HOME SOBRE DIÁRIO DE VIAGEM LÍNGUA PERSA SEU GUIA FAQ CONTATO LOJINHA

Uma viagem pelo Irã do anos 80

Bandar Anzali, década de 80, fotografia de Casey Hugelfink. 
A fotografa alemã Casey Hugelfink publicou uma rara e interessante série de imagens da vida cotidiana no Irã dos anos 1980, o período imediatamente após a revolução durante o qual o país estava em guerra com o Iraque. Em uma época que os estrangeiros enfrentavam muitas restrições para viajar ao Irã, Hugelfink conseguiu entrar no país dilacerado pela guerra e capturar momentos da vida dos iranianos após ter se casado com um iraniano.  
Ela relata: “Eu me casei com um iraniano e nós tínhamos uma loja de artesanato iraniano em Munique. Por essa razão nós tivemos conexões com os mercadores do bazar de Isfahan e eu visitei o país muitas vezes entre 1980 e 1989. Nós também fizemos muitas visitas familiares, mas eu nunca morei lá. Eu realmente amo o Irã e seu povo. Aqueles anos de guerra foram tempos difíceis e eu lembro dos cupons de racionamento, apagões noturnos e perdas em cada família. Mas isto foi lentamente desvanecendo e o que resta é muito amor e o forte desejo das pessoas de ajudarem umas as outras.  (Guardian)

"Uma madrasa em Isfahan durante o Ramadan. Mulheres normalmente são proibidas de entrar neste lugar, mas o porteiro disse que estava abrindo uma exceção porque todos os estudantes estavam dormindo..." 6/8/1980
Uma padaria em Yaft Abad, um vilarejo no sudoeste de Teerã. 9/8/1982
Cavalos selvagens em uma reserva natural acessível por barco. Perto de Bandar-e Anzali, cidade portuária no Mar Cáspio, próxima a Rasht. 15/8/1980
Um Alam em Yaft Abad. "Alams são estandartes feitos para serem carregados durante as batalhas, mas no séc. XVII no Irã, eles eram usados em procissões religiosas..."  9/11/ 1982
Retornando da guerra
Playground em Rasht. 
Bandar Anzali
"Nos deparamos com 'o último dervixe’ no jardim do santuário de  Shah Abdol Azim em Rey"
"O jardim da família tinha um sistema de irrigação artificial construído por um engenheiro alemão no séc. XIX. Durante a guerra Irã-Iraque houve muitos dias sem eletricidade e água. Nós tínhamos que lavar nossas louças no que restava da água da piscina. "10/11/1982
Fotografias: Casey Hugelfink | Baseado em Real Iran 


O adeus a Simin Behbahani, a "Leoa do Irã"

Simin Behbahani (1927-2014), poetisa e ativista dos direitos humanos no Irã 
Morreu nesta terça-feira, a poetisa iraniana e duas vezes indicada ao Nobel de Literatura (1999 e 2002), Simin Behbahani, apelidada carinhosamente a "Leoa do Irã", em um hospital de Teerã aos 87 anos, informou seu filho à agência "Isna". A escritora sofria de problemas cardíacos e respiratórios e estava em coma desde o último dia 6 no hospital Pars, na capital iraniana, onde morreu na primeira hora desta terça.
Filha de escritores, Simin aprendeu em casa a amar a literatura e o jornalismo, e começou a escrever poesia aos 12 anos. Seu primeiro livro de poemas foi publicado quando ela tinha apenas 14. Sua mãe, Fakhr Ozma Arghon, foi uma destacada feminista, professora, escritora, editora de jornal e poeta, e seu pai, Abbas Khalili, também foi um renomado escritor e editor de jornal.
Ao longo de sua vida publicou mais de 600 poemas, reunidos em 19 livros de poesia, duas coleções de contos curtos, uma biografia de seu segundo marido, o falecido Manouchehr Koushiar, e vários artigos literários, ensaios e entrevistas. Também compôs mais de 300 canções para alguns dos mais famosos cantores iranianos.
"Livro após livro, um poema profundo após outro, Behbahani pintou retratos em miniatura de seu país ao longo das décadas. Deu voz aos desejos do povo iraniano, escreveu uma crônica de suas esperanças e desilusões e documentou com orgulho e precisão a heroica resistência e subversão criativa de sua nação e dela mesma", destacou seu site.
Behbahani foi uma das vozes defensoras da liberdade de expressão em seu país, o que lhe valeu diversos prêmios internacionais, como o Prêmio de Direitos Humanos Hellman/Hammett (em 1998), o Carl Von Ossietzky de Direitos Humanos (1999) e o Prêmio à Liberdade de Expressão da União de Escritores da Noruega (2007). Também obteve o prêmio literário Bita Daryabari da Universidade de Stanford (2008) e o Latifeh Yarshater Book Award (2004).
Há quatro anos a polícia a impediu de sair do país e confiscou seu passaporte quando se preparava para viajar à França para dar uma conferência sobre feminismo. 
Entre suas obras poéticas mais conhecidas estão "Tar-e Shekasteh" (O luto quebrado), "Jay-e Pa" (A marca de seu pé), "Chelcheragh" (40 lâmpadas) e "Marmar" (Mármore). 
A poetisa conciliou durante três décadas seu trabalho literário com a de professora de uma escola de ensino médio, e também foi durante vários anos editora do "Yandeye Irã" (Futuro do Irã), além de ter presidido a Associação de Escritores do Irã.

