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Como as iranianas "realmente" se vestiam antes da revolução islâmica na década de 70

"Que tal minha roupa? Estou combinando com a mesquita hoje? " 
Salam amigos! Faltam só dois dias para acabar o ano e não falta assunto sobre o Irã na web! E o mais recente, que na verdade, eu já estou careca de ver é um post intitulado: "Como as mulheres iranianas vestiam-se antes da revolução islâmica, na década de 70? Surpreenda-se!!!"

Verdade, já estou careca de ver estas fotos sensuais de atrizes iranianas que beiram a Playboy, e outras que são retiradas da revista Vogue, dos anos 70 com modelos que não tem absolutamente nada de iranianas posando nas ruínas de Persépolis ou com seus vestidos esvoaçantes ornando com as cores dos azulejos das mais famosas mesquitas e monumentos históricos do Irã. A propósito confira a mais incrível galeria que eu já vi de fotos mostrando a evolução da moda e da beleza das celebridades femininas no Irã nas décadas de 1950, 60 e 70 no site Pars Times ! 
Obviamente, temos as imagens das divas pop que são ícones desta geração mais ousada e outras celebridades e modelos, a maioria dos quais deixou o Irã após a revolução e atualmente vive fora do Irã, no exílio. 

As cantoras Giti (esq.) e Googoosh (dir.) divas do pop iraniano dos anos 70 

Susan Hakima, a miss Irã em 1970 
Ali Hatami e  Zari Khoshkam, os pais da famosa atriz Leila Hatami (ainda vivem no Irã atualmente)
Forouzan, foi uma das atrizes iranianas mais amadas na década de 70
De fato, o Irã, antes da revolução islâmica de 1979, (como aborda a matéria  citada acima) era um país muito diferente do que vemos na atualidade. Por muito tempo, o país foi pró-ocidental, permitindo uma certa quantidade de liberdade cultural, mas ainda assim, era um país do Oriente Médio, com suas parcelas conservadora e moderada a liberal da população. 
A mídia tende a esquematizar, o Irã antes e depois da Revolução, como se tudo se resumisse a "mulheres antes e depois do véu". Porém uma pesquisa mais aprofundada da cena urbana no Irã dos anos 70 nos revelam um interessante contraste entre as mulheres bi-hejab (sem hejab) e as adeptas do véu islâmico.  


  O contraste entre as mulheres bi-hejab (sem hejab) e as adeptas do véu islâmico  
O chador islâmico e a moda ocidental andavam lado a lado no Irã dos anos 70
Estudantes no interior do Irã , antes da revolução islâmica
O contraste é ainda mais marcante em uma praia no Irã dos anos 70!

Para mais informações, sugiro também que leiam os posts O hijab no Irã e suas variações e Breve história da moda no Irã

Espero que tenham gostado do post, Khoda Hafez e Feliz 2016!!


"Muros da gentileza", um ato de solidariedade dos iranianos

"Muro da gentileza": roupas são penduradas para doação na cidade de Shiraz 
Salam amigos! Sabe aquela faxina de final de ano, quando pensamos em descartar um monte de coisas que não usamos mais? Que tal doar para alguém que precisa? Recentemente, uma iniciativa que se espalhou em várias cidades iranianas está dando o que falar na web, são os chamados "muros da gentileza". Confira a notícia que foi publicada no Portal Terra
Uma iniciativa iraniana está promovendo a doação de roupas nos muros das cidades do país para ajudar moradores sem teto e famílias pobres a suportarem o clima o frio dessa época do ano.
Os "muros da gentileza", como a iniciativa ficou conhecida, apareceram nas maiores cidades do Irã e desataram um amplo debate nas redes sociais sobre como ajudar os mais pobres. A ideia parece ter surgido na cidade de Mashhad, no nordeste do país.
Uma pessoa que, segundo um jornal local, deseja permanecer no anonimato colocou ganchos e cabides em um muro e escreveu: "Se você não precisa, deixe aqui. Se você precisa, leve."
Aos poucos, as pessoas começaram a deixar casacos, sapatos e outras roupas de inverno nos muros para moradores sem-teto ou famílias pobres.
E a ideia se espalhou rapidamente para outras cidades iranianas graças às redes sociais, onde fotos de muros com doações começaram a ser postadas com mensagens pedindo colaboração.
"Não deixem nenhum (sem-teto) tremer de frio neste inverno", diz uma delas.
"Esta é uma ótima iniciativa. Espero que se espalhe para o resto do Irã", disse um usuário do Facebook.
"Os muros nos lembram da separação, mas, em algumas ruas de Shiraz, eles uniram as pessoas", comentou outro, sobre um muro da gentileza instalado em uma cidade no sul do Irã.
Estatísticas oficiais sugerem que existem 15 mil sem-teto no Irã, mas outras estimativas dizem que são 15 mil apenas na capital, Teerã. Várias organizações governamentais são encarregadas de cuidar dessas populações. Mas há dúvidas sobre sua eficácia e transparência.
"Precisamos fazer isso sozinhos (ajudar as pessoas). A vida é muito curta. Seja gentil", disse um usuário do Instagram.
Recentemente, uma organização iraniana criou outra iniciativa semelhante, na qual geladeiras eram distribuídas pelas ruas de Teerã para que as pessoas deixassem comida para os sem-teto. 

