HOME SOBRE DIÁRIO DE VIAGEM LÍNGUA PERSA SEU GUIA FAQ CONTATO LOJINHA

"Espiritualidade no Movimento", a arte de Hossein Irandoust

Pintura de Hossein Irandoust, Dervixe da série "Espiritualidade no Movimento"
Hossein Irandoust nasceu em Teerã em 1978, filho de mãe iraniana e pai de origem chinesa. Seu avô, um engenheiro chinês que veio ao Irã na primeira metade do séc. XX foi o responsável por estabelecer uma fábrica de chá na cidade de Lahijan.
Irandoust começou sua carreira de pintor bem cedo e iniciou os estudos em design gráfico aos 14, enquanto frequentava na escola secundária em Teerã. Posteriormente ele começou a estudar pintura sob a supervisão de Rahim Navasi, que é um dos mais famosos pintores realistas do Irã. Ele concluiu sua graduação em Belas Artes na Universidade Azad e atualmente seu trabalho é requisitado por grandes instituições e colecionadores incluindo o  British Museum em Londres.
Inspirado por seu avô chinês, Irandoust desenvolveu um estilo único em aquarela com um uso mínimo das cores, unindo a simplicidade da filosofia mística islâmica com a força da poesia persa. A série "Espiritualidade no Movimento" representa os dervixes rodopiantes da ordem sufi Mowlawi criada por Rumi, em pleno exercício de meditação através da dança ritual sema. Aprecie abaixo algumas imagens da série: 






Baseado em Islamic Arts Magazine


Leila Hatami em Cannes, polêmica de Ocidente a Oriente!

Leila Hatami cumprimenta o presidente do festival de Cannes
Salam amigos! O assunto do momento é o estardalhaço causado pelo singelo cumprimento da atriz iraniana Leila Hatami ao presidente do festival de cinema de Cannes, Gille Jacob. Não bastava à atriz ter estendido a mão a ele, ainda teve que beijá-lo no rosto! É claro que um comentário desse tipo parece ridículo, mas quando falamos de uma atriz que é a famosa protagonista de "A Separação", o primeiro filme iraniano a ganhar o Oscar e com uma carreira respeitadíssima dentro de seu país, a coisa já vira assunto de estado!
De fato, a lei islâmica que governa o Irã realmente proíbe que homens e mulheres demonstrem afeto em público, mas estando Leila Hatami em terras ocidentais (e não pela primeira vez) ela sequer imaginava que sua atitude por ser uma mulher iraniana pesaria tanto aos olhos do vice-ministro da cultura Hossein Noushabadi que afirmou em seu tom patriarcal:
“Espero que aquelas que atendem arenas internacionais na condição de mulheres iranianas tenham cuidado com a castidade e a dignidade para que a imagem de mulher iraniana não seja manchada aos olhos do mundo”, disse Noushabadi. Se elas respeitarem as normas islâmicas, a cultura e as crenças do Irã, é desejável que as celebridades viajem ao exterior. Mas se sua presença ignora valores sociais e critérios éticos, isso é inaceitável para a nação iraniana.” (Fonte: Samy Adghirni)
Leila Hatami, a primeira atriz iraniana a participar do juri de Cannes
É óbvio que a mesma ênfase não foi dada ao fato de uma atriz iraniana pela primeira vez participar como membro do júri. A bela e talentosa atriz, que é filha do diretor Ali Hatami e casada com o ator Ali Mosaffa, a meu ver representa com toda dignidade o cinema de seu país, uma vez que ela continua morando e atuando no Irã, quando não faltaram convites de Hollywood para que ela abrisse mão de seu hejab. Em todas as cerimônias que participa no Ocidente, Leila sempre se veste com modéstia, evitando expor o corpo, mas burla levemente a rigidez do código de vestimenta islâmico.
Também não faltaram comparações à atitude de outra igualmente talentosa atriz iraniana Golshifteh Farahani, que em 2012 pousou nua para a revista francesa "Madame Figaro" e por este motivo foi proibida de voltar a seu país. Leila Hatami, elegantemente vestida da cabeça aos pés com todo o status de diva roubou atenção com um simples beijinho, foi injustamente acusada de "afrontar a castidade das mulheres iranianas".
Também lembrei de outra cena que foi motivo de controvérsia, mas no sentindo inverso. Quando o atleta paralimpico iraniano Mehrdad Karam Zadeh em Londres ao receber a medalha saudou respeitosamente a princesa Kate Middleton levando as mãos ao coração, ao invés de um aperto de mão e foi acusado pela mídia ocidental de se recusar a cumprimentá-la (veja: O gesto do atleta iraniano e a incompreensão da mídia).
Resumindo: homens e mulheres iranianos no ocidente, seja lá quem forem, sempre terão seu comportamento julgado sob a interpretação de que muçulmanos devem ser assim ou assado...