Fonte: G1


Orquestra Simorq e Homayoun Shajarian em concerto

Salam amigos! Para iniciar a semana com muita inspiração, um magnífico concerto em uma parceria da Orquestra Simorq com Homayoun Shajarian, os modernos representantes da música tradicional persa sob a regência do maestro Hooman Khalatbari! 


Maryam Mirzakhani, a estrela iraniana da matemática

Maryam Mirzakhani 
Salam amigos! Esta  semana uma jovem iraniana ganhou um lugar de honra no mundo das ciências. Maryam Mirzakhani, 37 anos, professora da Universidade de Stanford,  foi a primeira mulher e também a primeira iraniana a receber a medalha Fields, considerada o “Nobel” da matemática. O prêmio, anunciado nesta terça-feira no Congresso Internacional de Matemática, em Seul, foi concedido a quatro cientistas – entre eles Artur Ávila, o primeiro brasileiro a receber a láurea.
Segundo o site da revista Quanta, Maryam cresceu em Teerã e, quando criança, não tinha interesse na matemática – mas adorava ler qualquer livro que aparecia na sua frente. 
No ensino médio, após notas ruins na disciplina, um professor disse que ela não tinha nenhum talento especial para a área. “É tão importante o que os outros veem em você”, diz. “Eu perdi meu interesse na matemática.”
Maryam na Universidade Sharif em Teerã na década de 1990
Maryam atualmente ministrando suas aulas na Universidade de Stanford 
No segundo ano, contudo, ela teve outro professor que a incentivou e ela se tornou a “estrela da turma”. Após participar de uma Olimpíada Internacional de Informática, Maryam e sua amiga Roya Beheshti, hoje professora da Universidade Washington (EUA), ficaram empolgadas e pediram à escola para participar de aulas especiais sobre problemas matemáticos.
Em 1994, com 17 anos, ambas entraram para o time iraniano na Olimpíada Internacional de Matemática e Maryam levou para casa uma medalha de ouro individual. Em 1999, ela se formou na universidade Sharif, em Teerã, e foi fazer outra graduação em Harvard. Ela confessa que não entendia muito bem as aulas (principalmente por causa da língua), mas se apaixonou pelo tema: geometria hiperbólica.
Maryam acredita que muitas mulheres ainda vão ganhar o prêmio. “Há ótimas mulheres matemáticas fazendo grandes trabalhos.” (Fonte: Terra)


Pais iranianos e suas filhas

Salam amigos! Para homenagear o Dia dos Pais, trago hoje esta serie de retratos de pais e filhas em várias cidades do Irã através das lentes da fotógrafa Nafise Motlaq. As imagens mostram diferentes classes sociais e  formas de comportamento da sociedade iraniana que não cabem dentro de qualquer estereótipo.

