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O Chá na Cultura Iraniana


Salam amigos! Atendendo a pedidos, hoje vou falar de um dos assuntos mais amados pelos nossos leitores: o chá iraniano ou chai irani, como falam nossos amigos das terras da Pérsia! 
Seja no Irã ou fora dele,  toda casa iraniana tem que ter um fogareiro à gás com uma chaleira fervendo água durante todo o dia. Ela ferve durante as orações matinais, na hora do almoço, e continua fervendo do entardecer até depois da hora do jantar, aquecendo as conversas familiares sobre sobre política, futebol, fofocas e noticiários. Sem dúvida, o chá é  um das tradições mais importantes da cultura iraniana, sem falar que as famosas casas de chá existem há seculos no Irã. 

Cultivo do chá no Norte do Irã
A produção de chá é a maior indústria nas regiões do Mar Cáspio e uma grande parte de sua economia. Mas você sabia que antes de 1900, não havia produção de chá no Irã? Isso mesmo! Foi só em 1895, que um diplomata iraniano chamado Kashef Al Saltaneh decidiu mudar isto. 
Na época em que os ingleses detinham um estrito monopólio da produção de chá na Índia, com regras rígidas contra o envolvimento de não europeus  neste negócio,  Kashef Al Saltaneh, que estudou em Paris, durante sua juventude e era fluente em francês, foi à Índia fingindo ser um homem de negócios francês e contrabandeou algumas sementes e mudas de chá para o Irã. Após seis anos de experimentação, ele introduziu seu primeiro produto no mercado e começou a industria que revolucionou a economia de duas províncias do Norte do Irã, Gilan e Mazandaran, e fez dos iranianos consumidores ávidos de chá.Ele é conhecido hoje como o pai do Chá Iraniano, e seu mausoléu, na cidade de Lahijan abriga o Museu do Chá.

Mausoléu de Kashef Al-Saltaneh em Lahijan, onde fica o Museu do Chá
As famosas casas de chá, ou chaikhanehs, existem no Irã desde épocas remotas do Império Persa. Elas ganharam destaque após o século XV, quando as folhas de chá oriundas da China pela Rota da Seda passaram a ganhar mais popularidade do que o então consumido café. Embora sejam um ambiente majoritariamente frequentado por homens, as chaikhanehs têm sido cada vez mais frequentada por todos os membros da sociedade e, especialmente, pela grande população jovem do Irã.
O chá iraniano existe em uma variedade de sabores sutis, mas sua principal característica  é a  cor castanho-avermelhado profundo, que cada pessoa pode escolher diluir com água em função de sua preferência. Apesar de seu cultivo nas províncias do norte do país, outros chás do Sri Lanka e da Índia também são amplamente consumidos uma vez que o país importa a maior parte do seu chá, a fim de atender à grande demanda.


A maioria das chaikhanehs costuma servir um chá bem forte, exceto se o cliente pedir o contrário. Quanto mais forte o chá, maior a concentração de taninos e cafeína, por isso, uma boa xícara de chá equivale a uma xícara de café para aqueles que estão familiarizados com ele. Por causa de sua amargura, muitos preferem o chá com açúcar. Tradicionalmente, os iranianos colocam um cubo de açúcar chamado ghand na boca que vai derretendo enquanto vão saboreando os goles do chá. Outra forma de adoçar o chá bem comum no Irã é um tipo de pirulito de açúcar cristalizado, geralmente colorido chamado nabât que pode ser encontrado em todo o país em lojas de especiarias para esse fim específico.

Copos de chai servidos com cubos de açúcar (ghand)
Na cultura iraniana, o chá também tem todo um ritual: a maioria das reuniões ou ocasiões formais começará com um copo de chá, e a maioria das refeições é terminada com ele. Algumas chaikhanehs tem plataformas de madeira semelhantes a uma cama, cobertas de tapetes e almofadas chamadas de takht, nas quais você pode tirar os sapatos e se reclinar, enquanto bebe o chá e saboreia umas tâmaras bem doces. 
Tradicionalmente, o chá é preparado em um samovar, um recipiente de aquecimento que originalmente foi importado da Rússia para a Pérsia. O samovar é usado para manter a água quente por períodos prolongados de tempo através de um tubo cheio de combustível no interior da estrutura. Feito de cobre, bronze, prata ou ouro, o samovar ainda é usado em toda a Rússia, Ásia Central e  Irã, e versões ornamentadas da dinastia Qajar ainda pode ser encontrado em uso.

Azari Tea House, uma das mais famosas chaikhanehs em Teerã
Existem Chaikhanehs de todas as formas e estilos no Irã. Desde um simples cômodo em aldeias e vilarejos, até locais sofisticados nos centros urbanos, e as undergrounds próximas a destinos turísticos populares. A Azari Tea House em Teerã é uma das mais famosas chaikhanehs conhecidos por turistas e moradores da cidade. Em funcionamento desde o século XIV, na rua Vali Asr possui uma  arquitetura detalhada e decoração tradicional. 

Por fim, para quem quiser saber mais sobre o chá iraniano, eu sugiro que leia também estes dois posts publicados anteriormente aqui no blog:


Baseado em Iran Review


Um comentário

  1. Kheili khoshmaze!!! :) Muito gostoso Tchaí Azizaaaaam!!! Huuummmmm

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