HOME SOBRE DIÁRIO DE VIAGEM LÍNGUA PERSA SEU GUIA FAQ CONTATO LOJINHA

Linkagens 2016: 12 fatos que vão fazer você ver os iranianos com outros olhos


Salam amigos! 2016 sem dúvida foi um ano surpreendente, em todos os sentidos. Para muitos, um ano de decepção, com poucas coisas boas, e um clima de "acaba logo" parece que tomou conta da internet. Aqui no blog Chá-de-Lima da Pérsia, sempre fiz questão de mostrar coisas boas e positivas sobre o Irã, o único país que tive a oportunidade de visitar, mas que deixou somente boas memórias em minha vida. E mesmo em minhas redes sociais, por mais indignada ou triste que eu esteja com a situação de nosso país ou da minha vida pessoal, tento evitar de compartilhar notícias trágicas ou mensagens que me tragam mais desânimo. Também não sou fã de clichês motivacionais, nem conselhos superficiais de autoajuda que funcionam muito bem para quem escreve, mas não para mim. Em vez disso prefiro compartilhar tudo aquilo que me inspira, que me encanta e o que desejo espalhar para o mundo, porque é isso que também espero receber de volta!
Como o tema do meu blog é a cultura iraniana, todos os dias recebo alertas de notícias sobre o Irã: 90% destas notícias falam sobre política internacional ou violações dos direitos humanos. E adivinhe qual é o único veículo em língua portuguesa dedicado somente ao que há de melhor na cultura iraniana? 
Para que possamos começar 2017 com o coração e o pensamento voltados para novas realizações, fiz esta seleção de linkagens, que foram compartilhadas em  nossos grupos do Facebook e em nossa Fanpage ao longo de 2016: 

O galã iraniano que conquistou um dos prêmios mais importantes do cinema mundial, como protagonista  do filme O Vendedor.

A despedida ao aclamado diretor que pôs o Irã no mapa do cinema mundial, transformou gente comum em estrelas de cinema e deixou lições inestimáveis através de seus filmes.

Zahra Nematizadeh, a rainha arqueira do time olímpico e paralímpico do Irã, que superou as limitações físicas e se tornou um das melhores atletas de seu país

Se por um lado na política, as relações entre EUA e Irã são conturbadas, no esporte eles festejam juntos e fazem boas amizades! 

Kimia Alizadeh, uma atleta iraniana de apenas 18 anos, tornou-se a primeira mulher de seu país a conquistar uma medalha olímpica, conquistando o bronze no Tae Kwon Do.

Sajad Gharibi não é apenas um fortão qualquer, é um jovem iraniano de proporções assustadoras que se tornou um fenômeno da internet por se comparar a um super herói da Marvel. 

O zagueiro Cardoso pensou que ia encontrar "guerras e bombas no Irã", mas teve boas surpresas em sua chegada ao país. 

Por ocasião de uma celebração religiosa,  peregrinos iranianos plantaram árvores em um antigo campo minado na fronteira com o Iraque, local que na década de 80 foi um dos palcos da guerra entre os dois países.  

 Ahmad Soufi nasceu em 1882, no Curdistão iraniano e em 2016 completou 134 anos de idade. Possivelmente ele é o homem mais velho do mundo e ainda aparenta ser saudável! 

Para Komeli Nezafati, um jovem  mulá, a compaixão pelos seres vivos é a justificativa para salvar a vida de muitos animais abandonados. 

Imagine se no futuro pudéssemos acabar com a poluição emitida pelos veículos! O cientista iraniano Alaeddin Ghasemi parece ter encontrado a solução! 

Uma imagem emocionante que viralizou nas últimas semanas é a de um professor visitando um aluno com câncer, para ensinar o que ele vem perdendo na escola por estar internado. 

Que tal fazermos um exercício de reflexão nesta final de ano? Pegue todas notícias ruins de que for capaz de lembrar, anote em um papel, faça uma bola com o papel e dê um chute para o mais longe que puder! 

