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Dia do Golfo Pérsico e os mistérios de Hormuz

Salam amigos! 30 de Abril é o Dia Nacional do Golfo Pérsico no Irã! 

Reconstituição das pegadas sagradas de Hormuz, feita pelo artista Ahmad Nadalian
Você sabia? Muitos anos atrás, na Ilha Hormuz, havia uma pedra chata com marcas de pegadas que os habitantes da ilha acreditavam ser de um homem santo. Nos anos após a Revolução Islâmica, algumas pessoas abandonaram a crença e atiraram essa pedra ao mar. Em 1982, uma tempestade matou 500 pessoas no Golfo Pérsico. Muitas pessoas até hoje acreditam que essa tempestade foi o castigo por terem se desfeito da pedra sagrada.

Baseado em River Art


A Descoberta do Vinho na Pérsia

"Beba vinho, é tudo o que a juventude lhe proporcionará. É tempo de vinho, flores e amigos bêbados. Seja feliz nesse momento. Este momento é a sua vida." 
 (Omar Khayyam)

Mulher bebendo vinho, afresco do palácio Chehel Sotun, Isfahan (séc. XVII)
Você sabia? A historia do vinho na Pérsia data de quase 7000 anos atrás. De acordo com uma antiga lenda, tudo começou com uma bela princesa que havia perdido a posição de favorita diante do mitológico rei Jamshid. Para superar a dor e a tristeza, a princesa tentou se auto envenenar com uma bebida feita de uvas estragadas. Após experimentar a bebida, ela começou a se sentir sonolenta. Na manhã seguinte, a princesa acordou e descobriu que não se sentia mais deprimida, mas ao contrário, sentia-se renovada. Ela levou sua descoberta para o Rei que ficou tão encantado com esta nova "poção" que a recompensou por isso. A partir de então, o rei compartilhou a maravilhosa bebida com toda sua corte e decretou que todas as uvas cultivadas em Persépolis fossem dedicadas a fabricação do vinho. Muito tempo depois, a cidade de Shiraz (próxima de Persépolis) se tornou um importante centro produtor de vinho na Pérsia. 
Entretanto, de acordo com fontes históricas, o primeiro vinho realmente surgiu no Irã. Descobertas arqueológicas apontam que no período Neolítico, nos vilarejos do norte da cordilheira de Zagros, já existia a fabricação do vinho que era armazenado em algumas das primeiras jarras de cerâmicas do Oriente Médio que datam de aproximadamente 5400 a.C. 
O vinho persa, conhecido como Mey ou Bâdeh, também é um símbolo cultural e está amplamente presente nas manifestações artísticas como a poesia e nas famosas pinturas em miniatura. Os temas dessas pinturas são escolhidos principalmente das obras literárias Ghazaliyat de Hafez e Rubaiyat de Khayyam. Por isso, a figura da servidora de vinho, Saghi é uma parte essencial da maioria dessas pinturas. Geralmente, a figura do ancião nessas pinturas representa Hafez ou Khayyam que temporariamente deixam suas posições de eruditos e são vistos embriagados no Kharabat (uma taverna mística localizada em algum lugar remoto) ou no Golshan (jardim) bebendo vinho servido diretamente pelas belas Saghis.
Apesar de Shiraz, a cidade do poeta Hafez ter sido um centro produtor de vinho durante milênios, o Irã já não é mais um país produtor de vinhos. Antes da revolução Islâmica em 1979, havia mais de de 300 vinícolas no Irã; atualmente, acredita-se que existam milhares, mas ilegalmente. O consumo de bebidas alcoólicas no Irã é punido com castigo físico, multa ou prisão. De fato, esta é uma das grandes contradições do Irã atual: enquanto o regime islâmico proíbe o uso do álcool, os iranianos se orgulham do legado de sua cultura persa ancestral que exalta o papel do vinho. 

