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Do sorvete ao fast-food: a troca culinária entre Pérsia e Ocidente

Mapa da antiga Rota da Seda
Qualquer resumo das atualidades sobre o Irã sempre vai nos fazer deparar com "fatos históricos": do histórico acordo nuclear à histórica visita do presidente iraniano à Europa. Mas é a histórica retirada das sanções econômicas que vai permitir ao Irã retornar a um cenário no qual seu povo foi excelência por séculos: o comércio.
Devido à posição estratégica do Irã na Rota da Seda, o antigo trajeto das caravanas de mercadores que ia da China a Europa, exportando chá, especiarias e seda, também serviu como a rota para exportação da própria cultura persa. A maior evidência deste legado da cultura persa que se espalhou pelo mundo está nas nomenclaturas de muitos alimentos que conhecemos. Não somente aqueles alimentos que já sabemos ter uma origem oriental como saffron (açafrão), chai,  nan, samosa e kebab, mas também aqueles que conhecemos por nomes ocidentais como limão, tamarindo, pistache e jujuba, todos têm nomes de origem persa. 
Segundo a escritora  especialista em culinária persa Najmieh Batmanglij "o Irã foi o primeiro local no mundo a usar muitas das ervas mais comuns, como  manjericão e coentro, e a incluir molhos doces e azedos na culinária. É sabido também que marmelos, romãs, amêndoas, feno-grego, cominho e mostarda vieram do Irã para o Ocidente."  
Entre muitos outros exemplos que podemos citar estão: a palavra inglesa para "doce", candy que é derivada do persa qand, cujo significado é "cubo de açúcar" e o famoso espinafre, que deriva do persa aspanakh. A culinária persa nem é tão comum aqui no Brasil, mas todos nós já ouvimos falar da "água de rosas" (em persa gul-âb ) tão comum na culinária sírio-libanesa. 

Cubos de açúcar, sorvete e água-de-rosas: doçuras de origem persa
Ao que tudo indica, a palavra "sorvete" também vem do persa sharbat , que significa bebida, (mais provavelmente do verbo árabe shariba = "beber"). A palavra que se usa para sorvete no moderno persa é bastani, todavia sua invenção é creditada aos antigos persas, que aprenderam a preservar o gelo e a neve durante os meses quentes do verão em espetaculares estruturas denominadas "depósitos de gelo" construídas na periferia das cidades e ao longo das rotas das caravanas. Esse gelo era misturado com xarope de frutas, mel, ou calda de açúcar, tâmaras ou uvas, dando origem a um delicioso e refrescante sorvete.
Até mesmo alguns alimentos que não são originários da Pérsia, tem nomes persas, devido ao fato de terem sido levados ao ocidente pelos mercadores persas. "Laranja", por exemplo vem do persa nārang, que por sua vez vem do sânscrito. "Berinjela', também também tem origem no sânscrito, mas seu nome vem do persa bādinjān.
Esta encruzilhada de culturas, sem dúvida é uma via de mão-dupla, assim como o Irã exportou seus produtos, também absorveu os de outros países. Um exemplo disso são frutas e vegetais que foram importados pelo Irã há muitos séculos, mas que hoje em dia ainda recebem o rótulo de farangi ("estrangeiro"), como o tomate que ainda é chamado de gojeh farangi (cuja tradução literal seria "ameixa-estrangeira"); o morango é chamado de tut farangi (lit. "amora-estrangeira"), e as ervilhas verdes são chamadas de nukhud farangi (lit."ervilha estrangeira)."
No entanto muitas comidas modernas importadas pelo Irã, são simplesmente conhecidas por seus nomes originais, apesar da insistente persianização. Assim as "costeletas" de carne são conhecidas como kotlet e o macarrão é conhecido como  mākāruni.
Apesar de décadas de inimizade entre EUA e Irã, as cadeias de fast-food são enormemente populares nas cidades iranianas. Se você está sem ideia do que pedir, peça por  um sandivich (sanduíche), por uma pitzah (pizza), ou por um hamberegare (hambúrguer). 

Mash Donald's, uma cadeia de fast-food muito popular no Irã 
Algumas curiosidades sobre fast-foods no Irã:

- Em 1973, o Coronel Sanders e sua esposa vieram ao Irã para abrir a primeira franquia da KFC (Kentucky Fried Chicken). Após a Revolução Islâmica em 1979, a franquia foi fechada, mas reabriu em seguida com o nome de Kabooki Fried Chicken

- Você também pode encontrar o Mash Donald's e a Pizza Hat: cuja troca de nomes é o legado dos tempos amargos de embargo econômico entre EUA e Irã, mas que também são um testemunho irônico de que o gosto pela comida rápida não tem fronteiras.

Adaptado de artigo de Nina Martyris para o site  NPR


Aniversário do blog: Homenagem aos leitores nos 4 anos do Chá-de-Lima da Pérsia

♪ ♫ ♩ Mobarak! Mobarak! Tavalodet mobarak... ♪ ♫ ♩

Salam amigos e amigas da Pérsia! Hoje é o grande dia!!!
É dia de celebrar 4 anos de uma linda história, que começou com a mera curiosidade de uma aspirante a blogueira e virou uma paixão que está contagiando muita gente no Brasil e também em outros países. 
Chá-de-Lima da Pérsia: uma história, escrita não somente pela Moça do Chá, mas por muitos admiradores da cultura do Irã. Escolhi esta data para homenagear o carinho de todos aqueles que acreditam em meu trabalho, seja apenas acompanhando todos os meus posts, comentando, enviando sugestões de conteúdo, elogiando, com críticas construtivas, enfim, com todo tipo de apoio que é possível imaginar... 

