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A Nova Geração dos Calígrafos Iranianos

Exposição The Next Generation: Contemporary Iranian Calligraphy, 2012
Imagem do site: Kashya Hildebrand
A arte iraniana entrou em um período de transformação particularmente significativo, levada por uma próspera comunidade artística tanto dentro como fora do Irã. Embora estes artistas tenham sido treinados e inspirados pela caligrafia clássica, a tradição serve para eles principalmente como um ponto de partida para suas explorações nesta forma de arte. Trabalhando em ambos os lados da fronteira iraniana, estes artistas nos trazem percepções surpreendentes da energia artística de uma cultura que está constantemente evoluindo e se adaptando.
A prática da caligrafia originalmente se desenvolveu para transmitir a palavra de Deus em forma escrita. A ideia era representar a perfeição da palavra de Allah através de uma escrita também perfeita. Para se tornar um mestre calígrafo, são exigidos anos de um rigoroso treinamento e o aprendizado dosvários estilos calígráficos que seguem cada qual suas próprias regras. Os calígrafos se consideram artesãos e não artistas, ou seja, eles não anseiam por criar obras primas originais, mas antes dominar as técnicas tradicionais. 
Porém, esta nova geração de artistas* ao invés de seguir as tradições, buscam seguir os passos daqueles que foram os primeiros mestres a revolucionar a forma da caligrafia incluindo  Mohammed Ehsai, Charles Hossein Zenderoudi e Nasrollah Afjehei, que estudaram tanto no Irã como em academias de arte na Europa e transitaram facilmente entre o oriente e o ocidente buscando novas inspirações enquanto desenvolviam suas próprias linguagens visuais.

Aghighi Bakhshayeshi (Qom, 1968)

Aghighi Bakhshayeshi,  Traços, 2012
81,5x150cm, óleo e folhas de prata sobre tela
Formada em Teerã Aghighi Bakhshayeshi foi treinada nos estilos tradicionais de caligrafia como Nas’taliq e Muhaqqaq. Atualmente, ela incorpora o estilo Kufi persa em seus trabalhos, criando formas simbólicas que tem como referência a poesia e a religião. Com um sensível uso da cor e ritmo, além de uma precisão acadêmica, sua visão artística passeia sem problemas  entre as fronteiras da caligrafia tradicional e das novas modalidades de criação artística. 

Mohamed Bozorgi (Teerã, 1979)

Mohamed Bozorgi, Grito 01, 2012
 224x330cm, técnica mista s/tela
Formado em Teerã Mohamed Bozorgi  praticou com a Sociedade de Calígrafos Iranianos durante 15 anos e alcançou um nível de excelência. Entretanto, parou seu treinamento por achar as regras da Sociedade restritas demais, desencorajando inovações. Em sua prática, ele usa movimentos harmônicos e elegantes de curvas dançantes criando belos padrões repetitivos, que permitiram que ele desenvolvesse sua própria linguagem em um formato contemporâneo. 

Habib Farajabadi ( Shahrood, 1982)

Habib Farajabadi,  Luz,  2011
180x150cm, acrícilo s/ tela
Farajabadi é um dos arautos da nova geração de abstracionistas do Oriente Médio. Ele desenvolve um vocabulário pessoal único, inspirado numa fusão dos elementos das práticas pós-modernas do ocidente com as do Oriente Médio. Em seu trabalho, De Kooning dança com a caligrafia e o grafite de Teerã se mistura com Basquiat. Ele também empresta estilos e imagens, por exemplo, da Arte Povera italiana ou do movimento Pattern and Decoration americano. 

Hadieh Shafie (Teerã, 1969)

Hadieh Shafie, Franja,  2011 
66x66cm, acrílico e tinta s/ papel Arches
Escolhendo ignorar as regras da caligrafia, a artista formada em  Baltimore Hadieh Shafie cria obras em que que processo, repetição e tempo estão em primeiro plano. Para criar suas peças mais conhecidas, Shafie marca milhares de tiras de papel com textos impressos e manuscritos em pers e então os enrola em círculos concentrícos, escondendo ou revelando diferente elementos dos textos. As formas concêntricas de papel e texto aludem a dança dos dervixes rodopiantes. 

