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Comemorando 3 anos do blog com piquenique iraniano no Parque do Ibirapuera

Piquenique iraniano no melhor estilo "amigos da Pérsia"
Salam amigos! No último domingo fizemos uma comemoração em dose tripla: os aniversários do blog (24/01), da cidade de São Paulo (25/01) e também o da "moça do chá", Janaina Elias (27/01)! 
E a nossa comemoração foi no melhor estilo possível: finalmente realizamos o sonho de fazer um piquenique iraniano no parque do Ibirapuera reunindo amigos do Brasil e do Irã! 
A agitadora disso tudo, foi a minha duste golam Karla Mendes, que está sempre apoiando com muito carinho o nosso blog e fez essas fotos lindas, além do chai, com as guloseimas iranianas que adaptamos ao gosto berezili!

O nosso piquenique iraniano foi simplesmente um luxo: toalha de galamkari e chai em xícara de porcelana com bala de coco no lugar de  ghand  e a participação especial do nosso querido amigo Ali, diretamente de Kashan para São Paulo! 

Guloseimas iranianas adaptadas por nós: mast-e khiar, patê de atum, sabzi khordan, pão lavash,  pão libanêsgeléia de damasco, muitas frutas, suco e docinhos. Kheili khoshmaze !



Esperamos que este seja o primeiro de muitos dos nossos piqueniques iranianos celebrando a amizade em contato com a natureza! Quem quiser se juntar a nós já está convidado!

O ANIVERSÁRIO É DO CHÁ-DE-LIMA DA PÉRSIA, MAS EU PARABENIZO A TODOS OS AMIGOS QUE FIZ ATRAVÉS DESTE BLOG, são vocês que fazem ele crescer cada vez mais unindo brasileiros e iranianos de modo tão especial! 



Meymand, um vilarejo pré-histórico na província de Kerman

Vilarejo de Meymand, província de Kerman
Meymand é um vilarejo histórico localizado próximo à cidade de Shahr-e Babak na província de Kerman (SE do Irã). Acredita-se que Meymand foi o local onde se estabeleceram alguns dos primeiros habitantes do Planato Iraniano, a cerca de  12000 anos atrás e ainda hoje é habitada. Atualmente, muitos dos habitantes que ali vivem ocupam 350 casas escavadas nas rochas, algumas das quais já serviam de habitação há 3000 anos! 
Os números incríveis de Meymand não param por aí. Relevos nas rochas que datam de aproximadamente 10000 anos e depósitos de cerâmica com cerca de 6,000 anos são encontrados neste vilarejo  atestando sua longeva história.

Casas escavadas nas rochas
Algumas casas com mais de 3000 anos, ainda hoje são habitadas!
Duas teorias distintas tentam explicar a origem da formação de Meymand. De acordo com a primeira teoria, a vila foi construída por um grupo das tribos arianas há cerca de 800 e 700 a.C. Possivelmente as estruturas de Meymand foram feitas com propósitos religiosos para servir ao culto de Mitra, a divindade reverenciada como o "Sol Invencível". A segunda teoria afirma que o vilarejo data do período Arsácida, quando diferentes tribos do sul de Kerman migraram em diferentes direções e se estabeleceram na área onde construíram as casas nas rochas que até hoje ali se encontram. A existência de um local conhecido como fortaleza de Meymand, próximo ao vilarejo, no qual foram encontrados mais de 150 ossuários do período Sassânida, fortalece esta teoria.
A aparência do vilarejo, situado em meio ao deserto iraniano é essencialmente rústica, e sequer encontramos plantas ou vasos de flores enfeitando as casas. Até mesmo seus habitantes usam roupas de cores sóbrias e vivem em perpétuo silêncio. Segundo os registros de alguns viajantes, é proibido ouvir música em Meymand.

