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Guest post: "Irã, o país da querideza!!!!"

Salam amigos! O Chá-de-Lima da Pérsia também abre espaço para você compartilhar o seu relato de viagem ao Irã. E hoje trago para vocês, um guest post que está demais! Vamos viajar na divertida e deliciosa narrativa da nossa amiga da Pérsia Gabriela Capeletto que deixou de lado qualquer ideia negativa e foi conhecer o Irã sozinha, em plena época do Nowruz. Sua experiência cativante com certeza vai inspirar muitos a descobrir as maravilhas deste país!


Por Gabriela Capeletto
Sou Gabriela, servidora pública, curitibana morando em Brasília. Estive no Irã durante o Nowruz desse ano (março/abril) e fiquei duas semanas por lá.
A ideia de visitar o Irã surgiu depois de ver fotos de uma colega que foi. Eu amo tudo o que é exótico e nunca antes tinha me interessado pelo país, mas bastou ver aquelas fotos pra plantar uma sementinha na minha cabeça que cresceu, cresceu, cresceu...e floresceu!
Logo que a ideia surgiu comecei a pesquisar sobre o país. Tudo o que lia falava sobre um lugar seguro, um povo hospitaleiro, e as mil coisas lindas que havia pra ver. Convidei basicamente todas as pessoas viajadoras que conhecia para se juntarem a mim. Cada uma deu uma desculpa. Resultado: acabei indo sozinha (e adivinha só? FOI MARAAAAA!).
Mas aí começou: “Irã? Você é louca? Vai fazer o que lá? Sozinha ainda???? Guria, que perigo!!! Não tem medo?? Vai ter que usar burca?? Olha, pense bem, acho que você não devia ir....bla...bla....”
Eu sempre digo que não saber algo não é necessariamente um problema, mas permanecer na ignorância e até se orgulhar dela é feio demais. Eu mesma não tinha muita informação sobre o país quando tudo começou, mas pô, eu não acordei um belo dia e resolvi ir pro Irã. Entre começar a pesquisar e emitir a passagem foram +ou- 6 meses. Sim, 6 meses lendo tudo o que podia, conversando com quem já tinha ido, frequentando fóruns....mas não, tinha gente que batia o pé e dizia que eu era doida e que seria sequestrada lá e vendida como esposa pra algum árabe. Aham...
(Fim do desabafo)

Muito bem, emiti a passagem. Contrariando várias recomendações, viajei exatamente durante o Nowruz, o ano novo persa. Apesar dos pontos negativos, como preços mais altos e superlotação em lugares turísticos, não me arrependo, e mais à frente explicarei o porquê.
Se você for em qualquer outra época, não precisa se preocupar em reservar as coisas com antecedência. É fácil conseguir passagens e hospedagens comprando/reservando no último minuto, depois de já estar lá. Essa regra só não vale para o Nowruz, e aí minha vida foi dificultada porque há pouca informação de hospedagens online (melhor site que achei foi o TripAdvisor), e não dava pra reservar as passagens estando no Brasil. O pânico estava prestes a se instalar, até que contei a algumas amigas que ia pra lá de férias. Uma amiga que mora em NYC disse que tinha um amigo iraniano muito querido que poderia me ajudar, e nos colocou em contato. Essa pessoa, o Ahad, em pouco tempo passou da categoria de “amigo da minha amiga” para “meu amigo bff” me ajudou com tudo: montou o roteiro comigo, comprou minhas passagens internas, me deu um chip com internet, VPN para o celular (não dava pra ficar sem Facebook, né!!), um cartão de crédito iraniano pra usar ao longo da viagem (isso mesmo, você leu certo), e o melhor: pediu a amigos deles que me hospedassem nas cidades pelas quais eu ia passar. E assim se foram 2 semanas, 6 cidades, 1 único hotel, e muitos amigos novos que falam comigo toda semana até hoje!!! Já dá pra ver que amei tudo, né?

Meu roteiro foi: Mashhad, Shiraz, Yazd, Esfahan, Kashan, Deserto de Maranjab, Teerã.
Mashhad foi a primeira parada, fiquei por lá 2 dias, na casa dos pais do Ahad. O que tem de essencial pra ver lá é a Imam Reza Holy Shrine, local lindíssimo e sagrado para os muçulmanos xiitas. Por sorte fiz a visita acompanhada da prima do Ahad, porque lá só se entra de Chador ou com uns vestidos árabes longos + hijab. Se nos primeiros dias já não é muito fácil usar hijab, Chador então é uma tristeza! Aliás, minha performance com o Chador foi altamente patética, voltei sem saber usar rsrsrs...e nesse dia a prima dele me emprestou um desses vestidos, o que foi a minha benção! 
Dica: Meias são obrigatórias nas mesquitas, leve várias na mala! 

Amanhecer na Holy Shrine
A segunda parada foi em Shiraz, onde fui hospedada pela querida Najme e sua família. Já tinha falado com ela pelo whatsapp antes de ir, sabia que morava com o marido e o filhinho, mas acabei conhecendo quase toda a família dela. A essa altura eu já tinha entendido que os presentinhos que levei seriam poucos, pois eu sempre ia conhecer muito mais gente do que imaginava. E não se engane: iranianos não só são hospitaleiros como têm um interesse genuíno em seus hóspedes! Perguntavam tudo sobre o Brasil, queriam fotos da minha família, questionavam por que eles não quiseram ir também....são uns lindos!!!!

E aqui veio a vantagem de ter ido no Nowruz: como ninguém trabalha no feriado, as pessoas estavam disponíveis para fazer turismo comigo! Não sei avaliar o transporte público do Irã pois não precisei dele. Tive guias locais à disposição quase o tempo todo. Comprei um pau de selfie que não saiu da mala, e não senti a menor falta dele. Iranianos amam fotos, tiram infinitas.

Em Shiraz visitei muita coisa: Tumba do Saadi, tumba do Hafez, Qavam House, Narajestan e-Ghavam, bazar.... nem lembro os nomes! Os pontos altos da cidade foram a maravilhosa Nasir-ol-Molk Mosque (pink mosque) e a vila de Ghalat. Aliás, Ghalat foi uma grata surpresa! Não tinha lido nada sobre o lugar, então foi um presentão conhecer! É o tipo de coisa que só se faz com locais.  
Esses vitrais são muito lindos! 

