HOME SOBRE DIÁRIO DE VIAGEM LÍNGUA PERSA SEU GUIA FAQ CONTATO LOJINHA

Apresentação da Darvag Band em SP: um presente do Irã para o público brasileiro



 Darvag Band: concerto de música iraniana em São Paulo
Salam amigos! No dia 01 de dezembro de 2017,  tivemos a honra de prestigiar um espetáculo inesquecível. O conjunto musical Darvag Band apresentou pela primeira vez no Brasil um concerto de música iraniana. O evento gratuito, em única apresentação, foi organizado pela Embaixada do Irã e pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.   


Pouco antes das 21h, um público composto de iranianos e brasileiros apaixonados por música e cultura, entre eles queridos amigos e seguidores do blog aguardava com curiosidade o espetáculo no hall do acolhedor Teatro Cacilda Becker, localizado no bairro da Lapa, em São Paulo.

A Moça do Chá e amigas aguardando  ansiosas pelo espetáculo 
No palco, lindamente ambientando com tapete persa e mobiliário em estilo nômade, o conjunto formado por Hamid Reza Seyednia (maestro, daf e santur), Ehsan Naderian (vocal, daf e daryeh), Seyed Majid Naghibzadeh (vocal, tambor de zurkhaneh e daf), Saeid Seyednia (oud e kamanche), Hassan Ruhinia (flauta ney, gushmeh e gaita anbon) e Amin Bahman Saffar (tar, tonbak e daf) deu início a uma noite mágica e surpreendente, com plateia lotada.


O grupo Darvag inicia o espetáculo com um repertório clássico iraniano
Platéia lotada no Teatro Cacilda Becker

Casa cheia, público maravilhado com a apresentação!
 Durante o concerto, foram apresentados 5 estilos de música tradicional e regional iraniana: um repertório clássico, composto de canções em estilo tradicional, com ênfase para o arranjo instrumental e solos de cordas do santur e alaúde; percussão com daf, tonbak e tambor de zurkhaneh, interpretação da música regional Khorasani, interpretação da música regional do sul do Irã, entre outras improvisações.


Viajamos pela riqueza poética da música clássica iraniana
E conhecemos instrumentos exóticos e ritmos contagiantes
O público iraniano, com certeza se sentiu de volta à sua terra natal e os brasileiros ficaram maravilhados com a sonoridade hipnotizante dos instrumentos exóticos. Viajamos pelo sons  celestiais das cordas do santur e do oud, passando pela poderosa e variada família de percussão como o daf e o tonbak, e indo de encontro aos instrumentos de sopro como a melódica flauta de bambu ney e a exótica gaita de foles ney anbon, típica do sul do Irã. Os iranianos presentes na plateia marcavam o ritmo batendo palmas e cantavam junto as canções populares, enquanto os brasileiros se juntavam à alegria festiva que tomava conta do ambiente. Teve até os rapazes que se levantaram para dançar!   

Os rapazes que deram um show de dança! :)
Seria impossível, tentar descrever somente com palavras o sentimento de assistir a um concerto de música iraniana pela primeira vez aqui no Brasil. Somente quem esteve presente pôde sentir de perto a riqueza e a essência desta arte. Segue alguns depoimentos:

Lucia Carlessi: "Fomos assistir ao concerto da banda iraniana Darvag e foi uma experiência maravilhosa, me encantou! Conhecer um pouco da sua musicalidade, com uma percussão vigorosa e muito alegre. Vi instrumentos novos, que me encheram de curiosidade e a alegria da plateia, predominantemente iraniana foi contagiante. Assim, cada vez mais esse país me atrai a conhecer sua cultura e seu povo.” 
Amine Mustafe: “Estou muito agradecida pelo convite, foi certamente um dos três espetáculos mais lindos que já vi na minha vida, ao lado somente da apresentação de Qanun e do Circo da China. Parabéns ao Blog Chá de Lima da Pérsia pela divulgação!!” 
MH Yazdi: "A primeira vez que eu vi o cartaz do concerto, mesmo não conhecendo a banda, me emocionei por ter oportunidade de ouvir música tradicional iraniana ao vivo aqui em São Paulo. Sempre fui curioso para ver a reação dos brasileiros quando apreciam musica iraniana ao vivo e fiquei muito contente com o retorno positivo e empolgação dos brasileiros. Foi tudo muito simples porém muito bonito. Espero que trocas culturais que nem esse concerto, aconteçam mais vezes entre os dois países."
Luana Viegas: "Amo conhecer novas culturas e não poderia perder a oportunidade de assistir, pela primeira vez, um concerto de música iraniana. Foi incrível! Os músicos são muito talentosos e a melodia mexeu, de fato, com quem estava presente. Fiquei encantada com o som dos instrumentos, a sincronia com que eles tocavam e cantavam. Foi uma grande experiência e espero muito que ela se repita. Também não poderia deixar de lado algo que me chamou a atenção. Assim como brasileiros, a plateia também continha iranianos. Dava gosto de ver a alegria dos iranianos que dançavam ao som de seus conterrâneos. Sempre é bom ter um pouco do país, nem que seja por algumas horas, perto da gente Amei!" 
A presença da comunidade iraniana 


A seguir tive a honra de conseguir uma pequena entrevista com o grupo, traduzida pelo gentil Sr.Mohsen Khademi:

Chá-de-Lima da Pérsia: O que significa o nome do grupo Darvag? 
Darvag Band: Darvag na verdade é um grupo tradicional bem antigo da cultura persa, de quase 1500 anos atrás. Todo o povo iraniano gosta deste tipo de música tradicional do país.

Chá-de-Lima da Pérsia: Como foi estar pela primeira vez aqui no Brasil?

Darvag Band: Na verdade, nós nos apresentamos em vários países do mundo. E aqui pela primeira vez, porque a colônia iraniana é bem pequena, se compararmos por exemplo com os imigrantes dos países árabes que são mais de 5000 pessoas. Aqui no Brasil tem no máximo 700 ou 800 iranianos, por isso, a música iraniana é algo muito novo para o povo brasileiro. Mas se Deus quiser, no ano que vem, virão muitos grupos aqui para apresentar concertos tradicionais do Irã.

Chá-de-Lima da Pérsia: Vocês conhecem a música brasileira?

Darvag Band: Sim, conhecemos mais ou menos a música sertaneja do Brasil. Nós gostamos muito do forró, a música popular.

