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Ciclo de Cinema Iraniano na TV Brasil esta semana, imperdível!

Salam amigos! Não percam esta programação imperdível que estreou esta segunda-feira na TV Brasil. Uma semana inteira com grandes obras do Cinema Iraniano!


Com uma seleção que reúne algumas das mais relevantes produções de grandes diretores do Oriente Médio, a TV Brasil apresenta o Ciclo de Cinema Iraniano a partir desta segunda-feira, 27 de julho de 2015. Ao todo, a emissora vai exibir cinco filmes do país asiático, sempre às 23h, de segunda a sexta-feira, até 31 de julho. A sessão inclui dois longas do consagrado cineasta Mohsen Makhmalbaf.
No lançamento da nova faixa, o canal traz o comovente drama “Tempo de Cavalos Bêbados”, dirigido por Bahman Ghobadi. O cineasta ganhou a Câmera de Ouro no Festival de Cannes de 2000, prêmio concedido a diretores estreantes
Filha do diretor Mohsen Makhmalbaf, a cineasta Samira Makhmalbaf estreou nas telonas com o longa “A Maçã”, atração do ciclo na terça-feira (28), às 23h.
Já na quarta-feira (29), no mesmo horário, a emissora pública exibe o sensível e poético drama “O Silêncio”, dirigido pelo cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf, reconhecido com a Medalha de Ouro do Senado Italiano no Festival de Veneza.
O elogiado drama “Gabbeh”, também de Mohsen Makhmalbaf, é o destaque da sessão na quinta-feira (30), às 23h. Para encerrar o Ciclo de Cinema Iraniano, na sexta (31), no mesmo horário, a TV Brasil programou o filme “Gosto de Cereja”, considerado a obra prima da filmografia do diretor Abbas Kiarostami. O longa recebeu a Palma de Ouro no Festival da Cannes.
Fonte: Portal EBC


As Casas Históricas de Kashan

Casa Borujerdi em Kashan 
Uma das primeiras localidades a ser habitada pelos antigos povos do planalto iraniano foi onde atualmente está a cidade de Kashan, na província de Isfahan. Em outras palavras, a construção e a arquitetura são conceitos que permeiam a alma desta cidade. As casas históricas de Kashan, foram construídas por volta dos séculos XVIII e XIX, foram restauradas recentemente e estão abertas para visitação dos apreciadores da arquitetura iraniana.  

A história por trás das Casas Histórica de Kashan 

Interior da Casa Borujerdi
Por volta do final do séc. XVIII, devido a um terremoto devastador, muitas construções ficaram em ruínas em Kashan. Isto também inclui todos os edifícios de Shah Abbas I, o poderoso monarca da dinastia Safávida que amava a cidade de Kashan. Então, no período do governador Abdol Razaq Khan, muitos edificíos foram construídos e reconstruídos. Esta é a razão pela qual a maioria das casas históricas de Kashan foram construídas  entre o final do séc. XVIII e decorrer do séc. XIX. 

Também, a  próspera época de comércio internacional entre Irã e Rússia foi a outra razão pela qual alguns dos ricos comerciantes precisavam construir mansões cada vez maiores e luxuosas para se adequar ao seu estilo de vida. O conhecimento e eficiência dos arquitetos locais desempenhou um grande papel para a criação dessas obras primas que hoje conhecemos como as Casas Históricas de Kashan.   

Características Gerais das Casas Históricas de Kashan

Pátio da Casa Tabatabaei
Podemos notar várias características em comum  entre estas casas históricas de Kashan. No que diz respeito aos materiais de construção, os mais comumente usados eram: tijolos, usados na estrutura principal; barro e palha para isolamento e fachadas; gesso para decoração da fachada e interior; aplicação de espelhos para embelezamento dos espaços internos (particularmente tetos); madeira maciça para as portas e portões, etc.  
Os espaços interiores foram idealizados e utilizados para propósitos específicos. Na entrada de todas essas casas, não é possível ver o interior imediatamente. Primeiro há um vestíbulo geralmente em formato octogonal levando através de duas portas diferentes para as duas maiores partes da casa que são:  

1) Seção Interior (Andaruny): Uma parte separada da casa utilizada pelos membros da família onde eles podiam ter conforto e privacidade. Como estes comerciantes costumavam receber reuniões de negócios em suas casas, além de amigos e hóspedes de outras cidades, a família precisava de um espaço especial, onde eles tinham liberdade longe dos olhares dos estranhos. O Panj-dary, uma sala com cinco portas voltadas pátio interior, era localizado dentro desta seção para reuniões familiares na hora das refeições, etc. 