Ghalat =) 
Depois de Shiraz fui para Yazd, mas parei em Persépolis e Pasárgada no caminho.
(Persépolis) Lotado por conta do Nowruz
Chegamos à minha cidade preferida: Yazd!!!!
Aqui a farra foi geral. Eu ia me hospedar na casa da Somaye, irmã de um amigo do Ahad. Quem me buscou quando cheguei lá foi o irmão dela, Hamid. Chegando na casa deles, me desesperei: ninguém falava inglês. Ninguém. O desespero me consumiu por uns bons minutos. Tive medo de incomodar, de atrapalhar a rotina da família, de aproveitar mal o meu tempo e ficar mal acomodada. Porém, como seria muito grosseiro da minha parte ir embora, fui relaxando aos poucos e fiquei. Ainda bem!! Ficar com aquele povo todo foi SENSACIONAL!!! A Somy chamou uma amiga pra nos acompanhar por todos os lados, a Samaneh, e recorreu à ajuda da Setire (que morava em Teerã e falava um inglês melhor) pra nos comunicarmos. Pra encurtar: conheci umas 30 pessoas em Yazd, ficávamos em uns 12 na casa, fumando narguilé, dançando música persa, e nos entendendo com Google tradutor e mímica. Sozinha eu dificilmente teria encontrado os lugares onde eles me levaram (que foram só os melhores, cumpre anotar). Aqui ficou uma lição: abra o coração e não tenha frescura que tudo se ajeita! 
O que eu visitei: centro histórico de Yazd (cidade milenar, parece um filme, deliciosa pra se perder por um tempo), principais mesquitas, Chak-Chak, Meybod. 
Amir Chakhmaq 
Com a Somaye em Chak-Chak.... minha host querida que mesmo sem falar inglês me fez sentir tão em casa! 

Meybod 
Depois de Yazd, segui para Esfahan, onde fui hospedada pela Sra. Noorouzi, mãe de uma amiga do Ahad. A amiga dele esteve na Índia, então ficamos só nós duas na casa. Ela também não falava uma mísera palavra de inglês, mas mais uma vez isso foi contornável. Para ajudar, outro amigo, o Hadi, me acompanhou nos passeios durante o primeiro dia, e facilitou a comunicação com minha host. Ela parecia uma mamma italiana, sempre preocupada em fazer comida pra mim (e me dava muito mais do que eu aguentava comer). 
Em Esfahan eu visitei o Sofeh Park, a Catedral de Vank (recomendo muito!) e a lindíssima praça Naqsh-e Jahan com todas as suas mesquitas, bazar e palácio. 
Dica: em Esfahan, prove o Beriany, comida típica local. É uma delícia! 
Sou apaixonada por esses tons de azul e tetos cheios de detalhes 

A Praça!!! 
Parti de Esfahan rumo à Kashan, com uma parada em Abyaneh antes. Confesso que, como fui à Ghalat, Abyaneh não me impressionou tanto, mas mesmo assim vale a pena.  

Lá é tudo vermelho assim! 
Em Kashan conheci meu único hotel, uma traditional guest house iraniana. Foi uma ótima experiência me hospedar num lugar assim! A área comum da casa era um encanto! Mais uma vez, surpresas boas me aguardavam...

Visitei o Fin Garden, as Casas tradicionais que funcionam como espécies de museus (ou como cenário de filmes, de tão lindas), mesquitas. Kashan é histórica, antiquíssima, cheia de vielas com muros altos pelas quais é fácil se perder (e eu me perdi de verdade).
Lá pelas tantas parei pra comer. Dois casais entraram no restaurante e me abordaram falando em persa, mas logo viram que eu era estrangeira. Olhares trocados, fisionomias gravadas. Eis que mais tarde encontro os 4 na área comum do hotel! E aí já viu, né....não desgrudaram de mim, todo mundo virou amigo de infância! Eles eram da região de Tabriz, insistiram muito para que fosse visita-los (e obviamente me hospedar na casa deles), me encheram de mimos: ganhei doces, pistaches, chá, pulseiras das meninas e até um livro lindíssimo do Hafez, poeta mais famoso do Irã. Por sorte eu tinha uns batons na bolsa com os quais pude presentear minhas queridas Dellaram e Faranak, mas foi só isso também, porque no mais minha mala era pura roupa suja =P 


Área comum da Noghli house, onde me hospedei 
Em seguida, parti para o deserto de Maranjab, onde dormi num Caravanserai e vi o nascer do sol no outro dia. Confesso que a noite foi ruim, porque tinha um povo mal educado fazendo MUITO barulho perto da minha tenda, mas estava tão frio que não tive coragem de levantar pra pedir que parassem. Pelo menos o nascer do sol foi incrível, e adorei andar pelas dunas e provocar os camelos, então acabou compensando. 
Ops, o hijab voou! Hehehe 
O Caravanserai....a lua tava demais! 
What’s up, bro? :D 
Por fim, cheguei em Teerã, onde fiquei na casa do Ahad e do Saeed. A cidade me lembrou São Paulo, mas por ser feriado tinha menos trânsito que o normal (Graças a Deus, porque o trânsito iraniano é um terror). O ruim é que muitos locais estavam fechados. Acabei não fazendo tudo o que queria, mas ainda assim vi alguns museus, parques, fiz compras (como fui de mochila, deixei pra comprar quase tudo no final e não precisar carregar peso) e conheci mais um monte de gente legal. E aí comecei o processo de retorno pra casa!
Prepare o bolso se quiser trazer artesanato e tapetes 
O que posso dizer dessa viagem é que tudo me surpreendeu. Você vai ler mil vezes que o povo lá é hospitaleiro, mas só vai entender o quanto isso é sério quando chegar lá e começar a ser cuidada por eles. Brasileiros são amados no mundo todo, e lá também. Sobre ser mulher, ocidental e estar sozinha, só posso dizer uma coisa: esqueça todas as bobagens que já ouviu por isso e vá sem medo! Senti zero preconceito, andei sozinha, ajoelhei no meio da igreja cercada de muçulmanos sem nenhum problema. Além do mais, brasileiras têm um lado safo que nos afasta de perigos maiores.

Pra não dizer que tudo são flores, penso nas poucas coisas que não gostei: falta de internet boa, trânsito maluco e os banheiros iranianos. Esses últimos são de lascar...tenha sempre lencinhos na bolsa!

Dicas finais: leve presentinhos para as pessoas - doces, maquiagens (iranianas são vaidosíssimas), qualquer coisa. Prove todas as comidas (pouca coisa é ruim). Divirta-se com o hijab! Ele certamente é chato para as locais, mas pra uma turista ele é parte da folia e deixa tudo ainda mais divertido. Se ficar insegura, leve grampos pra fixá-lo (eu usei nos primeiros dias). Tome o máximo de cuidado com o Taroof, mas também não o deixe impedir de curtir. E acima de tudo, vá de coração aberto! Se te convidarem pra um chá, aceite. Se puder se hospedar com locais, hospede-se. Assuma uma postura amigável, sorria, tenha paciência e se jogue. O Irã é um lugar surpreendente e cheio de amor a oferecer! E claro, leia tudo aqui no blog da Janaína, ela é expert em Irã e vai te ajudar demais!

PS: nem preciso dizer que depois que comecei a postar as fotos foi uma choradeira e um arrependimento geral da turma que foi convidada e não quis ir né?! Hehehe....

Aí deve ter uns 30% das pessoas que conheci – amigos/anjos da guarda queridos do Irã!
Agradecimentos à linda Gabriela, por compartilhar gentilmente seu maravilhoso relato e belíssimas fotos. E se você também gostaria de enviar o seu relato de viagem ou de amizade Brasil-Irã, é só entrar em contato comigo!


Bamieh, um doce especial do Ramadan no Irã

Bamieh, doce típico iraniano 
Bamieh é um dos doces favoritos dos iranianos. É uma espécie de "mini-churros", servido  na hora do Eftar, a quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadan, e as confeitarias também faturam bastante com sua produção nesta época. Bamieh significa literalmente "quiabo", porque seu aspecto se parece com pequenos pedacinhos de quiabo frito cortado e geralmente vem acompanhado de outro doce chamado Zulbia. Por isso é comum ouvirmos falar da famosa dupla Zulbia Bamieh. Vamos aprender como ele é feito? 

Ingredientes: 

1 Copo de farinha de trigo
3 Colheres (sopa) de manteiga
2 Ovos
1/4 Colher (sopa) de açafrão
1 Copo de açúcar
1 Colher de (sopa) de água-de-rosas
Óleo vegetal 

Mode de preparo:

1- Dissolva o  açafrão em água fervente, deixe durante 30 minutos e reserve.
2- Coloque 1 copo de açúcar em uma panela. 
3- Acrescente  1/2 copo de água e mexa.
4- Ferva a mistura até formar uma calda grossa. 
5- Acrescente 1 colher (sopa) de água de rosas e 1 colher (sopa) do açafrão reservado à panela e misture bem, continue fervendo por mais 3 minutos.
6- Ponha 1 copo de água em outra panela.
7- Adicione 2 colheres (sopa) de açúcar e 3 colheres (sopa) de manteiga à segunda panela, mexa bem e aqueça até que a manteiga esteja completamente derretida e misture até que fique bem homogêneo.
8- Adicione 1 copo de farinha de trigo e continue mexendo em fogo brando até formar uma massa. 
9- Retire a mistura do fogo e deixe esfriar.
10- Adicione  2 ovos à massa, e mexa até que fique homogênea.
11- Coloque a massa em um saco de confeiteiro e escolha um bico decorativo com o formato de sua preferência e faça os "quiabinhos".
12- Frite os "quiabinhos" em óleo vegetal e remova o excesso de óleo . 
13- Mergulhe os "quiabinhos fritos " na calda preparada no passo 4 e deixe descansar por 5 minutos. 

14- Depois coloque-os em uma peneira para escorrer por alguns minutos e sirva. 
Sugestão:Também pode ser decorado com pistache moído.               


>> Veja aqui o passo-a-passo da receita: 


Receita do site Aashpazi.com


"Um Certo Olhar" para o cinema iraniano em Cannes

Cena do filme Lerd (Homem de Honra)
Salam amigos! Mais uma vez o cinema iraniano atrai o olhar em Cannes! Este sábado, o drama Lerd (Homem de Honra) venceu a mostra “Um Certo Olhar” que é dedicada a uma linguagem mais experimental.
Filmado clandestinamente no Irã, e oficialmente censurado, Lerd é um drama intenso que narra a história de um homem perseguido por forças econômicas e políticas por protestar contra a qualidade da comida de uma fábrica. 
O diretor e roteirista Mohammad Rasoulof, 45, que já esteve preso juntamente com  Jafar Panahi em 2010, declarou durante a premiação que espera que o prêmio torne as coisas mais fáceis para seu trabalho como cineasta no Irã.
Rasoulof disse que as autoridades iranianas haviam permitido que ele filmasse “Lerd”, mas somente após assinar um termo prometendo não denegrir muito a imagem de seu país. Porém, a exibição do filme não foi permitida no Irã.

(Fonte: Reuters


Viaje para o Irã com a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia!

Salam amigos! Em parceria inédita, a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia, apresentam uma novidade para quem busca destinos exóticos e experiências inesquecíveis. Chegou a chance que você esperava para conhecer as maravilhas do Irã!



Moedas antigas revelam a face dos reis persas


Você gosta de colecionar moedas? Elas são fascinantes porque muitas vezes são a única fonte através da qual os arqueólogos reconstituem a face de personalidades históricas de épocas remotas, das quais poucas estátuas ou pinturas sobreviveram.
Durante 400 anos um império do Irã batalhou contra Roma e Constantinopla, afastou as hordas de invasores da Ásia Central e manteve a da Rota da Seda aberta para a China. Este foi o Império dos Sassânidas. Responsáveis também por manter uma moeda estável em um estado multiétnico muitas vezes assolado por conflitos religiosos e políticos. Uma curiosidade sobre este Império, era que a tradição requeria que um membro da casa real ocupasse o trono, mas não era específico qual desses membros, o que ocasionou uma verdadeira guerra pela sucessão no final de cada reinado, e às vezes dentro do mesmo.  Durante este período cerca de 30 reis, cunharam moedas que revelam as faces por trás do poder deste império. Vamos conhecer alguns deles:

Moedas do rei Ardashir I: dracma de prata (acima) e dinar de ouro (abaixo)

Ardashir I (224-241)
Nascido em cerca 180 d.C., ele era um comandante em  Pars, no coração do Irã, quando em 224 iniciou uma rebelião contra os governantes Partas. Em 226, ocupou a capital Ctesifonte (atualmente nos arredores de Bagdá, Iraque) e foi coroado como “Rei dos Reis do Irã”.   
Ardashir estabeleceu o padrão de cunhagem das moedas de prata (dracmas) e ouro (dinares) Sassânidas que perduraria durante quatro séculos. Em suas moedas, Ardeshir aparece com barba e cabelos trançados e usando uma elaborada coroa parecida com um capacete. Todo rei Sassânida tinha uma coroa única combinando os símbolos das várias divindades cultuadas pelos iranianos. Na realidade estas coroas eram tão pesadas que ficavam suspensas por correntes acima do o trono, mas nas moedas os reis sempre são mostrados usando o aparato.
As inscrições no ante verso proclamam: “Ardashir, servo de Mazda, Rei dos Reis do Irã, descendente dos deuses”. Fórmula que  foi seguida pelos governantes subsequentes. Na moeda de prata, a face para quem ele olha é de seu filho e futuro sucessor Shapur I. O padrão no verso mostra um flamejante altar zoroastriano, a religião oficial do estado, adornado com fitas e incensórios nas laterais.

Moedas do rei Shapur I: dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Shapur I (241-272)
Nascido em c. 215 d.C, sua mãe foi uma princesa parta. Ele derrotou uma série de invasões romanas, culminando com a captura do imperador Valeriano em 260 (o único imperador romano da história a ser capturado como prisioneiro de guerra por inimigos estrangeiros). De acordo com a lenda, Shapur pisava nas costas de Valeriano para montar seu cavalo e o embalsamou como um troféu após sua morte. 
Shapur reinou durante 30 anos e as moedas de prata cunhadas por ele são relativamente comuns. O anverso o retrata usando uma coroa em formato de muralha, encimada por um korymbos (espécie de bulbo de seda decorativo). No reverso, ele acrescentou uma dupla de servos ao lado do altar de fogo.

Moedas do rei Piruz I: dinar de ouro (esquerda) e dracma de prata (direita)
Piruz I (457-484)
Piruz I comoçeou seu reinado com uma guerra civil contra seu irmão mais novo Hormizd III, que sucedeu ao trono após a morte de seu pai Yazdgerd II em 457. Piruz negociou um acordo com os Bizantinos para compartilhar o custo de defesa do Cáucaso contra os invasores do Norte. O império durante este tempo também sobreviveu a grande fome causada por uma seca de sete anos (464-471).
Ele combateu uma série de campanhas contra os Heftalistas, uma tribo de guerreiros nômades cuja origem é obscura, morrendo durante uma batalha próxima a Herat no Afeganistão em  484. Piruz foi sucedido por seu irmão, Balash, que foi deposto em favor de  Kavad (or Kavadh), um filho de Piruz, com ajuda do exército Heftalita.
Em suas moedas, Piruz usa uma série de diferentes coroas aladas.

Moedas do rei Khosro II : dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Khosro II (590-628)
Nascido em cerca de 570, Khosro II foi nomeado por seu avô. Aos 20 anos de idade, foi elevado ao trono por dois de seus tios, que depuseram e cegaram seu pai.  Após este episódio, o comandante  Bahram Chobin  iniciou uma guerra civil  (590-591) e tomou o trono por um breve período, mas este foi reconquistado por Khosro com a ajuda dos Bizantinos.  
As moedas de Khosro são extremamente comuns, mas alguns poucos exemplares são algumas das mais atraentes moedas Sassânidas. Um dinar de ouro do 21º ano de seu reinado retrata o rei usando uma coroa alada adornada com estrelas e crescentes com a inscrição: “Que Khosro, rei dos reis, possa prosperar.” No reverso há um busto da deusa  Anahita rodeada por um halo de chamas, e a inscrição: “O Irã prosperou”.  Uma rara dracma de prata, do 23º ano mostra a face do rei de frente ao invés do usual perfil direito.
Poderíamos mostrar ainda mais exemplos de moedas e aprender ainda mais sobre a história dos impérios do Irã, mas isto seria conteúdo para uma verdadeira enciclopédia. Se você gosta deste assunto e quer mais conteúdos sobre história, deixe um comentário! 

Adaptado de artigo do site CoinWeek, Ancient Coin Series de Mike Markowitz


Um poema de Rumi para o Dia das Mães


"Deus não queria estar em todos os lugares, então, ele criou as mães para representa-lo."


Minha mãe, é simplesmente a melhor das mães
Eu sou alegria, filho da alegria, filho da alegria!
Quando uma mãe chama por seu filho:
“Venha minha criança, deixe eu te amamentar
Sou eu, sua mãe, quem está falando contigo”
Acaso um bebê faminto responderia:
“Prove-me primeiro que você é minha mãe,
Antes de eu ter o conforto de mamar de seu leite?”  
Uma mãe é naturalmente suave, frágil e especial,
Ainda que proteja com bravura seu filho
Assim como um experiente caçador perseguindo uma presa 

Uma mãe viaja por milhares de milhas
Se é preciso prover para suas crianças
Felicidade e bem estar

Uma mãe instintivamente deixa a escapar
Centenas de gritos de desespero
Quando seu filho está passando por dificuldades
Quando uma mãe perde seu filho,
Ela sofre e chora tão profundamente
Que as chamas ardentes da tristeza
Derramam de seu coração aflito
Pelo resto de sua vida 
Uma mãe prontamente arrisca sua própria vida
Para manter seu filho longe do perigo
Uma mãe dá a sua própria vida
Centenas de vezes se for preciso
Para salvar a vida de sua preciosa criança 

