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Reportagens sobre o Irã no Jornal Hoje


Salam amigos! Atendendo a pedidos,  compartilho aqui os links da série de reportagens sobre o Irã exibida no Jornal Hoje da TV Globo na semana passada. Se assim como eu, você também não teve tempo durante a semana para assistir, vale a pena conferir agora!

Série mostra como é a relação dos iranianos com as palavras.
 É interessante observar como os jovens se envolvem com a poesia.

Tapetes persas são feitos à mão e podem custar milhões. País exporta produto para o mundo todo.

Em Yazd, as construções feitas de terra e lama resistem a séculos.
Mesquita considerada a primeira do país tem aproximadamente 1300 anos.

Cidade é a mais visitada do Irã e tem a segunda maior praça do mundo.
Foi em Isfahan que um monarca decidiu que o Irã seria um país xiita.

(Fonte: G1)

Uma semana inspirada pelas belezas da Pérsia para todos! 


Breve história do Nowruz (Ano Novo Iraniano)


Este é o ano de 1393 no calendário persa, e o blog Chá-de-Lima da Pérsia comemora o seu terceiro Nowruz, no ar! A virada do ano novo iraniano caiu em 20 de março, mas a comemoração dura 13 dias, encerrando com o Sizdah Bedar.
Nowruz que significa "Novo Dia" remonta ao período Aquemênida c.500 a.C e aparece como a celebração da chegada da primavera, quando o sol volta a surgir com força e a natureza se renova. É o mais sagrado e divertido festival da herança cultural zoroastriana e a mais importante data nacional para todos os iranianos.
Os zoroastrianos acreditavam na existência de um espírito da luz que retornava nessa época do ano e vencia as trevas do inverno. Eles também acreditavam na vitória do bem sobre o mal. No principio Ahura Mazda criou um mundo perfeito que era perturbado pelo espírito malvado de Ahriman. O tempo dos conflitos humanos é agora, mas será sucedido por um tempo eterno, quando o mundo será restaurado à perfeição. Entretanto, o tradicional festival da primavera também representa uma "Nova Era", recordando o tempo que finalmente trará eternas bençãos, acabando com todos os conflitos e culminando com a vitória do Bem sobre o Mal.
A data que inicia e o número de dias em que é celebrado era relacionado ao calendário de 365 dias  que os persas adotaram que era similar ao egípcio, após a conquista de Cambises no Egito (525 a.C). Depois de uma reforma do calendário por Xerxes (486-465 a.C), os persas continuaram a usar seu calendário original de 360 dias e observavam corretamente suas festas associadas as seis criações que eram representadas pelos seis Amesha Spenta (divindades imortais). Essas seis criações com a festa dedicada a Ahura Mazda formavam um ciclo de sete festas, ou sete criações: céu, água, terra, plantas, animais, humanos e fogo/ sol. As dividades que protegiam cada uma das seis criações e Ahura Mazda, protetor do fogo/sol. Os símbolos das sete criações e seus protetores ainda podem ser vistos na mesa do Haft-Sin.


Os sexto festival, celebrando a humanidade era um dos mais importantes e incluía a maior festa a Hamaspatmaedaya, que era relacionada a noite dos Fravashis, que precedia o Nowruz. Esta era uma celebração onde as almas dos ancestrais mortos eram recordadas. A tradição de visitar túmulos de parentes mortos antes do Nowruz entre muitos iranianos hoje em dia, é uma continuação desta herança ancestral. Nesta noite tochas eram acesas para indicar aos mortos que os vivos estavam prontos para recebê-los de volta. Gradualmente este se tornou um festival de 10 dias antes do Nowruz, conhecido como Suri, que foi completado com fogueiras, orações, festas, música e personagens descritos por Abu Rayhan Biruni como Piruz, o Guardião e protetor dos espíritos. Acredita-se que o personagem Haji Firuz e sua face negra indica sua conexão com o mundo dos mortos.
A presença de dois conjuntos de calendários, acabou duplicando muitos festivais, incluindo o Nowruz que era celebrado duas vezes, um como o Nowruz religioso e outro em seu tempo de celebração baseado no calendário de 360 dias. O Nowruz principal permaneceu e era celebrado no primeiro dia do mês de Favardin por seis dias. O sexto dia de Farvardin também acreditava-se ser o nascimento de Zoroastro, e este dia era a mais importante das celebrações. Os Aquemênidas celebravam o ano novo com grandeza em Persépolis. Os reis recebiam embaixadores e presentes de todas as nações sob seu domínio. Algumas relevos que representam estas celebrações ainda podem ser vistos em Persépolis.
O Nowruz continuou durante a dinastia dos Partos, onde foi descrito pela primeira vez no épico romântico Vis e Ramin que era originalmente datado dessa época, embora tenha sido composto no séc. XI por Fahkr Al-din Asad Gorgani. Ele descreve o banquete real, sob árvores floridas, regado a muito vinho ao som do canto dos pássaros e menestréis. As pessoas comuns também celebravam fora de casa, nos campos e jardins, com vinho e música, alguns montavam seus cavalos, outros dançavam ou colhiam flores, e nos dias que seguiam o Rei saía do palácio e distribuía presentes.
Também há muitas referências ao Nowruz nos tempos Sassânidas, descritas por exemplo no livro Bundahshn (Fundação da Criação) que descreve o mito da criação. O Nowruz é descrito como um dia em que o ciclo da vida começou e de acordo com este texto, quando Ahura Mazda criou a primeira das sete criações e seus protetores, os Amesha Spenta, seu mundo perfeito somente existia na forma espiritual e não material. Ahura Mazda criou o mundo material para aumentar seu poder e combater as forças do mal (Ahriman). Este dia da criação, quando a vida na terra começou também era chamado de Nowruz.
Em outro texto Zoroastriano, o Zadspram, são mencionadas outras características do Nowruz e seu senso de renovação como usar roupas novas e comer frutos da estação. O dia começa com um copo de leite puro e fresco e queijo fresco. Era um costume semear sete sementes, poucos dias antes, e deixá-las germinar até o dia sagrado. As celebrações dos tempos Sassânidas, começavam 10 dias antes do Ano Novo, quando faxina da primavera era feita e o Festival de Suri celebrava os ancestrais mortos com fogueiras e músicas. O festival inteiro durava 21 dias.
A mais detalhada descrição do Nowruz na era Islâmica é feita por Abu Rayhan Biruni que também descreve sobre o calendário Zoroastriano em detalhes. Ele menciona algumas lendas associadas com o Rei Jamshid, um lendário personagem do Shahnameh. Ele também descreve que as pessoas se presenteavam com doces, comiam e bebiam, tocando instrumentos musicais e trocando presentes. Biruni também fala do costume de plantar sete tipos de sementes ao redor de uma bandeja.
A maioria dos iranianos celebram o Nowruz por 13 dias. Começam pela faxina anual das casas (Khaneh Tekani) e comprando roupas novas. Na última quarta-feira do ano chamada de Chaharshanbeh Suri  saltam sobre as fogueiras enquanto recitam versos desejando que seus problemas sejam resolvidos e que o fogo traga brilho para suas vidas. Estes rituais de purificação são características muito populares das celebrações de Nowruz. O Haji Firuz, com seu traje vermelho e face pintada de negro aparece alguns dias antes da festa cantando e dançando pelas ruas de todo o país. As famílias se reunem em volta da mesa do Haft-Sin (os 7 "S"),  embora hoje em dia muitos utilizem mais de sete itens que nem sempre começam pela letra S. As celebrações começam no exato momento do equinócio de primavera, por isso que a data varia a cada ano. Depois que o Ano Novo é anunciado no rádio e na TV, as pessoas saem para visitar seus parentes e amigos levando presentes. 
No 13º dia do Nowruz, há o encerramento das festividades quando todos os iranianos saem de suas casas para comemorar com um piquenique, brincadeiras e música nos parques. Este dia no calendário Zoroastriano corresponde à divindade Tishtrya (Tir) o protetor da chuva que recebia ofertas de plantas e flores atiradas às águas dos rios. Por isso há o costume de jogar o Sabzi (broto de trigo) do Haft-Sin, nos rios como um remanescente do antigo  ritual de veneração a Tishtrya. 
Nos dia atuais, o Nowruz é considerado a celebração da vida e por isso também é festejado por iranianos muçulmanos e de outras religiões.
(Baseado em artigo de Massoume Price para o site Payvand Iran News )

!!! سال نو مبارک
Feliz Nowruz 1393! Sale no Mobarek à todos os amigos da Pérsia!


Khane-Tekani: Sacudindo a poeira do ano que passa


Você sabia? O Khāne-tekānī (em persa significa literalmente "sacudir a casa") é uma tradicional faxina anual que faz parte do Nowruz (Ano Novo Persa) que este ano será no dia 20 de março. Em outros países de língua persa como o Afeganistão este costume também é seguido. Geralmente envolve lavagem dos tapetes, faxina geral da casa, descartar coisas velhas e podamento dos jardins, rituais que tem origem na religião ancestral Zoroastriana na qual a limpeza era uma forma de manter os espíritos maus afastado do reino do Bem. É também um convite para começar o novo ano com o coração limpo e renovado. 
Simbolicamente, o Khane tekani também significa que os espíritos dos ancestrais podem voltar para suas antigas casas para ajudar no crescimento do sabzeh (brotos de trigo), a principal fonte de nutrição que foi consumida durante os longos e frios dias de inverno.  Além da limpeza, faz parte da tradição comprar roupas novas que serão usadas no ano novo (cada membro da família ganha pelo menos um conjunto de roupas novas). E as  flores, especialmente o jacinto e a tulipa também passam a enfeitar as casas marcando a chegada da primavera e representando a renovação da natureza. 

Baseado em Wikipedia e Tebyan


Cinema Iraniano: Exílio no Iraque

FILME DO MÊS: Em meio à guerra, na fronteira Irã-Iraque, três homens partem em uma missão quase impossível... 


Exílio no Iraque, também conhecido como Canções da Terra de Minha Mãe, dirigido por Bahman Ghobadi retrata o cenário do Curdistão iraniano durante a guerra Irã-Iraque (1980-88). Mirza, um famoso músico curdo acompanhado de seus dois filhos, está determinado a encontrar Hanareh, sua ex-esposa que está do outro lado da fronteira em apuros.
Várias cenas de humor e drama, se intercalam neste filme épico. Durante a maior parte do filme, Mirza e seus filhos atravessam uma terra montanhosa e árida quase sem lei, onde o frio é congelante e os refugiados curdos vivem em condições precárias. Mas durante a jornada o trio também encontra momentos de ternura. Barat o filho que ainda é solteiro, ao ouvir uma moça cantar propõe casamento a ela sem mesmo ter visto seu rosto. Porém, ela recusa quando ele diz que ao se casarem não permitira que sua mulher cantasse em público. O outro filho  Audeh, por outro lado tem sete esposas e 13 filhas e quer encontrar uma esposa que dê a ele um filho homem.
Exílio no Iraque é visivelmente um retrato das condições de vida do povo curdo durante o governo de Saddam Hussein.  Por exemplo, fica implícita a ideia de que Hanareh, a esposa de Mirza, o deixou após a Revolução de 1979, quando as mulheres foram proibidas de cantar no Irã.  E também, a face de Hanareh nunca é mostrada, após ter sido gravemente ferida pelas armas químicas do Iraque, como uma metáfora as condições desumanas vividas por milhares de curdos invisíveis aos olhos do mundo.

Exílio no Iraque (2002) 
Irã| Drama | 108 min.| cor
Direção: Bahman Ghobadi
Título Original: Gomgashtei dar Aragh 
Título em inglês: Marooned in Iraq
Elenco: Shahab Ebrahimi, Faegh Mohamadi, Allah-Morad Rashtian, Rojan Hosseini, Saeed Mohammadi, Iran Ghobadi, Hossein Rashid-Ghamat, Fathollah Sa'edi, Mariam Pouyani, Bahram Sarbazi    

>> Legendado em inglês e árabe



Grupo Rastak - Bandari Medley

Salam amigos! Para quem ainda não conhece, o Rastak, é  um grupo formado por talentosos músicos pesquisadores da diversidade sonora dos povos do Irã. Como estamos chegando perto do Nowruz,  uma época festiva para os iranianos, vamos começar a entrar neste clima com o eletrizante ritmo bandari da costa do Golfo Pérsico! 


Instrumentos musicais iranianos: Kamancheh

Mulher tocando kamancheh, miniatura persa do palácio Hasht Behesht em Isfahan, 1669.
O Kamancheh (também conhecido como kamāncha) é um instrumento de arco e cordas persa similar ao rebab árabe, um ancestral do violino. A palavra kamancheh significa "pequeno arco" em persa. Ele é amplamente utilizado desde o séc. XII, na música clássica e folclórica do Irã, Armenia, Azerbaijão, Uzbequistão, Turcomenistão, regiões do Curdistão e também na Caxemira com pequenas variações na estrutura do instrumento. Tradicionalmente, a música improvisada islâmica conhecida como mugham, também acolhe o caloroso e elegante som do kamancheh que é um reminiscente da voz humana. 
Tradicionalmente, os kamanchehs tem três cordas de seda, mas os modernos utilizam quatro cordas de metal. O corpo consiste em um longo braço de madeira com cravelhas na parte superior e uma caixa de ressonância em forma de tigela feito de cabaça ou madeira, coberta com uma membrana feita de pele de carneiro, cabra ou às vezes de peixe, no qual é fixado o cavalete. Na base há uma ponta que apóia o instrumento  no chão ou no joelho do músico enquanto ele é tocado, geralmente em uma posição sentada. 
A música persa tradicional também usa o violino comum com uma afinação particular. O kamancheh e o violino são afinados da mesma forma e possuem a mesma extensão, mas seus timbres são diferentes devido aos formatos da caixa acústica. Entre os  músicos iranianos famosos que tocam o kamancheh estão Ali-Asghar Bahari, Ardeshir Kamkar, Saeed Farajpouri e Kayhan Kalhor.
Segundo o mestre Kayhan Kalhor "quando o violino ocidental chegou ao Irã no final do séc. XIX, muitas pessoas trocaram seus kamanchehs por violinos, [porque] o violino era visto como Ocidental, moderno e elegante." Atualmente ele é um dos músicos que ajudam a preservar a música clássica persa ao mesmo tempo em que cria novas formas de música.

>> Mini-concerto do mestre do kamancheh Kayhan Kalhor para a National Public Radio (NPR) em 2012:


(Baseado em Wikipedia e The Silk Road Project)