E conforme o prometido, hoje vou postar a galeria "Declare seu amor pelo Irã", com as mensagens  e fotos que meus amados leitores me enviaram para tornar este dia inesquecível: 

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Para começar, não tenho palavras para descrever esta pessoa. Minha querida amiga, irmã do coração, apoiadora incondicional, uma brasileira que nasceu nas terras da Pérsia, e que não se cansa de declarar seu amor pelo Irã. Azizam, olha que linda você aqui! 

Fotos de viagem a Teerã e Isfahan enviadas por Karla Mendes 
Meu Amor pelo Irã... 
A vida me deu um presente, que foi a oportunidade maravilhosa de ter nascido em Teerã, Capital do Irã...
Muitos lendo isso poderão se perguntar, ou me perguntar, qual seria essa “oportunidade maravilhosa” de ter nascido em um país tão “mal visto” por alguns?! Bom... aí é que está a questão! E já vos direi qual seria...
Desde novinha, nos meus primeiros anos escolares sem nem saber o porquê, eu já defendia (e continuo defendendo) o Irã de certos comentários injustos, sem fundamentos e que generalizavam uma visão destorcida da minha Terra Natal. Quando eu entrava na sala de aula os meus coleguinhas diziam: “- Escondam-se! A mulher bomba chegou!” “- Não mexe com a terrorista! Ela vai te explodir!” “- Grande coisa ter nascido no Irã! Eu teria vergonha se fosse você!”... Bom, essas palavras me machucavam mais do que se eu levasse um tapa!
Mesmo sendo Brasileira, (Sim... sou Brasileira, nasci lá devido ao meu pai à época de meu nascimento estar exercendo funções Diplomáticas na Embaixada do Brasil em Teerã) e sem nenhuma obrigação de defender o Irã, eu sempre, sempre tomei as suas dores e imediatamente o defendia, como continuo defendo, daqueles comentários que feriam meu coração e que me instigaram a procurar fundamentação para o meu discurso de defesa... Foi quando eu tive a oportunidade de retornar ao Irã, após 35 anos... e foi então que deparei-me com um País Encantador!
Todo aquele meu amor intrínseco pelo Irã exteriorizou-se em meu sorriso, em meu olhar e em minhas palavras nos discursos que hoje eu profiro com embasamento no que eu vi! No que eu experimentei! No que eu senti! E não no que me disseram... e no que ainda me dizem...
Falar do Irã, de seu povo receptivo, de sua natureza linda, da sua cultura envolvente, da sua história emocionante, de sua culinária saborosa, de seus poetas inesquecíveis, de suas músicas incríveis, do seu artesanato milenar e único... Falar da verdadeira essência do Irã e de tudo que o envolve, é um prazer! Disseminar a verdadeira essência desse país é ao mesmo tempo desmistificar conceitos errôneos, “achismos” injustos, opiniões inconcebíveis e visões distorcidas!
E voltando ao início... como, diante de tantas coisas boas que o Irã oferece, eu não acharia que foi um presente e uma oportunidade maravilhosa eu ter nascido lá?! Faz assim... Quer um conselho?  Vá ao Irã! Veja com seus próprios olhos, sinta com sua verdadeira vivência e depois me diga, eu não sou uma felizarda?!?
 Não importa o que digam, não importa a distância, minha alma é Iraniana! Ah Irã... como EU TE AMO!
Parabéns Azizam Janaina pelo aniversário do Blog, que na verdade também é um presente em minha vida, que traz o Irã para perto de mim com as suas incríveis postagens! Você não imagina com eu sou grata por tê-la conhecido pessoalmente e pelo tanto que você já me ajudou a conhecer a história e cultura do país onde eu nasci! Kheili Mamnoon junam! Mobarak!  Muito obrigada minha querida! Parabéns! 
Anna Karla Mendes (Brasília - DF) 


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 Amiga, Lygia do Paraná, lembra que eu disse que ia publicar seu depoimento aqui no blog? Estou cumprindo com minha palavra:
Janaina, parabéns por essa iniciativa que nos brinda todas as semanas com informações sobre esse povo tāo especial e tão erroneamente discriminado. Para aqueles que já tiveram a oportunidade de conhecer de perto esse pais e esse povo, entendem perfeitamente essa declaração de amor. Para aqueles  que ainda não tiveram essa oportunidade, experimentem! E se apaixonem também!
Lygia Madi (Londrina - PR)


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Este  lindo depoimento vem de outro querido leitor que também é autor de um blog sobre o Irã.  Obrigada, amigo Cleydalton do Colinas do Iran
   Prezada Janaína, entro em contato afim de primeiramente lhe parabenizar pelo belo trabalho no seu blog, sei que não é fácil escrever matérias para um blog, pois temos a responsabilidade de passar para a frente o nosso ponto de vista sobre determinado assunto.   Quando falamos do Irã, temos em mente que é um país maravilhoso, com pessoas excelentes, onde são receptivas e alegres, por o gente existe um gene Brasileiro em cada Iraniano, pois são muito parecidos com nós Brasileiros.
Tenho convivido com pessoas desta nacionalidade, e tudo o que vejo contar de coisas boas deste povo são verdade, lógico que quando falamos para alguém que o Irã é um país bom, muita gente se espanta, mas o certo é as pessoas muitas delas são como Tomé, só acreditam vendo. E a concepção de imagem destas pessoas só mudam quando elas vão ao Irã e se deparam com gente alegre, receptivas, esperançosas entre outros dons maravilhosos que só os Iranianos tem.
Mais uma vez meus parabéns pela data e meus votos de muito sucesso com o Blog, sou leitor diário e um admirador pelo belo trabalho desenvolvidos durante anos. Obrigado por mencionar o meu blog, o Colinas do Iran, onde publico matéria interessante sobre o Irã, afim de mostrar para os Brasileiros que existe uma injustiça muito grande da mídia internacional sobre o país persa. E nós que conhecemos a verdade, temos que mostra o outro lada da moeda, pois todo país tem problemas, inclusive o Brasil, mas nada nesta vida é perfeito, exite uma transformação que ocorre o tempo todo, pois a vida é assim, uns erram outros acertam, uns acertam outros erram é a vida.
Deixo os meu votos de sucessos em 2016, para o seu blog e que tenhamos um ano maravilho tanto em nossa pátria como no Irã e resto do mundo. 
Cleydalton Moura (Brasília/ DF) 


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E a cultura do Irã chega a todos os cantos do Brasil, por meio do nosso Chá, minha gratidão para o leitor de Pernambuco: 
Estimada Janaína, através do seu trabalho passei a ter interesse pela cultura e a arte Persa, como também a culinária. Sucesso no 5º ano, que o Clemente seja contigo e os teus.