E você? Lembra de mais alguma notícia bacana de 2016? Compartilhe nos comentários e deixe sua mensagem de Feliz 2017! 


Feliz Natal!!!

Que o Natal renove nossas esperanças 
e preencha nossos corações de paz e amor!


A origem persa dos símbolos natalinos

Salam amigos! Hoje trago uma informação curiosa, especialmente em uma data em que quase todos os pensamentos estão voltados a uma ideia concebida há séculos do que seja o Natal. Antes de tudo, gostaria de compartilhar que assim como muitos leitores deste blog, também tenho formação cristã, e não pretendo questionar as crenças acerca do nascimento de Jesus, mas acredito que compreender o seu simbolismo mais profundo nos ajuda a vivenciar esta data em toda sua plenitude.

Velas, frutas, castanhas e passas, símbolos da Yalda
Primeiro, vamos notar a proximidade de duas datas com significados similares. A Yalda (20 ou 21/12), do calendário persa e o Natal (25/12) do calendário gregoriano. A noite de Yalda representa a vitória da luz sobre a escuridão, o triunfo do bem sobre o mal. Estes conceitos são oriundos do Mitraísmo, uma religião trazida a Europa pelos gregos, após a derrota dos persas por Alexandre e durante o séc. IV, tornou-se a religião predominante na Europa, e a principal concorrente do cristianismo. 
O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do deus persa Mitra, o "Sol da Virtude". A data foi incorporada pela Igreja, que em vez de proibir as festividades pagãs, forneceu-lhes significados cristãos. As alusões dos padres da Igreja ao simbolismo de Cristo como "o sol de justiça" (Malaquias 4:2) e a "luz do mundo" (João 8:12) expressam esse conceito.

Os Magos da Pérsia previam a chegada de um salvador há cada 1000 anos
Na antiga Pérsia, a oposição entre as forças era muito importante, tendo a luz representada por Ahura Mazda e a escuridão por Ahriman, daí provavelmente vem a tradição das luzes de Natal, simbolizadas por velas e pisca-piscas. E a tradição zoroastriana, escrita no Zend Avesta prevê a chegada de três "salvadores" nascidos em um ciclo de 1000 anos concebidos de uma virgem, em um período de 3000 anos. E foi no segundo destes ciclos, que os três Magos, que eram astrólogos da cidade de Saveh no Irã, viram o surgimento da era de Peixes, com o nascimento de Jesus no primeiro dia mais longo do ano, há 2000 anos atrás. (Veja o post sobre A provável origem persa dos Reis Magos).

Relevo na escadaria da Apadana, em Persépolis,  provavelmente as primeiras árvores de Natal
Se você visitar as ruínas de Persépolis, no Irã, irá ver a representação de várias árvores de Natal esculpidas em relevo nas escadarias da Apadana (salão de audiência do rei Dário). E se você odeia passas no arroz, já pode culpar os persas! O arroz com passas persa é chamado de Javaher Polo, que significa "arroz com jóias" e simboliza uma vida doce. As frutas frescas, passas e nozes, típicas da época natalina, também se encontram nas korsi das casas iranianas durante a noite de Yalda. Cada fruta tem um significado especial, por exemplo, as nozes simbolizando, abundância e prosperidade e as maçãs e melancias a saúde, etc.

E para finalizar, seriam o Papai Noel e o Amu Nowruz dos persas, a mesma pessoa?

Ator iraniano representando o Amu Nowruz , o bom velhinho do Ano Novo Persa
O Amu Nowruz, também chamado de Baba Nowruz, é um dos personagens do Ano Novo Persa, sua, figura  é um velhinho de longas barbas brancas, gorro, cajado e trajes verdes, que traz os presentes para as crianças nesta época. Eu iria ainda mais longe, buscando semelhanças no traje vermelho com gorro do Haji Firuz, outro personagem folclórico iraniano...

