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Mansour Bahrami, um super atleta comediante!

Conheça as proezas de Mansour Bahrami, um ex-tenista profissional iraniano naturalizado francês que foi campeão dos Jogos da Ásia em  Teerã, 1974. Além de seu talento inquestionável no esporte ele também é um grande comediante. Só que ele exerce esse segundo dom dentro das quadras mesmo! Veja esse vídeo:  


Shams e Rumi, "Além do amor terreno"

Shams Tabrizi cujo nome significa o "Sol" de Tabriz, foi o mestre espiritual de Rumi. A relação entre o mestre e o discípulo, é motivo de controvérsias, alguns chegam a alegar que ambos eram amantes. No site Dar al Masnavi  há alguns esclarecimentos sobre essa questão: "Primeiro de tudo, é necessário entender que na poesia sufi persa, a palavra "amante"[ashiq] significa ser um amante de Deus. E os caminhos do sufismo veem o místico como um amante e Deus como o Amado. Portanto, "os amantes" são amantes de Deus. Então neste sentido Mevlana (Rumi) e Shams certamente eram "amantes (espirituais)". 

Shams e Rumi, pintura de Mahmoud Farshchian
Ó Shams, 
Estou tão inebriado com teu amor 
Que perdi o mundo inteiro. 
Ao lado do doce sabor de teu vinho 
Nenhuma história ficará por ser contada.
(...)
Por isso guardo-o comigo, escondido no peito. 
Maravilhoso Shams, Sol de Tabriz! 
És em tudo merecedor de ti mesmo, 
como o Sol!
(...)
Oh amigo, você não vê? 
Sua face está brilhando com luz. 
O mundo inteiro se embriagaria 
Com o amor encontrado em seu coração. 
Não corra para lá ou para cá 
Buscando ao redor de você – 
Ele está em você. 
Existe algum lugar onde o sol não brilha? 
Existe alguém que não pode ver a lua cheia? 
Véu sobre véu, pensamento sobre pensamento – 
Deixe-os todos irem, 
Pois eles apenas ocultam a verdade. 
Uma vez que você vê a glória 
De sua face semelhante à lua, 
Que desculpas você teria 
Para a dor e a tristeza? 
Qualquer coração sem seu amor - 
Mesmo o coração de um rei – 
É um caixão para cadáveres. 
Todos podem ver a Deus 
Com seu próprio coração – 
Todos os que não estão mortos. 
Todos podem beber 
Das águas da vida 
E conquistar a morte para sempre. 
O véu da ignorância 
Cobre a lua e o sol; 
Ele até faz o amor pensar, ‘Eu não sou divino.’ 
Oh Shams, Luz Fulgurante de Tabriz, 
Existem ainda, alguns segredos teus 
Que nem eu posso contar.

Em sua luz 
Eu aprendi a amar. 
Em sua beleza 
Aprendi a fazer poemas. 
Você dança dentro do meu peito 
Onde ninguém o vê 
Mas às vezes, eu o vejo 
E esta visão 
Se transforma nesta arte.

Trechos do Divan-e-Shams de Rumi


Atores Iranianos: Reza Naji

Reza Naji
Mohammad Amir Naji, também conhecido como Reza Naji é mais do que um ator, é uma figura emblemática do cinema iraniano. Nascido em Tabriz no ano de 1942, Naji começou sua carreira no teatro, quando ainda era adolescente. Enquanto servia o exército, ele continuou a atuar em diferentes papéis. Seu primeiro papel em um filme, foi  justamente em 1997 em "Filhos do Paraíso", o primeiro filme iraniano a concorrer ao Oscar. Para fazer o papel do pai do casal de irmãos Ali e Zahra, o diretor Majid Majidi buscava por um ator com  sotaque azeri e Naji foi cuidadosamente selecionado de um grupo de 2.500 candidatos. Desde então, ele tem atuado em diversos filmes também dirigidos por Majid Majidi. Por sua atuação em "A Canção dos Pardais " (2008) Reza Naji ganhou o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim.

>>Veja alguns dos papéis mais conhecidos do ator: 

Filhos do Paraíso, 1997 (o pai)
Baran, 2001 (Memar)
Entre Luzes e Sombra, 2005 (Morteza)
A Canção dos Pardais, 2008 (Karim)
(Baseado em Wikipedia)


Um passeio pela cidade de Mashhad

Mashhad é: uma cidade santuário, local de peregrinação dos xiitas e local de nascimento de grandes personalidades como o lendário poeta Ferdowsi e o grande músico Mohammad Reza Shajarian. Ao mesmo tempo Mashhad é: moderna, chic, badalada, pulsante e jovial! Com vocês flashes da segunda maior cidade do Irã:




O novo Museu do Mestre Kamalolmolk

Palácio de Negarestan, o mais novo museu de Teerã
O Palácio de  Negarestan, um monumento da era Qajar localizado próximo da Praça Baharestan em  Teerã, acaba de ser transformado em um museu para abrigar as obras do grande pintor Kamalolmolk (1847-1940) e seus discípulos. O edifício histórico foi adaptado pela prefeitura de Teerã e inaugurado na última terça-feira.Segundo um dos responsáveis pela criação do museu, "Kamalolmolk se inspirou na cidade de Teerã na maioria de seus trabalhos e suas pinturas das colinas e do Palácio de Golestan, refletem a atmosfera e cultura de Teerã naquela época".
Segundo o artista Parviz Kalantari, ele é lembrado com um mestre e um dos destaques no desenvolvimento das artes visuais no modernismo em Teerã. Nas palavras do artista e crítico Aydin Aghdashlu, Kamalolmolk é um dos maiores pintores da história da arte iraniana. "Ele é precioso por causa de seus trabalhos e de sua posição. Dificilmente encontramos um pintor que teve fama e uma boa posição enquanto ainda era vivo, uma vez que a maioria dos artistas ficaram famosos anos após a morte... "

Jardim do Museu
Interior do museu com obras de Kamalolmolk e seus discípulos
Mohammad Ghaffari, mais conhecido como Kamal-ol-Molk, nasceu em  Kashan em 1847 de uma família fortemente ligada às artes, e foi sem dúvida dum dos artistas mais proeminentes do Irã. Seu tio  Mirza AbolHassan Khan Ghaffari, conheico como Sanee-ol-Molk,  um celebrado pintor do séc. XIX apelidado de Michelangelo da Persia, foi inigualável em seus retratos em aquarela. Seu pai, Mirza Bozorg Ghaffari Kashani, foi o fundador da escola de pintores do Irã e tambum um artista famoso. Seu irmão, AbuTorab Ghaffari, também era um pintor distinto nesta época.. Mohammad desenvolveu seu interesse pela caligrafia e pintura desde a juventude. Em sua infância ele já adorava desenhar com carvão nas paredes de seu quarto. Alguns desses desenhos ainda  hoje podem ser vistos nesta mesma casa. Ele estudou em Teerã na escola  politécnica Dar ol Fanun e devido a seu rápido progresso foi chamado para ser o pintor real de Nasruddin Shah aos18 anos de idade, de quem recebeu o título de Kamal-ol-Molk (o maior mérito). Em 1896, foi enviado a Europa para continuar seus estudos em Paris, Florença e Versalhes. Ao voltar para o Irã 1898 foi invejado por alguns membros da corte real, e por isso teve que fugir para a cidade de Karbala no Iraque  alegando motivo de peregrinação onde permaneceu durante algum tempo. Após seu falecimento em 1940 foi enterrado na cidade de  Nishapur junto ao túmulo do poeta  sufi Attar.

Veja algumas pinturas famosas do mestre Kamalolmolk:

Auto-retrato de Kamalolmolk (1921)
Salão dos espelhos do Palácio de Golestan  (1882)
O Subúrbio de Dushan Tappe, Teerã (1899)
Meninas mendigas (1889)
O Ferreiro, s.d
Os Adivinhos de Bagdá, s.d
Baseado em Payvand News e  Wikipedia


Sirvan Khosravi - Doost daram zendegi ro

Sirvan Khosravi é um jovem cantor, compositor e artista pop nascido em Teerã. Ele começou sua carreira musical aos 11 anos e é o irmão mais velho do cantor Xaniar Khosravi. Atendendo a pedidos um sucesso do pop iraniano com letra e tradução, Doost Daram Zendegi ro de 2013.



Tradução: Eu amo a vida!

Uma manhã, uma voz em meus ouvidos diz
Seus segundos estão passando
Viva hoje! Amanhã é tarde demais
A garoa cai no beco e na rua
Uns estão rindo e outros estão tristes
Esta é a vida, toda sua beleza é por causa disso
O sol e a luz, as nuvens distantes
Tudo que está na terra e no céu
Me dá motivação
Deixe ir o ontem e viva o hoje
Todo dia é uma vida nova, um novo começo

Eu amo a vida, eu amo a vida!
Boa ou ruim, que seja fácil ou difícil, eu não vou desanimar
Porque eu amo a vida, eu amo a vida!

Abra seus olhos
Olhe para si mesmo e para o mundo
Se há um objetivo em seu coração
O mundo todo estará em suas mãos
A estrada da vida irá construir seus pesadelos e sonhos
Uns estão acordados e outros estão dormindo
Escolha o seu caminho, isto é uma opção
Se você ver as nuvens negras
Se você tem medo do futuro
Levante-se e voe para os horizontes distantes
Não diga que você vai perder o jogo do destino
Se você quiser, você construirá o futuro
Então erga suas mãos e diga

Eu amo a vida, eu amo a vida! 
Boa ou ruim, que seja fácil ou difícil, eu não vou desanimar
Porque eu amo a vida, eu amo a vida!

Tradução baseada em: AllTheLyrics


O capitão Nekounam na luta contra o câncer infantil

Javad Nekounam, capitão da seleção iraniana
O capitão da Seleção de futebol do  Irã,  Javad Nekounam recebeu um título muito especial nesta quarta-feira: uma faixa de capitão na luta contra o câncer infantil. Nekounam que também  joga pelo time Esteghlal junto com o goleiro do Persepolis Alireza Haghighi bateram uma bolinha com as crianças do Centro de Apoio e Tratamento Mahak
Estas foram as palavras do capitão Nekounam sobre esse dia: "Nós devemos tornar o sonho das crianças realidade. Eu estou feliz por estar aqui com elas hoje. Espero que eles lembrem deste dia para sempre (...) Meu sonho é ver estas crianças ao lado de suas famílias. Espero que elas possam ser curadas o mais rápido possível". 
E sobre sua nova faixa de capitão ele acrescentou:  "Eu vou guardá-la para sempre. Este é um dos presentes mais valiosos que eu já recebi. Vou colocar na minha coleção de faixas [de capitão]."
Nekounam e Haghighi provavelmente estarão jogando aqui no Brasil junto com a Seleção Iraniana na Copa de 2014. 


Alireza Haghighi, goleiro do Irã



Fonte: Payvand News


"Shahnameh: O Épico dos Reis Persas" adaptado para a atualidade

O Shahnameh ("Livro dos Reis"), escrito há cerca de 1000 anos atrás pelo poeta Ferdowsi é considerado um épico dos persas e permanece até hoje como uma inegável obra-prima da literatura mundial. Mas quantas pessoas hoje em dia tem conhecimento deste livro ou chegaram a lê-lo? O documentarista e artista gráfico iraniano Hamid Rahmanian, pensando nessa questão resolveu adaptar este clássico em um magnífico livro ilustrado. Veja alguns trechos de uma entrevista com Rahmanian explicado a importância de seu trabalho e o que ele revela sobre o Irã de hoje:

Qual é o significado deste livro ser lançado em um momento tão crucial da história do Irã?

O que as pessoas aqui no ocidente sabem sobre o Irã é principalmente sobre política. Muito poucas pessoas sabem algo além disso sobre o país. Este livro oferece uma visão mais sofisticada sobre a contribuição do Irã para a civilização e  traz uma visão mais abrangente sobre sua cultura, arte e história.

O que este livro acrescenta para nosso conhecimento sobre a história e cultura do Irã?

Em termos de ilustração, eu tomei como referência mais de 500 anos de cultura visual do Irã e seus vizinhos, o Império Otomano, Ásia Central e Índia Mogol que foram influenciados pela pintura iraniana do final do séc. XIV a metade do séc. XIX. Eu desconstruí centenas de miniaturas e litografias, depois as juntei em milhares de elementos em novas ilustrações, assim como um DJ junta diferentes sons para criar uma música nova. Para aqueles que não conhecem a obra, é uma introdução à arte da região. Para aqueles que já conhecem é algo totalmente novo partindo do familiar.

Este livro traz ao leitor algum conhecimento sobre a cultura do Irã atual ?

O Shahnameh sempre foi parte da sociedade iraniana. Até mesmo os políticos da oposição usam histórias do Shahnameh para ganhar popularidade. Através do texto há uma busca pela justiça, que ressoa fortemente com as lutas do cenário político atual. 

Esta versão do Shahnameh pode ser  uma boa janela para quem não é muito conhecedor da cultura iraniana?

Com certeza. Os leitores se recordarão de outras mitologias do mundo.O texto tem uma qualidade universal com a qual todos podem se relacionar. As histórias de mil anos atrás são fascinantes. Há desde histórias de amor, tragédias clássicas a heróis hercúleos como Rostam que conduz o leitor a jornadas perigosas. É um texto clássico, mas também é a espinha-dorsal da cultura persa e uma maravilhosa introdução para quem não conhece essa região. É uma leitura divertida e agradável e as mais de 500 imagens conduzem o leitor através do livro como um filme.  

Há alguma relação entre as belíssimas ilustrações deste livro com a arte de contar histórias na cultura iraniana?

As histórias do Shahnameh foram ilustradas antes mesmo que Ferdowsi as terminasse de escrever no séc. X. Da nobre arte da iluminura e miniatura até  as populares pinturas nas casas de chá, os artistas usaram estas histórias como inspiração por centenas de anos. Os reis patrocinavam edições ilustradas para presentar outros chefes de estado e  telas grosseiramente pintadas eram usadas como pano de fundo pelos contadores das vilas para o público local. Por alguma razão, esta longa tradição cessou há cerca de 150 anos atrás. Nosso novo Shahnameh  pode ser uma possível restauração desta prática.


Há algum paralelo entre estas histórias antigas e as tragédias e triunfos do Irã atual?

Sim. Na historia de "Kaveh, o Ferreiro", este humilde artesão levantou um exército contra o tirano rei serpente, Zahhak. Muitas pessoas hoje em dia, usam esta história como um paralelo para o que está acontecendo hoje com o atual regime opressor.

Qual é o lugar do  Shahnameh original na literatura iraniana e na literatura mundial? 

O Shahnameh é muito importante. Ele é responsável por manter viva a língua persa após a invasão dos árabes no séc. VII. Embora tenha 1000 anos de idade, ainda pode ser lido pelas pessoas de hoje. A maioria dos iranianos conhecem as principais histórias e sabem recitar alguns de seus versos. Ele ainda é muito vivo e relevante no coração e na mente do povo. 

O quanto este livro é fiel ao texto e história originais? Qual é a diferença entre seu texto e o original?

Para traduzir o texto, nós trabalhamos com o Prof. Ahmad Sadri, que interpretou as histórias. Tivemos a visão de criar uma história de caráter cinematográfico que alguém sem nenhum conhecimento do Shahnameh poderia ler e entender facilmente. Um dos maiores desafios foi equilibrar a necessidade permanecer fiel ao texto original com a necessidade de fazê-lo interessante para o público moderno. Escolhemos os dois primeiros terços do Shahnameh porque este tem uma narrativa forte que o público pode acompanhar facilmente. Condensamos as histórias e fizemos elas andar mais rápido, editando aquelas que poderiam ser muito longas para um leitor do séc. XXI sem mudar a narrativa de Ferdowsi. 

Por que você decidiu fazer este projeto? 

Como um artista gráfico iraniano, eu sempre amei as ilustrações do Shahnameh - as miniaturas, pinturas e litografias. Eu queria fazer algo com elas há muito tempo mas eu nunca tive meio exato. Quando eu comecei a pensar sobre fazer alguma coisa com o Shahnameh, eu realmente tive a certeza que esta era a minha chance de explorar a paixão que eu tinha por essas imagens. O porquê de eu ter decidido usar o Shahnameh, foi por querer tirá-lo das mãos dos acadêmicos e apresentá-lo para o grande público. Há um grande interesse pela mitologia aqui no Ocidente, se você for para qualquer livraria, irá encontrar livros sobre todas as mitologias da terra, mas por alguma razão, a mitologia persa parece inacessível e não é representada no panteão das mitologias do mundo. Também, muitos jovens irano-americanos sabem alguma coisa sobre o Shahnameh mas poucos deles o leram. Nós achamos que esta poderia ser uma grande introdução para esta geração de iranianos que cresceram na América, uma forma de conectá-los as suas origens. 

Você acha que este livro tem potencial para se tornar um filme?

Com certeza. Com tantos  filmes e programas de  TV como Game of Thrones e O Senhor dos Anéis, o Shahnameh poderia definitivamente se encaixar neste nicho. Há muitas histórias que poderiam ser boas para este gênero. Mas se eu for mais longe, acho que eu poderia revelar meu próximo passo, então vou deixar para lá.  

(Adaptado da entrevista de Omid Memarian para o site The Huffington Post)

Mais informações em :



Makhmalbaf dedica seu prêmio a um sobrevivente do genocídio em Ruanda

Guillaume Nyagatare, Ruanda
Após receber um prêmio do 30º Jerusalem Film Festival, o diretor Mohsen Makhmalbaf chamou ao palco Guillaume Nyagatare, um dos cerca de cinquenta jardineiros que vieram para a exibição de seu último filme,  O Jardineiro.  Makhmalbaf dedicou o prêmio a ele dizendo:

"Este prêmio pertence a todos os povos que lutam pela paz entre  Irã, Israel e Palestina. Eu também gostaria de dedicar este prêmio a um dos personagens do filme, o Sr. Gillaume de Ruanda, na África, a pessoa que perdeu oito membros de sua família durante os genocídios em Ruanda, mas conseguiu superar o ódio e perdoar seu inimigos, até esquecer seus erros. No mundo cheio de ódio em que vivemos ele é um exemplo. Ele é uma pessoa semelhante a Gandhi e Mandella."

O último documentário diretor iraniano filmado principalmente em Haifa e em Jerusalém  explora o papel da religião na sociedade moderna e foi apresentado no Festival de Cinema de Jerusalém. Fazer um filme em Israel para um diretor iraniano é pouco habitual, uma vez que os iranianos não são autorizados a viajar para este país.

>>Veja o trailer do filme: 



A História do Irã em 5 minutos

Esta animação super didática mostra um resumo da sucessão de impérios que compõe a  História do Irã de 3200 a.C aos dias atuais. Mais de 5000 anos em 5 minutos!


Mais um Ramadan sem a voz de Shajarian?

Maestro Mohammad -Reza Shajarian,
e os versos em árabe do  Rabana 
Todo mês de Ramadan por mais de 30 anos, milhões de iranianos ligavam suas TVs ou aparelhos de rádio para ouvir uma oração especial pouco antes da hora do Eftar (quebra do jejum à noitinha). O nome dessa oração é Rabana ("Nosso Senhor", em árabe), uma performance de tirar o fôlego na voz do grande maestro Mohammad-Reza Shajarian, que consistia em  quatro seções de versos do Alcorão em árabe, começados com a frase "Nosso Senhor "e cantada como uma oração conjunta, com base em melodias tradicionais persas (ouça a recitação da Rabana no post: Ramadan: A Hora do Eftar com a voz de Shajarian).
Muitos iranianos religiosos consideravam esse momento como a  forma perfeita de agradecer a Deus e pedir sua misericórdia e perdão no final de mais um dia de dever religioso cumprido. E também milhares de não-crentes,  tem imenso respeito pelas preces Rabana. Alguns dos versículos recitados por Shajarian são:
"Nosso Senhor, concede-nos a mercê da tua presença, pois tu és o concessor de bênçãos sem medida... Nosso Senhor, acreditamos, então perdoa-nos e tem piedade de nós, pois tu és o melhor com aqueles que mostram misericórdia."
Mas, infelizmente este ano, durante o  Ramadã, no Irã, os fiéis com fome e sede à espera de Eftar ficaram desapontados mais uma vez por não ouvir Rabana transmitida por tantos anos pela emissora estatal Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB). Na verdade, a IRIB já havia interrompido a exibição da oração, há três anos, quando Shajarian declarou publicamente ser pró-oposição e deu uma entrevista à BBC Persian criticando a censura do governo aos artistas em  seu país.
No início da semana, Kamalodin Pirmoazen, um membro do parlamento iraniano, pediu a IRIB para continuar transmitindo a oração. O presidente recém-eleito do Irã, Hassan Rouhani, que deverá ser empossado no próximo mês, também é um admirador de Shajarian, a quem descreveu como um grande músico durante uma transmissão do debate ao vivo na televisão nacional. No entanto, Ali Darabi, vice-chefe da IRIB, indicou nesta terça-feira que Rabana permaneceria na lista negra da rede. "
Shajarian é um crítico ferrenho da IRIB, acreditando que a rede distorce a realidade e já havia escrito uma carta ao seu diretor, Ezzatollah Zarghami, que proíbe a rede de transmitir suas canções, exceto  Rabana
Então quem sabe no próximo Ramadan com o novo presidente, os iranianos terão de volta a voz de Shajarian na hora do Eftar?

(Adaptado de The Guardian)


Mohsen Chavoshi - Beraghsa

A mais nova música de Mohsen Chavoshi é inspirada na  poesia de Hafez e Rumi com arranjo folk azeri. Beraghsa é uma referência à "dança" mística devocional dos sufis. 


Omad bahâre jânha ey shâkhe tar beraghsâ
Chôn yusef andar omad mesr o sheker beraghsâ
Ey shâhe eshgh parvar mânande shire mâdar
Ei shir chushe dar rô jân e pedar be raghsâ
Omad bahâre jânha ey shâkhe tar be raghsâ
ey shâkhe tar be raghsâ
ey shâkhe tar be raghsâ
jân e pedar be raghsâ
jân e pedar be raghsâ...

Az pâ o sar boridi bi pâ o sar beraghsâ
Ey khush kamar beraghsâ...

Az eshgh tâjdârân dar charkh u chô bârân
Ân jâ ghabâ che bâshad ey khush kamar be raghsâ
dar daste jâm bâdeh omad botam piâdeh
Gar nisti to mâdeh zan shâhe nar beraghsâ

Omad bahâre jânha ey shâkhe tar be raghsâ
ey shâkhe tar be raghsâ
ey shâkhe tar be raghsâ
jân e pedar be raghsâ
jân e pedar be raghsâ
Az pâ o sar boridi bi pâ o sar beraghsâ
ey khush kamar be raghsâ
ey shâkhe tar be raghsâ
jân e pedar be raghsâ
jân e pedar be raghsâ
Az pâ o sar boridi bi pâ o sar beraghsâ
ey khush kamar be raghsâ...


Saudando o mês de Ramadan

Hoje tem início o Ramadan (em persa Ramazān), o 9° mês do calendário islâmico que corresponde ao período de 9 de agosto a 07 de julho em 2013. Nesta ocasião, muçulmanos de todo o mundo observam o jejum sagrado(sawn) que é um dos 5 pilares do Islã. O jejum é obrigatório para todos os muçulmanos adultos, com exceção daqueles que estão viajando, doentes, diabéticos e mulheres durante a gravidez, amamentação ou ciclo menstrual (que devem compensar os dias não jejuados em outra época do ano).
O  jejum vai desde o amanhecer até o pôr-do-sol,  no qual os muçulmanos devem se abster de consumir quaisquer alimentos, beber líquidos, fumar e manter relações sexuais, em algumas interpretações recomenda-se também abster-se de palavrões!  O desjejum (eftar) é feito durante a madrugada,  antes da alvorada e à noite após o crepúsculo.
Para saudar a chegada do Ramadã, os  muçulmanos do Irã costumam dedicar um dia  para uma faxina especial nas mesquitas. Veja algumas  fotos que  mostram a limpeza das mesquitas nas cidades de Arak e Qom.

Muçulmanos do Irã saudam a chegada do Ramadan...
Varrendo os tapetes...

Arrumando as pedrinhas de oração (mohr)...
Dobrando os chadors....
Lustrando os vitrais da mesquita... 
Polindo os azulejos...

(Fonte: Payvand News)

!رمضان مبارک 
Um Ramadan abençoado aos amigos da Pérsia!



Tabriz, terra dos nobres do Azerbaijão

Enquanto eu viver em  Tabriz, com duas coisas não precisarei me preocupar,A metade de um pedaço de pão e as águas do [rio] Mehranrud me bastam!
―Khaqani
Panorama da cidade de Tabriz
Tabriz é a quarta maior cidade e uma das capitais históricas do Irã, atualmente capital da província do Azerbaijão Oriental. Situada a uma altitude de 1.350m na junção do rios Quru e Aji, em um vale ao norte do monte Sahand e a sul da montanha Eynali, abrindo-se em uma planície que desce suavemente até o extremo norte do Lago Urmia, a 60 km a oeste. O imenso Lago Urmia é notável por suas águas e lama medicinais. Mais de um dia é necessário para ver as belezas de Tabriz, situada a 750 km de Teerã.
Com invernos frios e verões temperados a cidade é considerada um lugar ideal para férias de verão. Tabriz é a quarta cidade mais populosa no Irã (cerca de 2 milhões de habitantes) depois de Teerã, Mashhad e Isfahan , e é também um importante centro industrial no país. Era a segunda maior cidade do Irã até o final da década de 1960.
Esta cidade é o lar do segundo maior grupo étnico do Irã, os azeris (que falam um dialeto turco).  O idioma predominante falado em Tabriz é o dialeto azeri.  Porém, a maioria dos habitantes fala também o persa, que é a língua oficial do Irã e a única ensinada nas escolas.
Torre Sa'at (Relógio),
sede da administração municipal de Tabriz
Com uma história rica e turbulenta, Tabriz abriga muitos monumentos históricos, apesar de muitos deles terem sido danificados por sucessivas invasões e terremotos devastadores.  
Acredita-se que a primeira referência a Tabriz aparece em uma placa de pedra da época do rei assírio Sargão que se refere a um lugar chamado Castelo de Tauri e Tarmkis, que os historiadores pensam se tratar do local onde atualmente fica a cidade. Tabriz foi a capital regional do Azerbaijão entre o século III e a dinastia  Ilkhanida, sendo substituída durante um curto período por Maragheh. É sob essa dinastia que Tabriz conheceu o auge de sua glória (1270 - 1305), quando os soberanos construíram numerosos monumentos que atraíram muitos artistas e intelectuais. Novos muros foram construídos em torno da cidade, bem como edifícios públicos e caravançarais para servir aos mercadores da antiga Rota da Seda.
Em 1392, no fim do reino dos mongóis, Tamerlão saqueou a cidade que pouco depois foi reconstruída pela dinastia turcomana Aq Qoyunlu. Os Safávidas tomaram Tabriz em 1501 e a tornaram sua capital, entre 1502 e 1548, sendo que a capital do Irã foi transferida para Qazvin e depois para Isfahan. A partir dessa época e até o século XIX, a cidade entrou em um período de declínio em razão dos frequentes ataques dos otomanos e depois, dos russos que ocuparam a cidade  de 1826 a 1828.  Após a assinatura do Tratado de Turkmanchai, Tabriz foi devolvida ao Irã e tornou-se residência da dinastia Qajar, retomando a sua antiga prosperidade. A partir da metade do século XIX, quando o Irã começa a se abrir para o Ocidente, Tabriz se torna ponto de passagem entre o interior do país e o Mar Negro.
Tabriz também foi a residência de inúmeros escritores, poetas e artistas iranianos do passado e dos tempos modernos. Entre os antigos estão Shams de Tabriz, Qatran, Khaqani e os recentes Samad Behrangi, Gholam-Hossein Sa'edi e Parvin E'tesami. O famoso poeta iraniano azeri Mohammad-Hossein Shahriar também nasceu em Tabriz onde se localiza o seu magnífico túmulo, conhecido como Maqbaratoshoara. Em Tabriz também houve uma notável escola de miniatura persa que floresceu no final do séc. XIII.

Maqbaratoshoara, túmulo de Shahriar 
PRINCIPAIS ATRAÇÕES TURÍSTICAS: 


Arg-e Tabriz
Cidadela de Tabriz : (Arg-e Tabriz ou Arg-e Alishah) é um importante monumento que sobreviveu aos terremotos ao longo da história. Um marco notável que foi construído no início do séc. IV no lugar onde ficava uma grandiosa  mesquita demolida há 500 anos.

Khaneh Mashrouteh (Casa da Constituição) 
Casa da Constituição: localizada ao lado do Grande Bazar de Tabriz, na Avenida Motahari, foi durante  anos o local de encontro dos líderes da Revolução Constitucionalista (início do séc. XX).O prédio de dois andares foi construído em 1868 por Haj Me'mar Vali-e Tabriz.  A parte mais bela da casa é uma claraboia e um corredor decorado com vitrais coloridos e espelhos.

Mesquita Jameh (Sexta-Feira)
Mesquita Jameh: é uma grande mesquita conectada ao Bazar. Sua fabulosa arquitetura em blocos  trabalhados são herança das eras Seljúcida e Ilkhanida.

Masjid e Kaboud (Mesquita Azul)
Mesquita Azul : (ou Masjid-e Kaboud) localiza-se no norte da cidade, é uma estrutura do séc.XV parcialmente  destruída por um dos terremotos recorrentes.  As paredes da mesquita eram cobertas com lajes de mármore e decoradas com magníficos mosaicos alguns dos quais estão fortemente danificados. 

Igreja de Santa Maria ( Maryam Kelisa-ye Moqaddas)
Igrejas: Devido a presença de uma histórica comunidade armênia em Tabriz também é possível encontrar várias igrejas  cristãs, incluindo uma mencionada por Marco Polo em suas viagens. Atualmente há 6 igrejas em Tabriz, das quais as mais importantes são: Igreja de Saint Serkis, reformada em 1845, localizada no bairro de Barão Avak; a Igreja de Santa Maria (Maryam Kelesa-ye-e Moghaddas), concluída em 1785 na esquina entre as  avenidas  Shari-ati e Jomhuri.

Entrada do Museu do Azerbaijão
Museu do Azerbaijão: é um museu nacional que inclui diversas coleções de itens arqueológicos entre muitos objetos étnicos dos azeris.

Parque El Goli
Parque El Goli:  Tabriz tem 132 parques! E o mais famoso deles é o magnífico El Goli (antigo Shah Goli) construído em torno de um lago artificial. É um local ideal para um fim de semana onde se pode alugar um pedalinho e passear pelo lago. No centro do lago há um grande edifício hexagonal. Provavelmente sua construção foi  iniciada durante o reinado da dinastia Aq Qoyunlu e concluída pelos Safávidas.

Grande Bazar de Tabriz
Grande Bazar: localizado no centro de Tabriz, é  uma atração imperdível, já que a cidade tem uma grande tradição comercial e foi nomeado como  Patrimônio da Humanidade em 2010. Apesar de ele ter encolhido na sua variedade de produtos, ainda um ótimo lugar para quem  quer se perder  em meio a sua arquitetura esplendorosa. O bazar é  uma dos edifícios mais antigos da cidade e remonta ao final da dinastia Zand (1750-1779 d.C).  Tabriz também é famosa por seus tapetes de alta qualidade muito valorizados no mercado mundial, objetos de prata, artefatos de seda regional e uma grande variedade de especiarias. Também há outros grandes centros comerciais como os calçadões nas ruas Tarbiyat,  Shahnaz e Ferdowsi.

Outras atrações famosas nos arredores de Tabriz

 Kandovan: Um vilarejo de 700 anos, a  40km a sudeste de Tabriz,  que é conhecido como a Capadócia do Irã com suas famosas habitações e um hotel escavados nas rochas. (Veja o post: Não é a Capadócia, é Kandovan no Irã!.)

Monastério de São Tadeu (Kara Kelisa): Conhecido também como a "Igreja Negra" também é um dos Patrimônios da Humanidade. A  265km  a NE de Tabriz, data do séc. X e foi restaurado no séc. XIV após um terremoto na região. Mas a maior parte de sua arquitetura atual é resultado de restaurações no séc. XIX. Monastério de São Stepanos: Um monastério armênio construído durante a dinastia Safávida próximo ao rio Aras, na fronteira entre Irã e Armênia. (Veja o post: Existem igrejas no Irã?)

CULINÁRIA: 
Alguns dos pratos típicos de Tabriz
Ash um tipo de sopa preparado com caldo de carne, legumes, macarrão e especiarias.
Chelow kabab: é o prato nacional do Irã, preparado com carne assada e tomate (pimentas ocasionalmente) servido com arroz . O Chelow Kebab de Tabriz é um dos mais famosos do Irã.
Dolma: é uma deliciosa receita tradicional do Azerbaijão. Preparado com berinjela, pimentão, tomate ou abobrinha recheado com uma mistura de carne, ervilhas, cebola e especiarias diversas.
Garniyarikh:  é uma espécie de Dolma recheada com carne, alho, amêndoas e especiarias .
Kofta Tabrizi:  é uma receita especial de Tabriz com a aparência de grande almôndega preparadas com uma mistura de carne moída, arroz, alho-porro e alguns outros ingredientes. 
Há também doces e biscoitos alguns dos quais são especialidades de  Tabriz, incluindo Ghorabiye, Tabrizi Lovuz, Eris, Nugha, Tasbihi, Latifeh, Ahari, Lovadieh, Lokum e outros.

Sites consultados: Iran Gasht TourIran ChamberBest Iran TravelDestination Iran e Wikipedia | Tabriz

>> Conheça mais encantos da magnífica Tabriz neste vídeo: 


Jafar Panahi, membro do júri do Oscar?

Jafar Panahi
Em 2013, o Irã teve motivos de sobra para odiar o Oscar com a premiação de um filme anti-iraniano direto da Casa Branca. Parece quem em 2014, haverá mais uma razão, a participação de um cineasta banido no país na Academia Hollywoodiana: 

O diretor iraniano Jafar Panahi, condenado pela Justiça de seu país em 2010 a seis anos de prisão domiciliar e a 20 anos sem fazer filmes, aceitou o convite para fazer parte da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood. O nome de Panahi estava entre as 276 pessoas convidadas para se juntar à Academia em 28 de junho. A instituição é responsável pela entrega do principal prêmio do cinema americano, o Oscar. Diretor de filmes como "O Balão Branco" (1995) e "O Círculo" (2000), Panahi está cumprindo pena por propaganda contra o governo do Irã.
"É uma honra para mim, ser convidado a entrar para uma organização tão prestigiosa", escreveu Panahi, em comunicado divulgado pelo documentarista Michael Moore. "Estou orgulhoso em aceitar o convite, em nome da grande família de cineastas iranianos, que tem firmemente representado o melhor das artes e da cultura do Irã, apesar das limitações às quais estão sujeitos."
"Eu entendo que ser membro da Academia me dá a chance de ver alguns dos melhores filmes de cada ano e votar em seus méritos. Para alguém em minha situação, proibido de fazer filmes, ver o trabalho de colegas de outros países é uma oportunidade que me alegra profundamente. Se estou impossibilitado de filmar por 20 anos, posso ao menos compartilhar das alegrias do cinema de maneira vicária."
Mesmo estando preso em casa, Panahi já conseguiu driblar o governo do Irã duas vezes. Em 2011, ele produziu "Isto Não É um Filme", filmado quase totalmente em seu apartamento, e, no ano passado, realizou "Closed Curtain".  (Fonte: FSP)

Uma pena  os diretores iranianos só serem notícia quando são alvo de polêmicas. Eu como boa admiradora da visão crítica do cinema, aprecio os filmes de Panahi, mas  continuo questionando os critérios do Oscar ...


Cinema Iraniano: O Silêncio

FILME DO MÊS:
"Não fales mais sobre o que aconteceu ontem. Não te preocupes com o que acontecerá amanhã. Não confie no futuro nem no passado. Viva o presente, não desperdice tempo." - Omar Khayyam


Khorshid (sol em persa) é um garoto cego que vive com sua mãe em uma casa perto de um rio no Tadjiquistão. Todos os dias, o proprietário da casa vem cobrar pelo aluguel. Khorshid tem que conseguir  o dinheiro, ou então ele e sua mãe serão despejados. Por ser cego, o garoto possui uma incrível sensibilidade para sons e por isso ele trabalha em uma oficina afinando instrumentos musicais. O único problema é que Khorshid é fascinado por sons e no caminho para o trabalho, sempre que ouve uma bela canção,  perde a noção do tempo e do lugar. Isso faz com que ele sempre chegue atrasado ao trabalho e receba broncas e puxões de orelha do seu chefe, um velho ranzinza. 
"O Silêncio" pertence a série de filmes poéticos do diretor Makhmalbaf, onde ele abandona a narração clássica e mostra alguns de seus temas favoritos usando o simbolismo da tradição Sufi. O  uso da música para alcançar o êxtase, a natureza, o espelho quebrado, a imagem repetida do rio, assim como a luz que vem de cima,  são  representações simbólicas de interpretações místicas do Islã  que surgem no decorrer do filme.  O espelho quebrado é um ícone emprestado da poesia de Rumi, que representa apenas uma parte da verdade. Todo mundo possui uma parte do espelho, ou seja, somente uma parte da verdade, mas acha que a tem toda. 
No Festival de Veneza, Makhmalbaf declarou: “O filme faz referência à minha infância. Minha avó que era muito religiosa sempre me dizia: se você ouvir a música, você vai para o inferno. Ela me fazia colocar os dedos no ouvido quando saía pela rua, para não escutar nenhuma música. Era para o meu próprio bem. A primeira música que escutei foi a 5ª  Sinfonia de Beethoven, e fui profundamente afetado pelo esplendor da peça. Desde então, as quatro notas ficaram em minha mente, como um poder magnético da música. Um ferreiro que trabalhava para nós disse que um dia, enquanto estava no ônibus, tinha tentado seguir um dos passageiros, pois se sentiu atraído pela música que ele estava a ouvir e se perdeu. Foi assim que eu tive a ideia para o filme” (Fonte: TELA TUDO Clube de Cinema)

O Silêncio (1998)
Irã, Tadjiquistão, França| Drama, Musical | 76 min.| cor
Direção: Mohsen Makhmalbaf
Título Original: Sokout
Título em inglês: The Silence
Elenco: Khorshid Narmatava, Nadereh Abdollahyava, Saadat Bouyava, Araz Mohammad Shir Mohammadi, Golbibi Ziadollahyava, Hakem Ghasem

>> Legendado em inglês



Foram os iranianos os primeiros agricultores da História?

Arqueólogo em uma escavação no Irã
Um estudo divulgado nesta quinta-feira na revista especializada Science indica que os primeiros habitantes das montanhas Zagros, no Irã, começaram a cultivar grãos entre 12 mil e 9,8 mil anos atrás, o que os coloca entre os primeiros agricultores do planeta. A descoberta vai contra a teoria de que a agricultura se desenvolveu na região mais ocidental do Crescente Fértil - faixa que compreende, atualmente, do Egito ao Irã - e depois se espalhou para as demais áreas, e sustenta outra, de que ela teve múltiplas origens.
"Durante algum tempo, o aparecimento da agricultura no Irã foi considerada parte de uma transferência cultural do oeste", diz Simone Riehl, da Universidade de Tübingen (Alemanha). "Essa opinião era, contudo, mais baseada na falta de informação de sítios no Irã", diz a cientista, ao se referir a limitações que eram impostas pelas autoridades iranianas para escavações na região.
Os sítios arqueológicos mais antigos com indícios de agricultura conhecidos até hoje ficam na Palestina, Síria e Turquia, todos também no Crescente Fértil. Estes têm cerca de 10,5 mil anos, ou seja, o descoberto no Irã pode ser ainda mais antigo.
​Com a liberação das pesquisas, arqueólogos podem descobrir a pré-história iraniana. Em uma dessas escavações, o time de Simone encontrou vasos com restos de plantas em seu interior. A análise desse material indica que o povo da região cultivava cereais como cevada, trigo e lentilha.
"Durante as últimas décadas, diversas escavações arqueológicas foram conduzidas no Oriente Próximo que levaram pesquisadores a considerar a possibilidade de que múltiplas regiões do Crescente Fértil começaram a cultivar cereais quase ao mesmo tempo, ao invés de uma única área como núcleo", diz Simone. "Isso não significa, obviamente, a exclusão da possibilidade de algum tipo de transferência de ideias e materiais entre diferentes grupos que povoavam o Crescente Fértil."

Fóssil de um grão de cevada encontrado no Irã
Fonte: Terra 


A vida é bela no Vilarejo de Ardeh

O vilarejo de Ardeh a cerca de 33 km a oeste da cidade de Rezvanshahr na província de Gilan, está localizada em um vale verde exuberante com belas paisagens naturais e um povo hospitaleiro e encantador. Enfim, um desses lugares em que beleza e a simplicidade resistem ao progresso devastador. Poderia ser muito bem o cenário de um filme, não? 












(Fonte: Payvand News)