Baseado em Persian Tradition, Wikipedia e Your Middle East


Hoje é dia de Saadi de Shiraz

Saadi Shirazi 
Hoje, 21 de Abril, é o dia que os iranianos dedicam a um de seus maiores poetas. Vamos conhecer um pouco da vida e obra de Saadi de Shiraz: 
Saadi Shirazi (cujo nome de nascimento era Musharrif al-Dīn ibn Muṣlih al-Dīn) nasceu em 1213 na cidade de Shiraz. É considerado um dos principais poetas persas do período medieval, reconhecido não só pela qualidade de sua obra, mas também pela profundidade de sua sensibilidade social.
Muito jovem, Saadi saiu de sua cidade natal para estudar literatura árabe e ciências islâmicas em Bagdá. O período conturbado que se seguiu após a invasão mongol o levou a viajar pela Anatólia, Síria, Egito e Iraque. Suas obras também indicam que ele viajou pela Índia e Ásia Central. Saadi conviveu com as pessoas comuns, sobreviventes do massacre promovido pelos mongóis e se reunia até altas horas da noite trocando conhecimentos com mercadores, granjeiros, religiosos, andarilhos, ladrões e sufis mendicantes. Durante vinte anos ou mais, prosseguiu com sua rotina  de sermões, advertências, lições que se tornaram pérolas de sabedoria. 
Quando regressou a  Shiraz já em sua maturidade, a cidade sob o governo de Atabak Abubakr Sa'd ibn Zangy (1231-60) desfrutava de um período de relativa tranquilidade. Saadi não só foi bem recebido como ganhou o respeito do governador e foi designado entre os grandes da província. A partir daí adotou seu nome literário em homenagem ao governador Sa'd ibn Zangi para quem compôs também alguns dos mais belos panegíricos como gesto de gratidão, que foram incluídos no início de sua obra Bustan. Acredita-se que Saadi passou o resto de sua vida em Shiraz, onde faleceu em 1291. 
Suas obras mais conhecidas são o  Bustan (O Pomar), 1257 e o  Gulistan (Jardim das Rosas), 1258. O Bustan escrito inteiramente em versos rimados, consiste em histórias que ilustram as virtudes recomendadas aos muçulmanos assim como reflexões sobre as práticas dos dervixes.
O Gulistan (publicado no Brasil pela Editora Attar) escrito principalmente em prosa, contem historias e anedotas pessoais. O texto está intercalado com uma variedade de poemas curtos que incluem aforismos, advertências e reflexões humorísticas.

O mausoléu de Saadi com o seu Gulistan (Jardim de Rosas) em Shiraz 
A mistura peculiar de gentileza e cinismo, humor e seriedade na obra de Saadi, fazem dele um dos poetas mais encantadores da cultura persa. Seu deslumbrante mausoléu é um dos pontos mais visitados pelos turistas na cidade de Shiraz.

Um dia, caí sobre um punhado de argila perfumada,
Vinda do meu Amado.
Inebriado pelo perfume, perguntei:
“Es almíscar ou âmbar gris?”
A argila respondeu:
Não passo de um mero punhado de argila,
Mas associei-me a uma rosa.
A virtude da minha companheira
Exerceu sobre mim sua influência,
Embora eu permaneça
A mesma argila que sempre fui.

Uma noite chorava eu amargamente minha vida desperdiçada, e decidi, enfim, renunciar aos prazeres absurdos e ao tempo perdido. Ficar sentado a um canto, surdo e mudo, vale mais que ser escravo de uma língua indomável. Veio um amigo e tentou levar-me para os prazeres da cidade, mas recusei. Disse-me ele, então:

"Saadi no jardim das rosas", iluminura do séc. XVII
Enquanto ainda possuis
O poder da palavra,
Utiliza-o no regozijo e na alegria!
Amanhã quando vier o anjo da morte,
Não terás outra escolha senão o silêncio.

Mais tarde fomos passear nos jardins. Ele colhia flores e eu lhe disse: “não há permanência nas flores; o que não dura não merece devoção. Ele perguntou: “O que devo fazer” Respondi: “Vou compor um livro, O jardim das Rosas, que não perecerá”.

Leva uma rosa do jardim,
Ela durará alguns dias.
Leva uma pétala do meu Jardim das Rosas,
Ela durará a Eternidade.




Conto 1, do Livro IV – Das vantagens do silêncio

Conversando com um amigo, eu lhe disse: “Calo-me deliberadamente, pois parece-me que o bem e  mal vêm sobretudo da palavra e que nossos inimigos se apegam ao mal”. Ele respondeu: “O maior inimigo é aquele que não vê o bem”.

O homem perverso, ao ver o homem piedoso,
Trata-o como insolente mentiroso.
Para aquele que cultiva preconceitos,
O mérito é um grande defeito.
Saadi é uma rosa; mas é um espinho
Aos olhos dos seus inimigos.
O sol que ilumina o mundo
É detestável aos olhos da toupeira.

