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Viagem ao Irã 2013: A Despedida

Centro de Karaj (Imagem: Panoramio
Salam amigos, para  encerrar este ano, finalmente  vou postar o último capítulo da minha aventura de 21 dias pelas terras da Pérsia!
Dia 11/09/13: Manhã e último dia na cidade de Karaj. Assim que acordamos eu e Afsaneh começamos a arrumar as malas. Ela voltaria comigo para o Brasil, porém iriamos em voos separados, eu pela Turkish Airlines e ela pela Qatar Airways. Mas pousaríamos em Guarulhos praticamente no mesmo horário. Eu voltaria para casa e ela iniciaria uma nova viagem.
Á tarde saímos de casa, por volta das 15hs quando o comércio volta a abrir, acompanhei Afsaneh no médico e depois fizemos umas comprinhas finais. Até onde vi, Karaj não é uma cidade com grandes atrativos turísticos, mas tem um grande centro comercial com muitas lojas que não é tão diferente dos nossos. Foi minha oportunidade de andar de ônibus urbano mais uma vez. Como de praxe, as mulheres vão na parte de trás. Não importa se há mais mulheres e a parte dos homens esteja vazia, elas vão em pé na parte de trás! Diferente de nós, os iranianos pagam a passagem depois de descer do ônibus, e o mais surpreendente é que ninguém sai correndo sem pagar. As pessoas fazem uma espécie de tumultuo organizado estendendo as cédulas para o cobrador.
Fazer compras é outra atividade para a qual não tenho muita paciência, com meu farsi precário, Afsaneh pechinchava para mim enquanto eu escolhia as cores dos lenços e outros acessórios que mais me agradavam. Um jovem vendedor de uma das lojas simpatizou comigo por eu ser brasileira e disse que adora o nosso futebol.  Outra coisa que fiz questão, foi ajudar alguns vendedores que com o difícil momento da economia iraniana ganham seu sustento com artigos baratíssimos, como carteiras feitas à mão. 
Após essa correria, fomos a uma sorveteria onde  tomamos o último refresco de talebi, que vou lembrar para sempre como a minha paixão das frutas iranianas. No final da tarde, famílias se reúnem ali após um dia de muito calor. Fiquei com dó de um garoto que após pagar, virou a bandeja sem querer e derramou todo o refresco nas roupas e acabou ficando sem nada, saiu de lá frustrado...
O talebi, minha paixão das frutas iranianas
O suco de talebi
Voltamos para casa à noitinha. E a família toda nos esperava para a última despedida. Zeinab e Hassan, meus anfitriões em Mashhad também vieram. Enquanto Hassan contava os "passamentos" de quando eu estive em sua casa, por nossas confusões com o idioma, todos riam com a voz divertida dele. Mas por respeito, na presença dele, todas as mulheres da casa usavam o hejab, inclusive eu. Minha amiga Fereshteh também veio nos visitar junto com sua irmã, trouxe presentes que eu deveria levar para nosso amigo Jézer no Brasil e doces de Yazd para mim. Ela é muito bonita  pessoalmente, com sua maquiagem impecável, traços finos e roupas legantes. Depois de tirarmos muitas fotos e comermos muitas guloseimas terminamos de aprontar as malas na maior correria e nos despedimos de todos. Até o último minuto me ofereceram chá e eu nunca vi tantas pessoas chorando juntas em toda a minha vida, principalmente por Afsaneh que partiria para passar um longo tempo fora do Irã longe de sua família. 
