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Resenha do livro: Lendo Lolita em Teerã



Salam amigos! Esta é a primeira vez que faço uma resenha de livro aqui no blog. Como muitos sabem, sou uma leitora ávida e escrever é minha segunda maior paixão. Recentemente, acabei de ler “Lendo Lolita em Teerã: Uma memória nos livros” (2003), da escritora iraniana Azar Nafisi, publicado no Brasil pela editora A Girafa. Confesso que há muito tempo eu tinha vontade de ler o livro “julgando o somente pela capa”, justamente pelo seu curioso e instigante título, que nos remete imediatamente a leitura do famigerado romance de Vladimir Nabokov, na capital do Irã, em um contexto de extrema censura a obras literárias consideradas impróprias pelo regime islâmico. 

O livro trata de uma história real, uma autobiografia da escritora e professora universitária Azar Nafisi, em uma narrativa não linear nos anos que se sucederam a Revolução Islâmica(1979), a Guerra Irã-Iraque (1979-1989) e uma relativa abertura política em meados dos anos 90, culminando com sua decisão de deixar definitivamente o país com a família em 1997. 

Azar Nafisi
Na verdade, ao contrário do que seu título nos faz pensar, o livro se divide em quatro capítulos onde em cada qual são analisados romances ocidentais cuja leitura foi proibida pelo regime da República Islâmica: Lolita (1955), de Vladimir Nabokov, O Grande Gatsby (1925) de F. Scott Fitzgerald, Daisy Miller (1878) de Henry James e Orgulho e Preconceito (1813) de Jane Austen, entre outras obras dos mesmos autores. Os romances são analisados em diferentes contextos, desde uma sala de aula na universidade de Teerã a uma turma secreta formada por mulheres de diferentes perfis organizada por Nafisi em seu próprio apartamento, depois de sua demissão por razões ideológicas. 

Podemos dizer que além de ser um livro sobre os desafios de ser mulher e intelectual na República Islâmica do Irã, este é também uma série de ensaios elaborada e fascinante sobre aspectos universais da humanidade explorados na literatura ficcional em épocas tão distantes quanto o séc. XIX e primeira metade do séc. XX. Questões como o julgamento moral , direito a escolha e parâmetros da sociedade sobre família, casamento e mulheres são lidas e questionadas sobre o viés da sociedade iraniana representadas pela própria autora, seus alunos, sua família e amigos. 

Nafisi nos assegura que todas as histórias contadas no livro são reais, assim como seus personagens (cuja maioria dos nomes foram trocados por uma questão de segurança). Entre desencontros e reencontros em momentos de grande tensão política, destacam-se as sete ex-alunas Azin, Mahshid, Nassrin, Manna, Mitra, Sanaz, Yassi e um aluno, Nima, de diferentes perfis ideológicos, mas todos apaixonados por literatura que passam a integrar uma turma secreta no apartamento da professora, seu paciente marido Bijan, os filhos carinhosos, a mãe que traz o café para a turma, seu amigo “o mágico”, um homem quase invisível, que é uma espécie de conselheiro, além de outros professores, alunos e amigos que tiveram um papel importante em suas memórias. 

Nos capítulos sobre Gatsby e James, há vários flashbacks onde a autora retorna para os anos pré-revolução e sua vida nos Estados Unidos, onde as expectativas de derrubada do antigo regime eram vistas com otimismo pelos jovens intelectuais. De volta ao Irã, os momentos de grande tensão e medo durante os anos da guerra, já no contexto da revolução, enquanto as bombas explodem em vários locais de Teerã, assassinando vidas e sonhos, nas aulas de literatura inglesa na universidade alunos muçulmanos e seculares travam outra batalha acercade suas convicções morais. Até mesmo Gatsby, o livro, é colocado em um “julgamento” simbólico. 

Nos capítulos sobre Lolita e Austen, as narrativas parecem dividir-se em dois momentos bem nítidos: a vida dos personagens no “mundo real”, fora de suas casas, onde os aiatolás, a polícia moral, a obrigação de as vestimentas islâmicas, a separação entre homens e mulheres nos ambientes sociais e a demonização do ocidente, as alunas e seus históricos de abusos e repressão por parte de parentes homens, e até mesmo prisões; e o “momento da ficção” na aula secreta, que é quando estas mesmas personagens podem mergulhar nos romances, escrever o que pensam sem medo em seus diários, tirar seus véus, comparar-se às personagens dos romances, dar risadas e sobretudo falar de seus desejos mais íntimos. 

