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"O Apartamento" é o segundo filme a ganhar o Oscar na história do cinema iraniano

O Apartamento, filme vencedor do Oscar 2017 de Melhor filme estrangeiro
Salam amigos! É com muita alegria que anuncio a notícia mais esperada pelos amigos cinéfilos da Pérsia! E o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro vai para... O Apartamentodo Irã! Pela segunda vez na história do país e na carreira do diretor Asghar Farhadi, que conquistou o prêmio em 2012 com A Separação. Mas porque esta premiação teve um sabor tão especial? Porque, apesar de todas as polêmicas que obrigaram o boicote do elenco e da equipe de produção iraniana, ela representou um triunfo da arte sobre as barreiras políticas. E certamente o cinema iraniano continuará a ganhar cada vez mais apaixonados ao redor do mundo.

Anousheh Ansari e Firouz Naderi, cientistas da NASA, recebem a estatueta de melhor filme estrangeiro em nome de Asghar Farhadi 
O diretor Asghar Farhadi não compareceu na cerimônia do Oscar, protestando contra as medidas de imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
"O Apartamento" derrotou "Terra de Minas" (Dinamarca), "Um Homem Chamado Ove" (Suécia), "Toni Erdmann" (Alemanha) e "Tanna" (Austrália) e conquistou na noite de domingo a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.
Representando o cineasta estavam dois iranianos-americanos: a engenheira Anousheh Ansari, conhecida por ser a primeira mulher turista espacial, e Firouz Naderi, ex-diretor dos sistemas de exploração solar na Nasa.
No palco, Anousheh leu um discurso escrito por Asghar Farhadi (...)
"Lamento não estar com vocês hoje. Minha ausência é por respeito pelas pessoas do meu país e das outras seis nações que foram ofendidas pela lei desumana que proíbe a entrada de imigrantes nos Estados Unidos", afirmou, em nome do diretor.
"Dividir o mundo em categorias de 'nós' e 'nossos inimigos' cria medo", disse, antes de ressaltar que os cineastas têm o poder de apontar suas câmeras para quebrar estereótipos e iluminar qualidades humanas que possam criar "empatia" entre as pessoas de origens diferentes.
"Uma empatia que necessitamos hoje mais que nunca", concluiu.
 (Fonte: Terra
Emoção é a única palavra que tenho para descrever este momento, por tudo o que o cinema iraniano representa para o blog Chá-de-Lima da Pérsia e para minha vida! Parabéns aos iranianos, por mais uma conquista histórica, um prêmio mais do que merecido! 

O Apartamento, cujo título original em persa é Forushandeh (O Vendedor), na minha opinião, assinala que o diretor Asghar Farhadi se supera cada vez mais no gênero suspense. Sem falar nas atuações incríveis de Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti representando o casal de protagonistas que não deixam nossos olhos desgrudarem da tela. Para quem ainda não assistiu a esta obra prima, só posso dizer que é imperdível!  

>> Veja o trailer do filme:

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Uma incrível animação 3D sobre "A Conferência dos Pássaros"

Simorgh, uma animação de Meghdad Asadi 
Premiada em diversos festivais, esta animação intitulada Simorgh, de autoria do artista gráfico iraniano Meghdad Asadi Lari é uma adaptação do conto A Conferência dos Pássaros. Com a junção da música tradicional persa, arte caligráfica e elementos ornamentais, as aves da obra de de Fariduddin Attar são recriadas encenando uma linda coreografia, que representa a busca das criaturas pela união com a essência Divina. Assista em tela cheia e encante-se! 



