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5 Caminhos para entender o cinema de Abbas Kiarostami

O diretor Abbas Kiarostami em 1997
Salam amigos! Entre os dias 20/04 e 09/05 em São Paulo, está acontecendo a mostra de cinema "Um filme, cem histórias",  dedicada ao diretor iraniano Abbas Kiarostami, aproveitando esta ocasião, gostaria de compartilhar um ensaio belíssimo para quem deseja compreender melhor a obra deste cineasta que é um dos maiores representantes do Irã na contemporaneidade: 
“A arte não faz julgamentos, o que a arte faz é nos fazer pensar", diz  Abbas Kiarostami, que é um das figuras mais emblemáticas da New Wave do cinema iraniano por suas obras alegóricas e ricas em filosofia e poesia.  Cada um de seus filmes é uma jornada de redescoberta da vida cotidiana e um olhar para o significado mais profundo de cada momento. Através das lentes de Kiarostami, problemas sociais, políticos e filosóficos são revisitados e questionados. Aqui estão cinco caminhos que você deve seguir para se conectar com a  sua visão de mundo do diretor: 
 1º Caminho:  do fotógrafo


Cena do filme  O Vento nos Levará
Primeiramente, Kiarostami é um fotógrafo, além de ser um cineasta e geralmente ele procura transmitir significado através de um enquadramento e composição peculiares. Quando não está filmando,  Kiarostami está tirando fotos de estradas, árvores, neve, portas, paredes, janelas e qualquer coisa que o inspire. Suas fotografias e seus filmes são sutilmente interconectados. Suas cenas longas e hipnotizantes como O Vento nos Levará e Gosto de Cereja, retratam um homem em uma jornada através de um ponto de vista onisciente, tentando encontrar seu lugar no universo. A posição de sua câmera é enigmática, às vezes em destaque, às vezes um espelho no qual os personagens vêem a si mesmos, como no final de  Cópia Fiel.   
 2º Caminho: do filósofo


Cena do filme Através das Oliveiras
Kiarostami é comparado com Tarkovsky e Bresson devido as suas abordagens místicas no cinema. Filmes como Gosto de Cereja  e O Vento nos Levará trazem a luz argumentos filosóficos e expõem questões existenciais. Em grande parte, o cinema de Kiarostami reflete uma visão Shakespeariana da vida em que "O mundo todo é um palco", ou a vida é como um filme.  Ele sempre insere a si mesmo em seus filmes através da interpretação de papéis e apresentando os bastidores de suas filmagens como em Gosto de Cereja e Através das Oliveiras. Em Gosto de Cereja, o personagem Badi está buscando uma forma de se suicidar e no final do filme, acorda no meio da noite em meio a uma cena dirigida pelo próprio Kiarostami. Ele assiste enquanto o diretor diz "corta". Similarmente, em Através das Oliveiras, o personagem Hossein se apaixona pela sua companheira de cena e continua cortejando a moça dentro e fora das filmagens sob a supervisão do diretor.  
 3º Caminho: dos atores e não-atores


Cena do filme Onde fica a Casa do meu Amigo?
Embora  Kiarostami tenha experiência em trabalhar com astros de renome como William Shimel, Juliette Binoche e Homayon Ershadi, ele ama dirigir talentos crus para alcançar um senso de realismo mais forte em suas filmagens. Ele acredita que trabalhar com não-atores  o ajuda a encontrar outra dimensão para usar. Em um de seus filmes mais recentes, Como um Alguém Apaixonado, ele pacientemente dirigiu  o veterano Tadashi Okuno, que foi um acréscimo para sua vida. E durante a filmagem de Onde fica a casa do meu amigo?, o garoto Babek Ahmed Poor nem mesmo sabia que estava sendo filmado e atuando diante de uma câmera, Kiarostami sutilmente dirigiu um não-ator mirim para deixá-lo menos constrangido. 
4º Caminho: do universo feminino

Cena do filme Dez
Em quarto lugar, as mulheres são a parte mais importante dos filmes mais recentes de Kiarostami. Seu cinema reflete habilmente sobre as questões de gênero e busca retratar as lutas e preocupações femininas.  Em muitos de seus filmes como Dez ou Cópia Fiel, as protagonistas procuram por relacionamentos satisfatórios e lutam para não serem emocionalmente machucadas pelos homens. Estes filmes abrem bastante espaço para as vozes suprimidas e marginalizadas das protagonistas femininas falarem alto e a desafiar os paradigmas da sociedade na qual vivem.  

 5º Caminho: do público pensante


Cena do filme Gosto de Cereja
Finalmente, o corpo do trabalho de Kiarostami é um cinema mais de perguntas do que de respostas. Seus filmes são famosos pelos finais abertos, e por deixar o final a ser imaginado pelo público. O público é desafiado a se engajar ativamente no processo de contar a história e preencher as lacunas enquanto os créditos finais deslizam sobre a tela. Kiarostami mostra o quão bom é o cinema para levantar questões e fazer o público pensar.
Adaptado do ensaio de Azadeh Nafissi para o site The Culture Trip  



2 comentários

  1. Azizam obrigada por esse post! Estou ansiosa para assistir aos filmes! E vi vc todinha na questão que citou sobre "ponto de vista onisciente, tentando encontrar seu lugar no universo." Boooooossss

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    Respostas
    1. Muito obrigada azizam Karla jan! Que ótimo que gostou! Essa frase tem muito a ver comigo mesmo!! Aqui no blog você pode assistir o filme: Onde fica a casa do meu amigo? para sentir um gostinho!
      Booooos

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