Para finalizar, Lendo Lolita em Teerã, não é um livro que te ajudará a gostar mais do Irã, na verdade é um retrato bem cinzento do país, apesar de deixar claro que hoje em dia muitas coisas mudaram e o regime está muito mais liberal na maioria dos aspectos mencionados. Vivendo atualmente nos Estados Unidos com sua família, a autora enfatiza que sair do Irã foi sua única escolha pois estava em jogo sua própria realização como pessoa, mas que essa não deveria ser necessariamente a escolha de suas alunas que a questionaram pelo fato de se sentirem “deixadas”. Apesar de toda a sensação pesarosa que o livro possa nos causar, Nafisi nos presenteia com seu olhar poético sobre a doçura dos momentos compartilhados com as pessoas queridas, a beleza do passar das estações, do pôr-do-sol, das chuvas e das montanhas de Teerã e, sobretudo, suas brilhantes análises sobre os romances que eu mesma nunca li, mas confesso que passei a me interessar. E através deste livro também redescobri o prazer de escrever minhas próprias impressões sobre o que acabei de ler. 

Leitura altamente recomendável para todos os amantes dos livros e da literatura! 

Se você já leu este livro, ou quer me recomendar um, deixe um comentário, eu vou adorar saber a sua opinião e quem sabe em breve, mais resenhas!


Linkagens do mês de Julho: conquistas históricas e despedidas


Salam amigos! A partir de hoje, todo último dia do mês, vamos fazer uma retrospectiva de notícias e fatos marcantes relativos a cultura e personalidades do Irã no Brasil e no mundo!
Com vocês as linkagens do mês de Julho de 2017 no Chá-de-Lima da Pérsia: 

O mês de julho foi marcado por mulheres brilhantes na mídia, e a primeira mulher a ganhar o Nobel de Matemática, foi uma iraniana que nos deixou muito cedo.

E neste mesmo mês, uma mulher conquista um alto cargo na aviação iraniana, pela primeira vez na história do país.


Logo no começo de Julho a Seleção de futebol do Irã garantiu sua vaga para a Copa de 2018 na Rússia, e é a primeira vez na história que participarão de dois mundiais consecutivos.

E no último fim de semana teve a polêmica visita de um líder religioso iraniano ao Brasil, em São Paulo ele participou do encontro "Os muçulmanos e o enfrentamento ao terrorismo e ao radicalismo". 

As linkagens de notícias do Chá-de-Lima da Pérsia voltam no final de agosto...


Cinema Iraniano: "O Espelho"

FILME DO MÊS: Quando a vida cotidiana se torna uma aventura, o cinema iraniano retrata de maneira singular. Uma mistura indistinguível de realidade e ficção, espontaneidade e atuação.


Uma garotinha, com o braço engessado, espera no portão da escola que sua mãe venha buscá-la após o termino da aula. A mãe se atrasa, todas as crianças vão embora e a menina cansada de esperar, decide partir sozinha pela cidade atrás do caminho de casa. Chega até mesmo a pegar um ônibus e, durante a viagem, fica observando as pessoas à sua volta. A partir de seu universo infantil, ela começa a desvendar o complexo mundo dos adultos, vivenciando encontros inesperados e descobertas inusitadas. De maneira dócil e pueril, a câmera acompanha a pequena protagonista e os  personagens que são inseridos em sua jornada. Em O Espelho, o diretor Jafar Panahi (O Círculo e O Balão Branco) prende-se a minuciosidades, não tem pressa em fechar um ciclo nem que precise voltar nele lentamente e inúmeras vezes para concluí-lo.
Um senhor que trava uma batalha incansável para atravessar a rua, uma senhora reclamando da família que não a trata bem, uma mulher lendo a mão de outras mulheres no ônibus. Esses são alguns dos personagens  que vão e voltam até que seus esquetes sejam encerrados. Aliás, no começo do filme a garota parece que será apenas o argumento para que Panahi retrate o cotidiano, abordando temas como o tratamento islâmico exclusivista com as mulheres do seu país. Pegando entre outros exemplos a divisão existente dentro dos ônibus no Irã onde homens e mulheres ficam em espaços separados. Outro aspecto recorrente é o transito caótico que parece "insolucionável" (tema que já abordou em outros filmes), o desrespeito com pedestres, idosos e crianças.