Abolfazi Shahi (Kashan, 1974)

Abolfazi Shahi, Não durma nu comigo -  isso não é bom, 2012
90x122cm, algodão e corante natural
Embora tenha sido treinado como calígrafo, Abolfazi Shai passou a criar tapeçarias com piadas e declarações irônicas sobre a cultura iraniana. Literatura, caligrafia e tapeçaria são uma parte vibrante da herança persa, e enquanto a caligrafia sempre esteve presente adornando as mesquitas e espaços públicos, não é comum encontrá-las nos tapetes, porque seria desrespeitoso com o texto caminhar sobre ele.  Shahi, representa estes tapetes como uma amostra das divertidas letras de canções populares que as tecelãs cantam enquanto trabalham.

Behrouz Zindashti (Salmas, 1979)
Behrouz Zindashti, Série Mihrab 2, 2011
230x140cm, tinta s/ folha de ouro, 
Formado em Tabriz, Zindashti é influenciado por um princípio no qual o desenho tem uma correlação entre a arquitetura e a ética. Ele acredita que seus trabalhos funcionam como espaços alternativos de oração, repetindo o texto das Orações pela Prosperidade em uma improvisação abstrata dos escritos Seljúcidas e talismãs. Sua obra expressa humidade e devoção espiritual, mas diferente da caligrafia tradicional que ilustra versos corânicos ou poesia, Zindashti traz outras referências. 

*As obras dos artistas apresentados aqui fizeram parte da exposição The Next Generation: Contemporary Iranian Calligraphy, na Galeria Kashya Hildebrand de Zurique, entre Junho e Agosto de 2012. 

(Baseado em Islamic Arts Magazine, post publicado originalmente em meu outro blog Cálamo e Tinta )


Ahmad Saeedi - Vabastat Shodam

Atendendo a pedidos, a letra e tradução de mais um sucesso da música pop iraniana atual com o jovem cantor Ahmad Saeedi:


Letra | Tradução
Vabastat Shodam | Me tornei dependente de você 

Enghadr chehrat por ehsase ke dardamo mibare|
Seu rosto está cheio de sentimentos que afastam todas as minhas dores
Hessi ke man daram be to az ye eshghe sade bishtare |
O que eu sinto por você é mais do que simplesmente amor
Enghadr zibast lab khandet ke akhmamo mishkane |
Seu sorriso é tão belo que transforma meu olhar severo 
Man khamoosham ama mot maenam ke ghalbe to roshane |
Eu estou apagado, mas eu tenho certeza de que seu coração está aceso

Vase ye bar beshin be paye harfam |
Apenas um vez, ouça o que eu digo
Az tahe ghalbam to ro mikham |
Eu te quero com todo o meu coração

Vabastat shodamo be to kardam adat |
Me tornei dependente de você e me acostumei com você
Divoonatam eshgham to bayad |
Estou louco por você, meu amor você deve
Male man bashi |
Ser minha
Male man bashi |
Ser minha  
(2x)

Enghadr mehrabooni ke hishki nemikhad az to begzare |
Ninguém desistiria de alguém tão especial como você 
Hessi ke man daram be to az ye eshghe sade bishtare |
O que eu sinto por você é mais do que simplesmente amor
Enghadr del neshine khiyalet ke har lahzeyi ba mane |
Sonhos contigo são tão agradáveis que estão comigo o tempo todo
Man zendamo nabzam faghat ba vojoode garme to mizane |
Estou vivo somente por causa da sua calorosa existência

Vase ye bar beshin be paye harfam |
Apenas um vez, ouça o que eu digo
Az tahe ghalbam to ro mikham |
Eu te quero com todo o meu coração

Vabastat shodamo be to kardam adat |
Me tornei dependente de você e me acostumei com você
Divoonatam eshgham to bayad |
Estou louco por você, meu amor você deve
Male man bashi |
Ser minha
Male man bashi |
Ser minha  
(6x) 

(Baseado no forum All The Lyrics)


O Dia do Amor e o vídeo polêmico da diva pop Googoosh!