Uma criança doente treme de medo
Quando o seu sangue é extraído para um exame
Mas a mãe carinhosa se sente radiante
Sabendo que seu filho será logo curado 
Nunca julgue nem critique uma mãe
Por sempre superproteger seu filho
Deus não queria estar em todos os lugares,
Então, ele criou as mães para representa-lo.
Deus criou as pacientes mães
Para confortar os bebês que choram
Deus criou os bebês inocentes
Para chorar alto e implorar
Pelo leite confortante de suas mães 
Nenhuma criança poderia nascer
A menos que uma mãe desse a luz
Enfrentando a excruciante dor do parto
Gravidez, dor, contrações,
Dar a luz, e experiências da maternidade
Tudo isso são bênçãos de Deus para uma mãe
Deus deposita sua divina misericórdia e confiança
Dentro do coração de uma mãe grávida
Então o coração da mãe também se torna grávido
De um preciso presente de Deus
Por isso que o amor de uma mãe é sempre eterno

(Tradução livre  de poema atribuído a Rumi, adaptado de Mawlana Rumi Online)


Uma singela homenagem a todas as mães do planeta, com carinho, do Chá-de-Lima da Pérsia! 

💝 Feliz Dia das Mães! 💝
Ruze madar mobarak! 


Breve história da língua persa

Representação do rei Dário no rochedo de Behistun, o registro mais antigo da língua persa 
Você sabia? O persa é uma das línguas mais antigas do mundo e uma das poucas que permaneceu em uso contínuo após milhares de anos. Apesar de atualmente, ser escrita em caracteres árabes (Irã e Afeganistão), e cirílicos em territórios da antiga União Soviética (Uzbesquistão e Tadjiquistão), ela pertence a família das línguas indo-europeias, ao qual pertencem o grego e o latim. Neste sentido, o persa está muito mais próximo do inglês e do português do que do árabe, turco ou demais línguas do Oriente Médio.
A história conhecida da língua persa pode ser divida em dois períodos: antigo, médio e moderno persa.

O registro mais antigo desta língua, datando do período Aquêmenida é a inscrição do rei Dário I  (522 - 486 a.C) no rochedo de Behistun (província de Kermanshah, no Irã). No entanto esta inscrição não representa a forma falada da linguagem, mas sim uma forma arcaica e estilizada, provavelmente do antigo persa que data de aproximadamente 3000 anos.

O persa médio pode ser dividido em vários períodos com destaque para duas eras: a língua que era falada durante o Império dos Partos (248 a.C - 226 d.C) e a língua do Império Sassânida (226 - 651). 

Durante este período a morfologia da língua persa foi grandemente simplificada. Veja os exemplos:

Persa Antigo        
Persa Médio  
Três gêneros distintos: masculino, feminino e neutro   
Sem distinção de gênero
Três categorias de números: singular, dual e plural         
Singular e plural apenas 
Nomes e adjetivos declinam em sete casos 
Extintas as regras de declinação

Conjugação de verbos simplificada      
                      
Infelizmente, grande parte da literatura do persa médio se perdeu com a invasão árabe durante a conquista islâmica da Pérsia. Período este que marca o começo da história da língua e literatura do persa moderno. No entanto passaram-se cerca de 200 anos até que o médio persa se transformasse no novo persa. Pode-se dizer que a história do persa moderno iniciou em cerca de 850 d.C até os dias atuais(aproximadamente 1200 anos!). No decurso de sua longa história, o persa desenvolveu um grande número de expressõe idiomáticas e provérbios. São deste período os mundialmente famosos poetas persas como Ferdowsi, Rumi, Khayyâm, Hafez e Saadi. O persa moderno não difere muito do persa médio com relação a gramática. A principal diferença está na inserção de um grande número de palavras de origem árabe que passaram a fazer parte do vocabulário persa, além da utilização do alfabeto árabe, com pequeno acréscimo de letras adaptadas a sua fonética. (Para mais informações sobre a história da escrita persa veja o post: Breve história da caligrafia persa

Hoje em dia, o persa é falado principalmente no Irã (Pérsia), Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e Bahrain, sendo a língua oficial dos três primeiros países (cerca de 130 milhões de falantes). Historicamente a língua persa já foi muito mais difundida pela Ásia, sendo a língua cultural de muitas regiões e dinastias islâmicas. O persa foi durante muito tempo a língua do Império Otomano, e a língua franca de diversas partes do mundo islâmico ocidental e durante cinco séculos do sub-continente indiano. Além disso, a língua persa também foi um importante meio para contribuições literárias e científicas no mundo islâmico, sendo assim seu status é comparável ao do latim para a cristandade. A forte influência do persa em outras línguas ainda pode percebida em todo o mundo islâmico.Nos últimos 200 anos, o Irã perdeu a maior parte de seu território, especialmente para a Rússia, consequetemente a língua persa desapareceu gradualmente na maioria destas regiões. 

Algumas palavras de origem persa na língua portuguesa chegaram por intermédio dos árabes durante a conquista islâmica na Península Ibérica no séc.VIII. Por exemplo: bazar, caravana, chacal, dervixe, divã,  jasmim, lilás, quiosque, tafetá, laranja, azul, cáqui, pijama, xeque-mate.


Evento gratuito: A Pérsia e a representação feminina no cinema

Shaghayeh Djodat em "Gabbeh" (1996)
Salam amigos! Este sábado 29/04, em São Paulo, haverá a palestra A Pérsia e a representação feminina no cinema, com a presença do diplomata brasileiro Álvaro Galvani, que vive na capital Teerã, e de Aline Moreira do Amaral, mestre em História pela PUC-SP, com tese dedicada à representação da mulher no cinema iraniano. Vamos viajar para a Ásia Ocidental, revisitar a Pérsia antiga dos reis Aquemênidas, rememorar a beleza poética de Rumi e outras grandes obras dessa civilização. 

Onde: Tapera Taperá ( Av. São Luiz, 187, 2º andar, loja 29 - Galeria Metropole )
Quando: Sábado, 29/04/17, às 15h

O evento é gratuito e aberto ao público. 


Feliz Páscoa Brasil e Irã!