Chá-de-Lima da Pérsia: Qual é a mensagem principal deste concerto?

Darvag Band: É transmitir paz, uma mensagem universal. Mas também para mostrar a cultura do nosso o país, a paz que existe em nosso país. E também para mostrar a amizade do povo brasileiro com o povo iraniano.

Chá-de-Lima da Pérsia: Muito obrigada Darvag Band, estamos honrados com sua presença aqui no Brasil, foi uma noite inesquecível, esperamos vê-los de novo muito em breve!
Realmente, esta apresentação ficará gravada para sempre em nossos corações. Eu confesso que já estou com saudades e ansiosa pelo próximo concerto de música iraniana no Brasil! E vocês?
Agradecimentos muito especiais à minha querida amiga Karla Mendes da Embaixada do Irã, que me cedeu em primeira mão o material de divulgação do evento, ao Sr. Nematollah Sheikhi, que também me enviou material de divulgação, fotos e vídeos, e me ajudou a entrevistar os músicos. E a todos os amigos que aceitaram meu convite e estiveram presentes no evento e se emocionaram!


>>  Fiquem com um vídeo com trechos do concerto da Darvag Band: 



Deixe seu comentário e vamos mostrar que nós brasileiros também amamos a música e cultura iraniana!


Em dezembro: Concerto de Música Iraniana gratuito em São Paulo!


Salam amigos apaixonados por música e cultura iraniana! Em dezembro, haverá uma maravilhoso espetáculo: o conjunto musical Darvag Band, apresentará um concerto de música iraniana em São Paulo. 

A banda Darvag foi fundada por Hamidreza Seyednia em 1999 com o objetivo de apresentar a nobre arte tradicional do Irã. O conjunto funciona em quatro partes; percussão, nobre, sitar e música infantil.  O repertório inclui homenagens aos grandes ícones da poesia persa como Abolfazl Beyhaghi, Hafez, Saadi, Molavi (Rumi), Ferdowsi, Hajj Molla Hadi Sabzavari e Parviz Meshkatian. Pela primeira vez no Brasil, o conjunto realizou concertos em vários países como  Suíça,  Macedônia, Coréia do Sul, Afeganistão etc.

>> Veja o trecho de uma apresentação do conjunto:


O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo é gratuito, livre para todos os públicos e acontece no dia 1º de dezembro, às 21hrs no Teatro Cacilda Becker. Anote na sua agenda e vamos prestigiar juntos! 

Iranian Music Concert: Darvag Band Music 

Local: Teatro Cacilda Becker  R. Tito, 295, Vila Romana - São Paulo/ SP)
Data: 01/12/17 (sexta-feira) às 21h
Gratuito - livre para todos os públicos

 




Homenagens aos mortos e rituais funerários na cultura iraniana


Salam amigos! Hoje comemoramos aqui no Brasil o feriado do Dia de Finados, que também existe em outras culturas. No Irã, não existe uma data específica em memória dos mortos, mas sim várias datas em memória de figuras importantes da religião, entre as quais a mais memorável é o Ashura, o ritual xiita do Martírio de Hussein no 10º dia do mês islâmico de Moharram (em 2017 foi comemorado em 01 de outubro).

Os povos iranianos herdaram de seus ancestrais indo-arianos diversas tradições que incorporaram elementos de crenças das antigas civilizações suméria, babilônia e elamita, entre elas, a crença na vida após a morte. Na antiga Pérsia, para ajudar a alma de um familiar que partia deste mundo, a família orava, jejuava e sacrificava animais durante três dias. Oferendas e consagração de alimentos eram feitas todo dia 30 de cada mês até completar um ano do falecimento. Acreditava-se que somente após um ano, a alma do falecido estaria completamente incorporada ao mundo inferior ou mundo dos mortos (não havia o conceito de céu, inferno ou purgatório). Também havia o festival de Todas as Almas (no Avesta era chamado Hamaspathmaedaya) celebrado sempre na última noite de cada ano, onde as famílias realizavam oferendas. Acreditava-se que neste dia as almas visitavam suas antigas casas à noite e partiam ao pôr-do-sol do dia de Ano Novo.

Por volta do fim do 3º milênio a.C, incorporou-se a cultura persa à crença de que pessoas importantes como guerreiros, nobres e sacerdotes que praticassem boas ações e rituais corretos nesta vida poderiam se unir aos deuses na eternidade. Cruzando a “ponte” (cujo nome é Chinvat no Avesta, e Sarat no Alcorão) eles entrariam em um Paraíso, onde todas os prazeres imagináveis são possíveis. Somente os merecedores do Paraíso poderiam cruzar esta ponte, enquanto o restante deveria cair  no reino subterrâneo da morte.

Com estas crenças veio também a ideia da ressurreição. Acreditava-se que um ano após a morte, aqueles que experimentaram as alegrias do Paraíso, tinham seus ossos erguidos da terra para se revestirem de carne imortal e se unificarem com sua alma no céu. Os antigos iranianos tinham o costume de deixar o cadáver exposto no topo de uma colina (“Torres do Silêncio”) para ser descarnado  pelos abutres. Os ossos limpos eram então enterrados com oferendas e rituais.

Com Zoroastro no segundo milênio a.C, surgiu a crença do julgamento da alma no outro mundo. O Paraíso se torna possível para todos aqueles que praticarem boas ações, não somente para aqueles que praticarem rituais, sejam homens ou mulheres, de qualquer origem.  Quem preside o tribunal é Mitra, acompanhado pelos arcanjos Soroush e Rashnu, que medem o grau de justiça de cada alma. Uma vez julgada, a alma é conduzida por uma bela donzela, a personificação de sua própria consciência ao paraíso da ressurreição ou ao inferno de tormentos eternos comandados por Ahriman (o diabo, ou Shaytan no Alcorão). Estas doutrinas, de origem zoroastriana influenciaram profundamente as filosofias judaico-cristãs e islâmica das eras posteriores.

Os antigos persas já tinham o costume de enterrar os mortos. Os membros mais importantes de uma família eram enterrados em poços profundos cobertos com um montículo de terra. As pessoas comuns eram enterradas em túmulos simples na terra. O termo zoroastriano dakhma vem deste período e significa túmulo. A comunidade zoroastriana dos dias atuais ainda segue muitas das antigas tradições. A menos que a morte ocorra à noite, o funeral se sucede em poucas horas, com todos vestidos de branco, recitando hinos e orações do Avesta. O corpo do falecido nunca deve ser tocado e uma simples ablução após o funeral irá purificar todos os participantes que participaram do ritual. As procissões normalmente são feitas em completo silêncio até adentrar a dakhma onde se seguem mais orações. 