Salam amigos! Em primeiro lugar gostaria de parabenizar a todas as mulheres iranianas pelo Sepandarmazgan, o Dia do Amor iraniano (que este ano caiu em 18/02) e estendê-lo a todas nós aqui do outro lado do oceano que amamos essa cultura maravilhosa. E hoje trago também, a notícia bombástica da semana, que tem como protagonista a diva mor do pop iraniano, senhora Googoosh!  

Googoosh , rainha da música popular iraniana
A rainha do pop iraniano, Googoosh, lançou um video em apoio aos gays e lésbicas de seu país, se tornando a primeira famosa iraniana a se posicionar contra a homofobia.O video de sua última canção  Behesht ("Paraíso"), divulgado em sua página do Facebook no Valentine's Day, retrata um casal de lésbicas em um relacionamento proibido tanto pela sociedade quanto por suas famílias. 
Navid Akhavan,  diretor do video disse, que ele já foi visto por milhares de iranianos online ou através de canais via-satélite ilegais. "As reações que nós vimos até agora foram tremendas," disse ele. "Os comentários que eu li e as mensagens que eu recebi de pessoas da comunidade LGBT iraniana encheram meus olhos de lágrimas." Mas ele acrescenta: "Nós sabíamos desde o início que por causa do tema, este vídeo seria muito controverso entre os iranianos, isto porque nós também esperamos respostas negativas, mas isso não incomodou nem a mim, nem a Googoosh."
O vídeo foi visto mais de 1,2 mil vezes ao todo. Akhavan disse que as ameaças aos gays  no Irã encorajaram-no a trabalhar em parceria com Googoosh. "Eu estou tão orgulhoso pela coragem dela e por ser a pioneira no apoio aos homossexuais iranianos ."
Muitos sites conservadores no Irã denunciaram o vídeo de Googoosh. O Enghelab News acusou Googoosh de ser uma anti-revolucionária que se vendeu aos monarquistas e Bahais. E que o video foi feito para disseminar a decadência na sociedade iraniana. O site Khabar Online, classificou o video como obsceno.
O casal no video foi interpretado por duas atrizes iranianas, Pegah Fereydoni e Yasmine Azadi. No início do vídeo o personagem de Fereydoni demonstra amor por sua parceira, que não é revelada até o último minuto. "O final desta estrada não é claro, eu sei disso, assim como você," canta Googoosh. "Não me diga para parar de amar, você não pode fazer isso e eu também não". Um fã de  Googoosh comentou em sua página do Facebook: "Eu te amo mais do que nunca." Enquanto outro discorda: "Eu não esperava isso de você".
Ao contrário de muitos outros cantores, Googoosh se recusou a deixar o Irã depois da Revolução Islâmica de 1979, permanecendo como anônima em seu país. Em 2000 ela finalmente saiu do Irã e cantou pela primeira vez após 21 anos de silêncio. Sua popularidade alcança mesmo as gerações mais jovens de iranianos. 
Shadi Amin, uma lésbica iraniana e ativista dos direitos humanos que vive na Alemanha, disse que o vídeo inflamou um debate jamais visto antes:  "Nós não esperamos por uma grande mudança após esse vídeo, mas ele quebrou o silêncio de muitos iranianos." 
Amin diz que Googoosh foi corajosa ao lançar o video. "Nossa pesquisa e experiência mostra que os gays e lésbicas no Irã, especialmente nas cidades menores, se sentem sozinhos, eles pensam que são as únicas pessoas do planeta que tem sentimentos assim, mas o vídeo de Googosh mostrou: hey, vocês não estão sós."
Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no Irã sofrem sérias perseguições tanto do governo quanto da sociedade, especialmente dos conservadores linha dura. Alguns podem sofrer horríveis punições, incluindo pena de morte e prisão por muitos anos e até mesmo exílio forçado.
(Adaptado do artigo de Saeed Kamali Dehghan para o site The Guardian)
>> Assista o vídeo da canção Behesht de Googoosh:


Breve História do Cinema Iraniano

Cena de Era uma vez no Cinema, 1992 (Mohsen Makhmalbaf) 
O Cinema Iraniano tem recebido cada vez mais reconhecimento internacional nos últimos tempos. Alguns críticos consideram o Irã como o maior exportador de cinema nacional do mundo e artisticamente falando, ele pode ser comparado ao neo realismo italiano ou movimentos similares em décadas passadas. Muitos festivais internacionais abriram as portas para o cinema iraniano nos últimos vinte anos, por isso, vale a pena conhecer sua história desde os primórdios. 

Pioneiros do Cinema no Irã
Cena de Abi o Rabi, 1932 (Ovanes Ohanian)
O cinema tinha apenas 5 anos de existência quando chegou a Pérsia no começo do séc. XX. O primeiro cineasta persa foi Mirza Ebrahim Khan Akkas Bashi, o fotógrafo oficial do rei Muzaffar al-Din Shah (1896-1907). Após visitar  Paris em Julho de 1900, Akkas Bashi filmou a visita do Shah à Europa, mas atualmente não existem copias desse filme. Alguns anos depois Khan Baba Motazedi, outro pioneiro do cinema iraniano, documentou uma grande acervo de notícias durante os reinados das dinastias Qajar e Pahlavi.
Em 1904, Mirza Ebrahim Khan Sahhafbashi inaugurou  o primeiro cinema em Teerã. Até os anos 30, havia mais de 15 cinemas em Teerã e 11 em outras províncias. Em 1925, Ovanes Ohanian, decidiu estabelecer a primeira escola de dinema no Irã que passou a se chamar Parvareshgahe Artistiye Sinema (Centro Educacional de Artistas de Cinema).

A Era dos Clássicos: anos 30 a  40
Cena de A Garota Lor, 1933 (Abdolhossein Sepata)
Nos anos 30,  Ovanes Ohanian fez o primeiro filme mudo iraniano chamado Haji Agha. Em 1932 ele fez seu segundo filme chamado Abi o  Rabi. Naquele mesmo ano, Abdolhossein Sepanta fez o primeiro filme iraniano com áudio, intitulado A Garota Lor. Sepanta seguiria dirigindo filmes como Ferdowsi (sobre a vida do maior poeta do Irã), Shirin e Farhad (romance clássico) e Olhos Negros (a história da invasão de Nader Shah à Índia).  Em 1937, ele dirigiu  Laili e Majnoon, um romance oriental similar à Romeu e Julieta. 
O cinema iraniano atual deve muito de se seu progresso a Esmail Koushan e Farrokh Ghaffari, por estabelecerem a primeira Sociedade Nacional de Cinema Iraniano em  1949 no Museu Nacional e organizarem a primeira Semana de Cinema, na qual foram exibidos filmes em inglês. Ghaffari lançou as bases para o cinema alternativo e não-comercial no Irã. Os primeiros diretores  como Sepanta e Koushan aproveitaram a riqueza da literatura e mitologia persa e em seus trabalhos enfatizaram a ética e o humanismo. 