Filme: O Espelho
Irã| Drama | 95 min.| cor
Direção: Jafar Panahi
Título Original: Ayneh 
Título em inglês: The Mirror
Elenco:Mina Mohammad Khani, Kazem Mojdehi, M. Chirzad, R. Mazdeni, T. Samadpur, Naser Omuni

>> Assista o filme completo legendando em português:




Em Setembro: a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia te levam para conhecer o Irã!


Salam amigos! Agora o seu sonho de conhecer as terras da Pérsia está muito mais próximo! Em setembro, a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia te levam para uma maravilhosa jornada de 15 dias pelo Irã! Um roteiro exótico e surpreendente através de um dos países mais exuberantes do planeta! E você ainda pode fazer uma parada na magnífica Istambul e acrescentar mais emoções a sua viagem!
Entre em contato e solicite o roteiro completo e faça já a sua reserva!





4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia: um encontro intercultural de paz, respeito e amizade


Salam amigos! No dia 09/07/17 realizamos o 4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia, que teve como cenário o esplêndido Parque da Cidade Sara Kubitschek, na belíssima capital do nosso país, Brasília! Sendo o quarto evento da história do blog, contando com a participação de brasileiros e iranianos, agitado e co-organizado pela minha querida amiga e apoiadora Karla Mendes, este encontro teve como diferencial o deslocamento de São Paulo, para uma outra cidade do Brasil.

Parque da Cidade, em Brasília, o cenário do nosso encontro

Foi maravilhoso ser recebida pelos amigos de Brasília de maneira tão calorosa além da grande expectativa de todos pelo evento! Teve até amigos se preparando com antecedência e desmarcando compromissos para não perder o Picnic! Mas a maior surpresa, foi o comparecimento em massa das famílias iranianas residentes na capital, fazendo deste o evento mais memorável que já organizamos!

 

 
 
Aqui no blog eu já devo ter dito que o piquenique no parque ou em meio à natureza é uma das tradições da cultura iraniana e quase todo passeio em família ou amigos se encerra com uma toalha forrada na grama, repleta de comidas salgadas, doces, frutas, chás e outras gostosuras. Então, a despedida de meu passeio cultural por Brasília não poderia ter sido em melhor estilo!


 

O domingo foi ensolarado e agradável! Nos encontramos às 10h30 no Estacionamento 10 do Parque, e nos instalamos na beira do lago onde a água brilhante, a brisa fresca, a sombra das árvores e o canto das aves aquáticas saudaram nosso evento com uma atmosfera de beleza e paz! Conforme os amigos chegavam, o espaço de nossas três toalhas sob o gramado ficou pequeno, mas as famílias iranianas, com sua prática tradicional trouxeram grandes esteiras onde todos puderam se acomodar agradavelmente. Para agradecer a presença de todos, Karla e eu presenteamos nossos convidados com chocolates e o símbolo do botteh (árvore do cipreste) que na cultura persa simboliza a vida longa e a eternidade, expressando o desejo de que nossa amizade também viva para sempre!


Entre tantas coisas boas, não poderíamos deixar de falar das famosas receitas iranianas que abrilhantaram o evento e surpreenderam o paladar dos amigos brasileiros, dos quais muitos tiveram a oportunidade de saborear pela primeira vez. Vejam só o luxo que foi o cardápio do nosso evento: 

Zereshk Polo: receita clássica persa, uma maravilhosa combinação de arroz com açafrão e zereshk (ou berbéris, frutinha vermelha típica do Irã), acompanhado de frango  
Mast-o Khyar: uma entrada refrescante de iogurte com pepino picado e hortelã, servido com pão
Kuku Sabzi: para alegria dos vegetarianos, espécie de omelete feito com uma combinação de verduras e ervas
Supe-shir: é uma divina sopa cremosa de leite e caldo de frango com pedacinhos de cenoura
Baghali Polo: o fantástico arroz com ervas e favas, com tahdig (raspa de arroz) e frango cozido.
Também fizeram parte do banquete, guloseimas doces como o khagineh típico do norte do Irã, gaz (espécie de torrone iraniano com pistaches), pulaki (biscoitos caramelizados de gergelim); além de frutas, mix de pastas, diversos tipos de bolos, biscoitos, sucos e outras gostosuras trazidos pelos amigos brasileiros e iranianos.
E é claro que não poderia faltar, o legítimo chá iraniano!