O pai de Newsha é engenheiro. " Ele sempre está fora de casa cinco dias por semana trabalhando. Nós geralmente passamos os finais de semana e feriados juntos"
O pai de Fatemeh é um  funcionário de escritório. "Ele é um bom pai. Não sei mais o que dizer".
O pai de Shadi é um homem de negócios."Ele tem a alma de um menino teimoso. Você tem que saber como lidar com ele"
O pai de Arezoo é um vendedor de tapetes."Ele é um homem muito divertido. Ele faz as pessoas rirem com suas piadas e brincadeiras nas festas familiares".
O pai de Zahra está desempregado. "Eu não sei o que dizer sobre ele. Realmente não sei".
O pai de Katayoon' é um militar aposentado. "Meus amigos pensam que ele cuida muito de mim, mas para mim ele é um grande incentivador em minha vida"
O pai de Fatemeh é bibliotecário de uma mesquita. "As pessoas pensam que eu não tenho liberdade porque meu pai é um clérigo, mas isso não é verdade. Ele me permitiu visitar a feira nacional de livros com minhas amigas quando eu tinha 15 anos"
O pai de Shima e Lina é gerente de projetos civis. "Nosso pai estudou na Europa. Por isso que ele nos dá toda liberdade que as jovens ocidentais tem em nossa vida pessoal "
O pai de Mahsa é um soldado veterano."Ele sempre será meu herói mas eu queria que ele fosse o pai feliz e cheio de esperança que ele costumava ser".
O pai de Fatemeh é agricultor."Ele trabalha muito. Ele trabalha demais"
Imagens do site: Lens Culture


Cinema Iraniano: Filhos do Paraíso

O FILME DO MÊS ESTÁ DE VOLTA com o primeiro filme da história do cinema iraniano indicado ao Oscar !!!


Tudo começa quando o garoto Ali (Amir Farrokh Hashemian) vai buscar o único par de sapatos de sua irmãzinha Zahra (Bahare Seddiqi), que acabam de ser consertados. Enquanto Ali está distraído comprando verduras, os sapatos são acidentalmente levados por outra pessoa. A família de Ali que mora em um bairro pobre do sul de Teerã, tem sérias dificuldades financeiras e os pais não têm dinheiro para comprar sapatos novos para a garota. Temendo uma bronca, Ali combina com sua irmã que não devem contar à mãe que os sapatos foram perdidos. Enquanto fazem a lição de casa, os irmãos combinam que irão revezar os tênis de Ali para ir à escola até que ele consiga encontrar os sapatos para a irmã. Zahra usa os calçados pela manhã e os devolve ao meio dia, para que seu irmão possa frequentar as aulas à tarde. A solução parece estar próxima quando Ali se inscreve em uma competição de corrida entre várias escolas; entre as premiações para o terceiro lugar está justamente um par de tênis!
Esta envolvente história, prende a atenção por expor corajosamente os contrastes sociais do Irã moderno, representados pela busca do pai de Ali por um emprego nas casas mais abastadas no Norte de Teerã ao mesmo tempo em que permite uma agradável visão de aspectos da cultura e da vida cotidiana dos iranianos. Assim como as demonstrações de confiança mútua e carinho entre as duas crianças tornam este um filme adorado por pais e educadores.
Filhos do Paraíso, dirigido por Majid Majidi em 1997, foi o primeiro filme da história do Cinema Iraniano indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no mesmo ano  em que concorreram Central do Brasil e A Vida é Bela. Apesar de não ter ganhado, o cinema iraniano se tornou aclamado em todo o mundo mesmo com poucos recursos e atores supostamente amadores.

Filme: Filhos do Paraíso (1997)
Irã| Drama | 89 min.| cor
Legendado em português
Direção: Majid Majidi
Título Original: Bachehaye Aseman
Título em inglês: Children of Heaven
Elenco: Amir Farrokh Hashemian, Bahare Seddiqi, Reza Naji, Fereshte Sarabandi,
Dariush Mokhtari, Nafise Jafar-Mohammadi, Mohammed-Hasan Hosseinian, Mohammed-Hossein Shahidi, Kazem Asqarpoor, Christopher Maleki