Pátio interior da Casa Abbasian

2) Seção Exterior (Biruny): Esta parte da casa podia ser bem ampla, elaborada e acomodar um pórtico ao sul em frente a seção chamada Shah Neshin, que significa "o assento do rei, ou seja a melhor parte da casa para os hóspedes que mereciam ser recebidos na parte mais elegante do edifício.
Também havia a seção dos empregados que tinha sua própria entrada, de onde eles ofereciam o serviço para o senhor da casa. Por esse motivo, a cozinha e as despensas ficavam nesta seção. Os empregados moravam e permaneciam nesta parte da casa e se dirigiam para as outras seções quando seus serviços eram solicitados.   

Além disso, nenhuma destas casas tinha janelas voltadas para o exterior. Todas as janelas eram voltadas para o pátio interior, o que garantia mais segurança e privacidade. As paredes eram grossas e isoladas com barro e palha a fim de manter os espaços interiores frescos e agradáveis durante os dias escaldantes do verão e aquecidos durante o frio rigoroso do inverno. No topo destas casas haviam badgirs (torres de vento), que funcionavam como um sistema de ar condicionando tradicional.

As Casas Históricas mais famosas de Kashan 


Pátio  da Casa Ameri 

Das várias Casas Históricas construídas em Kashan entre os séculos XIX e XX, as mais famosas são:

 Casa Borujerdi:
O proprietário desta casa era um mercador que trazia seus produtos da cidade de Borujerd, na província de Lorestan. Por isso, ele era chamado de Sr. Borujerdi. No interior desta mansão há suntuosas pinturas feitas sob a supervisão do mestre Kamal-ol-Molk, o mais famoso artista da era Qajar, durante o séc. XIX. É considerada a casa histórica mais bela do Irã. 

✧ Casa Tabatabaei:
Esta casa recebeu seu nome de um mercador da cidade de Natanz que iniciou a construção desta casa residencial. O mesmo arquiteto também foi mais tarde o responsável pela construção da Casa Borujerdi.

✧ Casa Abbasian:
Construída no final do séc. XVIII, esta mansão foi construída originalmente em cinco pátios interconectados. Posteriormente eles foram separados e 5 diferentes famílias passaram a residir nela. 


✧ Casa Ameri:
Foi construída durante a era Zand, pelo governador Agha Ameri. Esta casa possui 7 pátios, o que indica que sete famílias diferentes também podem ter vivido nela. Ela tem mais de 80 cômodos e o mais alto badgir de todas as casas históricas de Kashan. 

Hamam (casa de banhos) da Casa Ameri 
Apesar de existirem casas históricas similares em outras cidades do Irã, somente em Kashan é possível ver tantas dessas construções tão próximas uma das outras com esta qualidade e padrão de construção e decoração ímpar. 

Se você estiver planejando uma viagem ao Irã, não deixe de incluir a cidade de Kashan em seu roteiro e aproveitar pelo menos uma parte do dia para explorar suas famosas casas históricas! 

Baseado no artigo de Rahman Mehraby do site Destination Iran 


Açafrão, a especiaria mais cara do mundo


Você sabia? O açafrão é extraído dos estigmas de flores de Crocus sativus, uma planta da família das Iridáceas e é considerado a especiaria mais cara do mundo. Para se obter um quilo de açafrão seco, são processadas manualmente cerca de 150.000 flores, e é preciso cultivar uma área de aproximadamente 2000  m². Quando seca, a flor desprende de seus órgãos um pigmento amarelo e um óleo volátil, tradicionalmente usado como corante de tecidos. Além disso, as flores tem que ser colhidas à mão, uma por uma no outono, quando estão completamente abertas.
Felizmente, para o preparo das receitas que usam açafrão, basta uma pequena quantidade, pois em excesso pode deixar o sabor do prato amargo, além de ser tóxico.  Se consumido com moderação, os benefícios do açafrão para a saúde são vários, atuando na prevenção de doenças ósseas, oculares, cardíacas e do câncer além de ser considerado antidepressivo e benéfico para a memória.


