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Ensaio fotográfico: Olhando através do Espelho Persa

O ensaio fotográfico Through a Persian Looking-Glass, é um projeto de autoria da fotógrafa pesquisadora norte-americana Karen Polinger Foster que viajou ao Irã em maio deste ano através de um programa educativo da Universidade de Yale. A sequencia de imagens em pares mostra a onipresença dos espelhos na cultura persa, ao lado de retratos de mulheres, ou representações da figura feminina como manequins, sempre emoldurados pelos véus, seguidos de uma reflexão escrita pela da autora buscando uma compreensão mais profunda a respeito desta cultura.

"Espelhos, reais e metafóricos, estão em todos os lugares, dos bazares dos dias de hoje aos palácios e jardins do passado. Os rostos das mulheres emoldurados pelos véus, também estão em todos os lugares, tão individuais como estes manequins".

" ... [A arte iraniana do] séc. XVIII viu a introdução de espelhos e vidros coloridos combinados com trabalhos em estuque branco, como aqui nesta casa que foi de um rico comerciante em Yazd. Diante do Palácio de Golestan em Teerã, duas estudantes de engenharia química, do mesmo modo, combinam em suas vestes o brilhante e o fosco, com suas sedas intensamente coloridas e chadores negros."

 "No século XIX, estilos, cores e motivos europeus começaram a influenciar as artes decorativas iranianas, especialmente embelezando as residências de pessoas notáveis. Quatro farmacêuticas visitando o jardim Narenjastan em Shiraz posam com estampas ocidentalizadas exuberantes, contra os painéis e pilastras com adornos similares na suíte de recepção. Também, flores em profusão se entrelaçam sobre as janelas espelhadas e colunas quase clássicas do pórtico desta mansão em Teerã." 


"Assim falava o poeta do séc. XIX Ghalib, O jardim é o verdete no espelho da brisa primaveril'. Aqui a imagem ganha vida em um espelho de uma loja em Shiraz. A mítica fênix surge das chamas, com suas asas e corpo espelhados refletindo o verde  do jardim. À direita, duas mulheres refletem o brilho e a jovialidade,  assim como as cores da fênix que aparece no espelho."

"Os espelhos perfeitos das piscinas dos jardins persas inspiram a contemplação e a introspecção. Para os místicos como Shah Nematollah Vali, do séc. XV cujo mausoléu em Kerman é visto aqui, eles proveram o significado metafórico da visão de Deus. Para estas estudantes de artes que visitam o jardim Bagh-e Tarikhi em Mahan, a água evoca um tema recorrente na poesia persa - o coração polido como um espelho para refletir somente a beleza de seu amado."

"Para evitar o mau-olhado, os primeiros itens com que um noivo presenteia a sua noiva em um tradicional casamento persa são  dois candelabros, um espelho e um Corão. Aqui estes itens em filigrana prateada, refletem a Mesquita  Lotfallah em Isfahan. A cor turquesa de seus azulejos é a mesma que emoldura a face radiante desta jovem recém casada retribuindo o sorriso tímido de seu esposo."
"Perto de Yazd há um vilarejo zoroastriano que abriga um modesto templo do fogo onde uma chama eterna é guardada por esta anciã. Ela, transportada por seu dever sagrado, parece olhar para outra dimensão, enquanto dentro do santuário, a gravura de Zoroastro no vidro, prega sobre bem e mal, luz e trevas, e auto reflexão através do espelho." 