O cinema Pré-Revolução: anos 50 a 70
Cena de A Vaca, 1960 (Dariush Mehrjui)
Os anos 60 foram uma década muito significativa para o cinema iraniano, com 25 filmes comerciais produzidos anualmente em média, chegando a 65 no final da década. A maioria das produções eram focadas em melodrama e suspense. O filme que realmente impulsionou a economia do cinema iraniano e iniciou um novo gênero foi Ganj-e-Qarun (O Tesouro de Creso, 1965) de Siamak Yasami. Com o lançamento de Kaiser de Masoud Kimiay e A Vaca de Dariush Mehrjui  ambos em 1969, os filmes alternativos estabeleceram seu status na indústria cinematográfica iraniana. Os esforços de Ali Mortazavi  resultaram na formação do Festival Mundial de cinema de Teerã em 1973.

O Cinema Pós-Revolução
Cena de Salve o Cinema, 1995 (Mohsen Makhmalbaf) 
No começo dos anos 70, um Novo Cinema iraniano emergiu e após a Revolução Islâmica de 1979, alguns cineastas iranianos foram para o exílio, devido as mudanças e censuras promovidas pelo regime islâmico. Entre 1979 e 1985, foram lançados cerca de 100 novos filmes. 
Em 1982, o Festival anual Fajr financiou filmes e a Fundação de Cinema Farabi começou a tentar reconstituir o então desorganizado cinema iraniano. No ano seguinte, o governo começou a dar apoio financeiro. Esta mudança, encorajou uma nova geração de cineastas, que também incluía mulheres diretoras. (Veja também o post: O Cinema Iraniano das Mulheres)
Os filmes produzidos nos anos 80 ficaram conhecidos como o Novo Cinema iraniano para diferenciá-los daqueles das antigas raízes. Os filmes da chamada New Wave (Nova Onda) procuram abordar  temas como a família e as realidades do país, além da entrada no íntimo e filosófico dos personagens e a agonia do ser humano, temas presentes principalmente na obra de Mohsen Makhmalbaf. Outra característica é o estilo documentário herdado do cinema verdade de Dziga Vertov, sem a ficção presente em Hollywood.

Cena de Gosto de Cereja, 1997 (Abbas Kiarostami)
O cinema iraniano pós-revolucionário tem sido aclamado em muitos festivais internacionais por seu estilo, temas, autores, ideais nacionalistas e referências culturais. Começando por Viva... de Khosrow Sinai e seguido por excelentes diretores que emergiram nas últimas décadas, como Abbas Kiarostami e Jafar Panahi. Kiarostami, a quem alguns críticos elegeram como um dos maiores diretores da história plantou o Irã firmemente no mapa mundial do cinema ao receber a Palma de Ouro em Cannes por Gosto de Cereja, 1997.
Em 1997, o então eleito presidente Mohammad Khatami,  desempenhou um papel de ajuda para os cineastas alcançarem um maior  grau de liberdade artística. Um importante passo foi dado em 1998 quando o governo do Irã começou a financiar o cinema étnico.  A partir daí o Curdistão iraniano viu surgir numerosos cineastas como Bahman Ghobadi  e toda sua família, assim como outros jovens cineastas.  Em 2001 o número de filmes produzidos no Irã aumentou  de 27 (número de filmes produzidos em 1980) para 87.
Cena de A Separação, 2011 (Asghar Farhadi)
A presença constante dos filmes iranianos em festivais internacionais de renome como Cannes, Veneza e Berlim ganharam a atenção do mundo. Em 2006, seis filmes de diferentes estilos representaram o Irã no Festival de Berlim. Este foi considerado pelos críticos um ano marcante na história do cinema iraniano. Em 1998 o Irã foi indicado pela primeira vez ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com Filhos do Paraíso de Majid MajidiA Separação de Asghar Farhadi finalmente foi vencedor em 2012.