Salam amigos! Com a proximidade que a Páscoa cristã tem em nosso calendário da tradicional celebração do Ano Novo Iraniano, o Nowruz, as comparações acabam sendo inevitáveis. E a mais notável semelhança é que os ovos coloridos estão presentes em ambas as celebrações! O fato é que no Irã, não existem ovos de chocolate, mas a tradição de decorar ovos para celebrar a chegada da primavera existe há milênios, antes mesmo da chegada do cristianismo às terras da Pérsia. 
As comunidades cristãs, armênia, assíria, católica e protestante do país, celebram a Ressurreição de Cristo em diferentes datas de acordo com o calendário litúrgico que seguem. A saudação de Páscoa em persa é: Eid-e Pak Mobarak! 
O vídeo a seguir mostra estas celebrações em duas importantes igrejas históricas localizadas no bairro de Jolfa, na cidade de Isfahan:



Feliz Páscoa Brasil e Irã, com esperança de renovação para todos! 
Que tal deixar um comentário com o seu desejo para esta data? 


Por que eu ando sumida?


Salam amigos! Voces devem estar se perguntando por que o blog anda tão parado nas duas ultimas semanas! Infelizmente, devido a alguns problemas técnicos em meu computador e outras atividades profissionais, andei sem tempo para postar o encerramento do Nowruz e o resultado da nossa Enquete sobre o perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia, alem das postagens da nossa fanpage. Mas, provavelmente até o final desta semana voltarei ao ritmo normal das publicações com muitas novidades sobre a cultura do Irã em nossa casa de chá virtual. (Neste momento postando de outro computador, perdoem a falta de acentos!) 

Obrigada a todos os leitores fieis pelo carinho de sempre! 
Abraços da Moça do Chá!


Desvendando os símbolos do Nowruz: a filosofia da Haft-Sin

Haft-Sin, uma das tradições do Nowruz
Salam amigos, estamos no 8º dia do Nowruz, o Ano Novo persa! Durante os dias da celebração desta data, vamos nos aprofundar e compreender os seus simbolismos. Cada um dos rituais e símbolos do Nowruz tem uma rica história na arte e cultura iraniana, e cada qual simboliza algum aspecto importante da vida humana. 

Um dos elementos mais conhecidos desta tradição é a Sofreh Haft Sin, a toalha de mesa na qual são colocadas sete objetos começados com a letra S, dos quais já falamos aqui no blog (veja o post "Os simbolismos da Haft-Sin"). Mas uma pergunta que muitos devem fazer é: Se Haft-Sin significa literalmente "Sete Ss" por que há mais de sete objetos na mesa e por que muitos deles  não começam com a letra "S" em persa?

Entre estes símbolos que não começam com a letra sin  podemos destacar:  Sham (vela), Ayeneh (espelho), Mahi (peixe), e Tokhmeh Morgh (ovos).

Uma possível explicação é que o termo sin, talvez não se refira à letra do alfabeto persa, mas a um encurtamento da palavra sini (ou bandejas), que originalmente detinha estes símbolos essenciais. Estes símbolos se dividem em três do mundo material (ou donyaheh mahdudiat), três do mundo conceitual (ou donayeh mânah), e um que faz a junção dos dois mundos.

Os símbolos do mundo material:
  1. Sang : pedra - símbolo da matéria - a forma mais baixa do mundo material
  2. Sabzeh: - grama - broto de trigo, cevada ou lentilha, símbolo do mundo vegetal e do renascimento
  3. Tokhmeh morgh: ovo decorado com desenhos - símbolo do reino animal e da fertilidade
Os símbolos do mundo conceitual:
  1. Sham: vela - símbolo da luz do ser, da energia ou da força criadora
  2. Ayineh: espelho - símbolo do campo das possibilidades onde a força criativa reflete e torna tudo possível
  3. Mâhi: peixe na água - símbolo do infinito (água) e da vida dentro dele (peixe)
Símbolo que une os dois mundos:
Sharab: vinho - símbolo do humano, com o jarro ou vidro como o corpo (material) e o vinho como o espírito (conceitual)
Tomados como um grupo, estes símbolos mostram uma progressão do material para o espiritual, com a pedra (matéria) no extremo inferior, e a vela (energia) no mais alto, e o vinho (humano)  conectando estes dois mundos. Assim, o objetivo da Haft-sin, é nos lembrar de nosso propósito como seres humanos neste mundo. A ideia de que estamos aqui não só para experimentar o mundo material com suas limitações, mas também para experimentar a transcendência e a consciência superior no plano espiritual ou conceitual.

Além disso há sempre um livro na mesa do Haft-Sin. Possivelmente com a chegada do islã no Irã, há cerca de mil anos, os  persas convertidos à nova fé adicionaram o Alcorão no meio de sua mesa sagrada de modo que sua tradição pudesse continuar a viver. Com o passar do tempo, alguns segmentos da sociedade tornaram-se mais seculares, algumas pessoas começaram a substituir o livro sagrado do Alcorão por um de poesia como o Divan de Hafez, ou o Shahnameh de Ferdowsi.

E quanto aos dois  símbolos que desapareceram desta tradição: sang (pedra) e sharab (vinho)?
Na verdade, eles não desapareceram, mas foram substituídos por outros. As sekkeh (moedas), geralmente feitas de ouro, são de origem mineral como a pedra. E o serkeh (vinagre) passou a ocupar o lugar do vinho, que não é permitido pelo Islã.

(Baseado em artigo de Farhad Mohit para o site Payvand)

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O Nowruz através da história do Irã


Salam amigos! Hoje é o 6ª dia do Nowruz, a celebração do Ano Novo Persa! Vamos continuar desvendando as origens desta data, e no post de hoje, vamos falar do desenvolvimento desta tradição na história do Irã. 

Segundo o célebre historiador iraniano Mehrdad Bahar a celebração do Nowruz remonta a um período antes da chegada dos arianos ao planalto iraniano. Essas festas eram celebradas pelas tribos pré-históricas de agricultores e sobreviveram através das eras. Não há nenhuma referência ao Nowruz ou sua tradição no Avesta. Porém, nos textos Pahlavi e dos Maniqueus, há muitas referências a primeira celebração do ano novo comemorada em Takht-e Jamshid (Persépolis). No Dinkart, o livro zoroastriano de ciências religiosas escrito em Pahlavi, o Nowruz é mencionado como uma celebração iraniana muito antiga.

