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Breve História do Azulejo no Irã

Mesquita do  Imam em Isfahan 
A arte do azulejo (em persa kâshi) ocupa um lugar destaque entre as artes decorativas do Irã. Desde períodos muito antigos, os azulejos eram usados para decorar monumentos. Os ladrilhos foram o primeiro passo na evolução desta arte. Os primeiros exemplares foram encontrados nas colunas de um templo em Ubaid na Mesopotâmia, e foram datados de cerca de 2000 a.C, utilizando uma justaposição de pedaços de pedras coloridas, mármore e conchas formando padrões geométricos. 
Os primeiros tijolos esmaltados, que também podem ser considerado antecessores da arte dos azulejos, foi descoberta em locais como os palácios de Assur e Babilônia. Um dos exemplos mais antigos do uso de tijolos esmaltados na arquitetura iraniana , foram encontradas em Susa e Chogha Zanbil, também datadas do segundo milênio a.C. No período Aquemênida, o uso destes blocos decorativos nas cores amarela, verde e marrom se tornou difundida  nos palácios de Susa e Persépolis. Escavações em Firuzabad e Bishapur, também revelaram muitas evidências a arte do azulejo e ladrilhos com padrões florais, vegetais, geométricos, animais e figuras humanas durante o período Sassânida.

Soldados em tijolos esmaltados do palácio de Persépolis 
Foi durante o período islâmico do Irã que o a arte dos azulejos floresceu e se tornou a mais importante característica dos edifícios religiosos. Os fabricantes de azulejos iranianos eram requisitados nos mais remotos cantos do Império Islâmico.  Antes dos azulejos, como são conhecidos hoje, os tijolos e estuque eram as mais importantes técnicas de decoração de edifícios até os séculos X e XI.

Painel na mesquita Jame de Yazd
 Os azulejos da  Mesquita Jame de Yazd que datam do final do período Ilkhanida são um dos mais sofisticados exemplos de perfeição e beleza desta arte. Os painéis desta mesquita foram elaborados na técnica de Moraq (mosaicos) com pequenos pedaços de cerâmica previamente cortados, montados seguindo um padrão e preenchidos com um rejunte de gesso líquido. Assim que o gesso estava seco, o painel estava pronto para ser fixado sobre a parede do edifício. Entre outros famosos monumentos decorados com esta técnica estão a Mesquita  Goharshad em Mashhad (1418), a Mesquita Jame de Varamin (1322) e a  Madrassa de  Khan em Shiraz (1615).


Painel do palácio Chehel Sotun em Isfahan, técnica Haftrang ("Sete Cores")
No começo do período Safávida, uma outra técnica denominada  Haft Rang ("Sete Cores") surgiu na decoração de edifícios religiosos. Esta técnica se tornou popular em razão de seu baixo custo e rapidez e, além disso por permitir uma grande variação de motivos e desenhos. Os azulejos eram colocados juntos e então o desenho era pintado sobre ele com esmaltes. Cada azulejo era queimado e depois todos eram ordenados para criar um padrão final. Os padrões em arabescos eram extremamente populares. Este método de decoração foi popular até o final do período Qajar, quando o repertório de cores se estendeu passando a incluir o amarelo e laranja brilhante.

Azulejo lustre de Kashan, do período Ilkhanida
Outro importante tipo de decoração em azulejos nesta época era denominado lustre. Estes alcançaram seu auge no final do período Seljúcida e atingiram o mais alto grau de perfeição nos impérios Khorásmio e Ilkhanida. Os painéis de  lustre eram feitos nos formatos quadrado, retangular, octógono e poligonais. Eles continham motivos humanos, animais, florais e geométricos com inscrições nas bordas que incluíam poemas, provérbios e ditados atribuídos ao Profeta e outras figuras religiosas Muitos destes azulejos foram descobertos nas escavações em Takht Soleiman, especialmente no palácio de Abagh Khan e nas regiões de Gorgan, Kashan e Khorasan. Exemplares magníficos de lustre também podem ser encontrados no santuário do Imam Reza em Mashhad.