E de onde será que vem a roupa vermelha do Papai Noel? 
Independente das crenças, o importante é a confraternizar o momento, e unir nossos corações no desejo universal da paz que o Natal simboliza! 

Deixe seu desejo de Feliz Natal nos comentários! 

Fontes consultadas: Iran News Blog e Crystalinks


3ª Picnic dos Amigos da Pérsia: Um encontro inesquecível entre brasileiros e iranianos


Salam amigos! Demorei, mas estou de volta trazendo o tão aguardado post sobre o 3º Picnic Iraniano dos Amigos da Pérsia, que aconteceu no domingo passado (11/12) no Parque do Ibirapuera em São Paulo.

Um domingo chuvoso, mas nada atrapalhou a nossa diversão.

Esta é a frase que poderia resumir o nosso evento. Mais uma vez, com muita alegria, brasileiros e iranianos, se encontraram para celebrar a amizade que surgiu a partir do amor em comum pela cultura do Irã! 
Logo de manhã, eu e a amiga Karla Mendes, que sempre vem de Brasília, para organizar e agitar a turma, nos reunimos com urgência, para preparar os pratos típicos da culinária persa que não poderiam faltar em nosso piquenique, já que os iranianos que convidamos no último encontro não puderam participar. Às 12h30 eu estava lá na marquise, em frente à Oca, esperando pelos convidados, apreensiva com o tempo chuvoso, enquanto Karla jan corria contra o tempo para finalizar os pratos. 

Amigos reunidos no início do encontro

Brasileiras apaixonadas pelo Irã
Logo chegaram os queridos amigos Vanessa Paulino, Carol e Daniel Plácido, de São Paulo e Jefferson Henrique de Jandira. Também recebemos uma rápida visita da amiga leitora Aniete Barros que infelizmente não pode permanecer no encontro por motivos familiares, mas me felicitou com seu carinho e gentileza.
Ainda tivemos a sorte de nos sentar na grama sob uma árvore no começo do encontro, quando saiu um sol que quase nos deu a esperança de que o tempo permaneceria estável. Abrimos o nosso cardápio com o Mast o Khiar, o tradicional, iogurte com pepino e hortelã, servido com pão sírio, uma receita simples e deliciosa que não pode faltar em uma refeição iraniana. Porém, passadas umas horas a garoa começou e depois a chuva  caiu pra valer, e a única saída foi levar a nossa toalha, junto com o nosso banquete para a área coberta da própria marquise. Disputando espaço com skatistas, patinadores, ciclistas e a feirinha de artesanato, mas lá estávamos firmes e fortes!


Banquete iraniano na marquise do Ibirapuera...

O delicioso Khoresht Gheimeh
Um domingo de chuva na capital paulista, atrasa todo mundo. Mas, finalmente, a guerreira Karla chegou com o prato principal e o chai, e para alegria geral, outros três amigos iranianos vieram juntos com ela: os simpáticos e divertidos Majid, outro Majid e seu amigo Vahid. Então nos servimos do tão esperado e saboroso Khoresht Gheimeh, um delicioso cozido de carne com molho de tomate, cebola, lentilhas e limão seco, acompanhado de arroz com açafrão e batatas fritas. Um sabor que com certeza surpreendeu o paladar de nossos amigos brasileiros e arrancou elogios dos rapazes iranianos saudosos da culinária de sua terra natal!

Para os amigos da Pérsia, não teve tempo ruim 
Roubamos a cena com esse piquenique!
 De sobremesa tivemos frutas deliciosas como melancia, pêssego, uvas, tâmaras e damascos, que não podem faltar em um piquenique iraniano, e como todo mundo adora doce, também teve chocolates trazidos pelos nossos amigos brasileiros. E por fim, um legítimo chai iraniano, para aquecer a nossa amizade, que resistiu até ao temporal em meio a uma tarde de domingo.

"Melhor encontro de todos", "adoramos tudo, a comida e as pessoas maravilhosas que conhecemos" e "que venham mais encontros!". Estas foram algumas das palavras dos participantes deste dia inesquecível!