De acordo com a pesquisa realizada sobre as inscrições de pedra e tabuletas do período aquemênida, todos os anos, representantes de nações e tribos se reuniam em Takht-e Jamshid para comemorar o Nowruz  no palácio de Apadana em uma cerimônia assistida pelo rei e lhe apresentavam seus presentes. Takht-e Jamshid foi reverenciado como um local sagrado e cada rei ia até lá uma vez por ano para comemorar o ano novo e visitar os túmulos de seus antepassados. Na era Sassânida, era um costume para os reis libertar um falcão branco neste dia e consumir um pouco de leite fresco e queijo para evocar a bênção.

Após o advento do Islã, a tradição iraniana assumiu um tom religioso e com a ascensão dos Abássidas a celebração  do Nowruz prosperou. As sucessivas dinastias iranianas dos Taherian, aos Safarian, Buyidas, Ghaznavidas e Seljúcidas mantiveram e exaltaram esta festa. Um dos atos mais significativos realizados durante a era dos Seljúcidas foi a mudança da celebração de Nowruz de seu deslocamento anual para o início do primeiro dia da primavera e do primeiro mês do ano, Farvardin. Em 1080, Seljuq Malek Shah estabeleceu uma missão para oito astrônomos incluindo Omar Khayyam para calcular com precisão e ajustar o calendário persa.

Sob o domínio dos Corásmios (1077- 1231) o Nowruz era celebrado tão majestosamente que nem mesmo os mongóis e os timúridas puderam ignorá-lo. Na era do Safávidas (1502-1736), as celebrações do Nowruz foram misturadas com certos cultos e rituais islâmicos e assumiram também um aspecto religioso. Durante a dinastia Qajar, a celebração de Nowruz foi tratada com seriedade e geralmente era realizada com especial solenidade. Nos dias atuais, os iranianos consideram o Nowruz como um dia auspicioso e sagrado com base em sua tradição religiosa. Eles combinaram o ritual do Nowruz com a cultura iraniano-islâmica e desta forma lhe deram um esplendor especial.

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

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O rei Jamshid e as origens mitológicas do Nowruz

O rei Jamshid celebra o Nowruz em seu trono voador.
Ilustração do livro Shahnameh: The Epic of the  Persian Kings, por  Hamid Rahmanian
Salam amigos, estamos no 4º dia do Nowruz, a celebração do Ano Novo persa! Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o significado desta data do ponto de vista da mitologia iraniana. 

A maioria das fábulas e histórias do Irã consideram o período Pishda’dian como a primeira vez em que o Nowruz aparece na história. O reinado de Jamshid, o quarto rei desta dinastia, é considerado uma era de ouro, onde a fome, a miséria, e a velhice, e os maus sentimentos como a inveja não existiam. Há muitas referências a Jamshid e ao surgimento do Nowruz e a seus rituais na literatura islâmica persa. O poeta Ferdowsi, na sua obra Shahnameh (O Livro dos Reis) diz que quando Jamshid completou seus deveres como rei, sentou-se em seu trono imperial e todos os chefes e governantes reuniram-se ao seu redor e despejaram ouro e joias sobre ele. Jamshid nomeou este dia que foi o primeiro dia de Farvardin e o primeiro do ano, como Nowruz.

O históriador Ibn Balkhi (séc. XII) reconta a história da entronização de Jamshid durante o início da primavera: “Quando todos os chefes de estado se reuniram em Estakhar sob o comando de  Jamshid, na hora em que o sol e a terra se alinharam no equinócio de primavera, ele sentou-se em seu trono e pôs a coroa sob sua cabeça... celebrando este dia, ele o chamou de Nowruz e este dia foi  Hormoz Farvardin .” 

Há uma  famosa história citada pelo orientalista dinamarquês A. E. Christensen, a partir dos contos de célebres autores persas: "Jam ordenou aos demônios (divan) que fizessem para ele um trono [...], eles carregaram Jamshid sentado sobre este trono do Monte Damavand à Babilônia em um único dia. As pessoas que viram o seu rei sentado sobre o trono e brilhando como o sol ficaram maravilhadas. Eles se perguntavam se havia dois sóis brilhando simultaneamente no céu. Este evento aconteceu no dia Ourmaz, do mês de Farvardin. Por isso, as pessoas o chamaram de Nowruz (literalmente " novo dia"). A partir deste dia, eles acrescentaram a palavra shid, que significa brilhante ao nome de Jam, que então tornou-se Jam-shid."

Por fim, o erudito Al-Biruni atribui o surgimento do Nowruz e sua celebração a renovação e restauração da religião pelo rei Jamshid. No entanto, ele acredita que os rituais e tradições do Nowruz são provenientes de uma  tradição mais antiga que este rei e escreve: “A razão do nome desta data é que durante a era dos Tahmures, os  Sa’ebeh (antiga ordem religiosa da Mesopotâmia) foram descobertos e o rei Jamshid renovou seu culto e considerou este como um grande dia, que tornou-se então o novo dia (Nowruz)..."

Além dessas, existem muitas outras histórias mitológicas sobre a origem do Nowruz que resultariam em uma enciclopédia. A importância do rei mitológico Jamshid na cultura persa também vai muito além do que foi citado aqui. Mas isso é assunto para outro post. 

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

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Por que o Ano Novo Persa se chama Nowruz?

Nowruz significa "Novo Dia" em persa
Salam amigos, hoje é o 2° dia das comemorações de Nowruz, a festa anual realizada no primeiro dia do primeiro mês do ano do calendário iranianoO início desta data equivale aproximadamente a 20 ou 21 de março em nosso calendário, que é o primeiro dia da primavera no hemisfério norte, e é celebrada durante 13 dias. Você sabe qual é o significado da palavra Nowruz?

No dicionário iraniano Borhane Ghateh, o verbete para Nowruz diz o seguinte: "... Deus criou o universo neste dia em que todos os sete planetas estavam no auge de sua revolução e o grau desses picos coincidiu com o primeiro grau de Aries: foi neste dia que o Divino ordenou que [os planetas] girassem e  Adão foi criado neste dia, por isso é chamado No-Ruz (Novo Dia) ".