"O rei Yunan e o sábio Duban", uma fábula sobre confiança

"O Rei Yunan e o Sábio Duban"
Ilustração de Ludwig Burger (1825–1884).
As fábulas e histórias são as manifestações mais importantes e famosas da literatura oral, que juntamente com outras formas clássicas de literatura, refletem a cultura de uma nação ou etnia. Os contos folclóricos apesar de sua simplicidade, contém uma volumoso corpo de crenças, pensamentos, rituais e tradições. Por ser um país de grandes dimensões, o Irã abriga uma grande diversidade de etnias e possui um folclore riquíssimo e uma literatura oral bastante voltada para a promoção dos valores morais da sociedade. Vamos conhecer um história tirada do livro  As Mil e Uma Noites, cujos personagens também são conhecidos como Malek Yunan e o sábio Hakim Ruyan, e muitas outras versões: 
Havia na cidade de Fars, na terra de Rum, um rei que se chamava Yunan. Este rei sofria de uma grave doença de pele mas nenhum dos médicos do país havia encontrado a cura para aliviá-lo. Certo dia, um velho sábio chamado Duban que tinha o conhecimento das línguas grega, árabe, persa, romana e siríaca chegou à corte do rei e disse: "Eu posso te curar em pouquíssimo tempo e sem o uso de nenhum medicamento". O rei Yunan ficou muito surpreso e disse, “Se você estiver dizendo a verdade, eu te darei o que você desejar."O sábio Duban curvou-se diante do rei e disse: “Eu retornarei amanhã.” No dia seguinte, o sábio voltou ao palácio com uma bola e um taco de polo em suas mãos. E voltando-se para o rei, disse: “Monte em seu cavalo e vá para o campo. Arremesse a bola até que sua mão e seu braço fiquem aquecidos. Então volte ao palácio, tome um banho e depois descanse. Quando você acordar estará completamente curado."
Yunan seguiu as instruções. E ao acordar não havia nenhum sinal da doença sobre sua pele. Ele gritou de alegria e ordenou que chamassem Duban. Ao ver o sábio, o rei se levantou de seu trono e o abraçou dizendo: "Ó grande sábio, eu devo a você a minha saúde." Então convidou o sábio para comer junto com ele e o tratou com muita bondade e pediu que trouxessem moedas de ouro e presentes preciosos para ele. Duban, tomou todas as moedas e presentes e fez uma oração pelo rei. O rei pediu que ele retornasse ao palácio no dia seguinte, e assim eles se tornaram amigos.
Mas Yunan tinha um vizir invejoso. Quando este viu o apreço do rei pelo sábio, planejou arruinar a amizade deles. Então, um dia ele disse ao rei: “Ó grande soberano! Eu estou entre os seus servos de maior confiança, então me senti no dever de alertá-lo do perigo que te cerca." Yunan indagou surpreso: “Qual é o perigo, meu caro vizir?” Disse o vizir: “É que aquele a quem tratas como amigo, na verdade é o vosso inimigo.” O rei levantou-se do trono e indagou perplexo: "Quem é o meu inimigo então?" E o vizir respondeu: "Ninguém mais do que Duban! Ele pretende te matar.”
Yunan ficou furioso: “O que você está dizendo? Duban salvou a minha vida. Se eu der a ele toda a minha riqueza, jamais poderia compensar todo o bem que ele me fez. Você o inveja e quer que eu o mande matar para que depois me arrependa." O vizir disse decepcionado: "Ó majestade, eu não quero nada além do seu bem. Por isso insisto que Duban é seu inimigo. Se ele não for morto, ele é quem irá te matar algum dia.” 
Isto deixou o rei desconcertado. Então ele voltou-se para o vizir e disse: "Talvez você esteja certo. Ele pode ser meu inimigo, porque é um homem poderoso. Ele curou minha doença, então da mesma forma pode me matar facilmente." Sentindo que suas palavras atingiram em cheio ao rei, o vizir disse: "Estou contente que vossa majestade tenha se dado conta do perigo que o ameaça."
O rei Yunan convocou o sábio até o palácio e inquiriu: “Você sabe por que eu o convoquei?" Duban respondeu: “Majestade, como eu poderia saber?”  Vociferou o rei: "Eu o convoquei justamente para declarar a sua sentença de morte."  Incrédulo, o sábio indagou: "O que eu fiz de errado?" Ao que o rei  respondeu: "Você sabe muito bem! Você é um espião e esta tentando me matar!"
Duban começou a chorar “Ó grande rei, essa é a recompensa pela minha boa ação?"   Yunan disse: “Se eu não te matar, você irá me matar!" Então o carrasco se aproximou e aguardou o comando do rei. Duban caiu de joelhos e implorou:“Tenha piedade! Eu sou inocente!" Mas o rei, estava indiferente a seus apelos. Até mesmo um dos cortesões chegou a pedir que Yunan perdoasse o sábio, mas ele gritou ferozmente: “Você não vê como ele me curou apenas me dando um taco e polo? Ele não poderia me matar apenas me dando uma flor e mandando que eu a cheirasse?" O sábio entendeu que o rei não voltaria atrás, então teve uma última ideia para se salvar.  E disse ao rei: "Eu estou pronto para morrer, mas tenho um último pedido. Deixe-me ir até minha casa e trazer um presente valioso para vossa majestade." Yunan quis saber: "Que presente valioso é esse?" Duban respondeu: “É um livro mágico. Aquele que após a minha morte ler três linhas de sua página esquerda, a minha própria cabeça irá falar com ele e responderá todas as suas perguntas." Yunan concordou e o sábio foi para casa escoltado por um guarda.
"Duban respondeu:“É um livro mágico. Aquele que após a minha morte ler...a minha própria cabeça irá falar com ele e responderá todas as suas perguntas." (Arte de Elizabeth Vidler)
Três dias depois, Duban retornou com o livro e uma pequena vasilha com algum tipo de pó. Ele entregou o livro ao rei e disse: "Após me matar, ponha minha cabeça em uma bacia cheia deste pó e esfregue-a até que o sangramento pare. Então abra o livro e leia as três linhas de sua página esquerda. Pergunte para minha cabeça qualquer coisa que desejar saber."
Yunan olhou para o livro e começou a folheá-lo, mas as páginas pareciam grudadas. Ele molhou o dedo e tentou novamente. Finalmente conseguiu passar cinco páginas, mas elas estavam em branco. Então disse o rei: "Mas estas páginas estão em branco." Ao que o sábio respondeu: "Majestade, tente outra vez."
Yunan molhou novamente o dedo e dessa vez folheou umas dez páginas. Estas páginas também estavam em branco. Furioso, o rei estava a ponto de dizer algo, mas de repente teve uma vertigem, ficou pálido e caiu duro no chão. As páginas do livro estavam envenenadas, e afetaram a língua do rei, enquanto ele molhava o dedo para tentar folheá-lo. E assim ele foi assassinado.
E o povo deste reino passou a dizer: "Se o rei Yunan tivesse decidido poupar o sábio Duban, ele mesmo não teria sido morto."
Moral da história: "o médico que pode curar, também pode envenenar", ou ainda, "nunca morda a mão que te alimenta". Embora possa parecer clichê, a história nos adverte para sermos gratos a quem nos ajuda, ao invés de nos deixarmos levar por suspeitas infundadas. Outras lições que podemos tirar são: que devemos nos esforçar para separar a influência dos outros de nossas opiniões pessoais sempre que enfrentamos uma decisão difícil e, que devemos confiar nos outros, mas ter cuidado para não confiar demais. Em suma, devemos nutrir nosso próprio poder de julgamento e não depender das opiniões alheias.