Teerã revela uma das maiores coleções de arte moderna e contemporânea do mundo

Museu de Arte Contemporânea de Teerã (Imagem: Bloomberg Business)
Os amantes das artes terão um motivo a mais para visitar Teerã nos próximos três meses. E este motivo é a inauguração de uma exposição que revela uma das maiores e mais raras coleções de arte do século XX no mundo em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Teerã: 
Algumas das obras de arte moderna e contemporânea mais caras e menos vistas no mundo, principalmente quadros dos americanos Jackson Pollock, Andy Warhol e Mark Rothko, estão em exposição a partir deste sábado (21/11) em Teerã, por três meses.
Esta grande exposição, que acontece no Museu de Arte Contemporânea, inclui 42 obras de artistas ocidentais, entre elas "Mural on Indian Red Ground" (1950), quadro de Pollock considerado uma obra-prima e que especialistas da casa de leilões Christie's avaliaram em 2010 em 250 milhões de dólares.
As obras apresentadas em Teerã fazem parte de uma coleção formada, em grande parte, sob o regime do xá do Irã, derrubado em 1979, e composta por 300 quadros de grandes pintores dos séculos XIX e XX, como Paul Gauguin, Pablo Picasso, Joan Miró e Francis Bacon.
Algumas obras, que mostram homens ou mulheres nus, não podem ser exibidas no país, devido às leis islâmicas.
O ministro iraniano da Cultura, Ali Janati, que presidiu a cerimônia de inauguração, declarou à AFP que o recente acordo nuclear entre o Irã e as grandes potências abriu caminho para uma cooperação mais importante em matéria cultural e artística entre o Irã e o restante do mundo.
"É um primeiro passo. No futuro, esperamos exibir mais obras de artistas iranianos ao lado dos artistas estrangeiros da nossa coleção", acrescentou.
(Fonte: Yahoo Notícias)
Visitantes observam Mural on Indian Red  (1950) de Jackson Pollock. 

O Pintor e sua modelo (1927) de Pablo Picasso, em exposição em Teerã
O Suicídio Púrpura (1963), de Andy Warhol também faz parte da coleção do museu iraniano
Informações: 
O site do Museu de Arte Contemporânea de Teerã está sendo atualizado, mas para quem tiver interesse em visitar, o museu se localiza dentro do Parque Laleh na Rua Kargar, próximo à estação de metrô Meydan-e Enghelab Eslami. O horário de funcionamento é de sábado à quinta-feira das 10h às 19h (fechado às sextas-feiras) e o ingresso custa US$ 1,50.


Diga "Salam" para Surena III: o robô que entende persa

Evolução do Robô SURENA
Um país asiático acaba de produzir um robô que caminha, sobe escadas, segura objetos, imita movimentos humanos e ainda por cima entende o idioma nativo de seus criadores. De que país estou falando?  Japão? Errado! Estamos falando do Irã! 
Há menos de uma semana, o primeiro humanoide robótico 100% fabricado no Irã foi batizado de Surena III, nome que homenageia um mítico general persa dos tempos antigos. Com seus 1,90m de altura e 98kg, este gigante cibernético é resultado de 4 anos de pesquisas por especialistas e técnicos da Universidade de Teerã.
Entre as habilidades quase humanas de Surena III, estão caminhar, mesmo sobre superfícies desniveladas, chutar uma bola de futebol e subir e descer escadas. Seu sistema de visão permite que ele reconheça rostos e objetos e identifique  frases específicas faladas em persa e ainda imite movimentos e gestos humanos. 
Surena foi construído e desenvolvido por mais de 70 professores, engenheiros e estudantes da Universidade de Teerã e outras cinco instituições acadêmicas iraniana, assim como todo seu aparato tecnológico e softwares foram desenvolvidos por companhias iranianas, todas sob orientação do  Professor Aghil Yousefi-Koma da Escola de Engenharia Mecânica e Matemática da Universidade de Teerã.  
O projeto que está em desenvolvimento desde 2008, com outras duas versões do robô já produzidas e melhoradas continua em constante aprimoramento e promete ainda mais! 
Fonte: IB Times

>> Veja um vídeo do primeiro robô 100% persa em ação!



