelectuais. De volta ao Irã, os momentos de grande tensão e medo durante os anos da guerra, já no contexto da revolução, enquanto as bombas explodem em vários locais de Teerã, assassinando vidas e sonhos, nas aulas de literatura inglesa na universidade alunos muçulmanos e seculares travam outra batalha acercade suas convicções morais. Até mesmo Gatsby, o livro, é colocado em um “julgamento” simbólico. 

Nos capítulos sobre Lolita e Austen, as narrativas parecem dividir-se em dois momentos bem nítidos: a vida dos personagens no “mundo real”, fora de suas casas, onde os aiatolás, a polícia moral, a obrigação de as vestimentas islâmicas, a separação entre homens e mulheres nos ambientes sociais e a demonização do ocidente, as alunas e seus históricos de abusos e repressão por parte de parentes homens, e até mesmo prisões; e o “momento da ficção” na aula secreta, que é quando estas mesmas personagens podem mergulhar nos romances, escrever o que pensam sem medo em seus diários, tirar seus véus, comparar-se às personagens dos romances, dar risadas e sobretudo falar de seus desejos mais íntimos. 

Para finalizar, Lendo Lolita em Teerã, não é um livro que te ajudará a gostar mais do Irã, na verdade é um retrato bem cinzento do país, apesar de deixar claro que hoje em dia muitas coisas mudaram e o regime está muito mais liberal na maioria dos aspectos mencionados. Vivendo atualmente nos Estados Unidos com sua família, a autora enfatiza que sair do Irã foi sua única escolha pois estava em jogo sua própria realização como pessoa, mas que essa não deveria ser necessariamente a escolha de suas alunas que a questionaram pelo fato de se sentirem “deixadas”. Apesar de toda a sensação pesarosa que o livro possa nos causar, Nafisi nos presenteia com seu olhar poético sobre a doçura dos momentos compartilhados com as pessoas queridas, a beleza do passar das estações, do pôr-do-sol, das chuvas e das montanhas de Teerã e, sobretudo, suas brilhantes análises sobre os romances que eu mesma nunca li, mas confesso que passei a me interessar. E através deste livro também redescobri o prazer de escrever minhas próprias impressões sobre o que acabei de ler. 

Leitura altamente recomendável para todos os amantes dos livros e da literatura!