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Como as iranianas "realmente" se vestiam antes da revolução islâmica na década de 70

"Que tal minha roupa? Estou combinando com a mesquita hoje? " 
Salam amigos! Faltam só dois dias para acabar o ano e não falta assunto sobre o Irã na web! E o mais recente, que na verdade, eu já estou careca de ver é um post intitulado: "Como as mulheres iranianas vestiam-se antes da revolução islâmica, na década de 70? Surpreenda-se!!!"

Verdade, já estou careca de ver estas fotos sensuais de atrizes iranianas que beiram a Playboy, e outras que são retiradas da revista Vogue, dos anos 70 com modelos que não tem absolutamente nada de iranianas posando nas ruínas de Persépolis ou com seus vestidos esvoaçantes ornando com as cores dos azulejos das mais famosas mesquitas e monumentos históricos do Irã. A propósito confira a mais incrível galeria que eu já vi de fotos mostrando a evolução da moda e da beleza das celebridades femininas no Irã nas décadas de 1950, 60 e 70 no site Pars Times ! 
Obviamente, temos as imagens das divas pop que são ícones desta geração mais ousada e outras celebridades e modelos, a maioria dos quais deixou o Irã após a revolução e atualmente vive fora do Irã, no exílio. 

As cantoras Giti (esq.) e Googoosh (dir.) divas do pop iraniano dos anos 70 

Susan Hakima, a miss Irã em 1970 
Ali Hatami e  Zari Khoshkam, os pais da famosa atriz Leila Hatami (ainda vivem no Irã atualmente)
Forouzan, foi uma das atrizes iranianas mais amadas na década de 70
De fato, o Irã, antes da revolução islâmica de 1979, (como aborda a matéria  citada acima) era um país muito diferente do que vemos na atualidade. Por muito tempo, o país foi pró-ocidental, permitindo uma certa quantidade de liberdade cultural, mas ainda assim, era um país do Oriente Médio, com suas parcelas conservadora e moderada a liberal da população. 
A mídia tende a esquematizar, o Irã antes e depois da Revolução, como se tudo se resumisse a "mulheres antes e depois do véu". Porém uma pesquisa mais aprofundada da cena urbana no Irã dos anos 70 nos revelam um interessante contraste entre as mulheres bi-hejab (sem hejab) e as adeptas do véu islâmico.  


  O contraste entre as mulheres bi-hejab (sem hejab) e as adeptas do véu islâmico  
O chador islâmico e a moda ocidental andavam lado a lado no Irã dos anos 70
Estudantes no interior do Irã , antes da revolução islâmica
O contraste é ainda mais marcante em uma praia no Irã dos anos 70!

Para mais informações, sugiro também que leiam os posts O hijab no Irã e suas variações e Breve história da moda no Irã

Espero que tenham gostado do post, Khoda Hafez e Feliz 2016!!