Antigas estruturas de Meymand  
Interior de uma residência em Meymand
A população de Meymand é estimada entre 130 a 150 pessoas, muitas das quais são pastores semi-nômades que vivem nas cavernas dos vilarejo durante o inverno. Durante o verão, aproximadamente 60 pessoas continuam morando no vilarejo. As condições de vida no local são árduas devido a aridez da terra e as temperaturas extremamente altas no verão e baixas no inverno. O dialeto local contem muitas palavras dos antigos idiomas Sassânida e Pahlavi. 
Meymand é considerado um dos Patrimônios Mundiais da UNESCO, e pode ser comparado a outros locais similares no Irã como o vilarejo de Kandovan,  Hille Var, Sour, Ghorveh, Vind, Tamin, as galerias subterrâneas zoroastrianas em Kharg, as casas Zoroastrianas nos arredores de Tabas, Jahlkhaneh em Bushehr, Capadócia, Metra, algumas regiões no sul da Inglaterra, Jordânia e China.

A população de Meymand é composta por pastores semi-nômades
A maioria dos habitantes deixam o vilarejo durante o verão


Um Fotógrafo Brasileiro no Irã

O fotógrafo brasileiro Ricardo Martins no Irã
Em tempos de notícias tensas sobre o Oriente Médio, é sempre bom ver que cada vez mais brasileiros estão descobrindo o universo cultural do Irã. E esta é uma troca recíproca, uma vez que também os brasileiros estão levando o melhor da nossa cultura para as terras da Pérsia. É o que mostra esta notícia publicada no site G1:
Um fotógrafo de São José dos Campos (SP) representou o país em uma exposição fotográfica no Irã em um evento promovido pelo Itamaraty no último mês. Com 13 fotos de diferentes pontos do Brasil, Ricardo Martins, de 35 anos, apresentou aos iranianos regiões do país como a Amazônia e o Vale do Paraíba.
Com cinco livros publicados, um sendo produzido e 13 anos de carreira, ele recebeu o convite para representar o Brasil no país asiático. "Em agosto recebi o convite do Itamaraty para representar o Brasil no Irã em uma exposição fotográfica. Assim que aceitei o convite, começamos a nos organizar com a escolha das fotos, do que mostrar e como mostrar o Brasil", afirmou o fotógrafo.
A seleção incluiu imagens dos biomas do Brasil, Amazônia, futebol e também levei imagens de pontos do Vale do Paraíba", disse. Entre as imagens do Vale, está o Pico dos Marins, entre as cidades de Cruzeiro e Piquete, a Basílica de Aparecida e a que fez mais sucesso entre os iranianos foi uma imagem de Piquete. "As duas fotos mais faladas foram a de uma Arara Canindé que fotografei no norte do Tocantins e a do tropeiro que fiz em Piquete. Depois da exposição, Ricardo conta que ficou dez dias no país asiático capturando paisagens das cidades de Esfahan, Yazd, Shiraz, Persepolis, Necrópolis e o deserto de Farahzad. "Nunca tinha ido ao Irã antes, mas é um país que pretendo voltar. É um país de lindas paisagens. Encontrei pessoas muito receptivas e amigáveis, e eles adoram os brasileiros", afirmou.
A exposição foi o primeiro trabalho do fotógrafo no exterior. "Fiquei muito feliz e honrado de ver o meu trabalho reconhecido e também pela oportunidade de conhecer uma cultura completamente diferente de tudo o que eu já tinha visto", disse. As fotos fazem parte dos livros do fotógrafo, "A riqueza de um Vale", sobre o Vale do Paraíba; "Jalapão, história e cultura" e "AMANTIKIR, a serra que chora", que será lançado neste ano.
(Veja as fotos)
Fonte:  G1


Siavash Ghomayshi - Tehran

Lançamento da música pop iraniana com o grande cantor Siavash Ghomayshi, cantando em homenagem à cidade de Teerã! 


O que é a Lima-da-Pérsia?