Conselho 110, do Livro VIII – Da conquista da sociedade


Perguntaram a um sábio: “Deus criou várias espécies diferentes de árvores e as fez carregarem-se de frutos e multiplicaram-se. Entretanto, nenhuma delas é chamada ‘livre’ como o cipreste. Qual a razão?” Ele respondeu: “Toda árvore floresce, dá frutos e seca segundo as exigências das estações, salvo o cipreste, que está sempre verde e fresco: tal é condição daquilo que é livre”.

Não ates teu coração a valores transitórios.
Por muito tempo depois dos califas,
O tigre continuará a correr em Bagdá.
Se podes, sê generoso como a tâmara;
Se não podes, então sê como o cipreste: livre.

(Traduções: Rosangela Tibúrcio, Beatriz Vieira, Sergio Rizek, a partir da versão de Omar Ali-Shah)

Baseado em Wikipedia e ZUNÁI Revista de Poesia & Debates


Enquanto aqui é Páscoa, no Irã é Dia das Mães!

Igreja de Beit ol-Lahm, Isfahan (Imagem: Iran Chamber Society)
Salam amigos, Eid Pâk mobarek (Feliz Páscoa) e Ruze Madar mobarek (feliz Dia das Mães no Irã)! Enquanto estamos aqui a desembrulhar nossos ovos de Páscoa, lá no outro lado do mundo às mães e esposas também vão ganhar muitas caixinhas de bombons e flores. Porque hoje é celebrado o Dia das Mães no Irã, data que no calendário islâmico corresponde ao aniversário de Hazrat Fatima Zahra (filha do profeta Maomé).
E a Páscoa, onde fica no meio de tudo isso? No Irã, há uma minoria de 1% de cristãos armênios, assírios, católicos e protestantes que comemoram a Ressurreição de Cristo, mas as comemorações também diferem de acordo com os calendários adotados por cada igreja.  
Por isso, quero aproveitar o encontro dessas duas datas para saudar à todas as mães, assim como a nossos amigos e familiares que merecem mais do que uma ou outra data específica para receberem nossos presentes e homenagens.

Aos amigos de todos as crenças meus desejos de paz e união no mundo! 


Shahram Nazeri - Andak Andak

Nesta Sexta-Feira Santa compartilho com vocês uma bela canção interpretada pelo maestro Shahram Nazeri em estilo tradicional tasnif, do álbum Gole Sad Barg lançado em 1981 inspirada na poesia mística de Rumi:
"Pouco a pouco, os embriagados estão chegando: aqueles que estão apaixonados, que qurem beber mais e mais da taça do conhecimento, o conhecimento de Deus. Pouco a pouco, suas almas crescem, e eles se tornam vivos. Pouco a pouco, a vida espiritual se eleva da vida material."


As Pontes Históricas de Isfahan

Ponte Si-o-seh sobre o rio Zayandeh, Isfahan 
A cidade de Isfahan  em meio ao Deserto Kavir é atravessada pelo rio Zayandeh, cuja nascente está nos montes Zagros. Embora seja o maior rio do planalto central do Irã ele não chega até o mar e desaparece a cerca de 100 km a leste da cidade de Gavkhouni. Devido a necessidade de conectar as partes norte e sul da cidade separadas pelo rio, diversas pontes foram construídas. Apesar de já existirem algumas pontes desde a época da dinastia Sassânida  (226-651), foi durante a dinastia Safávida (1502-1736) que elas se tornaram mais imponentes e magníficas.
O antigo Império Romano foi a civilização que mais desenvolveu a tecnologia de construção de pontes. A Pérsia aprendeu a tecnologia dos romanos na construção de suas monumentais pontes, usando pedra somente na base, que eram substituídas na parte superior por tijolos, o principal material dos edifícios iranianos. As pontes persas não eram utilizadas somente para o transporte de pessoas e mercadorias de um lado para outro da cidade, mas devido a importância do rio na irrigação de uma cidade de clima desértico, também tinham a função de represas e barragens. Em Isfahan há um total de onze pontes modernas e históricas, entre as mais importantes podemos destacar:

Ponte Shahrestan 
Ponte Shahrestan: a mais antiga
É a ponte mais antiga a atravessar o rio Zayandeh, localizada no limite da cidade de Isfahan. Suas fundações datam do séc. III ao VII da era Sassânida. Mas a parte superior foi reformada no séc. X pela dinastia Buyida e finalmente durante o séc. XIX pelos Seljúcidas. Apesar disso seu estilo arquitetônico é totalmente Sassânida. As medidas da ponte são aproximadamente 140 m de comprimento por 5m de largura. É composta por dois níveis de arcos, sendo 13 na parte inferior e 8 na superior. Suas altas comportas permitem que a água escoe rapidamente durante as cheias do rio. A ponte que atualmente é uma via exclusivamente utilizada por pedestres leva ao vilarejo de Shahrestan, que encontra-se no limite da cidade.

Ponte Si-o-Seh

Ponte Si-o-seh: a maior de todas!
Com 295m de comprimento, é a maior ponte de Isfahan. Encontra-se no ponto mais largo do rio ao longo da Avenida Chaharbagh. Esta ponte foi construída por Allahverdi Khan, um general que servia ao Shah e por isso recebeu primeiro o nome deste general, mas ficou famosa por seus 33 arcos, por isso é chamada de Si-o-Seh Pol, ou "Ponte Trinta e Três". No século XVII, a ponte já tinha uma calçada para os pedestres, separada pela pista central para veículos. Posteriormente a calçada foi coberta com um teto para proteger os pedestres do sol. Devido a sua estrutura de três arcos contínuos sobre cada arco maior da base, sua aparência é espetacular, em um alinhamento de 100 arcos no total. E as calçadas cobertas não servem apenas para caminhar, mas também como um lugar de repouso para apreciar o belo cenário da cidade.

Ponte Khaju

Ponte Khaju: a mais bela! 
Construída por Shah Abbas II em 1650 um pouco mais abaixo do rio é considerada a ponte mais bela de Isfahan. Tanto a parte inferior ao nível da água quanto as calçadas na parte superior possuem espaços salientes hexagonais no centro que servem como plataformas de observação, onde as pessoas podem apreciar a paisagem, além de se reunirem para conversar. O próprio Shah ocasionalmente organizava um grande festival utilizando todo o espaço desta ponte. Na parte inferior da ponte Khaju encontram-se chaikhanehs (casas de chá) que ainda hoje funcionam como ponto de encontro popular. A decoração dos arcos da parte superior é composta por azulejos coloridos que também indicam que além de ser uma estrutura facilitadora do tráfego esta ponte também foi feita para ser desfrutada pelos passantes. Além disso, a Ponte Khaju funciona como uma barragem, controlando o fluxo do rio. Embora sua aparência exterior consista de séries de arcos de tijolos, que é a mesma dos caravanserais e madrasas, o som e o movimento da água jorrando fortemente por entre seus pilares confere uma fascinante dinâmica à paisagem da cidade.

Embora menos famosas, há outras duas pontes históricas em Isfahan:

Ponte Marnan
Ponte Marnan:  A estrutura desta ponte data da era Safávida, mas suas fundações possivelmente são tão antigas quanto as da ponte Shahrestan.

Ponte Joui
Ponte Joui: Também conhecida como ponte Chubi, foi construída em 1665, durante a era Safávida por Shah Abbas II. Localiza-se entre as pontes  Khaju e Ferdowsi. Possui 147 m de comprimento e 4 m de largura, com 21 arcos. Sua função original era irrigar e interligar os jardins reais em ambos os lados do rio. Na ponte existem dois salões que eram usados pelo shah e seus cortesões e que atualmente servem como casas de chá.

A Seca do Rio Zayandeh

Ponte Si-o-Seh, quando estive em Isfahan, Setembro de 2013
NOTA: recentemente, o rio Zayandeh que costumava ser uma das maiores atrações turísticas de Isfahan, enfrenta um  período de grave seca devido ao represamento e problemas com a administração dos recursos hídricos na região. Após os protestos da população, o presidente Rouhani iniciou um plano para recuperação do curso de água, porém, tudo indica que levará muitos anos para que turistas tenham a oportunidade de ver o rio Zayandeh correndo novamente sob as pontes de Isfahan.