Zereshk polo
Sup-e shir
Baghali polo
Khagineh (doce típico do norte do Irã)
Chá iraniano (chai)
Em vários momentos do evento, parecíamos estar realmente no Irã, pois seguindo fielmente sua tradição, alguns dos nossos amigos iranianos, trouxeram a comida em panelas e serviram em pratos e copos de vidro e talheres de metal. Utilizamos os descartáveis apenas porque a quantidade de pessoas é maior do que normalmente é feito apenas para uma família ou pequeno grupo de amigos em um piquenique iraniano tradicional. Teve até um fogareiro improvisado para aquecer o chá! A cada encontro, nossos amigos iranianos não cansam de nos surpreender!

  

 A seguir, veja os depoimentos de nossos amigos de Brasília, sobre este maravilhoso evento: 

"Realizada! É assim que posso definir o meu sentimento sobre o 4o Pic-nic dos Amigos da Pérsia! Como sempre, costumo dar a sugestão de onde e quando acontecerá o próximo pic-nic... Mas dessa vez o sentimento que me envolveu em toda a organização foi muito maior! Talvez por ter acontecido aqui em Brasília, onde moro, talvez por terem tantas pessoas queridas e próximas presentes... talvez pelo recorde de participantes... Quem sabe? Mas o fato é que dessa vez, eu realmente me senti num pic-nic iraniano! Até com a chaleirinha num fogo improvisado... Brincadeiras iranianas... Conversas... Trocas de informações... Interação entre as culturas: brasileira e iraniana! Enfim, foi um sonho que eu vivi... em que eu me senti muito feliz!! Agradeço a cada um por terem aceitado o convite e terem prestigiado este evento, o qual entrego o meu coração, com suas ilustres presenças!! Kheili mamnoon!! Khoshhalam!!"

Karla Mendes 
“Na minha opinião este picnic mostra que pessoas de qualquer língua, de qualquer religião e qualquer cultura podem estar juntas, aproveitando os melhores momentos da vida, conversando e entendendo um ao outro. Ao mesmo tempo em que temos muitas diferenças, também temos muitas semelhanças, porque somos todos humanos. A linguagem do coração é a mesma e aqueles que tem bom coração podem se compreender facilmente."

Maryam Saberi
"Este picnic foi uma grande alegria. Foi um grande dia, espero que se repita."

Mahdi Kheirabadi
 "Hoje em dia, em um mundo em que seres humanos, principalmente muçulmanos estão sendo mortos todos os dias no Oriente Médio e outras partes, sob o pretexto de Democracia e Direitos Humanos, atividades multiculturais como o "Picnic Iraniano" ajudam de forma definitiva a aumentar o entendimento, a tolerância religiosa e a promover a convivência multicultural e, com sorte, fazer do mundo um lugar melhor para viver, crescer e prosperar."

Hamid Soltan Saleki

"A amizade é como uma flor preciosa pronta para desabrochar a cada hora. Pode parar de crescer ou continuar fluindo, mas você ainda a terá para sempre
Viva a amizade!"


Moosa Rahbar Noodehi

 “A experiência de participar do 4º Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia foi revigorante. Primeiramente, eu não esperava que tanta gente fosse aparecer (ainda mais tantas famílias iranianas). No fim, tudo foi um show de fartura, comidas deliciosas, companhias extremamente agradáveis e muita diversão. Cheguei às 11:00 e só fui embora às 18:00, quando ainda haviam várias pessoas lá conversando e jogando bola. Foi um momento que vou guardar na memória e que espero que se repita logo!”
Khayria Djanine

“Participar do o 4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia foi uma das experiências mais interessantes que passei neste ano. A confraternização entre brasileiros e iranianos não deixou a desejar: comi de vários pratos do Irã, que são saborosíssimos; formei amizades com pessoas de ambas as nacionalidades e até joguei a queimada deles! Foi divertido do início até a minha partida – aparentemente, os iranianos gostam de ter picnics muito longos para o costume de nós, brasileiros. Agora eu só posso esperar que um dia haja a oportunidade de esse evento ocorrer em Brasília de novo. Se isso um dia acontecer, com absoluta certeza marcarei presença! Obrigada Janaina por organizar esse fabuloso encontro!”
Ana Carolina Leite

