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Uma meta e uma inspiração para 2018!


Salam amigos! 2018 está chegando, e eu como muitos, estou ansiosa para a virada do Ano Novo! Apesar de rezarmos os clichês de sempre como: Ano Novo vida nova, novas metas, novos sonhos etc, eu particularmente, me sinto de fato, muito otimista nesta época do ano. E sabe por que me sinto assim? Porque é uma época que costumo reavaliar tudo que planejei e consegui realizar no ano que passou. Como quase todo mundo, nem sempre consigo cumprir tudo o que coloquei na listinha das metas, mas a oportunidade de ter uma visão abrangente da minha vida e saber que alguns passos ainda que pequenos foram dados em direção aos meus sonhos, me tornam mais determinada a seguir adiante.

Em 2017 eu aprendi muito sobre metas: aprendi que elas devem ser mensuráveis e ter um prazo, e que toda meta se divide em micro-metas, ou seja, os pequenos passos que damos para realiza-las. Por isso, em 2018 decidi que vou ter apenas uma meta principal para o blog. 

Minha meta para 2018: tornar o blog Chá-de-Lima da Pérsia 100% profissional

E os passos que darei para realizar esta meta, você acompanhará junto comigo (e eu sei que me cobrará, rsrs) nos próximos posts a cada trimestre! Aguarde!

Enquanto aguardamos a virada do novo ano, dedico a todos, este lindo poema de Rumi, com meus sinceros desejos de que as portas da casa do nosso coração estejam sempre abertas para a paz:

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O ser humano é uma casa de hóspedes
Toda manhã, uma nova chegada
A alegria, a depressão, a falta de sentido,
como visitantes inesperados

Receba e entretenha a todos
Mesmo que seja uma multidão de dores
Que violentamente varrem sua casa e tiram seus móveis
Ainda assim, trate-seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar te limpando
Para um novo prazer

O pensamento escuro, a vergonha, a malícia
Encontre-os à porta sorrindo
Agradeça a quem vem,
Porque cada um foi enviado
Como um guardião do além.
 
Mawlana Rumi
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Desejo um Ano Novo pleno de paz, amor, felicidade e realizações a todos os Amigos da Pérsia!
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Agradecimento por uma história de 6 Natais


Salam amigos! Enfim, chegou o Natal, momento de refletir sobre a nossa vida e confraternizar com a família e os amigos. Acredito que uma família não é feita somente de laços sanguíneos, mas também de mentes e corações que trabalham juntos na construção de um sonho ou na concretização de uma ideia.

E o que é o blog Chá-de-Lima da Pérsia? Uma grande família, a família dos amigos da Pérsia! Esta família é constituída por todos os leitores e amigos que me ajudam e me apoiam a cada dia com suas sugestões, dicas, críticas construtivas, elogios, materiais culturais, guestposts, doações, adquirindo os meus produtos e sobretudo com seu carinho e respeito por meu trabalho de divulgar a cultura iraniana no Brasil.

É com muita gratidão que estamos juntos há 6 Natais! E com Fé e dedicação, estaremos juntos por muito mais tempo!

Deixo com vocês, uma adaptação de um poema de Mawlana Rumi, que originalmente foi escrito para o Ano Novo Persa, mas que reflete bem o sentimento da palavra Natal, ou seja, o "Nascimento" de uma nova vida:
Você nasceu com potencial
Você nasceu com bondade e confiança
Você nasceu com ideais e sonhos
Você nasceu com grandeza
Você nasceu com asas
Você não nasceu para rastejar
Então aprenda a usar suas asas e voar.

(Mawlana Rumi)

 کریسمس مبارک به همه دوستان ایران
Feliz Natal com muito amor a todos os Amigos da Pérsia!
🎄


Participe do jogo da Yalda: “Você pergunta e Hafez responde”


Salam amigos! Hoje à noite os iranianos celebrarão a Shabe Yalda, ou “Noite do Nascimento” uma tradição da antiga Pérsia que marca o solstício de inverno (fim do outono), a noite mais longa do ano no hemisfério norte.

Um dos costumes mais populares desta data é a leitura de poemas durante toda a noite, especialmente os de Hafez. Os poemas de Hafez também são utilizados como uma forma de adivinhar a sorte. Em persa este costume é chamado de Fal-e Hafez. Cada membro da família, faz uma pergunta, abre o livro aleatoriamente e o membro mais velho da família deve ler em voz alta o que Hafez está respondendo para esta pessoa.

Em homenagem a este dia, vou fazer uma brincadeira chamada “Você pergunta e Hafez responde”:  
Fiz algumas perguntas, pensei em um número (de 340 a 692) e consultei no meu e-book Divan Hafez (porque infelizmente não tenho o livro de papel)  o poema de número correspondente e fiz uma tradução livre dos versos que mais se aproximavam de uma resposta.

 Veja o que o “oráculo de Hafez” respondeu para mim :

Pergunta: Eu voltarei a viajar para o Irã em breve?   
Hafez responde: “Quando (na primavera), a rosa levantar seu véu; e o pássaro piar: “hu-hu’ (...)  Da cor e perfume da primavera, ergue-se um tesouro (...)

Pergunta: O que devo esperar do ano de 2018? 
Hafez responde: “Embora do fogo do coração, como uma (espumante) jarra de vinho, em tumulto eu esteja. O selo (do silêncio) em meu lábio pressionei, bebi o vinho (da tristeza) e em paz eu estou.”   

Pergunta: O que o blog Chá-de-Lima da Pérsia deve trazer de novidades em 2018?   
Hafez responde: “Este é um tempo quando na expectativa, tu te mantiveste (..) Maravilha! Daqueles vazios de conhecimento, a esperança da saciedade tu mantiveste(...)

Nossaaaa! Muita coisa fez sentido para mim! Mas creio que só para mim, porque cada um sabe em seu coração o que o verso quer dizer. E mesmo que não faça sentido agora, pode ser que faça nos próximos dias, meses, anos...

PARTICIPE VOCÊ TAMBÉM DO JOGO DA YALDA:

  • Faça a sua pergunta nos comentários do blog,  no post em nossa Fanpage ou no grupo Amigos da Pérsia.
  • Pense em um número de 340 a 692.
  • Veja o que o poeta Hafez responde para você!