Os gatos persas *-*

E a melhor parte deste encontro: novas amizades e ótimas recordações! 
Para finalizar, gostaria de deixar minha imensa gratidão a todos os que participaram, cujos nomes foram citados neste post, que colaboraram com tanto carinho e boa vontade para o sucesso deste evento. E também a todos, que gostariam de ter participado, mas não puderam, por morarem muito longe, ou por quaisquer outros motivos. Haverá outras oportunidades de nos encontrarmos, e faremos o possível, também para ir a outras cidades!


Desde já, estão todos convidados! Um grande abraço a todos! 


Chá-de-Lima da Pérsia, apoia a produção do documentário "Salam, Síria"


Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia, sua ponte entre o Brasil e o Irã, também abre espaço para a divulgação de projetos culturais que busquem desmistificar preconceitos que envolvem outras culturas. 
O nosso novo parceiro é o Documentário Salam, Síria, que tem como objetivo retratar o cotidiano de famílias sírias que escolheram três diferentes países para viver (Jordânia, Alemanha e Brasil) mostrando o passado, o presente e a perspectiva de futuro dos membros de cada família, além de mostrar os desafios, medos, esperança e amparo que estas famílias estão tendo e quem são os personagens por trás guerra e das ajudas humanitárias nas cidades de São Paulo (Brasil), Augsburg (Alemanha), Campo de Zaatari e Amã (Jordânia). 

E porque o blog abraça essa causa? 

 Salam, que significa "paz", em persa e em árabe, é a palavra que sempre uso para dar as boas vindas aos leitores do blog. Desde 2011, a Síria enfrenta uma  guerra civil de proporções catastróficas, na qual milhões de pessoas já foram vítimas, ou estão buscando refúgio em várias partes do mundo. Antes da guerra, o país era um dos destinos turísticos mais procurados do Oriente Médio, por suas cidades históricas, belas paisagens, famosa culinária  e povo acolhedor. O Brasil, que em  sua formação histórica, abriga imigrantes e descendentes, hoje acolhe diariamente refugiados de todas as partes do mundo, e a convivencia com estes já se tornou parte integrante de nosso cotidiano. Por isso, conhecer suas histórias é fundamental para acolhermos com respeito e solidariedade a estes nossos irmãos de outras nações. O título Salam, Síria, também reflete o nosso desejo, de que o futuro traga a paz  para a Síria e para todas as nações do mundo. 

Saiba um pouco mais sobre o documentário: 



Como surgiu a ideia?

A ideia de fazer o documentário partiu da socióloga e documentarista, Juliana Torquato, que morou no Oriente Médio entre os anos de 2014 e 2015 e viu a situação difícil dos refugiados sírios na região e resolveu escrever o projeto e apresentar para os produtores Joice de Oliveira e Rodrigo Moraes. Ambos abraçaram a ideia e decidiram pensar em uma maneira de arrecadar fundos para a produção com o objetivo de ter como contrapartida a ajuda aos refugiados que fossem os protagonistas do filme.



E porque é importante ajudar este projeto? 

Com a sua ajuda, a verba arrecadada será utilizada para a produção completa do filme  e 50% DA RENDA SERÁ DOADA PARA OS REFUGIADOS ENTREVISTADOS. Assim, poderão trazer seus entes queridos para o país em que estão vivendo e melhorar suas condições de vida.

Quer saber como ajudar? 

Se assim como nós, você também abraça essa ideia e gostaria de apoiar este projeto, entre no site Catarse.me, e faça sua doação. Além de  poder escolher a melhor forma de pagamento 
você ainda ganha recompensas! 

E a melhor e mais valiosa recompensa, é fazer a sua parte para um mundo mais justo e fraterno! 