Paulo Silva (Camaragibe-PE)

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 O amor não tem fronteiras, entre Brasil e Irã, há sempre uma ponte invisível a unir os corações. Minhas saudações ao amigo iraniano Kaveh, que nos acompanha direto de Teerã: 

Fotos de Arte e  Culinária do Irã, enviadas por  Kaveh Davoodi 
Olá , eu Sou Kaveh do Irã , quero dedicar estas fotos para minha esposa brasileira Giovana... Eu e minha esposa gostamos tanto de sua página do Facebook... 
Kaveh Davoodi (Teerã, Irã) 


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Tem também, a montagem super criativa homenageando o antigo layout da nossa Chai khaneh do querido leitor, do interior paulista, mostrando a residência de suas amigas iranianas: 




Salam Azizam! Obrigado pela maravilha de blog e parabéns pelo aniversário
Endrigo Xavier Romano (Neves Paulista /SP)


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Por fim, o iraniano mais brasileiro que eu conheço, meu querido kako Farzan de Shiraz, eu não poderia deixar você de fora jamais! 

Fotos do álbum de família, do Irã nos anos dourados, enviadas por Farzan Hooshmand Sarvestani
Como um iraniano eu seria suspeito de declarar o meu amor e tudo que sinto pela minha amada pátria!

Primeiramente, agradeço imensamente à Mãe de todos os irano-brasileiros, Janaina Elias, pelo belo trabalho que está desenvolvendo , com o seu amor incondicional, pelo Iran.
Deixei o meu pais com o coração estarrecido em 1986 e nunca mais tive a oportunidade de retornar a minha casa, mas o amor pela minha pátria é um sentimento crescente e incessante dentro de mim. Durmo e acordo lendo e acompanho as notícias do meu país.
Mas afinal o que um simples mortal pode falar do mais místico e antigo país do mundo, o qual tem contribuído no desenvolvimento espiritual, literário e científico da humanidade nos últimos 5000 anos?
O país dos grandes reis como Ciro, o Grande (o primeiro declarante dos direitos humanos, com seus nome citado em vários livros sagrados), Dario, o Grande, o maior soberano que a historia da humanidade já conheceu, Nader Shah Afshar (o maior estrategista militar da historia, comparado com Alexandre, o Grande e Napoleao Bonaparte), Lotf Ali Khan Zand (um dos maiores heróis persas e conhecido mundialmente como o ultimo príncipe persa).
O país dos líderes e manifestações espirituais, Mitra e Zoroastro, que pregavam a unicidade de Deus e guerra do bem contra o mal, quando a maior parte da terra vivia sob ignorância. Do mesmo Zoroastro que inspirou a criação da filosofia grega e a cultura ocidental e mais tarde o cristianismo. Dos profetas músico, Mazdak, e pintor, Mani, e das duas últimas manifestações divinas Bab e Bahaullah no seculo XIX que hoje tem milhões de seguidores espalhados pelo mundo inteiro, inclusive no Brasil.
O pais dos maiores poetas que o mundo já conheceu, Rudaki e Ferdowsi, os pais da língua persa moderna (Shahnameh do Ferdowsi, considerado uma das maiores obras da literatura mundial), Rumi, considerado o maior poeta mistico da historia da humanidade, Saadi e Hafez, estrelas brilhantes da poesia persa, do matemático Khayyam que o seu livro de poesia Rubayyat ja foi traduzido em todas as linguas importantes do mundo, de tantos outros poetas que como diz o proverbio: ha mais poetas no Iran do que estrelas no céu!
Sem falar do Avicena, o médico, filósofo, poeta, matemático...que o seu livro de Medicina ate a invenção da Antibiótica, por quase 9 séculos, era a maior referência na medicina pelo mundo inteiro.
De tantos outros heróis conhecidos e desconhecidos: do seu povo que mesmo não tendo pão para comer, vende o seu velho tapete para poder hospedar uma visita que acabou de conhecer e a tratar como um rei...da sua alegria contagiante que apesar de todas as proibições continuam cantando e dançando....
O pais de quatro estacoes distintas, da sua primavera poética, com a natureza reacordando, o calor intenso do seu verão que se refresca logo com as brisas do outono e a queda das folhas secas dos seus arvores centenários. Seu inverno tao lindo, com frio que da prazer e reúne mais as famílias e amigos em torno de fogos naturais e artificiais.
E o Noruz? O maior e mais antigo festival da humanidade, o verdadeiro e mais legítimo início do ano novo, de tantas outras festas e celebrações....
Iran, esta terra santa e abençoada por Deus, sobreviveu de tantas desastres naturais e humanas e vai sobreviver desta ultima que vem dominando o pais nas ultimas quatro décadas. Sem duvida, mais uma vez, num futuro não muito longe, irá brilhar como uma estrela e sera visto como o um verdadeiro paraíso pelos olhos da toda humanidade!
Farzan Hooshmand Sarvestani (Canadá)

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E aí, gostaram da homenagem? Eu fiquei suuuuuper emocionada com os depoimentos! 
E para todos que gostariam de participar do aniversário do blog, mas por algum motivo não conseguiram mandar as fotos e depoimentos, não fiquem tristes! Esta é uma pequena amostra do carinho que tenho por todos os meus leitores, sintam-se representados aqui e continuem mandando mensagens inspiradoras! 