Outro "muro da gentileza" encontrado em Isfahan 
Geladeiras nas ruas de Teerã  para que as pessoas deixem comida para os sem-teto 

(Fonte: Terra)  


A provável origem persa dos 3 Reis Magos

Os Três Sábios da Pérsia visitam o menino Jesus, pintura de Hossein Behzad 
A palavra "mago" tem origem na antiga língua persa, Majusian, termo que designava os sacerdotes zoroastrianos. Na Bíblia, no dia do nascimento de Jesus, eles aparecem como os magos que vieram do Oriente, seguindo a estrela de Belém. Portanto, Baltazar, Melquior e Gaspar, segundo a tradição, vieram da Pérsia, e eram provavelmente sacerdotes de Zoroastro. Obviamente, a peregrinação tinha alguma significância religiosa para estes homens, do contrário eles não teriam motivo para fazer uma viagem tão arriscada e demorada. E o que teria sido a estrela de Belém? Um fenômeno astrológico?  
E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém (Mateus 2:1)
Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.Mateus 2:7)
Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
 A Igreja da Natividade em Belém, foi construída em 329 no local em que a rainha Helena acreditava ter nascido Jesus. Em 614, esta igreja foi salva da destruição durante a invasão do exército persa à Terra Santa, por causa do mosaico que continham a imagem dos magos em trajes persas no piso da entrada do templo. Este acontecimento também mostra que de fato os 3 Magos eram representados como sacerdotes persas no Cristianismo primitivo
O que nós sabemos sobre a origem dos 3 Magos, sugere que eles vieram ou da Mesopotâmia ou da Pérsia, e eram conhecidos como uma classe sacerdotal antiga e poderosa. Estes sábios que eram extremamente cultos, eram especialistas em várias disciplinas, incluindo medicina, religião, astronomia, astrologia, adivinhação e magia, e sua classe eventualmente se espalhou muito ao longo do Oriente.  Os magos persas eram considerados os mais religiosos e intelectuais; por isso os historiadores acreditam que os Magos do Natal eram persas, originários da Média. As tradições siríacas primitivas também dão a eles nomes persas.  

Os Três Magos, mosaico Bizantino, c.565, Basílica de São Apolinário Novo, em Ravenha, Itália.
Na arte bizantina, os magos eram comumente retratados em trajes persas incluindo calças, capas e capuz 

A edição inglesa do livro "As Viagens de Marco Polo" traduzido por Ronald Latham, relata o seguinte episódio: 
Na Pérsia, foi na cidade chamada Saveh, da qual os três Magos saíram quando foram adorar Jesus Cristo. Aqui, também, eles estão sepultados em três túmulos de grande tamanho e beleza. Acima de cada sepulcro há um edifício quadrado com um telhado abobadado de grande refinamento artístico. Um ao lado do outro. Os seus corpos ainda estão intactos, e eles tem cabelo e barba. O primeiro é chamado de Baltazar, o segundo de Gaspar, e o terceiro de Melquior.
Messer Marco perguntou a vários dos habitantes quem eram estes magos; mas ninguém sabia responder exceto que eles foram três reis que estavam sepultados ali em dias passados. Mas finalmente ele descobriu o que eu vou contar agora.
Três dias adiante, ele encontrou a vila chamada Kala Atashparastan, que é conhecida como a "Cidade dos Adoradores do Fogo". O que não é nada mais do que a verdade, pelo motivo de os homens dessa cidade adorarem o fogo.  E eu vou dizer porque eles o adoram. Os habitantes declaram que em dias passados três reis deste país foram adorar um profeta recém nascido e levaram para ele três oferendas - ouro, incenso e mirra - a fim de descobrir se este profeta era um deus, ou um rei terreno ou um guardião. Disseram: "Se ele escolher o ouro, ele é um rei terreno; se escolher o incenso, um deus; se escolher a mirra, um guardião."
Quando eles chegaram ao local onde o profeta nasceu, o mais jovem dos três reis entrou sozinho para ver a criança. Ele achou que o menino parecia com ele mesmo, e que  tinha sua mesma idade e aparência. E ele saiu, sentindo-se maravilhado. Então, entrou o segundo, que era um homem de meia idade. E para ele também pareceu o mesmo, que ele tinha sua mesma idade e aparência. E ele saiu, estupefato. Em seguida, entrou o terceiro, que era o mais maduro, e para ele também aconteceu o mesmo que com os outros dois. E ele saiu profundamente pensativo. Quando os três reis estavam todos juntos, cada um disse para o outro o que viu. E eles ficaram muito impressionados e resolveram entrar todos juntos.
Finalmente, eles entraram todos juntos, e se colocaram diante da criança e o viram em sua aparência real; porque ele tinha apenas treze anos. Então eles adoraram o menino e ofereceram a ele o ouro, o incenso e a mirra. A criança recebeu as três oferendas e deu a eles um pequeno baú fechado. E os três reis retornaram para sua própria terra.
Após uma jornada de alguns dias, eles resolveram ver o que o menino tinha dado a eles. Abriram o bau e dentro havia uma pedra. Eles se perguntaram muito qual seria o significado daquilo. Quando os três reis viram que a criança recebeu as três oferendas, eles concluíram que ele era ao mesmo tempo, um deus, um rei e um curador. E uma vez que a criança sabia que os três reis acreditavam nisto, ele deu a eles a pedra como sinal de que eles deveriam ser firmes e constante em sua fé.
Os três reis, não sabendo porque a pedra tinha sido dada a eles, jogaram-na em um poço. Tão logo a pedra caiu, um fogo desceu do céu, caindo diretamente no poço. Quando os três reis viram este milagre, eles se arrependeram de ter jogado a pedra fora; e passaram a ver claramente o seu significado maravilhoso. Imediatamente eles pegaram algumas chamas deste fogo e levaram-nas para seu país onde puseram-na em um de seus templos, um edifício belo e esplêndido.
Eles mantiveram este fogo queimando perpetuamente e o adoraram como a um deus. E todo sacrifício e oferenda que eles fazem é queimado com este fogo. Se acontecer de este fogo se apagar, eles devem ir até um santuário onde outros adoradores que praticam a mesma fé, também mantenham chamas deste mesmo fogo para reacendê-la. Eles nunca substituem esta chama por outra que não seja esta da qual eu falei. Para encontrar este fogo, às vezes eles fazem uma jornada de dez dias.
Foi assim que as pessoas deste país passaram a ser conhecidas como "adoradores do fogo" E eu asseguro que eles são numerosos. Tudo isto foi relatado a Messer Marco Polo pelos habitantes desta vila; e é a mais pura verdade. Finalmente eu posso dizer que um dos três magos veio de Saveh, outro de Hawah e o terceiro de Kashan.
Painel de azulejos na entrada da Igreja Gerog, em Isfahan 