Interior do santuário do Imam Reza em Mashhad 
Outra técnica popular a partir do séc. XIII era a decoração em tijolos policromados e azulejos, que consistia na combinação de ambos os elementos na decoração de edifícios religiosos e não religiosos. Exemplos deste tipo de decoração são encontrados na Mesquita Jame de Varamin, no Domo de Soltanieh, na Mesquita de Ashtarjan e Mesquita Vakil de Shiraz.  A variedade de desenhos desta técnica incluía grandes inscrições conhecidas como Moqili, que podem ser vistas por exemplo na Mesquita Jame de Isfahan.

Fachada de azulejos na mesquita Vakil em Shiraz 
Entre os séc. VIII e X, a maioria das inscrições contidas nos azulejos incluíam ditados, provérbios, nomes de personalidades religiosas e invocações a Allah em estilo de caligrafia Kufi. O estilo caligráfico Shekaste Taliq se tornou popular entre os séc. XI e XIV, contendo versos de  poetas como Ferdowsi, Hafez, Molana Rumi e Baba Afzali Kashani. Posteriormente surgiu o costume entre os artesãos dos períodos Khorásmio e Ilkhanida de incluir a data e o nome do fabricante.  O mais antigo azulejo encontrado com  data  é de 1203. Na era Safávida passaram a ser usados os estilos de escrita Naskh e Thuluth e foram encontrados os trabalhos de famosos calígrafos como Alireza Abbasi, Mohammad Saleh Esfahani, Mohammad Reza Imami e Hossein Banna.
Não se deve esquecer que as técnicas dos azulejos e seus segredos comerciais foram guardados com segurança e passados oralmente de pai para filho e de mestre para estudante; por isso raramente encontramos documentos e tratados sobre a arte dos azulejos e mosaicos no Irã nos tempos passados.

Baseado em Iran Chamber


Cenas da vida urbana em Teerã

Esta série de fotografias revela o olhar do fotógrafo francês Boris Le Montagner em uma parada pelo Irã durante uma viagem da França até Índia. As imagens em preto e branco revelam contrastes e detalhes expressivos  da vida urbana na capital Teerã. 

O metrô de Teerã transporta aproximadamente 2 milhões de passageiros por dia 
Linha 5 do metrô de Teerã, inaugurada em 1999
Nos vagões mistos a maioria dos passageiros são homens
Também há vagões excluxivos para mulheres
Nos ônibus urbanos, as mulheres ficam na parte de trás...
Loja de comida em Teerã 
As romãs são uma das frutas favoritas dos iranianos
Uma menininha brinca na loja de tapetes
O rapazinho trabalha duro
Vendedor de legumes assados
Um artista de rua
Contrastes de qualquer metrópole do mundo 
Veja mais imagens no site: The Guardian


Será que o xadrez foi inventado na Pérsia?