Baseado no artigo The Bridges on the Zayandeh River e Wikipedia


Pedido contra a execução da jovem Rayhaneh Jabbari

Rayhaneh Jabbari, 26 anos, condenada por matar em legítima defesa
Salam amigos, o blog Chá-de-Lima da Pérsia não costuma servir a nenhuma forma de ativismo político, mas por minha própria convicção pessoal me senti na obrigação de ajudar a divulgar esta campanha contra a execução da jovem Rayhaneh Jabbari, 26 que está presa desde 2007 por matar em legítima defesa um membro da inteligência iraniana que tentou estuprá-la. O veredicto condenando Rayhaneh à pena de enforcamento já foi assinado e a execução pode acontecer em poucos dias. Eis um resumo dos fatos segundo o site da Organização Avaaz:

Rayhaneh, uma designer de interiores, estava falando ao telefone sobre seu trabalho em uma cafeteria, uma conversa que coincidentemente foi ouvida por Morteza, um médico que se aproximou dela por recomendação profissional sobre reformar seu escritório. Então eles marcaram um encontro no escritório dele para consersarem sobre o projeto de reforma
No dia do encontro, Morteza buscou Rayhaneh em seu carro. À caminho do escritório, Morteza parou em uma farmácia para comprar algo. Ao chegarem no escritório, Rayhaneh notou que aquele lugar parecia uma casa abandonada e não um escritório. Dentro da casa, Rayhaneh viu dois drinks na mesa, Morteza entrou e rapidamente trancou a porta e começou a agarrar Rayhaneh pela cintura dizendo que ela "não teria como escapar". Para se defender, Rayhaneh esfaqueou Morteza no ombro e fugiu. Ele morreu por hemorragia. 
Um exame de laboratório mostrou que os drinks que Morteza pretendia servir a Rayhaneh continham sedativos. Mesmo assim ela foi presa. Ela foi informada pelas autoridades que o assassinato tinha sido forjado por " motivações politicas". No entanto, Reyhaneh foi torturada até confessar o assassinato, depois  foi dada a pena de morte, que foi confirmada pelo Supremo Tribunal. Como resultado, ela pode ser executada a qualquer momento.
Rayhaneh explicou claramente ao investigador do caso que ela era inocente, que encontrou Morteza somente por razão profissional e que o matou em legítima defesa para se proteger de estupro. Durante uma reunião sobre o caso no Tribunal Penal, a família de Morteza clamou pela "sentença de morte" contra Rayhaneh.

NOTA: A pena de morte é aplicada na República Islâmica do Irã geralmente em caso de adultério, roubo, homossexualidade, tráfico de drogas e dissidência política e a maioria dos condenados não tem acessos advogados, julgamento ou mesmo provas contra eles. Desde a eleição do presidente Rouhani houve uma pequena diminuição na quantidade de execuções.  
o pedido contra a execução de Rayhaneh Jabbari 
Agradeço a todos que puderem compartilhar este pedido em seus blogs e sites.


Cinema Iraniano: Shirin

FILME DO MÊS: Um romance histórico invisível ao espectador é contado através dos olhares e expressões faciais de 114 atrizes iranianas e uma francesa


Em 2008, Abbas Kiarostami dirigiu o filme Shirin, considerado pelos críticos como a mais notável virada  na carreira artística do diretor. Esse surpreendente experimento cinematográfico mostra close-ups de 114 notáveis ​​atrizes iranianas e a estrela francesa  Juliette Binoche. Em uma sala de cinema, as mulheres assistem a um filme baseado no romance mitológico de Khosrow e Shirin que permanece invisível para os espectadores. A história que trata do tema do auto-sacrifício feminino em nome do amor é lida em tom dramático por um elenco de narradores liderados por Manoucher Esmaieli e  acompanhada de uma trilha sonora histórica por Morteza Hananeh e Hossein Dehlavi, e é toda contada pelos belos e intensos rostos das mulheres. O resultado é uma exploração convincente da relação entre imagem, som e do envolvimento emocional do público com a história.
Segundo alguns relatos, as atrizes foram filmadas individualmente na sala, com o diretor  Kiarostami pedindo-lhes para lançar seu olhar em uma série de  simples pontos acima da câmera. O diretor afirmou ainda que durante as filmagens, ele não tinha ideia do que elas estavam assistindo e escolheu o mito Khosrow e Shirin somente após o término das filmagens. 
A breve aparição de Juliette Binoche no filme veio como o resultado de seu papel em um outro projeto de Kiarostami (Cópia Fiel, 2010). O elenco inclui também as famosas Niki Karimi, Taraneh Alidoosti, Golshifteh Farahani e Leila Hatami.