Registros históricos descrevem que o uso do açafrão remonta ao antigo Egito e Roma, onde era utilizado como corante, em perfumes, como remédio e também para fins culinários. Esta especiaria chegou a China no século VII e se espalhou pela Europa na Idade Média. A cidade de Saffron Walden (Inglaterra), onde o açafrão era era cultivado e comercializado, tem seu nome derivado desta planta. No entanto, atualmente, a maioria do açafrão é importado do Irã (província de Khorasan do Sul) e Espanha que são reconhecidos pela melhor qualidade, mas também pode ser encontrado no Egito, Caxemira, Marrocos e Turquia. A origem da palavra açafrão vem do persa  za'ferân


O açafrão é comercializado em duas formas, em pó ou fiozinhos e cada um tem suas propriedades particulares  na cozinha. O açafrão comercializado vem dos estigmas vermelhos brilhantes da flor que é cultivada no outono em diferentes países, como Grécia, Índia, Irã e Espanha. Em um ano, cada planta pode produzir várias flores, cada flor contém três estigmas, que são a única parte da planta que é retirada e processada para o comércio. O açafrão em pó original tem cor vermelho vivo, mas usualmente é confundido com a cúrcuma, o pó amarelo que é chamado de açafrão-da-índia ou açafrão-da-terra. 



Baseado em Farsinet e Wikipedia


Pesquisa: perfil dos leitores do Chá-de-Lima da Pérsia

Salam amigos! O blog Chá-de-Lima da Pérsia quer conhecer melhor quem são os seus leitores. Com este objetivo criei este questionário e gostaria de convidar a todos que quiserem participar e ajudar a fazer o melhor conteúdo sobre cultura iraniana em língua portuguesa. 
Basta marcar as opções que mais tem a ver com você e enviar (não esqueça de descer a barrinha de rolagem até o final!)
As identidades permanecerão confidenciais e o resultado será divulgado no dia 21/08/15. Então, vamos lá, é só 2 minutinhos!  


Obrigada pela participação! Khoda hafez! 


Trajes típicos das meninas baluchis

As mulheres da província de Sistan e Baluchistan, no sudeste do Irã usam trajes típicos chamados Chakan-douzi. Esta série de fotografias mostra a variedade desses vestidos bordados artesanais em um ensaio com garotas da cidade de Zahedan: 
















Veja a série completa no site: Payvand Iran News


Fakhr-od-Din Iraqi

“Antes eram um coração 
mas mil pensamentos 
Agora tudo está reduzido 
Não há um amor, mas o Amor”
 (Fakhr od- Din Iraqi)

Fakhr od-Dīn Ibrahīm Iraqi (1213 – 1289), um dos maiores poetas persas místicos do séc. XIII, nasceu em Hamedan onde foi educado na literatura e ciências de seu tempo. Começou a viajar para outros países aos dezoito anos e em Multan (no atual Paquistão) ele foi discípulo do Sheikh Baha-od-Din Zakkaria um dos maiores mestres sufis. Em Konya (Turquia), ele foi aluno do sheikh Sadr-od-Din, um dos maiores seguidores de Ibn-al-Arabi, o famoso poeta Sufi. Por sua vez, ele escreveu seu livro intitulado Lama-at ("Lampejos do Divino") influenciado pelo Fusus al-Hikam ("As gemas da Sabedoria") de Ibn-al-Arabi. Suas viagens o levaram também ao Egito e Síria, onde faleceu. Ele foi enterrado próximo ao túmulo do mestre Ibn-al-Arabi em Damasco. Seus poemas mais famosos são os ghazals, uma série de poemas de amor místicos e Ushshaq-Nameh ("A Canção dos Amantes"). Hafez de Shiraz foi um dos muitos poetas influenciados por ele.

Poema:  "A Graça do Amor" 

Querida,
do espírito seu corpo foi criado,
Com a negra descrença de seu cabelo
a fé foi criada.

Você já ouviu falar
sobre a beleza de José do Egito?
Sua beleza
com duas vezes mais graça foi criada.

Do jardim de suas bochechas
uma rosa foi colhida;
Com aquela rosa
o eterno paraíso foi criado. 


Uma nuvem de poeira rosa
na estrada para sua casa;
Com aquela poeira
a primavera da vida eterna foi criada.

A angústia de seu amor
derrama o sangue dos homens de corpo e mente;
Com este sangue
rubis e corais foram criados.

Poderia por você sacrificar
meu corpo e minha alma
Porque seu corpo
com alma pura foi criado. 
 
Eu me pergunto como eu posso ter êxito
em ter um momento com você,
Por, olhar para você
cem demônios foram criados. 

Por quanto tempo eu posso beber
o vinho da angústia do seu amor?
Embriagado e inconsciente
Eu fui criado. 

Pela graça de seu amor
Iraqi tem um sopro maravilhoso
Com o qual
a imagem do homem foi criada.