Agora é a sua vez! Contribua com o Documentário Salam, Síria


Fotógrafa italiana revela um cotidiano intimista e poético do Irã

Duas mulheres no café Naderi em Teerã (Francesca Manolino)
Na grande maioria das vezes, quando vemos fotos do Irã na mídia, estas estão associadas a um viés político ou, quando raramente mostram o cotidiano do povo não vão além dos clichês das mulheres de véu e homens de barba e turbante caminhando com austeridade por ruas cinzentas. Para desmistificar este estereótipo, a fotógrafa italiana Francesca Manolino apresenta um belíssimo ensaio que revela de forma calma, intimista e poética, suas impressões de viagem ao Irã. 
A fotógrafa se inspirou a visitar o Irã há 10 anos atrás, quando assistiu o filme Persépolis. Tendo estudado antropologia na universidade, a caligrafia persa a fascinava, e durante seu mestrado em fotografia, ela conheceu o trabalho da artista vistual iraniana Shirin Neshat. E por fim, ela começou a seguir o trabalho de vários fotógrafos iranianos que a inspiravam no Instagram. 
Quando Francesca finalmente visitou o Irã, ela acabou por fotografar algumas dessas pessoas que tinha conhecido por meio do Instagram. Apenas duas horas após aterrisar em Teerã, seu primeiro encontro foi com a estudante Sahba, que a convidou como hóspede em sua casa no norte da capital iraniana.
Por nunca ter visitado o Irã antes, a fotógrafa buscava encontrar uma realidade diferente daquela que a mídia mostra. Antes de chegar ao país ela se perguntava se as pessoas se deixariam fotografar, ou se teria problemas com a polícia moral. Embora o ensaio tenha sido feito somente na capital Teerã, Francesca afirma que apesar da rígida censura no país, jamais encontrou jovens tão cultas e inteligentes quanto as iranianas. 

A cidade de Irã vista do alto da Torre Milad 

Sahba, 19, estudante de literatura inglesa. Mudou-se sozinha para Teerã para estudar

As jovens Elham e Mohadese curtem a neve no alto da montanha Tochal

Negar, 20, apaixonada por cinema. É fã de Pasolini e Tarkovski

Condomínio Apadana, em Teerã, onde jovens Instagramers adoram fotografar

Uma jovem artista com sua pintura finalizada

Dois jovens diante da Torre Azadi em Teerã

Leyla, 24, designer gráfica e fotógrafa, na livraria Hanooz, onde os iranianos adoram comprar livros, revistas  e CDs 

Ponto de táxi, próximo da praça Azadi em Teerã

Melika, 20, desenha no quadro negro após sua aula de pintura

Sahba, no Museu de Arte Contemporânea de Teerã, diante de um quadro de Mark Rothko

Final da tarde em Teerã

Adaptado de The Washington Post


Miniaturas persas ganham vida em fotografias

O ideal de beleza da era Qajar (séc. XIX)
Salam amigos! Aqui no blog você já deve ter lido alguns posts sobre as famosas miniaturas persas. Sabemos que esta forma de arte clássica ainda é perpetuada em um viés entre o tradicional e o contemporâneo por artistas como Mahmoud Farshchian e Farah Ossouli. Mas o que você ainda não viu, são estas miniaturas ganhando vida em forma de fotografia e arte digital, com modelos iranianas representando os temas destas pinturas. É óbvio, apenas para uma pequena ressalva, que as modelos aqui mostradas representam muito mais a estética das mulheres iranianas de hoje do que as das épocas mencionadas. Talvez os traços originais das princesas da era Qajar com seus narizes aquilinos e monocelhas não nos atrairiam tanto hoje em dia, mas a arte de cada época tem seu modelo de beleza predileto. Apesar de ter mais de 8 anos que essas imagens foram publicadas na web, em outras palavras, o padrão estético das iranianas atuais ter mudado bastante, o que importa agora é nos deixar viajar um pouco pela história da arte iraniana com estas românticas fotomontagens com direito a todos os aparentes truques de Photoshop! 