"Eu acompanho seu blog já há algum tempo e o picnic foi um evento muito aguardado por muitos amigos da Pérsia, aqui em Brasília! E foi super delicioso!!! Me motivou a estudar mais sobre a cultura do Irã, aprender sua língua e viajar pra conhecer esse lugar que deixou muitos legados para a humanidade!!! Ter contato com iranianos me fez confirmar a gentileza e amabilidade deles! As comidinhas estavam deliciosas!!! Com certeza precisamos marcar mais eventos assim pra divulgar mais sobre essa cultura tão bonita e rica em história e significados!! Foi um prazer imenso finalmente conhecer vc, uma pessoa encantadora e com energia tão boa, azizam!!!" 
Rafaela Condori 
 A melhor parte deste encontro, foi sem dúvida, a interação entre brasileiros e iranianos, de diferentes gêneros, idades, crenças e formações, onde pudemos compartilhar e aprender mutuamente sobre nossas culturas em um clima de respeito e amizade. Infelizmente, eu tive que deixar o grupo antes do término do encontro, pois meu voo para São Paulo, saiu por volta das 18h. Mesmo depois de minha despedida, os amigos da Pérsia continuaram se divertindo no parque até o final da tarde. Teve até um jogo de queimada em estilo iraniano onde participaram juntos adultos e crianças!

 

Muitíssimo obrigada a todos os amigos brasileiros e iranianos que estiveram presentes e contribuíram para fazer do o 4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia um evento inesquecível! E a todos que gostariam de participar mas por algum motivo não puderam, esperamos que em breve haja muitas oportunidades para estarmos juntos e celebrar a paz e amizade entre os povos!

Um grande abraço a todos e até o próximo evento! 

So many thanks to all Brazilian and Iranian friends who were present and contributed to make the 4th Friends of Persia's Iranian Picnic an unforgettable event! And to all who would like to participate but for some reason could not, we hope that soon there will be many opportunities to be together and celebrate the peace and friendship between peoples!

Warm regards and see you in the next event! 


Em julho: participe do 4° Piquenique Iraniano dos Amigos da Pérsia em Brasília!



Salam amigos! Cada vez mais o blog, a fanpage e os grupos do Facebook do Chá-de-Lima da Pérsia atraem um público de apaixonados pela cultura do Irã em todo o Brasil. E é com alegria que em julho, convidamos a todos para um novo encontro de confraternização entre brasileiros e iranianos no Parque da Cidade, em Brasília! 
Venha participar do 4º Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia, traga seus amigos e familiares  e celebre um momento agradável em meio à natureza, com comida deliciosa, boas conversas e sobretudo, nossa paixão em comum pelo Irã e sua cultura! 

4º PICNIC IRANIANO DOS AMIGOS DA PÉRSIA 
Local: Parque da Cidade D. Sara Kubitschek (Eixo Monumental Sul, S/N, Brasília/DF) 
Quando:  09/07/17 (domingo), às 10h30  
Ponto de encontro: Estacionamento 10  
 IMPORTANTE: cada participante deve levar uma contribuição de prato doce ou salgado, frutas, bebidas ou descartáveis de acordo com a lista que disponibilizaremos no evento do Facebook ou de acordo com suas possibilidades.  
Confirme sua presença no evento do Facebook ou pela nossa página de Contato


Guest post: "Irã, o país da querideza!!!!"

Salam amigos! O Chá-de-Lima da Pérsia também abre espaço para você compartilhar o seu relato de viagem ao Irã. E hoje trago para vocês, um guest post que está demais! Vamos viajar na divertida e deliciosa narrativa da nossa amiga da Pérsia Gabriela Capeletto que deixou de lado qualquer ideia negativa e foi conhecer o Irã sozinha, em plena época do Nowruz. Sua experiência cativante com certeza vai inspirar muitos a descobrir as maravilhas deste país!


