HOME SOBRE DIÁRIO DE VIAGEM LÍNGUA PERSA SEU GUIA FAQ CONTATO LOJINHA

A lenda de Arash, "o Arqueiro "

Escultura de Arash Kamangir, no palácio  Saadabad em Teerã
Salam amigos! Hoje vamos conhecer a lenda de Arash Kamangir, ou Arash “o Arqueiro”, um grande herói da mitologia persa que para os iranianos é o símbolo do sacrifício e coragem. O nome Arash é muito popular entre os iranianos (incluindo um cantor famoso) e significa "luminoso" ou "brilhante". O festival de Tirgan (solstício de verão) celebra a vida deste herói e sua história é contada no Shahnameh de Ferdowsi, e em muitas outras fontes da literatura iraniana. 

Resumidamente, a história de Arash é assim contada pela tradição popular:

Quando a longa e sangrenta guerra entre os reinos do Irã e Turan pela “glória real” (khwarrah) chegou ao fim, o General Afrasiab foi cercado pelas forças do justo Manuchehr, e os dois lados concordaram em selar a paz. Ambos chegaram a um acordo em que a terra à distância de um tiro de arco seria devolvida a Manuchehr e aos iranianos, e o restante para Afrasiab e os turanianos. Um anjo (segundo al-Biruni o Amesha Spenta Armaiti, chamado no persa médio de Spendarmad) instruiu Manuchehr a construir um arco e flecha especiais e Arash (segundo o Avesta “aquele que tinha a flecha mais rápida entre os arianos”), foi o escolhido para realizar a tarefa de atirá-la.

Arash, o melhor arqueiro do exército persa foi escolhido para demarcar a fronteira do Irã
Na brilhante manhã de Tirgan, o primeiro mês do verão (julho), Arash escalou o Monte Damavand e despindo-se disse: “Ora! Meu corpo está livre de qualquer ferida ou doença; mas depois de atirar esta flecha eu serei completamente destruído”. Assim, ele mirou em direção as terras de Turan, e com toda sua força esticou o arco. Deus comandou o vento e sustentou a flecha durante toda a manhã até as distâncias mais remotas de Khorasan onde esta caiu ao meio-dia, há 2250 quilômetros da margem do Rio Oxus que agora está na Ásia Central. Deste modo a fronteira entre os iranianos e turanianos estava estabelecida e permaneceu durante séculos até a invasão dos mongóis no séc. X.
Quando Arash disparou seu arco, seu corpo partiu-se em mil pedaços e ele morreu. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Ainda há histórias de viajantes que se perderam nas montanhas que dizem que ouviram a voz de Arash, e assim encontraram seu caminho de volta e salvaram suas vidas.



Do alto do Monte Damavand, Arash dispara a flecha em direção as terras de Turan

Diferentes versões da lenda

A lenda de Arash é contada com maior riqueza de detalhes somente nas fontes do período islâmico, embora estas contenham muitas variações entre si.
Segundo Talebi e Bal’ami, após atirar a flecha, Arash é destruído pela força de seu tiro e desaparece. Segundo al-Tabari, após o feito ele é nomeado como comandante dos arqueiros e vive o resto de sua vida com grande honra. A distância da flecha também varia: segundo um autor, é de mil léguas (farsakhs), segundo outro ator é de quarenta dias de caminhada. Com relação ao tempo, para alguns autores a flecha viajou do amanhecer até o meio-dia, do amanhecer até o pôr-do-sol ou até mesmo 2 dias e 2 noites!
A flecha de Arash viajou do nascer do sol ao meio-dia...


A localização de onde Arash atirou sua flecha também varia. No Avesta (que não menciona locais do Irã ocidental), o ponto é o Airyo khshaotha, uma localidade não mais conhecida. Fontes da Era Islâmica tipicamente identificam o local em algum lugar ao sul do Mar Cáspio, sendo às vezes no Tabaristan, no topo de uma montanha em Ruyan , na Fortaleza de Amol, no Monte Damavand ou em Sari. O lugar onde a flecha caiu também é identificado como o Monte Khvanvant, no Avesta (localização também desconhecida); um rio em Balkh; a leste de Balkh nas margens do Rio Oxus ou em Merv. De acordo com al-Biruni, ela caiu em uma nogueira entre “Fargana and Tabaristan nos confins de Khorasan.” Outros registros se desviam dessa antigas tradições, provavelmente devido a influência das flutuações na compreensão de onde a fronteira oriental do Irã se situa atualmente. 

De acordo com o tratado em persa médio Mah i Fravardin, este evento ocorreu no 6º dia do 1º mês (Fravardin); porém outras fontes mais tardias associam o evento com o nome das festividades Tirgan em 13 de Tir (aproximadamente 3 ou 4 de Julho) “provavelmente” devido à semelhança do nome do Yazata Tir (cujo significado é “flecha"). Atualmente os iranianos celebram a data com guerra de água, danças, recitação de poesias e comidas típicas como sopa de espinafre e sholezard. Também há um costume entre as crianças de amarrar uma fita colorida em um apito que é tocado durante 10 dias e depois jogado fora em água corrente.


E você também se interessa pela mitologia persa? Deixe um comentário!


5 Segredos de beleza das mulheres iranianas

Ilustração: Rashin Kheirieh
Salam amigos! A beleza das mulheres iranianas é bem conhecida ao redor do mundo, apesar de serem obrigadas a manter a maior parte de seu corpo coberta, devido a lei islâmica, elas dão muita importância a tratamentos estéticos e a forma física, sem falar da obsessão atual por cirurgias plásticas. Pele perfeita, olhos expressivos e visual impecável são algumas das características marcantes destas mulheres. E qual é o segredo da beleza das iranianas? No post de hoje vamos revelar alguns dos hábitos de beleza iraniana que você também pode adotar!

1- Maquiagem para realçar os olhos 


As iranianas já possuem naturalmente rostos bonitos e olhos muito expressivos. E elas sabem realçar ainda mais esses atributos através da maquiagem. Uma vez que o rosto é uma das únicas partes do corpo que ficam à mostra, elas procuram torna-lo o mais atraente possível. O segredo delas é aplicar uma camada de base corretiva na região dos olhos, antes da sombra e do delineador. O kohl, que necessita um pouco mais de treino para aplicação é um dos produtos mais utilizados e traz um efeito muito atraente para o olhar. 