Um passeio por Shiraz - parte I: A cidade dos poetas

Túmulo do poeta Hafez em Shiraz (imagem: Jackie Abramian)
Quem deseja conhecer a  história da Pérsia, revisitando desde os palácios dos antigos reis até os túmulos dos mais famosos poetas que são patrimônios da humanidade, sem dúvida deve visitar Shiraz. Capital da província de Fars, localizada no sul do Irã, Shiraz é a quinta cidade mais populosa do Irã, e desde o séc. XIII tem sido o mais importante centro das artes e literatura persa. Protegida pelas montanhas de Zagros, a cidade guarda em seus arredores relíquias da antiga Pérsia; como as ruínas da capital cerimonial do Império Aquemênida, Persépolis, e os túmulos dos antigos  reis persas em Naghsh-e Rostam e Pasárgada. Shiraz, é também o terceiro maior centro de peregrinação religiosa do Irã, depois de Mashhad e Qom. 
Há uma grande variedade de pontos turísticos que devem ser visitados em Shiraz, embora a maioria destes locais cobre uma taxa de visitação que é um pouquinho maior para os estrangeiros. No topo desta lista estão os túmulos dos mais amados poetas persas: Hafez e Saadi
Além do trânsito congestionado do centro da cidade, no extremo norte da Rua Golestan - uma rua de paralelepípedos cercado por extensos jardins e antigos muros dos limites da cidade, encontra-se o Aramgahe Hafez, o Mausoléu de Hafez (1315-1390) ou Hafeziye como é conhecido popularmente.
Memorial de Hafez, um dos pontos turísticos mais importantes de Shiraz
Nascido em uma cidade famosa pela poesia e literatura, a poesia de Hafez reflete a sabedoria sufi (misticismo Islâmico), a admiração da amada, os prazeres do vinho e a serenidade dos jardins floridos que eram seu refúgio. Uma das grandes figuras do sufismo, os poemas de amor de Hafez, compilados no livro Divan e Hafez , são comumente usados para adivinhar a sorte pelos iranianos, por isso toda casa iraniana tem um exemplar deste livro.
Por causa desta tradição, alguns vendedores ficam na entrada do Memorial de Hafez com caixinhas cheias de papeizinhos, de onde por 25 centavos de dólar, fazem um canário retirar com o bico um poema especial que predirá o futuro da pessoa.

Vendedores usam canários para retirar versos da sorte 
Dentro dos portões, um jardim sereno com rosas e altos álamos refletidas por piscinas retangulares, levam a um pavilhão com grandes colunas adornado com os versos de Hafez, abrigando o túmulo onde o poeta descansa.

O jardim que conduz ao túmulo de Hafez 
O arqueólogo e arquiteto francês, André Godard, restaurou e redesenhou o memorial em 1931 aumentando o túmulo, circulando-o com cinco degraus e colunas de oito metros que sustentam uma cúpula de cobre, no topo do túmulo revestido em mármore. A cúpula, que simboliza um chapéu característico dos sufis, possui um extraordinário mosaico no interior.

Pavilhão que abriga o túmulo do poeta Hafez 
Considerado o incomparável mestre do Ghazal, a poesia lírica rimada, Hafez ainda é recitado, memorizado e cantado por todo o Irã e também no mundo. Após visitar o túmulo lotado de turistas e admiradores, é possível se refugiar na serenidade dos jardins ou comprar lembranças nas lojinhas de artesanato que ficam dentro do complexo.
Lojinha de artesanado no memorial de Hafez
A uma pequena distância de táxi do Hafeziye na parte nordeste da cidade, fica o túmulo de Saadi (1210 - 1292), o segundo poeta mais amado de Shiraz. Um ávido viajante que viveu em diferentes partes do Oriente Médio, Saadi retornou para sua terra natal para se tornar um dos mestres da tradição literária clássica escrevendo obras poéticas como  Bostan (O Pomar) e Golestan (O Jardim das Rosas).
Túmulo do poeta Saadi em Shiraz
Interior do túmulo de Saadi
Os jardins sempre tem sido a peça central da arquitetura persa e em Shiraz certamente não faltam magníficos jardins. O famoso Jardim de Affif Abad, inclui uma mansão real, um museu de armas históricas com um magnífico jardim que é um dos mais antigos de Shiraz. Tendo sido um palácio durante a era Safávida (1502 -1706) o exército restaurou toda a sua estrutura 1962 que agora funciona como um museu de armas.

O Jardim de Affif Abad
Na entrada do palácio há dois canhões que antigamente disparavam anunciando o começo do Nowruz (o Ano Novo Persa). O hall de entrada é magnificamente decorado com mobiliário e antiguidades do mundo todo. Cada sala no palácio é decorada em diferentes esquemas de cores.
Entrada da mansão real  no Jardim de Affif Abad
Uma das salas da mansão real ricamente decorada
Após visitar estes locais, você pode querer jantar no Restaurante Soufi (Rua Sattarkhan) que é decorado com motivos e símbolos sufis, no qual os visitantes apreciam a culinária persa tradicional com música tradicional persa ao vivo.
Restaurante Soufi, em Shiraz 
Um pão Sangak saindo do forno, é servido com queijo Fetah, hortelã e manjericão, acompanhado de uma salada Shirazi, uma deliciosa combinação de pepino, tomate e cebola picada temperada com hortelã e limão. Em seguida, o prato principal de Kabob Kubideh (espetinho de bife grelhado) com tomate grelhado, arroz com açafrão, batatas fritas, hortelã, picles e cebolas.
Kabob Kubideh e outras especialidades de Shiraz
Bem próximo do restaurante, uma padaria oferece as especialidades locais e bolos artisticamente decorados, onde você pode completar sua experiência culinária Shirazi com uma pasta de gelatina açucarada chamada Ghasmati.
Docest típicos iranianos em uma padria de Shiraz 
Mas nenhuma visita a Shiraz poderia estar completa sem explorar o antigo Bazar Vakil (construído no séc. XI). O labirinto de lojas se abre para vastos terraços, com piscinas rasas nos centro e circundados com entradas em arco, que por sua vez se abrem para outros estabelecimentos, lojas e restaurantes. A maioria dos comerciantes no bazar ainda usa as regras antigas para o comércio diário. Canários em gaiolas cantam uma sinfonia em meio à algazarra de vendedores anunciando seus preços e carrinhos de mercadorias ziguezagueando ao redor dos fregueses que pechincham o melhor preço para suas compras.