"Muros da gentileza", um ato de solidariedade dos iranianos

"Muro da gentileza": roupas são penduradas para doação na cidade de Shiraz 
Salam amigos! Sabe aquela faxina de final de ano, quando pensamos em descartar um monte de coisas que não usamos mais? Que tal doar para alguém que precisa? Recentemente, uma iniciativa que se espalhou em várias cidades iranianas está dando o que falar na web, são os chamados "muros da gentileza". Confira a notícia que foi publicada no Portal Terra
Uma iniciativa iraniana está promovendo a doação de roupas nos muros das cidades do país para ajudar moradores sem teto e famílias pobres a suportarem o clima o frio dessa época do ano.
Os "muros da gentileza", como a iniciativa ficou conhecida, apareceram nas maiores cidades do Irã e desataram um amplo debate nas redes sociais sobre como ajudar os mais pobres. A ideia parece ter surgido na cidade de Mashhad, no nordeste do país.
Uma pessoa que, segundo um jornal local, deseja permanecer no anonimato colocou ganchos e cabides em um muro e escreveu: "Se você não precisa, deixe aqui. Se você precisa, leve."
Aos poucos, as pessoas começaram a deixar casacos, sapatos e outras roupas de inverno nos muros para moradores sem-teto ou famílias pobres.
E a ideia se espalhou rapidamente para outras cidades iranianas graças às redes sociais, onde fotos de muros com doações começaram a ser postadas com mensagens pedindo colaboração.
"Não deixem nenhum (sem-teto) tremer de frio neste inverno", diz uma delas.
"Esta é uma ótima iniciativa. Espero que se espalhe para o resto do Irã", disse um usuário do Facebook.
"Os muros nos lembram da separação, mas, em algumas ruas de Shiraz, eles uniram as pessoas", comentou outro, sobre um muro da gentileza instalado em uma cidade no sul do Irã.
Estatísticas oficiais sugerem que existem 15 mil sem-teto no Irã, mas outras estimativas dizem que são 15 mil apenas na capital, Teerã. Várias organizações governamentais são encarregadas de cuidar dessas populações. Mas há dúvidas sobre sua eficácia e transparência.
"Precisamos fazer isso sozinhos (ajudar as pessoas). A vida é muito curta. Seja gentil", disse um usuário do Instagram.
Recentemente, uma organização iraniana criou outra iniciativa semelhante, na qual geladeiras eram distribuídas pelas ruas de Teerã para que as pessoas deixassem comida para os sem-teto. 

Outro "muro da gentileza" encontrado em Isfahan 
Geladeiras nas ruas de Teerã  para que as pessoas deixem comida para os sem-teto 

(Fonte: Terra)  


A provável origem persa dos 3 Reis Magos

Os Três Sábios da Pérsia visitam o menino Jesus, pintura de Hossein Behzad 
A palavra "mago" tem origem na antiga língua persa, Majusian, termo que designava os sacerdotes zoroastrianos. Na Bíblia, no dia do nascimento de Jesus, eles aparecem como os magos que vieram do Oriente, seguindo a estrela de Belém. Portanto, Baltazar, Melquior e Gaspar, segundo a tradição, vieram da Pérsia, e eram provavelmente sacerdotes de Zoroastro. Obviamente, a peregrinação tinha alguma significância religiosa para estes homens, do contrário eles não teriam motivo para fazer uma viagem tão arriscada e demorada. E o que teria sido a estrela de Belém? Um fenômeno astrológico?  
E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém (Mateus 2:1)
Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.Mateus 2:7)
Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
 A Igreja da Natividade em Belém, foi construída em 329 no local em que a rainha Helena acreditava ter nascido Jesus. Em 614, esta igreja foi salva da destruição durante a invasão do exército persa à Terra Santa, por causa do mosaico que continham a imagem dos magos em trajes persas no piso da entrada do templo. Este acontecimento também mostra que de fato os 3 Magos eram representados como sacerdotes persas no Cristianismo primitivo
O que nós sabemos sobre a origem dos 3 Magos, sugere que eles vieram ou da Mesopotâmia ou da Pérsia, e eram conhecidos como uma classe sacerdotal antiga e poderosa. Estes sábios que eram extremamente cultos, eram especialistas em várias disciplinas, incluindo medicina, religião, astronomia, astrologia, adivinhação e magia, e sua classe eventualmente se espalhou muito ao longo do Oriente.  Os magos persas eram considerados os mais religiosos e intelectuais; por isso os historiadores acreditam que os Magos do Natal eram persas, originários da Média. As tradições siríacas primitivas também dão a eles nomes persas.  

Os Três Magos, mosaico Bizantino, c.565, Basílica de São Apolinário Novo, em Ravenha, Itália.
Na arte bizantina, os magos eram comumente retratados em trajes persas incluindo calças, capas e capuz 

A edição inglesa do livro "As Viagens de Marco Polo" traduzido por Ronald Latham, relata o seguinte episódio: 
Na Pérsia, foi na cidade chamada Saveh, da qual os três Magos saíram quando foram adorar Jesus Cristo. Aqui, também, eles estão sepultados em três túmulos de grande tamanho e beleza. Acima de cada sepulcro há um edifício quadrado com um telhado abobadado de grande refinamento artístico. Um ao lado do outro. Os seus corpos ainda estão intactos, e eles tem cabelo e barba. O primeiro é chamado de Baltazar, o segundo de Gaspar, e o terceiro de Melquior.
Messer Marco perguntou a vários dos habitantes quem eram estes magos; mas ninguém sabia responder exceto que eles foram três reis que estavam sepultados ali em dias passados. Mas finalmente ele descobriu o que eu vou contar agora.
Três dias adiante, ele encontrou a vila chamada Kala Atashparastan, que é conhecida como a "Cidade dos Adoradores do Fogo". O que não é nada mais do que a verdade, pelo motivo de os homens dessa cidade adorarem o fogo.  E eu vou dizer porque eles o adoram. Os habitantes declaram que em dias passados três reis deste país foram adorar um profeta recém nascido e levaram para ele três oferendas - ouro, incenso e mirra - a fim de descobrir se este profeta era um deus, ou um rei terreno ou um guardião. Disseram: "Se ele escolher o ouro, ele é um rei terreno; se escolher o incenso, um deus; se escolher a mirra, um guardião."
Quando eles chegaram ao local onde o profeta nasceu, o mais jovem dos três reis entrou sozinho para ver a criança. Ele achou que o menino parecia com ele mesmo, e que  tinha sua mesma idade e aparência. E ele saiu, sentindo-se maravilhado. Então, entrou o segundo, que era um homem de meia idade. E para ele também pareceu o mesmo, que ele tinha sua mesma idade e aparência. E ele saiu, estupefato. Em seguida, entrou o terceiro, que era o mais maduro, e para ele também aconteceu o mesmo que com os outros dois. E ele saiu profundamente pensativo. Quando os três reis estavam todos juntos, cada um disse para o outro o que viu. E eles ficaram muito impressionados e resolveram entrar todos juntos.
Finalmente, eles entraram todos juntos, e se colocaram diante da criança e o viram em sua aparência real; porque ele tinha apenas treze anos. Então eles adoraram o menino e ofereceram a ele o ouro, o incenso e a mirra. A criança recebeu as três oferendas e deu a eles um pequeno baú fechado. E os três reis retornaram para sua própria terra.
Após uma jornada de alguns dias, eles resolveram ver o que o menino tinha dado a eles. Abriram o bau e dentro havia uma pedra. Eles se perguntaram muito qual seria o significado daquilo. Quando os três reis viram que a criança recebeu as três oferendas, eles concluíram que ele era ao mesmo tempo, um deus, um rei e um curador. E uma vez que a criança sabia que os três reis acreditavam nisto, ele deu a eles a pedra como sinal de que eles deveriam ser firmes e constante em sua fé.
Os três reis, não sabendo porque a pedra tinha sido dada a eles, jogaram-na em um poço. Tão logo a pedra caiu, um fogo desceu do céu, caindo diretamente no poço. Quando os três reis viram este milagre, eles se arrependeram de ter jogado a pedra fora; e passaram a ver claramente o seu significado maravilhoso. Imediatamente eles pegaram algumas chamas deste fogo e levaram-nas para seu país onde puseram-na em um de seus templos, um edifício belo e esplêndido.
Eles mantiveram este fogo queimando perpetuamente e o adoraram como a um deus. E todo sacrifício e oferenda que eles fazem é queimado com este fogo. Se acontecer de este fogo se apagar, eles devem ir até um santuário onde outros adoradores que praticam a mesma fé, também mantenham chamas deste mesmo fogo para reacendê-la. Eles nunca substituem esta chama por outra que não seja esta da qual eu falei. Para encontrar este fogo, às vezes eles fazem uma jornada de dez dias.
Foi assim que as pessoas deste país passaram a ser conhecidas como "adoradores do fogo" E eu asseguro que eles são numerosos. Tudo isto foi relatado a Messer Marco Polo pelos habitantes desta vila; e é a mais pura verdade. Finalmente eu posso dizer que um dos três magos veio de Saveh, outro de Hawah e o terceiro de Kashan.
Painel de azulejos na entrada da Igreja Gerog, em Isfahan 

Adaptado de conteúdos publicados nos sites: Bill Petro e Farsinet