Ilustração de uma partida de xadrez do manuscrito Haft Awrang de Jami, sec. XV 
Você sabia?  A origem do xadrez é controversa e ainda motivo de debate entre os historiadores, uma das teorias alternativas indica que o Chatranj é o antecessor mais antigo do xadrez moderno, tendo sido inventado na Pérsia antiga. 
Esta teoria questiona a ausência de evidências arqueológicas indianas anteriores ao século IX enquanto evidências persas já foram encontradas como sendo do século VI. A literatura indiana anterior ao século VI é rica porém não faz uma menção específica ao chaturanga, somente ao Ashtāpada, e a utilização da palavra chaturanga anterior ao século VI não está relacionada ao jogo, sendo que as evidências mais claras surgiram somente no século IX. A etimologia a respeito do jogo também é refutada como não sendo objetiva onde a palavra em sânscrito chaturanga significa somente "exército" não ficando claro se é uma referência ao xadrez ou a outro jogo. A influência persa na nomenclatura do jogo, do qual a maioria das palavras tem como raiz a língua pahlavi, também são consideradas como argumentos a favor da teoria iraniana.
Ilustração de um manuscrito persa, mostrando
 uma partida de shatranj na corte persa
A presença da figura do elefante como um dos argumentos utilizados para justificar a origem indiana do jogo também é refutado segundo o qual os animais não eram exclusividade da Índia, sendo conhecidos desde o período ptolemaico no Egito, e utilizados nos exércitos persas e por Alexandre, o Grande durante a campanha de conquista da Índia no século III a.C.. As literaturas persas Chatranj namâg e Shāhāmeh que indicam a origem do jogo como de um outro reino a oeste, relatado como Hind e que trouxe o chaturanga para corte persa, poderia indicar uma província oriental do império persa que inclui a província moderna do Sistan e Baluchistan, que durante a dinastia Aquemênida era uma extensão da província do Khuzestan.
Os persas também introduziram expressões no jogo como o xeque e xeque-mate além de terem desenvolvido variantes como o xadrez circular e o de Tamerlão, criado durante o Império Timúrida, que empregavam tabuleiros diferentes do formato convencional do período e uma grande variedade de peças não-ortodoxas do xadrez.
Os vestígios arqueológicos de peças de xadrez mais antigas sob domínio persa são um conjunto de sete pequenas figuram em marfim sendo dois soldados, um cavaleiro, um elefante montado e uma espécie de felino também montado e também duas diferentes bigas. Estas peças foram encontradas no sítio arqueológico de Afrasiab, perto da cidade de Samarcanda no Uzbequistão em 1977 e foram datas como sendo provavelmente do século VII.O primeiro registro literário do xadrez na literatura persa é encontrado no poema épico Karnamak-i-Artakhshatr-i-Papakan ("Os registros de Artaxes I, filho de Papak") escrito na língua pahlavi por volta do século VI.12 Este poema relata a vida de Artaxerxes e menciona que este era habilidoso no chaturanga, que é considerado o antecessor do xadrez moderno.

Ilustração do livro Shāh-nāmeh, mostrando uma partida de xadrez na corte persa
Fonte: Wikipedia


12 de Outubro também é dia de Hafez!

Crianças no túmulo de Hafez em Shiraz (Foto: Damon Lynch)
Hoje é o Dia da Criança e também do nosso querido poeta Hafez de Shiraz. Nossa homenagem às crianças de todas as idades com este lindo poema! 
Os olhos do sol estão pintando campos novamente.
Suas chicotadas com golpes precisos são arrebatadoras através da terra.
Uma grande paleta de luz abraçou esta terra.
Hafiz, se apenas um pouco de argila e água
Misturados na tigela Dele
Pode produzir tais requintados aromas, vistas,
Músicas e formas rodopiantes.
Que maravilhas indizíveis devem aguardar com
O começo da revelação do infinito número de pétalas que é a alma.
Que emoção irá renovar o seu corpo
Quando todos começarmos a ver
Que o coração Dele reside em Tudo?
Deus tem uma raiz em cada ato e criatura das quais
Ele extrai sua misteriosa vida Divina.
Os olhos Dele estão pintando campos novamente.
O amado com Suas próprias mãos está cuidando,
Emergindo como uma criança preciosa, Ele mesmo em você.
(Hafez Shirazi)  