ATENÇÃO: o prazo de envio das perguntas é só até amanhã  22/12/17 fechando às 22h, porque O Hafez não  quer passar o feriado de  Natal todo respondendo perguntas rsrs...

LEMBRE-SE: este jogo é só uma brincadeira de interação, embora os iranianos levem muito a sério esse costume, não leve o que for dito aqui ao pé da letra!

Quer conhecer outras tradições da Yalda?

❃ Shab-e Yalda mobarak aos iranianos e
amigos da Pérsia do mundo inteiro!
 


Os parentes iranianos do Papai Noel

 Amu Nowruz, o bom velhinho iraniano
Salam amigos! Já está chegando o Natal, essa época linda em que as ruas e as casas estão enfeitadas com muitos símbolos e personagens que todos nós conhecemos, certo? Pergunta: qual é o  primeiro personagem que vem a sua mente quando falamos do Natal? 

(  ) O menino Jesus     (X) O Papai Noel 

Pois é! Mas, deixando as reflexões para depois... Agora imagine que você resolveu viajar para o Irã no mês de Março (os iranianos celebram o Ano Novo neste mês, no início da Primavera), e de repente, andando pelas ruas, você dá de cara com um:

 “Papai Noel iraniano" (?!) 

Olhando bem, ao invés das roupas vermelhas ele tem, uma roupa mais colorida, talvez verde, vermelho e branco, e  assim como o seu primo distante no ocidente, ele também segura um cajado e traz presentes e para as crianças! Mas o nome dele é: AMU NOWRUZ, o “Tio do Nowruz” (veja também o post Amu Nowruz, o bom velhinho do Ano Novo Persa)! 

Amu Nowruz
Fala sério gente! É muita semelhança entre os dois personagens! Sem falar que o Amu Nowruz também é chamado às vezes de Baba Nowruz (Papai do Ano Novo).  

Mas quem será que veio primeiro? 
Papai Noel  ou Amu Nowruz?

As tradições do Nowruz, ou Ano Novo iraniano, remontam à antiga Pérsia (c. 3000 anos), mas ainda hoje são observadas pelo povo do atual Irã. A origem do Amu Nowruz é obscura, mas provavelmente tem relação com a antiga crença zoroastriana dos Fravashis, ou espíritos guardiães de cada mês do ano. A lenda do Papai Noel, Santa Claus (São Nicolau) para os anglófonos, surgiu no século IV d.C.

Haji Firuz 

Além do Amu Nowruz, um outro personagem desta época é o Haji Firuz, um alegre arauto de roupas vermelhas e rosto negro, que às vezes usa um chapéu parecido com o do Papai Noel.  Ele canta e dança tocando tamborim anunciando a chegada do novo ano para todos. O toque das canções do Haji Firuz, é bem parecido com o das canções natalinas que conhecemos. Por exemplo: “Chegou o Nowruz, trazendo amor e paz! “(Troque a palavra Nowruz por Natal!)
Naneh Sarma e Amu Nowruz
Os iranianos também têm a sua própria Mamãe Noel! O nome dela é Naneh Sarma, ou “Mamãe do Inverno”. Eu já postei aqui no blog a história dela, mas para resumir: Naneh Sarma é uma velhinha fofa de cabelos brancos como a neve, e o Amu Nowruz é o amor da vida dela (em algumas histórias, ele é o filho dela). A cada ano, ela espera seu amado, mas como ele só chega na Primavera, e ela pertence ao Inverno, ela sempre acaba adormecendo, e eles nunca se encontram L...  

Iranianos vestidos como os personagens Amu Nowruz e Haji Firuz nas ruas
Quase todo mundo tem um parente que se veste de Papai Noel no Natal certo? No Irã, também é comum encontrar pessoas que se vestem como os personagens e bonecos que enfeitam as ruas, os shoppings centers e as casas na época do Nowruz.  

 Eu acredito que a partir de agora você nunca mais vai celebrar o Natal sem pensar no Irã!

Quer um pouco mais de curiosidades natalinas, então leia também:

(Referências: italki e All Empires) 


Apresentação da Darvag Band em SP: um presente do Irã para o público brasileiro



 Darvag Band: concerto de música iraniana em São Paulo
Salam amigos! No dia 01 de dezembro de 2017,  tivemos a honra de prestigiar um espetáculo inesquecível. O conjunto musical Darvag Band apresentou pela primeira vez no Brasil um concerto de música iraniana. O evento gratuito, em única apresentação, foi organizado pela Embaixada do Irã e pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.   


Pouco antes das 21h, um público composto de iranianos e brasileiros apaixonados por música e cultura, entre eles queridos amigos e seguidores do blog aguardava com curiosidade o espetáculo no hall do acolhedor Teatro Cacilda Becker, localizado no bairro da Lapa, em São Paulo.

A Moça do Chá e amigas aguardando  ansiosas pelo espetáculo 
No palco, lindamente ambientando com tapete persa e mobiliário em estilo nômade, o conjunto formado por Hamid Reza Seyednia (maestro, daf e santur), Ehsan Naderian (vocal, daf e daryeh), Seyed Majid Naghibzadeh (vocal, tambor de zurkhaneh e daf), Saeid Seyednia (oud e kamanche), Hassan Ruhinia (flauta ney, gushmeh e gaita anbon) e Amin Bahman Saffar (tar, tonbak e daf) deu início a uma noite mágica e surpreendente, com plateia lotada.


O grupo Darvag inicia o espetáculo com um repertório clássico iraniano
Platéia lotada no Teatro Cacilda Becker

Casa cheia, público maravilhado com a apresentação!
 Durante o concerto, foram apresentados 5 estilos de música tradicional e regional iraniana: um repertório clássico, composto de canções em estilo tradicional, com ênfase para o arranjo instrumental e solos de cordas do santur e alaúde; percussão com daf, tonbak e tambor de zurkhaneh, interpretação da música regional Khorasani, interpretação da música regional do sul do Irã, entre outras improvisações.