Você gostaria que o blog tivesse uma homenagem aos leitores com que frequência? A cada ano, semestre, trimestre, mês...  
Deixe o seu comentário! 


Como 10 filmes americanos retratam o Irã

16 de janeiro de 2016, um dia histórico para o Irã! O acordo nuclear e a retirada das sanções econômicas dos EUA sobre o Irã no último sábado, devem representar um grande alívio para o povo iraniano após mais de três décadas. Por outro lado, o cinema de Hollywood, uma indústria que lucrava milhões com o famigerado inimigo da América, terá que buscar outras alternativas. Não faltam exemplos de filmes americanos que tiveram grande audiência na TV, bateram record de bilheteria e até ganharam o Oscar mostrando uma imagem estereotipada dos iranianos. Vamos recordar alguns deles: 

1-Argo (2012) 


Ben Affleck em cena de Argo
Sinopse:
(Direção: Ben Affleck) Agindo sobre o pretexto de buscar um cenário para um filme de ficção científica de Hollywood, o agente da CIA Tony Mendez (Ben Affleck) parte em uma perigosa operação para regatar seis americanos em Teerã durante a crise dos reféns na embaixada americana no Irã em 1980. 


Quem é a estrela:
O próprio diretor do filme, o ator Ben Affleck,  protagoniza o herói da história que resgata os americanos. Ganhador do Oscar 2013, o prêmio curiosamente foi entregue diretamente da Casa Branca pela primeira-dama norte-americana Michelle Obama, no ano que o Irã decidiu boicotar o Oscar, por outros motivos já citados aqui no blog. 

Como retrata o Irã: 
O filme deixa de lado o drama histórico dos cerca de 60 funcionários reféns na embaixada americana em Teerã e se concentra apenas na fuga do grupo das 6 pessoas salvas pelo herói da CIA . Ele até consegue cumprir o objetivo de reproduzir bem as localidades e o visual dos anos 70 com uma boa fotografia, e nos fazer torcer  até o fim pela turma de americanos inocentes que tenta escapar das garras dos iranianos barbudos e "maus". O ator que faz o funcionário do consulado é o Rafi Pitts, um conhecido ator e diretor do cinema iraniano. Mas o resto é puro clichê e não acrescenta nada a longa lista de filmes estilo Bad Arab já feitos por Hollywood, retomando alguns dos mesmos arquétipos da série O Voo da Águia, feita nos anos 80. Já reproduzi em outro post um depoimento de como os iranianos receberam o filme Argo


2- O voo da Águia (1986)


Richard Crenna em uma cena de O Voo da Águia 
Sinopse:
(Direção: Andrew V. McLaglen) Mini-série  baseada no livro de Ken Follet, On Wings of Eagles. Quando um grupo de executivos de uma importante corporação do Texas são tomados como reféns durante a crise na embaixada americana em Teerã, durante a Revolução Iraniana, o magnata  Ross Perot (Richard Crenna) parte em uma operação especial com ajuda do ex-coronel do exército Arthur "Bull" Simons (Burt Lancaster)  para resgatá-los.

Quem são as estrelas:
Os célebres atores norte-americanos Burt Lancaster e Richard Crenna, interpretam os heróis da trama. No Brasil, a série foi exibida pela TV Manchete em 1991 (mas eu lembro de ter assistido a reprise em 1998.)

Como retrata o Irã: 
A abertura da série mostra o Irã pós-revolução como um cenário caótico com um mar de gente empunhando armas, queimando símbolos americanos, derrubando a estátua do xá Reza Pahlevi e brandindo punhos em saudação ao aiatolá Khomeini. E os iranianos são mostrados e assim durante todo o filme, exceto pelo personagem Rashid (Esai Morales) um jovem iraniano que trabalhava como estagiário para a corporação americana e que por fidelidade a seus patrões se torna aliado do time de resgate dos reféns e emigra para os EUA no final. 


3- Nunca sem minha filha (1991)


Sally Field em cena de Nunca sem Minha Filha
Sinopse:
(Direção: Brian Gilbert) Betty (Sally Field) é uma dona de casa americana que vive no Michigan com seu marido, um médico iraniano  chamado "Moody" (Alfred Molina) e sua filha Mahtob. Com saudade de sua terra natal, o marido convence Betty a viajar para o Irã com ele e sua filha durante as férias. Betty tem medo, mas após o marido jurar que tudo ficará bem, aceita viajar. Ao final das duas semanas de férias, Moody revela a Betty que foi despedido do seu emprego em Michigan e que decidiu permanecer no Irã, onde há falta de médicos devido à Guerra Irã-Iraque. Impedida pelo marido de sair de casa, Betty decide  escapar do Irã com sua filha. O filme é uma adaptação do livro homônimo de Betty Mahmoody e William Hoffer, baseado numa história real.

Quem é a estrela:
A atriz norte americana Sally Field,famosa por interpretar a Noviça Voadora, nos anos 60, é a protagonista. 

Como retrata o Irã:
O Irã da guerra Irã-Iraque (década de 80) é um local perigoso, especialmente para cidadãos americanos. Quando Betty chega ao Irã, quase é presa por mostrar um pouco do cabelo sob o véu. Além disso a família está descontente com a americanização de Moody. O médico americano, que antes era um marido gentil e amoroso, passa a agir de modo violento e machista após a mudança para o Irã. E os maridos iranianos são sempre os vilões, como no caso de uma outra americana, que se torna amiga de Betty, que apanha do marido e é obrigada a frequentar aulas sobre o Alcorão para se tornar uma esposa devota. 