Sobre a nomenclatura do Nowruz, o erudito persa Al-Biruni escreveu: "É o primeiro dia do mês de Farvardin (primeiro mês do calendário persa) e é chamado Nowruz porque é o começo do ano novo, comemorado por cinco dias. O sexto dia de Farvardin é chamado Nowruz Bozorg (Grande Nowruz), Foi neste dia que Deus descansou da obra da criação e fez o planeta Saturno, em que o profeta Zoroastro teve a sorte de apresentar suas súplicas ao Criador e em que o rei Keykhosro ascendeu aos céus".

Além dessas citações, existem muitas outras fontes que explicam o significado do Nowruz na cultura persa. Como existem poucas referências em português, nos próximos dias trarei de uma forma bem simplificada uma série de posts para que possamos conhecer e refletir sobre a importância dessa celebração milenar nos dias atuais. 

E para finalizar, uma citação do célebre historiador iraniano Yahya Zoka: "Esta festividade persa passou pelos meandros da história e sobreviveu aos seus tempos mais escuros para chegar até nós em todo o seu esplendor e é um ritual inteiramente ariano e nacional fundado sobre o ambiente natural deste país e sobre as crenças de seu povo e sua perspectiva de mundo "

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia e não se esqueça de enviar uma mensagem com o tema: Qual o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396? 


Nowruz mobarak! Vamos saudar a chegada do Ano Novo Iraniano 1396!


Salam amigos! Se você acompanha o blog Chá-de-Lima da Pérsia há pelo menos um ano, já deve ter acompanhado nossos posts sobre o Nowruz, o Ano Novo Iraniano. Todo ano, no decorrer da celebração desta data trago diversas curiosidades sobre a maior festividade da cultura persa. E para você que está chegando agora, e está curioso para saber do que se trata esta comemoração, dá uma olhadinha no post Tradições e Rituais do Nowruz, antes de prosseguir a leitura.

As festividades têm duração de 13 dias e é um feriado nacional do Irã e outros países vizinhos como Afeganistão, Tadjiquistão e regiões do Curdistão que celebram a data. O calendário persa que é diferente do nosso, dará entrada no ano de 1396

E como fazemos todo ano, a partir de hoje vamos comemorar os 13 dias com músicas, poesias e muito mais informações sobre o Nowruz.

E  você também pode participar, enviando até o dia  31/03, através do formulário de contato do blog uma mensagem bem criativa com o tema: QUAL O SEU DESEJO PARA O ANO NOVO IRANIANO DE 1396? 

 Veja aqui as mensagens enviadas pelos leitores no ano passado.

As mensagens serão publicadas no blog no dia de Sizdah Bedar (13 dias após o Nowruz), 12/04/17. Conto com vocês!

Prepare a sua Haft-Sin, abra a porta para o Haji Firuz e o Amu Nowruz, e venha celebrar o Ano Novo Iraniano com a gente! 

✹   !سل نو مبارک  ✹ 
 Sale no mobarek!  


Participe: Qual é o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396?


Salam amigos da Pérsia! Faltam só 10 dias para a chegada do Ano Novo Iraniano (Nowruz)! Que tal comemorarmos juntos?

Envie até o dia  31/03, através do formulário de contato do blog uma mensagem bem criativa com o tema: QUAL O SEU DESEJO PARA O ANO NOVO IRANIANO DE 1396? 

No ano passado nós fizemos e foi super lindo! Veja aqui. Este ano pode ficar ainda melhor!

As mensagens serão publicadas no blog no dia de Sizdah Bedar (13 dias após o Nowruz), 12/04/17. Conto com vocês!


O Dia da Mulher e uma tradição iraniana ancestral


Salam amigas da Pérsia! Feliz Dia Internacional da Mulher para todas as mulheres do planeta! 

Você sabia que um dia dedicado às mulheres já existia há milênios na cultura persa? 


No Irã existe um dia tradicional que visa apreciar o status de mulheres e mães desde os tempos antigos. Esta data, geralmente cai no dia 17 de fevereiro, que corresponde ao  dia 5 do mês iraniano de Esfand e é conhecido como Esfand Rooz ou Esfandegan. Na cultura persa antiga o Esfand era considerado o mês da  fertilidade da terra, por ser o último mês do inverno que é quando a terra volta a seu estado fértil.

De acordo com a mitologia persa, o senhor da sabedoria criou seis imortais conhecidos como "Amesha Spenta" para proteger suas criações. Os três primeiros eram divindades masculinas e as outras três eram deidades femininas. Para saber mais veja o post: Os Anjos na tradição zoroastriana.

Armaiti, que é um dos Amesha Spentas femininos, é a personificação da serenidade e da devoção, e representa a obediência. Ela é associada à terra e nessa função ela é a deusa da fertilidade e dos mortos que estão sepultados na terra. O 5º dia de cada mês e o 12º mês no calendário iraniano são dedicados a ela. 

Nos contos da antiga Pérsia, o termo "mulher" está ligado à vida e reprodução, enquanto o termo "homem" significa morte e mortalidade. É por isso que os ancestrais persas acreditavam que a eternidade da vida é devido à existência de mulheres que dão à luz crianças e isso permite que o círculo da vida continue para sempre. Porém, esta crença não tinha nenhuma relação com o sistema matriarcal.
Em algumas partes do Império Persa, como a atual cidade de Izeh na província de Khuzestan, o status das mulheres era tão alto que, mesmo quando o patriarcado prevalecia, o sobrenome de mãe era usado para a identificação de uma criança, especialmente durante o período elamita.

Nos tempos antigos no Irã, os homens realizavam cerimônias especiais para apreciar o status e o papel das mulheres na família e na sociedade, e as esposas recebiam presentes. Hoje em dia esta tradição foi reavivada pelos iranianos. Veja também o post: "Sepandarmazgan: o dia do amor iraniano"
Infelizmente, pouco se sabe sobre os detalhes desta cerimônia, mas provavelmente foi a mais antiga celebração do Dia da Mulher na história do mundo.


Baseado em Iran Review