Viajamos pela riqueza poética da música clássica iraniana
E conhecemos instrumentos exóticos e ritmos contagiantes
O público iraniano, com certeza se sentiu de volta à sua terra natal e os brasileiros ficaram maravilhados com a sonoridade hipnotizante dos instrumentos exóticos. Viajamos pelo sons  celestiais das cordas do santur e do oud, passando pela poderosa e variada família de percussão como o daf e o tonbak, e indo de encontro aos instrumentos de sopro como a melódica flauta de bambu ney e a exótica gaita de foles ney anbon, típica do sul do Irã. Os iranianos presentes na plateia marcavam o ritmo batendo palmas e cantavam junto as canções populares, enquanto os brasileiros se juntavam à alegria festiva que tomava conta do ambiente. Teve até os rapazes que se levantaram para dançar!   

Os rapazes que deram um show de dança! :)
Seria impossível, tentar descrever somente com palavras o sentimento de assistir a um concerto de música iraniana pela primeira vez aqui no Brasil. Somente quem esteve presente pôde sentir de perto a riqueza e a essência desta arte. Segue alguns depoimentos:

Lucia Carlessi: "Fomos assistir ao concerto da banda iraniana Darvag e foi uma experiência maravilhosa, me encantou! Conhecer um pouco da sua musicalidade, com uma percussão vigorosa e muito alegre. Vi instrumentos novos, que me encheram de curiosidade e a alegria da plateia, predominantemente iraniana foi contagiante. Assim, cada vez mais esse país me atrai a conhecer sua cultura e seu povo.” 
Amine Mustafe: “Estou muito agradecida pelo convite, foi certamente um dos três espetáculos mais lindos que já vi na minha vida, ao lado somente da apresentação de Qanun e do Circo da China. Parabéns ao Blog Chá de Lima da Pérsia pela divulgação!!” 
MH Yazdi: "A primeira vez que eu vi o cartaz do concerto, mesmo não conhecendo a banda, me emocionei por ter oportunidade de ouvir música tradicional iraniana ao vivo aqui em São Paulo. Sempre fui curioso para ver a reação dos brasileiros quando apreciam musica iraniana ao vivo e fiquei muito contente com o retorno positivo e empolgação dos brasileiros. Foi tudo muito simples porém muito bonito. Espero que trocas culturais que nem esse concerto, aconteçam mais vezes entre os dois países."
Luana Viegas: "Amo conhecer novas culturas e não poderia perder a oportunidade de assistir, pela primeira vez, um concerto de música iraniana. Foi incrível! Os músicos são muito talentosos e a melodia mexeu, de fato, com quem estava presente. Fiquei encantada com o som dos instrumentos, a sincronia com que eles tocavam e cantavam. Foi uma grande experiência e espero muito que ela se repita. Também não poderia deixar de lado algo que me chamou a atenção. Assim como brasileiros, a plateia também continha iranianos. Dava gosto de ver a alegria dos iranianos que dançavam ao som de seus conterrâneos. Sempre é bom ter um pouco do país, nem que seja por algumas horas, perto da gente Amei!" 
A presença da comunidade iraniana 


A seguir tive a honra de conseguir uma pequena entrevista com o grupo, traduzida pelo gentil Sr.Mohsen Khademi:

Chá-de-Lima da Pérsia: O que significa o nome do grupo Darvag? 
Darvag Band: Darvag na verdade é um grupo tradicional bem antigo da cultura persa, de quase 1500 anos atrás. Todo o povo iraniano gosta deste tipo de música tradicional do país.

Chá-de-Lima da Pérsia: Como foi estar pela primeira vez aqui no Brasil?

Darvag Band: Na verdade, nós nos apresentamos em vários países do mundo. E aqui pela primeira vez, porque a colônia iraniana é bem pequena, se compararmos por exemplo com os imigrantes dos países árabes que são mais de 5000 pessoas. Aqui no Brasil tem no máximo 700 ou 800 iranianos, por isso, a música iraniana é algo muito novo para o povo brasileiro. Mas se Deus quiser, no ano que vem, virão muitos grupos aqui para apresentar concertos tradicionais do Irã.

Chá-de-Lima da Pérsia: Vocês conhecem a música brasileira?

Darvag Band: Sim, conhecemos mais ou menos a música sertaneja do Brasil. Nós gostamos muito do forró, a música popular.

Chá-de-Lima da Pérsia: Qual é a mensagem principal deste concerto?

Darvag Band: É transmitir paz, uma mensagem universal. Mas também para mostrar a cultura do nosso o país, a paz que existe em nosso país. E também para mostrar a amizade do povo brasileiro com o povo iraniano.

Chá-de-Lima da Pérsia: Muito obrigada Darvag Band, estamos honrados com sua presença aqui no Brasil, foi uma noite inesquecível, esperamos vê-los de novo muito em breve!
Realmente, esta apresentação ficará gravada para sempre em nossos corações. Eu confesso que já estou com saudades e ansiosa pelo próximo concerto de música iraniana no Brasil! E vocês?
Agradecimentos muito especiais à minha querida amiga Karla Mendes da Embaixada do Irã, que me cedeu em primeira mão o material de divulgação do evento, ao Sr. Nematollah Sheikhi, que também me enviou material de divulgação, fotos e vídeos, e me ajudou a entrevistar os músicos. E a todos os amigos que aceitaram meu convite e estiveram presentes no evento e se emocionaram!


>>  Fiquem com um vídeo com trechos do concerto da Darvag Band: 



Deixe seu comentário e vamos mostrar que nós brasileiros também amamos a música e cultura iraniana!


Em dezembro: Concerto de Música Iraniana gratuito em São Paulo!


Salam amigos apaixonados por música e cultura iraniana! Em dezembro, haverá uma maravilhoso espetáculo: o conjunto musical Darvag Band, apresentará um concerto de música iraniana em São Paulo. 

A banda Darvag foi fundada por Hamidreza Seyednia em 1999 com o objetivo de apresentar a nobre arte tradicional do Irã. O conjunto funciona em quatro partes; percussão, nobre, sitar e música infantil.  O repertório inclui homenagens aos grandes ícones da poesia persa como Abolfazl Beyhaghi, Hafez, Saadi, Molavi (Rumi), Ferdowsi, Hajj Molla Hadi Sabzavari e Parviz Meshkatian. Pela primeira vez no Brasil, o conjunto realizou concertos em vários países como  Suíça,  Macedônia, Coréia do Sul, Afeganistão etc.