(Baseado em tradução de Mahmud Kianush no site Iransaga)


Bandar Abbas, a porta de entrada do Irã no Golfo Pérsico

Bandar Abbas, uma moderna cidade portuária no Golfo
Bandar Abbas é a capital da província de Hormozagan, localizada no sul do Irã. O porto de Bandar Abbas se situa no meio do estreito de Ormuz que liga o Golfo Pérsico ao Mar de Omã. A cidade possui um aeroporto internacional com voos regulares para outros países do Golfo e é a principal base da marinha do Irã.
Bandar Abbas está situada em uma planície, com uma altitude média de  9m acima do nível do mar. As áreas elevadas mais próximas são o Monte Genu, a 17 km ao norte, e o Monte Puladi, a 16 km ao noroeste da cidade. Tem um clima quente e úmido, e sua temperatura máxima, no verão, pode alcançar os 49°C, enquanto que, no inverno, a temperatura mínima cai para cerca de 5°C.
Ao longo de sua história a cidade foi conhecida como Cambarão e Porto Comorão para os comerciantes portugueses, como Gombroon para os comerciantes ingleses, e como Gamrun ou Gumrun para os comerciantes holandeses. Na década de 1980, seguindo um movimento que objetivava o uso de nomes iranianos para cidades, o nome da cidade Gameron, usado desde o século XVII, foi substituído pelo atual, Bandar Abbas.
O registro mais antigo de Bandar Abbas é durante o reinado de Dario, o Grande (entre 586 e 522 aC). Durante a conquista do Império Aquemênida por Alexandre, da Macedônia, Bandar Abbas era conhecida  sob o nome de Hormirzad. No século XVI, os portugueses estabeleceram-se na região, construíram fortes na cidade, e a denominaram Gamru, utilizando-a como porto. 
Bandar Abbas (cujo nome significa "Porto de Abbas"), recebeu este nome devido, quando o rei Shah Abbas I, da dinastia Safávida, fundou seu porto em 1623 após vencer a batalha  naval contra os portugueses. A partir de 1740, o controle da cidade foi vendido aos governantes árabes, e, ao redor de 1780, foi efetuado pelos líderes de Mascate. Em 1868, durante o declínio de Mascate e Omã, a cidade retornou ao governo persa.

Comércio popular de rua em Bandar Abbas
(Foto do blog: Here as Elsewhere)
Após 1928, a população passou a ser formada quase exclusivamente por persas, incluindo pescadores. Existiam também poucos árabes, além de outros povos, como portugueses-indianos de Goa. Os últimos indianos não-muçulmanos retornaram à Índia após a Segunda Guerra Mundial. Os xiitas constituíam a maioria da população, porém uma minoria sunita residia na parte ocidental da cidade.A partir do final da década de 1960, o rápido desenvolvimento de Bandar-Abbas levou a um aumento correspondente na população. Em 1976, a região era a segunda em crescimento no país, perdendo apenas para a região metropolitana de Teerã. Posteriormente, houve novo crescimento da população da cidade, devido à chegada de refugiados da Guerra Irã-Iraque (1980-1988).
Foi durante a guerra Irã-Iraque que Bandar Abbas se desenvolveu como o maior porto comercial do Irã, para substituir Khorramshahr, que fica na parte Norte do Golfo Pérsico e que tinha sido capturado e ocupado pelas tropas iraquianas. Na década de 1990, cerca de 75% dos produtos importados que chegavam ao Irã, através do Golfo Pérsico eram descarregados em Bandar Abbas.

Mesquita Jameh de Bandar Abbas

Atrações Turísticas

Todos os anos, milhares de turistas visitam a cidade e as ilhas próximas, incluindo Qeshm e Ormuz. A própria Bandar Abbas não é tão rica em atrações turísticas, mas tem locais que merecem ser visitados. Entre eles estão: 


Museu de Antropologia


Localizado no antigo Templo Hindu da cidade, este museu abriga remanescentes das antigas civilizações das ilhas costeiras e vizinhas, além de antigas moedas e relíquias descobertas nas colinas de Soru.

Museu de Antropologia, antigo Templo Hindu de Bandar Abbas

Fontes Termais de Genu

Situada a uma distância de 34 km a nordeste de Bandar Abbas, as águas desta fonte que são ricas em cálcio têm cor de esmeralda e são usadas para irrigar as plantações de palmeiras e também como piscinas naturais. Na fonte há duas piscinas separadas, uma para homens e outra para mulheres. 

Fontes Termais de Genu

Ponte Latidan

Construída a uma distância de 50km, a oeste de  Bandar Abbas sobre o rio  Kal, esta é uma relíquia da era Safávida. Atualmente podem ser vistos os 33 arcos que ainda existem nesta ponte.

