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Turismo no Irã e a rota para o Mar Cáspio

Turistas iranianos na praia de  Ramsar, província de Mazandaran (Foto: imageBROKER)
As costas do Mar Cáspio, no norte do Irã sempre foram o refúgio ideal para os iranianos que vivem nas áridas regiões centrais do país. Para os iranianos, a palavra shomal, que significa "norte" em persa, tornou-se sinônimo de férias. O Shomal é uma paraíso verdejante de florestas úmidas que cobrem altas montanhas e cercam a região costeira. Em termos de clima e cultura, o norte é um outro mundo, em comparação com o centro do país, onde vive a maioria da população.

Em toda a região, há milhares de casas de veraneio, para atender aos viajantes. A retirada das sanções econômicas que seguiu o recente acordo nuclear e um influxo de turistas estrangeiros aumentou consideravelmente o número de visitantes. Os engarrafamentos no trânsito já se tornaram uma rotina de final de semana, e mesmo com as exaustivas horas de viagem presos nos asfixiantes túneis que atravessam as montanhas, os milhares de turistas não param de vir. Nas rodovias que dão acesso a região, os viajantes enfrentam horas de trânsito pesado, montam suas barracas nas margens das entradas e ainda param para fazer piqueniques no meio do caminho.

Estrada na rota do Mar Cáspio  (Foto: Panoramio)
O encantamento do shomal, se deve a seu clima e a séculos de isolamento impostos por um terreno de geografia acidentada que permitiu o desenvolvimento de uma cultura e dialetos próprios que perduram até os dias de hoje, com conexões que vão da Rússia, ao Cáucaso e além.  Nas províncias de Gilan e Mazandaran que compõem a região, o persa é a linguagem do governo, da educação e da indústria de turismo, mas no cotidiano, os dialetos Gilaki e Mazanderani predominam nas casas e nas ruas.

As províncias do norte eram relativamente isoladas do resto do país até o início do século XX, quando uma estrada finalmente foi escavada através das montanhas. Esta estrada estreita e sinuosa, ainda é a principal via de acesso a partir da capital Teerã, hoje em dia. Mas com a inauguração de uma nova rodovia cortando as montanhas, no começo do ano que vem, reduzindo o tempo de viagem desde Teerã, que é de quatro a cinco horas para apenas duas horas, o apelo do shomal e a expansão do turismo prometem crescer ainda mais.


Um  típico café nas montanhas na cidade turística de Lahijan, norte do Irã
Hotel Hyatt, construído em 1972, próximo à cidade de Chalus 
No começo deste ano, a rede espanhola Meliá anunciou a construção do primeiro hotel internacional cinco estrelas a abrir no país desde a Revolução Islâmica de 1979, no local onde se situava o antigo Motel Ghoo. A cerca de 9 km a leste das novas instalações do hotel espanhol está o antigo Grand Hyatt Hotel, aberto no começo da década de 1970. A  Hyatt, foi a maior cadeia americana de  hotéis de luxo que já abriu no país, e foi o símbolo do tipo de modernidade e lazer ocidentalizado que a classe média emergente de Teerã procurava para férias em praias nacionais.  
Chalus, a principal cidade de junção ao norte de Teerã, há um século atrás não era nada mais do que uma estradinha com um pequeno aglomerado de casas. A transformação da cidade data de 1920, quando engenheiros britânicos contribuíram com a modernização do país durante o governo de Reza Shah, construindo a primeira estrada que atravessava as montanhas a partir de Teerã. De repente, Chalus se tornou o centro de tudo e centenas de pessoas se mudaram para lá, acompanhando os habitantes dos vilarejos das montanhas vizinhas que ajudaram a construir uma cidade de cultura distinta que era tanto cosmopolita quanto tipicamente shomali

Estrada para Chalus que parte do Norte de Teerã, atravessando as montanhas
Atualmente, as principais estradas que levam turistas de Teerã para o shomal praticamente ignoram a passagem por Chalus. Apesar de ser geograficamente o coração da indústria turística da região, o expansivo desenvolvimento ao longo da costa deixou a cidade quase de fora, focando mais nas vizinhanças à beira mar. Após quatro horas de estrada a partir de Teerã, Chalus acaba servindo apenas como uma rápida parada antes de continuar a viagem para as praias mais ao norte.

Baseado em artigo  publicado no site  Roads and Kingdons


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