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Omar Khayyam, o poeta cientista da Pérsia

Omar Khayyam
18 de maio é o dia que os iranianos celebram o aniversário de Omar Khayyam que é com certeza um dos mais famosos poetas persas, conhecido no ocidente por sua  obra Rubayat, em português "Quadras"(Rubaiyat é o plural da palavra persa rubai, que significa quadras, quartetos), uma coleção de mil poemas que ficou famosa a partir da tradução de Edward Fitzgerald em 1839. 
Omar Khayyam  nasceu em Nishapur, atual província de Razavi Khorasan no Irã, no ano de  1048 e viveu até 1131. Foi um notável matemático, astrônomo e poeta, oriundo de uma família de classe média alta, da qual herdou seu sobrenome que significa"fabricante de tendas".
No campo da astronomia, Khayyam corrigiu o antigo calendário persa que  tinha uma margem de erro de um dia a cada 3770 anos. Na matemática contribuiu em álgebra com o método para resolver equações cúbicas pela interseção de uma parábola com um círculo, que viria a ser retomada séculos depois por René Descartes.
Apesar de suas realizações no campo das ciências, foi com sua obra poética que ele recebeu maior reconhecimento. Suas crenças particulares são notáveis em seus escritos, rejeitando a religião formalista e interpretações literais dos dogmas do islamismo. Como filósofo, ele era partidário dos ensinamentos de  Avicena, os quais ele transmitiu durante anos até sua morte em sua cidade natal Nishapur.  


Noite, silêncio, folhas imóveis;
imóvel o meu pensamento.
Onde estás, tu que me ofereceste a taça?
Hoje caiu a primeira pétala. 
Eu sei, uma rosa não murcha
perto de quem tu agora sacias a sede;
mas sentes a falta do prazer que eu soube te dar,
e que te fez desfalecer. 
Acorda... e olha como o sol em seu regresso
vai apagando as estrelas do campo da noite;
do mesmo modo ele vai desvanecer
as grandes luzes da soberba torre do Sultão. 
(...) 
"Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã./ Apanha um grande copo cheio de vinho,/ senta-te ao luar, e pensa:/ Talvez amanhã a lua me procure em vão."
 A tradução mais conhecida da obra de Omar Khayyam em português foi feita por Otávio Tarquínio de Sousa, embora vários outros poetas e escritores tenham se sensibilizado com a beleza do Rubayat, como Fernando Pessoa e Manuel Bandeira. No prefácio da tradução do Rubayat em português por Alfredo Braga, há uma definição perfeita para compreendermos a personalidade deste poeta persa de múltiplos talentos:
"Um homem erudito e sofisticado, que sabe da assombrosa trajetória dos astros, da pureza da rigorosa geometria e da elegante álgebra, que percebe a inconseqüente soberba dos homens sábios (e a dos outros) e caminha entre rosas, tulipas, lindas mulheres e finos vinhos, provavelmente não ia se entregar a tão imponente singeleza para falar do último gesto, daquele “ato inelutável” de um outro crepúsculo:

Cavaleiro que vejo ao longe na neblina
Do crepúsculo, aonde irá? Sei não. Por Vales
E montanhas? Sei não. Estará amanhã estendido...
Sobre a terra?... Ou debaixo da terra?... Sei não."
Interior do mausoléu de Omar Khayyam, em Nishapur

Baseado em Wikipedia e Os Rubayat, versão em Português de Alfredo Braga


Uma professora e a arte da superação dos limites

A professora Zohreh Etezadossoltaneh ensina aluno deficiente a escrever com os pés 
Salam amigos! Hoje eu gostaria de compartilhar a linda história da professora Zohreh Etezadossaltaneh, de Teerã, que apesar de ter nascido sem os dois braços, superou todas as limitações e desenvolveu múltiplas habilidades. Aos 52 anos e aposentada, ela hoje dedica sua vida a ensinar outras crianças com deficiências similares.
 "Cada organismo pode ter algumas limitações e deficiências. Mas, se você tem uma alma pura e elevada, o corpo não importa", diz Etezadossaltaneh. Quando criança, ela recebeu a educação primária em uma escola especial para crianças com deficiência. Depois Etezadossaltaneh se mudou para o sistema de ensino iraniano regular, fez faculdade e se formou em psicologia. 
Com os pés, Etezadossaltaneh consegue segurar uma raquete de pingue-pongue ou um pincel. Ela já participou de exposições de artes e vendeu até almas de suas obras. "Ela trabalha tão facilmente que eu tinha esquecido totalmente que ela pinta com os pés", disse a instrutora de pintura Parisa Samavatian.
Quando ao tênis de mesa, a ex-professora diz que leva muito a sério. "Quero representar o meu país em competições no exterior.
(Fonte:  G1)

A professora Zohreh ensina garota com má formação congênita nos braços a pintar com os pés
O garoto Ruhollah , 9, que perdeu os dois braços em um acidente aprende a pintar usando os pés  

Ela começou sua formação em uma escola especial, mas concluiu seus estudos em uma escola regular  

Além de ensinar crianças Zohreh também se dedica a cuidar de pessoas idosas
Utilizando um apoio especial, ela faz suas tarefas domésticas sem dificuldade
Zohreh participa de exposições de arte vende  seus trabalhos e sonha em participar de competições esportivas 
(Veja a matéria completa no site G1)


Mim Mesle Madar ("M de Mãe")

Em homenagem ao Dia das Mães, deixo com vocês este vídeo com a  linda canção do filme Mim mesle Madar ("M de Mãe") composta por Arya Aziminejad, ilustrada por belíssimas pinturas de artistas iranianos: 


Queria te dizer o quanto eu amo a tua voz
O quanto eu amo as tuas canções de ninar
Assim como em minha infância 

Amo tua aspereza 
Amo teu cansaço
Amo o teu véu de oração... 
Teu jeito de murmurar as preces

Queria poder decorar a estante do teu coração com um espelho e candelabros
Poderia tornar-me uma gota de chuva no campo nublado dos teus olhos
Queria poder cantar para ti bosques de flores de canções de ninar
Poderia por em tuas mãos celestiais, céus de narcisos e jasmim

Descanse... eu quero contar minhas estrelas em teus olhos
Esteja comigo... ame o mundo a teu redor... até a eternidade
O mundo... seja bom ou mau, para mim será encantador ao teu lado
Petúnias seriam magníficas ao teu lado,  mãe

Queria te dizer o quanto eu amo a tua voz
Amo tuas canções de ninar... tua voz suave
Mãe

    Ruze Madar Mobarak!   
Feliz Dia das Mães! 


Filme: "O Dançarino do Deserto"

FILME DO MÊS: baseado na história real de Afshin Ghaffarian, o dançarino que desafiou as rígidas leis de seu país em busca da liberdade expressão  

Em 2009, durante o clima tenso que sucedeu  a reeleição do presidente Ahmadinejad no Irã, uma onda de protestos eclodiu na capital Teerã. Uma multidão de jovens empunhando cartazes e vestidos de verde, a cor do candidato da oposição sai às ruas bradando o slogan: "Onde está meu voto?" Segue-se uma violenta repressão da polícia, com espancamento dos manifestantes e muitos acabam sendo detidos. Entre os manifestantes detidos está Afshin Ghaffarian (Reece Ritchie), um jovem  que liderava secretamente um grupo de dançarinos em um prédio abandonado. 
Dez anos antes, em sua infância em Mashhad, o garoto Afshin (Gabriel Senior) já demonstrava uma grande paixão pela dança que conhecia através dos filmes hollywoodianos. Porém desde a Revolução de 1979, as manifestações artísticas como a música e a dança são rigidamente controladas pelo governo islâmico e apresentações em público são proibidas. Na escola, Afshin é punido pelo professor por dançar para seus colegas de classe, porém,  o diretor o encaminha para uma escola de artes clandestina onde é acolhido pelo carismático professor Mehdi (Makram Khoury) que o apresenta a figura inspiradora do lendário bailarino russo Rudolf Nureyev. No entanto, a escola está constantemente na mira dos basij, a polícia moral, por permitir que meninos e meninas estudem juntos. 
Os anos passam, e Afshin agora adulto ingressa na Universidade de Teerã onde conhece seu novo amigo Ardy (Tom Cullen) que o leva a conhecer uma balada underground em Teerã, onde jovens bebem, usam drogas, dançam música eletrônica e onde as moças e rapazes interagem à vontade escondidos da polícia moral. É justamente neste ambiente que Afshin tem seu primeiro contato com sites ilegais no Irã como o Youtube. O efeito que os vídeos da internet tem em Afshin é impactante, ele fica absorvido por horas assistindo todos os tipos de danças que são proibidos em seu país. 
Junto com mais outros dois amigos aficionados por dança, Afshin tem a ideia de fundar um grupo que passa a fazer ensaios escondidos em um prédio abandonado. Pouco tempo depois, junta-se a eles uma misteriosa garota chamada  Elaheh (Frieda Pinto), que se revela como filha de uma ex-bailarina que fazia parte de uma famosa companhia de dança no período anterior a revolução islâmica. 
Tudo poderia estar indo maravilhosamente nos ensaios do grupo se não fosse o medo constante de serem presos pela atividade ilegal e também porque o envolvimento sentimental entre Afshin e Elaheh passa de alguma forma a desunir o grupo. A solução  para os impasses do grupo parece vir quando  Afshin decide organizar uma apresentação no meio de deserto fora de Teerã, onde os dançarinos estariam livres dos olhares das autoridades e onde um grupo seleto de espectadores também poderia assistir com liberdade. 
Ironicamente, a atividade ilegal da dança não é a razão pela qual Afshin será capturado pelos guardas religiosos (apresentados no filme como jovens cruéis de camisa branca). Após enfrentar uma dolorosa tortura, ele consegue escapar e após um período se escondendo da polícia ele tem a chance fugir, com um passaporte trocado passando-se por um amigo que iria dirigir uma peça de teatro em Paris. 
O Dançarino do Deserto (2014), dirigido pelo inglês Richard Raymond por um lado é permeado por um exacerbado viés político, que se deixa perceber do início ao final do filme, encaixando os personagens dentro das manifestações que caracterizaram o famoso Movimento Verde que realmente teve lugar no Irã em 2009, em apoio ao candidato Mir Hossein Mousavi. Por outro lado as sequências de danças impactantes, tornam o filme belíssimo em estética e os momentos de dramaticidade e tensão tem grande impacto emocional (preparem os lencinhos).  
Com certeza, desde a época mostrada no filme, muita coisa mudou no Irã, e apesar da censura o talento do povo iraniano para as artes é reconhecido mundialmente. Porém sabemos também que uma geração de artistas iranianos foi silenciada e tornou a florescer no exílio fora do Irã após 1979, assim como muitos outros ainda hoje buscam um lugar para se expressar no país que é o "berço das artes". 
O verdadeiro Afshin Ghaffarian, que aparece no final do filme com um sorriso de vitória, recebeu asilo político e uma bolsa de estudos do governo francês e hoje dirige uma companhia de dança de muito sucesso na Europa.
Infelizmente, o filme está em cartaz por pouco tempo em São Paulo e Rio de Janeiro no Espaço Itau de Cinema. Para quem quiser assistir online, deixo aqui o link:


Veja o trailer:


50 Impressões do Irã

50 Impressions of Iran é um videoclip com cenas gravadas totalmente de um iPhone, pelo artista visual Mahdi Ehsaei, durante suas três últimas viagens ao Irã. Nascido e criado na Alemanha, Ehsaei relata que cada vez que volta ao Irã, a terra de seu pai, ele tem novas impressões:  
"Com este trabalho eu não só quero mostrar algumas impressões do Irã, mas também quero motivar as pessoas a compartilhar suas impressões do mundo. Este tipo de compartilhamento nos leva a uma melhor compreensão, coexistência e a um mundo melhor".