2- Depilação facial com linha 


As sobrancelhas das mulheres iranianas às vezes são muito grossas, ou até mesmo monocelhas. Por isso elas utilizam um método tradicional de depilação com linha chamado bande abru. Este método que também é utilizado para depilar as outras partes da face, remove o folículo do pelo e o resultado é impecável, mas deve ser feito por alguém com muita prática. Outro segredinho das iranianas para manter as sobrancelhas sempre arrumadas é penteá-las com uma escova de dentes, muitas fazem isso como um ritual várias vezes ao dia. 


3 – Uso da água-de-rosas como cosmético


As mulheres iranianas têm o hábito de utilizar a água-de-rosas na pele. Ela contém óleo de rosa e vitaminas A e E, ingredientes que ajudam a nutrir e suavizar a pele. Além de limpar, hidratar e perfumar, as propriedades anti-inflamatórias da água-de-rosas também ajudam a prevenir problemas de pele como acne e espinhas. É por isso que as iranianas têm uma pele sempre saudável e bonita. 

4 – Luva para esfoliação


Um dos segredos das iranianas para uma pele sempre bonita também é a esfoliação suave com o kiseh (luva para esfoliação) durante o banho. Junto com o kiseh, as iranianas também usam o sefitab, um esfoliante feito de minerais e gordura animal. A esfoliação remove as células mortas, ajudando a pele a respirar melhor e eliminar toxinas, deixando-a com uma aparência saudável e sedosa, além de ser muito energizante. 


5- Uso de óleos corporais 


O hábito de passar óleo no bebê que muitos de nós não dá mais importância na vida adulta é um dos hábitos de beleza das mulheres iranianas. Para ter uma pele radiante, as iranianas fazem o uso de bons óleos corporais. O seu uso ajuda a manter a pele fresca e hidratada, prevenindo o ressecamento e descamação. Além disso, seu uso regular ajuda a retardar o envelhecimento da pele. 

E você, utiliza alguns destes ou outros hábitos de beleza iranianos? Compartilhe sua dica com a gente deixando um comentário! 



Em 2018: Viaje para o Irã com a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia!

Quer viajar para o Irã? Em 2018 a Azizam Tour e Chá De Lima da Pérsia vão levar você!!





Preencha o formulário abaixo para receber informativos sobre novos grupos.


Ghalamkari: arte tradicional de estampagem em tecidos


Salam amigos! Hoje vamos falar do Ghalamkari, a arte tradicional iraniana de estampar em tecidos utilizando blocos de madeira entalhada. O termo ghalamkari deriva das palavras persas ghalam (caneta) e kari (trabalho), cujo significado pode ser traduzido como “desenho a caneta”. Esta técnica também é conhecida na Índia como Kalamkari. Ao tecido produzido com esta técnica é dado o nome de Ghalamkar.

A cidade de Isfahan é um dos mais importantes centros deste tipo de estampagem no mundo. Sua origem provavelmente remonta à era Safávida (séc. XVI). Os desenhos característicos da arte do Ghalamkari refletem os gostos e tendências desta época da história do Irã e eram utilizadas desde o vestuário até a decoração doméstica como cortinas, forros de mesa e painéis decorativos de tecido, geralmente pintados à mão. Os reis persas presenteavam os imperadores e dirigentes de outros países com tecidos Ghalamkar como prova de amizade e da mais alta consideração.

Oficina de Ghalamkari em Isfahan 
Até o final da era Qajar, todas estas peças decorativas eram pintadas à mão. Há cerca de 250 anos, com a necessidade de baratear o processo e produzir em maior escala, foram introduzidos os blocos para estampagem. Os primeiros blocos de impressão eram feitos de argila, depois passaram a ser de pedra e por fim de madeira de pereira, que é o material usado até hoje. Com o passar do tempo, o número de desenhistas dos tecidos Ghalamkar diminuiu e a variedade de padrões se limitou, mas graças à invenção dos blocos de impressão, os desenhos simples, significativos e belos continuam preservados e dando continuidade a esta arte milenar.

Os padrões das estampas são extremamente variados: geométricos, arabescos, florais e animais. Motivos figurativos pré-islâmicos como as gravuras de Persépolis, cenas de caça, jogo de polo e inscrições de poemas também são comuns. As cores principais são vermelho, azul, preto e amarelo. Uma toalha simples de 2 x1,40m (equivalente a uma mesa de seis lugares) recebe cerca de 580 estampas, já uma mais elegante pode chegar a 4000 estampas. Quanto maior o número de estampagens, mais valiosa a peça.

O processo de estampagem é feito com blocos de madeira entalhada 
Como são feitos os tecidos Ghalamkar:

As estampas são feitas utilizando blocos de madeira entalhados. Estes blocos de estampar geralmente são feitos de madeira de pereira que é considerada a mais durável e maleável para o entalhe. Com o bloco cortado no tamanho ideal, o desenho é feito à caneta e então entalhado com goivas e formões. A matriz é pressionada na tinta que tradicionalmente é feita à base de pigmentos minerais. O artesão bate a matriz no tecido com as próprias mãos, repetidas vezes até formar um padrão das bordas para o centro. Sempre aplica primeiro a cor preta, em seguida as demais cores. O trabalho é dividido entre vários artesãos, cada um trabalha com uma cor, utilizando uma matriz diferente.

Finalizada a estampagem, o tecido fica exposto ao sol e é fervido por uma hora para fixar os corantes. Ao mesmo tempo são adicionados os corantes naturais (rúbia e casca de romã) que dão o tom róseo do fundo do tecido. Em seguida, o tecido é lavado em um grande tanque. Após esta etapa, várias peças de tecido estampadas são colocadas em grandes tinas de cobre contendo um liquido estabilizador e fervidas novamente. Por fim, as peças recebem a lavagem final nas águas do rio Zayandeh, e são colocadas para secar nas suas margens.


>> Veja neste vídeo como é produzido o Ghalamkari





Descendentes de escravos no Irã: uma história desconhecida

Crianças afro-iranianas (foto: Behnaz Mirzai)
Salam amigos! Um artigo publicado originalmente no site Middle East Eye, revela uma faceta pouco conhecida da formação do povo iraniano. Embora sejam uma das minorias étnicas, há uma presença expressiva de afrodescendentes especialmente no sul do país. Aqui no blog, já mostramos o trabalho do fotógrafo Mahdi Ehsaei revelando sob um viés artístico os povos afro-iranianos, e hoje vamos conhecer o trabalho de uma pesquisadora que investiga história dos descendentes de escravos no Irã. 
A historiadora iraniana radicada canadense Behnaz Mirzai é uma grande especialista sobre a diáspora africana no Irã. Tendo iniciado sua pesquisa há mais de 20 anos, ela afirma que este ainda é um tópico pouco conhecido dentro de seu país de origem: “Durante todo o tempo que morei no Irã, nunca ouvi falar sobre a escravidão no Irã.”
A historiadora Behnaz Mirzai, que há 20 anos pesquisa a diáspora africana no Irã
(foto: MidleEastEye)
Mestra em história iraniana e islâmica, pela Universidade Azad de Teerã, Mirzai se mudou para o Canadá em 1997, quando encontrou o professor Paul Lovejoy, na Universidade de Toronto que a incentivou a enveredar sua pesquisa sobre este tema. E após contatar seus antigos professores no Irã, ela descobriu que realmente o país teve uma história de escravidão africana, e ainda existem arquivos com documentos provando o fato. “A escravidão não estava integrada na história do Irã... em termos de conhecimento das pessoas comuns ou mesmo entre acadêmicos ele era muito limitado, ou naquela época era zero,” diz a historiadora. “Não havia artigos nem livros escritos; era algo muito novo”.
O comércio entre o moderno Irã e os países da África remonta a muitas centenas de anos. Porém, segundo a pesquisa de Mirzai que é focada especialmente no período moderno, a escravidão no Irã compreendeu dois períodos principais: a Dinastia Qajar (1795-1925) e os primeiros anos da Dinastia Pahlavi (1925-1979). Ela explica que os mercadores árabes do Golfo, dominado pelo Sultanato de Omã – que controlavam vastas regiões nas costas do Oceano Índico -  trouxeram para o Irã escravos do norte e nordeste do continente africano, incluindo Tanzânia (Zanzibar), Quênia, Etiópia e Somália.Na antiga literatura islâmica, os etíopes eram conhecidos como al-Habasha (abissínios). Como resultado, muitos escravos adotaram o sobrenome “Habashi” quando vieram para o Irã, para indicar sua origem. Os escravos que vinham de Zanzibar, por sua vez, adotaram o sobrenome Zanzibari. Em grande parte concentrados na costa sul do Irã, eles trabalhavam predominantemente na pesca e agricultura, ou como empregados domésticos, enfermeiros, ou até mesmo soldados.
Foto tirada na corte de Nasir al-Din Shah, durante a dinastia Qajar em Teerã no séc. XIX.
As crianças negras, filhos de servos, eram chamadas de khanezadeh (nascidos em casa).
(Imagem: acervo de Behnaz Mirzai) 
 Porém, os africanos não foram os únicos a serem escravizados no Irã. “No Irã, a escravidão não era baseada na raça (...), havia escravos circassianos e georgianos, além de muitos iranianos que viviam em um estado de extrema pobreza...”, diz Mirzai. A abolição da escravidão no país começou em 1828 com o fim do tráfico de circassianos e georgianos e a prática se encerrou exatamente um século depois.  Hoje em dia, cerca de 10 a 15% da população do sul do Irã pode ser considerada afrodescendente.  Muitos membros dessa comunidade afro-iraniana, termo cunhado por Mirzai em sua pesquisa, sequer conhecem a história de suas famílias ou suas próprias origens. Eles são geralmente referidos como os “negros do sul” e muitos iranianos ainda acreditam que a cor escura de sua pele é resultado do sol inclemente das costas do sul do país. 
Os afro-iranianos consideram a si mesmos simplesmente como iranianos e às vezes sentem-se incomodados com questões sobre suas origens africanas.  "Eu perguntei a eles anteriormente, o que vocês se consideram? E eles disseram, ‘somos iranianos’. Se eu fizesse alguma pergunta relacionando-os com africanos, eles se sentiriam ofendidos... como se você estivesse tentando dizer que eles não são iranianos” diz a pesquisadora.  Em um dos filmes produzido por Mirzai, Afro-Iranian Lives, um homem chamado Mohamad Durzadeh disse que sua família está no Irã desde os tempos de seu avô. Quando perguntado de onde seus ancestrais vieram ele responde: “Eles estavam aqui [no Irã]”.  Um outro homem no mesmo filme, cujo nome não foi identificado, explica que há distinções entre as famílias afro-iranianas: “Os Durzadehs se acham superiores aos Ghulam e aos Nukar. Eles acreditam que os Ghulams eram escravos, mas os Durzadehs eram livres”. 
Homens participando da cerimônia do Zar, em Khorramanshahr, província de Khuzestan
(Foto: Behnaz Mirzai) 
 O desconhecimento sobre os afro-iranianos, faz com que os iranianos de outras partes do país vejam a estes como estrangeiros (um exemplo perfeito é o filme Bashu, o Pequeno Estrangeiro do qual já falamos aqui no blog). Porém, Mirzai diz que apesar de incomum, ela documentou alguns casamentos entre afro-iranianos e iranianos de outras etnias.
Os afro-iranianos atualmente estão bem integrados nas regiões onde vivem. Por exemplo, as comunidades da província de Sistan e Baluchistan falam o dialeto local, baluchi, enquanto as comunidades da província de Hormozgan falam o dialeto bandari. Por outro lado, as comunidades afro-iranianas atuais mesclam tradições africanas com a cultura iraniana, incluindo um ritual de exorcismo conhecido como Zar, que também é praticado na Tanzânia e Etiópia. 
Por fim, Mirzai conclui: “Para mim, o mais importante é mostrar que eles são iranianos, um lado diferente do Irã; que o Irã é muito diverso e que há muitos grupos étnicos vivendo no Irã. Eles têm sua própria cultura e identidade específicas.”
Mulheres e crianças afro-iranianas da província de Sistan e Baluchistan
(Foto: Behnaz Mirzai)
(Adaptado do artigo de Jillian D’Amours para o site Middle East Eye)


Letra e tradução: Moein – “Safar”



Salam amigos! Atendendo a pedidos, está de volta ao blog letra e tradução de grandes sucessos da música iraniana. A canção Safar, na voz do cantor Moein, cujo título significa “viagem” no sentido de uma “partida” para longe do amor, é um pop nostalgia do ano de 1987. (Música: Farid Zoland Letras: Marhoom. Hedieh)

سفر
Safar
Partida

سفرکردم که ازعشقت جدا شم
Safar kardam ke az eshget jodâ sham
Eu parti para me separar do seu amor

دلم میخواست دگرعاشق نباشم
Delam mikhâst digar âshegh nabâsham
Meu coração não queria se apaixonar

ولی عشق توقلبم مونده ای وای
Vali eshghe to galbam munde, eyvây
Mas seu amor, ainda está em meu coração, oh

دل دیونمو سوزونده ای وای
Dele divunamo suzundeh, eyvây (2x)
Seu amor, queima em meu louco coração, oh

هنوزم عاشقم هنوزم عاشقم دنیای دردم
Hanuzam âshegham, hanuzam âshegham, donyâe dardam
Eu ainda estou apaixonado, eu ainda estou apaixonado, eu estou em um mundo cheio de dor

مث پروانه ها دورت میگردم
Mese parvâne ha duret migardam (2x)
Eu estou voando ao seu redor como as mariposas (ao redor da chama da vela)

سفرکردم که از یادم بری دیدم نمیشه
Safar kardam ke az yâdam beri, didam nemishe
Eu parti para te esquecer, mas eu sei que isso é impossível

اخه عشق یه عاشق با ندیدن کم نمیشه
Akhe eshghe ye âshegh bâ nadidan kam nemishe
Porque o amor de um apaixonado não diminui com o não se ver

غم دوراز تو بودن بی بالو پرم کرد
Ghame dur az to budan bi bâlo param kard
Essa dor arrancou minhas asas e minhas penas

نرفت از یاد من عشق سفرعاشق ترم کرد
Naraft az yâde man eshgh, safar âshegh taram kard
Eu não esqueço o seu amor, a partida me fez te amar ainda mais

[Refrão1]
هنوز پیش مرگتم من بمیرم تا نمیری
Hanuzam pish margetam, man bemiram tâ namiri
Eu ainda estou pronto para morrer por você, deixe me morrer por você

خوشم با خاطراتم اینوازمن نگیری
Khosham bâ khâterâtam, ino az man nagiri
Estou feliz com minhas memórias, não as tire de mim

دلم از ابر و بارون بجز اسم تو نشنید
Delam az abro bârunbejozesmtonashenid
Meu coração, das nuvens e da chuva, não ouve nada além de seu nome

تو مهتاب شبونه فقط چشمام تو رو دید
To mahtâbe shabune faghat cheshmâm to ro did
Na luz do luar meus olhos só veem você

نشو با من غریبه مث نامهربونا
Nasho bâ man gharibe mese namehrabuna
Não aja comigo como se eu fosse um estranho

بلا گردون چشمات زمین و اسمونا
Bâlâ gardune cheshmat zamino asemuna
Eu sacrificarei o mundo e os céus por seus olhos

[Refrão 2]

میخوام برگردم اما میترسم
Mikham bargardam, amâ mitarsam
Eu quero retornar, mas tenho medo

میترسم بگی حرفی نداری
Mitarsam begi harfi nadâri
Tenho medo que você me diga que não há mais palavras a dizer

بگی عشقی نمونده
Begi eshghi namunde?
Me diga: não existe mais amor?

میترسم بری تنهام بذاری
Mitarsam beri tanhâm bezâri
Tenho medo que você se vá e me deixe sozinho

[Refrão 1]

تو رو دیدم تو بارون دل دریا تو بودی
To ro didam to bârun, dele daryâ to budi
Eu te vi na chuva, você estava no coração do mar

تو موج سبز سبزه تن صحرا تو بودی
To muje sabz sabze, tane sahrâ to budi
No ondular da grama verde, você era a que cobria o deserto

مگه میشه ندیدت تو مهتاب شبونه؟
Mage mishe nadidet to mahtâb shabune?
Será possível não te ver na luz da lua?

مگه میشه نخوندت تو شعر عاشقونه؟
Mage mishe nakhundet to shere asheghune?
Será possível não te ler entre os poemas dos amantes?

[Refrão 2]


Fonte: Flash Lyrics


Assista o 2° episódio do Globo Repórter sobre o Irã



Salam amigos! A série Irã, no Globo Repórter, gerou grande repercussão e impressões muito positivas na internet! Na última sexta-feira (08/09) foi ao ar o segundo episódio da série de dois programas. A verdade é que apenas dois programas, não foi suficiente para mostrar toda a diversidade do país, mas nos aproximou um pouquinho da "magia do mundo persa". Esperamos que um dia alguma emissora brasileira  produza uma série de pelo menos 10 capítulos sobre o Irã (não custa sonhar hehe...)  Assista na íntegra a reportagem e se você ainda não viu o primeiro episódio, clica aqui!


Assista o 1° Episódio do Globo Repórter sobre o Irã


Salam amigos! Na última sexta-feira (01/09) foi ao ar o primeiro episódio de uma série de dois programas do Globo Repórter sobre o Irã  que está fazendo o maior sucesso na nossa fanpage. Assista na íntegra a reportagem e não perca o segundo episódio esta semana (08/09)!


Globo Repórter apresenta o Irã em dois programas


Salam amigos! Nesta sexta-feira (01/09) e na próxima (08/09) irá ao ar uma série de dois programas do Globo Repórter sobre o Irã.

Embora seja rotulado como "um dos países mais fechados do mundo" e "mais temidos do planeta" (para causar a "boa impressão" de sempre), o fato de a emissora anunciar dois episódios sobre o Irã, promete, assim ao menos esperamos um grande presente para nós, os amantes e admiradores dessa cultura!

A repórter Glória Maria esteve no país pela primeira vez, e segundo  a chamada do programa vai revelar "toda a magia do mundo persa, mostrando um povo alegre e gentil que adora conversar com estrangeiros". Os telespectadores brasileiros irão desvendar as tradições, cultura dos povos nômades, a beleza das cidades, das mesquitas e do artesanato iraniano! 

Veja a chamada completa da reportagem em:

Globo Repórter entra num dos países mais fechados do planeta: o Irã



"O Sapo da Árvore", um poema de Nima Yushij


Salam amigos! Hoje vamos conhecer um poema de Nima Yushi (1897- 1960) que é considerado o pai da poesia persa moderna.
Escrito originalmente, no dialeto mazandarani do autor, o poema Darvag, cuja tradução é o "O Sapo da árvore" fala sobre uma crença que as pessoas tem, especialmente no norte do Irã de que quando os sapos que vivem nas árvores começam a coaxar é um sinal de que a chuva está próxima. Então, esse anfíbio é conhecido como o mensageiro da chuva. Em linguagem simbólica, em um ambiente rural a chuva representa a felicidade e alegria e os dias nublados são dias felizes!

Minha fazenda está tão estéril
perto da fazenda do meu vizinho
embora seja dito:
Na costa das proximidades
Triste entre tristes
estão chorando
mas, sapo da árvore! 
mensageiro dos dias nublados
quando é que a chuva virá?
Em uma tenda que não é uma tenda
Em minha cabana escura que é totalmente sem alegria
na qual as amarras de junco nas paredes
estão quebrando de secura, 
Oh, sapo da árvore! 
mensageiro dos dias nublados
quando é que vai chover?

Tradução baseada em Easy Persian


Colabore com a divulgação gratuita da cultura iraniana no Brasil


Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia já tem  mais de 5 anos de existência, e em sua história já contribuiu com novas amizades, testemunhos incríveis de pessoas que perderam o medo de  viajar ao Irã, aprendizados e descobertas de valor incalculável. Os posts publicados tem tanta qualidade que até a própria Embaixada do Irã, além de sites internacionais recomendam o nosso conteúdo. Dá uma olhada nos comentários  que recebo quase todo dia: 
Muito interessante! Incrível esse Blog. Parabens ... em Como o Brasil via o Irã na década de 50?

O blog é SUPER original e MUITO bem organizado! Continue assim! Tudo de bom! o/ em Cinema Iraniano: Dez

Ola, Janaína! ... seu blog. Parece um livro bom de se ler....Parabéns e obrigada por compartilhar. Vou continuar lendo. Beijos em Viagem ao Irã: Jornada em Persépolis e Shiraz

... Janaina, querida! Assalamo alaikum. Adorei seu blog, já li outras vezes...Parabéns por trazer um pouco da cultura iraniana em português para o Brasil.. parabéns pelo carinho em cada detalhe no blog. em Sirvan Khosravi - Doost daram zendegi ro

Nossa!!! adorei demais esse post! de uns tempos pra cá, por curiosidade fui ler alguns textos iranianos (Farid ud Din Attar e Omar Khayaam) e me apaixonei pela sabedoria e cultura iraniana! Seu texto e o blog da Janaina, me fazem ter mais vontade de visitar esse lindo país! ... em Guest post: O sabor da hospitalidade, visitando uma família iraniana no Brasil
Todo este trabalho é feito de forma gratuita, com esforço, amor no coração e boa vontade! O que pouca gente sabe é que por trás de um blog tão bem sucedido existe uma pessoa que faz o trabalho de cinco. Olha só  quanta coisa ela dá conta de fazer sozinha, ao mesmo tempo:

  • Web Designer: para chegar neste layout maravilhoso dias e horas estudando códigos para Blogger e trabalhando em softwares designer gráfico. 
  • Pesquisadora: para chegar ao melhor conteúdo sobre de cultura iraniana também tem que "cavucar" muito na web, além de muita leitura e estudo diário, assistindo vídeos, conversando com pessoas. 
  • Tradutora: para ser o único blog dedicado exclusivamente a cultura iraniana em língua portuguesa, também tem que investir no aprendizado de idiomas. Apesar de não ser uma tradutora profissional, meu conteúdo tem sido elogiado pela clareza das informações.  
  • Redes Sociais:  Hoje em dia,"quem não Facebooka e não Twitta se intrumbica" (rs)... mas não basta postar, tem que ter estratégia e criatividade. Isso poderia ser incluso como um trabalho de publicidade, sim? 
  • Consultora: sim, o blogueiro que vira autoridade em um assunto, tem que responder dezenas de e-mails semanais, ouvir críticas, dar dicas, ser conselheiro sentimental, e ainda ser sempre simpático e amável. 
  • Além de sobreviver como artista visual e educadora aqui no Brasil ...

Além disso, o que um(a) blogueiro(a) investe de si próprio? 
  • Tempo (em média 6hs semanais só no blog)  
  • Luz elétrica
  • Internet 
Apesar de todo este tempo de vida, reconhecimento e admiração dos leitores, o Chá-de-Lima da Pérsia ainda não é um blog profissional. Ou seja, ainda não tem um domínio próprio, não tem patrocinadores e  nem colaboradores diretos. 

Se você ama o blog Chá-de-Lima da Pérsia, e considera a divulgação da cultura iraniana no Brasil uma chave para expandir seus horizontes, você pode adquirir de três formas: 

1) ADQUIRA OS PRODUTOS DA NOSSA LOJA VIRTUAL:
  • Conheça o meu trabalho artístico na Loja Chá-de-Lima da Pérsia. Arte digital, produtos criativos e decoração personalizada. Produtos originais para sua decoração ou para presentear que você ama.  


 
2) ANUNCIE SEUS PRODUTOS OU SERVIÇOS: 
  • por R$ 50,00: inclua um banner de seu produto ou serviço no blog por 4 meses
  • por R$100,00: inclua um banner de seu produto ou serviço no blog por 6 meses + farei um post especial sobre seu produto ou serviço
 
3) FAZENDO UMA DOAÇÃO:


Resenha do livro: Lendo Lolita em Teerã



Salam amigos! Esta é a primeira vez que faço uma resenha de livro aqui no blog. Como muitos sabem, sou uma leitora ávida e escrever é minha segunda maior paixão. Recentemente, acabei de ler “Lendo Lolita em Teerã: Uma memória nos livros” (2003), da escritora iraniana Azar Nafisi, publicado no Brasil pela editora A Girafa. Confesso que há muito tempo eu tinha vontade de ler o livro “julgando o somente pela capa”, justamente pelo seu curioso e instigante título, que nos remete imediatamente a leitura do famigerado romance de Vladimir Nabokov, na capital do Irã, em um contexto de extrema censura a obras literárias consideradas impróprias pelo regime islâmico. 

O livro trata de uma história real, uma autobiografia da escritora e professora universitária Azar Nafisi, em uma narrativa não linear nos anos que se sucederam a Revolução Islâmica(1979), a Guerra Irã-Iraque (1979-1989) e uma relativa abertura política em meados dos anos 90, culminando com sua decisão de deixar definitivamente o país com a família em 1997. 

Azar Nafisi
Na verdade, ao contrário do que seu título nos faz pensar, o livro se divide em quatro capítulos onde em cada qual são analisados romances ocidentais cuja leitura foi proibida pelo regime da República Islâmica: Lolita (1955), de Vladimir Nabokov, O Grande Gatsby (1925) de F. Scott Fitzgerald, Daisy Miller (1878) de Henry James e Orgulho e Preconceito (1813) de Jane Austen, entre outras obras dos mesmos autores. Os romances são analisados em diferentes contextos, desde uma sala de aula na universidade de Teerã a uma turma secreta formada por mulheres de diferentes perfis organizada por Nafisi em seu próprio apartamento, depois de sua demissão por razões ideológicas. 

Podemos dizer que além de ser um livro sobre os desafios de ser mulher e intelectual na República Islâmica do Irã, este é também uma série de ensaios elaborada e fascinante sobre aspectos universais da humanidade explorados na literatura ficcional em épocas tão distantes quanto o séc. XIX e primeira metade do séc. XX. Questões como o julgamento moral , direito a escolha e parâmetros da sociedade sobre família, casamento e mulheres são lidas e questionadas sobre o viés da sociedade iraniana representadas pela própria autora, seus alunos, sua família e amigos. 

Nafisi nos assegura que todas as histórias contadas no livro são reais, assim como seus personagens (cuja maioria dos nomes foram trocados por uma questão de segurança). Entre desencontros e reencontros em momentos de grande tensão política, destacam-se as sete ex-alunas Azin, Mahshid, Nassrin, Manna, Mitra, Sanaz, Yassi e um aluno, Nima, de diferentes perfis ideológicos, mas todos apaixonados por literatura que passam a integrar uma turma secreta no apartamento da professora, seu paciente marido Bijan, os filhos carinhosos, a mãe que traz o café para a turma, seu amigo “o mágico”, um homem quase invisível, que é uma espécie de conselheiro, além de outros professores, alunos e amigos que tiveram um papel importante em suas memórias. 

Nos capítulos sobre Gatsby e James, há vários flashbacks onde a autora retorna para os anos pré-revolução e sua vida nos Estados Unidos, onde as expectativas de derrubada do antigo regime eram vistas com otimismo pelos jovens intelectuais. De volta ao Irã, os momentos de grande tensão e medo durante os anos da guerra, já no contexto da revolução, enquanto as bombas explodem em vários locais de Teerã, assassinando vidas e sonhos, nas aulas de literatura inglesa na universidade alunos muçulmanos e seculares travam outra batalha acercade suas convicções morais. Até mesmo Gatsby, o livro, é colocado em um “julgamento” simbólico. 

Nos capítulos sobre Lolita e Austen, as narrativas parecem dividir-se em dois momentos bem nítidos: a vida dos personagens no “mundo real”, fora de suas casas, onde os aiatolás, a polícia moral, a obrigação de as vestimentas islâmicas, a separação entre homens e mulheres nos ambientes sociais e a demonização do ocidente, as alunas e seus históricos de abusos e repressão por parte de parentes homens, e até mesmo prisões; e o “momento da ficção” na aula secreta, que é quando estas mesmas personagens podem mergulhar nos romances, escrever o que pensam sem medo em seus diários, tirar seus véus, comparar-se às personagens dos romances, dar risadas e sobretudo falar de seus desejos mais íntimos. 

Para finalizar, Lendo Lolita em Teerã, não é um livro que te ajudará a gostar mais do Irã, na verdade é um retrato bem cinzento do país, apesar de deixar claro que hoje em dia muitas coisas mudaram e o regime está muito mais liberal na maioria dos aspectos mencionados. Vivendo atualmente nos Estados Unidos com sua família, a autora enfatiza que sair do Irã foi sua única escolha pois estava em jogo sua própria realização como pessoa, mas que essa não deveria ser necessariamente a escolha de suas alunas que a questionaram pelo fato de se sentirem “deixadas”. Apesar de toda a sensação pesarosa que o livro possa nos causar, Nafisi nos presenteia com seu olhar poético sobre a doçura dos momentos compartilhados com as pessoas queridas, a beleza do passar das estações, do pôr-do-sol, das chuvas e das montanhas de Teerã e, sobretudo, suas brilhantes análises sobre os romances que eu mesma nunca li, mas confesso que passei a me interessar. E através deste livro também redescobri o prazer de escrever minhas próprias impressões sobre o que acabei de ler. 

Leitura altamente recomendável para todos os amantes dos livros e da literatura! 

Se você já leu este livro, ou quer me recomendar um, deixe um comentário, eu vou adorar saber a sua opinião e quem sabe em breve, mais resenhas!


Linkagens do mês de Julho: conquistas históricas e despedidas


Salam amigos! A partir de hoje, todo último dia do mês, vamos fazer uma retrospectiva de notícias e fatos marcantes relativos a cultura e personalidades do Irã no Brasil e no mundo!
Com vocês as linkagens do mês de Julho de 2017 no Chá-de-Lima da Pérsia: 

O mês de julho foi marcado por mulheres brilhantes na mídia, e a primeira mulher a ganhar o Nobel de Matemática, foi uma iraniana que nos deixou muito cedo.

E neste mesmo mês, uma mulher conquista um alto cargo na aviação iraniana, pela primeira vez na história do país.


Logo no começo de Julho a Seleção de futebol do Irã garantiu sua vaga para a Copa de 2018 na Rússia, e é a primeira vez na história que participarão de dois mundiais consecutivos.

E no último fim de semana teve a polêmica visita de um líder religioso iraniano ao Brasil, em São Paulo ele participou do encontro "Os muçulmanos e o enfrentamento ao terrorismo e ao radicalismo". 

As linkagens de notícias do Chá-de-Lima da Pérsia voltam no final de agosto...


Cinema Iraniano: "O Espelho"

FILME DO MÊS: Quando a vida cotidiana se torna uma aventura, o cinema iraniano retrata de maneira singular. Uma mistura indistinguível de realidade e ficção, espontaneidade e atuação.


Uma garotinha, com o braço engessado, espera no portão da escola que sua mãe venha buscá-la após o termino da aula. A mãe se atrasa, todas as crianças vão embora e a menina cansada de esperar, decide partir sozinha pela cidade atrás do caminho de casa. Chega até mesmo a pegar um ônibus e, durante a viagem, fica observando as pessoas à sua volta. A partir de seu universo infantil, ela começa a desvendar o complexo mundo dos adultos, vivenciando encontros inesperados e descobertas inusitadas. De maneira dócil e pueril, a câmera acompanha a pequena protagonista e os  personagens que são inseridos em sua jornada. Em O Espelho, o diretor Jafar Panahi (O Círculo e O Balão Branco) prende-se a minuciosidades, não tem pressa em fechar um ciclo nem que precise voltar nele lentamente e inúmeras vezes para concluí-lo.
Um senhor que trava uma batalha incansável para atravessar a rua, uma senhora reclamando da família que não a trata bem, uma mulher lendo a mão de outras mulheres no ônibus. Esses são alguns dos personagens  que vão e voltam até que seus esquetes sejam encerrados. Aliás, no começo do filme a garota parece que será apenas o argumento para que Panahi retrate o cotidiano, abordando temas como o tratamento islâmico exclusivista com as mulheres do seu país. Pegando entre outros exemplos a divisão existente dentro dos ônibus no Irã onde homens e mulheres ficam em espaços separados. Outro aspecto recorrente é o transito caótico que parece "insolucionável" (tema que já abordou em outros filmes), o desrespeito com pedestres, idosos e crianças.

Filme: O Espelho
Irã| Drama | 95 min.| cor
Direção: Jafar Panahi
Título Original: Ayneh 
Título em inglês: The Mirror
Elenco:Mina Mohammad Khani, Kazem Mojdehi, M. Chirzad, R. Mazdeni, T. Samadpur, Naser Omuni

>> Assista o filme completo legendando em português:




Em Setembro: a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia te levam para conhecer o Irã!


Salam amigos! Agora o seu sonho de conhecer as terras da Pérsia está muito mais próximo! Em setembro, a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia te levam para uma maravilhosa jornada de 15 dias pelo Irã! Um roteiro exótico e surpreendente através de um dos países mais exuberantes do planeta! E você ainda pode fazer uma parada na magnífica Istambul e acrescentar mais emoções a sua viagem!
Entre em contato e solicite o roteiro completo e faça já a sua reserva!





4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia: um encontro intercultural de paz, respeito e amizade


Salam amigos! No dia 09/07/17 realizamos o 4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia, que teve como cenário o esplêndido Parque da Cidade Sara Kubitschek, na belíssima capital do nosso país, Brasília! Sendo o quarto evento da história do blog, contando com a participação de brasileiros e iranianos, agitado e co-organizado pela minha querida amiga e apoiadora Karla Mendes, este encontro teve como diferencial o deslocamento de São Paulo, para uma outra cidade do Brasil.

Parque da Cidade, em Brasília, o cenário do nosso encontro

Foi maravilhoso ser recebida pelos amigos de Brasília de maneira tão calorosa além da grande expectativa de todos pelo evento! Teve até amigos se preparando com antecedência e desmarcando compromissos para não perder o Picnic! Mas a maior surpresa, foi o comparecimento em massa das famílias iranianas residentes na capital, fazendo deste o evento mais memorável que já organizamos!

 

 
 
Aqui no blog eu já devo ter dito que o piquenique no parque ou em meio à natureza é uma das tradições da cultura iraniana e quase todo passeio em família ou amigos se encerra com uma toalha forrada na grama, repleta de comidas salgadas, doces, frutas, chás e outras gostosuras. Então, a despedida de meu passeio cultural por Brasília não poderia ter sido em melhor estilo!


 

O domingo foi ensolarado e agradável! Nos encontramos às 10h30 no Estacionamento 10 do Parque, e nos instalamos na beira do lago onde a água brilhante, a brisa fresca, a sombra das árvores e o canto das aves aquáticas saudaram nosso evento com uma atmosfera de beleza e paz! Conforme os amigos chegavam, o espaço de nossas três toalhas sob o gramado ficou pequeno, mas as famílias iranianas, com sua prática tradicional trouxeram grandes esteiras onde todos puderam se acomodar agradavelmente. Para agradecer a presença de todos, Karla e eu presenteamos nossos convidados com chocolates e o símbolo do botteh (árvore do cipreste) que na cultura persa simboliza a vida longa e a eternidade, expressando o desejo de que nossa amizade também viva para sempre!


Entre tantas coisas boas, não poderíamos deixar de falar das famosas receitas iranianas que abrilhantaram o evento e surpreenderam o paladar dos amigos brasileiros, dos quais muitos tiveram a oportunidade de saborear pela primeira vez. Vejam só o luxo que foi o cardápio do nosso evento: 

Zereshk Polo: receita clássica persa, uma maravilhosa combinação de arroz com açafrão e zereshk (ou berbéris, frutinha vermelha típica do Irã), acompanhado de frango  
Mast-o Khyar: uma entrada refrescante de iogurte com pepino picado e hortelã, servido com pão
Kuku Sabzi: para alegria dos vegetarianos, espécie de omelete feito com uma combinação de verduras e ervas
Supe-shir: é uma divina sopa cremosa de leite e caldo de frango com pedacinhos de cenoura
Baghali Polo: o fantástico arroz com ervas e favas, com tahdig (raspa de arroz) e frango cozido.
Também fizeram parte do banquete, guloseimas doces como o khagineh típico do norte do Irã, gaz (espécie de torrone iraniano com pistaches), pulaki (biscoitos caramelizados de gergelim); além de frutas, mix de pastas, diversos tipos de bolos, biscoitos, sucos e outras gostosuras trazidos pelos amigos brasileiros e iranianos.
E é claro que não poderia faltar, o legítimo chá iraniano!

Zereshk polo
Sup-e shir
Baghali polo
Khagineh (doce típico do norte do Irã)
Chá iraniano (chai)
Em vários momentos do evento, parecíamos estar realmente no Irã, pois seguindo fielmente sua tradição, alguns dos nossos amigos iranianos, trouxeram a comida em panelas e serviram em pratos e copos de vidro e talheres de metal. Utilizamos os descartáveis apenas porque a quantidade de pessoas é maior do que normalmente é feito apenas para uma família ou pequeno grupo de amigos em um piquenique iraniano tradicional. Teve até um fogareiro improvisado para aquecer o chá! A cada encontro, nossos amigos iranianos não cansam de nos surpreender!

  

 A seguir, veja os depoimentos de nossos amigos de Brasília, sobre este maravilhoso evento: 

"Realizada! É assim que posso definir o meu sentimento sobre o 4o Pic-nic dos Amigos da Pérsia! Como sempre, costumo dar a sugestão de onde e quando acontecerá o próximo pic-nic... Mas dessa vez o sentimento que me envolveu em toda a organização foi muito maior! Talvez por ter acontecido aqui em Brasília, onde moro, talvez por terem tantas pessoas queridas e próximas presentes... talvez pelo recorde de participantes... Quem sabe? Mas o fato é que dessa vez, eu realmente me senti num pic-nic iraniano! Até com a chaleirinha num fogo improvisado... Brincadeiras iranianas... Conversas... Trocas de informações... Interação entre as culturas: brasileira e iraniana! Enfim, foi um sonho que eu vivi... em que eu me senti muito feliz!! Agradeço a cada um por terem aceitado o convite e terem prestigiado este evento, o qual entrego o meu coração, com suas ilustres presenças!! Kheili mamnoon!! Khoshhalam!!"

Karla Mendes 
“Na minha opinião este picnic mostra que pessoas de qualquer língua, de qualquer religião e qualquer cultura podem estar juntas, aproveitando os melhores momentos da vida, conversando e entendendo um ao outro. Ao mesmo tempo em que temos muitas diferenças, também temos muitas semelhanças, porque somos todos humanos. A linguagem do coração é a mesma e aqueles que tem bom coração podem se compreender facilmente."

Maryam Saberi
"Este picnic foi uma grande alegria. Foi um grande dia, espero que se repita."

Mahdi Kheirabadi
 "Hoje em dia, em um mundo em que seres humanos, principalmente muçulmanos estão sendo mortos todos os dias no Oriente Médio e outras partes, sob o pretexto de Democracia e Direitos Humanos, atividades multiculturais como o "Picnic Iraniano" ajudam de forma definitiva a aumentar o entendimento, a tolerância religiosa e a promover a convivência multicultural e, com sorte, fazer do mundo um lugar melhor para viver, crescer e prosperar."

Hamid Soltan Saleki

"A amizade é como uma flor preciosa pronta para desabrochar a cada hora. Pode parar de crescer ou continuar fluindo, mas você ainda a terá para sempre
Viva a amizade!"


Moosa Rahbar Noodehi

 “A experiência de participar do 4º Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia foi revigorante. Primeiramente, eu não esperava que tanta gente fosse aparecer (ainda mais tantas famílias iranianas). No fim, tudo foi um show de fartura, comidas deliciosas, companhias extremamente agradáveis e muita diversão. Cheguei às 11:00 e só fui embora às 18:00, quando ainda haviam várias pessoas lá conversando e jogando bola. Foi um momento que vou guardar na memória e que espero que se repita logo!”
Khayria Djanine

“Participar do o 4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia foi uma das experiências mais interessantes que passei neste ano. A confraternização entre brasileiros e iranianos não deixou a desejar: comi de vários pratos do Irã, que são saborosíssimos; formei amizades com pessoas de ambas as nacionalidades e até joguei a queimada deles! Foi divertido do início até a minha partida – aparentemente, os iranianos gostam de ter picnics muito longos para o costume de nós, brasileiros. Agora eu só posso esperar que um dia haja a oportunidade de esse evento ocorrer em Brasília de novo. Se isso um dia acontecer, com absoluta certeza marcarei presença! Obrigada Janaina por organizar esse fabuloso encontro!”
Ana Carolina Leite

"Eu acompanho seu blog já há algum tempo e o picnic foi um evento muito aguardado por muitos amigos da Pérsia, aqui em Brasília! E foi super delicioso!!! Me motivou a estudar mais sobre a cultura do Irã, aprender sua língua e viajar pra conhecer esse lugar que deixou muitos legados para a humanidade!!! Ter contato com iranianos me fez confirmar a gentileza e amabilidade deles! As comidinhas estavam deliciosas!!! Com certeza precisamos marcar mais eventos assim pra divulgar mais sobre essa cultura tão bonita e rica em história e significados!! Foi um prazer imenso finalmente conhecer vc, uma pessoa encantadora e com energia tão boa, azizam!!!" 
Rafaela Condori 
 A melhor parte deste encontro, foi sem dúvida, a interação entre brasileiros e iranianos, de diferentes gêneros, idades, crenças e formações, onde pudemos compartilhar e aprender mutuamente sobre nossas culturas em um clima de respeito e amizade. Infelizmente, eu tive que deixar o grupo antes do término do encontro, pois meu voo para São Paulo, saiu por volta das 18h. Mesmo depois de minha despedida, os amigos da Pérsia continuaram se divertindo no parque até o final da tarde. Teve até um jogo de queimada em estilo iraniano onde participaram juntos adultos e crianças!

 

Muitíssimo obrigada a todos os amigos brasileiros e iranianos que estiveram presentes e contribuíram para fazer do o 4° Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia um evento inesquecível! E a todos que gostariam de participar mas por algum motivo não puderam, esperamos que em breve haja muitas oportunidades para estarmos juntos e celebrar a paz e amizade entre os povos!

Um grande abraço a todos e até o próximo evento! 

So many thanks to all Brazilian and Iranian friends who were present and contributed to make the 4th Friends of Persia's Iranian Picnic an unforgettable event! And to all who would like to participate but for some reason could not, we hope that soon there will be many opportunities to be together and celebrate the peace and friendship between peoples!

Warm regards and see you in the next event!