Ferdowsi também vai à Roma!

Praça Ferdowsi em Roma, Itália (foto de Saeediranews)
Salam amigos! Ontem (15/05) foi o aniversário do poeta Ferdowsi (940-1020 d.C), uma data celebrada com muito orgulho pelos iranianos que o consideram o seu maior poeta nacional, além de ser o responsável por reavivar a língua e a literatura persa. Em cada cidade iraniana há uma praça ou rua batizada com o nome de Ferdowsi. E hoje acabo de descobrir que existe uma estátua desse fabuloso ícone da literatura iraniana em uma praça em Roma na Itália! Trata-se de uma escultura idêntica a que existe no túmulo do poeta na cidade de Tus no Irã, feita em 1958 pelo artista iraniano Abolhassan Sediqi que viveu na Itália. A praça que abriga a escultura do poeta persa em Roma também foi batizada de Piazzale Ferdowsi, obviamente a Praça Ferdowsi!

>> O vídeo não tem tradução mas dá para perceber que além da escultura de Ferdowsi em Roma também há uma rua com o nome da capital do Irã, Teerã e outra com o nome do lendário Rei Ciro.


Iranianas sem véu no Facebook?!

A jornalista iraniana Masih Alinejad, sem véu no Irã!?
(Foto publicada no site: Terra)
Salam amigos! Sem dúvida este foi um dos assuntos mais comentados durante a semana:
Mulheres no Irã estão publicando fotos de si mesmas sem hijab (o véu usado por muitas muçulmanas para cobrir o cabelo) em uma página especial no Facebook batizada de "Minha Liberdade Cautelosa"
Em uma semana de funcionamento, a página já foi "curtida" por 150 mil pessoas, quase todas do Irã – tanto por homens como mulheres.Até agora, a página tem cerca de 150 fotos, de mulheres em praias, ruas e no interior. Em algumas, elas estão sozinhas; em outras, acompanhadas de amigos ou parceiros. Mas em todas as imagens elas aparecem sem o véu."Eu detesto o hijab. Eu também gosto de sentir o sol e o vento no meu cabelo", diz uma das iranianas que publicou foto sua. "Isso é um grande pecado?"Desde a Revolução Islâmica, há 35 anos, as mulheres são proibidas por lei de deixar suas casas sem o véu. As punições variam de multa a prisão.
"Meu cabelo é como um refém do governo", diz Masih Alinejad, jornalista de política que vive na Grã-Bretanha e que criou a campanha online. "O governo ainda tem muitos reféns." Alinejad teve a ideia ao ver algumas fotos de si mesma sem o hijab na sua própria página no Facebook. As imagens eram "curtidas" por milhares de pessoas. 
Desde que montou o site, ela passou a receber fotos espontâneas de diversas outras iranianas. 
Apesar de ser conhecida por sua oposição ao governo iraniano, ela diz que sua página não é uma iniciativa política.
"Essas mulheres não são ativistas, apenas mulheres comuns expressando o que está em seus corações", conta ela à BBC.
(Matéria completa no site: BBC Brasil )
A polêmica página, sem dúvida é muito interessante pela ousadia graciosa e pela postura desafiadora das garotas em locais públicos. Mas na minha humilde opinião não representa nenhuma grande novidade. Primeiro porque a maioria das iranianas que tenho como amigas no Facebook aparecem em pelo menos 50% ´das fotos que elas tiram dentro de casa sem véu, expondo sem nenhuma culpa seus lindos cabelos esvoaçantes. Até mesmo aquelas que são defensoras do véu, deixam suas franjas e mechas laterais do rosto à mostra sem nenhum receio!  
As meninas que aparecem nas fotos da página citada estão todas em locais afastados do centro onde não há fiscalização a todo momento.  Minha surpresa seria ver uma iraniana posando com os cabelos soltos no meio da praça Azadi. Por fim, o que quase ninguém sabe é que na Ilha Kish, zona franca no Golfo Pérsico, é o único lugar onde as turistas podem se vestir livremente dentro do Irã! 