>> Veja o trecho de uma apresentação do conjunto:


O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo é gratuito, livre para todos os públicos e acontece no dia 1º de dezembro, às 21hrs no Teatro Cacilda Becker. Anote na sua agenda e vamos prestigiar juntos! 

Iranian Music Concert: Darvag Band Music 

Local: Teatro Cacilda Becker  R. Tito, 295, Vila Romana - São Paulo/ SP)
Data: 01/12/17 (sexta-feira) às 21h
Gratuito - livre para todos os públicos

 




Homenagens aos mortos e rituais funerários na cultura iraniana


Salam amigos! Hoje comemoramos aqui no Brasil o feriado do Dia de Finados, que também existe em outras culturas. No Irã, não existe uma data específica em memória dos mortos, mas sim várias datas em memória de figuras importantes da religião, entre as quais a mais memorável é o Ashura, o ritual xiita do Martírio de Hussein no 10º dia do mês islâmico de Moharram (em 2017 foi comemorado em 01 de outubro).

Os povos iranianos herdaram de seus ancestrais indo-arianos diversas tradições que incorporaram elementos de crenças das antigas civilizações suméria, babilônia e elamita, entre elas, a crença na vida após a morte. Na antiga Pérsia, para ajudar a alma de um familiar que partia deste mundo, a família orava, jejuava e sacrificava animais durante três dias. Oferendas e consagração de alimentos eram feitas todo dia 30 de cada mês até completar um ano do falecimento. Acreditava-se que somente após um ano, a alma do falecido estaria completamente incorporada ao mundo inferior ou mundo dos mortos (não havia o conceito de céu, inferno ou purgatório). Também havia o festival de Todas as Almas (no Avesta era chamado Hamaspathmaedaya) celebrado sempre na última noite de cada ano, onde as famílias realizavam oferendas. Acreditava-se que neste dia as almas visitavam suas antigas casas à noite e partiam ao pôr-do-sol do dia de Ano Novo.

Por volta do fim do 3º milênio a.C, incorporou-se a cultura persa à crença de que pessoas importantes como guerreiros, nobres e sacerdotes que praticassem boas ações e rituais corretos nesta vida poderiam se unir aos deuses na eternidade. Cruzando a “ponte” (cujo nome é Chinvat no Avesta, e Sarat no Alcorão) eles entrariam em um Paraíso, onde todas os prazeres imagináveis são possíveis. Somente os merecedores do Paraíso poderiam cruzar esta ponte, enquanto o restante deveria cair  no reino subterrâneo da morte.

Com estas crenças veio também a ideia da ressurreição. Acreditava-se que um ano após a morte, aqueles que experimentaram as alegrias do Paraíso, tinham seus ossos erguidos da terra para se revestirem de carne imortal e se unificarem com sua alma no céu. Os antigos iranianos tinham o costume de deixar o cadáver exposto no topo de uma colina (“Torres do Silêncio”) para ser descarnado  pelos abutres. Os ossos limpos eram então enterrados com oferendas e rituais.

Com Zoroastro no segundo milênio a.C, surgiu a crença do julgamento da alma no outro mundo. O Paraíso se torna possível para todos aqueles que praticarem boas ações, não somente para aqueles que praticarem rituais, sejam homens ou mulheres, de qualquer origem.  Quem preside o tribunal é Mitra, acompanhado pelos arcanjos Soroush e Rashnu, que medem o grau de justiça de cada alma. Uma vez julgada, a alma é conduzida por uma bela donzela, a personificação de sua própria consciência ao paraíso da ressurreição ou ao inferno de tormentos eternos comandados por Ahriman (o diabo, ou Shaytan no Alcorão). Estas doutrinas, de origem zoroastriana influenciaram profundamente as filosofias judaico-cristãs e islâmica das eras posteriores.

Os antigos persas já tinham o costume de enterrar os mortos. Os membros mais importantes de uma família eram enterrados em poços profundos cobertos com um montículo de terra. As pessoas comuns eram enterradas em túmulos simples na terra. O termo zoroastriano dakhma vem deste período e significa túmulo. A comunidade zoroastriana dos dias atuais ainda segue muitas das antigas tradições. A menos que a morte ocorra à noite, o funeral se sucede em poucas horas, com todos vestidos de branco, recitando hinos e orações do Avesta. O corpo do falecido nunca deve ser tocado e uma simples ablução após o funeral irá purificar todos os participantes que participaram do ritual. As procissões normalmente são feitas em completo silêncio até adentrar a dakhma onde se seguem mais orações. 

Torre do Silêncio ou dakhma em Yazd: local onde eram realizados os ritos funerários zoroastrianos
 Até a metade do século XX no Irã, os corpos ainda eram deixados no alto das Torres do Silêncio, mas atualmente proibidas, utilizam-se caixões de chumbos para evitar o contato do cadáver com a terra considerada sagrada. Durante os três dias após a partida da alma são preparadas comidas especiais evitando-se o consumo de carne. No terceiro dia, mais rituais e orações são oferecidas e uma veste especial (Sedra) é abençoada a fim prover uma “cobertura espiritual” para alma do falecido. O choro e outras expressões de tristeza normalmente são evitados pelos zoroastrianos tradicionais. Eles consideram que tal comportamento pertence ao mundo de Ahriman.

Quando os muçulmanos conquistaram o Irã, muitas mudanças foram introduzidas na cultura. Os conceitos corânicos de vida após a morte foram herdados do judaísmo, e então indiretamente, das antigas fontes persas e babilônicas nos quais após a morte vem um julgamento seguido de recompensa ou punição. Após a morte a alma irá permanecer no Barzakh (intra-mundo) até a Rastakhiz (ressurreição). A hora do julgamento virá no fim do mundo com o poderoso ressoar da trombeta dos anjos. 

