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Feliz Páscoa Brasil e Irã!

Salam amigos! Com a proximidade que a Páscoa cristã tem em nosso calendário da tradicional celebração do Ano Novo Iraniano, o Nowruz, as comparações acabam sendo inevitáveis. E a mais notável semelhança é que os ovos coloridos estão presentes em ambas as celebrações! O fato é que no Irã, não existem ovos de chocolate, mas a tradição de decorar ovos para celebrar a chegada da primavera existe há milênios, antes mesmo da chegada do cristianismo às terras da Pérsia. 
As comunidades cristãs, armênia, assíria, católica e protestante do país, celebram a Ressurreição de Cristo em diferentes datas de acordo com o calendário litúrgico que seguem. A saudação de Páscoa em persa é: Eid-e Pak Mobarak! 
O vídeo a seguir mostra estas celebrações em duas importantes igrejas históricas localizadas no bairro de Jolfa, na cidade de Isfahan:



Feliz Páscoa Brasil e Irã, com esperança de renovação para todos! 
Que tal deixar um comentário com o seu desejo para esta data? 


Por que eu ando sumida?


Salam amigos! Voces devem estar se perguntando por que o blog anda tão parado nas duas ultimas semanas! Infelizmente, devido a alguns problemas técnicos em meu computador e outras atividades profissionais, andei sem tempo para postar o encerramento do Nowruz e o resultado da nossa Enquete sobre o perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia, alem das postagens da nossa fanpage. Mas, provavelmente até o final desta semana voltarei ao ritmo normal das publicações com muitas novidades sobre a cultura do Irã em nossa casa de chá virtual. (Neste momento postando de outro computador, perdoem a falta de acentos!) 

Obrigada a todos os leitores fieis pelo carinho de sempre! 
Abraços da Moça do Chá!


Desvendando os símbolos do Nowruz: a filosofia da Haft-Sin

Haft-Sin, uma das tradições do Nowruz
Salam amigos, estamos no 8º dia do Nowruz, o Ano Novo persa! Durante os dias da celebração desta data, vamos nos aprofundar e compreender os seus simbolismos. Cada um dos rituais e símbolos do Nowruz tem uma rica história na arte e cultura iraniana, e cada qual simboliza algum aspecto importante da vida humana. 

Um dos elementos mais conhecidos desta tradição é a Sofreh Haft Sin, a toalha de mesa na qual são colocadas sete objetos começados com a letra S, dos quais já falamos aqui no blog (veja o post "Os simbolismos da Haft-Sin"). Mas uma pergunta que muitos devem fazer é: Se Haft-Sin significa literalmente "Sete Ss" por que há mais de sete objetos na mesa e por que muitos deles  não começam com a letra "S" em persa?

Entre estes símbolos que não começam com a letra sin  podemos destacar:  Sham (vela), Ayeneh (espelho), Mahi (peixe), e Tokhmeh Morgh (ovos).

Uma possível explicação é que o termo sin, talvez não se refira à letra do alfabeto persa, mas a um encurtamento da palavra sini (ou bandejas), que originalmente detinha estes símbolos essenciais. Estes símbolos se dividem em três do mundo material (ou donyaheh mahdudiat), três do mundo conceitual (ou donayeh mânah), e um que faz a junção dos dois mundos.

Os símbolos do mundo material:
  1. Sang : pedra - símbolo da matéria - a forma mais baixa do mundo material
  2. Sabzeh: - grama - broto de trigo, cevada ou lentilha, símbolo do mundo vegetal e do renascimento
  3. Tokhmeh morgh: ovo decorado com desenhos - símbolo do reino animal e da fertilidade
Os símbolos do mundo conceitual:
  1. Sham: vela - símbolo da luz do ser, da energia ou da força criadora
  2. Ayineh: espelho - símbolo do campo das possibilidades onde a força criativa reflete e torna tudo possível
  3. Mâhi: peixe na água - símbolo do infinito (água) e da vida dentro dele (peixe)
Símbolo que une os dois mundos:
Sharab: vinho - símbolo do humano, com o jarro ou vidro como o corpo (material) e o vinho como o espírito (conceitual)
Tomados como um grupo, estes símbolos mostram uma progressão do material para o espiritual, com a pedra (matéria) no extremo inferior, e a vela (energia) no mais alto, e o vinho (humano)  conectando estes dois mundos. Assim, o objetivo da Haft-sin, é nos lembrar de nosso propósito como seres humanos neste mundo. A ideia de que estamos aqui não só para experimentar o mundo material com suas limitações, mas também para experimentar a transcendência e a consciência superior no plano espiritual ou conceitual.

Além disso há sempre um livro na mesa do Haft-Sin. Possivelmente com a chegada do islã no Irã, há cerca de mil anos, os  persas convertidos à nova fé adicionaram o Alcorão no meio de sua mesa sagrada de modo que sua tradição pudesse continuar a viver. Com o passar do tempo, alguns segmentos da sociedade tornaram-se mais seculares, algumas pessoas começaram a substituir o livro sagrado do Alcorão por um de poesia como o Divan de Hafez, ou o Shahnameh de Ferdowsi.

E quanto aos dois  símbolos que desapareceram desta tradição: sang (pedra) e sharab (vinho)?
Na verdade, eles não desapareceram, mas foram substituídos por outros. As sekkeh (moedas), geralmente feitas de ouro, são de origem mineral como a pedra. E o serkeh (vinagre) passou a ocupar o lugar do vinho, que não é permitido pelo Islã.

(Baseado em artigo de Farhad Mohit para o site Payvand)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia! 
Deixe um comentário com o seu desejo para o Ano Novo Persa de 1396!


O Nowruz através da história do Irã


Salam amigos! Hoje é o 6ª dia do Nowruz, a celebração do Ano Novo Persa! Vamos continuar desvendando as origens desta data, e no post de hoje, vamos falar do desenvolvimento desta tradição na história do Irã. 