Lima-da-Pérsia
Salam amigos! Hoje vou apresentar para vocês uma fruta que tem tudo a ver com o nosso blog. Com vocês: a Lima-da-Persia!
A lima-da-pérsia é o fruto da limeira-da-pérsia (Citrus limettioides), uma planta nativa da Ásia. Ela é uma fruta cítrica de baixa acidez, classificada dentro das limas doces, e também conhecida como lima comum. O fruto se torna amarelo-alaranjado quando fica maduro. O suco contém geralmente menos de 0,1% de ácido cítrico: o sabor muito leve do suco é popular no Oriente Médio e na Índia.
Por fora a fruta é bastante semelhante a uma laranja, as características distintivas da lima-da-pérsia são justamente a palidez e o amargor, sobretudo na carne de gomos esbranquiçados que separa a polpa da casca, também mais clara do que a da laranja.
Embora pouco frequente no Brasil, concentrando-se a produção da fruta no norte do estado de São Paulo, a lima-da-pérsia, conhecida ainda como de lima-doce – em oposição à lima ácida, que corresponde ao nosso limão-taiti – é bastante conhecida dos brasileiros.
O suco de lima é prezado por suas diversas qualidades, sendo muito apreciado e utilizado na medicina popular como auxiliar da digestão. Tendo propriedades diuréticas, acredita-se que esse suco seja bom, também, no tratamento de feridas gástricas, além de ter a reputação de combater o raquitismo. Diz-se, ainda, que o chá feito a partir da casca fervida, quando tomado regularmente após as refeições, ajuda a prevenir as palpitações cardíacas. Pode-se dizer, assim, que palidez e amargor encontram-se apenas em seu aspecto e sabor, não em seu espírito saudável.
Com a lima-da-pérsia, de sabor bastante apreciável e delicado, além do suco, preparam-se doces e geléias, sem falar das cada vez mais apreciadas caipirinhas de cachaça ou de vodca, em que a fruta aos pedaços é esmagada com açúcar branco.
Sempre com grande aproveitamento do fruto, já que mais de 50% do seu peso é constituído de puro suco fresco.
E a limeira-da-pérsia, árvore de porte médio, semelhante a uma laranjeira de flores maiores, ainda esbanja beleza e alta produtividade: em época de frutificação, geralmente no inverno, a copa da árvore fica carregadíssimo de frutos de tom amarelo pálido, arredondados e brilhantes. Resistente, a árvore onde frutifica a lima-da-pérsia está entre as mais rústicas da família das Rutáceas, sucumbindo apenas ao frio e às geadas.
Quanto à origem, o próprio nome já diz. No entanto, chama a atenção o fato de que, embora boa parte dos frutos cítricos seja proveniente da região do sul da Ásia, onde se localiza a Pérsia, tenha sido ela a única fruta a receber um qualificativo de origem: lima-da-pérsia.


Badab-e Surt: a "Pamukkale do Irã"

Badab-e Surt, província de Mazandaran
Badab-e Surt é uma das maravilhas da natureza, localizada a 95km da cidade de Sari, na província de Mazandaran, norte do Irã. Este cenário incrível consiste em uma cadeia de plataformas em forma de degraus de um mineral chamado travertino, formadas ao longo de milhares de anos pela sedimentação de carbonatos minerais dissolvidos pelo fluxo das fontes de água termais. 
A causa da formação das plataformas de Badab-e Surt são duas fontes minerais com características distintas, localizadas a 1840m acima do nível do mar. A primeira fonte contém águas extremamente salinas que formam uma pequena piscina natural. Esta água é considerada medicinal e usada especialmente no tratamento do reumatismo e doenças de pele. A segunda fonte tem águas de gosto amargo e sua cor é predominantemente alaranjada.
Locais similares a Badab-e Surt existem em outros pontos do planeta. Por exemplo, as fontes termais de  Mammoth no parque de Yellowstone, as Plataformas de Águas Brancas de Baishutai e Huanglong, ambos na China e o mais famoso de todos, Pamukkale na Turquia. Mas a característica que diferencia estas outras plataformas de águas termais, daquela que existe no Irã é a cor. Enquanto as demais são geralmente tem tons de branco e azul, as plataformas de Badab-e Surt são de um  tom que varia do alaranjado ao vermelho brilhante devido a presença de sedimentos de óxido de ferro.





Baseado em Amusing Planet


Sabzi Khordan, um banquete de ervas frescas

Ervas frescas à venda em mercado de Teerã 
Você sabe o que é Sabzi Khordan? Os vegetarianos provavelmente vão amar este post, mas inclusive eu que não sou, só de lembrar deste banquete de ervas frescas iraniano já fiquei com vontade!  O sabzi khordan que  significa algo como "comer verde" é um típico acompanhamento de pratos principais que consiste em uma mistura de vários ingredientes, principalmente ervas frescas. Geralmente contém rabanetes, cebolinha, alho-poró iraniano, salsa, agrião e manjericão. Estes ingredientes são conhecidos por limpar o paladar para ajudar a apreciar o prato principal. Algumas ervas aromáticas como o pooneh (manjericão iraniano), estragão, endro e hortelã  e às vezes, cubinhos de queijo feta, nozes e até limão também são opcionais. 





E aí, gostaram? Nushe jan (bom apetite)!

Baseado em ShahreFarang


5 lugares incríveis no Irã que os turistas não conhecem

Embora não esteja entre os destinos turístico mais procurados do mundo, o Irã tem atrações magníficas, seja nas cidades famosas como Shiraz e Isfahan, ou nos tesouros históricos escondidos pelo país à espera de viajantes desbravadores. Neste post vamos conhecer 5 deles:

Castelo de Rudkhan



Escondido nas úmidas florestas da província de Gilan, no norte do Irã, o Castelo de Rudkhan é uma fortaleza militar medieval cujas origens remontam à chegada do islã no Irã. Poucos turistas estrangeiros visitaram este local, que é uma atração popular entre os iranianos.
Construído durante o período Sassânida, entre 224-651 d.C., acredita-se que foi restaurado pelos seguidores da seita Ismaili (os famosos "Assassinos" ou Hashashin)  e completado durante  os séculos XI e XII. A escalada para o castelo que está situado ao longo dos dois picos de uma montanha verdejante leva mais de uma hora, por este motivo ele recebeu dos locais o apelido de "Castelo dos Mil Passos".
No caminho de volta, você pode parar para experimentar a típica culinária do norte do Irã no restaurante Pich que fica na estrada à caminho de Rasht, capital da província. (Localização: Pich Restaurant, Rasht to Anzali Highway, Khomam Beltway; +98 132 422 7554; Pichrestaurant@yahoo.com.) 

Casa Histórica de Bekhradi



Situada em Isfahan, esta hospedaria de 400 anos construída durante a era Safávida, possui quatro quartos com múltiplos espaços lindamente decorados e é a mais antiga casa a ser restaurada no Irã. O trabalho de renovação e restauração que durou cinco anos,  foi feito  pelo designer Morteza Bekhradi buscando seguir o projeto da casa original que segundo ele pertenceu a um aristocrata da era Safávida. 
Embelezada com vitrais e obras de arte das eras Safávida e Qajar, a casa histórica está localizada entre dois jardins repleto de árvores frutíferas e flores silvestres. Os móveis da casa, desenhados por Bekhradi, foram feitos com madeira de chenar (plátano), as árvores que enfeitam as ruas e os jardins históricos de Isfahan. Ainda hoje, esta casa histórica  que poucos turistas tiveram o privilégio de visitar é desconhecida até mesmo para os próprios residentes de Isfahan (confira um tour virtual aqui). 
Localização: Bekhradi Historical House, 56, Sonbolestan Alley, Ebn-e-Sina St, Shohada Sq, Isfahan; +98 31 34482072