No Irã, um país onde 90% da população é de muçulmanos xiitas, cada uma das minorias religiosas segue os seus próprios rituais funerários. Muitos dos rituais funerários dos muçulmanos são uma forma de compensar as falhas no cumprimento dos deveres do crente enquanto em vida. Momentos antes da morte, os parentes do moribundo pedem o perdão de Allah realizando a oração funerária (Namaz e meyet). A pessoa que está morrendo é colocada em uma posição confortável com a face voltada para Meca. Algumas gotas de água benta de Karbala, a terra onde o Imam Hussein está enterrado são colocadas na boca da pessoa, versos do Alcorão são recitados e se a pessoa ainda estiver consciente é encorajada a pedir o perdão de Allah antes de partir. O corpo deve ser lavado e purificado de acordo com os rituais islâmicos com cânfora (também usado pelos zoroastrianos) e envolvido com um tecido branco por uma pessoa (mordeh shur) que também deve ser muçulmana e do mesmo sexo do falecido. 

Se a pessoa morrer durante o dia, o corpo será levado para a mesquita local ou para o cemitério onde irá receber os rituais de purificação. No entanto, se a pessoa morrer durante a noite, o corpo será mantido em casa com velas ou lamparinas acesas até o amanhecer, lembrando as antigas tradições pré-islâmicas. O livro sagrado (Alcorão) é colocado próximo a cabeça do falecido para protegê-la contra a influência de Shaytan. O corpo deve ser enterrado em até 24 horas após o funeral com a face voltada para Meca. Ao contrário dos zoroastrianos, choro e expressões de tristeza são esperadas e até mesmo encorajadas pelos muçulmanos.

No Irã atual, os muçulmanos utilizam roupas pretas como símbolo de luto durante 40 dias, e às vezes durante um ano (no passado também era utilizados o branco e o azul como cores de luto). Após 40 dias (ou após um ano) um membro mais velho da família troca o preto do luto por outra cor, isto significa que toda a família pode deixar de usar esta cor também. Os dias mais importantes são o ‘Hafteh’ (7º dia), ‘Cheleh’ (40º dia) e um ano após a morte (Sal). Nestas ocasiões parentes e amigos visitam o túmulo colocando flores, arranjos de velas e aspergindo água-de-rosas. Famílias mais abastadas doam comida de graça para os mais pobres, como uma boa ação a fim de favorecer o falecido aos olhos de Deus.

Encenação da Ashura "Martírio de Hossein" em Karaj, Irã
O islamismo xiita introduziu uma nova dimensão aos rituais funerários, isto é, o martírio. A jornada fatal do Imam Hossein em Karbala (celebrado no mês de Moharram) e o assassinato de seu pai Ali em Kufa (celebrado no mês de Ramadan), tornou-se o mais importante ritual em comunidade. Para os xiitas, participar e relembrar os eventos trágicos do martírio de seus santos é uma forma de renovar a fé. 

Por fim, ao visitar o Irã encontramos em todas as cidades, ruas e monumentos com os nomes dos Shahids, ou seja, os mártires da Guerra Irã-Iraque. Nos túmulos dos grandes poetas Hafez, Saadi, Ferdowsi entre outros, os iranianos de todas as gerações prestam tributos e homenagens. Nos vilarejos e nas cidades é comum ver famílias lavando o túmulo de seus parentes com água, enfeitando com flores e batendo com os dedos na lápide para “conversar” com seus falecidos.  A crença em outra vida sem dúvida move o povo iraniano da antiga Pérsia aos dias atuais.


Adaptado de Iran Chamber


Cinema Iraniano: Gosto de Cereja

DE VOLTA, O FILME DO MÊS!
Uma obra prima que traz o brilhantismo e poesia do cinema iraniano, em um gênero inovador 


Badi (Homayoun Ershadi) é um homem de meia idade, que angustiado dirige seu carro pelas estradas poeirentas dos arredores de Teerã. Ele está em busca de alguém que o ajude a realizar uma estranha tarefa, por (200.000 tomans, o equivalente a seis meses de trabalho). A tarefa é: enquanto ele se deita em um buraco na terra, a pessoa iria chamar seu nome duas vezes; se ele responder de volta, ajudá-lo a sair do buraco, e se ele não responder, enterrá-lo. Em outras palavras, Badi está tentando cometer suicídio e quer alguém para enterrá-lo. 
Na beira da estrada, ele encontra vários rapazes para os quais oferece carona e revela seu plano. Primeiro ele pede a um soldado curdo, que recusa a tarefa e sai do carro bruscamente. Em seguida, ele pede a um seminarista afegão, que rejeita a tarefa por motivos religiosos. Finalmente, ele encontra um velho taxidermista azeri que concorda em ajudá-lo, por estar precisando do dinheiro para o tratamento de seu filho doente; mas que antes tenta dissuadi-lo de sua ideia. O ancião revela que há muitos anos atrás também teve o desejo de cometer suicídio, mas desistiu ao provar o gosto das cerejas ( é daí que vem o título do filme).  
Não sabemos qual é o motivo pelo qual o protagonista Badi está tentando acabar com sua própria vida. Percebemos através de seu olhar deprimido e expressão melancólica, que ele vive solitário e deprimido, embora sua boa aparência e veículo possante, revelem uma boa condição social. Alguns detalhes sutis, apontam para uma suposta homossexualidade do personagem, como o momento em que ele elogia a aparência de um trabalhador, mas nada conclusivo.
Gosto de Cereja (1997), dirigido por Abbas Kiarostami, é uma história incomum, que surpreendeu o mundo, com seu estilo inovador. Sendo o primeiro filme iraniano a ganhara Palma de Ouro em Cannes, consolidou um processo de reconhecimento internacional do diretor iniciado dez anos antes por “Onde fica a casa do meu amigo?” (1987) e revelando o carismático Homayoun Ershadi, que na época não era um ator profissional, mas que depois seguiu brilhantemente a carreira no cinema. 

Gosto de Cereja (1997)
Irã| Drama | 95 min.| cor
Direção: Abbas Kiarostami
Elenco: Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri, Afshin Khorshid Bakhtiari, Safar Ali Moradi, Hossein Noori 

>> Assista o filme completo com legendas em português:


A lenda de Arash, "o Arqueiro "

Escultura de Arash Kamangir, no palácio  Saadabad em Teerã
Salam amigos! Hoje vamos conhecer a lenda de Arash Kamangir, ou Arash “o Arqueiro”, um grande herói da mitologia persa que para os iranianos é o símbolo do sacrifício e coragem. O nome Arash é muito popular entre os iranianos (incluindo um cantor famoso) e significa "luminoso" ou "brilhante". O festival de Tirgan (solstício de verão) celebra a vida deste herói e sua história é contada no Shahnameh de Ferdowsi, e em muitas outras fontes da literatura iraniana. 

Resumidamente, a história de Arash é assim contada pela tradição popular:

Quando a longa e sangrenta guerra entre os reinos do Irã e Turan pela “glória real” (khwarrah) chegou ao fim, o General Afrasiab foi cercado pelas forças do justo Manuchehr, e os dois lados concordaram em selar a paz. Ambos chegaram a um acordo em que a terra à distância de um tiro de arco seria devolvida a Manuchehr e aos iranianos, e o restante para Afrasiab e os turanianos. Um anjo (segundo al-Biruni o Amesha Spenta Armaiti, chamado no persa médio de Spendarmad) instruiu Manuchehr a construir um arco e flecha especiais e Arash (segundo o Avesta “aquele que tinha a flecha mais rápida entre os arianos”), foi o escolhido para realizar a tarefa de atirá-la.

Arash, o melhor arqueiro do exército persa foi escolhido para demarcar a fronteira do Irã
Na brilhante manhã de Tirgan, o primeiro mês do verão (julho), Arash escalou o Monte Damavand e despindo-se disse: “Ora! Meu corpo está livre de qualquer ferida ou doença; mas depois de atirar esta flecha eu serei completamente destruído”. Assim, ele mirou em direção as terras de Turan, e com toda sua força esticou o arco. Deus comandou o vento e sustentou a flecha durante toda a manhã até as distâncias mais remotas de Khorasan onde esta caiu ao meio-dia, há 2250 quilômetros da margem do Rio Oxus que agora está na Ásia Central. Deste modo a fronteira entre os iranianos e turanianos estava estabelecida e permaneceu durante séculos até a invasão dos mongóis no séc. X.
Quando Arash disparou seu arco, seu corpo partiu-se em mil pedaços e ele morreu. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Ainda há histórias de viajantes que se perderam nas montanhas que dizem que ouviram a voz de Arash, e assim encontraram seu caminho de volta e salvaram suas vidas.



Do alto do Monte Damavand, Arash dispara a flecha em direção as terras de Turan

Diferentes versões da lenda

A lenda de Arash é contada com maior riqueza de detalhes somente nas fontes do período islâmico, embora estas contenham muitas variações entre si.
Segundo Talebi e Bal’ami, após atirar a flecha, Arash é destruído pela força de seu tiro e desaparece. Segundo al-Tabari, após o feito ele é nomeado como comandante dos arqueiros e vive o resto de sua vida com grande honra. A distância da flecha também varia: segundo um autor, é de mil léguas (farsakhs), segundo outro ator é de quarenta dias de caminhada. Com relação ao tempo, para alguns autores a flecha viajou do amanhecer até o meio-dia, do amanhecer até o pôr-do-sol ou até mesmo 2 dias e 2 noites!
A flecha de Arash viajou do nascer do sol ao meio-dia...


A localização de onde Arash atirou sua flecha também varia. No Avesta (que não menciona locais do Irã ocidental), o ponto é o Airyo khshaotha, uma localidade não mais conhecida. Fontes da Era Islâmica tipicamente identificam o local em algum lugar ao sul do Mar Cáspio, sendo às vezes no Tabaristan, no topo de uma montanha em Ruyan , na Fortaleza de Amol, no Monte Damavand ou em Sari. O lugar onde a flecha caiu também é identificado como o Monte Khvanvant, no Avesta (localização também desconhecida); um rio em Balkh; a leste de Balkh nas margens do Rio Oxus ou em Merv. De acordo com al-Biruni, ela caiu em uma nogueira entre “Fargana and Tabaristan nos confins de Khorasan.” Outros registros se desviam dessa antigas tradições, provavelmente devido a influência das flutuações na compreensão de onde a fronteira oriental do Irã se situa atualmente. 

De acordo com o tratado em persa médio Mah i Fravardin, este evento ocorreu no 6º dia do 1º mês (Fravardin); porém outras fontes mais tardias associam o evento com o nome das festividades Tirgan em 13 de Tir (aproximadamente 3 ou 4 de Julho) “provavelmente” devido à semelhança do nome do Yazata Tir (cujo significado é “flecha"). Atualmente os iranianos celebram a data com guerra de água, danças, recitação de poesias e comidas típicas como sopa de espinafre e sholezard. Também há um costume entre as crianças de amarrar uma fita colorida em um apito que é tocado durante 10 dias e depois jogado fora em água corrente.


E você também se interessa pela mitologia persa? Deixe um comentário!


5 Segredos de beleza das mulheres iranianas

Ilustração: Rashin Kheirieh
Salam amigos! A beleza das mulheres iranianas é bem conhecida ao redor do mundo, apesar de serem obrigadas a manter a maior parte de seu corpo coberta, devido a lei islâmica, elas dão muita importância a tratamentos estéticos e a forma física, sem falar da obsessão atual por cirurgias plásticas. Pele perfeita, olhos expressivos e visual impecável são algumas das características marcantes destas mulheres. E qual é o segredo da beleza das iranianas? No post de hoje vamos revelar alguns dos hábitos de beleza iraniana que você também pode adotar!

1- Maquiagem para realçar os olhos 


As iranianas já possuem naturalmente rostos bonitos e olhos muito expressivos. E elas sabem realçar ainda mais esses atributos através da maquiagem. Uma vez que o rosto é uma das únicas partes do corpo que ficam à mostra, elas procuram torna-lo o mais atraente possível. O segredo delas é aplicar uma camada de base corretiva na região dos olhos, antes da sombra e do delineador. O kohl, que necessita um pouco mais de treino para aplicação é um dos produtos mais utilizados e traz um efeito muito atraente para o olhar. 


