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Um tratado de Nowruz, por Omar Khayyam

Omar Khayyam, (ilustração de Rene Bull, 1913)
Omar Khayyam, foi um dos maiores eruditos persas que o mundo conheceu. Autor de tratados sobre filosofia, medicina, matemática e astronomia, além de mais de mil poemas, a ele é atribuída a correção do antigo calendário persa. Aqui vamos conhecer um de seus tratados intitulado Nowruznameh (Tratado do Nowruz), no qual ele explica a origem mitológica do Ano Novo segundo o calendário persa: 
Introdução: Os iranianos conheciam os dois ciclos principais do sol. Em um deles, ele retorna ao primeiro minuto de Áries após 365 dias, e um quarto, mas  não pode retornar exatamente no mesmo dia e hora, porque a duração diminui continuamente a cada ano. Quando o Rei Jamshid descobriu  este dia, ele o chamou de Nowruz e realizou uma grande festa no mesmo dia. Posteriormente, outros reis e o povo continuaram a seguir este ritual. 
E a história conta que quando Kiumars (o primeiro ser humano e o primeiro rei do mundo) estava sentado no trono, ele decidiu dar nomes aos dias e meses do ano e iniciar uma cronologia para as pessoas recordarem. Então, quando ele viu o Sol entrar no primeiro minuto de Áries naquele dia, ele convocou os sacerdotes e disse-lhes para começar a história a partir deste ponto. Os sacerdotes, que eram os sábios daqueles dias, reuniram-se e colocaram em prática o comando do rei. E eles disseram: O Criador fez doze arcanjos. Ele fez quatro deles para assistir aos céus para que tudo o que nele se encontra seja protegido dos demônios. Ele também fez mais quatro arcanjos para  vigiar os quatro cantos do mundo e para manter os demônios afastados das pessoas. E diz-se que (...) o Criador fez o sol com seus raios que nutrem os céus e as terras e todo o mundo olha para ele com respeito e devoção, porque ele é uma luz divina e o interesse do Criador por ele excede os outros.
E diz-se que ele é como um grande rei apontando para um de seus ministros exigindo  para que o reverenciem  mais do que  aos outros e para que admirem sua arte de maneira que quem a venera estaria, de fato, venerando seu rei.
E diz-se: Quando o Criador ordenou (...) que a radiação solar e seus benefícios alcançassem tudo, o sol deixou o ponto zero de Áries e o céu começou a girá-lo, e a escuridão foi separada da luz, dando origem à noite e dia. Este foi o início da história do mundo.
Em seguida, após 1461 anos, o sol chegou em  Áries exatamente no mesmo dia e hora e durante este tempo Urmazd e Saturno estarão em conjunção 73 vezes. Isso  vai acontecer a cada 20 anos e quando o sol completa seu ciclo e atinge este ponto, Marte e Saturno estarão em conjunção em Aries que é regido por Marte. Desta maneira foram determinados o local dos planetas. Quando o sol começou a girar desde o início de Áries com Marte e Saturno outros planetas também estavam juntos, pelo comando do Criador. Quando descobriram essa data e hora, a fim de venerar o sol, os reis iranianos marcaram este dia e realizaram uma festa porque sabiam que nem todo mundo sabia da existência deste dia e informaram o mundo, para que todos pudessem  lembrar essa data.
E diz-se: Quando Kiumars marcou este dia como o início da história e dividiu cada ano solar (365 dias) em doze partes, chamou-os pelos nomes dos doze anjos que o Criador fez para vigiar o universo, então, dividiu cada uma das doze partes em 30 dias. Ele então chamou o ciclo maior que leva 365 dias e um quarto como o grande ano que é dividido em quatro partes. Quando estas quatro partes do ano terminam é o momento do grande Nowruz, a renovação do mundo. E é dever dos reis levar a cabo a sua obrigação real com o propósito de manter a vivacidade e auspiciosidade da história e aqueles que celebram o Nowruz hão de viver na alegria e exuberância até o próxima ano. Esta é a lição que os sábios deixaram para os reis.
O antigo ritual de Nowruz dos reis 
Um dos antigos rituais que começam a partir de Kaykhosrow Kiani (fundador da segunda dinastia iraniana após Jamshid) até o último rei Sassânida Yazdgerd, era que no primeiro dia de Nowruz, o chefe dos sacerdotes era o primeiro a visitar o rei segurando um copo de vinho, com um anel, moedas, um maço de folhas frescas verdes recém-germinadas, uma espada, um arco, uma pena e um tinteiro, um cavalo, um falcão real, e um servo de aparência agradável. O chefe dos sacerdotes deveria dizer: 
"Vossa Alteza:
Durante a festa de Farvardin no mês de Farvardin, eu escolho a liberdade.
Que o anjo Soroush lhe traga sabedoria, discernimento e competência.
Que você possa viver por muito tempo com dignidade.
Cumpra a vontade de seus antepassados.
Seja honesto e generoso, verdadeiro e justo.
Amigo das Artes e do Conhecimento"
(Baseado em artigo do site Tavoos Online)


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