Torre do Silêncio ou dakhma em Yazd: local onde eram realizados os ritos funerários zoroastrianos
 Até a metade do século XX no Irã, os corpos ainda eram deixados no alto das Torres do Silêncio, mas atualmente proibidas, utilizam-se caixões de chumbos para evitar o contato do cadáver com a terra considerada sagrada. Durante os três dias após a partida da alma são preparadas comidas especiais evitando-se o consumo de carne. No terceiro dia, mais rituais e orações são oferecidas e uma veste especial (Sedra) é abençoada a fim prover uma “cobertura espiritual” para alma do falecido. O choro e outras expressões de tristeza normalmente são evitados pelos zoroastrianos tradicionais. Eles consideram que tal comportamento pertence ao mundo de Ahriman.

Quando os muçulmanos conquistaram o Irã, muitas mudanças foram introduzidas na cultura. Os conceitos corânicos de vida após a morte foram herdados do judaísmo, e então indiretamente, das antigas fontes persas e babilônicas nos quais após a morte vem um julgamento seguido de recompensa ou punição. Após a morte a alma irá permanecer no Barzakh (intra-mundo) até a Rastakhiz (ressurreição). A hora do julgamento virá no fim do mundo com o poderoso ressoar da trombeta dos anjos. 

No Irã, um país onde 90% da população é de muçulmanos xiitas, cada uma das minorias religiosas segue os seus próprios rituais funerários. Muitos dos rituais funerários dos muçulmanos são uma forma de compensar as falhas no cumprimento dos deveres do crente enquanto em vida. Momentos antes da morte, os parentes do moribundo pedem o perdão de Allah realizando a oração funerária (Namaz e meyet). A pessoa que está morrendo é colocada em uma posição confortável com a face voltada para Meca. Algumas gotas de água benta de Karbala, a terra onde o Imam Hussein está enterrado são colocadas na boca da pessoa, versos do Alcorão são recitados e se a pessoa ainda estiver consciente é encorajada a pedir o perdão de Allah antes de partir. O corpo deve ser lavado e purificado de acordo com os rituais islâmicos com cânfora (também usado pelos zoroastrianos) e envolvido com um tecido branco por uma pessoa (mordeh shur) que também deve ser muçulmana e do mesmo sexo do falecido. 

Se a pessoa morrer durante o dia, o corpo será levado para a mesquita local ou para o cemitério onde irá receber os rituais de purificação. No entanto, se a pessoa morrer durante a noite, o corpo será mantido em casa com velas ou lamparinas acesas até o amanhecer, lembrando as antigas tradições pré-islâmicas. O livro sagrado (Alcorão) é colocado próximo a cabeça do falecido para protegê-la contra a influência de Shaytan. O corpo deve ser enterrado em até 24 horas após o funeral com a face voltada para Meca. Ao contrário dos zoroastrianos, choro e expressões de tristeza são esperadas e até mesmo encorajadas pelos muçulmanos.

No Irã atual, os muçulmanos utilizam roupas pretas como símbolo de luto durante 40 dias, e às vezes durante um ano (no passado também era utilizados o branco e o azul como cores de luto). Após 40 dias (ou após um ano) um membro mais velho da família troca o preto do luto por outra cor, isto significa que toda a família pode deixar de usar esta cor também. Os dias mais importantes são o ‘Hafteh’ (7º dia), ‘Cheleh’ (40º dia) e um ano após a morte (Sal). Nestas ocasiões parentes e amigos visitam o túmulo colocando flores, arranjos de velas e aspergindo água-de-rosas. Famílias mais abastadas doam comida de graça para os mais pobres, como uma boa ação a fim de favorecer o falecido aos olhos de Deus.

Encenação da Ashura "Martírio de Hossein" em Karaj, Irã
O islamismo xiita introduziu uma nova dimensão aos rituais funerários, isto é, o martírio. A jornada fatal do Imam Hossein em Karbala (celebrado no mês de Moharram) e o assassinato de seu pai Ali em Kufa (celebrado no mês de Ramadan), tornou-se o mais importante ritual em comunidade. Para os xiitas, participar e relembrar os eventos trágicos do martírio de seus santos é uma forma de renovar a fé. 

Por fim, ao visitar o Irã encontramos em todas as cidades, ruas e monumentos com os nomes dos Shahids, ou seja, os mártires da Guerra Irã-Iraque. Nos túmulos dos grandes poetas Hafez, Saadi, Ferdowsi entre outros, os iranianos de todas as gerações prestam tributos e homenagens. Nos vilarejos e nas cidades é comum ver famílias lavando o túmulo de seus parentes com água, enfeitando com flores e batendo com os dedos na lápide para “conversar” com seus falecidos.  A crença em outra vida sem dúvida move o povo iraniano da antiga Pérsia aos dias atuais.


Adaptado de Iran Chamber


Cinema Iraniano: Gosto de Cereja

DE VOLTA, O FILME DO MÊS!
Uma obra prima que traz o brilhantismo e poesia do cinema iraniano, em um gênero inovador 


Badi (Homayoun Ershadi) é um homem de meia idade, que angustiado dirige seu carro pelas estradas poeirentas dos arredores de Teerã. Ele está em busca de alguém que o ajude a realizar uma estranha tarefa, por (200.000 tomans, o equivalente a seis meses de trabalho). A tarefa é: enquanto ele se deita em um buraco na terra, a pessoa iria chamar seu nome duas vezes; se ele responder de volta, ajudá-lo a sair do buraco, e se ele não responder, enterrá-lo. Em outras palavras, Badi está tentando cometer suicídio e quer alguém para enterrá-lo. 
Na beira da estrada, ele encontra vários rapazes para os quais oferece carona e revela seu plano. Primeiro ele pede a um soldado curdo, que recusa a tarefa e sai do carro bruscamente. Em seguida, ele pede a um seminarista afegão, que rejeita a tarefa por motivos religiosos. Finalmente, ele encontra um velho taxidermista azeri que concorda em ajudá-lo, por estar precisando do dinheiro para o tratamento de seu filho doente; mas que antes tenta dissuadi-lo de sua ideia. O ancião revela que há muitos anos atrás também teve o desejo de cometer suicídio, mas desistiu ao provar o gosto das cerejas ( é daí que vem o título do filme).  
Não sabemos qual é o motivo pelo qual o protagonista Badi está tentando acabar com sua própria vida. Percebemos através de seu olhar deprimido e expressão melancólica, que ele vive solitário e deprimido, embora sua boa aparência e veículo possante, revelem uma boa condição social. Alguns detalhes sutis, apontam para uma suposta homossexualidade do personagem, como o momento em que ele elogia a aparência de um trabalhador, mas nada conclusivo.
Gosto de Cereja (1997), dirigido por Abbas Kiarostami, é uma história incomum, que surpreendeu o mundo, com seu estilo inovador. Sendo o primeiro filme iraniano a ganhara Palma de Ouro em Cannes, consolidou um processo de reconhecimento internacional do diretor iniciado dez anos antes por “Onde fica a casa do meu amigo?” (1987) e revelando o carismático Homayoun Ershadi, que na época não era um ator profissional, mas que depois seguiu brilhantemente a carreira no cinema. 

Gosto de Cereja (1997)
Irã| Drama | 95 min.| cor
Direção: Abbas Kiarostami
Elenco: Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri, Afshin Khorshid Bakhtiari, Safar Ali Moradi, Hossein Noori 

>> Assista o filme completo com legendas em português:


A lenda de Arash, "o Arqueiro "

Escultura de Arash Kamangir, no palácio  Saadabad em Teerã
Salam amigos! Hoje vamos conhecer a lenda de Arash Kamangir, ou Arash “o Arqueiro”, um grande herói da mitologia persa que para os iranianos é o símbolo do sacrifício e coragem. O nome Arash é muito popular entre os iranianos (incluindo um cantor famoso) e significa "luminoso" ou "brilhante". O festival de Tirgan (solstício de verão) celebra a vida deste herói e sua história é contada no Shahnameh de Ferdowsi, e em muitas outras fontes da literatura iraniana. 

Resumidamente, a história de Arash é assim contada pela tradição popular:

Quando a longa e sangrenta guerra entre os reinos do Irã e Turan pela “glória real” (khwarrah) chegou ao fim, o General Afrasiab foi cercado pelas forças do justo Manuchehr, e os dois lados concordaram em selar a paz. Ambos chegaram a um acordo em que a terra à distância de um tiro de arco seria devolvida a Manuchehr e aos iranianos, e o restante para Afrasiab e os turanianos. Um anjo (segundo al-Biruni o Amesha Spenta Armaiti, chamado no persa médio de Spendarmad) instruiu Manuchehr a construir um arco e flecha especiais e Arash (segundo o Avesta “aquele que tinha a flecha mais rápida entre os arianos”), foi o escolhido para realizar a tarefa de atirá-la.

Arash, o melhor arqueiro do exército persa foi escolhido para demarcar a fronteira do Irã
Na brilhante manhã de Tirgan, o primeiro mês do verão (julho), Arash escalou o Monte Damavand e despindo-se disse: “Ora! Meu corpo está livre de qualquer ferida ou doença; mas depois de atirar esta flecha eu serei completamente destruído”. Assim, ele mirou em direção as terras de Turan, e com toda sua força esticou o arco. Deus comandou o vento e sustentou a flecha durante toda a manhã até as distâncias mais remotas de Khorasan onde esta caiu ao meio-dia, há 2250 quilômetros da margem do Rio Oxus que agora está na Ásia Central. Deste modo a fronteira entre os iranianos e turanianos estava estabelecida e permaneceu durante séculos até a invasão dos mongóis no séc. X.
Quando Arash disparou seu arco, seu corpo partiu-se em mil pedaços e ele morreu. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Ainda há histórias de viajantes que se perderam nas montanhas que dizem que ouviram a voz de Arash, e assim encontraram seu caminho de volta e salvaram suas vidas.



Do alto do Monte Damavand, Arash dispara a flecha em direção as terras de Turan

Diferentes versões da lenda

A lenda de Arash é contada com maior riqueza de detalhes somente nas fontes do período islâmico, embora estas contenham muitas variações entre si.
Segundo Talebi e Bal’ami, após atirar a flecha, Arash é destruído pela força de seu tiro e desaparece. Segundo al-Tabari, após o feito ele é nomeado como comandante dos arqueiros e vive o resto de sua vida com grande honra. A distância da flecha também varia: segundo um autor, é de mil léguas (farsakhs), segundo outro ator é de quarenta dias de caminhada. Com relação ao tempo, para alguns autores a flecha viajou do amanhecer até o meio-dia, do amanhecer até o pôr-do-sol ou até mesmo 2 dias e 2 noites!
A flecha de Arash viajou do nascer do sol ao meio-dia...


A localização de onde Arash atirou sua flecha também varia. No Avesta (que não menciona locais do Irã ocidental), o ponto é o Airyo khshaotha, uma localidade não mais conhecida. Fontes da Era Islâmica tipicamente identificam o local em algum lugar ao sul do Mar Cáspio, sendo às vezes no Tabaristan, no topo de uma montanha em Ruyan , na Fortaleza de Amol, no Monte Damavand ou em Sari. O lugar onde a flecha caiu também é identificado como o Monte Khvanvant, no Avesta (localização também desconhecida); um rio em Balkh; a leste de Balkh nas margens do Rio Oxus ou em Merv. De acordo com al-Biruni, ela caiu em uma nogueira entre “Fargana and Tabaristan nos confins de Khorasan.” Outros registros se desviam dessa antigas tradições, provavelmente devido a influência das flutuações na compreensão de onde a fronteira oriental do Irã se situa atualmente. 

De acordo com o tratado em persa médio Mah i Fravardin, este evento ocorreu no 6º dia do 1º mês (Fravardin); porém outras fontes mais tardias associam o evento com o nome das festividades Tirgan em 13 de Tir (aproximadamente 3 ou 4 de Julho) “provavelmente” devido à semelhança do nome do Yazata Tir (cujo significado é “flecha"). Atualmente os iranianos celebram a data com guerra de água, danças, recitação de poesias e comidas típicas como sopa de espinafre e sholezard. Também há um costume entre as crianças de amarrar uma fita colorida em um apito que é tocado durante 10 dias e depois jogado fora em água corrente.


E você também se interessa pela mitologia persa? Deixe um comentário!


5 Segredos de beleza das mulheres iranianas

Ilustração: Rashin Kheirieh
Salam amigos! A beleza das mulheres iranianas é bem conhecida ao redor do mundo, apesar de serem obrigadas a manter a maior parte de seu corpo coberta, devido a lei islâmica, elas dão muita importância a tratamentos estéticos e a forma física, sem falar da obsessão atual por cirurgias plásticas. Pele perfeita, olhos expressivos e visual impecável são algumas das características marcantes destas mulheres. E qual é o segredo da beleza das iranianas? No post de hoje vamos revelar alguns dos hábitos de beleza iraniana que você também pode adotar!

1- Maquiagem para realçar os olhos 


As iranianas já possuem naturalmente rostos bonitos e olhos muito expressivos. E elas sabem realçar ainda mais esses atributos através da maquiagem. Uma vez que o rosto é uma das únicas partes do corpo que ficam à mostra, elas procuram torna-lo o mais atraente possível. O segredo delas é aplicar uma camada de base corretiva na região dos olhos, antes da sombra e do delineador. O kohl, que necessita um pouco mais de treino para aplicação é um dos produtos mais utilizados e traz um efeito muito atraente para o olhar. 


2- Depilação facial com linha 


As sobrancelhas das mulheres iranianas às vezes são muito grossas, ou até mesmo monocelhas. Por isso elas utilizam um método tradicional de depilação com linha chamado bande abru. Este método que também é utilizado para depilar as outras partes da face, remove o folículo do pelo e o resultado é impecável, mas deve ser feito por alguém com muita prática. Outro segredinho das iranianas para manter as sobrancelhas sempre arrumadas é penteá-las com uma escova de dentes, muitas fazem isso como um ritual várias vezes ao dia. 


3 – Uso da água-de-rosas como cosmético


As mulheres iranianas têm o hábito de utilizar a água-de-rosas na pele. Ela contém óleo de rosa e vitaminas A e E, ingredientes que ajudam a nutrir e suavizar a pele. Além de limpar, hidratar e perfumar, as propriedades anti-inflamatórias da água-de-rosas também ajudam a prevenir problemas de pele como acne e espinhas. É por isso que as iranianas têm uma pele sempre saudável e bonita. 

4 – Luva para esfoliação


Um dos segredos das iranianas para uma pele sempre bonita também é a esfoliação suave com o kiseh (luva para esfoliação) durante o banho. Junto com o kiseh, as iranianas também usam o sefitab, um esfoliante feito de minerais e gordura animal. A esfoliação remove as células mortas, ajudando a pele a respirar melhor e eliminar toxinas, deixando-a com uma aparência saudável e sedosa, além de ser muito energizante. 


5- Uso de óleos corporais 


O hábito de passar óleo no bebê que muitos de nós não dá mais importância na vida adulta é um dos hábitos de beleza das mulheres iranianas. Para ter uma pele radiante, as iranianas fazem o uso de bons óleos corporais. O seu uso ajuda a manter a pele fresca e hidratada, prevenindo o ressecamento e descamação. Além disso, seu uso regular ajuda a retardar o envelhecimento da pele. 

E você, utiliza alguns destes ou outros hábitos de beleza iranianos? Compartilhe sua dica com a gente deixando um comentário! 



Em 2018: Viaje para o Irã com a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia!

Quer viajar para o Irã? Em 2018 a Azizam Tour e Chá De Lima da Pérsia vão levar você!!





Preencha o formulário abaixo para receber informativos sobre novos grupos.


Ghalamkari: arte tradicional de estampagem em tecidos


Salam amigos! Hoje vamos falar do Ghalamkari, a arte tradicional iraniana de estampar em tecidos utilizando blocos de madeira entalhada. O termo ghalamkari deriva das palavras persas ghalam (caneta) e kari (trabalho), cujo significado pode ser traduzido como “desenho a caneta”. Esta técnica também é conhecida na Índia como Kalamkari. Ao tecido produzido com esta técnica é dado o nome de Ghalamkar.

A cidade de Isfahan é um dos mais importantes centros deste tipo de estampagem no mundo. Sua origem provavelmente remonta à era Safávida (séc. XVI). Os desenhos característicos da arte do Ghalamkari refletem os gostos e tendências desta época da história do Irã e eram utilizadas desde o vestuário até a decoração doméstica como cortinas, forros de mesa e painéis decorativos de tecido, geralmente pintados à mão. Os reis persas presenteavam os imperadores e dirigentes de outros países com tecidos Ghalamkar como prova de amizade e da mais alta consideração.

Oficina de Ghalamkari em Isfahan 
Até o final da era Qajar, todas estas peças decorativas eram pintadas à mão. Há cerca de 250 anos, com a necessidade de baratear o processo e produzir em maior escala, foram introduzidos os blocos para estampagem. Os primeiros blocos de impressão eram feitos de argila, depois passaram a ser de pedra e por fim de madeira de pereira, que é o material usado até hoje. Com o passar do tempo, o número de desenhistas dos tecidos Ghalamkar diminuiu e a variedade de padrões se limitou, mas graças à invenção dos blocos de impressão, os desenhos simples, significativos e belos continuam preservados e dando continuidade a esta arte milenar.

Os padrões das estampas são extremamente variados: geométricos, arabescos, florais e animais. Motivos figurativos pré-islâmicos como as gravuras de Persépolis, cenas de caça, jogo de polo e inscrições de poemas também são comuns. As cores principais são vermelho, azul, preto e amarelo. Uma toalha simples de 2 x1,40m (equivalente a uma mesa de seis lugares) recebe cerca de 580 estampas, já uma mais elegante pode chegar a 4000 estampas. Quanto maior o número de estampagens, mais valiosa a peça.

O processo de estampagem é feito com blocos de madeira entalhada 
Como são feitos os tecidos Ghalamkar:

As estampas são feitas utilizando blocos de madeira entalhados. Estes blocos de estampar geralmente são feitos de madeira de pereira que é considerada a mais durável e maleável para o entalhe. Com o bloco cortado no tamanho ideal, o desenho é feito à caneta e então entalhado com goivas e formões. A matriz é pressionada na tinta que tradicionalmente é feita à base de pigmentos minerais. O artesão bate a matriz no tecido com as próprias mãos, repetidas vezes até formar um padrão das bordas para o centro. Sempre aplica primeiro a cor preta, em seguida as demais cores. O trabalho é dividido entre vários artesãos, cada um trabalha com uma cor, utilizando uma matriz diferente.