Segundo o célebre historiador iraniano Mehrdad Bahar a celebração do Nowruz remonta a um período antes da chegada dos arianos ao planalto iraniano. Essas festas eram celebradas pelas tribos pré-históricas de agricultores e sobreviveram através das eras. Não há nenhuma referência ao Nowruz ou sua tradição no Avesta. Porém, nos textos Pahlavi e dos Maniqueus, há muitas referências a primeira celebração do ano novo comemorada em Takht-e Jamshid (Persépolis). No Dinkart, o livro zoroastriano de ciências religiosas escrito em Pahlavi, o Nowruz é mencionado como uma celebração iraniana muito antiga.

De acordo com a pesquisa realizada sobre as inscrições de pedra e tabuletas do período aquemênida, todos os anos, representantes de nações e tribos se reuniam em Takht-e Jamshid para comemorar o Nowruz  no palácio de Apadana em uma cerimônia assistida pelo rei e lhe apresentavam seus presentes. Takht-e Jamshid foi reverenciado como um local sagrado e cada rei ia até lá uma vez por ano para comemorar o ano novo e visitar os túmulos de seus antepassados. Na era Sassânida, era um costume para os reis libertar um falcão branco neste dia e consumir um pouco de leite fresco e queijo para evocar a bênção.

Após o advento do Islã, a tradição iraniana assumiu um tom religioso e com a ascensão dos Abássidas a celebração  do Nowruz prosperou. As sucessivas dinastias iranianas dos Taherian, aos Safarian, Buyidas, Ghaznavidas e Seljúcidas mantiveram e exaltaram esta festa. Um dos atos mais significativos realizados durante a era dos Seljúcidas foi a mudança da celebração de Nowruz de seu deslocamento anual para o início do primeiro dia da primavera e do primeiro mês do ano, Farvardin. Em 1080, Seljuq Malek Shah estabeleceu uma missão para oito astrônomos incluindo Omar Khayyam para calcular com precisão e ajustar o calendário persa.

Sob o domínio dos Corásmios (1077- 1231) o Nowruz era celebrado tão majestosamente que nem mesmo os mongóis e os timúridas puderam ignorá-lo. Na era do Safávidas (1502-1736), as celebrações do Nowruz foram misturadas com certos cultos e rituais islâmicos e assumiram também um aspecto religioso. Durante a dinastia Qajar, a celebração de Nowruz foi tratada com seriedade e geralmente era realizada com especial solenidade. Nos dias atuais, os iranianos consideram o Nowruz como um dia auspicioso e sagrado com base em sua tradição religiosa. Eles combinaram o ritual do Nowruz com a cultura iraniano-islâmica e desta forma lhe deram um esplendor especial.

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia! Envie ou deixe nos comentários uma mensagem com o tema: Qual o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396? 


O rei Jamshid e as origens mitológicas do Nowruz

O rei Jamshid celebra o Nowruz em seu trono voador.
Ilustração do livro Shahnameh: The Epic of the  Persian Kings, por  Hamid Rahmanian
Salam amigos, estamos no 4º dia do Nowruz, a celebração do Ano Novo persa! Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o significado desta data do ponto de vista da mitologia iraniana. 

A maioria das fábulas e histórias do Irã consideram o período Pishda’dian como a primeira vez em que o Nowruz aparece na história. O reinado de Jamshid, o quarto rei desta dinastia, é considerado uma era de ouro, onde a fome, a miséria, e a velhice, e os maus sentimentos como a inveja não existiam. Há muitas referências a Jamshid e ao surgimento do Nowruz e a seus rituais na literatura islâmica persa. O poeta Ferdowsi, na sua obra Shahnameh (O Livro dos Reis) diz que quando Jamshid completou seus deveres como rei, sentou-se em seu trono imperial e todos os chefes e governantes reuniram-se ao seu redor e despejaram ouro e joias sobre ele. Jamshid nomeou este dia que foi o primeiro dia de Farvardin e o primeiro do ano, como Nowruz.

O históriador Ibn Balkhi (séc. XII) reconta a história da entronização de Jamshid durante o início da primavera: “Quando todos os chefes de estado se reuniram em Estakhar sob o comando de  Jamshid, na hora em que o sol e a terra se alinharam no equinócio de primavera, ele sentou-se em seu trono e pôs a coroa sob sua cabeça... celebrando este dia, ele o chamou de Nowruz e este dia foi  Hormoz Farvardin .” 

Há uma  famosa história citada pelo orientalista dinamarquês A. E. Christensen, a partir dos contos de célebres autores persas: "Jam ordenou aos demônios (divan) que fizessem para ele um trono [...], eles carregaram Jamshid sentado sobre este trono do Monte Damavand à Babilônia em um único dia. As pessoas que viram o seu rei sentado sobre o trono e brilhando como o sol ficaram maravilhadas. Eles se perguntavam se havia dois sóis brilhando simultaneamente no céu. Este evento aconteceu no dia Ourmaz, do mês de Farvardin. Por isso, as pessoas o chamaram de Nowruz (literalmente " novo dia"). A partir deste dia, eles acrescentaram a palavra shid, que significa brilhante ao nome de Jam, que então tornou-se Jam-shid."

Por fim, o erudito Al-Biruni atribui o surgimento do Nowruz e sua celebração a renovação e restauração da religião pelo rei Jamshid. No entanto, ele acredita que os rituais e tradições do Nowruz são provenientes de uma  tradição mais antiga que este rei e escreve: “A razão do nome desta data é que durante a era dos Tahmures, os  Sa’ebeh (antiga ordem religiosa da Mesopotâmia) foram descobertos e o rei Jamshid renovou seu culto e considerou este como um grande dia, que tornou-se então o novo dia (Nowruz)..."

