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Moedas antigas revelam a face dos reis persas


Você gosta de colecionar moedas? Elas são fascinantes porque muitas vezes são a única fonte através da qual os arqueólogos reconstituem a face de personalidades históricas de épocas remotas, das quais poucas estátuas ou pinturas sobreviveram.
Durante 400 anos um império do Irã batalhou contra Roma e Constantinopla, afastou as hordas de invasores da Ásia Central e manteve a da Rota da Seda aberta para a China. Este foi o Império dos Sassânidas. Responsáveis também por manter uma moeda estável em um estado multiétnico muitas vezes assolado por conflitos religiosos e políticos. Uma curiosidade sobre este Império, era que a tradição requeria que um membro da casa real ocupasse o trono, mas não era específico qual desses membros, o que ocasionou uma verdadeira guerra pela sucessão no final de cada reinado, e às vezes dentro do mesmo.  Durante este período cerca de 30 reis, cunharam moedas que revelam as faces por trás do poder deste império. Vamos conhecer alguns deles:

Moedas do rei Ardashir I: dracma de prata (acima) e dinar de ouro (abaixo)

Ardashir I (224-241)
Nascido em cerca 180 d.C., ele era um comandante em  Pars, no coração do Irã, quando em 224 iniciou uma rebelião contra os governantes Partas. Em 226, ocupou a capital Ctesifonte (atualmente nos arredores de Bagdá, Iraque) e foi coroado como “Rei dos Reis do Irã”.   
Ardashir estabeleceu o padrão de cunhagem das moedas de prata (dracmas) e ouro (dinares) Sassânidas que perduraria durante quatro séculos. Em suas moedas, Ardeshir aparece com barba e cabelos trançados e usando uma elaborada coroa parecida com um capacete. Todo rei Sassânida tinha uma coroa única combinando os símbolos das várias divindades cultuadas pelos iranianos. Na realidade estas coroas eram tão pesadas que ficavam suspensas por correntes acima do o trono, mas nas moedas os reis sempre são mostrados usando o aparato.
As inscrições no ante verso proclamam: “Ardashir, servo de Mazda, Rei dos Reis do Irã, descendente dos deuses”. Fórmula que  foi seguida pelos governantes subsequentes. Na moeda de prata, a face para quem ele olha é de seu filho e futuro sucessor Shapur I. O padrão no verso mostra um flamejante altar zoroastriano, a religião oficial do estado, adornado com fitas e incensórios nas laterais.

Moedas do rei Shapur I: dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Shapur I (241-272)
Nascido em c. 215 d.C, sua mãe foi uma princesa parta. Ele derrotou uma série de invasões romanas, culminando com a captura do imperador Valeriano em 260 (o único imperador romano da história a ser capturado como prisioneiro de guerra por inimigos estrangeiros). De acordo com a lenda, Shapur pisava nas costas de Valeriano para montar seu cavalo e o embalsamou como um troféu após sua morte. 
Shapur reinou durante 30 anos e as moedas de prata cunhadas por ele são relativamente comuns. O anverso o retrata usando uma coroa em formato de muralha, encimada por um korymbos (espécie de bulbo de seda decorativo). No reverso, ele acrescentou uma dupla de servos ao lado do altar de fogo.

Moedas do rei Piruz I: dinar de ouro (esquerda) e dracma de prata (direita)
Piruz I (457-484)
Piruz I comoçeou seu reinado com uma guerra civil contra seu irmão mais novo Hormizd III, que sucedeu ao trono após a morte de seu pai Yazdgerd II em 457. Piruz negociou um acordo com os Bizantinos para compartilhar o custo de defesa do Cáucaso contra os invasores do Norte. O império durante este tempo também sobreviveu a grande fome causada por uma seca de sete anos (464-471).
Ele combateu uma série de campanhas contra os Heftalistas, uma tribo de guerreiros nômades cuja origem é obscura, morrendo durante uma batalha próxima a Herat no Afeganistão em  484. Piruz foi sucedido por seu irmão, Balash, que foi deposto em favor de  Kavad (or Kavadh), um filho de Piruz, com ajuda do exército Heftalita.
Em suas moedas, Piruz usa uma série de diferentes coroas aladas.

Moedas do rei Khosro II : dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Khosro II (590-628)
Nascido em cerca de 570, Khosro II foi nomeado por seu avô. Aos 20 anos de idade, foi elevado ao trono por dois de seus tios, que depuseram e cegaram seu pai.  Após este episódio, o comandante  Bahram Chobin  iniciou uma guerra civil  (590-591) e tomou o trono por um breve período, mas este foi reconquistado por Khosro com a ajuda dos Bizantinos.  
As moedas de Khosro são extremamente comuns, mas alguns poucos exemplares são algumas das mais atraentes moedas Sassânidas. Um dinar de ouro do 21º ano de seu reinado retrata o rei usando uma coroa alada adornada com estrelas e crescentes com a inscrição: “Que Khosro, rei dos reis, possa prosperar.” No reverso há um busto da deusa  Anahita rodeada por um halo de chamas, e a inscrição: “O Irã prosperou”.  Uma rara dracma de prata, do 23º ano mostra a face do rei de frente ao invés do usual perfil direito.
Poderíamos mostrar ainda mais exemplos de moedas e aprender ainda mais sobre a história dos impérios do Irã, mas isto seria conteúdo para uma verdadeira enciclopédia. Se você gosta deste assunto e quer mais conteúdos sobre história, deixe um comentário! 

Adaptado de artigo do site CoinWeek, Ancient Coin Series de Mike Markowitz


Um poema de Rumi para o Dia das Mães


"Deus não queria estar em todos os lugares, então, ele criou as mães para representa-lo."


Minha mãe, é simplesmente a melhor das mães
Eu sou alegria, filho da alegria, filho da alegria!
Quando uma mãe chama por seu filho:
“Venha minha criança, deixe eu te amamentar
Sou eu, sua mãe, quem está falando contigo”
Acaso um bebê faminto responderia:
“Prove-me primeiro que você é minha mãe,
Antes de eu ter o conforto de mamar de seu leite?”  
Uma mãe é naturalmente suave, frágil e especial,
Ainda que proteja com bravura seu filho
Assim como um experiente caçador perseguindo uma presa 

Uma mãe viaja por milhares de milhas
Se é preciso prover para suas crianças
Felicidade e bem estar

Uma mãe instintivamente deixa a escapar
Centenas de gritos de desespero
Quando seu filho está passando por dificuldades
Quando uma mãe perde seu filho,
Ela sofre e chora tão profundamente
Que as chamas ardentes da tristeza
Derramam de seu coração aflito
Pelo resto de sua vida 
Uma mãe prontamente arrisca sua própria vida
Para manter seu filho longe do perigo
Uma mãe dá a sua própria vida
Centenas de vezes se for preciso
Para salvar a vida de sua preciosa criança 

Uma criança doente treme de medo
Quando o seu sangue é extraído para um exame
Mas a mãe carinhosa se sente radiante
Sabendo que seu filho será logo curado 
Nunca julgue nem critique uma mãe
Por sempre superproteger seu filho
Deus não queria estar em todos os lugares,
Então, ele criou as mães para representa-lo.
Deus criou as pacientes mães
Para confortar os bebês que choram
Deus criou os bebês inocentes
Para chorar alto e implorar
Pelo leite confortante de suas mães 
Nenhuma criança poderia nascer
A menos que uma mãe desse a luz
Enfrentando a excruciante dor do parto
Gravidez, dor, contrações,
Dar a luz, e experiências da maternidade
Tudo isso são bênçãos de Deus para uma mãe
Deus deposita sua divina misericórdia e confiança
Dentro do coração de uma mãe grávida
Então o coração da mãe também se torna grávido
De um preciso presente de Deus
Por isso que o amor de uma mãe é sempre eterno

(Tradução livre  de poema atribuído a Rumi, adaptado de Mawlana Rumi Online)


Uma singela homenagem a todas as mães do planeta, com carinho, do Chá-de-Lima da Pérsia! 

💝 Feliz Dia das Mães! 💝
Ruze madar mobarak! 


Breve história da língua persa

Representação do rei Dário no rochedo de Behistun, o registro mais antigo da língua persa 
Você sabia? O persa é uma das línguas mais antigas do mundo e uma das poucas que permaneceu em uso contínuo após milhares de anos. Apesar de atualmente, ser escrita em caracteres árabes (Irã e Afeganistão), e cirílicos em territórios da antiga União Soviética (Uzbesquistão e Tadjiquistão), ela pertence a família das línguas indo-europeias, ao qual pertencem o grego e o latim. Neste sentido, o persa está muito mais próximo do inglês e do português do que do árabe, turco ou demais línguas do Oriente Médio.
A história conhecida da língua persa pode ser divida em dois períodos: antigo, médio e moderno persa.

O registro mais antigo desta língua, datando do período Aquêmenida é a inscrição do rei Dário I  (522 - 486 a.C) no rochedo de Behistun (província de Kermanshah, no Irã). No entanto esta inscrição não representa a forma falada da linguagem, mas sim uma forma arcaica e estilizada, provavelmente do antigo persa que data de aproximadamente 3000 anos.

O persa médio pode ser dividido em vários períodos com destaque para duas eras: a língua que era falada durante o Império dos Partos (248 a.C - 226 d.C) e a língua do Império Sassânida (226 - 651). 

Durante este período a morfologia da língua persa foi grandemente simplificada. Veja os exemplos:

Persa Antigo        
Persa Médio  
Três gêneros distintos: masculino, feminino e neutro   
Sem distinção de gênero
Três categorias de números: singular, dual e plural         
Singular e plural apenas 
Nomes e adjetivos declinam em sete casos 
Extintas as regras de declinação

Conjugação de verbos simplificada      
                      
Infelizmente, grande parte da literatura do persa médio se perdeu com a invasão árabe durante a conquista islâmica da Pérsia. Período este que marca o começo da história da língua e literatura do persa moderno. No entanto passaram-se cerca de 200 anos até que o médio persa se transformasse no novo persa. Pode-se dizer que a história do persa moderno iniciou em cerca de 850 d.C até os dias atuais(aproximadamente 1200 anos!). No decurso de sua longa história, o persa desenvolveu um grande número de expressõe idiomáticas e provérbios. São deste período os mundialmente famosos poetas persas como Ferdowsi, Rumi, Khayyâm, Hafez e Saadi. O persa moderno não difere muito do persa médio com relação a gramática. A principal diferença está na inserção de um grande número de palavras de origem árabe que passaram a fazer parte do vocabulário persa, além da utilização do alfabeto árabe, com pequeno acréscimo de letras adaptadas a sua fonética. (Para mais informações sobre a história da escrita persa veja o post: Breve história da caligrafia persa

Hoje em dia, o persa é falado principalmente no Irã (Pérsia), Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e Bahrain, sendo a língua oficial dos três primeiros países (cerca de 130 milhões de falantes). Historicamente a língua persa já foi muito mais difundida pela Ásia, sendo a língua cultural de muitas regiões e dinastias islâmicas. O persa foi durante muito tempo a língua do Império Otomano, e a língua franca de diversas partes do mundo islâmico ocidental e durante cinco séculos do sub-continente indiano. Além disso, a língua persa também foi um importante meio para contribuições literárias e científicas no mundo islâmico, sendo assim seu status é comparável ao do latim para a cristandade. A forte influência do persa em outras línguas ainda pode percebida em todo o mundo islâmico.Nos últimos 200 anos, o Irã perdeu a maior parte de seu território, especialmente para a Rússia, consequetemente a língua persa desapareceu gradualmente na maioria destas regiões. 

Algumas palavras de origem persa na língua portuguesa chegaram por intermédio dos árabes durante a conquista islâmica na Península Ibérica no séc.VIII. Por exemplo: bazar, caravana, chacal, dervixe, divã,  jasmim, lilás, quiosque, tafetá, laranja, azul, cáqui, pijama, xeque-mate.


Evento gratuito: A Pérsia e a representação feminina no cinema

Shaghayeh Djodat em "Gabbeh" (1996)
Salam amigos! Este sábado 29/04, em São Paulo, haverá a palestra A Pérsia e a representação feminina no cinema, com a presença do diplomata brasileiro Álvaro Galvani, que vive na capital Teerã, e de Aline Moreira do Amaral, mestre em História pela PUC-SP, com tese dedicada à representação da mulher no cinema iraniano. Vamos viajar para a Ásia Ocidental, revisitar a Pérsia antiga dos reis Aquemênidas, rememorar a beleza poética de Rumi e outras grandes obras dessa civilização. 

Onde: Tapera Taperá ( Av. São Luiz, 187, 2º andar, loja 29 - Galeria Metropole )
Quando: Sábado, 29/04/17, às 15h

O evento é gratuito e aberto ao público. 


Feliz Páscoa Brasil e Irã!

Salam amigos! Com a proximidade que a Páscoa cristã tem em nosso calendário da tradicional celebração do Ano Novo Iraniano, o Nowruz, as comparações acabam sendo inevitáveis. E a mais notável semelhança é que os ovos coloridos estão presentes em ambas as celebrações! O fato é que no Irã, não existem ovos de chocolate, mas a tradição de decorar ovos para celebrar a chegada da primavera existe há milênios, antes mesmo da chegada do cristianismo às terras da Pérsia. 
As comunidades cristãs, armênia, assíria, católica e protestante do país, celebram a Ressurreição de Cristo em diferentes datas de acordo com o calendário litúrgico que seguem. A saudação de Páscoa em persa é: Eid-e Pak Mobarak! 
O vídeo a seguir mostra estas celebrações em duas importantes igrejas históricas localizadas no bairro de Jolfa, na cidade de Isfahan:



Feliz Páscoa Brasil e Irã, com esperança de renovação para todos! 
Que tal deixar um comentário com o seu desejo para esta data? 


Por que eu ando sumida?


Salam amigos! Voces devem estar se perguntando por que o blog anda tão parado nas duas ultimas semanas! Infelizmente, devido a alguns problemas técnicos em meu computador e outras atividades profissionais, andei sem tempo para postar o encerramento do Nowruz e o resultado da nossa Enquete sobre o perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia, alem das postagens da nossa fanpage. Mas, provavelmente até o final desta semana voltarei ao ritmo normal das publicações com muitas novidades sobre a cultura do Irã em nossa casa de chá virtual. (Neste momento postando de outro computador, perdoem a falta de acentos!) 

Obrigada a todos os leitores fieis pelo carinho de sempre! 
Abraços da Moça do Chá!


Desvendando os símbolos do Nowruz: a filosofia da Haft-Sin

Haft-Sin, uma das tradições do Nowruz
Salam amigos, estamos no 8º dia do Nowruz, o Ano Novo persa! Durante os dias da celebração desta data, vamos nos aprofundar e compreender os seus simbolismos. Cada um dos rituais e símbolos do Nowruz tem uma rica história na arte e cultura iraniana, e cada qual simboliza algum aspecto importante da vida humana. 

Um dos elementos mais conhecidos desta tradição é a Sofreh Haft Sin, a toalha de mesa na qual são colocadas sete objetos começados com a letra S, dos quais já falamos aqui no blog (veja o post "Os simbolismos da Haft-Sin"). Mas uma pergunta que muitos devem fazer é: Se Haft-Sin significa literalmente "Sete Ss" por que há mais de sete objetos na mesa e por que muitos deles  não começam com a letra "S" em persa?

Entre estes símbolos que não começam com a letra sin  podemos destacar:  Sham (vela), Ayeneh (espelho), Mahi (peixe), e Tokhmeh Morgh (ovos).

Uma possível explicação é que o termo sin, talvez não se refira à letra do alfabeto persa, mas a um encurtamento da palavra sini (ou bandejas), que originalmente detinha estes símbolos essenciais. Estes símbolos se dividem em três do mundo material (ou donyaheh mahdudiat), três do mundo conceitual (ou donayeh mânah), e um que faz a junção dos dois mundos.

Os símbolos do mundo material:
  1. Sang : pedra - símbolo da matéria - a forma mais baixa do mundo material
  2. Sabzeh: - grama - broto de trigo, cevada ou lentilha, símbolo do mundo vegetal e do renascimento
  3. Tokhmeh morgh: ovo decorado com desenhos - símbolo do reino animal e da fertilidade
Os símbolos do mundo conceitual:
  1. Sham: vela - símbolo da luz do ser, da energia ou da força criadora
  2. Ayineh: espelho - símbolo do campo das possibilidades onde a força criativa reflete e torna tudo possível
  3. Mâhi: peixe na água - símbolo do infinito (água) e da vida dentro dele (peixe)
Símbolo que une os dois mundos:
Sharab: vinho - símbolo do humano, com o jarro ou vidro como o corpo (material) e o vinho como o espírito (conceitual)
Tomados como um grupo, estes símbolos mostram uma progressão do material para o espiritual, com a pedra (matéria) no extremo inferior, e a vela (energia) no mais alto, e o vinho (humano)  conectando estes dois mundos. Assim, o objetivo da Haft-sin, é nos lembrar de nosso propósito como seres humanos neste mundo. A ideia de que estamos aqui não só para experimentar o mundo material com suas limitações, mas também para experimentar a transcendência e a consciência superior no plano espiritual ou conceitual.

Além disso há sempre um livro na mesa do Haft-Sin. Possivelmente com a chegada do islã no Irã, há cerca de mil anos, os  persas convertidos à nova fé adicionaram o Alcorão no meio de sua mesa sagrada de modo que sua tradição pudesse continuar a viver. Com o passar do tempo, alguns segmentos da sociedade tornaram-se mais seculares, algumas pessoas começaram a substituir o livro sagrado do Alcorão por um de poesia como o Divan de Hafez, ou o Shahnameh de Ferdowsi.

E quanto aos dois  símbolos que desapareceram desta tradição: sang (pedra) e sharab (vinho)?
Na verdade, eles não desapareceram, mas foram substituídos por outros. As sekkeh (moedas), geralmente feitas de ouro, são de origem mineral como a pedra. E o serkeh (vinagre) passou a ocupar o lugar do vinho, que não é permitido pelo Islã.

(Baseado em artigo de Farhad Mohit para o site Payvand)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia! 
Deixe um comentário com o seu desejo para o Ano Novo Persa de 1396!


O Nowruz através da história do Irã


Salam amigos! Hoje é o 6ª dia do Nowruz, a celebração do Ano Novo Persa! Vamos continuar desvendando as origens desta data, e no post de hoje, vamos falar do desenvolvimento desta tradição na história do Irã. 

Segundo o célebre historiador iraniano Mehrdad Bahar a celebração do Nowruz remonta a um período antes da chegada dos arianos ao planalto iraniano. Essas festas eram celebradas pelas tribos pré-históricas de agricultores e sobreviveram através das eras. Não há nenhuma referência ao Nowruz ou sua tradição no Avesta. Porém, nos textos Pahlavi e dos Maniqueus, há muitas referências a primeira celebração do ano novo comemorada em Takht-e Jamshid (Persépolis). No Dinkart, o livro zoroastriano de ciências religiosas escrito em Pahlavi, o Nowruz é mencionado como uma celebração iraniana muito antiga.

De acordo com a pesquisa realizada sobre as inscrições de pedra e tabuletas do período aquemênida, todos os anos, representantes de nações e tribos se reuniam em Takht-e Jamshid para comemorar o Nowruz  no palácio de Apadana em uma cerimônia assistida pelo rei e lhe apresentavam seus presentes. Takht-e Jamshid foi reverenciado como um local sagrado e cada rei ia até lá uma vez por ano para comemorar o ano novo e visitar os túmulos de seus antepassados. Na era Sassânida, era um costume para os reis libertar um falcão branco neste dia e consumir um pouco de leite fresco e queijo para evocar a bênção.

Após o advento do Islã, a tradição iraniana assumiu um tom religioso e com a ascensão dos Abássidas a celebração  do Nowruz prosperou. As sucessivas dinastias iranianas dos Taherian, aos Safarian, Buyidas, Ghaznavidas e Seljúcidas mantiveram e exaltaram esta festa. Um dos atos mais significativos realizados durante a era dos Seljúcidas foi a mudança da celebração de Nowruz de seu deslocamento anual para o início do primeiro dia da primavera e do primeiro mês do ano, Farvardin. Em 1080, Seljuq Malek Shah estabeleceu uma missão para oito astrônomos incluindo Omar Khayyam para calcular com precisão e ajustar o calendário persa.

Sob o domínio dos Corásmios (1077- 1231) o Nowruz era celebrado tão majestosamente que nem mesmo os mongóis e os timúridas puderam ignorá-lo. Na era do Safávidas (1502-1736), as celebrações do Nowruz foram misturadas com certos cultos e rituais islâmicos e assumiram também um aspecto religioso. Durante a dinastia Qajar, a celebração de Nowruz foi tratada com seriedade e geralmente era realizada com especial solenidade. Nos dias atuais, os iranianos consideram o Nowruz como um dia auspicioso e sagrado com base em sua tradição religiosa. Eles combinaram o ritual do Nowruz com a cultura iraniano-islâmica e desta forma lhe deram um esplendor especial.

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia! Envie ou deixe nos comentários uma mensagem com o tema: Qual o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396? 


O rei Jamshid e as origens mitológicas do Nowruz

O rei Jamshid celebra o Nowruz em seu trono voador.
Ilustração do livro Shahnameh: The Epic of the  Persian Kings, por  Hamid Rahmanian
Salam amigos, estamos no 4º dia do Nowruz, a celebração do Ano Novo persa! Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o significado desta data do ponto de vista da mitologia iraniana. 

A maioria das fábulas e histórias do Irã consideram o período Pishda’dian como a primeira vez em que o Nowruz aparece na história. O reinado de Jamshid, o quarto rei desta dinastia, é considerado uma era de ouro, onde a fome, a miséria, e a velhice, e os maus sentimentos como a inveja não existiam. Há muitas referências a Jamshid e ao surgimento do Nowruz e a seus rituais na literatura islâmica persa. O poeta Ferdowsi, na sua obra Shahnameh (O Livro dos Reis) diz que quando Jamshid completou seus deveres como rei, sentou-se em seu trono imperial e todos os chefes e governantes reuniram-se ao seu redor e despejaram ouro e joias sobre ele. Jamshid nomeou este dia que foi o primeiro dia de Farvardin e o primeiro do ano, como Nowruz.

O históriador Ibn Balkhi (séc. XII) reconta a história da entronização de Jamshid durante o início da primavera: “Quando todos os chefes de estado se reuniram em Estakhar sob o comando de  Jamshid, na hora em que o sol e a terra se alinharam no equinócio de primavera, ele sentou-se em seu trono e pôs a coroa sob sua cabeça... celebrando este dia, ele o chamou de Nowruz e este dia foi  Hormoz Farvardin .” 

Há uma  famosa história citada pelo orientalista dinamarquês A. E. Christensen, a partir dos contos de célebres autores persas: "Jam ordenou aos demônios (divan) que fizessem para ele um trono [...], eles carregaram Jamshid sentado sobre este trono do Monte Damavand à Babilônia em um único dia. As pessoas que viram o seu rei sentado sobre o trono e brilhando como o sol ficaram maravilhadas. Eles se perguntavam se havia dois sóis brilhando simultaneamente no céu. Este evento aconteceu no dia Ourmaz, do mês de Farvardin. Por isso, as pessoas o chamaram de Nowruz (literalmente " novo dia"). A partir deste dia, eles acrescentaram a palavra shid, que significa brilhante ao nome de Jam, que então tornou-se Jam-shid."

Por fim, o erudito Al-Biruni atribui o surgimento do Nowruz e sua celebração a renovação e restauração da religião pelo rei Jamshid. No entanto, ele acredita que os rituais e tradições do Nowruz são provenientes de uma  tradição mais antiga que este rei e escreve: “A razão do nome desta data é que durante a era dos Tahmures, os  Sa’ebeh (antiga ordem religiosa da Mesopotâmia) foram descobertos e o rei Jamshid renovou seu culto e considerou este como um grande dia, que tornou-se então o novo dia (Nowruz)..."

Além dessas, existem muitas outras histórias mitológicas sobre a origem do Nowruz que resultariam em uma enciclopédia. A importância do rei mitológico Jamshid na cultura persa também vai muito além do que foi citado aqui. Mas isso é assunto para outro post. 

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

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Por que o Ano Novo Persa se chama Nowruz?

Nowruz significa "Novo Dia" em persa
Salam amigos, hoje é o 2° dia das comemorações de Nowruz, a festa anual realizada no primeiro dia do primeiro mês do ano do calendário iranianoO início desta data equivale aproximadamente a 20 ou 21 de março em nosso calendário, que é o primeiro dia da primavera no hemisfério norte, e é celebrada durante 13 dias. Você sabe qual é o significado da palavra Nowruz?

No dicionário iraniano Borhane Ghateh, o verbete para Nowruz diz o seguinte: "... Deus criou o universo neste dia em que todos os sete planetas estavam no auge de sua revolução e o grau desses picos coincidiu com o primeiro grau de Aries: foi neste dia que o Divino ordenou que [os planetas] girassem e  Adão foi criado neste dia, por isso é chamado No-Ruz (Novo Dia) ".

Sobre a nomenclatura do Nowruz, o erudito persa Al-Biruni escreveu: "É o primeiro dia do mês de Farvardin (primeiro mês do calendário persa) e é chamado Nowruz porque é o começo do ano novo, comemorado por cinco dias. O sexto dia de Farvardin é chamado Nowruz Bozorg (Grande Nowruz), Foi neste dia que Deus descansou da obra da criação e fez o planeta Saturno, em que o profeta Zoroastro teve a sorte de apresentar suas súplicas ao Criador e em que o rei Keykhosro ascendeu aos céus".

Além dessas citações, existem muitas outras fontes que explicam o significado do Nowruz na cultura persa. Como existem poucas referências em português, nos próximos dias trarei de uma forma bem simplificada uma série de posts para que possamos conhecer e refletir sobre a importância dessa celebração milenar nos dias atuais. 

E para finalizar, uma citação do célebre historiador iraniano Yahya Zoka: "Esta festividade persa passou pelos meandros da história e sobreviveu aos seus tempos mais escuros para chegar até nós em todo o seu esplendor e é um ritual inteiramente ariano e nacional fundado sobre o ambiente natural deste país e sobre as crenças de seu povo e sua perspectiva de mundo "

(Baseado em Tavoos Art Magazine)

Continue comemorando o Nowruz com o Chá-de-Lima da Pérsia e não se esqueça de enviar uma mensagem com o tema: Qual o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396? 


Nowruz mobarak! Vamos saudar a chegada do Ano Novo Iraniano 1396!


Salam amigos! Se você acompanha o blog Chá-de-Lima da Pérsia há pelo menos um ano, já deve ter acompanhado nossos posts sobre o Nowruz, o Ano Novo Iraniano. Todo ano, no decorrer da celebração desta data trago diversas curiosidades sobre a maior festividade da cultura persa. E para você que está chegando agora, e está curioso para saber do que se trata esta comemoração, dá uma olhadinha no post Tradições e Rituais do Nowruz, antes de prosseguir a leitura.

As festividades têm duração de 13 dias e é um feriado nacional do Irã e outros países vizinhos como Afeganistão, Tadjiquistão e regiões do Curdistão que celebram a data. O calendário persa que é diferente do nosso, dará entrada no ano de 1396

E como fazemos todo ano, a partir de hoje vamos comemorar os 13 dias com músicas, poesias e muito mais informações sobre o Nowruz.

E  você também pode participar, enviando até o dia  31/03, através do formulário de contato do blog uma mensagem bem criativa com o tema: QUAL O SEU DESEJO PARA O ANO NOVO IRANIANO DE 1396? 

 Veja aqui as mensagens enviadas pelos leitores no ano passado.

As mensagens serão publicadas no blog no dia de Sizdah Bedar (13 dias após o Nowruz), 12/04/17. Conto com vocês!

Prepare a sua Haft-Sin, abra a porta para o Haji Firuz e o Amu Nowruz, e venha celebrar o Ano Novo Iraniano com a gente! 

✹   !سل نو مبارک  ✹ 
 Sale no mobarek!  


Participe: Qual é o seu desejo para o Ano Novo Iraniano de 1396?


Salam amigos da Pérsia! Faltam só 10 dias para a chegada do Ano Novo Iraniano (Nowruz)! Que tal comemorarmos juntos?

Envie até o dia  31/03, através do formulário de contato do blog uma mensagem bem criativa com o tema: QUAL O SEU DESEJO PARA O ANO NOVO IRANIANO DE 1396? 

No ano passado nós fizemos e foi super lindo! Veja aqui. Este ano pode ficar ainda melhor!

As mensagens serão publicadas no blog no dia de Sizdah Bedar (13 dias após o Nowruz), 12/04/17. Conto com vocês!


O Dia da Mulher e uma tradição iraniana ancestral


Salam amigas da Pérsia! Feliz Dia Internacional da Mulher para todas as mulheres do planeta! 

Você sabia que um dia dedicado às mulheres já existia há milênios na cultura persa? 


No Irã existe um dia tradicional que visa apreciar o status de mulheres e mães desde os tempos antigos. Esta data, geralmente cai no dia 17 de fevereiro, que corresponde ao  dia 5 do mês iraniano de Esfand e é conhecido como Esfand Rooz ou Esfandegan. Na cultura persa antiga o Esfand era considerado o mês da  fertilidade da terra, por ser o último mês do inverno que é quando a terra volta a seu estado fértil.