Domo de Soltaniyeh



Um Patrimônio Mundial da UNESCO localizado na província de de Zanjan,  Noroeste do Irã, o mausoléu do imperador Oldjaitu na cidade de Soltaniyeh é coroado por uma das maiores cúpulas do mundo. O monumento foi construído entre 1302 e 1312, na capital do império persa durante a dinastia mongol dos Ilkhanidas. Apesar do desgaste ao longo dos séculos da estrutura exterior, os intricados trabalhos em tijolos, mosaicos e vibrantes motivos em seu interior permanecem muito bem conservados.
Acredita-se que a estrutura singular do Domo de Soltanyeh influenciou o design do Taj Mahal na Índia. Conta-se também que o imperador Oldjaitu nasceu de uma mãe cristã e seu nome de batismo era Nicolas. Depois ele se tornou budista e posteriormente se converteu ao Islã. Originalmente o Domo de Soltaniyeh foi construído para abrigar os artefatos religiosos do imperador, mas proibido pelos clérigos, ele decidiu que o monumento seria utilizado como seu túmulo.

Hotel Laleh Kandovan



Há cerca de 48km do nordeste da cidade Tabriz, se situa o vilarejo de Kandovan. Neste vilarejo de 800 anos, aos pés do Monte Sahand, existem casas escavadas em rochas vulcânicas que são habitadas até hoje. Ali se encontra-se o luxuoso Hotel Laleh Kandovan,  que seguindo o estilo das casas locais foi construído quase inteiramente em uma rocha escavada, com 16 quartos modernos e confortáveis. 
De acordo com a sabedoria local, a água mineral que brota da fonte do Monte Sahand possui propriedades medicinais e é valiosa em todo o Irã. Os hóspedes do Hotel Laleh Kandovan também podem desfrutar de um banho relaxante nestas águas. O hotel possui algumas banheiras  cuja água é bombeada diretamente desta fonte. 
Localização:  Laleh Kandovan Rocky Hotel, Kandovan Rd, Kandovan; + 98 412 323 0191

Torre Toghrol



A Torre Toghrol é um monumento da era Seljúcida, situado na cidade de  Rey, na periferia ao sul da capital Teerã. Muitas vezes ignorada pelos visitantes que tendem a se fixar mais na zona norte e no centro da capital, Rey é o condado mais antigo da província de Teerã e é repleta de monumentos históricos, incluindo um bazar de 500 anos construído na era Safávida.. 
A torre é tida como o mausoléu do rei Toghrol Beg, que estabeleceu em Rey o maior centro administrativo da dinastia Seljúcida até sua destruição pelas tropas mongóis no início do século XIII. Após visitar a torre, você também pode dar uma passada no quarteirão armênio em Teerã e fechar sua jornada com uma xícara de café e doces armênios no histórico Cafe Naderi, um local frequentado há décadas pelos maiores escritores e intelectuais do Irã. (Localização: Hotel Naderi and Cafe, Jomhuri Eslami Avenue, Tehran; +98 21 66 701 872)

Baseado em artigo do site CNN.com


Cinema Iraniano: Tartarugas Podem Voar

O FILME DO MÊS: Estreando este ano com um drama fortíssimo e cativante sobre infância e guerra... 

Tartarugas Podem Voar, escrito e dirigido em 2004 pelo diretor Bahman Ghobadi, com a notável trilha sonora composta por Hossein Alizadeh, foi o primeiro filme gravado no Iraque após a queda de Saddam Hussein. 
O cenário do filme é um campo de refugiados curdos na fronteira Iraque-Turquia às vésperas da invasão americana no Iraque. Ali vive um garoto de 13 anos conhecido como Satélite (Soran Ebrahim), que tem este apelido por inventar antenas parabólicas de sucata que permitem aos moradores do vilarejo assistirem as notícias do mundo e por seus limitados conhecimentos em inglês, que literalmente fazem dele uma espécie de "satélite" do remoto vilarejo. Satélite é uma espécie de líder nato, que manda nas outras crianças e as comanda na missão perigosa porém necessária de vasculhar campos minados para vender no mercado os artefatos que ainda não foram detonados. Muitas dessas crianças, como o garoto Pashow, fiel escudeiro de Satélite, tem algum tipo de ferimento ou mutilação, mas ainda assim arrumam alguma forma de se divertir, enquanto trabalham, apesar das condições sub-humanas em que são obrigados a viver.  
Um dia, o engenhoso Satélite se apaixona por uma garota órfã chamada Agrin (Avaz Latif) que chegou de outro vilarejo que foi destruído pelas tropas iraquianas. Ele passa a ajudá-la em suas tarefas sempre que possível, a fim de ganhar seu coração. Porém a garota está sempre com uma cara de poucos amigos, que é consequência dos traumas de seu passado. Junto com Agrin está seu irmão Hengov (Hiresh Feysal Rahman), que apesar de não possuir os dois braços, está sempre cuidando dela e parece ter o dom da clarividência, e os dois carregam consigo um menininho cego chamado Riga (Abdol Rahman Karim). No decorrer do filme descobrimos que Agrin deu a luz à Riga, após ser estuprada por um soldado, que massacrou sua família e mutilou  seu irmão. Por isso ela tenta repetidas vezes abandonar a criança que sempre acaba misteriosamente retornando são e salvo ao campo (apesar de sua alegada cegueira) como se estivesse sempre ali para relembrá-la dos horrores do passado. 
Após várias tentativas frustradas de abandonar a criança, Agrin decide afogá-lo em um lago e em seguida comete suicídio atirando-se de um penhasco. Antes do ocorrido, seu irmão tem uma visão e tenta correr para salvá-los, mas é tarde demais. Quando Hengov chega ao lago, encontra o corpo de seu sobrinho, mas não consegue retirá-lo de lá, devido a sua deficiência. Por fim, ele chega ao penhasco de onde Agrin saltou, e recolhe com a boca os sapatos deixados ali por ela. 
Ironicamente, momentos antes o próprio Satélite também acaba sendo ferido por uma mina terrestre e de sua posição de líder ativo e mandão, agora ele passa a ser um garoto inválido e abatido. Consequentemente ele também acaba perdendo todo o entusiasmo que tinha pelos americanos e olha com indiferença quando os soldados finalmente passam perto dele. Esta cena parece refletir o sentimento do povo curdo, que massacrado pelo regime ditatorial de Saddam Hussein esperava ansiosamente pela invasão americana como uma esperança de libertação.  
O diretor Bahman Ghobadi, ele próprio de origem curda fez este filme com muitas crianças que nunca haviam atuado em nenhum filme e que realmente haviam sofrido na pele a dor dos ferimentos causados pelas armas da guerra. A explicação para o título do filme parece advir do fato que algumas das minas terrestres tem um formato semelhante há uma pequena tartaruga, e que quando estas explodem, literalmente, voam para todos os lados. Também parece haver uma alusão a famosa fábula conhecida como a "A Tartaruga Voadora",  
Entre vários prêmios internacionais, Tartarugas podem voar, ganhou o Prêmio do Público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2004) e o Prêmio da Paz no Festival Internacional de Berlim (2005).

Filme: Tartarugas podem voar (2004) 
Irã, França, Iraque | Drama, guerra | 98 min | Cor
Legendado em Português
Direção: Bahman Ghobadi
Título original: Lakposhtha parvaz mikonand
Título em inglês: Turtles Can Fly 
Elenco: Soran Ebrahim, Avaz Latif, Saddam Hossein Feysal, Hiresh Feysal Rahman, Abdol Rahman Karim, Ajil Zibari

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