Adaptado de conteúdos publicados nos sites: Bill Petro e Farsinet 


Ensaio fotográfico: Olhando através do Espelho Persa

O ensaio fotográfico Through a Persian Looking-Glass, é um projeto de autoria da fotógrafa pesquisadora norte-americana Karen Polinger Foster que viajou ao Irã em maio deste ano através de um programa educativo da Universidade de Yale. A sequencia de imagens em pares mostra a onipresença dos espelhos na cultura persa, ao lado de retratos de mulheres, ou representações da figura feminina como manequins, sempre emoldurados pelos véus, seguidos de uma reflexão escrita pela da autora buscando uma compreensão mais profunda a respeito desta cultura.

"Espelhos, reais e metafóricos, estão em todos os lugares, dos bazares dos dias de hoje aos palácios e jardins do passado. Os rostos das mulheres emoldurados pelos véus, também estão em todos os lugares, tão individuais como estes manequins".

" ... [A arte iraniana do] séc. XVIII viu a introdução de espelhos e vidros coloridos combinados com trabalhos em estuque branco, como aqui nesta casa que foi de um rico comerciante em Yazd. Diante do Palácio de Golestan em Teerã, duas estudantes de engenharia química, do mesmo modo, combinam em suas vestes o brilhante e o fosco, com suas sedas intensamente coloridas e chadores negros."

 "No século XIX, estilos, cores e motivos europeus começaram a influenciar as artes decorativas iranianas, especialmente embelezando as residências de pessoas notáveis. Quatro farmacêuticas visitando o jardim Narenjastan em Shiraz posam com estampas ocidentalizadas exuberantes, contra os painéis e pilastras com adornos similares na suíte de recepção. Também, flores em profusão se entrelaçam sobre as janelas espelhadas e colunas quase clássicas do pórtico desta mansão em Teerã." 


"Assim falava o poeta do séc. XIX Ghalib, O jardim é o verdete no espelho da brisa primaveril'. Aqui a imagem ganha vida em um espelho de uma loja em Shiraz. A mítica fênix surge das chamas, com suas asas e corpo espelhados refletindo o verde  do jardim. À direita, duas mulheres refletem o brilho e a jovialidade,  assim como as cores da fênix que aparece no espelho."

"Os espelhos perfeitos das piscinas dos jardins persas inspiram a contemplação e a introspecção. Para os místicos como Shah Nematollah Vali, do séc. XV cujo mausoléu em Kerman é visto aqui, eles proveram o significado metafórico da visão de Deus. Para estas estudantes de artes que visitam o jardim Bagh-e Tarikhi em Mahan, a água evoca um tema recorrente na poesia persa - o coração polido como um espelho para refletir somente a beleza de seu amado."

"Para evitar o mau-olhado, os primeiros itens com que um noivo presenteia a sua noiva em um tradicional casamento persa são  dois candelabros, um espelho e um Corão. Aqui estes itens em filigrana prateada, refletem a Mesquita  Lotfallah em Isfahan. A cor turquesa de seus azulejos é a mesma que emoldura a face radiante desta jovem recém casada retribuindo o sorriso tímido de seu esposo."
"Perto de Yazd há um vilarejo zoroastriano que abriga um modesto templo do fogo onde uma chama eterna é guardada por esta anciã. Ela, transportada por seu dever sagrado, parece olhar para outra dimensão, enquanto dentro do santuário, a gravura de Zoroastro no vidro, prega sobre bem e mal, luz e trevas, e auto reflexão através do espelho." 


Teerã revela uma das maiores coleções de arte moderna e contemporânea do mundo

Museu de Arte Contemporânea de Teerã (Imagem: Bloomberg Business)
Os amantes das artes terão um motivo a mais para visitar Teerã nos próximos três meses. E este motivo é a inauguração de uma exposição que revela uma das maiores e mais raras coleções de arte do século XX no mundo em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Teerã: 
Algumas das obras de arte moderna e contemporânea mais caras e menos vistas no mundo, principalmente quadros dos americanos Jackson Pollock, Andy Warhol e Mark Rothko, estão em exposição a partir deste sábado (21/11) em Teerã, por três meses.
Esta grande exposição, que acontece no Museu de Arte Contemporânea, inclui 42 obras de artistas ocidentais, entre elas "Mural on Indian Red Ground" (1950), quadro de Pollock considerado uma obra-prima e que especialistas da casa de leilões Christie's avaliaram em 2010 em 250 milhões de dólares.
As obras apresentadas em Teerã fazem parte de uma coleção formada, em grande parte, sob o regime do xá do Irã, derrubado em 1979, e composta por 300 quadros de grandes pintores dos séculos XIX e XX, como Paul Gauguin, Pablo Picasso, Joan Miró e Francis Bacon.
Algumas obras, que mostram homens ou mulheres nus, não podem ser exibidas no país, devido às leis islâmicas.
O ministro iraniano da Cultura, Ali Janati, que presidiu a cerimônia de inauguração, declarou à AFP que o recente acordo nuclear entre o Irã e as grandes potências abriu caminho para uma cooperação mais importante em matéria cultural e artística entre o Irã e o restante do mundo.
"É um primeiro passo. No futuro, esperamos exibir mais obras de artistas iranianos ao lado dos artistas estrangeiros da nossa coleção", acrescentou.
(Fonte: Yahoo Notícias)
Visitantes observam Mural on Indian Red  (1950) de Jackson Pollock. 