Finalizada a estampagem, o tecido fica exposto ao sol e é fervido por uma hora para fixar os corantes. Ao mesmo tempo são adicionados os corantes naturais (rúbia e casca de romã) que dão o tom róseo do fundo do tecido. Em seguida, o tecido é lavado em um grande tanque. Após esta etapa, várias peças de tecido estampadas são colocadas em grandes tinas de cobre contendo um liquido estabilizador e fervidas novamente. Por fim, as peças recebem a lavagem final nas águas do rio Zayandeh, e são colocadas para secar nas suas margens.


>> Veja neste vídeo como é produzido o Ghalamkari





Descendentes de escravos no Irã: uma história desconhecida

Crianças afro-iranianas (foto: Behnaz Mirzai)
Salam amigos! Um artigo publicado originalmente no site Middle East Eye, revela uma faceta pouco conhecida da formação do povo iraniano. Embora sejam uma das minorias étnicas, há uma presença expressiva de afrodescendentes especialmente no sul do país. Aqui no blog, já mostramos o trabalho do fotógrafo Mahdi Ehsaei revelando sob um viés artístico os povos afro-iranianos, e hoje vamos conhecer o trabalho de uma pesquisadora que investiga história dos descendentes de escravos no Irã. 
A historiadora iraniana radicada canadense Behnaz Mirzai é uma grande especialista sobre a diáspora africana no Irã. Tendo iniciado sua pesquisa há mais de 20 anos, ela afirma que este ainda é um tópico pouco conhecido dentro de seu país de origem: “Durante todo o tempo que morei no Irã, nunca ouvi falar sobre a escravidão no Irã.”
A historiadora Behnaz Mirzai, que há 20 anos pesquisa a diáspora africana no Irã
(foto: MidleEastEye)
Mestra em história iraniana e islâmica, pela Universidade Azad de Teerã, Mirzai se mudou para o Canadá em 1997, quando encontrou o professor Paul Lovejoy, na Universidade de Toronto que a incentivou a enveredar sua pesquisa sobre este tema. E após contatar seus antigos professores no Irã, ela descobriu que realmente o país teve uma história de escravidão africana, e ainda existem arquivos com documentos provando o fato. “A escravidão não estava integrada na história do Irã... em termos de conhecimento das pessoas comuns ou mesmo entre acadêmicos ele era muito limitado, ou naquela época era zero,” diz a historiadora. “Não havia artigos nem livros escritos; era algo muito novo”.
O comércio entre o moderno Irã e os países da África remonta a muitas centenas de anos. Porém, segundo a pesquisa de Mirzai que é focada especialmente no período moderno, a escravidão no Irã compreendeu dois períodos principais: a Dinastia Qajar (1795-1925) e os primeiros anos da Dinastia Pahlavi (1925-1979). Ela explica que os mercadores árabes do Golfo, dominado pelo Sultanato de Omã – que controlavam vastas regiões nas costas do Oceano Índico -  trouxeram para o Irã escravos do norte e nordeste do continente africano, incluindo Tanzânia (Zanzibar), Quênia, Etiópia e Somália.Na antiga literatura islâmica, os etíopes eram conhecidos como al-Habasha (abissínios). Como resultado, muitos escravos adotaram o sobrenome “Habashi” quando vieram para o Irã, para indicar sua origem. Os escravos que vinham de Zanzibar, por sua vez, adotaram o sobrenome Zanzibari. Em grande parte concentrados na costa sul do Irã, eles trabalhavam predominantemente na pesca e agricultura, ou como empregados domésticos, enfermeiros, ou até mesmo soldados.
Foto tirada na corte de Nasir al-Din Shah, durante a dinastia Qajar em Teerã no séc. XIX.
As crianças negras, filhos de servos, eram chamadas de khanezadeh (nascidos em casa).
(Imagem: acervo de Behnaz Mirzai) 
 Porém, os africanos não foram os únicos a serem escravizados no Irã. “No Irã, a escravidão não era baseada na raça (...), havia escravos circassianos e georgianos, além de muitos iranianos que viviam em um estado de extrema pobreza...”, diz Mirzai. A abolição da escravidão no país começou em 1828 com o fim do tráfico de circassianos e georgianos e a prática se encerrou exatamente um século depois.  Hoje em dia, cerca de 10 a 15% da população do sul do Irã pode ser considerada afrodescendente.  Muitos membros dessa comunidade afro-iraniana, termo cunhado por Mirzai em sua pesquisa, sequer conhecem a história de suas famílias ou suas próprias origens. Eles são geralmente referidos como os “negros do sul” e muitos iranianos ainda acreditam que a cor escura de sua pele é resultado do sol inclemente das costas do sul do país. 
Os afro-iranianos consideram a si mesmos simplesmente como iranianos e às vezes sentem-se incomodados com questões sobre suas origens africanas.  "Eu perguntei a eles anteriormente, o que vocês se consideram? E eles disseram, ‘somos iranianos’. Se eu fizesse alguma pergunta relacionando-os com africanos, eles se sentiriam ofendidos... como se você estivesse tentando dizer que eles não são iranianos” diz a pesquisadora.  Em um dos filmes produzido por Mirzai, Afro-Iranian Lives, um homem chamado Mohamad Durzadeh disse que sua família está no Irã desde os tempos de seu avô. Quando perguntado de onde seus ancestrais vieram ele responde: “Eles estavam aqui [no Irã]”.  Um outro homem no mesmo filme, cujo nome não foi identificado, explica que há distinções entre as famílias afro-iranianas: “Os Durzadehs se acham superiores aos Ghulam e aos Nukar. Eles acreditam que os Ghulams eram escravos, mas os Durzadehs eram livres”. 
Homens participando da cerimônia do Zar, em Khorramanshahr, província de Khuzestan
(Foto: Behnaz Mirzai) 
 O desconhecimento sobre os afro-iranianos, faz com que os iranianos de outras partes do país vejam a estes como estrangeiros (um exemplo perfeito é o filme Bashu, o Pequeno Estrangeiro do qual já falamos aqui no blog). Porém, Mirzai diz que apesar de incomum, ela documentou alguns casamentos entre afro-iranianos e iranianos de outras etnias.
Os afro-iranianos atualmente estão bem integrados nas regiões onde vivem. Por exemplo, as comunidades da província de Sistan e Baluchistan falam o dialeto local, baluchi, enquanto as comunidades da província de Hormozgan falam o dialeto bandari. Por outro lado, as comunidades afro-iranianas atuais mesclam tradições africanas com a cultura iraniana, incluindo um ritual de exorcismo conhecido como Zar, que também é praticado na Tanzânia e Etiópia. 
Por fim, Mirzai conclui: “Para mim, o mais importante é mostrar que eles são iranianos, um lado diferente do Irã; que o Irã é muito diverso e que há muitos grupos étnicos vivendo no Irã. Eles têm sua própria cultura e identidade específicas.”
Mulheres e crianças afro-iranianas da província de Sistan e Baluchistan
(Foto: Behnaz Mirzai)
(Adaptado do artigo de Jillian D’Amours para o site Middle East Eye)