Dia 12/09/13: Chegamos no aeroporto Imam Khomeini, em Teerã às 0:00 onde eu troquei os rials restantes por dólares e encontramos Majid (o mesmo que me encontrou na chegada) desesperado para despachar mercadorias que eu deveria entregar para minha amiga Karla no Brasil. Ele pagou o excesso de bagagem, mas quase atrasou o meu embarque com esse procedimento. Enquanto isso a família de Afsaneh, os pais, seu irmão Mustafa e Ashraf com Nader e também a irmã de Hassan, se despediam emocionados. Majid e  Afsaneh ficaram comigo até o momento de eu passar pelo portão de embarque ( o voo dela sairia uma hora mais tarde). Na hora de carimbarem o passaporte pareceu uma eternidade. Finalmente embarquei no avião, sentei na janela ao lado de um casal. Tirei o meu véu com relutância, foi ali que senti que estava indo embora do Irã...
Aeroporto Imam Khomeini, Teerã
No aeroporto de Istambul a escala de 4 horas passou voando: banheiro, comprinhas e achar o portão. O avião saiu às 7:00 e depois do Brasil faria escala em Buenos Aires. Na sala de embarque, deu para apreciar um pouco da cidade pelas janelas. Tentei tirar um leve cochilo mas um brasileiro alto, barbudo e extrovertido conversava alto com os argentinos em um castelhano estridente e cantarolava: Brasil... Brasil.... No avião fui sentada ao lado de uma moça brasileira que esteve em Malta e na Turquia, embora tenhamos conversado bastante e a comida tenha sido ótima,  o voo foi longo e cansativo.
Cheguei em Guarulhos às 17:00hs. A fila da imigração parecia quilométrica mas chegou rápido. Passei pela alfândega e tiveram que abrir minha mala só por causa da bagunça suspeita. Enquanto o rapaz que tinha que receber os pacotes me ligou avisando que já chegou. Depois de uma procura cansativa encontrei o rapaz e entreguei os pacotes depois fui procurar Afsaneh. Pegamos o ônibus Airport Bus Service até a Barra Funda, deixei Afsaneh no taxi que a levaria até o hostel perto do Metro Belém que ela já conhecia da viagem anterior. Extremamente cansada peguei o trem para Itapevi, minha cidade. Cheguei em casa às 23h00 com a mala quebrada, extremamente cansada e sonolenta. Mas tudo valeu a pena, são momentos que não me esquecerei jamais. 
Para quem esteve por 21 dias percorrendo 10 cidades e morando em tantas casas diferentes com tantas pessoas especiais, o Irã deixou um gostinho de quero mais. Tive a sensação de aterrissar no Brasil com um pedaço do Irã grudado em mim. Conclusão: O IRÃ É MINHA SEGUNDA CASA, LÁ ENCONTREI CASA, FAMÍLIA, AMOR E PAZ! 
Para recordar um pouco mais do momento do meu retorno ao Brasil veja também o post: Voltando do Irã: As lições aprendidas durante a viagem. 

Finalmente, obrigada a todos os amigos do Brasil e do Irã  que me deram todo tipo de apoio nesta aventura e a todos que tiveram a paciência e o carinho de acompanhar os relatos da minha viagem!  


Viagem ao Irã: De Karaj à Teerã

Torre Azadi, Teerã
Salam amigos da Pérsia! Em primeiro lugar quero pedir desculpas pela demora em atualizar o blog neste período exaustivo de final de ano. Mas finalmente no post de hoje  vou narrar o episódio da minha saga rumo à capital do Irã!
Dia 10/09/13: Minha primeira manhã na casa de minha família em Karaj. Afsaneh me acordou às 7:00, porque o dia ia ser longo. Afinal a hora de voltar para casa estava chegando e eu ainda não havia visitado Teerã. Após o desjejum matinal saímos de casa sob a manhã ensolarada. Pegamos um taxi e uma lotação até a estação de trem de Karaj. Seria minha primeira viagem de trem no Irã! Como era um dia de semana, a estação estava lotada e sem a ajuda de Afsaneh eu não conseguiria nem sair do lugar. Os bilhetes de duas viagens custam em torno de 550 tomans (algo como 50 centavos) uma bagatela que me impressionou em comparação com o valor do nosso transporte público. Os trens me surpreenderam, eram modernos, os vagões tinham dois andares e os das extremidades eram reservados só para mulheres. Eu e Afsaneh obviamente entramos em um desses no andar de cima. As cadeiras são dividas em duas fileiras de três. Ao nosso lado estavam uma mãe com sua filhinha ruiva e uma moça carregada de livros em francês. As pessoas olhavam com simpatia quando eu e Afsaneh conversávamos em "portunhol", mas não faziam tantas perguntas. Senti que ali o efeito khareji era menor. Pela janela de um trem, a paisagem iraniana não me pareceu tão diferente da região metropolitana de São Paulo  a não ser pela cadeia de montanhas áridas e acinzentadas no horizonte.
Estação de trem em Karaj (Imagem: NORINCO International)
Nos vagões, embora seja proibido, as mulheres vendem de tudo. Roupas íntimas, doces, salgadinhos, maquilagem, bugigangas made in china e bijuterias que lembram aquelas dos camelôs da Rua 25 de Março. Elas empurram sem dó. É tudo tão barato que as meninas se debruçam como loucas para ver as mercadorias que as vendedoras como num passe de mágica puxam de dentro de suas bolsas ou debaixo de seus chadores. Havia uma senhora  vendendo um pão, que Afsaneh queria muito que eu provasse. Como eu só tinha notas grandes na minha bolsa, aconteceu algo incrível. Todas as moças que estavam sentadas do nosso lado começaram a juntar os trocados para que eu provasse aquele pão! Porém no instante que a senhora ia me entregar o pão, o trem chegou na estação, a porta abriu e ela desesperada quase vai embora e nos deixa sem o pão. Sorte que Afsaneh correu atrás dela e conseguiu alcançá-la antes que saísse do vagão! O pão era mesmo macio e delicioso com uma cobertura adocicada de ovos e serviu para matar a nossa fome ao longo do trajeto de uma hora entre Karaj e Teerã.
Chegando em Teerã fizemos a baldeação para o  metrô. Não é tão diferente do nosso. As linhas tem a mesmas cores e as pessoas tem as mesmas caras cansadas também. Dentro do vagão algumas moças deixam o véu cair livremente mostrando seus cabelos sempre bem cuidados, volumosos e estilosos com franjas grandes e mechas em várias tonalidades diferentes. Ali também deparamos com a mesma cena das moças vendendo de tudo. Enquanto as meninas experimentavam diferentes tonalidades de lápis de olho, Afsaneh aproveitou para fotografar disfarçadamente um pequeno flagrante dessa cena para mim.

Eu no metro de Teerã...
As moças experimentam os produtos das vendedoras ambulantes..
Finalmente desembarcamos na estação Azadi. Do lado de fora o calor era implacável, o clima seco e a poluição extrema não nos deixa ver as montanhas ao fundo. Pude ver a silhueta da Torre Milad ao longe encoberta pela bruma. Antes do nosso passeio, Afsaneh foi resolver resolver uns assuntos burocráticos em um escritório onde era necessário entrar de chador e eu fiquei esperando  por ela em um ponto de ônibus vazio. Como os assentos de metal aquela altura se igualavam a chapas de fritar fiquei sentada em um murinho na sombra, olhando para a rua e fazendo anotações em meu caderninho.
Quando Afsaneh voltou fomos visitar o nosso primeiro destino, a maravilhosa Torre Azadi . Após atravessar a rua onde os carros passam a centímetros da gente sem atropelar, entramos na grande praça onde se localiza o principal marco da cidade de Teerã. Este monumento histórico foi erigido em 1971 em comemoração aos 2.500 anos do Império Persa, e antigamente era chamada de Torre Shahyad ("Memorial dos Reis"). Como ele se situa na praça que foi o palco da Revolução, em 1979 ela passou a se chamar Azadi ("Liberdade"). O jovem arquiteto bahai, Hossein Amanat que a projetou, foi escolhido em um concurso promovido pela rainha. A beleza singular da Torre Azadi com seus 45 metros de altura, resulta da combinação de elementos arquitetônicos do período Sassânida e da arquitetura islâmica. Seu exterior é inteiramente revestido de mármore branco de Isfahan, à noite ela é iluminada por um jogo de luzes que infelizmente eu não tive a oportunidade de ver. Quando passamos por baixo do arco entre as duas pernas da torre, vemos um belíssimo padrão geométrico que se transforma a cada mudança de ângulo. Dentro da torre há um museu que abriga exposições de arte contemporânea, pedras preciosas, instalações interativas moderníssimas, um teatro e um mirante de onde podemos contemplar um maravilhoso panorama de Teerã. Para acessar o alto da torre há um elevador e escadas onde podemos ver a estrutura interior da torre.

A Torre Milad ao fundo, encoberta pela poluição
Eis a Torre Azadi, o grande marco de Teerã!
Lateral da Torre Azadi
Vista  por baixo do arco
Interior da torre, no mirante
Vista panorâmica de Teerã
As ruas de Teerã são apinhadas de motocicletas, táxis e gente por toda a parte. A maioria dos motociclistas não usa capacete e como em outras cidades do Irã, costumam levar na garupa até 2 pessoas na mesma moto! Quando íamos atravessar uma rua eu encarava para eles com medo de ser atropelada, e alguns pensando que estavam sendo paquerados davam piscadinhas marotas para mim.
Em seguida pegamos mais um metro e chegamos na rua onde se localiza o Museu Nacional do Irã ao lado do famoso portão do Bagh-e Melli (Jardim Nacional). Na verdade, são dois o museus,  Museu Arqueológico e o Museu de Artes  (que se encontrava fechado para reformas). Neste caso, visitamos apenas o arqueológico, onde já foi de imensa valia conhecer os artefatos históricos desde cerâmicas da pré-história a esculturas do período Sassânida. A própria entrada do museu representa um arco abobadado tipicamente persa anterior à influencia islâmica. Todas as peças são originais minuciosamente restaurados. Na sala do período Aquemênida podemos ver algumas peças originais de Persépolis, como as figuras de animais guardiães o mural com figuras de soldados e até mesmo um pedaço de uma coluna na sua cor original de granito, fiquei perplexa ao ter que re-imaginar o sítio arqueológico que eu visitara semanas. 
Bagh-e Melli, Teerã
Museu Nacional de Teerã
Arco abobadado, na entrada do Museu Arqueológico
Escultura de touro original restaurada do período Sassânida
Cerâmicas pré-históricas do Irã
Um mural de Persépolis em sua cor original (granito negro)
Uma coluna  original de Persépolis (cortada) 
Depois dessas duas visitas interessantíssimas, paramos para o almoço em um restaurante tradicional. chamado Ayaran. Eu e Afsaneh pedimos o meu kebab favorito de frango, aquele que é servido com arroz e tomate assado. O restaurante tinha uma linda decoração que lembrava tendas nômades. A música ambiente ficava por conta de um telão onde assístiamos a um concerto de Mohammad Reza Shajarian.
Depois do delicioso almoço, fomos visitar o Museu do Cristal e da Cerâmica, que se localiza em uma línda mansão da era Qajar que no passado abrigava a Embaixada do Egito. O acervo é composto por peças como pratos, garrafas, instrumentos médicos. Um dos que mais me chamaram a atenção foram os vasos de lágrimas. Na saída encontramos Ahmad, um rapaz amável, amigo de Afsaneh que foi o motorista de um querido amigo nosso que esteve no Irã no ano passado. Mas com a crise econômica que o Irã enfrenta recentemente, Ahmad teve que vender o carro que usava para trabalhar.

Museu do Cristal e Cerâmica
Interior do Museu do Cristal e Cerâmica

Vasos e garrafas de vidro
Vasos de lágrimas
 Depois de nos despedirmos de Ahmad,  pegamos um outro taxi até o complexo palaciano de Golestan (que em persa significa "Jardim das Rosas") que foi a residência oficial da dinastia Qajar. Um dos pontos negativos é que atualmente ele parece engolido pelos feiosos edifícios contemporâneos construídos ao redor. Visitamos o terraço conhecido como Takht-e Marmar ("trono de mármore"), onde foram coroados reis de dinastias sucessivas. O próprio trono que ainda existe ali é uma obra de arte, esculpido em mármore de Yazd, sustentando por quatro fileiras de espetaculares estatuetas. Em seguida entramos em um outro terraço intitulado Khalvat Karim Khani que contem um trono menor e uma fonte de mármore, era o local onde o xá Nasser ol Din costumava relaxar e fumar seu geliun.

Palácio de Golestan
Fachadas decoradas com fabulosos azulejos
Takht-e Marmar ("Trono de Mármore")
Khalvat Karim Khani
Shams ol-Emareh
Por fim adentramos o Talar Salam, um salão real, no qual para entrar temos calçar uma espécie de pantufa de pano sobre os sapatos, para não estragar os preciosos mosaicos que revestem o piso e como de praxe proibido fotografar (já que não temos fotos, veja um tour virtual no final do post). Subimos as escadas e no salão superior cujo teto é revestido por espelhos e lustres que parecem joias vemos um acervo com os artigos finíssimos presenteados pelos embaixadores europeus ao Shah, pinturas do mestre Kamal ol Molk e o próprio trono dourado encrustado de jóias do imperador da Pérsia. Outros edifícios famosos que compõem o Palácio de Golestan requerem ingressos separados para visitar. Mas não posso deixar de lado um comentário sobre o Shams ol Emareh, um edifício de beleza estonteante totalmente decorado por azulejos coloridos no exterior. A altura deste palácio  reflete a influência do estilo arquitetônico europeu que começava a ser cobiçado pelo xá da Pérsia. Após a visita do palácio, antes de partir para a habitual loucura do Bazar  ficamos sentadas no jardim ouvindo a relaxante música tradicional persa e observando a cena corriqueira das pessoas que fazem piquenique embaixo das árvores.
Chegamos no Bazar por volta das 16:00. Devo ter dito que no Irã às lojas fecham no período da tarde após o almoço e voltam a abrir mais tarde. Para fazer compras no tumultuado ambiente dos bazares iranianos um turista tem que se preparar psicologicamente. Ao redor do Grande Bazar de Teerã encontramos pessoas que vendem  de tudo que se possa imaginar para sobreviver. Camisas, lenços, meias e carteiras  por menos de 1 dolar. Também não pude deixar de notar algumas mulheres com os trajes típicos do sul pedindo esmolas. O calor é tanto que algumas pessoas desmaiam no meio das calçadas, precisamos tomar um refresco de talebi para repor as energias.  O Bazar em si, pra mim já não era nenhuma novidade, depois de visitar outros similares em outras cidades. Temperos, doces, roupas, utensílios domésticos e artesanatos se embaralharam diante dos meus olhos. Como de costume comprei poucas coisas. Essa coisa de pechinchar me dá muita preguiça, mais uma vez se não fosse Afsaneh ao meu lado eu nem ousaria entrar no Bazar sozinha.
Para voltar para casa pegamos um taxi até o metro. Na hora do rush, Teerã é idêntica a São Paulo. As pessoas já fincam o pé na porta para conseguirem assentos. Mas diferente daqui algumas pessoas vão tranquilamente sentadas no chão ocupando todo o corredor. Esperamos por um outro trem que dessa vez ia sem parada até Karaj. Só me vi sendo jogada para dentro do vagão espremida pela multidão de mulheres de véu. Mas por sorte eu e Afsaneh conseguimos nos sentar e engamos a fome com uma espécie de pipoca colorida.
À noitinha, já em casa nunca vi tantas pessoas reunidas. Todos os parentes de Afsaneh vieram nos visitar. O jantar foi servido numa  sofreh  que ocupava a sala inteira. Os homens tocavam violão e tonbak e se divertiam cantando. Estavam presentes Ashraf e Nader e os filhos. Os meninos Alireza e Mohammad Amin também vieram com seus pais e não me deixavam só nenhum minuto. Mostravam seus tablets com fotos, videos e desenhos, enquanto eu tentava contatar outras pessoas pelo skype no notebook do quarto. 
Enquanto comíamos uma deliciosa sopa de leite com a habitual porção generosa de frutas na sofreh, um dos meus amigos de Teerã, chamado Amin me ligou pedindo desculpas por não poder me encontrar (estava com problemas familiares). Uma pena, eu não conseguir passar mais tempo no Irã. Infelizmente tive que ir embora sem conhecer todos os meus amigos. Apesar de não falar o mesmo idioma, me sinto quase um membro dessa família de Karaj... Esta viagem  está quase chegando ao fim, no próximo post vou narrar meu último dia no Irã, segura o chororô. Be omide didar!

>>Que tal um pequeno passeio virtual pelo magnífico Talar e Salam?