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Expressões idiomáticas: "Eu me sacrificarei por você"

O Jardim Secreto (2009), pintura de Farhad Moshiri, 
Salam amigos, estreando o primeiro post sobre Língua Persa deste ano vamos começar a decifrar o complexo universo das expressões idiomáticas deste idioma.  Para começar, imagine que você está ouvindo a seguinte conversa entre dois iranianos:

- Olá, como vai você?

-Fadat besham (eu me sacrificarei por você)! E a sua família como vai?

- Ghorbunet beram, khubim, (eu me sacrificarei por você, nós estamos bem). E a sua como vai?

- Ghorbunet beram, ma ham khubim, (eu me sacrificarei por você, nós estamos bem também).

Mas que história é essa de dizer  tantas vezes que um se sacrificaria pelo outro? Para muitos isso pode parecer uma ideia muito romântica, mas não é nada mais do que uma expressão idiomática, ou melhor uma das marcas da cultura iraniana. As  expressões destacadas acima são usadas como uma forma muito comum de demonstrar afeto por amigos ou parentes.

Em outras palavras, essas expressões podem substituir um "obrigado", como por exemplo:

-Como vai você?
- Ghorbunet beram (obrigado), estou bem."

Também é bastante comum usar estas expressões para dizer "adeus" pessoalmente ou ao telefone (neste caso, frequentemente seguido de um khoda hafez, "adeus").

Elahi bemiram... ("Oh Deus, que eu morra...") 
é outra frase muito usada quando alguém está chocado em situações como um acidente. Por exemplo, é comum  uma mãe iraniana ao ver seu filho cair, se machucar e chorar dizer "Elahe bemiran!" enquanto bate em sua própria face. É como se ela dissesse: " Ó Deus, por que isso aconteceu com ele, antes fosse eu no lugar dele!"
Nem é preciso dizer que estas frases não devem ser levadas ao pé-da-letra (a não ser que você seja uma legítima mãe iraniana, as palavras podem  ser verdadeiras sim). São expressões do cotidiano, ou uma forma de taarof (leia o post: Etiquetas e Costumes Iranianos). Ás vezes, dizer simplesmente Ghorbunet pode ser tanto uma forma de se dirigir  a um amigo intimo, quanto uma forma mais polida de se dirigir a um desconhecido.
Por exemplo, ao sair do restaurante, ao invés de dizer khodahafez ("adeus"), você pode dizer ghorbune shoma. Não que seja errado dizer simplesmente khoda hafez, mas os iranianos são grandes fãs dessas expressões dramáticas...
É interessante também que os iranianos podem recusar a aceitar o pagamento a primeira vez que ele é oferecido, isso se trata mais uma vez de taarof. É indelicado aceitar uma oferta de pagamento sem dizer ghabel nadareh (a tradução mais próxima seria "não custa nada para você").
Com expressões desse tipo, não é de se admirar que o persa seja a língua da poesia e da literatura. Pode acontecer também que ao lermos uma tradução de Hafez ou Saadi para a nossa língua materna algumas expressões pareçam  indecifráveis (a menos que tenhamos a boa vontade de aprender o idioma original desses poetas). Deve ser por isso que muitas vezes nossos amigos iranianos são frequentemente tão mal interpretados mundo afora...

Espero que tenham gostado do post, até a próxima e  ghorbune shoma beram! 

(Esse texto é uma adaptação livre de um post do blog My Persian Corner)


Um comentário

  1. Salam, Jana Jan!

    Que saudades! Por onde anda você?

    Língua e Literatura, poesia e vida. Coisas sublimes que devem continuar a nos encantar, sempre.
    Parabéns pelo post.
    Aguardo você no meu Khaleej,
    beijos

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