Letra e tradução: Moein – “Safar”



Salam amigos! Atendendo a pedidos, está de volta ao blog letra e tradução de grandes sucessos da música iraniana. A canção Safar, na voz do cantor Moein, cujo título significa “viagem” no sentido de uma “partida” para longe do amor, é um pop nostalgia do ano de 1987. (Música: Farid Zoland Letras: Marhoom. Hedieh)

سفر
Safar
Partida

سفرکردم که ازعشقت جدا شم
Safar kardam ke az eshget jodâ sham
Eu parti para me separar do seu amor

دلم میخواست دگرعاشق نباشم
Delam mikhâst digar âshegh nabâsham
Meu coração não queria se apaixonar

ولی عشق توقلبم مونده ای وای
Vali eshghe to galbam munde, eyvây
Mas seu amor, ainda está em meu coração, oh

دل دیونمو سوزونده ای وای
Dele divunamo suzundeh, eyvây (2x)
Seu amor, queima em meu louco coração, oh

هنوزم عاشقم هنوزم عاشقم دنیای دردم
Hanuzam âshegham, hanuzam âshegham, donyâe dardam
Eu ainda estou apaixonado, eu ainda estou apaixonado, eu estou em um mundo cheio de dor

مث پروانه ها دورت میگردم
Mese parvâne ha duret migardam (2x)
Eu estou voando ao seu redor como as mariposas (ao redor da chama da vela)

سفرکردم که از یادم بری دیدم نمیشه
Safar kardam ke az yâdam beri, didam nemishe
Eu parti para te esquecer, mas eu sei que isso é impossível

اخه عشق یه عاشق با ندیدن کم نمیشه
Akhe eshghe ye âshegh bâ nadidan kam nemishe
Porque o amor de um apaixonado não diminui com o não se ver

غم دوراز تو بودن بی بالو پرم کرد
Ghame dur az to budan bi bâlo param kard
Essa dor arrancou minhas asas e minhas penas

نرفت از یاد من عشق سفرعاشق ترم کرد
Naraft az yâde man eshgh, safar âshegh taram kard
Eu não esqueço o seu amor, a partida me fez te amar ainda mais

[Refrão1]
هنوز پیش مرگتم من بمیرم تا نمیری
Hanuzam pish margetam, man bemiram tâ namiri
Eu ainda estou pronto para morrer por você, deixe me morrer por você

خوشم با خاطراتم اینوازمن نگیری
Khosham bâ khâterâtam, ino az man nagiri
Estou feliz com minhas memórias, não as tire de mim

دلم از ابر و بارون بجز اسم تو نشنید
Delam az abro bârunbejozesmtonashenid
Meu coração, das nuvens e da chuva, não ouve nada além de seu nome

تو مهتاب شبونه فقط چشمام تو رو دید
To mahtâbe shabune faghat cheshmâm to ro did
Na luz do luar meus olhos só veem você

نشو با من غریبه مث نامهربونا
Nasho bâ man gharibe mese namehrabuna
Não aja comigo como se eu fosse um estranho

بلا گردون چشمات زمین و اسمونا
Bâlâ gardune cheshmat zamino asemuna
Eu sacrificarei o mundo e os céus por seus olhos

[Refrão 2]

میخوام برگردم اما میترسم
Mikham bargardam, amâ mitarsam
Eu quero retornar, mas tenho medo

میترسم بگی حرفی نداری
Mitarsam begi harfi nadâri
Tenho medo que você me diga que não há mais palavras a dizer

بگی عشقی نمونده
Begi eshghi namunde?
Me diga: não existe mais amor?

میترسم بری تنهام بذاری
Mitarsam beri tanhâm bezâri
Tenho medo que você se vá e me deixe sozinho

[Refrão 1]

تو رو دیدم تو بارون دل دریا تو بودی
To ro didam to bârun, dele daryâ to budi
Eu te vi na chuva, você estava no coração do mar

تو موج سبز سبزه تن صحرا تو بودی
To muje sabz sabze, tane sahrâ to budi
No ondular da grama verde, você era a que cobria o deserto

مگه میشه ندیدت تو مهتاب شبونه؟
Mage mishe nadidet to mahtâb shabune?
Será possível não te ver na luz da lua?

مگه میشه نخوندت تو شعر عاشقونه؟
Mage mishe nakhundet to shere asheghune?
Será possível não te ler entre os poemas dos amantes?

[Refrão 2]


Fonte: Flash Lyrics


Assista o 2° episódio do Globo Repórter sobre o Irã



Salam amigos! A série Irã, no Globo Repórter, gerou grande repercussão e impressões muito positivas na internet! Na última sexta-feira (08/09) foi ao ar o segundo episódio da série de dois programas. A verdade é que apenas dois programas, não foi suficiente para mostrar toda a diversidade do país, mas nos aproximou um pouquinho da "magia do mundo persa". Esperamos que um dia alguma emissora brasileira  produza uma série de pelo menos 10 capítulos sobre o Irã (não custa sonhar hehe...)  Assista na íntegra a reportagem e se você ainda não viu o primeiro episódio, clica aqui!


Assista o 1° Episódio do Globo Repórter sobre o Irã


Salam amigos! Na última sexta-feira (01/09) foi ao ar o primeiro episódio de uma série de dois programas do Globo Repórter sobre o Irã  que está fazendo o maior sucesso na nossa fanpage. Assista na íntegra a reportagem e não perca o segundo episódio esta semana (08/09)!


Globo Repórter apresenta o Irã em dois programas


Salam amigos! Nesta sexta-feira (01/09) e na próxima (08/09) irá ao ar uma série de dois programas do Globo Repórter sobre o Irã.