Adaptado de IRIB 


Pesquisa: perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia 2017



Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia quer conhecer melhor quem são os seus leitores. Com este objetivo criei este questionário e gostaria de convidar a todos que quiserem participar e ajudar a continuar fazendo o melhor conteúdo sobre cultura iraniana em língua portuguesa. 
Preencha quantas questões quiser (não esqueça de descer a barrinha de rolagem até o final e pressionar o botão "submit"), as identidades permanecerão confidenciais. A enquete vai até o dia 31/03 e o resultado será divulgado no dia 02/04/17. Então, vamos lá, é só 2 minutinhos!  


Uma linda história ilustrada do erudito persa Avicena


Salam amigos, nestes tempos de hostilidades aos iranianos, sempre gosto de contrabalançar mostrando como alguns artistas e autores estrangeiros retratam com carinho a cultura persa. E por acaso, me recordei de um post que mostrava um lindo livro ilustrado destinado ao público infantil sobre um dos maiores eruditos da Pérsia, o célebre Ibn Sina, conhecido no ocidente como Avicena. Publicado por uma editora canadense, o livro The Amazing Discoveries of Ibn Sina, foi escrito pela libanesa Fatima Sharafeddine e ilustrado pela iraquiana radicada no Irã Intelaq Mohammed Ali. 

Mas quem foi o Avicena, e por que a história dele foi parar em um livro infantil? 

Avicena (980-1037), foi uma das figuras mais influentes da história nos estudos sobre o corpo humano e em diversas áreas do conhecimento. Ele também é lembrado como um prodígio, que desde muito jovem já era um ávido leitor, tendo memorizado o Alcorão aos dez anos e completado seus estudos em medicina aos dezesseis anos de idade. Escreveu 450 livros sobre física, filosofia, astronomia, matemática, lógica, poesia e medicina, incluindo o famoso Canon da Medicina, que até hoje é considerado uma referência neste campo. Por, fim ele é mais conhecido como o pai da medicina moderna. Seu túmulo se encontra na cidade de Hamadan no Irã. 

Para os apaixonados por histórias infantis e artes gráficas, como eu, estas ilustrações inspiradas nas iluminuras de antigos manuscritos islâmicos são uma delícia para os olhos! 

Capa do livro
Ele nasceu em Bukhara, cidade da antiga Pérsia que fica no atual Uzbequistão
Sua grande paixão era a medicina, e ele completou seus estudos aos dezesseis anos

Seu talento para curar o tornou famoso e influente 

Desvendou os mistérios do corpo humano...

Mas ele queria ir além...
Dedicou-se ao estudo da astronomia...
E escreveu 450 livros em várias áreas do conhecimento 

Sua obra prima, o Cânone de Medicina 

E hoje ele descansa na cidade de Hamadan no Irã

Baseado em:
 Brain Pickings