De acordo com a mitologia persa, o senhor da sabedoria criou seis imortais conhecidos como "Amesha Spenta" para proteger suas criações. Os três primeiros eram divindades masculinas e as outras três eram deidades femininas. Para saber mais veja o post: Os Anjos na tradição zoroastriana.

Armaiti, que é um dos Amesha Spentas femininos, é a personificação da serenidade e da devoção, e representa a obediência. Ela é associada à terra e nessa função ela é a deusa da fertilidade e dos mortos que estão sepultados na terra. O 5º dia de cada mês e o 12º mês no calendário iraniano são dedicados a ela. 

Nos contos da antiga Pérsia, o termo "mulher" está ligado à vida e reprodução, enquanto o termo "homem" significa morte e mortalidade. É por isso que os ancestrais persas acreditavam que a eternidade da vida é devido à existência de mulheres que dão à luz crianças e isso permite que o círculo da vida continue para sempre. Porém, esta crença não tinha nenhuma relação com o sistema matriarcal.
Em algumas partes do Império Persa, como a atual cidade de Izeh na província de Khuzestan, o status das mulheres era tão alto que, mesmo quando o patriarcado prevalecia, o sobrenome de mãe era usado para a identificação de uma criança, especialmente durante o período elamita.

Nos tempos antigos no Irã, os homens realizavam cerimônias especiais para apreciar o status e o papel das mulheres na família e na sociedade, e as esposas recebiam presentes. Hoje em dia esta tradição foi reavivada pelos iranianos. Veja também o post: "Sepandarmazgan: o dia do amor iraniano"
Infelizmente, pouco se sabe sobre os detalhes desta cerimônia, mas provavelmente foi a mais antiga celebração do Dia da Mulher na história do mundo.


Baseado em Iran Review


Nasir ol Molk: a incrível mesquita caleidoscópica de Shiraz


Uma das paradas obrigatórias para quem visita a cidade de Shiraz, certamente é a mesquita Nasir ol Molk. Também conhecida como "Mesquita Rosa", devido aos padrões florais de cor rosa predominantes em seus azulejos, este edifício, além de ser um local sagrado para os muçulmanos, também é um local onde os turistas podem vislumbrar um majestoso exemplo da arquitetura iraniana. Tire os sapatos e prepare-se para entrar em uma atmosfera divina. 


Pátio externo  (Crédito: Diego Delso, delso.photo)

Guarda-volumes  no pátio externo  (Crédito: Diego Delso, delso.photo)

Muqarnas, nicho decorativo, com azulejos florais de rosas  no pátio externo

Detalhe da Muqarnas  (Créditos: dynamosquito)
O que torna esta mesquita tão especial é o seu projeto que utiliza vitrais coloridos na parte posterior do edifício. Estes vitrais  filtram a luz do sol transformando-a em um espetáculo de cores caleidoscópicas, trazendo um efeito vibrante para o interior da mesquita, tingindo de luz e cor os arcos, colunas e tapetes que se estendem no piso do pátio interno. A arquitetura da mesquita utiliza um elemento tradicional denominado Panj Kâse, que significa "cinco forma côncavas" que proporcionam o efeito caleidoscópico no interior do edifício.

A arquitetura Panj Kase (Imagem do site: Art Days)

Vitrais coloridos tingem de luz e cor o interior (Imagem do site: Art Days)

Uma atmosfera divina (Imagem do site: Art Days)

Imagem caleidoscópica (Imagem do site: Art Days)
 A mesquita foi projetada pelo arquiteto Mohammad Hasan-e Memār e pelo artista Mohammad Rezā Kāshi-Sāz e Shirāzi. Construída durante a era Qajar, por ordem do governador Mirzā Hasan Ali entre 1876 e 1888, atualmente a mesquita é mantida por fundos de doação.

Baseado em Architecture Magazine

>> Veja o vídeo com uma belíssima tomada do interior da mesquita Nasir ol Molk:


"O Apartamento" é o segundo filme a ganhar o Oscar na história do cinema iraniano

O Apartamento, filme vencedor do Oscar 2017 de Melhor filme estrangeiro
Salam amigos! É com muita alegria que anuncio a notícia mais esperada pelos amigos cinéfilos da Pérsia! E o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro vai para... O Apartamentodo Irã! Pela segunda vez na história do país e na carreira do diretor Asghar Farhadi, que conquistou o prêmio em 2012 com A Separação. Mas porque esta premiação teve um sabor tão especial? Porque, apesar de todas as polêmicas que obrigaram o boicote do elenco e da equipe de produção iraniana, ela representou um triunfo da arte sobre as barreiras políticas. E certamente o cinema iraniano continuará a ganhar cada vez mais apaixonados ao redor do mundo.

Anousheh Ansari e Firouz Naderi, cientistas da NASA, recebem a estatueta de melhor filme estrangeiro em nome de Asghar Farhadi 
O diretor Asghar Farhadi não compareceu na cerimônia do Oscar, protestando contra as medidas de imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
"O Apartamento" derrotou "Terra de Minas" (Dinamarca), "Um Homem Chamado Ove" (Suécia), "Toni Erdmann" (Alemanha) e "Tanna" (Austrália) e conquistou na noite de domingo a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.
Representando o cineasta estavam dois iranianos-americanos: a engenheira Anousheh Ansari, conhecida por ser a primeira mulher turista espacial, e Firouz Naderi, ex-diretor dos sistemas de exploração solar na Nasa.
No palco, Anousheh leu um discurso escrito por Asghar Farhadi (...)
"Lamento não estar com vocês hoje. Minha ausência é por respeito pelas pessoas do meu país e das outras seis nações que foram ofendidas pela lei desumana que proíbe a entrada de imigrantes nos Estados Unidos", afirmou, em nome do diretor.
"Dividir o mundo em categorias de 'nós' e 'nossos inimigos' cria medo", disse, antes de ressaltar que os cineastas têm o poder de apontar suas câmeras para quebrar estereótipos e iluminar qualidades humanas que possam criar "empatia" entre as pessoas de origens diferentes.
"Uma empatia que necessitamos hoje mais que nunca", concluiu.
 (Fonte: Terra
Emoção é a única palavra que tenho para descrever este momento, por tudo o que o cinema iraniano representa para o blog Chá-de-Lima da Pérsia e para minha vida! Parabéns aos iranianos, por mais uma conquista histórica, um prêmio mais do que merecido! 