Embora seja rotulado como "um dos países mais fechados do mundo" e "mais temidos do planeta" (para causar a "boa impressão" de sempre), o fato de a emissora anunciar dois episódios sobre o Irã, promete, assim ao menos esperamos um grande presente para nós, os amantes e admiradores dessa cultura!

A repórter Glória Maria esteve no país pela primeira vez, e segundo  a chamada do programa vai revelar "toda a magia do mundo persa, mostrando um povo alegre e gentil que adora conversar com estrangeiros". Os telespectadores brasileiros irão desvendar as tradições, cultura dos povos nômades, a beleza das cidades, das mesquitas e do artesanato iraniano! 

Veja a chamada completa da reportagem em:

Globo Repórter entra num dos países mais fechados do planeta: o Irã



"O Sapo da Árvore", um poema de Nima Yushij


Salam amigos! Hoje vamos conhecer um poema de Nima Yushi (1897- 1960) que é considerado o pai da poesia persa moderna.
Escrito originalmente, no dialeto mazandarani do autor, o poema Darvag, cuja tradução é o "O Sapo da árvore" fala sobre uma crença que as pessoas tem, especialmente no norte do Irã de que quando os sapos que vivem nas árvores começam a coaxar é um sinal de que a chuva está próxima. Então, esse anfíbio é conhecido como o mensageiro da chuva. Em linguagem simbólica, em um ambiente rural a chuva representa a felicidade e alegria e os dias nublados são dias felizes!

Minha fazenda está tão estéril
perto da fazenda do meu vizinho
embora seja dito:
Na costa das proximidades
Triste entre tristes
estão chorando
mas, sapo da árvore! 
mensageiro dos dias nublados
quando é que a chuva virá?
Em uma tenda que não é uma tenda
Em minha cabana escura que é totalmente sem alegria
na qual as amarras de junco nas paredes
estão quebrando de secura, 
Oh, sapo da árvore! 
mensageiro dos dias nublados
quando é que vai chover?

Tradução baseada em Easy Persian


Colabore com a divulgação gratuita da cultura iraniana no Brasil


Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia já tem  mais de 5 anos de existência, e em sua história já contribuiu com novas amizades, testemunhos incríveis de pessoas que perderam o medo de  viajar ao Irã, aprendizados e descobertas de valor incalculável. Os posts publicados tem tanta qualidade que até a própria Embaixada do Irã, além de sites internacionais recomendam o nosso conteúdo. Dá uma olhada nos comentários  que recebo quase todo dia: 
Muito interessante! Incrível esse Blog. Parabens ... em Como o Brasil via o Irã na década de 50?

O blog é SUPER original e MUITO bem organizado! Continue assim! Tudo de bom! o/ em Cinema Iraniano: Dez

Ola, Janaína! ... seu blog. Parece um livro bom de se ler....Parabéns e obrigada por compartilhar. Vou continuar lendo. Beijos em Viagem ao Irã: Jornada em Persépolis e Shiraz

... Janaina, querida! Assalamo alaikum. Adorei seu blog, já li outras vezes...Parabéns por trazer um pouco da cultura iraniana em português para o Brasil.. parabéns pelo carinho em cada detalhe no blog. em Sirvan Khosravi - Doost daram zendegi ro

Nossa!!! adorei demais esse post! de uns tempos pra cá, por curiosidade fui ler alguns textos iranianos (Farid ud Din Attar e Omar Khayaam) e me apaixonei pela sabedoria e cultura iraniana! Seu texto e o blog da Janaina, me fazem ter mais vontade de visitar esse lindo país! ... em Guest post: O sabor da hospitalidade, visitando uma família iraniana no Brasil
Todo este trabalho é feito de forma gratuita, com esforço, amor no coração e boa vontade! O que pouca gente sabe é que por trás de um blog tão bem sucedido existe uma pessoa que faz o trabalho de cinco. Olha só  quanta coisa ela dá conta de fazer sozinha, ao mesmo tempo:

  • Web Designer: para chegar neste layout maravilhoso dias e horas estudando códigos para Blogger e trabalhando em softwares designer gráfico. 
  • Pesquisadora: para chegar ao melhor conteúdo sobre de cultura iraniana também tem que "cavucar" muito na web, além de muita leitura e estudo diário, assistindo vídeos, conversando com pessoas. 
  • Tradutora: para ser o único blog dedicado exclusivamente a cultura iraniana em língua portuguesa, também tem que investir no aprendizado de idiomas. Apesar de não ser uma tradutora profissional, meu conteúdo tem sido elogiado pela clareza das informações.  
  • Redes Sociais:  Hoje em dia,"quem não Facebooka e não Twitta se intrumbica" (rs)... mas não basta postar, tem que ter estratégia e criatividade. Isso poderia ser incluso como um trabalho de publicidade, sim? 
  • Consultora: sim, o blogueiro que vira autoridade em um assunto, tem que responder dezenas de e-mails semanais, ouvir críticas, dar dicas, ser conselheiro sentimental, e ainda ser sempre simpático e amável. 
  • Além de sobreviver como artista visual e educadora aqui no Brasil ...

Além disso, o que um(a) blogueiro(a) investe de si próprio? 
  • Tempo (em média 6hs semanais só no blog)  
  • Luz elétrica
  • Internet 
Apesar de todo este tempo de vida, reconhecimento e admiração dos leitores, o Chá-de-Lima da Pérsia ainda não é um blog profissional. Ou seja, ainda não tem um domínio próprio, não tem patrocinadores e  nem colaboradores diretos. 

Se você ama o blog Chá-de-Lima da Pérsia, e considera a divulgação da cultura iraniana no Brasil uma chave para expandir seus horizontes, você pode adquirir de três formas: 

1) ADQUIRA OS PRODUTOS DA NOSSA LOJA VIRTUAL:
  • Conheça o meu trabalho artístico na Loja Chá-de-Lima da Pérsia. Arte digital, produtos criativos e decoração personalizada. Produtos originais para sua decoração ou para presentear que você ama.  


 
2) ANUNCIE SEUS PRODUTOS OU SERVIÇOS: 
  • por R$ 50,00: inclua um banner de seu produto ou serviço no blog por 4 meses
  • por R$100,00: inclua um banner de seu produto ou serviço no blog por 6 meses + farei um post especial sobre seu produto ou serviço
 
3) FAZENDO UMA DOAÇÃO: