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Farah Ossouli: transportando a poesia para a pintura

Farah Ossouli
Farah Ossouli nasceu em 1953 Zanjan, no norte do Irã. Desde criança, Farah tinha uma imaginação ativa e gostava de criar suas próprias  histórias e personagens, os quais ela desenhava e recortava em cartolina, e brincava com eles por dias. 
Seu fascínio pela literatura e pintura cresciam a medida que ela se tornava adulta, e ela sentia que ambos os interesses queriam levá-la para diferentes direções. Em 1971 ela se formou em artes gráficas e design pela Unversidade de Teerã e  posteriormente aprendeu as técnicas da pintura em miniatura com o renomado mestre Mahmoud Farschian. 
Finalmente, ela compreendeu que poderia unir suas duas paixões, a pintura e as narrativas poéticas da literatura persa em seu próprio trabalho artístico. A série Hafez, é inspirada pela poesia do místico sufi (c. 1325-1389), que escreveu hinos para terrena prazeres e desmentiu a hipocrisia religiosa.   Farah emprega texturas e padrões altamente reminiscentes da arte e tradições islâmicas, através de pinceladas extremamente delicadas e controladas. Nas palavras da artista:
"Minhas pinturas tem uma inegável associação com a tradição visual  iraniana. O entendimento do passado faz com que seja fácil para mim entender o presente. A poesia de Hafez nunca esteve confinada ao passado e pertence a um mundo extraterreno. O fato de ele não conhecer barreiras de tempo ou fronteiras geográficas continuando a estar presente no mundo contemporâneo, sugere a imensidão de seu pensamento"

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 55 cm)

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 65 cm)

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 55 cm)

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 55 cm)

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 62 cm)

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 76 cm)

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 55 cm)

Farah Ossouli, da série Hafez, 2003-2006
Guache s/ papel cartão  (76 X 55 cm)
Esta série, mais recente, intitulada Ars Poetica, mostra a iconografia clássica de uma mulher em várias situações. Os versos que cercam as imagens são da poetisa moderna Forough Farrokhzad, trazendo os contrastes entre o passado e o presente tão presentes na alma e nos sentimentos das mulheres artistas do Oriente Médio. 
Farah Ossouli, Série Ars Poética, 2010
Acrílica s/tela  (30x30 cm cada painel)

Baseado em site da artista Farah Ossouli e Payvand News
Imagens: site da galeria Kashya Hildebrand


Leonardo Di Caprio deve ou não interpretar o poeta Rumi?

Jalal ud-Din Rumi / Leonardo Di Caprio
Salam amigos! Após um breve período de sumiço estou de volta com a polêmica da vez que é nada mais nada menos do que: O que vocês acham de um ator norte-americano interpretando o mais amado-idolatrado poeta persa no cinema?

Segundo noticiou o jornal The Guardian, o diretor David Frazoni, que ganhou o Oscar com Gladiador (2000), estaria cogitando Leonardo DiCaprio para interpretar o poeta persa místico Jalal al-Din Rumi.
Disse o premiado diretor hollywoodiano que através de seu filme "desafiará o retrato estereotipado dos personagens muçulmanos no cinema ocidental mostrando a vida deste grande erudito sufi. Rumi é muitíssimo popular nos EUA. Eu penso que este filme irá lhe trazer uma face e uma história". 

Mas o que está gerando a polêmica, é o fato de Frazoni ter escolhido para a "face de Rumi", nada menos do que um ator branco e norte-americano, como Leonardo Di Caprio. 

Várias pessoas, especialmente muçulmanos, começaram a protestar nas mídias sociais expressando a sua frustração por meio da hashtag #RumiWasntWhite (#RumiNaoEraBranco). A reação também se deu porque o público acredita que o papel ficaria melhor para um ator com traços mais orientais, de preferência um não-branco e não-americano. Foram até criadas listas de qual ator não-ocidental seria o melhor Rumi no lugar de Di Caprio

Se não fosse Hollywood, o ator indiano Hrithik Roshan, seria o Rumi perfeito para mim!
Os escritos do poeta Rumi, que provavelmente nasceu no séc. XIII nas fronteiras orientais do Império Persa, que corresponde atualmente ao Afeganistão, são extremamente populares tanto nos países islâmicos quanto fora deles. Suas obras místicas  Masnavi e Divan, são consideradas entre as mais belas poesias da humanidade e uma edição de bolso com seus poemas o tornou um dos poetas mais bem-vendidos nos EUA em 2014.

Franzoni, disse que já viajou à Turquia com o produtor Stephen Joel Brown para entrevistar estudiosos de Rumi em Istambul e visitar seu mausoléu em Konya, onde o sábio sufi está enterrado. Eles disseram que gostariam que Leonardo Di Caprio interpretasse Rumi, e  Robert Downey Jr estrelasse como seu mentor espiritual Shams de Tabriz. Além disso, tudo o que se sabe é que o filme ainda está em fase embrionária, e os produtores esperam começar as filmagens no ano que vem. 

Aqui no blog já falamos anteriormente sobre como Hollywood retrata os persas e iranianos. Mas o que de fato preocupa os fãs da Sétima Arte, é uma espécie de racismo enrustido que passou a ser definido pelo termo whitewashing ou "branqueamento" de protagonistas que interpretam heróis advindos do Oriente visando maior adequação ao padrão de representação norte-americano. O que não parece ser algo fora da realidade quando lembramos que no ano anterior a hashtag #OscarsSoWhite (#OscarTãoBranco) denunciava a falta de diversidade na Academia. 

E o que eu acho? Aqui no Brasil, parece que não somos tão afetados pelo whitewashing hollywoodiano, uma vez que os atores principais de nossos filmes e novelas não são tão diferentes do padrão "lava mais branco" dos americanos. Apesar disto, acredito que Leonardo Di Caprio é um grande ator, com talento e competência para o papel. E nas montanhas afegãs, onde nasceu Rumi podem ser encontrados homens tão belos como o Di Caprio com olhos e pele tão claros quanto os dele. Quer um exemplo? 
Se precisar, coloque este moço afegão de dublê do Di Caprio no filme 
Vamos esperar o filme e esperar nossos amigos iranianos que conhecem bem a mensagem do Mawlana Rumi avaliarem o quesito artístico. E sabe-se lá quando, a gente volta a falar dele aqui no blog! 

(Baseado em The Telegraph)