Além dessas, existem muitas outras histórias mitológicas sobre a origem do Nowruz que resultariam em uma enciclopédia. A importância do rei mitológico Jamshid na cultura persa também vai muito além do que foi citado aqui. Mas isso é assunto para outro post. 

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia! Envie ou deixe nos comentários uma mensagem com o tema: Qual o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396? 


Por que o Ano Novo Persa se chama Nowruz?

Nowruz significa "Novo Dia" em persa
Salam amigos, hoje é o 2° dia das comemorações de Nowruz, a festa anual realizada no primeiro dia do primeiro mês do ano do calendário iranianoO início desta data equivale aproximadamente a 20 ou 21 de março em nosso calendário, que é o primeiro dia da primavera no hemisfério norte, e é celebrada durante 13 dias. Você sabe qual é o significado da palavra Nowruz?

No dicionário iraniano Borhane Ghateh, o verbete para Nowruz diz o seguinte: "... Deus criou o universo neste dia em que todos os sete planetas estavam no auge de sua revolução e o grau desses picos coincidiu com o primeiro grau de Aries: foi neste dia que o Divino ordenou que [os planetas] girassem e  Adão foi criado neste dia, por isso é chamado No-Ruz (Novo Dia) ".

Sobre a nomenclatura do Nowruz, o erudito persa Al-Biruni escreveu: "É o primeiro dia do mês de Farvardin (primeiro mês do calendário persa) e é chamado Nowruz porque é o começo do ano novo, comemorado por cinco dias. O sexto dia de Farvardin é chamado Nowruz Bozorg (Grande Nowruz), Foi neste dia que Deus descansou da obra da criação e fez o planeta Saturno, em que o profeta Zoroastro teve a sorte de apresentar suas súplicas ao Criador e em que o rei Keykhosro ascendeu aos céus".

Além dessas citações, existem muitas outras fontes que explicam o significado do Nowruz na cultura persa. Como existem poucas referências em português, nos próximos dias trarei de uma forma bem simplificada uma série de posts para que possamos conhecer e refletir sobre a importância dessa celebração milenar nos dias atuais. 

E para finalizar, uma citação do célebre historiador iraniano Yahya Zoka: "Esta festividade persa passou pelos meandros da história e sobreviveu aos seus tempos mais escuros para chegar até nós em todo o seu esplendor e é um ritual inteiramente ariano e nacional fundado sobre o ambiente natural deste país e sobre as crenças de seu povo e sua perspectiva de mundo "

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia e não se esqueça de enviar uma mensagem com o tema: Qual o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396? 


Nowruz mobarak! Vamos saudar a chegada do Ano Novo Iraniano 1396!


Salam amigos! Se você acompanha o blog Chá-de-Lima da Pérsia há pelo menos um ano, já deve ter acompanhado nossos posts sobre o Nowruz, o Ano Novo Iraniano. Todo ano, no decorrer da celebração desta data trago diversas curiosidades sobre a maior festividade da cultura persa. E para você que está chegando agora, e está curioso para saber do que se trata esta comemoração, dá uma olhadinha no post Tradições e Rituais do Nowruz, antes de prosseguir a leitura.

As festividades têm duração de 13 dias e é um feriado nacional do Irã e outros países vizinhos como Afeganistão, Tadjiquistão e regiões do Curdistão que celebram a data. O calendário persa que é diferente do nosso, dará entrada no ano de 1396

E como fazemos todo ano, a partir de hoje vamos comemorar os 13 dias com músicas, poesias e muito mais informações sobre o Nowruz.

E  você também pode participar, enviando até o dia  31/03, através do formulário de contato do blog uma mensagem bem criativa com o tema: QUAL O SEU DESEJO PARA O ANO NOVO IRANIANO DE 1396? 

 Veja aqui as mensagens enviadas pelos leitores no ano passado.

As mensagens serão publicadas no blog no dia de Sizdah Bedar (13 dias após o Nowruz), 12/04/17. Conto com vocês!

Prepare a sua Haft-Sin, abra a porta para o Haji Firuz e o Amu Nowruz, e venha celebrar o Ano Novo Iraniano com a gente! 

✹   !سل نو مبارک  ✹ 
 Sale no mobarek!  


Participe: Qual é o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396?


Salam amigos da Pérsia! Faltam só 10 dias para a chegada do Ano Novo Iraniano (Nowruz)! Que tal comemorarmos juntos?

Envie até o dia  31/03, através do formulário de contato do blog uma mensagem bem criativa com o tema: QUAL O SEU DESEJO PARA O ANO NOVO IRANIANO DE 1396? 

No ano passado nós fizemos e foi super lindo! Veja aqui. Este ano pode ficar ainda melhor!

As mensagens serão publicadas no blog no dia de Sizdah Bedar (13 dias após o Nowruz), 12/04/17. Conto com vocês!


O Dia da Mulher e uma tradição iraniana ancestral


Salam amigas da Pérsia! Feliz Dia Internacional da Mulher para todas as mulheres do planeta! 

Você sabia que um dia dedicado às mulheres já existia há milênios na cultura persa? 


No Irã existe um dia tradicional que visa apreciar o status de mulheres e mães desde os tempos antigos. Esta data, geralmente cai no dia 17 de fevereiro, que corresponde ao  dia 5 do mês iraniano de Esfand e é conhecido como Esfand Rooz ou Esfandegan. Na cultura persa antiga o Esfand era considerado o mês da  fertilidade da terra, por ser o último mês do inverno que é quando a terra volta a seu estado fértil.

De acordo com a mitologia persa, o senhor da sabedoria criou seis imortais conhecidos como "Amesha Spenta" para proteger suas criações. Os três primeiros eram divindades masculinas e as outras três eram deidades femininas. Para saber mais veja o post: Os Anjos na tradição zoroastriana.

Armaiti, que é um dos Amesha Spentas femininos, é a personificação da serenidade e da devoção, e representa a obediência. Ela é associada à terra e nessa função ela é a deusa da fertilidade e dos mortos que estão sepultados na terra. O 5º dia de cada mês e o 12º mês no calendário iraniano são dedicados a ela. 

Nos contos da antiga Pérsia, o termo "mulher" está ligado à vida e reprodução, enquanto o termo "homem" significa morte e mortalidade. É por isso que os ancestrais persas acreditavam que a eternidade da vida é devido à existência de mulheres que dão à luz crianças e isso permite que o círculo da vida continue para sempre. Porém, esta crença não tinha nenhuma relação com o sistema matriarcal.
Em algumas partes do Império Persa, como a atual cidade de Izeh na província de Khuzestan, o status das mulheres era tão alto que, mesmo quando o patriarcado prevalecia, o sobrenome de mãe era usado para a identificação de uma criança, especialmente durante o período elamita.

Nos tempos antigos no Irã, os homens realizavam cerimônias especiais para apreciar o status e o papel das mulheres na família e na sociedade, e as esposas recebiam presentes. Hoje em dia esta tradição foi reavivada pelos iranianos. Veja também o post: "Sepandarmazgan: o dia do amor iraniano"
Infelizmente, pouco se sabe sobre os detalhes desta cerimônia, mas provavelmente foi a mais antiga celebração do Dia da Mulher na história do mundo.


Baseado em Iran Review


Nasir ol Molk: a incrível mesquita caleidoscópica de Shiraz


Uma das paradas obrigatórias para quem visita a cidade de Shiraz, certamente é a mesquita Nasir ol Molk. Também conhecida como "Mesquita Rosa", devido aos padrões florais de cor rosa predominantes em seus azulejos, este edifício, além de ser um local sagrado para os muçulmanos, também é um local onde os turistas podem vislumbrar um majestoso exemplo da arquitetura iraniana. Tire os sapatos e prepare-se para entrar em uma atmosfera divina. 


Pátio externo  (Crédito: Diego Delso, delso.photo)

Guarda-volumes  no pátio externo  (Crédito: Diego Delso, delso.photo)

Muqarnas, nicho decorativo, com azulejos florais de rosas  no pátio externo

Detalhe da Muqarnas  (Créditos: dynamosquito)
O que torna esta mesquita tão especial é o seu projeto que utiliza vitrais coloridos na parte posterior do edifício. Estes vitrais  filtram a luz do sol transformando-a em um espetáculo de cores caleidoscópicas, trazendo um efeito vibrante para o interior da mesquita, tingindo de luz e cor os arcos, colunas e tapetes que se estendem no piso do pátio interno. A arquitetura da mesquita utiliza um elemento tradicional denominado Panj Kâse, que significa "cinco forma côncavas" que proporcionam o efeito caleidoscópico no interior do edifício.

A arquitetura Panj Kase (Imagem do site: Art Days)

Vitrais coloridos tingem de luz e cor o interior (Imagem do site: Art Days)

Uma atmosfera divina (Imagem do site: Art Days)

Imagem caleidoscópica (Imagem do site: Art Days)
 A mesquita foi projetada pelo arquiteto Mohammad Hasan-e Memār e pelo artista Mohammad Rezā Kāshi-Sāz e Shirāzi. Construída durante a era Qajar, por ordem do governador Mirzā Hasan Ali entre 1876 e 1888, atualmente a mesquita é mantida por fundos de doação.

Baseado em Architecture Magazine

>> Veja o vídeo com uma belíssima tomada do interior da mesquita Nasir ol Molk:


"O Apartamento" é o segundo filme a ganhar o Oscar na história do cinema iraniano

O Apartamento, filme vencedor do Oscar 2017 de Melhor filme estrangeiro
Salam amigos! É com muita alegria que anuncio a notícia mais esperada pelos amigos cinéfilos da Pérsia! E o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro vai para... O Apartamentodo Irã! Pela segunda vez na história do país e na carreira do diretor Asghar Farhadi, que conquistou o prêmio em 2012 com A Separação. Mas porque esta premiação teve um sabor tão especial? Porque, apesar de todas as polêmicas que obrigaram o boicote do elenco e da equipe de produção iraniana, ela representou um triunfo da arte sobre as barreiras políticas. E certamente o cinema iraniano continuará a ganhar cada vez mais apaixonados ao redor do mundo.

Anousheh Ansari e Firouz Naderi, cientistas da NASA, recebem a estatueta de melhor filme estrangeiro em nome de Asghar Farhadi 
O diretor Asghar Farhadi não compareceu na cerimônia do Oscar, protestando contra as medidas de imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
"O Apartamento" derrotou "Terra de Minas" (Dinamarca), "Um Homem Chamado Ove" (Suécia), "Toni Erdmann" (Alemanha) e "Tanna" (Austrália) e conquistou na noite de domingo a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.
Representando o cineasta estavam dois iranianos-americanos: a engenheira Anousheh Ansari, conhecida por ser a primeira mulher turista espacial, e Firouz Naderi, ex-diretor dos sistemas de exploração solar na Nasa.
No palco, Anousheh leu um discurso escrito por Asghar Farhadi (...)
"Lamento não estar com vocês hoje. Minha ausência é por respeito pelas pessoas do meu país e das outras seis nações que foram ofendidas pela lei desumana que proíbe a entrada de imigrantes nos Estados Unidos", afirmou, em nome do diretor.
"Dividir o mundo em categorias de 'nós' e 'nossos inimigos' cria medo", disse, antes de ressaltar que os cineastas têm o poder de apontar suas câmeras para quebrar estereótipos e iluminar qualidades humanas que possam criar "empatia" entre as pessoas de origens diferentes.
"Uma empatia que necessitamos hoje mais que nunca", concluiu.
 (Fonte: Terra
Emoção é a única palavra que tenho para descrever este momento, por tudo o que o cinema iraniano representa para o blog Chá-de-Lima da Pérsia e para minha vida! Parabéns aos iranianos, por mais uma conquista histórica, um prêmio mais do que merecido! 

O Apartamento, cujo título original em persa é Forushandeh (O Vendedor), na minha opinião, assinala que o diretor Asghar Farhadi se supera cada vez mais no gênero suspense. Sem falar nas atuações incríveis de Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti representando o casal de protagonistas que não deixam nossos olhos desgrudarem da tela. Para quem ainda não assistiu a esta obra prima, só posso dizer que é imperdível!  

>> Veja o trailer do filme:

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Uma incrível animação 3D sobre "A Conferência dos Pássaros"

Simorgh, uma animação de Meghdad Asadi 
Premiada em diversos festivais, esta animação intitulada Simorgh, de autoria do artista gráfico iraniano Meghdad Asadi Lari é uma adaptação do conto A Conferência dos Pássaros. Com a junção da música tradicional persa, arte caligráfica e elementos ornamentais, as aves da obra de de Fariduddin Attar são recriadas encenando uma linda coreografia, que representa a busca das criaturas pela união com a essência Divina. Assista em tela cheia e encante-se! 



"O rei Yunan e o sábio Duban", uma fábula sobre confiança

"O Rei Yunan e o Sábio Duban"
Ilustração de Ludwig Burger (1825–1884).
As fábulas e histórias são as manifestações mais importantes e famosas da literatura oral, que juntamente com outras formas clássicas de literatura, refletem a cultura de uma nação ou etnia. Os contos folclóricos apesar de sua simplicidade, contém uma volumoso corpo de crenças, pensamentos, rituais e tradições. Por ser um país de grandes dimensões, o Irã abriga uma grande diversidade de etnias e possui um folclore riquíssimo e uma literatura oral bastante voltada para a promoção dos valores morais da sociedade. Vamos conhecer um história tirada do livro  As Mil e Uma Noites, cujos personagens também são conhecidos como Malek Yunan e o sábio Hakim Ruyan, e muitas outras versões: 
Havia na cidade de Fars, na terra de Rum, um rei que se chamava Yunan. Este rei sofria de uma grave doença de pele mas nenhum dos médicos do país havia encontrado a cura para aliviá-lo. Certo dia, um velho sábio chamado Duban que tinha o conhecimento das línguas grega, árabe, persa, romana e siríaca chegou à corte do rei e disse: "Eu posso te curar em pouquíssimo tempo e sem o uso de nenhum medicamento". O rei Yunan ficou muito surpreso e disse, “Se você estiver dizendo a verdade, eu te darei o que você desejar."O sábio Duban curvou-se diante do rei e disse: “Eu retornarei amanhã.” No dia seguinte, o sábio voltou ao palácio com uma bola e um taco de polo em suas mãos. E voltando-se para o rei, disse: “Monte em seu cavalo e vá para o campo. Arremesse a bola até que sua mão e seu braço fiquem aquecidos. Então volte ao palácio, tome um banho e depois descanse. Quando você acordar estará completamente curado."
Yunan seguiu as instruções. E ao acordar não havia nenhum sinal da doença sobre sua pele. Ele gritou de alegria e ordenou que chamassem Duban. Ao ver o sábio, o rei se levantou de seu trono e o abraçou dizendo: "Ó grande sábio, eu devo a você a minha saúde." Então convidou o sábio para comer junto com ele e o tratou com muita bondade e pediu que trouxessem moedas de ouro e presentes preciosos para ele. Duban, tomou todas as moedas e presentes e fez uma oração pelo rei. O rei pediu que ele retornasse ao palácio no dia seguinte, e assim eles se tornaram amigos.
Mas Yunan tinha um vizir invejoso. Quando este viu o apreço do rei pelo sábio, planejou arruinar a amizade deles. Então, um dia ele disse ao rei: “Ó grande soberano! Eu estou entre os seus servos de maior confiança, então me senti no dever de alertá-lo do perigo que te cerca." Yunan indagou surpreso: “Qual é o perigo, meu caro vizir?” Disse o vizir: “É que aquele a quem tratas como amigo, na verdade é o vosso inimigo.” O rei levantou-se do trono e indagou perplexo: "Quem é o meu inimigo então?" E o vizir respondeu: "Ninguém mais do que Duban! Ele pretende te matar.”
Yunan ficou furioso: “O que você está dizendo? Duban salvou a minha vida. Se eu der a ele toda a minha riqueza, jamais poderia compensar todo o bem que ele me fez. Você o inveja e quer que eu o mande matar para que depois me arrependa." O vizir disse decepcionado: "Ó majestade, eu não quero nada além do seu bem. Por isso insisto que Duban é seu inimigo. Se ele não for morto, ele é quem irá te matar algum dia.” 
Isto deixou o rei desconcertado. Então ele voltou-se para o vizir e disse: "Talvez você esteja certo. Ele pode ser meu inimigo, porque é um homem poderoso. Ele curou minha doença, então da mesma forma pode me matar facilmente." Sentindo que suas palavras atingiram em cheio ao rei, o vizir disse: "Estou contente que vossa majestade tenha se dado conta do perigo que o ameaça."
O rei Yunan convocou o sábio até o palácio e inquiriu: “Você sabe por que eu o convoquei?" Duban respondeu: “Majestade, como eu poderia saber?”  Vociferou o rei: "Eu o convoquei justamente para declarar a sua sentença de morte."  Incrédulo, o sábio indagou: "O que eu fiz de errado?" Ao que o rei  respondeu: "Você sabe muito bem! Você é um espião e esta tentando me matar!"
Duban começou a chorar “Ó grande rei, essa é a recompensa pela minha boa ação?"   Yunan disse: “Se eu não te matar, você irá me matar!" Então o carrasco se aproximou e aguardou o comando do rei. Duban caiu de joelhos e implorou:“Tenha piedade! Eu sou inocente!" Mas o rei, estava indiferente a seus apelos. Até mesmo um dos cortesões chegou a pedir que Yunan perdoasse o sábio, mas ele gritou ferozmente: “Você não vê como ele me curou apenas me dando um taco e polo? Ele não poderia me matar apenas me dando uma flor e mandando que eu a cheirasse?" O sábio entendeu que o rei não voltaria atrás, então teve uma última ideia para se salvar.  E disse ao rei: "Eu estou pronto para morrer, mas tenho um último pedido. Deixe-me ir até minha casa e trazer um presente valioso para vossa majestade." Yunan quis saber: "Que presente valioso é esse?" Duban respondeu: “É um livro mágico. Aquele que após a minha morte ler três linhas de sua página esquerda, a minha própria cabeça irá falar com ele e responderá todas as suas perguntas." Yunan concordou e o sábio foi para casa escoltado por um guarda.
"Duban respondeu:“É um livro mágico. Aquele que após a minha morte ler...a minha própria cabeça irá falar com ele e responderá todas as suas perguntas." (Arte de Elizabeth Vidler)
Três dias depois, Duban retornou com o livro e uma pequena vasilha com algum tipo de pó. Ele entregou o livro ao rei e disse: "Após me matar, ponha minha cabeça em uma bacia cheia deste pó e esfregue-a até que o sangramento pare. Então abra o livro e leia as três linhas de sua página esquerda. Pergunte para minha cabeça qualquer coisa que desejar saber."
Yunan olhou para o livro e começou a folheá-lo, mas as páginas pareciam grudadas. Ele molhou o dedo e tentou novamente. Finalmente conseguiu passar cinco páginas, mas elas estavam em branco. Então disse o rei: "Mas estas páginas estão em branco." Ao que o sábio respondeu: "Majestade, tente outra vez."
Yunan molhou novamente o dedo e dessa vez folheou umas dez páginas. Estas páginas também estavam em branco. Furioso, o rei estava a ponto de dizer algo, mas de repente teve uma vertigem, ficou pálido e caiu duro no chão. As páginas do livro estavam envenenadas, e afetaram a língua do rei, enquanto ele molhava o dedo para tentar folheá-lo. E assim ele foi assassinado.
E o povo deste reino passou a dizer: "Se o rei Yunan tivesse decidido poupar o sábio Duban, ele mesmo não teria sido morto."
Moral da história: "o médico que pode curar, também pode envenenar", ou ainda, "nunca morda a mão que te alimenta". Embora possa parecer clichê, a história nos adverte para sermos gratos a quem nos ajuda, ao invés de nos deixarmos levar por suspeitas infundadas. Outras lições que podemos tirar são: que devemos nos esforçar para separar a influência dos outros de nossas opiniões pessoais sempre que enfrentamos uma decisão difícil e, que devemos confiar nos outros, mas ter cuidado para não confiar demais. Em suma, devemos nutrir nosso próprio poder de julgamento e não depender das opiniões alheias.