4- O Apedrejamento de Soraya (2008)


Jim Caviezel e Shohreh Aghdashloo em cena de O Apedrejamento de Soraya
Sinopse: 
(Direção: Cyrus Nowsrateh) Adaptado do livro do jornalista francês Freidoun Sahebjan, La Femme Lapideé, baseado em uma história real. Numa remota aldeia iraniana, um jornalista (Jim Caviezel) é abordado por Zahra (Shohreh Aghdashloo), uma mulher com uma história para contar sobre sua sobrinha, Soraya (Mozhan Marnò), apedrejada até a morte por ser acusada pelo marido infiel (Navid Negahban). Sua única esperança de justiça está nas mãos do jornalista, que deve sair com a história - e sua vida - a fim de comunicar tal violência ao mundo.

Quem são as estrelas: 
O ator norte-americano Jim Caviezel, (o  Jesus de A Paixão de Cristo) interpreta o jornalista franco-iraniano Freidoun Sahebjam. A aclamada atriz iraniana Shohreh Aghdashloo, que estrelou ao lado de Ben Kingsley em Casa de Areia e Névoa, interpreta Zahra. A personagem central Soraya, é interpretada pela atriz norte-americana de origem iraniana Mozhan Marnò. 

Como retrata o Irã: 
Desde que postei uma resenha sobre este filme aqui no blog, ele é um dos mais procurados pelos leitores, apesar das cenas de violência chocante! Em um remoto e poeirento vilarejo no coração do Irã, seus habitantes parecem isolados do mundo todo, as mulheres submissas como Soraya não tem voz e os homens são facilmente manipulados por seus interesses mesquinhos. O marido de Soraya, é não somente negligente e machista, mas um bandido perigoso que ameaça matar quem não cumpre o que ele quer. A tia de Soraya, é uma mulher valente que é acusada por todos de ser uma louca por querer denunciar um crime disfarçado de justiça. O jornalista Freidoun que está só de passagem pelo vilarejo iraniano, é o estrangeiro que pode mudar alguma coisa, mostrando para o mundo as injustiças cometidas naquele país. 

5- 300 (2007)


Gerard Butler e Rodrigo Santoro em cena de 300
Sinopse: 
(Direção: Zack Snyder) Baseado na série de histórias em quadrinhos homônima de Frank Miller e Lynn Varley. Na Batalha de Termópilas (Grécia, 480 AC), o rei Leônidas (Gerard Butler) e seus 300 guerreiros de Esparta lutam até a morte contra o numeroso exército do rei Xerxes (Rodrigo Santoro).  Na História, a batalha ficou marcada por ter inspirado toda a Grécia a se unir, o que ajudou a solidificar o conceito de democracia que se conhece hoje. 

Quem são as estrelas: 
O ator escocês Gerard Butler, interpreta o rei Leônidas, o herói ocidental e o brasileiro Rodrigo Santoro interpreta o inimigo, a versão mais caricata e infame de todos os tempos do rei persa Xerxes. 

Como retrata os persas: 
Não preciso, mas vou dizer porque este é um dos filmes mais odiados pelos iranianos. Em primeiro lugar por causa da caricaturização efeminada e grotesca do  rei persa Xerxes I, e em segundo pela representação do exército persa como uma legião de demônios fantasmagóricos. O filme 300 aborda uma temática histórica de modo totalmente ficcional, porém a mensagem é clara, mostrar o ideal de superioridade do ocidente (a Grécia racional, democrática e heroica) contra o oriente (a Pérsia exótica, tirana e irracional). A Academia de Artes Iraniana repudiou oficialmente o filme, por ultrajar a identidade histórica do povo iraniano. 

6- Alexandre (2004) 


Rosario Dawson e Colin Farrell em cena de Alexandre 
Sinopse: 
(Direção: Oliver Stone) O quarto filme a retratar a vida do jovem conquistador do séc. IV a.C, mostra a saga de Alexandre, rei da Macedônia (Colin Farrell), que lidera sua  legião contra o gigante Império Persa que dominava quase todo o mundo conhecido no oriente. Após derrotar os persas (331 a.C) ele conduz seu exército para outras partes da Ásia, planejando conquistar até os confins do mundo. 

Quem é a estrela: 
O ator norte-americano Colin Farrell, (que com o cabelo tingido de loiro ficou a cara do Brad Pitt), interpreta o rei Alexandre. 

Como retrata os persas: 
Este filme até que faz um retrato menos injusto dos persas do que 300. O rei persa Darius é interpretado por um ator israelense bonitão (Raz Degani), o exército persa até que possui armaduras bem elegantes. Outros personagens persas estereotipados são a princesa Roxana (Rosario Dawson) e o eunuco Bagoas (Franscisco Bosch), respectivamente a esposa e o amante de Alexandre. E por que os iranianos odeiam este filme? Simplesmente porque foi ele, Alexandre, que após uma noite de bebedeira, mandou destruir Persépolis, a capital cerimonial do império Aquemênida, e isto não é mostrado no filme. Além disso, o roteiro confunde descaradamente Babilônia com Pérsia, além de outras imprecisões históricas. 

8- Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010)


Gemma Arterton e Jake Gyllenhaal em cena de Príncipe da Pérsia: As Aréias do Tempo
Sinopse:
(Direção: Mike Newell) Baseado no  jogo de videogame Prince of Persia, em um cenário da Pérsia da Idade Média, o filme narra a saga de. Dastan (Jake Gyllenhaal) um jovem príncipe, que auxilia o irmão a conquistar uma cidade. Lá ele encontra uma estranha e bela adaga, a qual decide guardar. Tamina (Gemma Arterton), a princesa local, percebe que Dastan detém a adaga e tenta se aproximar dele para recuperá-la. A adaga possui o poder de fazer seu portador viajar no tempo, quando dentro dela há areia mágica. Só que Dastan é vítima de um golpe. Ele é o encarregado de entregar ao pai, o rei Sharaman (Ronald Pickup), uma túnica envenenada, que o mata. Perseguido como se fosse um assassino, ele precisa agora provar sua inocência e impedir que a adaga caia em mãos erradas.