As camponesas são um tema muito comum da arte da miniatura persa 

As servidoras de vinho que alegravam o coração dos poetas 

As damas da corte Qajar em um suntuoso palácio

Gol e Qali; assim eram chamados os tapetes inspirados nas flores dos jardins persas

Palácios suntuosos, flores e belas damas, a maior inspiração dos miniaturistas

De volta ao campo, recebendo a visita com  chá e frutas 

A donzela com o vinho e o olhar apaixonado para o poeta e seu admirador

Como seria visitar uma princesa Qajar, em seu trono cravejado de pérolas e pedras preciosas ? 

As pastoras nômades celebram a primavera em Persépolis
No passado, as flores eram ofertadas aos reis em Persépolis

As garotas nômades trazem as flores do campo ao palácio 

O pássaro escolhe o poema de Hafez para a donzela

Imagens publicadas no site IPC


CAMPANHA: Seja o meu patrão e ganhe recompensas


Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia já tem mais de 4 anos de existência, e em sua história já contribuiu com novas amizades, testemunhos incríveis de pessoas que perderam o medo de  viajar ao Irã, aprendizados e descobertas de valor incalculável. Os posts publicados tem tanta qualidade que até a própria Embaixada do Irã, além de sites internacionais recomendam o nosso conteúdo. Dá uma olhada nos comentários  que recebo quase todo dia: 
Muito interessante! Incrível esse Blog. Parabens ... em Como o Brasil via o Irã na década de 50?

O blog é SUPER original e MUITO bem organizado! Continue assim! Tudo de bom! o/ em Cinema Iraniano: Dez

Ola, Janaína! ... seu blog. Parece um livro bom de se ler....Parabéns e obrigada por compartilhar. Vou continuar lendo. Beijos em Viagem ao Irã: Jornada em Persépolis e Shiraz

... Janaina, querida! Assalamo alaikum. Adorei seu blog, já li outras vezes...Parabéns por trazer um pouco da cultura iraniana em português para o Brasil.. parabéns pelo carinho em cada detalhe no blog. em Sirvan Khosravi - Doost daram zendegi ro

Nossa!!! adorei demais esse post! de uns tempos pra cá, por curiosidade fui ler alguns textos iranianos (Farid ud Din Attar e Omar Khayaam) e me apaixonei pela sabedoria e cultura iraniana! Seu texto e o blog da Janaina, me fazem ter mais vontade de visitar esse lindo país! ... em Guest post: O sabor da hospitalidade, visitando uma família iraniana no Brasil
Todo este trabalho é feito de forma gratuita, com esforço, amor no coração e boa vontade! O que pouca gente sabe é que por trás de um blog tão bem sucedido existe uma pessoa que faz o trabalho de cinco. Olha só  quanta coisa ela dá conta de fazer sozinha, ao mesmo tempo:

  • Web Designer: para chegar neste layout maravilhoso dias e horas estudando códigos para Blogger e trabalhando em softwares designer gráfico. 
  • Pesquisadora: para chegar ao melhor conteúdo sobre de cultura iraniana também tem que "cavucar" muito na web, além de muita leitura e estudo diário, assistindo vídeos, conversando com pessoas. 
  • Tradutora: para ser o único blog dedicado exclusivamente a cultura iraniana em língua portuguesa, também tem que investir no aprendizado de idiomas. Apesar de não ser uma tradutora profissional, meu conteúdo tem sido elogiado pela clareza das informações.  
  • Redes Sociais:  Hoje em dia,"quem não Facebooka e não Twitta se intrumbica" (rs)... mas não basta postar, tem que ter estratégia e criatividade. Isso poderia ser incluso como um trabalho de publicidade, sim? 
  • Consultora: sim, o blogueiro que vira autoridade em um assunto, tem que responder dezenas de e-mails semanais, ouvir críticas, dar dicas, ser conselheiro sentimental, e ainda ser sempre simpático e amável. 
  • Além de sobreviver como artista visual e educadora aqui no Brasil (rs)...

Além disso, o que um(a) blogueiro(a) investe de si próprio? 
  • Tempo (em média 6hs semanais só no blog)  
  • Luz elétrica
  • Internet 
  • A saúde das articulações dos dedos e pulsos e da visão, por ficar grudado por horas na frente do computador... 