AVISO: sobre cópia de textos do blog


Prezados amigos: a partir de hoje os posts do blog Chá-de-Lima da Pérsia estão protegidos contra cópias. Antes que me perguntem o motivo, gostaria de esclarecer que tenho visto o conteúdo do blog, especialmente as páginas de turismo e cultura sendo integralmente copiados por outros sites sem o meu consentimento, alguns até mesmo sem citar a fonte. 
Acredito que a princípio a intenção dessas pessoas não é de me prejudicar, e muitos podem dizer que eu deveria me sentir honrada por ter meus posts copiados (não vou citar por quem). Eu também não posso negar que muitas vezes também copio e traduzo conteúdos de outros sites sobre cultura iraniana, especialmente em outras línguas, embora nunca deixe de mencionar os links dos quais foram tirados. 
A diferença é que não copio integralmente o conteúdo destes sites e faço o esforço de sempre ler e traduzi-los em uma linguagem mais acessível. Portanto eu me sinto no direito de exigir sim que seja creditada a minha autoria aos posts, porque se eu não tivesse essa dedicação, grande parte dos leitores não teriam muitas opções de informações sobre a cultura do Irã em língua portuguesa. 
Peço por gentileza que não interpretem como arrogância a minha decisão de proteger o blog. Eu tenho sim o maior prazer em compartilhar todo o conhecimento que tive o privilégio de adquirir graças a todos que apoiam e respeitam meu trabalho. Mas nada é mais frustrante do que ter um conteúdo que você levou horas, até dias para pesquisar, traduzir e/ ou produzir copiado e colado em um piscar de olhos por quem muitas vezes nem se deu ao trabalho de ler o texto na íntegra. 
Por isso a partir de hoje, se alguém tiver o interesse de utilizar algum conteúdo do Chá-de-Lima da Pérsia  em outro site ou blog, peço a gentileza de entrar em contato comigo por e-mail e dizer quais textos gostaria de usar. Entretanto será permitido utilizar parcialmente o texto com um link de direcionando para o blog. 

Conto com a compreensão de todos, qualquer dúvida é só entrar em contato! 


Festival de Mehregan: saudando a chegada do outono

Mesa típica da celebração do Mehregân
Hoje é celebrado o Mehregân, também conhecido como Jashn-e Mehr, uma festividade persa zoroastriana celebrada desde a era pré-islâmica, em honra à Mehr, conhecida como Mitra, divindade guardiã da amizade, afeição e amor. Esta comemoração também marca o início do outono. O dia de Mehr, durante o mês de Mehr  corresponde ao dia das colheitas no qual os agricultores agradeciam a Deus pela dádiva do alimento que armazenarão durante os meses do inverno.
A data do Mehregan cai no 10º dia do mês de Mehr que corresponde ao dia 2 de Outubro, variando ligeiramente de acordo com o cálculo do calendário iraniano. Segundo a lenda, foi neste dia que os anjos ajudaram os heróis Fereydoun e Kaveh a vencer o tirano Zahhak e é o dia em que Deus criou a luz.
Nesta ocasião, as pessoas usam roupas novas e preparam uma mesa decorativa. Sobre a toalha da mesa são espalhadas folhas de manjerona seca, uma cópia do livro sagrado zoroastriano Khordeh Avesta, um espelho e um vidrinho de sormeh (pó preto para os olhos), água de rosas, doces, flores, vegetais e frutas, especialmente romãs e maçãs, e nozes como amêndoas e pistaches. Algumas moedas de prata e sementes de lótus são colocadas em uma vasilha de água perfumada com estrato de manjerona. Também é colocado um incensório com essências de olíbano e espand.
Na hora do almoço, as famílias fazem suas preces diante do espelho. Uma bebida fresca de frutas é servida e o sormeh é passado nos olhos. Punhados de manjerona, lótus e sementes de ameixas são jogadas no ar, enquanto todos se saúdam.
Até meados de 1960, os zoroastrianos de Yazd tinham um ritual especial de sacrificar um carneiro neste dia. O animal era sacrificado entre a madrugada e a tarde para ser assado lentamente até o anoitecer e então sua carne ser servida em um banquete comunitário. Ao anoitecer, fogueiras são acesas e orações são recitadas para receber as bençãos divinas. Fogos de artifício explodem no ar enquanto as famílias se banqueteiam.

Baseado em Iran Review