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O uso do samovar no preparo do chá iraniano

Samovar iraniano
Você sabe de onde vem o samovar que os iranianos utilizam tradicionalmente para preparar o chá? Ele foi inventado pelos russos no séc. XVIII justamente para o chá que vinha da Mongólia Ocidental. A primeira fábrica de samovares foi fundada na cidade de Tula, na Rússia em 1778 e logo a invenção se tornou a forma mais popular de preparar o chá. Ele chegou ao Irã por meio dos comerciantes russos e iranianos que viajavam entre os dois países.   
Os primeiros samovares eram feitos de cobre ou ligas de metais semelhantes a ouro e prata. Algumas vezes eram folheados à ouro e prata, mas feitos de latão. Através dos séculos, o formato do samovar foi mudando. Até o sec. XX, eles eram feitos a mão e usavam carvão para aquecer a água, depois foi utilizado querosene como combustível, mas  hoje em dia todos funcionam com energia elétrica. 
 A água é aquecida gradualmente no reservatório, onde há um tubo central que carrega o vapor. O bule onde fica o chá se situa no topo deste tubo, fazendo com que ele se aqueça lentamente. As folhas de chá são mais utilizadas nos samovares do que aqueles em saquinhos. Duas ou mais colheres (de chá) destas folhas são colocadas no bule dependendo de quantos copos serão servidos. O bule é preenchido com a água fervente do reservatório através de uma pequena torneira. O tempo de preparo varia de 10 a 15 minutos e o chá sai bem forte e concentrado. Apenas uma pequena quantidade deste é derramado nos copos, o resto é preenchido com a água fervente do reservatório. Se o chá passar muito do tempo de preparo fica forte demais e estraga. 
O chá plantado no Irã, também é importado da Índia. As folhas de chá de qualidade tem um sabor e aroma que se torna ainda mais especial quando preparado com o samovar. Às vezes dois tipos diferentes de chás são misturados para obter um melhor aroma e sabor. Muitos iranianos compram seus samovares elétricos de lojas iranianas ou russas, mas em algumas novas lojas especializadas em chá eles podem ser bem caros.  
Ao comprar um samovar você deve se certificar que o reservatório interno não seja de cobre ou chumbo, pois eles podem contaminar a água. O interior deve estar devidamente selado, a menos que você vá usá-lo apenas como peça decorativa. Há muitos samovares de qualidade que são feitos no Irã e no Japão e que são vendidos em muitas lojas iranianas.
Samovar elétrico banhado à ouro, foto gentilmente cedida por Artigos do Oriente Médio
Samovar moderno adaptado para fogão
A maioria dos samovares modernos são feitos de aço inoxidável e são muito seguros. Aqueles que são feitos no Irã são bem decorativos, folheados a ouro ou prata na parte externa. Mas preste atenção, não deixe as crianças chegarem muito perto dele, quando estiver sobre uma mesa com água fervente. Muitos iranianos substituem os samovares tradicionais por chaleiras especiais com uma torneira para água fervente. Eles são colocados sobre o fogão para ferver a água e o bule também é colocado no topo como no samovar. Estes são sempre usados nas cozinhas, mas também deve-se ter cuidado quando tiver crianças por perto. 
O chá que é a bebida mais popular do Irã é saboreado com açúcar em cubinhos, balas ou nabat (pirulito de açúcar caramelizado). Ao invés de xícaras são servidos em copos semelhantes aqueles utilizados na Turquia e outros países do Oriente Médio.Esses pequenos copinhos tem um pires, mas não tem asa como uma xícara, o que pode ser um pouco difícil para quem não está acostumado. Os iranianos nunca adicionam leite ao  chá e algumas pessoas podem preferi-lo mais forte ou mais fraco de acordo com o gosto de cada um.

"Casa de chá persa", pintura de Reza Karimi
(Baseado em Culture of Iran)  


O protesto pra lá de original da Banda Pallet

Salam amigos! Sabem aquela história que a música foi banida na TV estatal do Irã após a Revolução de 1979? Segundo o correspondente da Folha de SP no Irã, Samy Adghirni "música ao vivo na TV até pode, desde que os instrumentos não apareçam. Só o cantor pode mostrar a cara. Quando bandas tocam sem vocal nas emissoras da  Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB), a telinha mostra imagens da natureza, campos floridos ou montanhas." (Fonte: Folha de SP). Recentemente aconteceu uma polêmica, após a emissora citada deixar ir ao ar sem querer uma banda tocando ao vivo. E como forma de driblar a censura  a banda Pallett se apresentou em um canal da TV estatal de um jeito pra lá de original, os músicos  fingiam estar tocando os instrumentos, enquanto rolava a música no estúdio. Veja só! 


Durante minha viagem ao Irã, no ano passado, só tive a oportunidade de assistir a TV estatal quando fiquei hospedada em um hotel em Shiraz. Lembro que assisti a um programa sobre artesanato e outro sobre as belezas da cidade de Yazd e todos tinham como trilha sonora a música tradicional. Em todas as casas onde estive, havia parabólica que transmite os canais estrangeiros e o povo não estava nem aí para a TV estatal. Todos os meus amigos  sempre  estão atualizados com o melhor do pop iraniano mais ocidentalizado e sempre compartilham comigo videos no Fabebook (que apesar de ser oficialmente censurado, é driblado com o recurso dos anti-filtros). A maioria dos cantores pop que vivem fora do Irã, fazem um imenso sucesso por lá, e mesmo as estrelas que foram para o exílio alguns anos após a revolução ainda tem lugar no coração dos iranianos mais jovens!  


Cabeças raspadas em solidariedade ao colega com câncer

Salam amigos, vejam que lindo exemplo! Primeiro o professor, depois os colegas de classe rasparam a cabeça em solidariedade ao garoto Mahan de 8 anos que sofre de câncer.
O professor Mohammad Ali Mohammadian, 45 anos, ministra aulas há 7 anos na escola primária na cidade interiorana de Marivan, província do Curdistão. Apesar de  todos dias  percorrer um longo caminho para chegar até a escola na zona rural, ele ama seu trabalho e recebe o salário mínimo pago aos professores. O garoto Mahan Rahimi é seu estudante da segunda série, que perdeu os cabelos por causa do câncer e por isso ficou muito triste e se distanciou dos outros colegas de classe. O professor Mohammadian disse que decidiu raspar a cabeça em solidariedade a Mahan e para fazê-lo se sentir feliz: "Mahan me disse que ao fazer isso por ele eu ensinei uma grande lição." 
O professor notou que agora, os colegas tem uma atitude amigável com Mahan, acrescentando que todos eles são capazes de ajudar uns aos outros nas lições. Os pais de Mahan também ficaram muito felizes com a solidariedade demonstrada pelo professor.







Baseado em Iran Daily e fotos do site The Iran project 


2 Anos de Amizade entre Brasil e Irã!!!

A "Moça do Chá" posando com traje típico gilaki, em  Masuleh
Salam amigos, como vocês podem ver aí na foto, eu coloquei minha melhor roupa porque hoje é um dia muito especial! Sabem por quê? O Chá de Lima da Pérsia completa seus 2 ANOS NO AR! Então eu gostaria de recordar um pouco a história deste que até hoje é o único blog brasileiro que fala exclusivamente sobre a cultura do Irã.
Tudo começou em 24 de janeiro de 2012... Há meses eu vinha avidamente procurando por informações sobre o Irã. Assistia a filmes iranianos online e dialogava com pessoas deste país nas redes sociais (alguns destes há mais de 3 ou 4 anos). Eu sempre fui apaixonada por diversas culturas, especialmente do Oriente Médio. Encontrei muito material disponível na internet sobre os países árabes e a Turquia, mas o Irã continuava sendo para mim um grande mistério. Apesar dos convites insistentes dos amigos virtuais para que eu fosse conhecer o Irã, a imagem das mulheres de chadores negros e mulás de barba, turbante e olhar severo ainda predominava em minha mente. Mas por outro lado, desvendar a beleza das artes persas e do cinema iraniano, além do contato constante com essas pessoas me fizeram mudar totalmente o meu ponto de vista. E assim nasceu este blog...
Quem acompanha  há mais de 6 meses deve ter notado em primeiro lugar a mudança do endereço de azizamiran.blogspot.com.br para chadelimadapersia.blogspot.com.br. O motivo foi o seguinte: a nossa identidade do Chá-de-Lima segundo vários leitores, é um dos fatores que mais instiga a curiosidade de quem acessa o blog pela primeira vez. Por isso, preferi reforçar essa identidade e o fato de que este é um blog 100% feito no Brasil, por quem e para quem  aprecia a cultura persa. O antigo URL Azizam Iran, que significa "Meu querido Irã" foi o primeiro que me veio a mente quando eu tive a ideia de batizar o blog e também achava mais fácil de explicar esse nome para meus amigos iranianos. Entretanto a grande profusão de blogs sobre culturas diversas que nasceram de relacionamentos de brasileiras com estrangeiros me fez pensar que "meu querido Irã" poderia ser facilmente interpretado como "meu querido iraniano". E dá-lhe e-mails a procura de conselhos amorosos... Acontece que o nome do Chá-de-Lima pegou mas o endereço Azizam Iran permaneceu, e eu levei um longo tempo para me ligar que um nome e endereço diferentes em um blog poderiam deixar os leitores confusos. Mas se você digitar o endereço antigo, não tem problema, ele redireciona automaticamente para o atual. 
Alguns me perguntam se há uma explicação lógica para o blog se chamar Chá-de-Lima da Pérsia? Creio que não! Há muito tempo quando eu ouvia o nome da lima-da-pérsia já vinha em minha mente a ideia de que  essa fruta cítrica poderia ter vindo de um lugar exótico (Pérsia, nome antigo do Irã). Mas ela só carrega esse nome pomposo aqui no Brasil. E o chá? Se para nós brasileiros a ideia de chá também vem acompanhada de algum momento de pausa para apreciação da vida, intimidade com parentes e amigos. Nem precisa falar que o chai na cultura iraniana acompanha todas as refeições e o equivalente oriental dos nossos "cafés" são as "casa de chá".  Enfim, a ideia de chá é algo que tem sabor agradável, aquece por dentro e ainda nos aproxima das pessoas e por que não, das diferentes culturas.
Outra parte que considero incrivelmente marcante na história deste blog e da minha vida, foi a Viagem ao Irã entre agosto e setembro de 2013. Foi a primeira vez que coloquei os pés fora do Brasil e ainda por cima sozinha! Apesar da viagem ter sido bem corrida foi uma grande aventura, de encontros emocionantes com amigos de longa data e novos amigos pelo caminho. Apesar de ter tentado descrever aqui a minha odisséia em vários capítulos com o maior detalhamento possível, sinto que ainda não dei conta de falar sobre tudo. Pretendo no decorrer desse ano, recordar alguns momentos da minha jornada e acrescentar mais detalhes sobre os principais lugares que visitei, algumas comidas típicas que provei e algumas particularidades culturais que me chamaram mais a atenção.
Também acredito que esse blog já deixou há muito tempo de ser apenas "meu" e passou a se tornar "nosso" e por isso quero aproveitar esta oportunidade para expressar meus eternos AGRADECIMENTOS: Aos leitores amigos que sugerem conteúdos e também contribuem me enviando materiais preciosos para divulgação, como filmes, músicas, eventos, etc. A todos que contribuem com elogios, críticas construtivas e comentários preciosos, ou simplesmente ajudando a divulgar o blog nas redes sociais! Aos amigos do Irã que indicam o blog para amigos de outros países. E finalmente a todos que  disseram que o blog e a página do Facebook do Chá-de-Lima Pérsia são o melhor e maior conteúdo sobre a cultura do Irã em língua portuguesa. Foram todos vocês que me ajudaram a chegar até aqui e espero continuar por muito tempo tornando a cultura e o conhecimento acessível para cada vez mais pessoas. 
E você, que acabou de entrar, sente-se em um confortável tapete persa e aprecie esse chá também!

Agora vamos cantar o Tavalodet Mobarek ("Parabéns pra você")!


Uma jornada pelo Irã em 10 minutos!

Salam amigos! Que tal embarcarmos em uma jornada por todo o Irã em apenas 10 minutos? Com lindas imagens e músicas contagiantes, o vídeo a seguir é um material didático de autoria de membros do Iranian Students Association (ISA) da Universidade da Pensilvânia, e foi criado com o objetivo de ampliar a compreensão do público estrangeiro sobre a diversidade geográfica, étnica e cultural do Irã.  


Cada vez mais Mulheres Ninjas no Irã!

Mulheres em uma escola de Ninjustu em Karaj
Há quase 2 anos eu postei aqui no blog um video que mostrava às mulheres ninjas em Teerã e curiosamente uma reportagem de uma famosa agência de notícias internacional alegava erroneamente que "mulheres iranianas estavam sendo treinadas como "ninjas assassinas"! Nem preciso dizer que a maioria das notícias que chegam para nós sobre o Irã, trazem uma visão disparatada daquele país e sua cultura acaba sendo ofuscada. Mas será que nós sabemos realmente do que as mulheres iranianas são capazes, positivamente falando? 
Para acabar de vez com os equívocos, vamos conhecer mais um pouco da popularidade da prática do ninjutsu entre mulheres no Irã: 
A primeira escola a ensinar esta arte marcial foi aberta por Akbar Faraji em 1989. Ela teve muitos problemas no início por ser uma figura desconhecida no mundo dos esportes no Irã. E apesar de sua origem japonesa, o ninjutsu ainda era encarado como um produto ocidental, mas atualmente ele ganhou terreno no Irã.
As estudantes  alegam que o esporte ensinado no Irã traz muitos dos conhecimentos dos ninjas japoneses, incluindo auto-defesa desarmada e também o uso de armas. Mas também focando no desenvolvimento do auto-controle, paciência e respeito. Além disso, outras artes marciais estão crescendo em popularidade entre as mulheres iranianas. Hoje em dia é possível encontrar escolas de Ninjutsu em 22 províncias do Irã, incluindo Teerã, Azerbaidjão Oriental e Ocidental, Mazandaran, Markazi, Khuzestan, Qom, Khorasan, Golestan, Loristan, Bushehr, Qazvin, Zanjan, Fars, Sistan and Baluchistan, Hamadan, Hormozgan e Gilan.
Fatima Muammar, uma instrutora desta arte marcial diz: “Esta atividade está se tornando cada vez mais popular entre as mulheres, porque ajuda no equilíbrio do corpo e da mente ”. Além disso: “No  ninjutsu, respeito e humildade são as mais importantes lições. Nossas estudantes aprendem a usar armas perigosas como arcos, espadas, nunchakus e shuriken. Mas a lição mais importante que elas aprendem é a compostura.”
Das aproximadamente 24.000 pessoas praticantes oficiais das classes oficiais de  ninjutsu no Irã, pelo menos 3000 são mulheres. E é esta minoria que tem chamado a atençao da mídia internacional. As artes marciais em geral são populares no Irã e atletas iranianos, incluindo mulheres, regularmente competem a nível internacional. Por exemplo, mulheres iranianas competiram pelo Taekwondo nos Jogos Olímpicos em 2008 e 2012.




(Baseado em artigo de Mansoureh Farahani para o site The Majalla Magazine)


Expressões idiomáticas: "Eu me sacrificarei por você"

O Jardim Secreto (2009), pintura de Farhad Moshiri, 
Salam amigos, estreando o primeiro post sobre Língua Persa deste ano vamos começar a decifrar o complexo universo das expressões idiomáticas deste idioma.  Para começar, imagine que você está ouvindo a seguinte conversa entre dois iranianos:

- Olá, como vai você?

-Fadat besham (eu me sacrificarei por você)! E a sua família como vai?

- Ghorbunet beram, khubim, (eu me sacrificarei por você, nós estamos bem). E a sua como vai?

- Ghorbunet beram, ma ham khubim, (eu me sacrificarei por você, nós estamos bem também).

Mas que história é essa de dizer  tantas vezes que um se sacrificaria pelo outro? Para muitos isso pode parecer uma ideia muito romântica, mas não é nada mais do que uma expressão idiomática, ou melhor uma das marcas da cultura iraniana. As  expressões destacadas acima são usadas como uma forma muito comum de demonstrar afeto por amigos ou parentes.

Em outras palavras, essas expressões podem substituir um "obrigado", como por exemplo:

-Como vai você?
- Ghorbunet beram (obrigado), estou bem."

Também é bastante comum usar estas expressões para dizer "adeus" pessoalmente ou ao telefone (neste caso, frequentemente seguido de um khoda hafez, "adeus").

Elahi bemiram... ("Oh Deus, que eu morra...") 
é outra frase muito usada quando alguém está chocado em situações como um acidente. Por exemplo, é comum  uma mãe iraniana ao ver seu filho cair, se machucar e chorar dizer "Elahe bemiran!" enquanto bate em sua própria face. É como se ela dissesse: " Ó Deus, por que isso aconteceu com ele, antes fosse eu no lugar dele!"
Nem é preciso dizer que estas frases não devem ser levadas ao pé-da-letra (a não ser que você seja uma legítima mãe iraniana, as palavras podem  ser verdadeiras sim). São expressões do cotidiano, ou uma forma de taarof (leia o post: Etiquetas e Costumes Iranianos). Ás vezes, dizer simplesmente Ghorbunet pode ser tanto uma forma de se dirigir  a um amigo intimo, quanto uma forma mais polida de se dirigir a um desconhecido.
Por exemplo, ao sair do restaurante, ao invés de dizer khodahafez ("adeus"), você pode dizer ghorbune shoma. Não que seja errado dizer simplesmente khoda hafez, mas os iranianos são grandes fãs dessas expressões dramáticas...
É interessante também que os iranianos podem recusar a aceitar o pagamento a primeira vez que ele é oferecido, isso se trata mais uma vez de taarof. É indelicado aceitar uma oferta de pagamento sem dizer ghabel nadareh (a tradução mais próxima seria "não custa nada para você").
Com expressões desse tipo, não é de se admirar que o persa seja a língua da poesia e da literatura. Pode acontecer também que ao lermos uma tradução de Hafez ou Saadi para a nossa língua materna algumas expressões pareçam  indecifráveis (a menos que tenhamos a boa vontade de aprender o idioma original desses poetas). Deve ser por isso que muitas vezes nossos amigos iranianos são frequentemente tão mal interpretados mundo afora...

Espero que tenham gostado do post, até a próxima e  ghorbune shoma beram! 

(Esse texto é uma adaptação livre de um post do blog My Persian Corner)


Documentário: Construindo um Império - Os Persas

A antiga civilização persa que se transformou em uma grande potência sob o domínio do rei Aquemênida, Ciro o Grande, criou uma política de tolerância religiosa e cultural, nunca antes vista na história. Veja neste documentário da série Construindo um Império do History Channel como a Pérsia evoluiu de um grupo de tribos nômades para um dos mais vastos impérios do mundo antigo até sucumbir sob à conquista de Alexandre da Macedônia.


O homem que desistiu da civilização há 60 anos

Amoo Hadji, 80 anos, parece uma lenda urbana mas não é...
Essa semana deparei com uma notícia muito curiosa no site da  Folha de SP: "Homem iraniano está a 60 anos sem tomar banho". Segundo a reportagem, ele se chama Amoo Hadji, 80 e vive próximo do vilarejo de Dezhgah, na Província de Fars, situado próximo da área onde está instalado.
Parece inacreditável, 60 anos sem tomar banho né? Lembrando que o calor na província de Fars, onde ele vive, no verão ultrapassa os 50 °C, é impensável que ele não tenha encontrado alguma forma de se refrescar. E quem garante que ao longo destes anos ele nunca tomou pelo menos um banho de chuva? 
No entanto, ninguém sabe se ele se trata de um excêntrico que resolveu abrir mão de todos os confortos da nossa chamada civilização ou é mais provável que o idoso sofra  algum tipo de transtorno mental. Além da falta de banho, outros hábitos do senhor Amoo Hadji são igualmente espantosos, entre eles fumar um charuto de esterco e dormir em um buraco no chão. Além disso, ele usa cigarros convencionais como aquecedores alternativos para o inverno!  
Veja algumas fotos publicadas por um usuário do Reddit  provando que ele existe mesmo!












Graham Hughes: "O Irã ficará para sempre em minha cabeça"

Graham Hughes em Persépolis
Graham Hughes, é o aventureiro britânico que entrou para o Guinness World Records por ser a primeira pessoa a  visitar todos os países do mundo entre janeiro de 2009 e dezembro de 2012 sem precisar de nenhum vôo. Veja uma das razões porque ele considera o Irã um de seus 10 países favoritos:
Um lugar que ficará para sempre em minha cabeça é o Irã. Ao invés do lugar rígido e sisudo que eu esperava, ele se tornou o mais caloroso e hospitaleiro país do mundo. Eu fui tratado como um respeitável hóspede por todos que eu encontrei. Eu estava em um ônibus noturno de Shiraz para Khorramanshahr quando uma senhora idosa que não falava nenhuma palavra em ingles, sorriu para mim e me passou seu aparelho celular. Meio sem graça, eu o peguei e aproximei do meu ouvido. O cara que estava do outro lado da linha dizia em um inglês perfeito  que eu estava sentado atrás da avó dele e ela estava preocupada comigo. Quando eu perguntei por que, ele disse que o ônibus chegaria muito cedo no dia seguinte e ela estava preocupada se eu não teria nada para comer. Ela queria saber se poderia me levar até sua casa e preparar meu café da manhã... (como eu poderia recusar?). Na manhã seguinte, Hossein me encontrou e nós tivemos o café da manhã mais  delicioso do mundo no apartamento de sua avó. Depois do café ele me deixou no porto e se certificou de que eu chegaria em segurança na balsa para o Kuwait. 
(Baseado em trecho de entrevista para o Telegraph  e The Odissey Expedition)

O mais interessante é que em sua página, Graham Hughes dá todas as dicas de como ele conseguiu visitar as 211 nações do mundo sozinho e com o menor orçamento possível. Veja o vídeo que mostra o aventureiro ruivo excêntrico em todos os países a cada segundo, o Irã aparece nos 3:29. Deu até vontade de conhecer se não todos,  muitos países dessa lista também!  


"Descubra o Irã em 2 Minutos"

Salam amigos! Este é um belíssimo vídeo criado por uma fotógrafa de Cingapura chamada Mandy Tay, que mostra em apenas 2 minutos, tudo o que os turistas de outros países sempre encontram no Irã: hospitalidade, amizade, paisagens de tirar o fôlego e um tesouro inestimável de história e cultura!



Cinema Iraniano: Gabbeh

DE VOLTA, O FILME DO MÊS!!! 
Uma fábula exuberante, onde as cores mágicas dos tapetes nômades ganham vida em um cenário de encher os olhos.


Gabbeh é um brilhante, colorido e profundamente romântico ode à beleza, a natureza, ao amor e a arte. O diretor Mohsen Makhmalbaf originalmente viajou as remotas estepes do sudeste do Irã para documentar a vida de uma tribo de nômades quase extinta (os ghashghai ou qashqai da província de Fars). Por séculos, estas famílias nômades tecem um tipo especial de tapete, o Gabbeh, que serve tanto como uma expressão artística quanto como um registro autobiográfico das tecelãs. Alucinado pela exótica paisagem do interior, e pelas histórias por trás dos gabbehs, Makhmalbaf pretendeu fazer um documentário envolto em uma história de amor fictícia  usando um gabbeh mágico como pano de fundo, unindo passado e presente, fantasia e realidade.
Às margens de um riacho, uma mulher idosa e seu marido estão lavando um gabbeh no qual há um desenho que representa um casal de noivos. Enquanto eles rememoram seu passado, de repente, num passe de mágica o tapete se transforma em uma bela jovem - cujo nome é coincidentemente Gabbeh - que compartilha seu drama: ela está desesperadamente apaixonada por um misterioso cavaleiro que segue seu clã a distância. Apesar de seu pai concordar em deixá-la se casar com o rapaz após o casamento de seu tio, estações se passam, o cavaleiro continua seguindo Gabbeh, sempre à espera, uivando canções de amor após o cair da noite.
Delicadamente envolvidas com esta simples e  tocante história de amor estão as pessoas cujas vidas são marcadas pelo ritmo da natureza e que instintivamente expressam as alegrias e tristezas  através de canções, poesia e histórias que elas contam em seus tapetes de cores brilhantes. 

(Sinopse baseada no site  Makhmalbaf Film House )

Gabbeh (1996)
Irã| Drama | 69 min.| cor
Direção: Mohsen Makhmalbaf
Elenco: Abbas Sayyahi, Shaghayegh Jowdat, Hossein Moharrami, Roghayyeh Moharrami e Parvaneh Ghalandari



Sale no Mobarek! Feliz 2014!

Peixes dourados no Naranjestan Gavam, Shiraz (foto de Janaina Elias)
Salam amigos da Pérsia! Vamos nos despedir de um 2013 maravilhoso de vitórias e sonhos realizados e saudar um novo ano que com amor e perseverança promete ser ainda melhor! Tenho muito a agradecer a todos as pessoas especiais que se aproximaram da minha vida por meio deste blog que em janeiro completará 2 anos! O Chá de Lima da Pérsia significa para mim muito mais do que apenas um mero instrumento de divulgação da cultura persa, mas ele é acima de tudo  uma ponte para o Irã que os brasileiros ainda não conhecem e se encantam  cada vez mais ao desvendá-lo. E esse ano promete muito mais iranianos vindo conhecer o Brasil com sua seleção classificada para a Copa do Mundo em nosso solo em 2014!
Desejo a cada dia continuar nesta ponte com todos os amigos que ganhei e encontrar outros novos pelo caminho! 

A todos os amigos do Brasil, Irã e de outras partes do mundo que continuam adoçando o Chá de Lima da Pérsia, meus sinceros votos de  Sale No Mobarek! Feliz Ano Novo de 2014!