No próximo post vamos conhecer Persépolis e outros tesouros da antiga Pérsia ...
Adaptado do artigo de Jackie Abramian para o site Huffington Post


Entrevista com Shadi Ghadirian, a fotógrafa mais influente do Irã

A fotógrafa iraniana Shadi Ghadirian (foto: Blouin ArtInfo

Desde sua graduação pela  Universidade Azad em Teerã com um bacharelado em fotografia, Shadi Ghadirian se estabeleceu como um dos maiores talentos criativos do Irã. Ela é mais conhecida por seus retratos evocativos que englobam uma grande variedade de assuntos incluindo a identidade feminina, censura, e questões de gênero. Inspirando-se em suas próprias experiências de vida, a artista usa humor e paródia como ponto de partida para suas investigações sobre os paradoxos do que é ser mulher no Irã. De acordo com Anahita Ghabaian Etehadieh, diretora da Galeria Silk Road e curadora de sua mais recente exposição em Lyon, na França, já nos anos 90 Ghadirian se tornou uma das primeiras fotógrafas iranianas a mudar a percepção do público sobre a arte e sociedade contemporânea do Irã. "Por meio de  um estilo único de expressão, ela começou a contradizer as imagens severas e brutais comumente associadas  ao Irã, desafiando dilemas sociais do Oriente e como o mundo via o Irã através da linguagem da arte". 
A mostra "Shadi Ghadirian: Retrospective” atualmente em cartaz na Biblioteca Municipal de Lyon até Janeiro de 2016, é  a maior exposição já feita para celebrar o trabalho da mais influente fotógrafa iraniana da contemporaneidade. Abrangendo sua obra desde 1998 até seu mais recente trabalho em video arte, Shadi Ghadirian. Por esta ocasião, Shadi Ghadirian  foi entrevistada pela revista digital BLOUIN ARTINFO (e o trecho a seguir é uma tradução livre de autoria do Chá-de-Lima da Pérsia): 

Você nasceu no Irã em 1974 em uma época de grande conflito na região. Que impactos estes eventos tiveram na geração de iranianos a qual você pertence, no seu trabalho assim como no desenvolvimento e trajetória de sua carreira artística?  

A Revolução Islâmica foi o primeiro e mais importante evento da minha infância do qual eu tenho uma vaga recordação. Com apenas 4 anos, ocupada com minhas fantasias de criança,  eu fui arremessada em meio a um turbilhão político que varreu toda a sociedade.  Como nós vivíamos no centro da cidade eu pude ouvir com frequência a comoção e o caos nas ruas e pude ver os protestos e slogans anti-Xá escritos nos muros, onde permaneceram até eu aprender a ler 3 anos depois. Depois disto a situação se acalmou pelo menos para mim, mas isso durou por pouco tempo até a guerra estourar em 1980.No início a guerra estava longe de casa e perto das fronteiras, mas lentamente penetrou e interferiu em nossas vidas. Passei minha adolescência com o som de ataques aéreos e explosões. Eu me lembro como o som horripilante dos bombardeios e mísseis me acordavam no meio da noite, e como eu confiava nos braços de minha mãe, meu único refúgio seguro naquele tempo. Eu terminei o ensino médio ao mesmo tempo que a guerra acabou em 1988, a cidade estava coberta com fotografias e murais de mártires e eu não tinha muitas esperanças de continuar meus estudos. Minhas duas irmãs mais velhas estudaram artes, então de alguma forma eu era mais familiarizada com isso, então escolhi arte e fotografia como atividade. Eu tinha duas razões para isto, a primeira porque eu sabia mais sobre fotografia e a segunda porque era mais rápido; tudo que eu sabia então era que a fotografia era uma maneira de olhar as coisas criativamente e com mais cuidado. 

O livro “Shadi Ghadirian: Retrospective” está sendo publicado por ocasião da sua exposição na Biblioteca Municipal de Lyon. Que trabalhos aparecem na exposição e o que eles revelam sobre a sua prática? 

Nesta mostra estão todas as séries de fotografias que eu criei. Há também um trabalho novo que estou mostrando pela primeira vez. É um vídeo com o título: "Uma Solidão Alta Demais". Esta exposição irá mostrar como eu comecei minha carreira e como ela continuou até hoje.  

Em seu trabalho você explora sua situação como uma mulher vivendo no Irã assim como as mais abrangentes implicações sociais e culturais da feminilidade. O que você quer transmitir e expressar com seu trabalho e como visa alcançar esta imagens que você criou?  

Eu tento contar diferentes histórias das mulheres iranianas, que é de alguma maneira minha própria história também. Eu quero mostrar uma mulher de diferentes pontos de vista. As questões da mulher são importantes para mim! Eu não sei como eu poderia ajudar a melhorar a situação com minhas fotos! Mas eu espero trazer alguma mudança, o que eu sei que é um trabalho difícil.  

Você usa diferentes dispositivos pictóricos e uma gama de imagens simbólicas para transmitir sua mensagem. Quais são as fontes de suas imagens e de onde vem a inspiração para as diferentes formas que você posa, compõe e constrói em suas imagens?   

Estes dispositivos pictóricos vem diretamente da minha vida! Eu acredito que nós vivemos em uma sociedade de grandes contrastes. Então eu apenas observo o meu ambiente! É muito fácil para  mim olhar, pensar e falar sobre as coisas mais próximas de mim.  

O Irã ainda continua a ser foco de tensões políticas, sociais e culturais. O que você acredita ser sua responsabilidade e obrigação como uma mulher artista iraniana e qual é sua visão no amplo papel que a arte tem para resolver os problemas atuais do Irã?  

Eu não acho que a arte possa resolver nada. A única coisa que nós devemos fazer é ajudar as pessoas a olhar ao redor e para elas mesmas. Ajudar as pessoas a ter uma visão melhor e fazer eles pensarem é como um trabalho em tempo integral para mim. É por isto que eu prefiro mostrar minhas fotos não somente nas galerias! Eu amo mostrar meu trabalho em locais públicos onde mais pessoas possam vê-lo. 
(Adaptado de BLOUIN ARTINFO)



Kotatsu ou Korsi? Método de aquecimento japonês ou iraniano?

Adivinhe o que há em comum entre o Japão e o Irã no inverno?

A temperatura abaixo de 0 e o costume de colocar um aquecedor em baixo de uma mesinha com cobertores em volta, onde toda a família pode se reunir e descansar confortavelmente durante os dias de frio congelante!  A única diferença está no nome que este costume recebe em cada país. Kotatsu no Japão e korsy no Irã. Mas quem será que teve esta ideia primeiro?
Algumas fontes dizem que o kotatsu surgiu no Japão, durante a dinastia Muromachi no século XIV, com aquecedores a carvão chamados irori, sob uma plataforma de madeira.



No Irã acredita-se que o korsi tradicional foi introduzido no  séc. XVIII, durante a dinastia Qajar, tornando-se uma peça central durante a celebração de solstício de inverno conhecido como Shab e Yalda.

Representação do korsi na celebração de Shab e Yalda
Korsi, em uso no Irã no início do séc. XX
Hoje em dia, em ambos os países, utiliza-se o aquecedor elétrico, ou à carvão, sob uma mesinha baixa de madeira. A mesa é completamente coberta com um cobertor ou edredom, sob o qual os ocupantes se sentam em colchonetes, colocando as pernas em baixo da coberta.
No Irã, existe o costume de colocar um tecido especial sobre a coberta que é chamado de ru-korsi, para proteger o korsi de resíduos de comida durante as refeições.

Um kosatsu  no sofisticado estilo japonês

Um korsi no mais elegante estilo iraniano
Fonte: Wikipedia