Apesar de todo este tempo de vida, reconhecimento e admiração dos leitores, o Chá-de-Lima da Pérsia ainda não é um blog profissional. Ou seja, ainda não tem um domínio próprio, não tem patrocinadores e  nem colaboradores diretos. 

Se você ama o blog Chá-de-Lima da Pérsia, e considera a divulgação da cultura iraniana no Brasil uma chave para expandir seus horizontes, colabore com amor e ganhe recompensas*! 

Você pode FAZER A DOAÇÃO:
 por meio do PagSeguro (botão abaixo)
ou via depósito/transferência bancária (entre em contato).
* Recompensas serão entregues em até 2 dias úteis após a comprovação do pagamento. 

  • Doando R$ 5,00 - eu te mandarei pelo correio o seu nome em caligrafia persa impresso em um lindo papel decorativo   
  • Doando  R$ 10,00 - eu te mandarei pelo correio o seu nome em caligrafia persa + um lindo cartão postal   
  • Doando R$ 20,00 - eu te mandarei pelo correio, seu nome em caligrafia persa + um lindo cartão postal + um pôster exclusivo com arte persa  
  • Doando R$ 50, 00:  outros brindes acima, divulgação de banner de seu trabalho artístico, loja, marca ou empresa durante quatro meses aqui no blog. 
  • Doando R$ 100,00: outros brindes acima, divulgação de seu banner durante quatro meses aqui no blog, farei um post divulgando seu trabalho artístico,  loja, marca ou empresa 
CLIQUE NO BOTÃO ABAIXO PARA DOAR A QUANTIA DESEJADA





Chub-Bazi, a dança dos bastões do folclore iraniano

Chub-bazi, dança dos bastões na província de Sistan e Baluchistan

Chub-bazi
, que literalmente significa "jogo dos bastões" ou "dança dos bastões" é um tipo de dança folclórica encontrada em todo o Irã. A coreografia consiste em uma espécie de combate pacífico, onde os dançarinos se desafiam com seus bastões. Acredita-se que a origem da dança seja uma reminiscência dos antigos combates que eram realizados com espadas.  
Há dois tipos de chub-bazi: o primeiro assemelha-se mais diretamente com um combate estilizado; embora alguns movimentos sejam rítmicos, os dançarinos batem os bastões em uma espécie de improviso. É uma dança tipicamente masculina, em pares diante de uma roda de espectadores. Este estilo de dança é encontrado principalmente entre as tribos do sudoeste do irã, como os Lors, Bakhtiaris e Qashqais. Por ser uma dança competitiva, agressiva e perigosa, somente dançarinos experientes fazem as performances. Se um dançarino inexperiente tentar entrar na brincadeira, pode até sofrer fraturas nas pernas! 
No estilo Qashqai, dois dançarinos seguem um acompanhamento musical, geralmente de karna (corneta) e naqqara (tambor). Um dançarino assume o papel de atacante, e outro o de defensor. O  atacante circula o defensor até  conseguir acertá-lo na perna, então os papéis se invertem e outros dançarinos vão se alternando na sequencia. O chub-bazi é ao mesmo tempo uma dança e uma exibição de talento e bravura; os participantes são julgados tanto por suas habilidades de combate quanto pela graça na execução dos movimentos de dança. Veja uma demonstração no vídeo abaixo: 


Este tipo de dança geralmente é praticado nas celebrações de casamentos ou outros eventos folclóricos.  Por exemplo, na cidade de Arak, o chub-bazi é parte de um ritual performado no quadragésimo dia do inverno (10 de Bahman/30 de janeiro). Um grupo de homens chamado nāqālī vai de casa em casa dirigindo rituais para atrair fertilidade e boa sorte. Eles entram no pátio da casa e iniciam os rituais com o chub-bazi, acompanhado pela música do sorna (clarineta) e dohol (tambor).  


