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Filme: "O Dançarino do Deserto"

FILME DO MÊS: baseado na história real de Afshin Ghaffarian, o dançarino que desafiou as rígidas leis de seu país em busca da liberdade expressão  

Em 2009, durante o clima tenso que sucedeu  a reeleição do presidente Ahmadinejad no Irã, uma onda de protestos eclodiu na capital Teerã. Uma multidão de jovens empunhando cartazes e vestidos de verde, a cor do candidato da oposição sai às ruas bradando o slogan: "Onde está meu voto?" Segue-se uma violenta repressão da polícia, com espancamento dos manifestantes e muitos acabam sendo detidos. Entre os manifestantes detidos está Afshin Ghaffarian (Reece Ritchie), um jovem  que liderava secretamente um grupo de dançarinos em um prédio abandonado. 
Dez anos antes, em sua infância em Mashhad, o garoto Afshin (Gabriel Senior) já demonstrava uma grande paixão pela dança que conhecia através dos filmes hollywoodianos. Porém desde a Revolução de 1979, as manifestações artísticas como a música e a dança são rigidamente controladas pelo governo islâmico e apresentações em público são proibidas. Na escola, Afshin é punido pelo professor por dançar para seus colegas de classe, porém,  o diretor o encaminha para uma escola de artes clandestina onde é acolhido pelo carismático professor Mehdi (Makram Khoury) que o apresenta a figura inspiradora do lendário bailarino russo Rudolf Nureyev. No entanto, a escola está constantemente na mira dos basij, a polícia moral, por permitir que meninos e meninas estudem juntos. 
Os anos passam, e Afshin agora adulto ingressa na Universidade de Teerã onde conhece seu novo amigo Ardy (Tom Cullen) que o leva a conhecer uma balada underground em Teerã, onde jovens bebem, usam drogas, dançam música eletrônica e onde as moças e rapazes interagem à vontade escondidos da polícia moral. É justamente neste ambiente que Afshin tem seu primeiro contato com sites ilegais no Irã como o Youtube. O efeito que os vídeos da internet tem em Afshin é impactante, ele fica absorvido por horas assistindo todos os tipos de danças que são proibidos em seu país. 
Junto com mais outros dois amigos aficionados por dança, Afshin tem a ideia de fundar um grupo que passa a fazer ensaios escondidos em um prédio abandonado. Pouco tempo depois, junta-se a eles uma misteriosa garota chamada  Elaheh (Frieda Pinto), que se revela como filha de uma ex-bailarina que fazia parte de uma famosa companhia de dança no período anterior a revolução islâmica. 
Tudo poderia estar indo maravilhosamente nos ensaios do grupo se não fosse o medo constante de serem presos pela atividade ilegal e também porque o envolvimento sentimental entre Afshin e Elaheh passa de alguma forma a desunir o grupo. A solução  para os impasses do grupo parece vir quando  Afshin decide organizar uma apresentação no meio de deserto fora de Teerã, onde os dançarinos estariam livres dos olhares das autoridades e onde um grupo seleto de espectadores também poderia assistir com liberdade. 
Ironicamente, a atividade ilegal da dança não é a razão pela qual Afshin será capturado pelos guardas religiosos (apresentados no filme como jovens cruéis de camisa branca). Após enfrentar uma dolorosa tortura, ele consegue escapar e após um período se escondendo da polícia ele tem a chance fugir, com um passaporte trocado passando-se por um amigo que iria dirigir uma peça de teatro em Paris. 
O Dançarino do Deserto (2014), dirigido pelo inglês Richard Raymond por um lado é permeado por um exacerbado viés político, que se deixa perceber do início ao final do filme, encaixando os personagens dentro das manifestações que caracterizaram o famoso Movimento Verde que realmente teve lugar no Irã em 2009, em apoio ao candidato Mir Hossein Mousavi. Por outro lado as sequências de danças impactantes, tornam o filme belíssimo em estética e os momentos de dramaticidade e tensão tem grande impacto emocional (preparem os lencinhos).  
Com certeza, desde a época mostrada no filme, muita coisa mudou no Irã, e apesar da censura o talento do povo iraniano para as artes é reconhecido mundialmente. Porém sabemos também que uma geração de artistas iranianos foi silenciada e tornou a florescer no exílio fora do Irã após 1979, assim como muitos outros ainda hoje buscam um lugar para se expressar no país que é o "berço das artes". 
O verdadeiro Afshin Ghaffarian, que aparece no final do filme com um sorriso de vitória, recebeu asilo político e uma bolsa de estudos do governo francês e hoje dirige uma companhia de dança de muito sucesso na Europa.
Infelizmente, o filme está em cartaz por pouco tempo em São Paulo e Rio de Janeiro no Espaço Itau de Cinema. Para quem quiser assistir online, deixo aqui o link:


Veja o trailer:


4 comentários

  1. Olá Janaina, tudo bem? Adorei ler a resenha do filme! Extremamente envolvente! Obrigada por disponibilizar o link para assistir online!
    Beijinho,
    Aminah Luiza

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  2. ola gostaria de ver filmes iranianos on line vc sabe de algum site?

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  3. assisti o filme o dancarina no deserto excelente, emocionante recomendo

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  4. Oi Jana, ADOREI o filme, é belíssimo! Muito obrigada pela dica e excelente resenha! Bjs

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