Ponte Latidan

Bazar e Mercados

O bazar de frente para o mar  provavelmente a parte mais colorida da cidade. Na avenida  à beira-mar à leste acontece um famoso mercado noturno e na sua extremidade se situa o mercado de peixes.

Mercado noturno na avenida à beira mar em Bandar Abbas

Como chegar?

Há voos domésticos que partem de  Isfahan, Shiraz, Mashhad e Teerã para Bandar Abbas e uma conexão internacional para Dubai. Também é possível ir de trem desde Teerã ou Isfahan, assim como de ônibus a partir dos terminais em Teerã, Kerman, Shiraz ou Zahedan.


Googoosh, "a eterna diva pop do Irã"

Googoosh, em 2014
Ela é conhecida como "a diva do pop persa", "filha do Irã" e seu nome e suas canções estão nos corações de várias gerações e não há nenhum iraniano que não a conheça. Faegheh Atashin, conhecida como  Googoosh (em português se pronuncia Guguch), nasceu em 1950 em Teerã, filha de Nasrin e Saber Atashin, imigrantes de origem azeri. Seu pseudônimo artístico, na verdade é um nome  de origem  com o qual sua babá de origem armênia a chamava na infância.

Googoosh aos 4 anos com sua mãe, Nasrin Atashin
Ela perdeu sua mãe ainda criança e foi encorajada por seu pai, Saber, que era um artista comediante a cantar com apenas 5 anos de idade em bares e cafés na rua Laleh-Zar em Teerã. Sua carreira precoce como cantora a manteve  afastada da educação formal durante a escola primaria. Em 1960, quando ela tinha 10 anos, já tinha um papel de sucesso no filme  Fereshteh farari (1961), dirigido por  George Obadiah. No entanto sua primeira experiência com o cinema, foi um filme intitulado Bim va omid (1960). Googoosh foi descoberta por compositores iranianos por seu talento natural para o canto, onde ela desenvolveu um estilo único na moderna música iraniana e se tornou um ícone da cultura pop entre a juventude iraniana.  Em 1969, sua notável minissaia se tornou uma febre entre as garotas iranianas e seu famoso cabelo curtinho de 1975 ainda é imitado pelas mulheres no Irã.

O ícone pop da juventude iraniana dos anos 1970
Ela gravou mais de 200 canções em persa, que estão nos corações de várias gerações de iranianos. Também fez várias viagens a Europa e gravou canções em italiano, espanhol, inglês e francês em parceria com a Barclay Records e RCA Italiana, que lhe renderam fama e reconhecimento internacional em 1970.  Ela ganhou o primeiro prêmio no festival Midem em Cannes e participou do Festival San Remo Festival em 1973.

Googoosh, com seu primeiro marido Mahmoud Ghorbani (esq.) e seu filho Kambiz 
Em 1967, Googoosh casou-se com o produtor musical Mahmoud Ghorbani com quem viveu durante seis anos e teve seu primeiro filho Kambiz. No espaço de  uma década Googoosh estrelou em muitos filmes, entre os quais, os mais populares estão  Bita (1972), Mah-e asal (1976), Hamsafar (1975), Mamal Amricayi (1975) e Dar emtedad shab (1978). Sua carreira cinematográfica só foi interrompida em  1979, com a Revolução no Irã. Ela atuou ao lado do astro Behrouz Vossoughi, o ator mais popular de sua época. Seus filmes tiveram ótima aceitação popular tanto no Irã quanto em outros países do Oriente Médio, mas a crítica nunca considerou Googoosh como uma atriz talentosa. Em 1976, ela se casou com Behrouz Vossoughi, mas o casamento durou apenas um ano. 

Googoosh e Behrouz Vossough, seu eterno parceiro de cinema e ex-marido
Com a Revolução Islâmica em 1979, Googoosh teve que parar sua carreira de 25 anos como cantora e atriz. Ela também se recusou a deixar o Irã e recusou diversas ofertas tentadoras para gravar no exterior. De acordo com o falecido diretor Parviz Khatibi, Googoosh saiu do Irã após a revolução e permaneceu em Nova York durante um curto período de tempo, mas esta saída foi tão breve que muitos iranianos nem se lembram. Posteriormente ela se casou com o diretor Masud Kimiai e decidiu se mudar para um apartamento no Norte de Teerã. Em Julho de 2000, Googoosh divorciou-se de Kimiai, deixou o Irã e finalmente rompeu 21 anos de silêncio anunciando uma turnê surpresa iniciando em Toronto, seguindo por Los Angeles, Nova York e outras cidades norte-americanas.
Em seu tour de retorno, ela lançou o álbum Zartosht, que é considerado um de seus melhores trabalhos, tendo algumas das melodias compostas por ela mesma pela primeira vez. Mais de 300.000 iranianos expatriados deram as boas vindas ao seu retorno e lotaram auditórios em todos os locais por onde ela passou. Atualmente ela vive entre Los Angeles e Toronto. Seu álbum Akharin Khabar (Últimas Notícias) gravado em 2004 quebrou os recordes de venda de todos os álbuns  de língua persa. 

>> Veja neste vídeo algumas das canções mais famosas de Googoosh:


Baseado em IMDb e Wikipedia 


Breve história dos cosméticos no Irã


Os registros históricos do uso de cosméticos na Pérsia advém de cerca de 3000 a.C por meio dos antigos escritos e artefatos arqueológicos. Desde esta época óleos aromáticos e unguentos eram usados para higiene corporal, corantes e tinturas naturais eram usados como maquiagem facial, principalmente em ocasiões cerimoniais e rituais religiosos. Um dos tipos de óleo mais utilizados era o de oliva, nativa da Ásia menor espalhada a partir do Irã, Síria e Palestina para o resto da bacia do Mediterrânea, há 5000 mil anos atrás. 
Pelo controle das rotas de comércio, os iranianos importavam e exportavam grandes quantidades de cosméticos, populares na região. Entretanto estes produtos eram usados muito antes da chegada dos medos e persas. Um pó branco feito de chumbo ou prata e vermelho de pedra de hematita foi descoberto em Kerman, juntamente com pinças durante a escavações dos sítios de Shahdad e Khabis datando de 5000 a.C. O tipo mais comum de maquiagem para os olhos na região era o kohl, usado como uma massa compacta de matéria finamente moída e transformada em pasta ou pó. Enquanto os egípcios utilizavam a malaquita e galena para fazer o kohl, os iranianos utilizavam o antimônio.  
A maquiagem labial era muito popular e desde os tempos pré-históricos, o ocre vermelho era utilizado para esta finalidade. Pós faciais eram feitos de óxido de ferro (hematita), ocre amarelo e pós brancos de prata ou chumbo eram abundantes no Irã. Este material era misturado com gordura, óleos ou resina em goma para tornar a aplicação mais fácil. A henna era amplamente utilizada e obtida localmente das folhas da Lawsonia alba. Óleos vegetais e animais e a cal era utilizada para fabricação de cremes faciais, alguns dos quais utilizados para limpeza. A mirra, uma resina oleosa local e a canela, comercializada extensivamente na região, eram utilizadas na produção de perfumes e desodorantes corporais. 
Há pouca informação disponível sobre o que as mulheres da corte Sassânida utilizavam como cosméticos. No entanto, fontes romanas contem uma riqueza de informações sobre as mulheres da Pérsia que usavam quase os mesmos ingredientes e misturas. Todas as antigas fórmulas ainda se encontravam em uso e novas foram acrescentadas. Pós faciais eram feitos de cal em pó (sepidab) ou chumbo branco. Sombras de olho eram utilizadas, e as sobrancelhas eram engrossadas e sua largura aumentada. Delineadores (sormeh) eram feitos de fuligem ou pó de antimônio. O açafrão era também utilizado como sombra para os olhos e perfume. Algumas mulheres desenhavam pintas negras em seus rostos, particularmente quando queriam esconder alguma imperfeição. O vermelho para os lábios era obtido do mineral ocre ou do vegetal ficus. O ocre também era utilizado para enrubescer as bochechas (sorkhab). A maquiagem facial era misturada em pequenos pratos. Cremes faciais eram feitos de leite e farinha; e a lanolina (obtida da lã do carneiro) era utilizada como loção corporal. A água de rosas era amplamente utilizada e permaneceu um item importante de cosmética até o começo do século XX.


As artes e técnicas da perfumaria permaneceram mais ou menos as mesmas por milhares de anos e mudaram somente durante a idade média. A descoberta do álcool pelo famoso cientista iraniano Razi (séc. IX) foi a maior responsável por essas mudanças. Perfumes à base de álcool, em uso nos dias atuais, substituíram as antigas fórmulas à base de óleo. Um famoso alquimista, astrônomo, filósofo, matemático, físico e poeta iraniano,  Ibn Sina (Avicenna, 980-1037) aperfeiçoou a destilação e introduziu as novas técnicas que revolucionaram para sempre a ciência da química. Ibn Sina utilizou amplamente os óleos essenciais para propósitos médicos e cosméticos. Ele escreveu mais de 100 livros, um dos quais é totalmente dedicado às rosas. Os perfumes tinham uma grande procura sendo que o mais usado era feito de rosas e cidades inteiras como Ghamsar e Kashan eram famosas por sua produção de água de rosas (golab). Este ritual praticado há seculos em Kashan está quase desaparecendo e hoje em dia é praticado por poucos produtores que ainda se dedicam a produção artesanal. O moshk, uma substancia obtida a partir do sangue de gazela, estava entre os mais caros itens de perfumaria da época.

Casa de banhos persa, pintura de Reza Karimi 
As casas de banho públicas e privadas tinham atendentes e especialistas em todos os tipos de serviços que incluiam massagem, aromaterapia, tratamento capilar, pintura corporal com henna e depilação para as mulheres. A depilação era feita com band andazi, um tipo especial de fio. A depilação era considerada um rito de passagem da adolescência para a vida adulta. Somente mulheres casadas se depilavam e afinavam as sobrancelhas. Os homens mais jovens geralmente se barbeavam completamente, enquanto os mais idosos e os mais religiosos preferiam manter a barba. Nos dias atuais, muitas adolescentes iranianas preferem aderir a moda ocidental e não seguem à risca este costume tradicional. 
O uso de sabonetes foi introduzido muito tempo depois, feito de gordura animal e apesar da produção moderna de sabonetes, ainda é possível encontrar este tipo tradicional em bazares e lojas de produtos naturais. Para lavar os cabelos, eram utilizadas folhas de lótus em pó (Sedre), que ainda se encontra em uso no Irã ao lado dos modernos shampoos nos mercados. Os cortes de cabelo eram tão variados quanto nos dias de hoje. Nas pinturas das dinastias Mogul, Safávida e Qajar, vemos mulheres com cabelos longos e soltos, ou entrançados à mostra.

A literatura clássica persa (sempre escrita por homens) mostra um retrato bem estilizado e romântico da beleza ideal feminina. Cabelos negros e cacheados, boca pequena, sobrancelhas longas e arqueadas e olhos grandes amendoados, nariz pequeno, cintura extremamente fina e face arredondada com pintas (khal) são constantemente exaltadas. As pinturas e miniaturas persas seguiam este mesmo modelo idealizado de beleza. Obviamente um modelo imaginário e irreal da beleza feminina que não deveria corresponder ao maioria das mulheres comuns da época.
Os textos medievais contém numerosas instruções a respeito de como fazer todos os tipos de item de maquiagem, o que significa que a despeito das restrições impostas pelos códigos islâmicos, as mulheres ainda eram consumidoras massivas destes produtos. A situação é comparável ao Irã dos dias de hoje, onde o uso de cosméticos e a cirurgia plástica é uma mania nacional.
A indústria cosmética mudou completamente desde a introdução das novas ciências e grandes companhias que dominaram o mercado mundial. Mas no Irã algumas das antigas fórmulas ainda estiveram em uso até o início do século XX. O sepidab, um tipo de maquiagem facial e o  sorkhab um corante para lábios e bochechas ainda são encontrados nos bazares tradicionais. O sormeh também é amplamente utilizado como delineador para olhos desde a Índia até os mais remotos cantos do Irã. Minerais para limpeza facial e corporal como o roshur foram levados pelos imigrantes iranianos para a América. A  arte corporal com henna se tornou muito popular em todo o mundo e até mesmo o método de depilação band andazi chegou é praticado em muitos salões de beleza ocidentais.