O Apartamento, cujo título original em persa é Forushandeh (O Vendedor), na minha opinião, assinala que o diretor Asghar Farhadi se supera cada vez mais no gênero suspense. Sem falar nas atuações incríveis de Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti representando o casal de protagonistas que não deixam nossos olhos desgrudarem da tela. Para quem ainda não assistiu a esta obra prima, só posso dizer que é imperdível!  

>> Veja o trailer do filme:

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Uma incrível animação 3D sobre "A Conferência dos Pássaros"

Simorgh, uma animação de Meghdad Asadi 
Premiada em diversos festivais, esta animação intitulada Simorgh, de autoria do artista gráfico iraniano Meghdad Asadi Lari é uma adaptação do conto A Conferência dos Pássaros. Com a junção da música tradicional persa, arte caligráfica e elementos ornamentais, as aves da obra de de Fariduddin Attar são recriadas encenando uma linda coreografia, que representa a busca das criaturas pela união com a essência Divina. Assista em tela cheia e encante-se! 



"O rei Yunan e o sábio Duban", uma fábula sobre confiança

"O Rei Yunan e o Sábio Duban"
Ilustração de Ludwig Burger (1825–1884).
As fábulas e histórias são as manifestações mais importantes e famosas da literatura oral, que juntamente com outras formas clássicas de literatura, refletem a cultura de uma nação ou etnia. Os contos folclóricos apesar de sua simplicidade, contém uma volumoso corpo de crenças, pensamentos, rituais e tradições. Por ser um país de grandes dimensões, o Irã abriga uma grande diversidade de etnias e possui um folclore riquíssimo e uma literatura oral bastante voltada para a promoção dos valores morais da sociedade. Vamos conhecer um história tirada do livro  As Mil e Uma Noites, cujos personagens também são conhecidos como Malek Yunan e o sábio Hakim Ruyan, e muitas outras versões: 
Havia na cidade de Fars, na terra de Rum, um rei que se chamava Yunan. Este rei sofria de uma grave doença de pele mas nenhum dos médicos do país havia encontrado a cura para aliviá-lo. Certo dia, um velho sábio chamado Duban que tinha o conhecimento das línguas grega, árabe, persa, romana e siríaca chegou à corte do rei e disse: "Eu posso te curar em pouquíssimo tempo e sem o uso de nenhum medicamento". O rei Yunan ficou muito surpreso e disse, “Se você estiver dizendo a verdade, eu te darei o que você desejar."O sábio Duban curvou-se diante do rei e disse: “Eu retornarei amanhã.” No dia seguinte, o sábio voltou ao palácio com uma bola e um taco de polo em suas mãos. E voltando-se para o rei, disse: “Monte em seu cavalo e vá para o campo. Arremesse a bola até que sua mão e seu braço fiquem aquecidos. Então volte ao palácio, tome um banho e depois descanse. Quando você acordar estará completamente curado."
Yunan seguiu as instruções. E ao acordar não havia nenhum sinal da doença sobre sua pele. Ele gritou de alegria e ordenou que chamassem Duban. Ao ver o sábio, o rei se levantou de seu trono e o abraçou dizendo: "Ó grande sábio, eu devo a você a minha saúde." Então convidou o sábio para comer junto com ele e o tratou com muita bondade e pediu que trouxessem moedas de ouro e presentes preciosos para ele. Duban, tomou todas as moedas e presentes e fez uma oração pelo rei. O rei pediu que ele retornasse ao palácio no dia seguinte, e assim eles se tornaram amigos.
Mas Yunan tinha um vizir invejoso. Quando este viu o apreço do rei pelo sábio, planejou arruinar a amizade deles. Então, um dia ele disse ao rei: “Ó grande soberano! Eu estou entre os seus servos de maior confiança, então me senti no dever de alertá-lo do perigo que te cerca." Yunan indagou surpreso: “Qual é o perigo, meu caro vizir?” Disse o vizir: “É que aquele a quem tratas como amigo, na verdade é o vosso inimigo.” O rei levantou-se do trono e indagou perplexo: "Quem é o meu inimigo então?" E o vizir respondeu: "Ninguém mais do que Duban! Ele pretende te matar.”
Yunan ficou furioso: “O que você está dizendo? Duban salvou a minha vida. Se eu der a ele toda a minha riqueza, jamais poderia compensar todo o bem que ele me fez. Você o inveja e quer que eu o mande matar para que depois me arrependa." O vizir disse decepcionado: "Ó majestade, eu não quero nada além do seu bem. Por isso insisto que Duban é seu inimigo. Se ele não for morto, ele é quem irá te matar algum dia.” 
Isto deixou o rei desconcertado. Então ele voltou-se para o vizir e disse: "Talvez você esteja certo. Ele pode ser meu inimigo, porque é um homem poderoso. Ele curou minha doença, então da mesma forma pode me matar facilmente." Sentindo que suas palavras atingiram em cheio ao rei, o vizir disse: "Estou contente que vossa majestade tenha se dado conta do perigo que o ameaça."
O rei Yunan convocou o sábio até o palácio e inquiriu: “Você sabe por que eu o convoquei?" Duban respondeu: “Majestade, como eu poderia saber?”  Vociferou o rei: "Eu o convoquei justamente para declarar a sua sentença de morte."  Incrédulo, o sábio indagou: "O que eu fiz de errado?" Ao que o rei  respondeu: "Você sabe muito bem! Você é um espião e esta tentando me matar!"
Duban começou a chorar “Ó grande rei, essa é a recompensa pela minha boa ação?"   Yunan disse: “Se eu não te matar, você irá me matar!" Então o carrasco se aproximou e aguardou o comando do rei. Duban caiu de joelhos e implorou:“Tenha piedade! Eu sou inocente!" Mas o rei, estava indiferente a seus apelos. Até mesmo um dos cortesões chegou a pedir que Yunan perdoasse o sábio, mas ele gritou ferozmente: “Você não vê como ele me curou apenas me dando um taco e polo? Ele não poderia me matar apenas me dando uma flor e mandando que eu a cheirasse?" O sábio entendeu que o rei não voltaria atrás, então teve uma última ideia para se salvar.  E disse ao rei: "Eu estou pronto para morrer, mas tenho um último pedido. Deixe-me ir até minha casa e trazer um presente valioso para vossa majestade." Yunan quis saber: "Que presente valioso é esse?" Duban respondeu: “É um livro mágico. Aquele que após a minha morte ler três linhas de sua página esquerda, a minha própria cabeça irá falar com ele e responderá todas as suas perguntas." Yunan concordou e o sábio foi para casa escoltado por um guarda.
"Duban respondeu:“É um livro mágico. Aquele que após a minha morte ler...a minha própria cabeça irá falar com ele e responderá todas as suas perguntas." (Arte de Elizabeth Vidler)
Três dias depois, Duban retornou com o livro e uma pequena vasilha com algum tipo de pó. Ele entregou o livro ao rei e disse: "Após me matar, ponha minha cabeça em uma bacia cheia deste pó e esfregue-a até que o sangramento pare. Então abra o livro e leia as três linhas de sua página esquerda. Pergunte para minha cabeça qualquer coisa que desejar saber."
Yunan olhou para o livro e começou a folheá-lo, mas as páginas pareciam grudadas. Ele molhou o dedo e tentou novamente. Finalmente conseguiu passar cinco páginas, mas elas estavam em branco. Então disse o rei: "Mas estas páginas estão em branco." Ao que o sábio respondeu: "Majestade, tente outra vez."
Yunan molhou novamente o dedo e dessa vez folheou umas dez páginas. Estas páginas também estavam em branco. Furioso, o rei estava a ponto de dizer algo, mas de repente teve uma vertigem, ficou pálido e caiu duro no chão. As páginas do livro estavam envenenadas, e afetaram a língua do rei, enquanto ele molhava o dedo para tentar folheá-lo. E assim ele foi assassinado.
E o povo deste reino passou a dizer: "Se o rei Yunan tivesse decidido poupar o sábio Duban, ele mesmo não teria sido morto."
Moral da história: "o médico que pode curar, também pode envenenar", ou ainda, "nunca morda a mão que te alimenta". Embora possa parecer clichê, a história nos adverte para sermos gratos a quem nos ajuda, ao invés de nos deixarmos levar por suspeitas infundadas. Outras lições que podemos tirar são: que devemos nos esforçar para separar a influência dos outros de nossas opiniões pessoais sempre que enfrentamos uma decisão difícil e, que devemos confiar nos outros, mas ter cuidado para não confiar demais. Em suma, devemos nutrir nosso próprio poder de julgamento e não depender das opiniões alheias.