O Pintor e sua modelo (1927) de Pablo Picasso, em exposição em Teerã
O Suicídio Púrpura (1963), de Andy Warhol também faz parte da coleção do museu iraniano
Informações: 
O site do Museu de Arte Contemporânea de Teerã está sendo atualizado, mas para quem tiver interesse em visitar, o museu se localiza dentro do Parque Laleh na Rua Kargar, próximo à estação de metrô Meydan-e Enghelab Eslami. O horário de funcionamento é de sábado à quinta-feira das 10h às 19h (fechado às sextas-feiras) e o ingresso custa US$ 1,50.


Diga "Salam" para Surena III: o robô que entende persa

Evolução do Robô SURENA
Um país asiático acaba de produzir um robô que caminha, sobe escadas, segura objetos, imita movimentos humanos e ainda por cima entende o idioma nativo de seus criadores. De que país estou falando?  Japão? Errado! Estamos falando do Irã! 
Há menos de uma semana, o primeiro humanoide robótico 100% fabricado no Irã foi batizado de Surena III, nome que homenageia um mítico general persa dos tempos antigos. Com seus 1,90m de altura e 98kg, este gigante cibernético é resultado de 4 anos de pesquisas por especialistas e técnicos da Universidade de Teerã.
Entre as habilidades quase humanas de Surena III, estão caminhar, mesmo sobre superfícies desniveladas, chutar uma bola de futebol e subir e descer escadas. Seu sistema de visão permite que ele reconheça rostos e objetos e identifique  frases específicas faladas em persa e ainda imite movimentos e gestos humanos. 
Surena foi construído e desenvolvido por mais de 70 professores, engenheiros e estudantes da Universidade de Teerã e outras cinco instituições acadêmicas iraniana, assim como todo seu aparato tecnológico e softwares foram desenvolvidos por companhias iranianas, todas sob orientação do  Professor Aghil Yousefi-Koma da Escola de Engenharia Mecânica e Matemática da Universidade de Teerã.  
O projeto que está em desenvolvimento desde 2008, com outras duas versões do robô já produzidas e melhoradas continua em constante aprimoramento e promete ainda mais! 
Fonte: IB Times

>> Veja um vídeo do primeiro robô 100% persa em ação!



Um passeio por Shiraz - parte I: A cidade dos poetas

Túmulo do poeta Hafez em Shiraz (imagem: Jackie Abramian)
Quem deseja conhecer a  história da Pérsia, revisitando desde os palácios dos antigos reis até os túmulos dos mais famosos poetas que são patrimônios da humanidade, sem dúvida deve visitar Shiraz. Capital da província de Fars, localizada no sul do Irã, Shiraz é a quinta cidade mais populosa do Irã, e desde o séc. XIII tem sido o mais importante centro das artes e literatura persa. Protegida pelas montanhas de Zagros, a cidade guarda em seus arredores relíquias da antiga Pérsia; como as ruínas da capital cerimonial do Império Aquemênida, Persépolis, e os túmulos dos antigos  reis persas em Naghsh-e Rostam e Pasárgada. Shiraz, é também o terceiro maior centro de peregrinação religiosa do Irã, depois de Mashhad e Qom. 
Há uma grande variedade de pontos turísticos que devem ser visitados em Shiraz, embora a maioria destes locais cobre uma taxa de visitação que é um pouquinho maior para os estrangeiros. No topo desta lista estão os túmulos dos mais amados poetas persas: Hafez e Saadi
Além do trânsito congestionado do centro da cidade, no extremo norte da Rua Golestan - uma rua de paralelepípedos cercado por extensos jardins e antigos muros dos limites da cidade, encontra-se o Aramgahe Hafez, o Mausoléu de Hafez (1315-1390) ou Hafeziye como é conhecido popularmente.
Memorial de Hafez, um dos pontos turísticos mais importantes de Shiraz
Nascido em uma cidade famosa pela poesia e literatura, a poesia de Hafez reflete a sabedoria sufi (misticismo Islâmico), a admiração da amada, os prazeres do vinho e a serenidade dos jardins floridos que eram seu refúgio. Uma das grandes figuras do sufismo, os poemas de amor de Hafez, compilados no livro Divan e Hafez , são comumente usados para adivinhar a sorte pelos iranianos, por isso toda casa iraniana tem um exemplar deste livro.
Por causa desta tradição, alguns vendedores ficam na entrada do Memorial de Hafez com caixinhas cheias de papeizinhos, de onde por 25 centavos de dólar, fazem um canário retirar com o bico um poema especial que predirá o futuro da pessoa.

Vendedores usam canários para retirar versos da sorte 
Dentro dos portões, um jardim sereno com rosas e altos álamos refletidas por piscinas retangulares, levam a um pavilhão com grandes colunas adornado com os versos de Hafez, abrigando o túmulo onde o poeta descansa.

O jardim que conduz ao túmulo de Hafez 
O arqueólogo e arquiteto francês, André Godard, restaurou e redesenhou o memorial em 1931 aumentando o túmulo, circulando-o com cinco degraus e colunas de oito metros que sustentam uma cúpula de cobre, no topo do túmulo revestido em mármore. A cúpula, que simboliza um chapéu característico dos sufis, possui um extraordinário mosaico no interior.

Pavilhão que abriga o túmulo do poeta Hafez 
Considerado o incomparável mestre do Ghazal, a poesia lírica rimada, Hafez ainda é recitado, memorizado e cantado por todo o Irã e também no mundo. Após visitar o túmulo lotado de turistas e admiradores, é possível se refugiar na serenidade dos jardins ou comprar lembranças nas lojinhas de artesanato que ficam dentro do complexo.
Lojinha de artesanado no memorial de Hafez
A uma pequena distância de táxi do Hafeziye na parte nordeste da cidade, fica o túmulo de Saadi (1210 - 1292), o segundo poeta mais amado de Shiraz. Um ávido viajante que viveu em diferentes partes do Oriente Médio, Saadi retornou para sua terra natal para se tornar um dos mestres da tradição literária clássica escrevendo obras poéticas como  Bostan (O Pomar) e Golestan (O Jardim das Rosas).
Túmulo do poeta Saadi em Shiraz
Interior do túmulo de Saadi
Os jardins sempre tem sido a peça central da arquitetura persa e em Shiraz certamente não faltam magníficos jardins. O famoso Jardim de Affif Abad, inclui uma mansão real, um museu de armas históricas com um magnífico jardim que é um dos mais antigos de Shiraz. Tendo sido um palácio durante a era Safávida (1502 -1706) o exército restaurou toda a sua estrutura 1962 que agora funciona como um museu de armas.

O Jardim de Affif Abad
Na entrada do palácio há dois canhões que antigamente disparavam anunciando o começo do Nowruz (o Ano Novo Persa). O hall de entrada é magnificamente decorado com mobiliário e antiguidades do mundo todo. Cada sala no palácio é decorada em diferentes esquemas de cores.
Entrada da mansão real  no Jardim de Affif Abad
Uma das salas da mansão real ricamente decorada
Após visitar estes locais, você pode querer jantar no Restaurante Soufi (Rua Sattarkhan) que é decorado com motivos e símbolos sufis, no qual os visitantes apreciam a culinária persa tradicional com música tradicional persa ao vivo.
Restaurante Soufi, em Shiraz 
Um pão Sangak saindo do forno, é servido com queijo Fetah, hortelã e manjericão, acompanhado de uma salada Shirazi, uma deliciosa combinação de pepino, tomate e cebola picada temperada com hortelã e limão. Em seguida, o prato principal de Kabob Kubideh (espetinho de bife grelhado) com tomate grelhado, arroz com açafrão, batatas fritas, hortelã, picles e cebolas.
Kabob Kubideh e outras especialidades de Shiraz
Bem próximo do restaurante, uma padaria oferece as especialidades locais e bolos artisticamente decorados, onde você pode completar sua experiência culinária Shirazi com uma pasta de gelatina açucarada chamada Ghasmati.
Docest típicos iranianos em uma padria de Shiraz 
Mas nenhuma visita a Shiraz poderia estar completa sem explorar o antigo Bazar Vakil (construído no séc. XI). O labirinto de lojas se abre para vastos terraços, com piscinas rasas nos centro e circundados com entradas em arco, que por sua vez se abrem para outros estabelecimentos, lojas e restaurantes. A maioria dos comerciantes no bazar ainda usa as regras antigas para o comércio diário. Canários em gaiolas cantam uma sinfonia em meio à algazarra de vendedores anunciando seus preços e carrinhos de mercadorias ziguezagueando ao redor dos fregueses que pechincham o melhor preço para suas compras.

No próximo post vamos conhecer Persépolis e outros tesouros da antiga Pérsia ...
Adaptado do artigo de Jackie Abramian para o site Huffington Post


Entrevista com Shadi Ghadirian, a fotógrafa mais influente do Irã

A fotógrafa iraniana Shadi Ghadirian (foto: Blouin ArtInfo

Desde sua graduação pela  Universidade Azad em Teerã com um bacharelado em fotografia, Shadi Ghadirian se estabeleceu como um dos maiores talentos criativos do Irã. Ela é mais conhecida por seus retratos evocativos que englobam uma grande variedade de assuntos incluindo a identidade feminina, censura, e questões de gênero. Inspirando-se em suas próprias experiências de vida, a artista usa humor e paródia como ponto de partida para suas investigações sobre os paradoxos do que é ser mulher no Irã. De acordo com Anahita Ghabaian Etehadieh, diretora da Galeria Silk Road e curadora de sua mais recente exposição em Lyon, na França, já nos anos 90 Ghadirian se tornou uma das primeiras fotógrafas iranianas a mudar a percepção do público sobre a arte e sociedade contemporânea do Irã. "Por meio de  um estilo único de expressão, ela começou a contradizer as imagens severas e brutais comumente associadas  ao Irã, desafiando dilemas sociais do Oriente e como o mundo via o Irã através da linguagem da arte". 
A mostra "Shadi Ghadirian: Retrospective” atualmente em cartaz na Biblioteca Municipal de Lyon até Janeiro de 2016, é  a maior exposição já feita para celebrar o trabalho da mais influente fotógrafa iraniana da contemporaneidade. Abrangendo sua obra desde 1998 até seu mais recente trabalho em video arte, Shadi Ghadirian. Por esta ocasião, Shadi Ghadirian  foi entrevistada pela revista digital BLOUIN ARTINFO (e o trecho a seguir é uma tradução livre de autoria do Chá-de-Lima da Pérsia): 

Você nasceu no Irã em 1974 em uma época de grande conflito na região. Que impactos estes eventos tiveram na geração de iranianos a qual você pertence, no seu trabalho assim como no desenvolvimento e trajetória de sua carreira artística?  

A Revolução Islâmica foi o primeiro e mais importante evento da minha infância do qual eu tenho uma vaga recordação. Com apenas 4 anos, ocupada com minhas fantasias de criança,  eu fui arremessada em meio a um turbilhão político que varreu toda a sociedade.  Como nós vivíamos no centro da cidade eu pude ouvir com frequência a comoção e o caos nas ruas e pude ver os protestos e slogans anti-Xá escritos nos muros, onde permaneceram até eu aprender a ler 3 anos depois. Depois disto a situação se acalmou pelo menos para mim, mas isso durou por pouco tempo até a guerra estourar em 1980.No início a guerra estava longe de casa e perto das fronteiras, mas lentamente penetrou e interferiu em nossas vidas. Passei minha adolescência com o som de ataques aéreos e explosões. Eu me lembro como o som horripilante dos bombardeios e mísseis me acordavam no meio da noite, e como eu confiava nos braços de minha mãe, meu único refúgio seguro naquele tempo. Eu terminei o ensino médio ao mesmo tempo que a guerra acabou em 1988, a cidade estava coberta com fotografias e murais de mártires e eu não tinha muitas esperanças de continuar meus estudos. Minhas duas irmãs mais velhas estudaram artes, então de alguma forma eu era mais familiarizada com isso, então escolhi arte e fotografia como atividade. Eu tinha duas razões para isto, a primeira porque eu sabia mais sobre fotografia e a segunda porque era mais rápido; tudo que eu sabia então era que a fotografia era uma maneira de olhar as coisas criativamente e com mais cuidado. 

O livro “Shadi Ghadirian: Retrospective” está sendo publicado por ocasião da sua exposição na Biblioteca Municipal de Lyon. Que trabalhos aparecem na exposição e o que eles revelam sobre a sua prática? 

Nesta mostra estão todas as séries de fotografias que eu criei. Há também um trabalho novo que estou mostrando pela primeira vez. É um vídeo com o título: "Uma Solidão Alta Demais". Esta exposição irá mostrar como eu comecei minha carreira e como ela continuou até hoje.  

Em seu trabalho você explora sua situação como uma mulher vivendo no Irã assim como as mais abrangentes implicações sociais e culturais da feminilidade. O que você quer transmitir e expressar com seu trabalho e como visa alcançar esta imagens que você criou?  

Eu tento contar diferentes histórias das mulheres iranianas, que é de alguma maneira minha própria história também. Eu quero mostrar uma mulher de diferentes pontos de vista. As questões da mulher são importantes para mim! Eu não sei como eu poderia ajudar a melhorar a situação com minhas fotos! Mas eu espero trazer alguma mudança, o que eu sei que é um trabalho difícil.  

Você usa diferentes dispositivos pictóricos e uma gama de imagens simbólicas para transmitir sua mensagem. Quais são as fontes de suas imagens e de onde vem a inspiração para as diferentes formas que você posa, compõe e constrói em suas imagens?   

Estes dispositivos pictóricos vem diretamente da minha vida! Eu acredito que nós vivemos em uma sociedade de grandes contrastes. Então eu apenas observo o meu ambiente! É muito fácil para  mim olhar, pensar e falar sobre as coisas mais próximas de mim.  

O Irã ainda continua a ser foco de tensões políticas, sociais e culturais. O que você acredita ser sua responsabilidade e obrigação como uma mulher artista iraniana e qual é sua visão no amplo papel que a arte tem para resolver os problemas atuais do Irã?  

Eu não acho que a arte possa resolver nada. A única coisa que nós devemos fazer é ajudar as pessoas a olhar ao redor e para elas mesmas. Ajudar as pessoas a ter uma visão melhor e fazer eles pensarem é como um trabalho em tempo integral para mim. É por isto que eu prefiro mostrar minhas fotos não somente nas galerias! Eu amo mostrar meu trabalho em locais públicos onde mais pessoas possam vê-lo. 
(Adaptado de BLOUIN ARTINFO)



Kotatsu ou Korsi? Método de aquecimento japonês ou iraniano?

Adivinhe o que há em comum entre o Japão e o Irã no inverno?

A temperatura abaixo de 0 e o costume de colocar um aquecedor em baixo de uma mesinha com cobertores em volta, onde toda a família pode se reunir e descansar confortavelmente durante os dias de frio congelante!  A única diferença está no nome que este costume recebe em cada país. Kotatsu no Japão e korsy no Irã. Mas quem será que teve esta ideia primeiro?
Algumas fontes dizem que o kotatsu surgiu no Japão, durante a dinastia Muromachi no século XIV, com aquecedores a carvão chamados irori, sob uma plataforma de madeira.



No Irã acredita-se que o korsi tradicional foi introduzido no  séc. XVIII, durante a dinastia Qajar, tornando-se uma peça central durante a celebração de solstício de inverno conhecido como Shab e Yalda.

Representação do korsi na celebração de Shab e Yalda
Korsi, em uso no Irã no início do séc. XX
Hoje em dia, em ambos os países, utiliza-se o aquecedor elétrico, ou à carvão, sob uma mesinha baixa de madeira. A mesa é completamente coberta com um cobertor ou edredom, sob o qual os ocupantes se sentam em colchonetes, colocando as pernas em baixo da coberta.
No Irã, existe o costume de colocar um tecido especial sobre a coberta que é chamado de ru-korsi, para proteger o korsi de resíduos de comida durante as refeições.

Um kosatsu  no sofisticado estilo japonês

Um korsi no mais elegante estilo iraniano
Fonte: Wikipedia


"Curvas do Irã", este vídeo fará você querer viajar para lá!

O vídeoartista francês Stanislas Giroux, durante sua viagem de 3 semanas pelo Oriente Médio, capturou algumas cenas impressionantes do Irã com sua câmera. Ele promete que ao assistir este vídeo você vai querer viajar para lá! A respeito do título, "Curvas do Irã", a narrativa explica: "Curvas estão em toda parte na cultura oriental: nossa escrita, nossa arquitetura, nossos instrumentos, a forma como dançamos; até mesmo o tom da nossa linguagem é curvado. O ocidente foi construído em ângulos. O oriente foi construído em curvas."


Novo filme de Majid Majidi vai representar Irã no Oscar

Cena do filme "Muhammad: The Messenger of God", do diretor Majid Majidi
Salam amigos! O blog anda meio paradinho ultimamente, mas a Moça do Chá jura que tem se esforçado para acompanhar as novidades das terras da Pérsia! Como recebo diariamente em minha caixa de e-mails notícias do Irã, não poderia deixar de anunciar aqui a mais nova conquista do Cinema Iraniano no cenário mundial: 
O filme "Muhammad: The Messenger of God" (Maomé, o mensageiro de Deus), do cineasta Majid Majidi, representará o Irã na corrida pelo Oscar de melhor filme em língua estrangeira.
O filme retrata a vida do profeta fundador do islamismo. A produção custou cerca de US$ 40 milhões, em parte financiado pelo Estado, e é o longa-metragem mais caro já feito no Irã.
O diretor já representou seu país no Oscar, em 1999, com "Filhos do Paraíso", que ficou entre os cinco selecionados a concorrer na categoria, junto de "Central do Brasil", e perdeu para "A Vida É Bela".
A premiação do Oscar acontece em 28 de fevereiro de 2016. (Fonte: UOL)  
Quem  se lembra última vez que o Irã esteve no Oscar? Foi em 2012 com o filme A Separação de Asghar Farhadi. Depois em 2013, o Irã boicotou o Oscar, em protesto ao filme A Inocência dos Muçulmanos que insultava o Profeta, justamente no ano em que Argo, venceu o Oscar. O filme que seria cotado para concorrer o Oscar naquele ano seria Um Cubo de Açúcar, do diretor Rezar Mir Karimi. 

Eu particularmente sou apaixonada pelos filmes do diretor Majidi que é um de meus cineastas iranianos favoritos e estou ansiosa para que  sua nova produção tenha estréia aqui no Brasil. Vamos torcer mais uma vez pelo Irã no Oscar? 


Culinária persa: saudável para o corpo e para a mente

Imagem do blog: Fig & Quince
"A culinária persa é exótica e saudável, combinando ingredientes como arroz e filé mignon, cordeiro, frango, peixe, alho, cebola, verduras, castanhas, romã e ervas. Para chegar a um sabor delicioso e uma dieta balanceada as especiarias persas como o açafrão, limas, canela e salsa são misturados delicadamente. A cozinha persa moderna cabe perfeitamente dentro do estilo considerado light.
Do ponto de vista cultural, a culinária persa sempre foi considerada uma arte que faz bem tanto para o corpo como para a mente. Ela é exótica porém simples, assim como um poema de Omar Khayyam. É saudável, porém colorida como uma miniatura persa. Influenciou cozinhas ao redor de todo o mundo, desde as receitas de bifes na Índia, aos agridoces que agraciaram as mesas dos monarcas da era medieval e renascença.  A comida iraniana tem muitas semelhanças como outras cozinhas do Oriente Médio, porém é mais sofisticada e imaginativa,  colorida e complexa como um tapete persa. " - Nagmeh Najmabadi
A culinária iraniana é inventiva, rica e variada. O arroz, geralmente temperado com açafrão, é um ingrediente essencial, juntamente com os vegetais. As receitas que fizeram a culinária persa famosa ao redor do mundo em sua maioria são caseiras, porque geralmente as mulheres não trabalham em restaurantes.  Uma das mais apreciadas receitas é o ghormeh sabzi, uma mistura sutil de cordeiro, ervas e limão que necessita de um grande conhecimento e horas de preparo. A outra é o fesenjan, frango com molho de romãs e nozes. (Veja outras receitas no post: 10 comidas iranianas que você deve provar)

A comida iraniana não é apimentada. As ervas são muito usadas, assim como frutas - desde ameixas a romãs, marmelo e passas.  Os iranianos acham que o melhor tipo de arroz é aquele cultivado no norte do país nas costas do Mar Cáspio; ele custa duas vezes mais, assim como as variedades que são importados do Sudeste da Asia. Primeiro, ele é completamente lavado, porquer acredita-se que o cheiro da saca ou contêiner no qual este foi transportado pode destruir o belo aroma do arroz do Mar Cáspio. Depois ele é colocado em água fervente, escorrido e finalmente cozido no vapor.  

Na maioria dos restaurantes, o kebab é o rei, principalmente por seu rápido preparo, e por serem as comedorias geralmente tocadas por homens, cujos principais conhecimentos de culinária, assim como de seus colegas ocidentais é o churrasco na grelha. 

Por muitos séculos, os iranianos olharam para a comida de 3 modos diferentes: medicinal, filosófico e cultural. Médicos e filósofos iranianos consideram a comida e a bebida como o fator principal para vivificar o corpo. O consumo de comida é a chave para enfraquecer ou fortalecer o caráter humano. O consumo excessivo de carne vermelha e gorduras, é creditado a criar maus pensamentos e nos tornar egoístas. No entanto, o consumo de uma dieta saudável, incluindo frutas, verduras, peixe, frango, mistura de pétalas e botões de rosas cria poderes incomuns e nos faz criaturas gentis e nobres. (Leia também o post: Cozinha persa, dos tempos dos reis à atualidade)

Nenhum registro preciso da culinária persa clássica foi encontrado. As técnicas tem sido passadas de geração para geração. As mulheres tiveram grande influência na história da culinária no Irã. Os maiores chefs da cozinha persa ainda são as mulheres. Assim como em outras culturas, pratos especiais são preparados em diferentes ocasiões, como casamentos, funerais, aniversários, Ano Novo Persa, festivais religiosos e históricos, reuniões formais e de estado. 

Baseado em Farsinet 


A descoberta do tesouro das artes de Nishapur

Arqueólogos durante a primeira etapa das escavações em Nishapur
(Imagem: The Metropolitam Museum of Art)
Nishapur é uma cidade do nordeste do Irã (província de Razavi Khorasan), que foi fundada aproximadamente no séc. III, tendo crescido em importância no séc. VIII, posteriormente destruída por invasões e terremotos no séc. XIII. Depois destes tempos, um pequenino vilarejo foi estabelecido  na parte que correspondia ao norte da antiga cidade, e a antes próspera metrópole começou a decair. 
Durante os períodos entre 1935 e 1940, e entre  1947 e 48, escavadores do Metropolitan Museum  de Nova York trabalharam na região. O que atraiu estes pesquisadores à cidade foi sua fama durante o período medieval, quando esta florescia como uma capital regional e era o lar de muitos eruditos religiosos. Esta também era conhecida como um centro econômico, por estar localizada na famosa Rota da Seda, que se estendia da China até o Mar Mediterrâneo, cruzando a Ásia Central, Irã, Iraque, Síria e Turquia. Além disso, Nishapur era uma mina de turquesas e um centro de cultivo de algodão, produzindo diversos tipos de tecidos incorporados com seda conhecidos como 'attabi, saqlatuni,e mulham. Um dos produtos mais incomuns de Nishapur, no entanto, era sua terra comestível, que acreditava-se possuir propriedades curativas. No seu auge, entre os séc.. IX e XIII, Nishapur tinha uma população de aproximadamente  100.000 a 200.000 pessoas, e seu desenvolvimento cobria uma área de aproximadamente 10 km².
Prensa de vinho e vasilha encontradas intactas nas escavações em Nishapur 
Os pesquisadores do museu, Joseph Upton, Walter Hauser e Charles Wilkinson, trabalharam em Nishapur em cooperação com o governo iraniano que permitiu as escavações com tanto  que a metade do material encontrado fosse doado para o Museu Iran Bastan em Teerã. Suas trincheiras estavam localizadas na cidade medieval, onde importantes achados foram descobertos pela população local ou onde eles conseguiram permissão para escavar. Cada sítio foi nomeado de acordo com um apelido local ou alguma característica topográfica distinta. 

Painéis decorados da casas encontradas no sítio de Sabz Pushan, em Nishapur
Duas áreas particularmente forneceram grandes achados. O primeiro sítio a ser escavado foi nomeado como Sabz Pushan ("monte verde" em persa), onde havia uma próspera vizinhança residencial ocupada entre os séc. IX e XII, com casas de três a quatro cômodos, conectadas por pequenas vielas. Da grande área desta vizinhança, aproximadamente quinze foram escavadas. Uma destas casas tinha uma decoração particularmente bem preservada, com painéis de estuque esculpido cobrindo a parte inferior da parede. Estes painéis eram originalmente pintados em tons de amarelo, vermelho e azul brilhantes, com murais igualmente coloridos em gesso na parte superior das paredes, mas uma vez que os painéis foram expostos ao ar, as cores que os escavadores viram rapidamente desapareceram.  Metade dos painéis encontrados estão no Museu Nacional do Irã.

Painel decorado em estuque esculpido encontrado em Tepe Madrasa, Nishapur
Na parte do sítio que os locais chamavam de Tepe Madrasa, os escavadores esperavam encontrar uma das famosas instituições de ensino, ou madrasa de Nishapur. Mas ao invés disso, eles descobriram uma grande área residencial com uma mesquita que foi desenvolvida e reconstruída em várias fases entre os séc. IX e XII. No interior de uma das residências, talvez o palácio dos governantes do séc. IX, eles encontram uma sala com um extraordinário conjunto de pinturas cuja iconografia aparece exclusivamente neste local.  

Tigela em cerâmica policromada com decoração figurativa, encontrada nas escavações em Nishapur  
Centenas de objetos foram descobertos durante o decurso das escavações. A cada ano, as descobertas eram enviadas para o Museu em Nova York, onde os objetos foram restaurados e colocados em exposição. Estes objetos foram significativos em prover informações a respeito das diferentes tradições artísticas de Nishapur. Por exemplo, cerâmicas de diversos tipos cuja decoração era única nesta parte do Irã. Estas eram decoradas com inserções em cores fortes, feitas de argila diluída, em padrões ousados. Estas cerâmicas distintas produzidas em Nishapur foram comercializadas ao redor da região e tem sido encontradas em Herat, Merv e Samarqand. 

Tigela em cerâmica policromada e inserção de argila, com motivo caligráfico árabe, encontrada em Tepe Madrasa, Nishapur
A evidência destas escavações também revelaram muito sobre o desenvolvimento da decoração arquitetônica no nordeste do Irã. As paredes nas residências e edifícios públicos ao longo de Nishapur eram decorados de diversas maneiras diferentes, de afrescos a estuque gravado e pintado, painéis de terracota a azulejos de cerâmica esmaltada. A variedade das imagens também era ampla, incluindo padrões geométricos e vegetais, caligrafia, figuras e animais. A refinada tradição da pintura mural mostra laços com a história antiga da região, como pinturas budistas da Ásia Central e pinturas Sassânidas do Irã, assim como pinturas contemporâneas do Iraque. A decoração em estuque esculpido, perenemente importante na arquitetura iraniana, esteve representada em exemplos encontradas no sítio. O exterior de grandes edifícios públicos eram revestidos em tijolos cozidos dispostos em padrões decorativos, grandes painéis de terracota esculpidos com ornamentos em multicamadas, ou azulejos, frequentemente em tons de azul brilhante.     
Fragmento de uma cornija em estuque esculpido do séc.X  encontrado em Tepe Madrasa, Nishapur
Por fim, Nishapur foi um importante centro de manufatura de vasilhas de vidro, metal e pedra, assim como de têxteis. Nenhum destes últimos foi encontrado em escavações, sem dúvida, devido a sua natureza altamente perecível. Entretanto, espirais de fuso belamente decoradas foram encontradas as centenas nas escavações. Pequenos itens como brinquedos, peças de jogos, instrumentos musicais e contas lançam luz as atividades do cotidiano em Nishapur e nos dão uma melhor compreensão da vida diária de seus cidadãos.   

Baseado em artigo de Marika Sardar, The Metropolitan Museum of Art