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Evento gratuito: sessão e debate sobre o cinema iraniano em São Paulo


Salam amigos fãs de cinema de São Paulo! Esta semana terei a honra de participar como convidada do Projeto CineGRI, cujo tema este mês é 'CINEMA IRANIANO PÓS-REVOLUCIONÁRIO: TRANSCENDENDO IDENTIDADES A PARTIR DO RETRATO DE PROCESSOS SOCIO-ESPACIAIS TRANSNACIONAIS'. A sessão, com parceria da Mora Mundo, exibirá o filme  'Filhos do Paraíso' (1998), primeiro filme iraniano a ser indicado ao Oscar. Após o filme haverá um debate, onde juntos poderemos enriquecer nossa experiência!  

O evento é aberto ao público e acontece no dia 26 de outubro, às 19hrs no convidativo espaço Mora Mundo. Conto com a presença dos amigos da Pérsia! 

Local: Espaço Mora Mundo (R. Barra Funda, 391, próx. ao metro Marechal Deodoro)
Data: 26/10/16 (quarta-feira) às 19h
Link do evento:  Cineclube Cinema Iraniano


Estampa cashmere, paisley ou boteh, qual sua real origem?


Você sabia que a  estampa conhecida como cashmere ou paisley, que está muito na moda hoje em dia tem origem no Irã? Os antigos antigos persas a chamavam de botteh, cujo significado é "arbusto" ou "pequena árvore". Alguns associam essa estampa a folha de palma ou trevos, ou a um botão de flor. No Azerbaijão e na Caxemira (Norte da Índia), o nome que designa esta estampa é buta. 

Enquanto na história recente, o design é primariamente conectado ao Termeh, um tecido artesanal feito de seda bordado à mão, típico das regiões de  Yazd e Kerman, no Irã, assim como às echarpes de lã da Caxemira, o padrão original remonta às tapeçarias dos antigos povos arianos, onde foi difundido em sua área de influência e comércio. 

Tradicional tecido  Termeh de Yazd

Segundo especialistas, o padrão botteh aparece em uma incrível variedade de exemplares tanto nas artes pré-islâmicas quanto do período islâmico do Irã. As primeiras manifestações deste antigo motivo foram encontradas na arte dos citas e dos aquemênidas, representando provavelmente as plumas das asas do lendário pássaro Homa. 

Representação das plumas do pássaro lendário Homa (arte: Kiyanapolis)

Outra referência está no alto Egito, em uma cidade chamada Akhmim, onde fragmentos de seda  dos séculos VI e VIII revelam um motivo similar ao boteh, representando uma espécie de motivo floral que não foi encontrado em outra região do país. Esta cidade egípcia que esteve sobre o controle dos persas, durante o reinado de Dário (522-486 BCE), também era um dos extremos da antiga Rota da Seda.   

Detalhe do padrão boteh da seda egípcia de Akhmim

Seda egípcia de Akhmim

Nas artes do final dos período Sassânida, e nos primeiros séculos do islã, no Irã, há uma relação simbiótica entre o cipreste e o botteh, simbolizando a árvore da vida para os Zoroastrianos. Outras fontes também se referem ao botteh como a chama sagrada de Zoroastro, o que é corroborado pela tradição do Azerbaijão, onde o buta é considerado como o símbolo do fogo. 

Casa zoroastriana em Yazd, Irã
Casa Abbasian, em Kashan, Irã

Há diferentes variedades e formas de boteh. Estas diferentes formas podem também estar relacionadas às derivações de estilo e às vezes podem estar juntas em um mesmo desenho, seja este um tecido, um tapete ou uma gravura. Veja alguns exemplos: 

Diferentes padrões de botteh, encontrados na tapeçaria persa 

Bloco de impressão para tecidos (Ghalamkari), original de Isfahan, Irã 

Exemplares de buta, originários do Azerbaijão
As especulações sobre a origem do boteh, vão ainda mais longe. Poderia ser o símbolo chinês do yin-yang um parente distante deste motivo persa? Exceto por uma gravura em estuque relativamente moderna (séc. X), encontrada em Nishapur no nordeste do Irã, não há outros exemplos similares do boteh representado à maneira de um  yin-yang. Estes painéis de estuque foram descobertos durante a expedição do Museu  Metropolitan entre as décadas de 1930 e 1949. A cidade de Nishapur se situava na junção das rotas arianas (Rota da Seda), onde provavelmente havia grande influência dos chineses. Os painéis datam do período Abássida do Irã, após o final da era Sassânida. 

Painel em estuque de Nishapur (Irã), boteh representado em formato de ying-yang

Cashmere ou Paisley

Os primeiros exemplares do boteh na Caxemira, datam do séc. XV, trazidos pelo sultão Zein-al-Aabedin do Irã para a Índia, tornando-o popular através das famosas echarpes de lã de Caxemira, de onde se originou o nome estampa de Cashmere. 
Por fim, o nome ocidental do boteh, é oriundo de uma cidade da Escócia, chamada Paisley, que já foi especialista na produção de echarpes e xales decorados com o motivo boteh
Na primeira metade do séc. XVII, os britânicos trouxeram os artigos do norte da  Índia para a Europa. No entanto, a produção européia industrial jamais poderia se comparar aos produtos artesanais trazidos da Ásia, com as técnicas ancestrais da Pérsia e Caxemira.
Aqui no Brasil, a estampa se tornou popular na década de 1970, através da moda hippie. Atualmente, ela continua em alta em todo tipo de roupas e acessórios fashion e até mesmo em objetos decorativos. 



E você, também é fã da estampa? Agora que  já sabe de onde ela vem, saia ostentando com orgulho um alegre e colorido boteh! 


(Baseado em Zoroastrian Heritage )


Mast o Khiar: simples como iogurte e pepino


Salam amigos! É comum pensarmos nas  receitas iranianas como pratos de preparo elaborado que demandam muito trabalho e paciência. Mas se assim como eu, você não tem o maravilhoso dom de cozinhar e nem coragem de arriscar a gastar ingredientes caríssimos com medo de a receita não dar certo, apresento-lhes o sublime Mast-o Khiar, ou simplesmente, iogurte e pepino (tradução literal) temperados com hortelã, sal e pimenta. 
Você deve se perguntar, como é que algo tão básico pode ficar tão bom? É simples, assim como pão com manteiga, goiabada com queijo, café com leite, esse dois ingredientes casam maravilhosamente. Os iranianos adoram comer iogurte com tudo, até com batata Ruffles, e o toque refrescante do hortelã convida o paladar para o chá quentinho que vem depois da refeição. Anote aí e mãos a obra! 

Mast o Khiar 

Ingredientes: 

3 copos de iogurte natural

2 pepinos médios

1 colher de sopa de hortolã seca

sal e pimenta à gosto


Modo de preparo: 

1. Corte os pepinos ao meio, depois fatie em pedacinhos bem pequenos. 
2. Misture bem a hortelã seca, o sal e a pimenta no iogurte 
3. Adicione o pepino na mistura.
4. Se quiser, pode decorar com a hortelã seca e uma folhinha de hortelã fresca. 

Pronto, simples e rápido e delicioso!  Pode servir com pão sírio, pão folha, torradas, ou até mesmo como acompanhamento do arroz. 

E você, já provou o Mast o Khiar, o que achou? Deixe um comentário e até a próxima! 

Noshe jan! 


O Incrível "Hulk da Pérsia"

Muito prazer, o Incrível Hulk... ou melhor, Sajad Gharibi
Salam amigos! Os gigantes iranianos, se tornaram notáveis nos Jogos Olímpicos conquistando medalhas em esportes que exigem peso-pesado como Halterofilismo e Luta Olímpica. Mas nenhum deles se tornou um fenômeno da internet como o jovem  Sajad Gharibi, 24 anos, da cidade de Shiraz, que recebeu o apelido carinhoso de "Hércules da Pérsia, ou "Hulk Iraniano" devido a sua proporção física e massa muscular surreais. 
Tudo começou quando Sajad, começou a postar  fotos se comparando ao Incrível Hulk, em seu perfil do Instagram, que atualmente conta com 19.700 seguidores. Para conquistar toda essa força, o rapaz trabalha arduamente. Segundo o jornal britânico Daily Mail, ele consegue levantar 175 quilos, vinte quilos a mais que seu próprio peso, 155 quilos. No esporte, ele faz parte da categoria levantamentos básicos, que consiste em três exercícios: agachamento, supino e levantamento terra. De acordo com o mesmo periódico, ele também já representou o Irã em competições de fisiculturismo. 
Já houve até boatos que ele teria se juntado ao exército sírio para combater o Estado Islâmico, o que foi desmentido pelo atleta. 
Tem gente que acha que o gigante tem cara de mau, porém em suas fotos inocentes, posando com latinhas de refrigerantes, capinhas de DVD, em seus trajes sumários ou ao lado de amigos, ele esbanja simpatia. E você, o que acha? 

O gigante esbanja simpatia 
Não mexe com o meu kako...
Amigão, paz e amor! 

Treino pesado para conquistar os músculos de aço
Hora do lanchinho do campeão

 Tudo é miniatura perto dele...

Corpo de gigante, coração de menino
Você já era bravinho, Sajad? 
Fotos:  Reprodução do Instagram 


Turismo no Irã e a rota para o Mar Cáspio

Turistas iranianos na praia de  Ramsar, província de Mazandaran (Foto: imageBROKER)
As costas do Mar Cáspio, no norte do Irã sempre foram o refúgio ideal para os iranianos que vivem nas áridas regiões centrais do país. Para os iranianos, a palavra shomal, que significa "norte" em persa, tornou-se sinônimo de férias. O Shomal é uma paraíso verdejante de florestas úmidas que cobrem altas montanhas e cercam a região costeira. Em termos de clima e cultura, o norte é um outro mundo, em comparação com o centro do país, onde vive a maioria da população.

Em toda a região, há milhares de casas de veraneio, para atender aos viajantes. A retirada das sanções econômicas que seguiu o recente acordo nuclear e um influxo de turistas estrangeiros aumentou consideravelmente o número de visitantes. Os engarrafamentos no trânsito já se tornaram uma rotina de final de semana, e mesmo com as exaustivas horas de viagem presos nos asfixiantes túneis que atravessam as montanhas, os milhares de turistas não param de vir. Nas rodovias que dão acesso a região, os viajantes enfrentam horas de trânsito pesado, montam suas barracas nas margens das entradas e ainda param para fazer piqueniques no meio do caminho.

Estrada na rota do Mar Cáspio  (Foto: Panoramio)
O encantamento do shomal, se deve a seu clima e a séculos de isolamento impostos por um terreno de geografia acidentada que permitiu o desenvolvimento de uma cultura e dialetos próprios que perduram até os dias de hoje, com conexões que vão da Rússia, ao Cáucaso e além.  Nas províncias de Gilan e Mazandaran que compõem a região, o persa é a linguagem do governo, da educação e da indústria de turismo, mas no cotidiano, os dialetos Gilaki e Mazanderani predominam nas casas e nas ruas.

As províncias do norte eram relativamente isoladas do resto do país até o início do século XX, quando uma estrada finalmente foi escavada através das montanhas. Esta estrada estreita e sinuosa, ainda é a principal via de acesso a partir da capital Teerã, hoje em dia. Mas com a inauguração de uma nova rodovia cortando as montanhas, no começo do ano que vem, reduzindo o tempo de viagem desde Teerã, que é de quatro a cinco horas para apenas duas horas, o apelo do shomal e a expansão do turismo prometem crescer ainda mais.


Um  típico café nas montanhas na cidade turística de Lahijan, norte do Irã
Hotel Hyatt, construído em 1972, próximo à cidade de Chalus 
No começo deste ano, a rede espanhola Meliá anunciou a construção do primeiro hotel internacional cinco estrelas a abrir no país desde a Revolução Islâmica de 1979, no local onde se situava o antigo Motel Ghoo. A cerca de 9 km a leste das novas instalações do hotel espanhol está o antigo Grand Hyatt Hotel, aberto no começo da década de 1970. A  Hyatt, foi a maior cadeia americana de  hotéis de luxo que já abriu no país, e foi o símbolo do tipo de modernidade e lazer ocidentalizado que a classe média emergente de Teerã procurava para férias em praias nacionais.  
Chalus, a principal cidade de junção ao norte de Teerã, há um século atrás não era nada mais do que uma estradinha com um pequeno aglomerado de casas. A transformação da cidade data de 1920, quando engenheiros britânicos contribuíram com a modernização do país durante o governo de Reza Shah, construindo a primeira estrada que atravessava as montanhas a partir de Teerã. De repente, Chalus se tornou o centro de tudo e centenas de pessoas se mudaram para lá, acompanhando os habitantes dos vilarejos das montanhas vizinhas que ajudaram a construir uma cidade de cultura distinta que era tanto cosmopolita quanto tipicamente shomali

Estrada para Chalus que parte do Norte de Teerã, atravessando as montanhas
Atualmente, as principais estradas que levam turistas de Teerã para o shomal praticamente ignoram a passagem por Chalus. Apesar de ser geograficamente o coração da indústria turística da região, o expansivo desenvolvimento ao longo da costa deixou a cidade quase de fora, focando mais nas vizinhanças à beira mar. Após quatro horas de estrada a partir de Teerã, Chalus acaba servindo apenas como uma rápida parada antes de continuar a viagem para as praias mais ao norte.

Baseado em artigo  publicado no site  Roads and Kingdons