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Shams e Rumi, "Além do amor terreno"

Shams Tabrizi cujo nome significa o "Sol" de Tabriz, foi o mestre espiritual de Rumi. A relação entre o mestre e o discípulo, é motivo de controvérsias, alguns chegam a alegar que ambos eram amantes. No site Dar al Masnavi  há alguns esclarecimentos sobre essa questão: "Primeiro de tudo, é necessário entender que na poesia sufi persa, a palavra "amante"[ashiq] significa ser um amante de Deus. E os caminhos do sufismo veem o místico como um amante e Deus como o Amado. Portanto, "os amantes" são amantes de Deus. Então neste sentido Mevlana (Rumi) e Shams certamente eram "amantes (espirituais)". 

Shams e Rumi, pintura de Mahmoud Farshchian
Ó Shams, 
Estou tão inebriado com teu amor 
Que perdi o mundo inteiro. 
Ao lado do doce sabor de teu vinho 
Nenhuma história ficará por ser contada.
(...)
Por isso guardo-o comigo, escondido no peito. 
Maravilhoso Shams, Sol de Tabriz! 
És em tudo merecedor de ti mesmo, 
como o Sol!
(...)
Oh amigo, você não vê? 
Sua face está brilhando com luz. 
O mundo inteiro se embriagaria 
Com o amor encontrado em seu coração. 
Não corra para lá ou para cá 
Buscando ao redor de você – 
Ele está em você. 
Existe algum lugar onde o sol não brilha? 
Existe alguém que não pode ver a lua cheia? 
Véu sobre véu, pensamento sobre pensamento – 
Deixe-os todos irem, 
Pois eles apenas ocultam a verdade. 
Uma vez que você vê a glória 
De sua face semelhante à lua, 
Que desculpas você teria 
Para a dor e a tristeza? 
Qualquer coração sem seu amor - 
Mesmo o coração de um rei – 
É um caixão para cadáveres. 
Todos podem ver a Deus 
Com seu próprio coração – 
Todos os que não estão mortos. 
Todos podem beber 
Das águas da vida 
E conquistar a morte para sempre. 
O véu da ignorância 
Cobre a lua e o sol; 
Ele até faz o amor pensar, ‘Eu não sou divino.’ 
Oh Shams, Luz Fulgurante de Tabriz, 
Existem ainda, alguns segredos teus 
Que nem eu posso contar.

Em sua luz 
Eu aprendi a amar. 
Em sua beleza 
Aprendi a fazer poemas. 
Você dança dentro do meu peito 
Onde ninguém o vê 
Mas às vezes, eu o vejo 
E esta visão 
Se transforma nesta arte.

Trechos do Divan-e-Shams de Rumi


2 comentários

  1. Salam, Jana Jan!

    estava preocupada com o seu sumiço....do chá delicioso também. Ainda bem que estás aí, nesse mundo tão perto e distante.
    Beijos...

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    Respostas
    1. Salam, Denise jan! Eu não sumi não... apenas ando numa correria total, aguarde surpresas em breve!
      Estes poetas magníficos sempre me lembram você!
      Bause!

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