2- Depilação facial com linha 


As sobrancelhas das mulheres iranianas às vezes são muito grossas, ou até mesmo monocelhas. Por isso elas utilizam um método tradicional de depilação com linha chamado bande abru. Este método que também é utilizado para depilar as outras partes da face, remove o folículo do pelo e o resultado é impecável, mas deve ser feito por alguém com muita prática. Outro segredinho das iranianas para manter as sobrancelhas sempre arrumadas é penteá-las com uma escova de dentes, muitas fazem isso como um ritual várias vezes ao dia. 


3 – Uso da água-de-rosas como cosmético


As mulheres iranianas têm o hábito de utilizar a água-de-rosas na pele. Ela contém óleo de rosa e vitaminas A e E, ingredientes que ajudam a nutrir e suavizar a pele. Além de limpar, hidratar e perfumar, as propriedades anti-inflamatórias da água-de-rosas também ajudam a prevenir problemas de pele como acne e espinhas. É por isso que as iranianas têm uma pele sempre saudável e bonita. 

4 – Luva para esfoliação


Um dos segredos das iranianas para uma pele sempre bonita também é a esfoliação suave com o kiseh (luva para esfoliação) durante o banho. Junto com o kiseh, as iranianas também usam o sefitab, um esfoliante feito de minerais e gordura animal. A esfoliação remove as células mortas, ajudando a pele a respirar melhor e eliminar toxinas, deixando-a com uma aparência saudável e sedosa, além de ser muito energizante. 


5- Uso de óleos corporais 


O hábito de passar óleo no bebê que muitos de nós não dá mais importância na vida adulta é um dos hábitos de beleza das mulheres iranianas. Para ter uma pele radiante, as iranianas fazem o uso de bons óleos corporais. O seu uso ajuda a manter a pele fresca e hidratada, prevenindo o ressecamento e descamação. Além disso, seu uso regular ajuda a retardar o envelhecimento da pele. 

E você, utiliza alguns destes ou outros hábitos de beleza iranianos? Compartilhe sua dica com a gente deixando um comentário! 



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Ghalamkari: arte tradicional de estampagem em tecidos


Salam amigos! Hoje vamos falar do Ghalamkari, a arte tradicional iraniana de estampar em tecidos utilizando blocos de madeira entalhada. O termo ghalamkari deriva das palavras persas ghalam (caneta) e kari (trabalho), cujo significado pode ser traduzido como “desenho a caneta”. Esta técnica também é conhecida na Índia como Kalamkari. Ao tecido produzido com esta técnica é dado o nome de Ghalamkar.

A cidade de Isfahan é um dos mais importantes centros deste tipo de estampagem no mundo. Sua origem provavelmente remonta à era Safávida (séc. XVI). Os desenhos característicos da arte do Ghalamkari refletem os gostos e tendências desta época da história do Irã e eram utilizadas desde o vestuário até a decoração doméstica como cortinas, forros de mesa e painéis decorativos de tecido, geralmente pintados à mão. Os reis persas presenteavam os imperadores e dirigentes de outros países com tecidos Ghalamkar como prova de amizade e da mais alta consideração.

Oficina de Ghalamkari em Isfahan 
Até o final da era Qajar, todas estas peças decorativas eram pintadas à mão. Há cerca de 250 anos, com a necessidade de baratear o processo e produzir em maior escala, foram introduzidos os blocos para estampagem. Os primeiros blocos de impressão eram feitos de argila, depois passaram a ser de pedra e por fim de madeira de pereira, que é o material usado até hoje. Com o passar do tempo, o número de desenhistas dos tecidos Ghalamkar diminuiu e a variedade de padrões se limitou, mas graças à invenção dos blocos de impressão, os desenhos simples, significativos e belos continuam preservados e dando continuidade a esta arte milenar.

Os padrões das estampas são extremamente variados: geométricos, arabescos, florais e animais. Motivos figurativos pré-islâmicos como as gravuras de Persépolis, cenas de caça, jogo de polo e inscrições de poemas também são comuns. As cores principais são vermelho, azul, preto e amarelo. Uma toalha simples de 2 x1,40m (equivalente a uma mesa de seis lugares) recebe cerca de 580 estampas, já uma mais elegante pode chegar a 4000 estampas. Quanto maior o número de estampagens, mais valiosa a peça.

O processo de estampagem é feito com blocos de madeira entalhada 
Como são feitos os tecidos Ghalamkar:

As estampas são feitas utilizando blocos de madeira entalhados. Estes blocos de estampar geralmente são feitos de madeira de pereira que é considerada a mais durável e maleável para o entalhe. Com o bloco cortado no tamanho ideal, o desenho é feito à caneta e então entalhado com goivas e formões. A matriz é pressionada na tinta que tradicionalmente é feita à base de pigmentos minerais. O artesão bate a matriz no tecido com as próprias mãos, repetidas vezes até formar um padrão das bordas para o centro. Sempre aplica primeiro a cor preta, em seguida as demais cores. O trabalho é dividido entre vários artesãos, cada um trabalha com uma cor, utilizando uma matriz diferente.

Finalizada a estampagem, o tecido fica exposto ao sol e é fervido por uma hora para fixar os corantes. Ao mesmo tempo são adicionados os corantes naturais (rúbia e casca de romã) que dão o tom róseo do fundo do tecido. Em seguida, o tecido é lavado em um grande tanque. Após esta etapa, várias peças de tecido estampadas são colocadas em grandes tinas de cobre contendo um liquido estabilizador e fervidas novamente. Por fim, as peças recebem a lavagem final nas águas do rio Zayandeh, e são colocadas para secar nas suas margens.