Baseado em Culture of IRAN



Atrizes iranianas: Golshifteh Farahani

Golshifteh Farahani 
Golshifteh Farahani,  já foi vocalista de uma banda de rock underground e atualmente segue como uma das poucas atrizes iranianas com reconhecimento internacional.  Nascida em 1983 em Teerã, seu nome verdadeiro é Rahavard Farahani. Ela é filha do ator e diretor de teatro  Behzad Farahani e da pintora Fahimeh Rahim Nia, e sua irmã é a atriz Shaghayegh Farahani. Golshifteh, começou sua carreira estudando música e tocando piano aos 5 anos de idade, mais tarde ingressando no conservatório de Teerã. Aos 14 anos, foi escolhida para o papel principal no filme The Pear Tree do diretor Dariush Mehrjui, tendo ganhado o  Crystal Roc de Melhor Atriz no 16º Festival Internacional de Cinema de Fajr em Teerã.
Golshifteh atuou em mais de 25 filmes, muitos dos quais tiveram reconhecimento internacional. Em anos recentes ela atuou nos filmes de alguns dos mais aclamados diretores iranianos e estrangeiros, entre eles Baba Aziz (2004), do diretor tunisiano Nacer Khemir,  O Tocador de Santur de Dariush Mehrjui, Antes da Lua Cheia (2006), de Bahman Ghobadi e M de Mãe (2007) de Rasool Mollagholipoor.
Após sua atuação no filme americano Rede de Mentiras (2008), ela  supostamente tinha sido impedida pelas autoridades iranianas de deixar o Irã.  No entanto, isto foi negado por seus colegas e ela mais tarde apareceu na estréia do filme nos EUA com os cabelos à mostra e ombros desnudos. A última atuação de Golshifteh no Irã foi no filme Procurando Elly (2009) dirigido por  Asghar Farhadi que ganhou o Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema em Berlim.
Em janeiro de 2012, foi noticiado que Golshifteh não poderia mais voltar para seu país após uma série de fotos nua na revista francesa Madame Figaro, numa manifestação contra a repressão às mulheres. Ela também apareceu com os seios à mostra em um curta de Jean-Baptiste Mondino intitulado Corpos e Almas, aumentando ainda mais a polêmica em torno de sua já controvertida figura. O jornal britânico Daily Telegraph noticiou que o governo do Irã omitiu oficialmente uma nota de repúdio ao comportamento da atriz. 
Atualmente Golshifteh vive em Paris, na França e é casada com o diretor franco-iraniano Amin Mahdavi tendo feito trabalhos em parceria com o músico iraniano Mohsen Namjoo e de diretores como Marjani Satrapi, ambos iranianos exilados.
Suas atuações mais recentes foram em Êxodo: Deuses e Reis, dirigido por Ridley Scott e "118 Dias", de John Scott, ambas as produções de 2014. Em 2017 está prevista sua participação em Piratas do Caribe. 

Conheça alguns dos papéis mais marcantes de Golshifteh Farahani no cinema iraniano e internacional: 

Como Niwemang, em Antes da Lua Cheia (2006)
Como Aisha, em Rede de Mentiras (2008)
Como Sepideh em Procurando Elly (2009)
Como Nefertari, em Êxodo: Deuses e Reis (2014)
(Baseado em Wikipedia)


Bamieh, um doce especial do Ramadan no Irã

Bamieh, doce típico iraniano 
Bamieh é um dos doces favoritos dos iranianos. É uma espécie de "mini-churros", servido  na hora do Eftar, a quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadan, e as confeitarias também faturam bastante com sua produção nesta época. Bamieh significa literalmente "quiabo", porque seu aspecto se parece com pequenos pedacinhos de quiabo frito cortado e geralmente vem acompanhado de outro doce chamado Zulbia. Por isso é comum ouvirmos falar da famosa dupla Zulbia Bamieh. Vamos aprender como ele é feito? 

Ingredientes: 

1 Copo de farinha de trigo
3 Colheres (sopa) de manteiga
2 Ovos
1/4 Colher (sopa) de açafrão
1 Copo de açúcar
1 Colher de (sopa) de água-de-rosas
Óleo vegetal 

Mode de preparo:

1- Dissolva o  açafrão em água fervente, deixe durante 30 minutos e reserve.
2- Coloque 1 copo de açúcar em uma panela. 
3- Acrescente  1/2 copo de água e mexa.
4- Ferva a mistura até formar uma calda grossa. 
5- Acrescente 1 colher (sopa) de água de rosas e 1 colher (sopa) do açafrão reservado à panela e misture bem, continue fervendo por mais 3 minutos.
6- Ponha 1 copo de água em outra panela.
7- Adicione 2 colheres (sopa) de açúcar e 3 colheres (sopa) de manteiga à segunda panela, mexa bem e aqueça até que a manteiga esteja completamente derretida e misture até que fique bem homogêneo.
8- Adicione 1 copo de farinha de trigo e continue mexendo em fogo brando até formar uma massa. 
9- Retire a mistura do fogo e deixe esfriar.
10- Adicione  2 ovos à massa, e mexa até que fique homogênea.
11- Coloque a massa em um saco de confeiteiro e escolha um bico decorativo com o formato de sua preferência e faça os "quiabinhos".
12- Frite os "quiabinhos" em óleo vegetal e remova o excesso de óleo . 
13- Mergulhe os "quiabinhos fritos " na calda preparada no passo 4 e deixe descansar por 5 minutos. 

14- Depois coloque-os em uma peneira para escorrer por alguns minutos e sirva. 
Sugestão:Também pode ser decorado com pistache moído.               


>> Veja aqui o passo-a-passo da receita: 


Receita do site Aashpazi.com