Por Gabriela Capeletto
Sou Gabriela, servidora pública, curitibana morando em Brasília. Estive no Irã durante o Nowruz desse ano (março/abril) e fiquei duas semanas por lá.
A ideia de visitar o Irã surgiu depois de ver fotos de uma colega que foi. Eu amo tudo o que é exótico e nunca antes tinha me interessado pelo país, mas bastou ver aquelas fotos pra plantar uma sementinha na minha cabeça que cresceu, cresceu, cresceu...e floresceu!
Logo que a ideia surgiu comecei a pesquisar sobre o país. Tudo o que lia falava sobre um lugar seguro, um povo hospitaleiro, e as mil coisas lindas que havia pra ver. Convidei basicamente todas as pessoas viajadoras que conhecia para se juntarem a mim. Cada uma deu uma desculpa. Resultado: acabei indo sozinha (e adivinha só? FOI MARAAAAA!).
Mas aí começou: “Irã? Você é louca? Vai fazer o que lá? Sozinha ainda???? Guria, que perigo!!! Não tem medo?? Vai ter que usar burca?? Olha, pense bem, acho que você não devia ir....bla...bla....”
Eu sempre digo que não saber algo não é necessariamente um problema, mas permanecer na ignorância e até se orgulhar dela é feio demais. Eu mesma não tinha muita informação sobre o país quando tudo começou, mas pô, eu não acordei um belo dia e resolvi ir pro Irã. Entre começar a pesquisar e emitir a passagem foram +ou- 6 meses. Sim, 6 meses lendo tudo o que podia, conversando com quem já tinha ido, frequentando fóruns....mas não, tinha gente que batia o pé e dizia que eu era doida e que seria sequestrada lá e vendida como esposa pra algum árabe. Aham...
(Fim do desabafo)

Muito bem, emiti a passagem. Contrariando várias recomendações, viajei exatamente durante o Nowruz, o ano novo persa. Apesar dos pontos negativos, como preços mais altos e superlotação em lugares turísticos, não me arrependo, e mais à frente explicarei o porquê.
Se você for em qualquer outra época, não precisa se preocupar em reservar as coisas com antecedência. É fácil conseguir passagens e hospedagens comprando/reservando no último minuto, depois de já estar lá. Essa regra só não vale para o Nowruz, e aí minha vida foi dificultada porque há pouca informação de hospedagens online (melhor site que achei foi o TripAdvisor), e não dava pra reservar as passagens estando no Brasil. O pânico estava prestes a se instalar, até que contei a algumas amigas que ia pra lá de férias. Uma amiga que mora em NYC disse que tinha um amigo iraniano muito querido que poderia me ajudar, e nos colocou em contato. Essa pessoa, o Ahad, em pouco tempo passou da categoria de “amigo da minha amiga” para “meu amigo bff” me ajudou com tudo: montou o roteiro comigo, comprou minhas passagens internas, me deu um chip com internet, VPN para o celular (não dava pra ficar sem Facebook, né!!), um cartão de crédito iraniano pra usar ao longo da viagem (isso mesmo, você leu certo), e o melhor: pediu a amigos deles que me hospedassem nas cidades pelas quais eu ia passar. E assim se foram 2 semanas, 6 cidades, 1 único hotel, e muitos amigos novos que falam comigo toda semana até hoje!!! Já dá pra ver que amei tudo, né?

Meu roteiro foi: Mashhad, Shiraz, Yazd, Esfahan, Kashan, Deserto de Maranjab, Teerã.
Mashhad foi a primeira parada, fiquei por lá 2 dias, na casa dos pais do Ahad. O que tem de essencial pra ver lá é a Imam Reza Holy Shrine, local lindíssimo e sagrado para os muçulmanos xiitas. Por sorte fiz a visita acompanhada da prima do Ahad, porque lá só se entra de Chador ou com uns vestidos árabes longos + hijab. Se nos primeiros dias já não é muito fácil usar hijab, Chador então é uma tristeza! Aliás, minha performance com o Chador foi altamente patética, voltei sem saber usar rsrsrs...e nesse dia a prima dele me emprestou um desses vestidos, o que foi a minha benção! 
Dica: Meias são obrigatórias nas mesquitas, leve várias na mala! 

Amanhecer na Holy Shrine
A segunda parada foi em Shiraz, onde fui hospedada pela querida Najme e sua família. Já tinha falado com ela pelo whatsapp antes de ir, sabia que morava com o marido e o filhinho, mas acabei conhecendo quase toda a família dela. A essa altura eu já tinha entendido que os presentinhos que levei seriam poucos, pois eu sempre ia conhecer muito mais gente do que imaginava. E não se engane: iranianos não só são hospitaleiros como têm um interesse genuíno em seus hóspedes! Perguntavam tudo sobre o Brasil, queriam fotos da minha família, questionavam por que eles não quiseram ir também....são uns lindos!!!!

E aqui veio a vantagem de ter ido no Nowruz: como ninguém trabalha no feriado, as pessoas estavam disponíveis para fazer turismo comigo! Não sei avaliar o transporte público do Irã pois não precisei dele. Tive guias locais à disposição quase o tempo todo. Comprei um pau de selfie que não saiu da mala, e não senti a menor falta dele. Iranianos amam fotos, tiram infinitas.

Em Shiraz visitei muita coisa: Tumba do Saadi, tumba do Hafez, Qavam House, Narajestan e-Ghavam, bazar.... nem lembro os nomes! Os pontos altos da cidade foram a maravilhosa Nasir-ol-Molk Mosque (pink mosque) e a vila de Ghalat. Aliás, Ghalat foi uma grata surpresa! Não tinha lido nada sobre o lugar, então foi um presentão conhecer! É o tipo de coisa que só se faz com locais.  
Esses vitrais são muito lindos! 

Ghalat =) 
Depois de Shiraz fui para Yazd, mas parei em Persépolis e Pasárgada no caminho.
(Persépolis) Lotado por conta do Nowruz
Chegamos à minha cidade preferida: Yazd!!!!
Aqui a farra foi geral. Eu ia me hospedar na casa da Somaye, irmã de um amigo do Ahad. Quem me buscou quando cheguei lá foi o irmão dela, Hamid. Chegando na casa deles, me desesperei: ninguém falava inglês. Ninguém. O desespero me consumiu por uns bons minutos. Tive medo de incomodar, de atrapalhar a rotina da família, de aproveitar mal o meu tempo e ficar mal acomodada. Porém, como seria muito grosseiro da minha parte ir embora, fui relaxando aos poucos e fiquei. Ainda bem!! Ficar com aquele povo todo foi SENSACIONAL!!! A Somy chamou uma amiga pra nos acompanhar por todos os lados, a Samaneh, e recorreu à ajuda da Setire (que morava em Teerã e falava um inglês melhor) pra nos comunicarmos. Pra encurtar: conheci umas 30 pessoas em Yazd, ficávamos em uns 12 na casa, fumando narguilé, dançando música persa, e nos entendendo com Google tradutor e mímica. Sozinha eu dificilmente teria encontrado os lugares onde eles me levaram (que foram só os melhores, cumpre anotar). Aqui ficou uma lição: abra o coração e não tenha frescura que tudo se ajeita! 
O que eu visitei: centro histórico de Yazd (cidade milenar, parece um filme, deliciosa pra se perder por um tempo), principais mesquitas, Chak-Chak, Meybod. 
Amir Chakhmaq 
Com a Somaye em Chak-Chak.... minha host querida que mesmo sem falar inglês me fez sentir tão em casa! 

Meybod 
Depois de Yazd, segui para Esfahan, onde fui hospedada pela Sra. Noorouzi, mãe de uma amiga do Ahad. A amiga dele esteve na Índia, então ficamos só nós duas na casa. Ela também não falava uma mísera palavra de inglês, mas mais uma vez isso foi contornável. Para ajudar, outro amigo, o Hadi, me acompanhou nos passeios durante o primeiro dia, e facilitou a comunicação com minha host. Ela parecia uma mamma italiana, sempre preocupada em fazer comida pra mim (e me dava muito mais do que eu aguentava comer). 
Em Esfahan eu visitei o Sofeh Park, a Catedral de Vank (recomendo muito!) e a lindíssima praça Naqsh-e Jahan com todas as suas mesquitas, bazar e palácio. 
Dica: em Esfahan, prove o Beriany, comida típica local. É uma delícia! 
Sou apaixonada por esses tons de azul e tetos cheios de detalhes 

A Praça!!! 
Parti de Esfahan rumo à Kashan, com uma parada em Abyaneh antes. Confesso que, como fui à Ghalat, Abyaneh não me impressionou tanto, mas mesmo assim vale a pena.  

Lá é tudo vermelho assim! 
Em Kashan conheci meu único hotel, uma traditional guest house iraniana. Foi uma ótima experiência me hospedar num lugar assim! A área comum da casa era um encanto! Mais uma vez, surpresas boas me aguardavam...

Visitei o Fin Garden, as Casas tradicionais que funcionam como espécies de museus (ou como cenário de filmes, de tão lindas), mesquitas. Kashan é histórica, antiquíssima, cheia de vielas com muros altos pelas quais é fácil se perder (e eu me perdi de verdade).
Lá pelas tantas parei pra comer. Dois casais entraram no restaurante e me abordaram falando em persa, mas logo viram que eu era estrangeira. Olhares trocados, fisionomias gravadas. Eis que mais tarde encontro os 4 na área comum do hotel! E aí já viu, né....não desgrudaram de mim, todo mundo virou amigo de infância! Eles eram da região de Tabriz, insistiram muito para que fosse visita-los (e obviamente me hospedar na casa deles), me encheram de mimos: ganhei doces, pistaches, chá, pulseiras das meninas e até um livro lindíssimo do Hafez, poeta mais famoso do Irã. Por sorte eu tinha uns batons na bolsa com os quais pude presentear minhas queridas Dellaram e Faranak, mas foi só isso também, porque no mais minha mala era pura roupa suja =P 


Área comum da Noghli house, onde me hospedei 
Em seguida, parti para o deserto de Maranjab, onde dormi num Caravanserai e vi o nascer do sol no outro dia. Confesso que a noite foi ruim, porque tinha um povo mal educado fazendo MUITO barulho perto da minha tenda, mas estava tão frio que não tive coragem de levantar pra pedir que parassem. Pelo menos o nascer do sol foi incrível, e adorei andar pelas dunas e provocar os camelos, então acabou compensando. 
Ops, o hijab voou! Hehehe 
O Caravanserai....a lua tava demais! 
What’s up, bro? :D 
Por fim, cheguei em Teerã, onde fiquei na casa do Ahad e do Saeed. A cidade me lembrou São Paulo, mas por ser feriado tinha menos trânsito que o normal (Graças a Deus, porque o trânsito iraniano é um terror). O ruim é que muitos locais estavam fechados. Acabei não fazendo tudo o que queria, mas ainda assim vi alguns museus, parques, fiz compras (como fui de mochila, deixei pra comprar quase tudo no final e não precisar carregar peso) e conheci mais um monte de gente legal. E aí comecei o processo de retorno pra casa!
Prepare o bolso se quiser trazer artesanato e tapetes 
O que posso dizer dessa viagem é que tudo me surpreendeu. Você vai ler mil vezes que o povo lá é hospitaleiro, mas só vai entender o quanto isso é sério quando chegar lá e começar a ser cuidada por eles. Brasileiros são amados no mundo todo, e lá também. Sobre ser mulher, ocidental e estar sozinha, só posso dizer uma coisa: esqueça todas as bobagens que já ouviu por isso e vá sem medo! Senti zero preconceito, andei sozinha, ajoelhei no meio da igreja cercada de muçulmanos sem nenhum problema. Além do mais, brasileiras têm um lado safo que nos afasta de perigos maiores.

Pra não dizer que tudo são flores, penso nas poucas coisas que não gostei: falta de internet boa, trânsito maluco e os banheiros iranianos. Esses últimos são de lascar...tenha sempre lencinhos na bolsa!

Dicas finais: leve presentinhos para as pessoas - doces, maquiagens (iranianas são vaidosíssimas), qualquer coisa. Prove todas as comidas (pouca coisa é ruim). Divirta-se com o hijab! Ele certamente é chato para as locais, mas pra uma turista ele é parte da folia e deixa tudo ainda mais divertido. Se ficar insegura, leve grampos pra fixá-lo (eu usei nos primeiros dias). Tome o máximo de cuidado com o Taroof, mas também não o deixe impedir de curtir. E acima de tudo, vá de coração aberto! Se te convidarem pra um chá, aceite. Se puder se hospedar com locais, hospede-se. Assuma uma postura amigável, sorria, tenha paciência e se jogue. O Irã é um lugar surpreendente e cheio de amor a oferecer! E claro, leia tudo aqui no blog da Janaína, ela é expert em Irã e vai te ajudar demais!

PS: nem preciso dizer que depois que comecei a postar as fotos foi uma choradeira e um arrependimento geral da turma que foi convidada e não quis ir né?! Hehehe....

Aí deve ter uns 30% das pessoas que conheci – amigos/anjos da guarda queridos do Irã!
Agradecimentos à linda Gabriela, por compartilhar gentilmente seu maravilhoso relato e belíssimas fotos. E se você também gostaria de enviar o seu relato de viagem ou de amizade Brasil-Irã, é só entrar em contato comigo!