O Cinema Iraniano Contemporâneo 
Cena de Exílio no Iraque, 2002 (Bahman Ghobadi) 
Hoje em dia, as salas de cinema no Irã são dominadas pelos filmes comerciais nacionais. Filmes ocidentais ocasionalmente são transmitidos na TV estatal. Filmes de arte iranianos geralmente não são divulgados oficialmente, e se tornam conhecidos através de  DVDs  piratas que podem ser facilmente adquiridos. Apesar disso, alguns desses aclamados filmes foram mostrados no Irã e se tornaram sucesso de bilheteria, por exemplo: Eu sou Taraneh, 15, de Rassul Sadr Ameli , Sob a Pele da Cidade de Rakhshan Bani-Etemad ,  Exílio no Iraque  de Bahman Ghobadi e  Prisão de Mulheres de  Manijeh Hekmat.
O cinema iraniano aclamado internacionalmente é bem diferente daquele que é feito para o público iraniano. Este cinema comercial iraniano é praticamente desconhecido no Ocidente. Filmes sobre a vitória da Revolução Iraniana de 1979 e a subsequente guerra Irã-Iraque, permeados de fortes ideais religiosos e nacionalistas e os típicos filmes estrelando atores populares.
Oficialmente, o governo iraniano despreza o cinema americano, apesar disso numerosos filmes ocidentais como Paixão de Cristo, Casa de Areia e Névoa, Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, Os Outros e O Aviador foram mostrados nos cinemas iranianos e nos festivais de filmes iranianos depois da Revolução. Apesar do grande orgulho de mais de 100 anos de história do cinema iraniano, o cinema ocidental é enormemente popular entre os jovens iranianos, e pode-se encontrar praticamente qualquer lançamento de Hollywood disponível em DVD. A TV estatal também passou a transmitir mais filmes ocidentais, em parte por causa dos milhões de iranianos que passaram a utilizar TV via satélite banida pelo governo. Não há um grande interesse dos iranianos pelo cinema árabe, mas o cinema indiano é relativamente popular e de 6 a 8 filmes de Bollywood chegam às salas de cinema do Irã a cada ano.

Profusão em meio à Censura
Cena de Fora do Jogo, 2006 (Jafar Panahi)
Embora a indústria de cinema iraniana seja extremamente prolífica, o trabalho dos cineastas é constantemente ameaçado pela censura, inclusive antes da Revolução. Por exemplo, o clássico A Vaca (1969) de Dariush Mehrjui considerado um trabalho pioneiro da  New Wave iraniana foi censurado durante o regime do xá, por mostrar um Irã rural, que ia contra a visão progressista da monarquia. Ironicamente o filme foi patrocinado pelo governo e sua prominência nos festivais internacionais irritou ainda mais o regime. 
Após a Revolução os cineastas enfrentaram ainda mais restrições. Desde a metade os anos 80, a política de censura no Irã tem mudado com o intuito de promover filmes nacionais. A censura mais estrita diminuiu após 1987. Antigos diretores ressurgiram e outros novos despontaram. As regras da censura muitas vezes são incoerentes: muitos filmes proibidos no Irã receberam aval para ser exibidos em festivais internacionais.  Em geral os filmes censurados são aqueles que incluem  cenas sensuais,  alguma bandeira de ativismo feminista ou questionamento aos ideais do governo. 
Enfim, a história da valente luta dos cineastas iranianos pela liberdade de expressão será assunto para um próximo  post. 


Cinema Iraniano: Dez

FILME DO MÊS: Um retrato do universo feminino no Irã mostrado a partir de uma perspectiva de cinema inédita! 