>> Veja neste vídeo como é produzido o Ghalamkari





Descendentes de escravos no Irã: uma história desconhecida

Crianças afro-iranianas (foto: Behnaz Mirzai)
Salam amigos! Um artigo publicado originalmente no site Middle East Eye, revela uma faceta pouco conhecida da formação do povo iraniano. Embora sejam uma das minorias étnicas, há uma presença expressiva de afrodescendentes especialmente no sul do país. Aqui no blog, já mostramos o trabalho do fotógrafo Mahdi Ehsaei revelando sob um viés artístico os povos afro-iranianos, e hoje vamos conhecer o trabalho de uma pesquisadora que investiga história dos descendentes de escravos no Irã. 
A historiadora iraniana radicada canadense Behnaz Mirzai é uma grande especialista sobre a diáspora africana no Irã. Tendo iniciado sua pesquisa há mais de 20 anos, ela afirma que este ainda é um tópico pouco conhecido dentro de seu país de origem: “Durante todo o tempo que morei no Irã, nunca ouvi falar sobre a escravidão no Irã.”
A historiadora Behnaz Mirzai, que há 20 anos pesquisa a diáspora africana no Irã
(foto: MidleEastEye)
Mestra em história iraniana e islâmica, pela Universidade Azad de Teerã, Mirzai se mudou para o Canadá em 1997, quando encontrou o professor Paul Lovejoy, na Universidade de Toronto que a incentivou a enveredar sua pesquisa sobre este tema. E após contatar seus antigos professores no Irã, ela descobriu que realmente o país teve uma história de escravidão africana, e ainda existem arquivos com documentos provando o fato. “A escravidão não estava integrada na história do Irã... em termos de conhecimento das pessoas comuns ou mesmo entre acadêmicos ele era muito limitado, ou naquela época era zero,” diz a historiadora. “Não havia artigos nem livros escritos; era algo muito novo”.
O comércio entre o moderno Irã e os países da África remonta a muitas centenas de anos. Porém, segundo a pesquisa de Mirzai que é focada especialmente no período moderno, a escravidão no Irã compreendeu dois períodos principais: a Dinastia Qajar (1795-1925) e os primeiros anos da Dinastia Pahlavi (1925-1979). Ela explica que os mercadores árabes do Golfo, dominado pelo Sultanato de Omã – que controlavam vastas regiões nas costas do Oceano Índico -  trouxeram para o Irã escravos do norte e nordeste do continente africano, incluindo Tanzânia (Zanzibar), Quênia, Etiópia e Somália.Na antiga literatura islâmica, os etíopes eram conhecidos como al-Habasha (abissínios). Como resultado, muitos escravos adotaram o sobrenome “Habashi” quando vieram para o Irã, para indicar sua origem. Os escravos que vinham de Zanzibar, por sua vez, adotaram o sobrenome Zanzibari. Em grande parte concentrados na costa sul do Irã, eles trabalhavam predominantemente na pesca e agricultura, ou como empregados domésticos, enfermeiros, ou até mesmo soldados.
Foto tirada na corte de Nasir al-Din Shah, durante a dinastia Qajar em Teerã no séc. XIX.
As crianças negras, filhos de servos, eram chamadas de khanezadeh (nascidos em casa).
(Imagem: acervo de Behnaz Mirzai) 
 Porém, os africanos não foram os únicos a serem escravizados no Irã. “No Irã, a escravidão não era baseada na raça (...), havia escravos circassianos e georgianos, além de muitos iranianos que viviam em um estado de extrema pobreza...”, diz Mirzai. A abolição da escravidão no país começou em 1828 com o fim do tráfico de circassianos e georgianos e a prática se encerrou exatamente um século depois.  Hoje em dia, cerca de 10 a 15% da população do sul do Irã pode ser considerada afrodescendente.  Muitos membros dessa comunidade afro-iraniana, termo cunhado por Mirzai em sua pesquisa, sequer conhecem a história de suas famílias ou suas próprias origens. Eles são geralmente referidos como os “negros do sul” e muitos iranianos ainda acreditam que a cor escura de sua pele é resultado do sol inclemente das costas do sul do país. 
Os afro-iranianos consideram a si mesmos simplesmente como iranianos e às vezes sentem-se incomodados com questões sobre suas origens africanas.  "Eu perguntei a eles anteriormente, o que vocês se consideram? E eles disseram, ‘somos iranianos’. Se eu fizesse alguma pergunta relacionando-os com africanos, eles se sentiriam ofendidos... como se você estivesse tentando dizer que eles não são iranianos” diz a pesquisadora.  Em um dos filmes produzido por Mirzai, Afro-Iranian Lives, um homem chamado Mohamad Durzadeh disse que sua família está no Irã desde os tempos de seu avô. Quando perguntado de onde seus ancestrais vieram ele responde: “Eles estavam aqui [no Irã]”.  Um outro homem no mesmo filme, cujo nome não foi identificado, explica que há distinções entre as famílias afro-iranianas: “Os Durzadehs se acham superiores aos Ghulam e aos Nukar. Eles acreditam que os Ghulams eram escravos, mas os Durzadehs eram livres”. 
Homens participando da cerimônia do Zar, em Khorramanshahr, província de Khuzestan
(Foto: Behnaz Mirzai) 
 O desconhecimento sobre os afro-iranianos, faz com que os iranianos de outras partes do país vejam a estes como estrangeiros (um exemplo perfeito é o filme Bashu, o Pequeno Estrangeiro do qual já falamos aqui no blog). Porém, Mirzai diz que apesar de incomum, ela documentou alguns casamentos entre afro-iranianos e iranianos de outras etnias.
Os afro-iranianos atualmente estão bem integrados nas regiões onde vivem. Por exemplo, as comunidades da província de Sistan e Baluchistan falam o dialeto local, baluchi, enquanto as comunidades da província de Hormozgan falam o dialeto bandari. Por outro lado, as comunidades afro-iranianas atuais mesclam tradições africanas com a cultura iraniana, incluindo um ritual de exorcismo conhecido como Zar, que também é praticado na Tanzânia e Etiópia. 
Por fim, Mirzai conclui: “Para mim, o mais importante é mostrar que eles são iranianos, um lado diferente do Irã; que o Irã é muito diverso e que há muitos grupos étnicos vivendo no Irã. Eles têm sua própria cultura e identidade específicas.”
Mulheres e crianças afro-iranianas da província de Sistan e Baluchistan
(Foto: Behnaz Mirzai)
(Adaptado do artigo de Jillian D’Amours para o site Middle East Eye)