Adaptado de IRIB 


Pesquisa: perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia 2017



Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia quer conhecer melhor quem são os seus leitores. Com este objetivo criei este questionário e gostaria de convidar a todos que quiserem participar e ajudar a continuar fazendo o melhor conteúdo sobre cultura iraniana em língua portuguesa. 
Preencha quantas questões quiser (não esqueça de descer a barrinha de rolagem até o final e pressionar o botão "submit"), as identidades permanecerão confidenciais. A enquete vai até o dia 31/03 e o resultado será divulgado no dia 02/04/17. Então, vamos lá, é só 2 minutinhos!  


Uma linda história ilustrada do erudito persa Avicena


Salam amigos, nestes tempos de hostilidades aos iranianos, sempre gosto de contrabalançar mostrando como alguns artistas e autores estrangeiros retratam com carinho a cultura persa. E por acaso, me recordei de um post que mostrava um lindo livro ilustrado destinado ao público infantil sobre um dos maiores eruditos da Pérsia, o célebre Ibn Sina, conhecido no ocidente como Avicena. Publicado por uma editora canadense, o livro The Amazing Discoveries of Ibn Sina, foi escrito pela libanesa Fatima Sharafeddine e ilustrado pela iraquiana radicada no Irã Intelaq Mohammed Ali. 

Mas quem foi o Avicena, e por que a história dele foi parar em um livro infantil? 

Avicena (980-1037), foi uma das figuras mais influentes da história nos estudos sobre o corpo humano e em diversas áreas do conhecimento. Ele também é lembrado como um prodígio, que desde muito jovem já era um ávido leitor, tendo memorizado o Alcorão aos dez anos e completado seus estudos em medicina aos dezesseis anos de idade. Escreveu 450 livros sobre física, filosofia, astronomia, matemática, lógica, poesia e medicina, incluindo o famoso Canon da Medicina, que até hoje é considerado uma referência neste campo. Por, fim ele é mais conhecido como o pai da medicina moderna. Seu túmulo se encontra na cidade de Hamadan no Irã. 

Para os apaixonados por histórias infantis e artes gráficas, como eu, estas ilustrações inspiradas nas iluminuras de antigos manuscritos islâmicos são uma delícia para os olhos! 

Capa do livro
Ele nasceu em Bukhara, cidade da antiga Pérsia que fica no atual Uzbequistão
Sua grande paixão era a medicina, e ele completou seus estudos aos dezesseis anos

Seu talento para curar o tornou famoso e influente 

Desvendou os mistérios do corpo humano...

Mas ele queria ir além...
Dedicou-se ao estudo da astronomia...
E escreveu 450 livros em várias áreas do conhecimento 

Sua obra prima, o Cânone de Medicina 

E hoje ele descansa na cidade de Hamadan no Irã

Baseado em:
 Brain Pickings