“Dez” é um filme de gênero drama biográfico e documentário dirigido por Abbas Kiarostami e roteiro com a parceria de Mohsen Makhmalbaf. Como sugere o título, a história é contada em dez blocos, nos quais uma atriz (Mania Akbari, também cineasta) dialoga, dentro do carro, com diferentes pessoas. Todos os diálogos têm um núcleo comum: a situação da mulher no Irã. A despeito das peculiaridades culturais, os dramas da mulher iraniana, ao menos daquelas que o filme mostra, de condição social média ou elevada, não diferem muito dos dramas vividos pelas ocidentais. Relacionamentos frustrados, filhos malcriados, embates com o mundo machista, crise de fé religiosa são os componentes dessa via crucis feminina. Claro, não é na denúncia da condição feminina que este filme de Kiarostami é inovador.
Inovador é o modo como Kiarostami narra a história. São apenas duas câmeras digitais, acopladas no interior de um carro, uma voltada para a motorista, outra voltada para seu (sua) interlocutor(a). Nada de equipe de filmagem: nenhuma iluminação especial, nenhum cenário pré-concebido (a motorista não tinha um roteiro pré-estabelecido, ela simplesmente flanava pelas ruas de Teerã). Não havia, também, um roteiro rígido; Kiarostami ficava no banco detrás do carro (as duas câmeras, claro, não permitiam que ele fosse visto) e ditava o diálogo para os atores. Uma das propostas de  Kiarostami, segundo suas próprias palavras, fora  fazer um filme sem diretor. Nada mais parcial do que esta afirmação, porque, se por um lado, é indubitável que a estrutura de “Dez” reduz o poder de intervenção do diretor, por outro lado, torna esta limitada intervenção mais fundamental ainda. 
O filme foi proibido no Irã, em 2008, por ser considerado um filme ativista e feminista. Porém, várias fitas cassetes gravadas foram vendidas ilegalmente. Apesar disso a ONU, aprovou o filme e a revista Time o declarou um dos 100 melhores filmes da história. (Referências: Revista Universitária do Audiovisual e Wikipedia

Dez (2002)
EUA, França, Irã| Documentário, Drama | 84 min.| cor
Direção: Abbas Kiarostami
Título Original: Dah
Título em inglês: Ten
Elenco: Mania Akbari, Amin Maher, Kamran Adl, Roya Arabshahi, Amene Moradi, Mandana Sharbaf, Katayoun Taleizadeh

>> Legendado em inglês



"Um pouco da neve de Shiraz para você!"

Bagh-e Eram, Shiraz
Salam amigos! Quem diria, estarmos tão longe geograficamente do Irã que aqui é dia lá é noite, aqui é verão e lá é inverno... Enquanto nós estamos reclamando do calor, a maioria das cidades do Irã estão cobertas de neve. Por exemplo, Shiraz que é conhecida como o "Jardim da Pérsia", onde no verão a temperatura chega acima dos 40ºC, nos dias recentes está abaixo de 0. Conversando com um amigo meu dessa cidade, ele me propôs o seguinte: "Já que eu não posso mandar um pouco da neve daqui para você por correio, te mando estas fotos de Shiraz..." 

Túmulo do poeta Hafez 

Santuário de Shah Cheragh 

Takht-e Jamshid (Persépolis)


Feliz Layout Novo!

Salam amigos da Pérsia! Calma, este não é o blog errado! Enfim depois de uma trabalheira só, apresento para vocês o NOVO LAYOUT do nosso Chá-de-Lima, afinal um blog com 2 anos de vida merece de presente uma boa repaginada no visual não é? E de onde veio a inspiração desse novo layout? 
Sala de chá da casa Tabatabaei em Kashan 
O novo tema do blog é inspirado na leveza da arquitetura da cidade de Kashan, mais especificamente no ambiente envolvente das salas de chá iranianas. E essa nossa "casa de chá virtual", ganha de presente uma nova identidade visual que assume com coragem o jeito Chá-de-Lima da Pérsia de divulgar a cultura do Irã! E para matar a saudade vamos recordar a evolução do nosso layout:


Primeiro layout de 2012, de quando eu ainda estava começando a aprender os macetes da blogagem =)


Vamos nos despedir com carinho do último layout que nos acompanhou por mais de 1 ano ='(

E as novidades não vão parar só na parte visual, continuem saboreando nosso chá e aguardem mais surpresas diretamente das terras da Pérsia! 


Shahram Nazeri - Dar Golestaneh

Música linda para alegrar o coração com a voz de  um dos grandes mestres da música tradicional persa: Shahram Nazeri. O nome da canção Dar Golestaneh significa, "No Jardim das Rosas".