Turistas na ilha Kish (foto da página Real Iran
Ainda lembro da reação dos amigos quando postei minha primeira foto no Irã no sítio da família dos meus amigos de Talesh, sem hijab. A maioria perguntava: "Como assim sem véu? Esses braços de fora..." Muita gente ainda pensa que no Irã as mulheres tomam banho e dormem de véu...


"Minha mãe me ensinou..." (Iraj Mirza)

Salam amigos! Parabéns àquelas que guiam nossos passos com ternura no caminho da vida! Ruze Madar Mobarek! Feliz Dia das Mães! 

Mãe e Filha, pintura de Imam Maleki (s.d)
“Eles dizem, que quando eu nasci,
minha mãe me ensinou a sugar o leite.
E toda noite ao lado do meu berço,
ela me ensinou como dormir tão suave como a seda.
Com um sorriso ela pressionou seus lábios aos meus,
enquanto minha boca se curvava de alegria.
Ela tomou minha mão e guiou os meus passos,
enquanto eu aprendi a caminhar com uma alegre melodia.
Uma palavra, duas palavras, então três e mais...
foi assim que ela me ensinou a falar.
É por isso que minha vida é parte da vida dela,
e assim será enquanto eu viver”
Tradução livre dos versos do poeta iraniano Iraj Mirza (1874-1926)


Abadan é o Brasil no Irã!

Salam amigos! Com a proximidade da Copa do Mundo, o tema futebol vai render aqui no blog! Encontrei esta reportagem muito legal do jornalista e fotógrafo Caio Vilela, sobre um time do Sul do Irã da cidade de Abadan, onde os habitantes são supreendemente fanáticos pela nossa Seleção Canarinho! Qualquer semelhança com o nosso uniforme não é mera coincidência...


Fonte: UOL Mais


Uma Professora e seu único Aluno

Salam amigos! Ontem (02/05) foi o Dia do Professor no Irã, e em homenagem a essa data compartilho com vocês imagens que são pura ternura! Talvez essa seja a menor classe do mundo em um remoto vilarejo do Irã. Quem está a frente dessa classe é a jovem professora Leila Khodabandehloo que dá aulas para a 4ª série. O mais impressionante é que ela viaja todos os dias uma distância de 55 km da cidade de Hamedan para o vilarejo de Salim Sarabi Gol Tappeh, no interior da província para ensinar seu único aluno, o garoto Reza. 









Imagens do site Tasnim News


O Adeus a Mohammad Reza Lotfi

 Mohammad Reza Lotfi
Faleceu hoje, aos 68 anos uma das figuras mais respeitáveis da música tradicional persa Mohammad Reza Lotfi, devido a complicações de um câncer. O maestro Lotfi considerado um virtuoso do tar e setar fez parcerias com os grandes vocalistas Mohammad Reza Shajarian e Shahram Nazeri
Nascido em Gorgan, ele foi incentivado por seu irmão mais velho a se mudar para Teerã onde iniciou seus estudos musicais com os mestres Ali-Akbar Shahnazi e Habibollah Salehi. Mais tarde completou seus estudos com os maestros Nurali Borumand, Abdollah Davami e Saeid Hormozi. Na década de 70, ele criou a banda Sheida ao lado de outro virtuoso do tar, Hossein Alizadeh e outros grandes músicos, interpretando algumas das maiores obras primas da música iraniana. Em 1977 o compositor e mestre do santur Parviz Meshkatian se juntou ao grupo dando origem ao e Aref Ensemble. Muitos críticos acreditam que estas duas bandas revolucionaram a música persa. Eles fundaram ainda o Chavosh Ensemble, que criou muitos trabalhos memoráveis nas décadas de 1970 e 1980.
Lotfi deixou o Irã e foi morar nos EUA em 1986, e alguns anos depois todos os conjuntos do qual ele participou se desfizeram. Mas ele continuou a fazer seus concertos em diversos países da Ásia, Europa e América do Norte nesta nova fase de sua vida. Depois de 20 anos, ele retornou ao Irã e reabriu a Escola de Música Mirza Abdollah e a gravadora do Instituto Ava-ye Sheida. Ele também uniu diversas mulheres musicistas no novo grupo Sheida e lutou contra a proibição das performances vocais de solistas femininas no Irã. Durante sua vida Lotfi foi um músico inovador, combinando elementos folclóricos e clássicos, ele deu uma nova cara às antigas tradições de seu pais. Sua originalidade em execuções profundamente emocionais fizeram dele um dos pioneiros de uma nova estética da música persa.

>> Para os admiradores da música clássica persa, Mohammed Reza Lotfi será eterno: 


Baseado em Tehran Times 


Ilha Hormuz, o paraíso das cores no Golfo Pérsico

Praia de Kherz, na Ilha Hormuz
Salam amigos! Como ontem foi o Dia Nacional do Golfo Pérsico, me senti inspirada a pesquisar um pouco mais sobre as ilhas que fazem parte dessa região. Hoje vamos conhecer a Ilha Hormuz (ou Ormuz), que é uma das ilhas iranianas do Golfo Pérsico, localizada no estreito de Hormuz, que faz parte da província de Hormozgān.
A ilha Hormuz é de origem vulcânica e os seus 42 km² de superfície são cobertos por rochas sedimentares. Os antigos gregos a conheciam como Organa, mas no período islâmico ela passou a se chamar Jarun. O nome de Hormuz veio de uma importante cidade portuária no continente a 60kms da ilha que foi o centro de um principado menor em ambos os lados do estreito.  Uma nova cidade foi construída na ponta norte da ilha de Jarun, que foi chamada de Nova Hormuz, para distingui-la da velha Hormuz do continente. Pouco a pouco o nome da nova cidade passou a ser usado para toda a ilha.

O Forte construído pelos portugueses no séc. XVI
A ilha extremamente árida e quente durante o verão não era o local ideal para a capital do principado, devido a ausência de água potável que tinha que ser trazida do continente. Porém, sua localização segura permitiu o crescimento de um comércio portuário durante séculos. Em 1507, o explorador português Afonso de Albuquerque, capturou a ilha que se tornou parte do Império de Portugal. Mas em 1622 a ilha foi resgatada  por uma aliança militar entre persas e ingleses. Uma das atrações mais famosas da ilha, o Forte de Nossa Senhora da Conceição, um castelo de pedra vermelha, construído pelos portugueses na ponta norte da Ilha é um dos últimos monumentos sobreviventes do reinado dos portugueses no Golfo Pérsico. 
Quando Shah Abbas I decidiu trocar o centro comercial para a cidade continental de Bandar Abbas, Hormuz começou a entrar em declínio. Até o séc. XIX, a ilha permaneceu habitada basicamente por pescadores, e exportava pequenas quantidades de minérios e passou a ter um certo desenvolvimento só no final do séc. XX.

Criança e mulheres da Ilha Hormuz (Imagem do site: River Art)
Montanhas de terras coloridas atraem artistas (Imagem do site: River Art)
Paradise Art Center (Imagem do site: River Art)
Atualmente a Ilha de Hormuz tem muitas atrações turísticas. Suas montanhas de terras coloridas, pedras multicores e cavernas de sal, além de uma belíssima natureza e um povo hospitaleiro são inspiradoras para os artistas. Além disso, o clima extremamente agradável durante os meses  entre o final do outono e inverno convidam os turistas a passarem as férias na ilha.  Para os amantes da arte e da natureza vale a pena conhecer o Paradise Art Center que possui um programa de residência para artistas contemporâneos da arte ambiental que também conta com a participação da população local (veja também o post: Um super tapete de areia na Ilha de Hormuz).

Baseado em Wikipedia