Shirin (2008)
Irã, França| Drama | 92 min.| cor
Direção: Abbas Kiarostami
Título Original: Shirin 
Elenco: Mahnaz Afshar, Pegah Ahangarani, Taraneh Alidoosti, Zahra Amir Ebrahimi, Khatereh Asadi, Vishka Asayesh, Rana Azadivar, Pantea Bahram, Pouri Banai, Afsaneh Bayegan, Juliette Binoche, Sahar Dolatshahi, Setareh Eskandari, Golshifteh Farahani, Shaghayegh Farahani, Bita Farahi, Elsa Firouz Azar, Soraya Ghasemi, Fatemeh Gudarzi, Azita Hajian, Leila Hatami, Irene, Behnaz Jafari, Negar Javaherian, Falamak Jonidi, Niki Karimi, Mahtab Keramati, Hamideh Kheirabadi, Gohar Kheirandish, Niku Kheradmand, Sara Khoeniha, Baran Kosari, Fatemah Motamed-Aria, Shabnam Moghaddamy, Ladan Mostofi, Yekta Naser, Roya Nonahali, Zhale Olov, Rabe'e Oskooyi, Mahaya Petrossian, Leili Rashidi, Katayoun Riahi, Homeira Riazi, Elnaz Shakerdust, Hanieh Tavassoli, Roya Taymourian, Hedye Tehrani, Sahar Valadbeigi, Laya Zanganeh, Merila Zare'i, Niousha Zeighami

O link para este filme foi removido, desculpem o transtorno. 
Agradeço quem tiver sugestões para assistir online. 


Hossein Fatemi: O que você ainda não viu do Irã?

Amigas jogando bilhar, da série Uma Viagem Iraniana de Hossein Fatemi
Salam amigos! Há algumas publicações que fazem tanto sucesso na nossa página do Facebook, que acabo não resistindo em postar aqui no blog também. É o caso da série "Uma Viagem Iraniana" do fotógrafo iraniano Hossein Fatemi, que traz uma visão do Irã que quem nunca adentrou uma residência iraniana uma vez na vida jamais imaginaria ser real. 
As fotografias se tornam surpreendentes, porque a maioria das pessoas pensa que os iranianos são um povo austero e enrijecido pela política de restrições do regime islâmico conservador. Segundo o fotógrafo "foram difíceis fazer as imagens dessa espécie de liberdade privada, pois muitos desses ambientes só permitiam mulheres, fazendo com que ele ficasse meses tentando. Algumas pessoas se negaram a mostrar o rosto, enquanto outras cancelaram o compromisso com ele por conta do receio de perderem seus empregos."
Então deixo com vocês as imagens do Irã que quase ninguém vê, que poucos como Fatemi tem a ousadia de trazer para mais perto de nós! 

Segredos femininos... o popular arguile no Irã é chamado geliun
Papo de salão... as iranianas são campeãs em vaidade! 
Já que eles não querem dançar... elas dançam!
Uma academia exclusiva para mulheres... menino não entra!
Loja de roupas femininas... homem também não entra! 
Na varanda de casa, elas são free... 
Show de rock no Irã, só às escondidas...
Ensaio da banda, só dentro de casa...
Mas eles ousam dar uma ensaiadinha no parque...
Esse é o artista Eylya, ele só pode beber álcool dentro de casa... 
Cachorro de estimação também é ilegal... mas tá dentro de casa
E a ousadia desse rapaz "peladão" praticando Parkour no pátio?
E o flagra desse casal no escurinho lendo o Alcorão?
 Fotos de Hossein Fatemi publicada no site  Hypeness


Feliz Sizdah Bedar 2014 (1393) !

Salam amigos! Hoje os iranianos comemoram o último dia do Nowruz (Ano Novo Iraniano), que é chamado Sizdah Bedar. Sizdah é o número 13 em persa, neste caso, o 13º dia do primeiro mês do calendário iraniano (Farvardin). Este é um dia que os iranianos celebram com muita alegria desde os tempos antigos, e é conhecido como o dia nacional do piquenique, pois todas as famílias saem de casa e aproveitam o dia ao ar livre com muitas brincadeiras e comidas deliciosas. Vejam uma linda animação sobre esta data e suas tradições especiais: