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Rio 2016 - Resumo Paralímpico da Pérsia

Lá vem o mascote Tom, com a bandeira do Irã! 
Salam amigos! Este domingo nos despedimos dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Infelizmente não pude acompanhar com mais pontualidade as notícias, mas como é o costume do Chá-de-Lima da Pérsia, vamos  recordar os melhores momentos do Irã neste evento tão especial, onde os seres humanos mostram sua capacidade de exceder quaisquer barreiras e vencer no esporte independente de suas limitações físicas!  

Resultados

Nesta edição das Paraolimpíadas, uma delegação de 110 atletas do Irã competiu em 15 modalidades. O país conquistou ao todo 24 medalhas: 8 de ouro, 9 de prata e 7 de bronze, ficando em 15º lugar na classificação geral (o Brasil ficou em 8º lugar). Não é um resultado incrível?

Um pouco de história 

Desde Seul, em 1988, o Irã acumulou 112 medalhas (47 de ouro, 28 de prata e 37 de bronze) em sete jogos. Em Londres, em 2012, Zahra Nemati (que também competiu pelos Jogos Olímpicos este ano) tornou-se a primeira atleta do tiro com arco do Irã a ganhar o ouro.

Conheça os medalhistas Paralímpicos do Irã

 OURO

Da esq. para a dir.: Gholamreza Rahimi (tiro com arco recurvo); o time  de voleibol sentado com destaque para o imbatível gigante Morteza Mehrzad; Farzin Majid (halterofilismo acima de 80kg; o homem mais forte do mundo Siamand Rahman (halterofilismo acima de 107kg); Mohammad Khalvandi (atletismo lançamento de dardo); Sareh Javanmardi que foi ouro em 2 categorias do tiro esportivo; e a incrível Zahra Nemati (tiro com arco recurvo). 

 PRATA

Da esq. para a dir.: Abdollah Heidari Til (atletismo lançamento de dardo); equipe de Futebol de 5
Saman Pakbaz (atletismo, arremesso de peso); Alireza Ghaleh Nasseri ( atletismo, lançamento de disco); equipe de Futebol de 7; Sajad Nikparast (atletismo, lançamento de dardo); equipe mista de tiro com arco; Sajad Mohammadian  e Hamed Amiri (atletismo, lançamento de peso).

 BRONZE


Da esq. para a dir.: Peyman Nasiri Bazanjani (atletismo, 1500m rasos); Assadollah Azimi e Javad Ehsani Shakib (atletismo, arremesso de peso); Mohsen Kaedi e Javad Hardani (atletismo, lançamento de dardo); Ali Sadeghzadeh (halterofilismo, até 107 kg); Ebrahim Ranjbar (tiro com arco recurvo). 

Uma triste notícia ...

O adeus ao ciclista Bahman Golbarnezhad
O ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad, de 48 anos, morreu no último sábado ao sofrer um grave acidente durante a disputa da prova de estrada das classes C4-5 dos Jogos Paraolímpicos.
O atleta perdeu o controle da bicicleta na Descida do Grumari, área próxima à praia com pequenos penhasco em volta da pista. Segundo técnicos ouvidos pela reportagem do UOL Esporte, os atletas atingem velocidades de até 65 km/h no trecho. Golbarnezhad se chocou contra uma mureta, voou de sua bicicleta e acertou o solo de cabeça.
O comitê paraolímpico do Irã confirmou a morte às 16h40. "Bahman era um atleta paraolímpico exemplar, que competia com amor e uma energia inextinguível para promover o nome da República Islâmica do Irã. Seu esforço nesse sentido nunca cessou. O povo do Irã está comovido com a tragédia e expressa suas condolências à família", diz o comunicado (em tradução livre).

E assim nos despedimos dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, onde cada atleta deixou um pouco de sua história e abriram os horizintes para  muitas conquistas no futuro. Espero que tenham gostado do post! Khoda hafez! 


"Por que viajar ao Irã?", descubra neste vídeo


"Eu pensei que sabia o que era uma boa hospitalidade... até chegar no Irã". diz Pete R. um fotógrafo, designer e nômade digital prestigiado pela National Geographic e outras publicações de viagem internacional. Este vídeo publicado em seu canal do Vimeo, há um mês atrás, é uma viagem pelas magníficas paisagens históricas e contemporâneas do Irã.  
Eis o relato do artista: "O primeiro dia que cheguei em Teerã, eu estava caminhando nos arredores do Bazar e fui abordado por vários locais que perguntavam o que nós pensávamos do Irã, nos deram chá e bolo de graça, e permitiram que nós entrássemos nos depósitos de suas lojas, sem pedir nada em troca. Esta mesma cena se repetiu muitas vezes durante minhas duas semanas no Irã e realmente me deixou pensando o quanto eu era desinformado sobre o país. É muito seguro viajar pelo Irã, fácil de ir sozinho porque os locais irão deixar o que eles estão fazendo para te ajudar, e o povo é um dos mais amigáveis do mundo. Sem falar de como as paisagens são belas, como são estonteantes todas as atrações e como o país é fora de série. O Irã é verdadeiramente um país especial que restaura seu coração e sua alma e eu espero que este vídeo mostre pelo menos a metade do calor humano que eu senti do maravilhoso povo do Irã."


Iran 2016 from Pete R. on Vimeo.


Como é a cena atual do rap/hip-hop iraniano

Os rappers iranianos Hichkas e Mahdyar, em um estúdio underground em Teerã em 2008
(Imagem: Newsweek)
Salam amigos! A restrição da liberdade em determinados gêneros e shows musicais tem sido noticiada constantemente quando a mídia se reporta ao Irã. Por outro lado, uma prolífica produção artística tem existido no meio chamado underground do país. Em agosto, o site da Newsweek trouxe uma matéria sobre como é a cena musical do rap iraniano, relembrando a história de seus principais expoentes:
Seis meses após o fim das sanções econômicos impostas pelos EUA, os jovens iranianos estão eufóricos por se reunir ao restante do mundo. Mas muitos deles ainda estão frustrados com a falta de empregos e ainda ressentidos com as leis que proíbem criticar o governo em público, o consumo de drogas e bebidas alcoólicas.  Apesar destas restrições, ou talvez, por causa delas, a música underground, especialmente o hip-hop está florescendo Conhecida como Rap-i-Farsi ou música 021 (por causa do código telefônico da cidade de Teerã), o hip-hop iraniano é fruto da mesma alienação e desespero de seu precursor americano. Mas os rappers iranianos permanecem na obscuridade, vendendo sua música e fazendo seus concertos clandestinamente.“Nós não temos clubes,” diz Mahdyar Aghajani, 27, um produtor de hip-hop que é conhecido pelos seus fãs por seu primeiro nome. “Mas se você for a uma festa, as pessoas vão tocar rap." Seis anos atrás, a polícia de Teerã, prendeu dezenas de rappers e a música 021 foi considerada "moralmente degradante". Isso levou os mais populares MCs do Irã a deixarem o país. Hoje, apesar das leis proibirem o rap, artistas exilados estão tentando mudar seu país à distância, compartilhando batidas e rimas pelo Skype enquanto mostram o Rap-i-Farsi para um novo público fora do Irã. “Nós começamos como uma pequena comunidade de rappers,” diz Mahdyar, um dos astros do aclamado filme Ninguém sabe dos Gatos Persas (2010), que explora a música underground em Teerã. "Agora há milhares de pessoas fazendo rap [no Irã]. Este é o gênero mais popular que os jovens iranianos ouvem."