O segundo tipo de chub-bazi é mais uma forma de recreação social do que uma competição. Os movimentos dos dançarinos e as batidas dos bastões seguem um padrão rítmico definido. Pode ser executado em pares ou em círculo e podem incluir tanto homens quanto mulheres.  Neste estilo, cada dançarino carrega seu bastão e executa um passo básico, batendo nos bastões dos outros dançarinos, e batendo seu próprio bastão no chão, seguindo o ritmo da música. Embora os padrões de movimentos sejam definidos, sempre há um espaço para a improvisação individual.  
Na cidade de Marand, na província do Azerbaijão Oriental, também há um estilo similar, celebrando o final do inverno, no qual os dançarinos utilizam dois bastões, com o acompanhamento rítmico do daf (tambor com argolas).



Além do Irã, as  danças com bastões existem em todo o Oriente Médio (por exemplo o tahtib no Egito), na Ásia Central e Índia. De fato podemos encontrar este estilo de danças no mundo todo. Aqui no Brasil, encontramos alguma semelhança com as danças de origem africana como o  maculelê e o Moçambique.

Adaptado de The Circle of Anciente Iranian Studies


Retratos dos povos afro-iranianos, uma minoria desconhecida


 Você sabia que assim como no Brasil, no Irã também existem descendentes de negros escravos?  Porém, por serem uma minoria étnica que habita principalmente o sul do Irã, estes povos são quase desconhecidos, embora apareçam em alguns filmes clássicos iranianos como O Corredor de Amir Naderi (1985) e O Dia em que me tornei Mulher de Marzieh Makhmalbaf (2000). Tenho recebido várias vezes em meus alertas do Google uma matéria do blog português Visão sobre os afro-iranianos, a qual já compartilhei em nossa fanpage. Neste post gostaria de mostrar especialmente o trabalho do  fotógrafo germano-iraniano Mahdi Ehsaei que documentou os afro-iranianos de maneira primorosa em seu projeto artístico Afro-Iran: The Unknow Minority. Confira alguma dessas maravilhosas imagens: 





“O olhar e o modo como os trovadores que hoje personificam Haji Firuz [o arauto do ano novo persa] cantam e dançam evocam a fisionomia e o dialeto africanos”, diz o fotógrafo Mahdi Ehsaei sobre uma figura que depois da abolição da escravatura no Irã, em 1928, ainda entoa rimas como “Meu Senhor, eleva a tua cabeça/ Meu Senhor, olhe para si próprio/ Meu senhor, por que não ri?” Haji Firuz foi um dos rostos negros que levou Ehsaei, 27 anos, a ir ao encontro de uma comunidade “desconhecida e ignorada”, no sul do Irã. O outro foi um homem que o cativou no estádio de Hafeziyeh, na cidade de Shiraz.




“É importante salientar que nem todos os escravos na Pérsia eram africanos e que nem todos os africanos chegaram à Pérsia como escravos”, esclareceu Ehsaei. “A Pérsia também tinha escravos do sul da Rússia e do Cáucaso do norte, enquanto alguns marinheiros africanos vieram para trabalhar no Golfo Pérsico. A partir do início do século XVI, portugueses e espanhóis ocuparam gradualmente as ilhas de Qeshm [Queixume] e Ormuz, de grande interesse estratégico. A ocupação da costa africana ocidental deu aos portugueses acesso ao comércio de escravos, que controlaram durante os mais de cem anos que dominaram o Golfo Pérsico.”
Muitos dos afro-iranianos descendem desses escravos: bambassis, núbios e habashi. Os bambassi ou zanj, vieram de Zanzibar (atual Tanzânia), e países vizinhos – possivelmente Moçambique e Quênia (Mombaça). Os núbios vinham da Núbia e da Abissínia. Os habashi eram originários da Etiópia.





>> Este vídeo mostra o trabalho completo sendo folheado: 

   .

Fonte: Visão | Fotos: Mahdi Ehsaei