Adaptado de IRIB 


Pesquisa: perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia 2017



Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia quer conhecer melhor quem são os seus leitores. Com este objetivo criei este questionário e gostaria de convidar a todos que quiserem participar e ajudar a continuar fazendo o melhor conteúdo sobre cultura iraniana em língua portuguesa. 
Preencha quantas questões quiser (não esqueça de descer a barrinha de rolagem até o final e pressionar o botão "submit"), as identidades permanecerão confidenciais. A enquete vai até o dia 31/03 e o resultado será divulgado no dia 02/04/17. Então, vamos lá, é só 2 minutinhos!  


Uma linda história ilustrada do erudito persa Avicena


Salam amigos, nestes tempos de hostilidades aos iranianos, sempre gosto de contrabalançar mostrando como alguns artistas e autores estrangeiros retratam com carinho a cultura persa. E por acaso, me recordei de um post que mostrava um lindo livro ilustrado destinado ao público infantil sobre um dos maiores eruditos da Pérsia, o célebre Ibn Sina, conhecido no ocidente como Avicena. Publicado por uma editora canadense, o livro The Amazing Discoveries of Ibn Sina, foi escrito pela libanesa Fatima Sharafeddine e ilustrado pela iraquiana radicada no Irã Intelaq Mohammed Ali. 

Mas quem foi o Avicena, e por que a história dele foi parar em um livro infantil? 

Avicena (980-1037), foi uma das figuras mais influentes da história nos estudos sobre o corpo humano e em diversas áreas do conhecimento. Ele também é lembrado como um prodígio, que desde muito jovem já era um ávido leitor, tendo memorizado o Alcorão aos dez anos e completado seus estudos em medicina aos dezesseis anos de idade. Escreveu 450 livros sobre física, filosofia, astronomia, matemática, lógica, poesia e medicina, incluindo o famoso Canon da Medicina, que até hoje é considerado uma referência neste campo. Por, fim ele é mais conhecido como o pai da medicina moderna. Seu túmulo se encontra na cidade de Hamadan no Irã. 

Para os apaixonados por histórias infantis e artes gráficas, como eu, estas ilustrações inspiradas nas iluminuras de antigos manuscritos islâmicos são uma delícia para os olhos! 

Capa do livro
Ele nasceu em Bukhara, cidade da antiga Pérsia que fica no atual Uzbequistão
Sua grande paixão era a medicina, e ele completou seus estudos aos dezesseis anos

Seu talento para curar o tornou famoso e influente 

Desvendou os mistérios do corpo humano...

Mas ele queria ir além...
Dedicou-se ao estudo da astronomia...
E escreveu 450 livros em várias áreas do conhecimento 

Sua obra prima, o Cânone de Medicina 

E hoje ele descansa na cidade de Hamadan no Irã

Baseado em:
 Brain Pickings


O decreto de Trump e a novela da participação do cinema iraniano no Oscar

 Taraneh Alidoosti(atriz protagonista) e Asghar Farhadi diretor do filme "O Apartamento", indicado ao Oscar 2017 
Salam amigos! As últimas notícias que acompanhamos sobre a ordem do presidente norte-americano Donald Trump de barrar a entrada de imigrantes de 7 países que ele acusa de terrorismo, incluindo obviamente o Irã, realmente são desanimadoras. Apesar de  não  ser costume do blog meter o bedelho em assuntos de política internacional, esta repercussão também trouxe a tona duas notícias sobre o cinema iraniano: 

1) A decisão da atriz Taraneh Alidoosti em boicotar a cerimônia, dias atrás:
A atriz iraniana Taraneh Alidoosti, que protagoniza "O Apartamento", indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, declarou nesta quinta-feira (26) que vai boicotar a cerimônia de entrega do prêmio em protesto ao "projeto racista" do presidente Donald Trump contra os imigrantes muçulmanos.
"A proibição de visto para os iranianos é racista. Estando incluída ou não, não estarei presente ao #AcademyAwards 2017 como protesto", tuitou a atriz, de 33 anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua com a sua ofensiva contra imigrantes e logo deverá assinar um decreto para suspender a entrada de cidadãos de sete países muçulmanos no país, entre eles o Irã, durante um período de um mês.
Em uma entrevista à rede de televisão ABC, o presidente declarou que "não se trata de um bloqueio contra muçulmanos, mas contra países com muitos casos de terrorismo".
"O Apartamento", filme franco-iraniano dirigido pelo aclamado diretor iraniano Asghar Farhadi, está está concorrendo à categoria de "Melhor filme em língua estrangeira". Farhadi já levou a estatueta na mesma categoria em 2012 por "A Separação". (Fonte: RFI)

2) E o impedimento do próprio diretor Asghar Farhadi de entrar nos Estados Unidos:
O cineasta iraniano Asghar Farhadi, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por "O Apartamento", não poderá comparecer à cerimônia de premiação por causa da restrição à imigração decretada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A informação foi confirmada neste sábado (28) por Trita Farsi, presidente do Conselho Nacional Iraniano Americano, organização que promove as relações entre os dois países.
Em princípio, todos os iranianos, salvo aqueles com passaportes diplomáticos, estão temporariamente proibidos de entrar nos EUA por conta da decisão de Trump.
Farhadi, que em 2012 ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro por "A Separação", está novamente indicado à categoria por "O Apartamento". A protagonista do filme, Taraneh Alidoosti, já havia anunciado ao longo da semana que não compareceria à cerimônia como protesto contra as medidas de Trump. (Fonte: G1)
Duas coisas me chamam a atenção neste ínterim: a primeira é que a indicação de um filme do diretor fenômeno Asghar Farhadi pela segunda vez consecutiva, e de um filme iraniano pela 3ª vez na história do cinema mundial não chamaram tanto a atenção da mídia diante do alvoroço causado pela ordem de Trump. E outra, que 5 dias antes, os próprios americanos homenageavam outro cineasta iraniano, o saudoso Abbas Kiarostami, com o prêmio do Sindicato dos Roteiristas dos EUA, exaltando-o por sua inigualável influência no cinema mundial, e comparando-o a Martin Scorsese, Akira Kurosawa e Pedro Almodóvar.

É óbvio que para o cinema iraniano, a conquista do primeiro Oscar de filme estrangeiro com A Separação em 2012, sempre será um marco em sua história. Mas boicotar a festa de Hollywood é algo que o Irã parece já ter tradição, como aconteceu em 2013, ano em que o vídeo infame  Inocência dos Muçulmanos gerou uma onda de protestos violentos nos países islâmicos  e em que ironicamente, Argo um filme que tinha como pano de fundo a crise diplomática entre os dois países foi o vencedor (veja o post "Porque os iranianos não engolem Argo". Após 4 anos sem Irã no Oscar, como será a cerimônia em que um filme iraniano finalmente é indicado, mas não haverá ninguém para representá-lo?


Aniversário de 5 anos do Chá-de-Lima da Pérsia: uma homenagem especial aos leitores!

♪ ♫ ♩ Mobarak! Mobarak! Tavalodet mobarak... ♪ ♫ ♩
Salam amigos, hoje é o grande dia! 

O  blog Chá-de-Lima da Pérsia completa seu 5º aniversário na web, trazendo para você as melhores informações sobre a cultura do Irã, com muito carinho e amizade! A cada ano, me sinto honrada com várias mensagens de agradecimento, elogios e críticas construtivas de leitores de todo o Brasil e também de outros países. E cumprindo a minha promessa, fiz um mural caprichado para homenagear aqueles que me ajudam e me estimulam a continuar com esta maravilhosa fonte de transmissão e compartilhamento de conhecimentos. Com muita alegria e emoção, vamos ler os depoimentos dos leitores Amigos da Pérsia!  



A história do edifício Plasco e o dia em que o Irã parou

Um edifício histórico, desaba sob nuvens de fumaça em Teerã 
Salam amigos! Desde a notícia do incêndio que provocou o desabamento de um dos edifícios mais icônicos da cidade de Teerã, vitimando 20 bombeiros que tentavam combater as chamas, na madrugada de ontem, tenho visto uma grande comoção nas redes sociais. Apesar de o blog não ser focado em notícias, decidi pesquisar e entender melhor o que representava o edíficio Plasco para os tehranis e para a história do Irã.

Estrutura, fachada e interior do edifício 
Construído em 1962 durante uma época em que a economia do Irã crescia rapidamente, por um proeminente homem de negócios chamado Habib Elghanian, o edifício Plasco, recebeu este nome por ter sido originalmente criado para uma companhia de plásticos no centro de Teerã. Nos dias atuais, ele servia como um edifício comercial e residencial, abrigando um shopping center em seu andar térreo, um restaurante na cobertura e vários ateliês de costura. Na época em que foi construído, chegou a ser o mais alto edifício do Irã e considerado um marco da cidade de Teerã, representando à modernização do país sob o governo do xá Mohammad Reza Pahlavi.
Após a revolução islâmica em 1979, o proprietário Elghanian foi executado por alegadas ligações com Israel, e o prédio passou a ser administrado pela Fundação Mostazafan, ligado à Guarda Revolucionária Iraniana até o dia de seu desabamento ocasionado pelo incêndio. (Fonte: Wikipedia)  

O edifício Plasco, foto atual e na década de 1960
No dia 19 de janeiro de 2017, o incêndio começou no nono andar às 07h50 do horário local. Neste momento, haviam moradores, trabalhadores dos ateliês e vários visitantes ocupando o prédio.Dez brigadas de incêndio tentaram combater o fogo durante horas, enquanto todos os seus ocupantes foram evacuados. Quando a parte norte do edifício desabou de repente, todo o resto do edifício foi abaixo poucos momentos depois. O desabamento foi registrado pela emissora estatal Press TV enquanto filmava os esforços dos bombeiros no combate às chamas. Vários bombeiros se encontravam no interior do edifício durante o desabamento, enquanto muitos conseguiram escapar. Pelo menos 25 estão desaparecidos, outros 70 ficaram feridos e 20 foi o número de vítimas fatais. A busca por sobreviventes nos escombros ainda continuará durante dias. 
(Fontes: BBC, Reuters e Bloomberg News)
A notícia gerou grande comoção nas redes sociais, inclusive, recebi de vários amigos imagens como estas, dizendo o quanto se sentiam  comovidos pelas vítimas do incêndio.


# Condolências


As mulheres mascaradas do sul do Irã

Borgheh, ou máscara feminina, característica marcante da indumentária do sul do Irã
(Crédito das imagens: Rodolfo Contreras)
Salam amigos! Daqui a pouco está chegando o Carnaval, e para nós aqui no Brasil, usar máscaras para cair na folia é de fato algo bem divertido. Mas você já imaginou passar a vida usando este acessório como parte de um costume cultural? Assim é a vida para muitas mulheres no sul do Irã! 
No post de hoje vamos conhecer, as misteriosas mulheres mascaradas da província de  Hormozagan.

Os habitantes da costa sul do Irã, são conhecidos como bandari  (ou "gente do porto"). E é nesta região que fica a província de Hormozagan, que  há milênios é um importante ponto de parada para comerciantes africanos, árabes, indianos e persas que atravessavam os mares do Golfo, resultando em um caldeirão de diversidade étnica. Ali encontramos trajes típicos bem diferentes dos que são usados em outras províncias do Irã; as mulheres preferem vestidos e véus multicoloridos ao invés do tradicional chador negro, ao passo que os homens costumam trajar roupas no estilo árabe. Mas a característica mais marcante da indumentária bandari, sem dúvida é um acessório chamado borgheh ou burqa, uma espécie de máscara usada pelas mulheres, sejam ela sunitas ou xiitas. (Veja também o post: As cores e estilos dos povos bandari).

A origem da tradição de usar máscaras, entre as mulheres bandari é um mistério. Muitos acreditam que foi durante o período em que os portugueses dominavam a costa sul do Irã, quando as moças locais tentavam se esconder para não serem capturadas como escravas ou também, como uma forma de proteger a pele e os olhos contra o sol inclemente da região. Ao contrário do que muitos pensam, as máscaras não são uma imposição da religião islâmica, mas sim parte de uma cultura que é encontrada em vários países do Golfo Pérsico, como Omã, Kuwait e outras partes da Península Arábica. 

A beleza destas máscaras, se dá pela grande variedade de estilos em que são encontradas por toda a região. Enquanto algumas cobrem toda a face, outras são  mais abertas revelando a área dos olhos. Algumas são feitas de couro, outras de um tecido grosso com bordado em cores brilhantes. A característica comum a todas elas é cobrir ainda que parcialmente a testa e o nariz, e às vezes as mulheres usam o véu em volta da cabeça, cobrindo também a boca. Os habitantes locais, conseguem reconhecer a origem, o status e até o local onde uma mulher nasceu, pela cor e formato da máscara que ela usa. 


Nos vilarejos da ilha Qeshm, há um outro tipo especial de máscara de couro dourada usada pelas mulheres que lembra o formato de um bigode. Acredita-se que este formato foi criado há séculos para que as mulheres locais parecessem mais duras e severas. A posição estratégica da ilha, tornava-a muito suscetível às invasões estrangeiras e quando os inimigos viam as mulheres mascaradas, eles pensavam que estas eram soldados homens. 

Apesar de ser uma tradição mantida há séculos, cada vez mais, as mulheres jovens estão abandonando o costume de usar máscaras, preferindo usar apenas o véu. Mas apesar da crescente modernização, mesmo sem as máscaras, a cultura bandari é conservadora, e as mulheres não gostam de ser fotografadas nem costumam falar com estrangeiros, especialmente homens. Mas é surpreendente notar como elas ostentam com charme e dignidade suas faces mascaradas, mostrando o orgulho que sentem de suas tradições singulares. 

Adaptado do artigo de Rodolfo Contreras para o site  BBC