Cena do filme Ninguém sabe dos Gatos Persas, onde o rapper Hichkas evoca os problemas sociais da cidade de Teerã
A história de Mahdyar é típica de muitos rappers da classe média de Teerã. Como uma criança que cresceu após a Revolução Islâmica, ele assistia à TV ocidental com seus pais por meio de uma antena parabólica ilegal. Seu clip musical favorito era Another Brick in the Wall de Pink Floyd. “Meus pais estavam sempre trabalhando, então eu fui ao jardim de infanâcia quando tinha 3 anos", ele conta. " A professora disse que nós iriamos tocar um instrumento. Eu queria uma guitarra elétrica do Pink Floyd. Ela me deu um violino". Mahdyar aprendeu Bach, Beethoven e Mozart, e tocava na orquestra infantil. Mas, aos 11 anos, ele começou a se envolver com o graffiti, como uma maneira de se rebelar contra as rígidas leis do país. Dois anos depois, um encontro fortuito com alguns dos emergentes artistas do hip-hop de Teerã, fez com que ele começasse a compor batidas. Sob seu comando, o movimento Rap-i-Farsi se expandiu rapidamente, com artistas como Hichkas, Yas, Irfan e Salome MC, uma das primeiras mulheres rappers do país. Hoje, os iranianos o comparam com o legendário produtor RZA. 
Naqueles tempos, o rap iraniano era subversivo mas abaixo da média. "Eu entrei no estúdio com os primeiros caras, e eles eram terríveis,” recorda Mahdyar. “Horríveis batidas convencionais. Nada original. Eles usavam instrumentais que imitavam os americanos como Tupac ou Big Pun. Ou baixando materiais da internet. Era ruim.” Mahdyar acabou com as imitações do rap americano e criou um estilo "mais Oriente Médio". Baseado no pop iraniano tradicional, música clássica persa, poesia farsi, misticismo islâmico e seu conhecimento das cordas clássicas, ele criou algo contagiante e unicamente persa. “Muitas das letras, muito da mensagem é sobre o abismo entre ricos e pobres - coisas que as pessoas não podem tratar diretamente com o governo" diz Mahdyar. “Então o rap se torna o veículo.”Hichkas (que em persa significa“ninguém”), cujo nome real é Soroush Lashkary, 30, outro rapper da classe-média e talvez o mais popular Farsi MC, encontrou Mahdyar há 10 anos atrás, após ler o blog do rapper. Eles se uniram rapidamente e começaram a trabalhar no album The Asphalt Jungle, que foi lançado em 2006. Obscuro e provocativo para os padrões iranianos, o álbum aborda questões como política, racismo, sexismo e repressão. Mas não há palavrões ou apologia ao dinheiro, drogas e sexo como no caso do hip-hop americano. A dupla fez 2000 cópias de  Asphalt Jungle que foram vendidos em dois dias. Mas o fato chamou atenção das autoridades. Em 2006, Hichkas foi preso por uma semana e a polícia confiscou seu passaporte, que só foi devolvido após quatro anos.
Soroush Lashkari, conhecido como  Hichkas, e o famoso símbolo da 021 music
Mahdyar e Hichkas deixaram o Irã, em 2009 e 2010, respectivamente. Atulmente, Hichkas está elm Londres, onde estuda contabilidade. Mahdyar vive em Paris e trabalha como compositor para filmes e televisão. Eles ainda fazem música, mas vivendo em países estrangeiros é mais fácil fazer seu trabalho circular."Evitar a censura é como brincar de gato e rato" diz Mahdyar. "Mas a juventude está sempre um passo a frente. Se o governo bloqueia alguma coisa, sempre há um novo aplicativo." Como muitos rappers iranianos, tanto em sua pátria como no exílio, não ficaram ricos através do hip-hop. "O mercado da música é um pouco complicado" diz Mahdyar, “Eu faço rap por amor.” A maioria de seus fãs estão no Irã e ainda não tem cartões de crédito, o que é legado das sanções. Isto significa que é difícil para os artists venderem algo pelo iTunes ou Spotify. A maioria dos  fãs do 021, no entanto, não paga pelo rap que eles escutam. "Ele começou como uma música underground livre, e as pessoas se acostumaram com isso", diz Mahdyar. "Nós sempre colocamos nossas músicas no SoundCloud, YouTube, Telegram, etc., para acesso gratuito.” 
Mahdyar Aghajani, atualmente exilado em Paris,  trabalha como produtor musical
De seu apartamento em Paris, Mahdyar está trabalhando com outros seis rappers, alguns deles no Irã.  Mahdyar e Hichkas tem tido algum sucesso na Europa, encabeçando shows para mais de 10.000 pessoas. Mas estar longe do 021 mudou sua música, tornando-a mais global e menos focada do que está acontecendo no Irã. “Mas ainda falamos sobre a injustiça,” diz Hichkas. “Injustiça de qualquer tipo - sexismo, racismo, homofobia.” Ele ainda reluta em cantar rap em inglês, mesmo sendo fluente no idioma. “Isto seria bizarro,” brinca Mahdyar. “O farsi é o que funciona melhor para ele". Ambos os rappers tem o desejo de retornar para sua terra. Mas se eles o fizerem, eles correm o risco de serem presos. “Eu não volto para casa há seis anos." diz Mahdyar. "Mas pelo menos eu consigo dormir e fazer música sem me preocupar que alguém irá derrubar a porta.”

Adaptado de Newsweek por Chá-de-Lima da Pérsia