Quem é a estrela: O ator norte-americano Jake Gyllenhaal, famoso por O Segredo de Brokeback Mountain, interpreta o príncipe Dastan. 

Como retrata os persas: Muitos iranianos consideram Príncipe da Pérsia um filme claramente racista. O mocinho Dastan e a mocinha Tamina, assim como toda a corte do reino do mocinho são interpretados por atores norte-americanos brancos, enquanto o restante do elenco, os servos, os músicos e  "persas maus" são de origem iraniana ou latina. Embora existam algumas referências geográficas como Alamut (norte do Irã), as cenas do deserto foram filmadas no Marrocos. E apesar das mínimas alusões históricas como à seita dos Hassassins, a caracterização dos personagens e cenários do filme passa muito longe de representar a cultura persa islamizada da Idade Média sem lugar para os braços e peitoral à mostra do príncipe Dastan. 


9- O dançarino do deserto (2014)


Reece Richards e Freida Pinto em cena de O Dançarino do Deserto
Sinopse: 
(Direção: Richard Raymond) Baseado em uma história real, o filme conta a história de Afshin Ghaffarian (Reece Ritchie) um iraniano que desafia as leis de seu país e ignora o clima constantemente tenso fazendo aquilo que mais gosta: dançar. Ele forma uma companhia clandestina com amigos próximos e ensaia em casa assistindo vídeos de Michael Jackson, Pina Bausch e Gene Kelly na internet. Como dançar em público é proibido no país, ele planeja uma performance do grupo no meio do deserto.


Quem são as estrelas:
O ator britânico Reece Ritchie que também aparece em Príncipe da Pérsia, interpreta Afshin Ghaffarian e a atriz indiana Freida Pinto, famosa por Quem quer ser um milionário? interpreta sua fiel companheira Elaheh. 

Como retrata os iranianos: 
Também já escrevi  uma resenha sobre este filme aqui no blog, um dos mais recentes em cartaz aqui no Brasil. Como outros citados, este também é um dos filmes em que atores de outras origens interpretam os papéis principais e iranianos nativos papéis secundários. O roteiro é permeado por um exacerbado viés político, que se deixa perceber do início ao final do filme, encaixando os personagens dentro das manifestações que caracterizaram o famoso Movimento Verde que realmente teve lugar no Irã em 2009, em apoio ao candidato Mir Hossein Mousavi.

10- Camp X-Ray (2014)


Peyman Moaadi e Kristen Stewart em cena de Camp X-Ray
Sinopse: 
(Direção: Peter Sattle) O filme conta a história de Amy Cole, (Kristen Stewart) uma jovem que larga sua vida pacata e sufocante de uma cidade do interior dos EUA para se alistar para o exército. Nisso ela vê uma esperança de ir para o Iraque e assim, entrar em contato com uma nova cultura. Mas essa esperança é interrompida, quando ela acaba sendo enviada para uma missão em um local completamente diferente do que ela esperava, uma prisão em Guantánamo, no sudoeste de Cuba. Lá acaba criando uma amizade improvável com Ali (Peyman Moaadi), um iraniano que está preso no local há 8 anos. 

Quem são as estrelas: 
A atriz norte-americana Kristen Stewart, famosa pela saga O Crepúsculo, interpreta a soldado Amy Cole e o ator iraniano Peyman Moaadi, famoso pelo filme A Separação, interpreta o prisioneiro Ali.

Como retrata os iranianos: 
É um filme com poucos personagens, com todos os protagonistas muçulmanos interpretando prisioneiros em Guantánamo. Preso há 8 anos, o único passatempo do prisioneiro Ali é ler Harry Potter, recitar o Alcorão e desenhar arabescos em copos de plástico. A polêmica está no fato de que o personagem iraniano é preso por ser acusado de terrorismo, embora não exista nenhuma prova até o final do filme de que ele tenha cometido algum ato terrorista.

E você, conhece mais algum filme ou série que retrata os iranianos de forma estereotipada? Deixe o seu comentário! 

Sites consultados: Adoro CinemaIMDb e Wikipedia


Declare seu amor pelo Irã no aniversário do blog!


Salam amigos! Vai começar a contagem regressiva para o aniversário de 4 anos do blog Chá-de-Lima da Pérsia. Faltam só 10 dias ! E todos podem participar desta comemoração. Quer saber como? 
Envie um depoimento ou foto declarando seu amor pelo Irã para o e-mail chadelimadapersia@yahoo.com.br até o dia 21/01. No dia 24/01 serão todos publicados em uma galeria super especial aqui no blog!

Conto com sua participação!


Os poemas "persas" de Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Quem já viu estes versos, já parou para pensar qual foi a inspiração do célebre poeta recifense Manuel Bandeira? Em um trecho da prosa intitulada Itinerário de Pasárgada, o próprio autor explica: 
“Vou-me Embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. Estava certo de ter sido em Xenofonte, mas já vasculhei duas ou três vezes a Ciropedia e não encontrei a passagem. O douto Frei Damião Berge Informou-me que Estrabão e Arriano, autores que nunca li, falam na famosa cidade fundada por Ciro, o antigo, no local preciso em que vencera a Astíages. Ficava a sueste de Persépolis. Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas” ou “tesouro dos persas” suscitou na imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias como o “L’Invitation au Voyage” de Baudelaire.(...)
 BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

Ruínas de Pasárgada, província de Fars, Irã 
A cidade de Pasárgada, que foi uma das capitais do antigo Império Aquemênida, hoje em dia é um sítio arqueológico localizado a 87 km de Persépolis, na província de Fars no Irã. É um Patrimônio Mundial da UNESCO e também um dos locais mais visitados pelos turistas, porque é lá que se encontram as ruínas do palácio e o monumento que acredita-se abrigar o túmulo do rei Ciro, o Grande. É neste sítio também que estão visíveis ainda as estruturas dos Jardins de Pasárgada, famosos na antiguidade. Sabe-se que os persas tinham grande apreço pelos jardins, que eram considerados como a imagem do paraíso na terra. Daí parece vir a justificativa mais apropriada para o poema de Manuel Bandeira.  

E as referências de Bandeira aos temas persas não param por aí. Um poema bem menos conhecido, mas não menos interessante é o seu " Gazal em Louvor de Hafiz" publicado em Lira dos Cinquenta Anos (1940): 

Gazal em louvor de Hafiz 
Escuta o gazal que fiz,
darling, em louvor de Hafiz:
- Poeta de Chiraz, teu verso
tuas mágoas e as minhas diz.
Pois no mistério do mundo
também me sinto infeliz.
Falaste: "Amarei constante
aquela que não me quis".
E as filhas de Samarcanda,
cameleiros e sufis
Ainda repetem os cantos
em que choras e sorris.
As bem-amadas ingratas
são pó; tu vives, Hafiz!

O poeta Hafiz, ou Hafez de Shiraz, já é um velho conhecido dos leitores deste blog. E sobre o gênero poético Gazal, encontrei no site Recanto das Letras, esta definição :
"Gazal, ou Gazel, (Ghazal, Ghazel) é um poema lírico de forma fixa de origem árabe, de cunho amoroso e místico, de forma leve, que surgiu no final do séc VII.  
"É impossível falar em gazal sem nomear o poeta persa Hafiz (falecido em 1389/90), que o revitalizou ao escrever toda a sua poesia em gazais. Ele ficou célebre pela melodia dos seus poemas de tal modo que o seu túmulo se tornou um local de romaria e meditação. Escreveu uma poesia melancólica, cheia “do efêmero de todas as coisas e do enigma irresolúvel do universo”. Este foi o grande poeta das ausências, das partidas, das separações. Desde Hafiz é que se tornou costume o poeta colocar seu nome no final dos poemas. Goethe, escritor alemão romântico, escreveu um gazal, introduzindo-o, assim, na Europa."
Além de Manuel Bandeira,  no Brasil, outros autores brasileiros de renome fizeram referências a literatura clássica persa nos anos 40 e 50, como Aurélio Buarque de Hollanda e Cecília Meireles (no poema "3º Motivo da Rosa"). Muito provavelmente as obras persas chegaram ao Brasil mediante as traduções inglesas e sobretudo francesas, a partir das quais foram traduzidas para o português.


Como o Brasil via o Irã na década de 50?

Se hoje em dia o Irã é um país desconhecido e controverso para os brasileiros, é devido a falta de divulgação de boas fontes de cultura. Para se conhecer de fato a cultura e as belezas de um país é preciso sair do mundo dos noticiários tendenciosos e do véu da política. Garimpando pela internet, encontrei esta encantadora coleção de selos intitulada "Estampas Eucalol: Viagem Pitoresca Através dos Continentes" em um daqueles descompromissados sites de páginas estáticas de pesquisa. Os textos que se seguem são descritos como: "extraído[s] do verso das Estampas Das Coleções do Rio de Janeiro", datadas de 1957. Queridos leitores, conheçam agora como o Brasil via o Irã naquele ano em que "Pelé acabava de estrear na Seleção Brasileira!"



IRÃ – NOÇÕES GERAIS 
O Irã é um reino do Sudoeste da Ásia que se situa a leste do Iraque e do Golfo Pérsico, ao sul do mar Cáspio e ao Oeste das montanhas que limitam o Paquistão e o Afghanistão. 1.640.000 km2, 18.500.000 habitantes. Capital: Teerã; Cidades principais: Tabriz, Ispahan, Meched.

TEERà
Teerã, capital do Irã e residência do Xá, é situada ao Sul do Monte Elbruz cujos cumes são coroados de neve. Teerã é uma cidade bem moderna hoje, tem 1 milhão de habitantes e 23.000 automóveis.

TAPETES ORIENTAIS 
A fabricação de tapetes é a mais antiga indústria do Irã. Muitos dedicam-se a esta arte, e os tapetes persas gozam de fama mundial. Os iranianos gostam dos seus tapetes, e há até um ditado segundo o qual quem tem tapete, tem lar. A ilustração mostra como são lavados.

MESQUITA DE ISPAHAN 
Mulheres muçulmanas cobertas de um “chador” comprido, e acompanhadas das suas crianças, comtemplam a maravilhosa piscina da Mesquita do Xá, em Ispahan é a mais orientalde todas as cidades iranianas e possui as mais lindas mesquitas.


BAIRRO ANTIGO – ISPAHAN 
A parte antiga de Ispahan traz em sua dignidade e sua decadência a preciosidade de muitas cidades ilustres. Este encanto único se reflete na bruma sufocante dos ventos arenosos sob o sol ardente que mantém o brilho desta verdadeira “Pérola da Pérsia antiga”.

PASTORES EM KHORASSAN 
Khorassan é uma região, e uma cidade do nordeste do Irã. Assim como nesta ilustração ela surge como o paraíso terrestre para quem chegar do deserto, saindo das extensas planícies tristes e sonhando com o murmúrio das águas que devem lhe aparecer como um milagre. Numa infinita tranquilidade de espírito estes pastores passam o dia em companhia de sua ovelhas.

Fonte: Cultura e Conhecimento


O novo visual do blog e uma historinha na nossa "casa de chá virtual"

Nova identidade visual do blog
Salam queridos amigos ávidos por chá e pelo sumo das limas-da-pérsia! Notaram algo diferente aqui na nossa chaikhaneh virtual?  Isso mesmo! O Chá-de-Lima da Pérsia estreando o ano com esse visual totalmente novo que a Moça do Chá, que também é designer gráfica nas horas vagas, fez com muito carinho para homenagear os 4 anos que o blog vai completar no dia 24 deste mês! 
Apresento também a nova identidade visual do blog: um novo logotipo mais estilizado e elegante, e a decoração da nossa casa de chá que agora tem luminárias de cobre do bazar de Isfahan que pendem do topo e um lindo tapete Tabriz de padrões nômades lá no rodapé do layout.  Os tons contrastantes de turquesa e terracota que sobressaem na arquitetura clássica também estão presentes relaxando nossos olhos, assim como os delicados traços de desenhos inspirados nas iluminuras e miniaturas persas. O novo menu principal no topo e um menu com ícones de categorias vai facilitar ainda mais a sua navegação no blog.  

