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A Nova Geração dos Calígrafos Iranianos

Exposição The Next Generation: Contemporary Iranian Calligraphy, 2012
Imagem do site: Kashya Hildebrand
A arte iraniana entrou em um período de transformação particularmente significativo, levada por uma próspera comunidade artística tanto dentro como fora do Irã. Embora estes artistas tenham sido treinados e inspirados pela caligrafia clássica, a tradição serve para eles principalmente como um ponto de partida para suas explorações nesta forma de arte. Trabalhando em ambos os lados da fronteira iraniana, estes artistas nos trazem percepções surpreendentes da energia artística de uma cultura que está constantemente evoluindo e se adaptando.
A prática da caligrafia originalmente se desenvolveu para transmitir a palavra de Deus em forma escrita. A ideia era representar a perfeição da palavra de Allah através de uma escrita também perfeita. Para se tornar um mestre calígrafo, são exigidos anos de um rigoroso treinamento e o aprendizado dosvários estilos calígráficos que seguem cada qual suas próprias regras. Os calígrafos se consideram artesãos e não artistas, ou seja, eles não anseiam por criar obras primas originais, mas antes dominar as técnicas tradicionais. 
Porém, esta nova geração de artistas* ao invés de seguir as tradições, buscam seguir os passos daqueles que foram os primeiros mestres a revolucionar a forma da caligrafia incluindo  Mohammed Ehsai, Charles Hossein Zenderoudi e Nasrollah Afjehei, que estudaram tanto no Irã como em academias de arte na Europa e transitaram facilmente entre o oriente e o ocidente buscando novas inspirações enquanto desenvolviam suas próprias linguagens visuais.

Aghighi Bakhshayeshi (Qom, 1968)

Aghighi Bakhshayeshi,  Traços, 2012
81,5x150cm, óleo e folhas de prata sobre tela
Formada em Teerã Aghighi Bakhshayeshi foi treinada nos estilos tradicionais de caligrafia como Nas’taliq e Muhaqqaq. Atualmente, ela incorpora o estilo Kufi persa em seus trabalhos, criando formas simbólicas que tem como referência a poesia e a religião. Com um sensível uso da cor e ritmo, além de uma precisão acadêmica, sua visão artística passeia sem problemas  entre as fronteiras da caligrafia tradicional e das novas modalidades de criação artística. 

Mohamed Bozorgi (Teerã, 1979)

Mohamed Bozorgi, Grito 01, 2012
 224x330cm, técnica mista s/tela
Formado em Teerã Mohamed Bozorgi  praticou com a Sociedade de Calígrafos Iranianos durante 15 anos e alcançou um nível de excelência. Entretanto, parou seu treinamento por achar as regras da Sociedade restritas demais, desencorajando inovações. Em sua prática, ele usa movimentos harmônicos e elegantes de curvas dançantes criando belos padrões repetitivos, que permitiram que ele desenvolvesse sua própria linguagem em um formato contemporâneo. 

Habib Farajabadi ( Shahrood, 1982)

Habib Farajabadi,  Luz,  2011
180x150cm, acrícilo s/ tela
Farajabadi é um dos arautos da nova geração de abstracionistas do Oriente Médio. Ele desenvolve um vocabulário pessoal único, inspirado numa fusão dos elementos das práticas pós-modernas do ocidente com as do Oriente Médio. Em seu trabalho, De Kooning dança com a caligrafia e o grafite de Teerã se mistura com Basquiat. Ele também empresta estilos e imagens, por exemplo, da Arte Povera italiana ou do movimento Pattern and Decoration americano. 

Hadieh Shafie (Teerã, 1969)

Hadieh Shafie, Franja,  2011 
66x66cm, acrílico e tinta s/ papel Arches
Escolhendo ignorar as regras da caligrafia, a artista formada em  Baltimore Hadieh Shafie cria obras em que que processo, repetição e tempo estão em primeiro plano. Para criar suas peças mais conhecidas, Shafie marca milhares de tiras de papel com textos impressos e manuscritos em pers e então os enrola em círculos concentrícos, escondendo ou revelando diferente elementos dos textos. As formas concêntricas de papel e texto aludem a dança dos dervixes rodopiantes. 

Abolfazi Shahi (Kashan, 1974)

Abolfazi Shahi, Não durma nu comigo -  isso não é bom, 2012
90x122cm, algodão e corante natural
Embora tenha sido treinado como calígrafo, Abolfazi Shai passou a criar tapeçarias com piadas e declarações irônicas sobre a cultura iraniana. Literatura, caligrafia e tapeçaria são uma parte vibrante da herança persa, e enquanto a caligrafia sempre esteve presente adornando as mesquitas e espaços públicos, não é comum encontrá-las nos tapetes, porque seria desrespeitoso com o texto caminhar sobre ele.  Shahi, representa estes tapetes como uma amostra das divertidas letras de canções populares que as tecelãs cantam enquanto trabalham.

Behrouz Zindashti (Salmas, 1979)
Behrouz Zindashti, Série Mihrab 2, 2011
230x140cm, tinta s/ folha de ouro, 
Formado em Tabriz, Zindashti é influenciado por um princípio no qual o desenho tem uma correlação entre a arquitetura e a ética. Ele acredita que seus trabalhos funcionam como espaços alternativos de oração, repetindo o texto das Orações pela Prosperidade em uma improvisação abstrata dos escritos Seljúcidas e talismãs. Sua obra expressa humidade e devoção espiritual, mas diferente da caligrafia tradicional que ilustra versos corânicos ou poesia, Zindashti traz outras referências. 

*As obras dos artistas apresentados aqui fizeram parte da exposição The Next Generation: Contemporary Iranian Calligraphy, na Galeria Kashya Hildebrand de Zurique, entre Junho e Agosto de 2012. 

(Baseado em Islamic Arts Magazine, post publicado originalmente em meu outro blog Cálamo e Tinta )


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