Relembre os layouts que fizeram a história do blog Chá-de-Lima da Pérsia: 
Layout do blog de 2012 a 2014 
Layout do blog de 2014 a 2016
E neste começo de ano estou trabalhando mais do que samovar em casa de família iraniana para fazer deste o maior e mais completo blog sobre cultura iraniana em língua portuguesa e na medida do possível o mais atualizado também!  
Como também sou contadora de histórias nas horas vagas, gostaria de compartilhar com vocês um conto muito especial, e quem  ler até o final vai ter direito a mais uma rodada de chá por conta da casa! 
Era uma vez menina de uma cidade pequena que adorava ler. Em um tempo onde a internet não era assim tão acessível, ela era uma típica ratinha de biblioteca. Gostava de ler todo tipo de literatura, de romances de banca de jornal até enciclopédias. O prazer que a leitura lhe dava era algo tão grande e inexplicável que ela não conseguia parar de ler. Até mesmo durante as aulas na escola, quando ela terminava as lições, tinha sempre um livro sobre a carteira para ler até a aula terminar. Mas acontece que ela não se contentava somente com a leitura. Ela adorava imaginar aquilo que ela lia e de vez em quando transportar para o papel em forma de desenhos. E suas histórias favoritas eram os contos vindos do Oriente como as Mil e uma noites, ou até mesmo As Novas Lendas orientais de Malba Tahan. Foram estes livros que a transportaram pela primeira vez para um país chamado Pérsia... 
A Pérsia que a menina conhecia através dos livros era mágica! Era uma terra de lendas e aventuras, de magos e sábios eruditos como o astuto persa Beremiz Samir de O homem que calculava. A Pérsia era tão distante e desconhecida, mas por algum motivo ela adorava a sonoridade do nome de uma fruta cítrica chamada lima-da-pérsia. Um olhar descompromissado no verbete de uma enciclopédia a fez descobrir que a Pérsia, era o antigo nome do atual Irã. 
Mas o Irã... O Irã que lhe vinha a mente, era o Irã das notícias de TV. Um país fechado, cinzento e melancólico, dominado por velhos aiatolás, cuja imagem mais marcante era o de rostos emoldurados por véus e turbantes negros. Tão, tão distante da sedutora Pérsia dos livros de contos...
Um dia, ela viu um filme iraniano chamado O Balão Branco, e viu que o Irã também tinha outras cores além do cinza e negro. O Irã também tinha o Véu Azul e a Cor do Paraíso, aliás, também esses eram títulos de outros filmes que ela passou a gostar cada vez mais de assistir. Mas o Irã continuou ali, emoldurado pelo cativante mistério daquele cinema que a maioria dos espectadores ocidentais, fora do circuito dos artistas intelectuais considerava como "filmes parados". Mas a nossa garota, gostava mesmo assim daqueles filmes. 
Anos depois, quando a internet se tornou acessível para ela, assim como para o mundo todo, o Youtube se tornou o seu maior passatempo. Nas férias, eram até três filmes iranianos seguidos!  Ah, nem preciso dizer que seu segundo maior passatempo era ler blogs. Ela seguia todos os blogs sobre islamismo, cultura árabe, cinema indiano, viagens à Turquia... Seu terceiro maior hobby, era estudar idiomas naqueles sites que era possível entrar em um chat e praticar os idiomas com pessoas do mundo todo. 
E foi assim, estudando árabe, turco e inglês, que uma porção de iranianos começaram a puxar papo. Ela dizia a eles que tinha vontade de conhecer todo os países árabes e a Turquia, mas o Irã... sei lá... apesar de assistir tantos filmes e documentários o Irã ainda continuava meio sinistro. Mas não custava nada tentar aprender a língua persa, já que ela já dominava o alfabeto árabe e a sonoridade da língua era muito bonita.
Mais alguns anos se passaram, e ela continuava mantendo contato com estes iranianos da internet. Eles eram pessoas tão amistosas, sensíveis e cultas que até a inspiraram a criar seu próprio blog sobre cultura iraniana! E foi quase como um sonho o dia em que ela finalmente pousou nas terras da Pérsia. Enquanto o avião aterrissava no aeroporto de Teerã, ela derramava muitas lágrimas, mas já não eram lágrimas de medo e sim da mais pura emoção...
Bem amigos, conseguiram adivinhar quem é esta menina da historinha? Muito prazer, sou eu! Janaina Elias, a "Moça do Chá" que hoje vos escreve! 
Com muito carinho e dedicação, a cada ano que passa eu me orgulho mais e mais de ter criado este blog que é uma fonte de pesquisa, entretenimento, amizades e tudo isso acompanhado de muita cultura!  Faltam nada menos do que 16 dias para comemorarmos o seu aniversário de 4 anos! 
E durante este mês vamos comemorar juntos com uma contagem regressiva muito especial! 

Por fim, quero expressar minha enorme gratidão a todos que me apoiam e ajudam na divulgação do meu trabalho! E vamos dar as boas vindas ao novo ano do Chá-de-Lima da Pérsia! 
Aguardem que em 2016 tem muito mais novidades! 


Feliz Ano Novo! Vem aí 2016!










Salam amigos! Vem aí um novo ano, sempre trazendo muita renovação e promessas de um futuro grandioso. Que haja sempre explosões de alegria e amor por toda parte!   

O Chá-de-Lima da Pérsia deseja a todos um FELIZ 2016!

!سال نو مبارک برای دوستان ایران