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Palácio de Golestan, novo Patrimônio da Humanidade


O magnífico Palácio de Golestan (em persa Kakheh Golestân, "Palácio do Jardim das Rosas") foi a sede do governo da família Qajar, que chegou ao poder em 1779 e fez de Teerã a capital do país. Sendo o mais antigo dos monumentos históricos em Teerã, o palácio pertence a um complexo de edifícios reais localizados no interior das muralhas de adobe da Arg-e Soltanati, cidadela histórica da capital iraniana construída durante o reinado do rei Safávida Tahmasp I (1524 a 1576).
Em 1865, o Palácio de Golestan foi reconstruído por Haji Abol-hasan Mimar Navai, alcançando a sua forma atual. Durante a era Pahlavi (1925-1979),  esse palácio passou a ser usado para recepções formais, já que Dinastia Pahlavi  tinha construído sua residência no complexo palaciano de Niavaran. 
Entre 1925 e 1945, uma grande parte dos edifícios do complexo  palaciano de Golestan foram destruídos por ordem de Reza Pahlavi, a fim de ceder espaço para o plano de urbanização da moderna Teerã. No lugar dos antigos edifícios foram erguidas modernas estruturas em estilo comercial, durante as décadas de 1950 e 1960. Por fim, o que permaneceu do Palácio de Golestan é resultado de cerca de 400 anos de construção, que  incorporou uma integração bem sucedida entre o artesanato persa de períodos anteriores e a arquitetura com influências ocidentais.
Atualmente, o Palácio de Golestan é administrado pela Organização do Patrimônio Cultural do Irã. Após a Revolução Islâmica de 1979,  tornou-se um museu histórico e arquitetônico e finalmente, em 23 de junho de 2013  a UNESCO incluiu na Lista de Patrimônios da Humanidade.

Algumas construções do Palácio de Golestan: 

Takhte Marmar: o  "Trono de Mármore"
Khalvate Karim Khan: salão da residência do soberano Karim Khan Zand
Shams ol-Emareh: o edifício mais deslumbrante do complexo, construído por Nasruddin Shah 
Tâlâr-e Salâm: Salão de Festas
Salão dos Espelhos: com estátua de cera do pintor Kamal-ol-Molk em primeiro plano
Emarat-e Badgir:  edifício das "torres de vento"
(Baseado em Wikipedia)

>> Assista o vídeo com mais detalhes do interior dos edifícios do Palácio de Golestan:


"Miniaturas Persas" Tridimensionais

Não se pode falar em arte iraniana sem conhecer as preciosas miniaturas persas, como são conhecidas as pinturas em pequena escala feitas há séculos e ainda hoje. Essas pinturas, além da função de ilustração literária também retratavam entre tantos outros assuntos, aspectos do cotidiano. Que tal conhecer algumas miniaturas diferentes, feitas com bonecos e maquetes tridimensionais representando alguns trabalhadores populares em suas respectivas oficinas e de quebra aprender algumas palavrinhas em persa? 

Sangaki ( padaria onde se faz o pão sangak)
Ahangari (oficina de ferreiro)
Mesgari (oficina de latoeiro)
Bazazi (loja de tecidos)
Miveh Foroshi (banca de frutas)
Qahveh Khuneh (Café)
(Imagens do site Shahrefarang)


Religiões ancestrais do Irã


Você sabia que os iranianos e os indianos compartilham os mesmos antepassados?  Eles eram conhecidos como proto-indo-iranianos, povos que pertenciam à família indo-europeia e viviam como pastores semi-nômades nas estepes do sul da Rússia, a leste do Volga.  Sua sociedade era dividida em três grupos principais: os sacerdotes, os guerreiros e os pastores. Há cerca de 4000 a 3000 a.C, os proto-indo-iranianos forjaram uma tradição religiosa significativa que influenciou seus descendentes: os brâmanes da Índia e os zoroastrianos do Irã. Os dois grupos foram muito provavelmente separados por volta do 3º milênio a.C, e tornaram-se dois grupos linguísticos distintos, os hindus e os iranianos.
Antes do advento da religião zoroastriana os antigos iranianos pré-históricos já cultuavam elementos da natureza como a água e o fogo. Muitos elementos destes cultos antigos sobreviveram na literatura religiosa Zoroastriana e Hindu. Elementos como água e fogo foram personificados como divindades. A divindade que simbolizava a água chamava-se Apas (origem da moderna palavra persa ab, "água") e a divindade que simbolizava o fogo, era  chamado de Atar (origem da palavra atash," fogo").

Além desses, os proto-indo-iranianos adoravam outros "deuses da natureza", como Asman, o "senhor do céu" (aseman: "céu", em persa moderno), Zam, a deusa da terra ( zamin: "terra", em persa moderno) e  os deuses do sol e da lua, Hvar e Mah ( khorshid e mah, em persa moderno). Havia também os dois deuses do vento, Vata e Vayu, respectivamente "o vento que sopra e o vento que trazia as nuvens de chuva". 
Mais tarde, outras divindades passaram a ser relacionadas com o fogo e a água. Varuna era o "filho das águas", que mais tarde evoluiu para Varuna Apam Napat, o yazata  do juramento e da verdade. E Mitra era o "senhor do fogo e da aliança" o qual era acreditado acompanhar o próprio sol. O governante local ou o mais velho da comunidade, ou aquele que tomava todas as decisões, parece ter sido a origem do conceito de Ahura Mazda, o "Senhor da sabedoria", o maior de todos os senhores. Esses três senhores eram seres altamente éticos, que defendiam  asha, o princípio de "justiça, ordem e verdade"; o seu oposto é o droga, que representa a "falsidade e o caos".

Havia também  uma série de deuses que personificam conceitos abstratos, por exemplo, Mitra também era adorado como o "deus da guerra", que  lutava em nome do bem e da virtude. Ele é personificado tanto como um grande juiz que avalia as ações dos homens após a sua morte e representado ou como uma divindade solar acompanhado por cavalos brancos, sem lançar  nenhuma sombra. Esta última característica sobreviveu na literatura islâmica onde grandes homens religiosos são representados sem nenhuma sombra. Por sua vez, Airyaman era a divindade que personificava a amizade; Arshtat, a Justiça; Ham-vareti, a coragem e Sraosha (Soroush) era a obediência. Verethraghna,  o deus da vitória, tornou-se uma divindade de destaque na literatura avéstica mais tarde. A maioria dos deuses indo-iranianos eram antropomórficos (tinha formas humanas), no entanto Verethraghna se assemelhava a um javali e todos esses deuses eram considerados imortais.
O primeiro mito da criação dos iranianos pertence a este período: 
"Os deuses criaram o mundo em sete etapas. Primeiro eles fizeram o céu de pedra, sólida como um enorme escudo redondo Na metade inferior desta concha colocaram a água. Em seguida, eles criaram a terra, descansando sobre a água como um grande prato...; e depois o centro da terra que formou as três criações animadas na forma de uma única planta, um animal  (touro) e um único homem (Gayo-maretan, "criatura mortal"). Em sétimo lugar, eles criaram o fogo, tanto o visível, quanto aquele como uma força vital. O sol, que faz parte da criação do fogo, ficava sempre no alto, como se fosse sempre  meio-dia. Todo o mundo estava imóvel e imutável e, em seguida, os deuses ofereceram um sacrifício triplo. Eles esmagaram a planta, e depois mataram o touro e o homem. Deste sacrifício vieram mais plantas, animais e seres humanos. O ciclo da vida foi posto em movimento e a morte foi seguida por uma nova vida. O sol começou a se mover e todo o céu para regular as estações do ano, de acordo com asha (na literatura zoroastriana este dia é chamado o primeiro Nowruz).
Mesmo antes do advento do islamismo, os iranianos antigos observavam o ritual de orar três vezes por dia (ao nascer do sol, ao meio-dia e ao pôr do sol), e as horas do dia foram divididas em dois períodos. A manhã estava sob a proteção de Mitra, enquanto Apam Napat protegia a tarde. Os Fravashis (fereshteh: "anjo" em persa moderno) e os espíritos dos mortos protegiam a noite. Vários desses conceitos permaneceram e foram adotados pelos zoroastrianos. Muitos ainda estão presentes na literatura zoroastriana moderna (e até mesmo na islâmica)  apesar das muitas alterações que vieram com a nova cosmologia introduzida por Zoroastro.

(Baseado em artigo de Massoume Price do site Culture of Iran)


Shahrum K - Mageh Man Del Nadaram

Shahram Kashani (também conhecido como Shahrum K) é um cantor  pop iraniano. Apesar de ter  nascido em Roma, na Itália e atualmente viver em Los Angeles nos EUA, ele lançou várias canções de sucesso no cenário da música pop iraniana, com seu estilo moderno e dançante. Sabe-se também, que ele tem um meio-irmão chamado Kambiz Ghorbani que é filho da estrela Googoosh. Mageh man del nadaram do álbum Havas de 1996 em estilo bandari é uma dessas músicas que os iranianos mundo afora adoram dançar em suas festas.  


O Futebol do Irã em Festa

Iranianos fazem festa nas ruas após a classficação para a Copa.
 Fotografia de Mohammad Shahhoseini
Parece que uma euforia geral está dominando as terras da Pérsia!  Poucos dias depois de irromper nas ruas para comemorar a vitória do novo presidente moderado Hassan Rouhani, agora os iranianos estão fazendo a maior folia com a notícia da classificação do Irã para a Copa do Mundo em 2014. O que mais chama a atenção é o tamanho dessas comemorações e demonstrações de patriotismo de dar inveja até mesmo a nós brasileiros! Os torcedores iranianos são tão loucos por futebol que quase todos aqueles que são exilados em outros países sempre estão dispostos a viajar aonde quer que seja para torcer por sua amada "Seleção Melli".A pesar da história do Irã nas copas não ter sido tão brilhante, o povo deposita toda sua confiança que dessa vez a seleção comandada pelo técnico português Carlos Queiroz vai jogar a copa mais bonita de toda sua história! Conheça um pouco da trajetória desta seleção, e porque os iranianos tem tantos motivos para comemorar agora: 

Você sabia que...
  • A Federação Iraniana de Futebol foi fundada em 1920 e, desde 1945, é membro da Fifa. 
  • A seleção disputou sua primeira partida internacional contra o Afeganistão em 1941 com um placar de 0 x 0
  • O Irã foi a única seleção a vencer a Copa da Ásia três vezes seguidas (1968, 1972 e 1976) tento ficado em terceiro quatro vezes.
  • Em 1978, o Irã fez sua primeira participação em Copas, apesar de ter perdido dois dos três jogos da primeira fase contra a Holanda e o Peru, conseguiram um surpreendente empate diante da Escócia com um gol de Iraj Danaei Fard no fim do jogo.
Iraj Danaei Fard (1978), o primeiro gol iraniano na história das Copas 
  • Após a Revolução de 1979, o futebol foi praticamente negligenciado e durante meados dos anos 80 devido à incessante guerra com o Iraque. A Seleção desistiu de participar da Copa de 1982 e em 1986 recusou-se a disputar as eliminatórias por ter que mandar suas partidas em campo neutro (em outro país), o que era visto pela FIFA como medida de segurança.
  • Em 1989 a liga local é reestabelecida, entretanto ainda sofrendo com o cenário pós-guerra, falhou nas tentativas de se classificar para as Copas de 1990 e 1994.
  • No começo dos anos 90,  foram revelados novos talentos como Ali Daei, Mehdi Mahdavikia, Khodadad Azizi e Karim Bagheri; a geração que alcançaria a glória com a qualificação para a Copa do Mundo de 1998. 
Seleções do Irã e EUA em um gesto simbólico pela paz! (França/1998)
Ali Daei é o camisa 10 em pé na foto acima.
  • A primeira vitória do Irã em sua história nas Copas  foi contra os EUA (França/1998) , partida que  iniciou com muita ansiedade por ambas as partes devido tensão política entre os dois após a Revolução no Irã. No entanto, com um ato simbólico de paz, ambas as seleções posaram para fotos abraçados entre si e trocaram  flores antes do início da partida. (Viva o esporte!)
  • Em 2005, o Irã  e o Japão foram os  primeiros países a se classificar para a Copa do Mundo de 2006. A terceira aparição do Irã  em uma Copa também levou o povo à loucura!
  • Também em 2005, o Irã entra para o ranking  mundial dos Top 20 da FIFA em 13º lugar.
  • Em 2010 a seleção Iraniana não se classificou, mas um incidente chama a atenção.Em 2009, durante uma partida contra a Coreia do Sul que acabou em empate de 1x1, sete jogadores iranianos, incluindo Ali Karimi, entraram em campo usando faixas e munhequeiras verdes em favor do candidato à presidencia do Irã, Mir-Houssen Mousavi que era da oposição. Após o término das eliminatórias, sob forte influência política os jogadores que fizeram tal ato foram afastados da seleção.
  • Este ano, o Irã se classificou para a Copa do Mundo de 2014, tendo ficado em 1º lugar no seu grupo à frente de Coréia do Sul (também classficado), Uzbequistão, Qatar e Líbano. A vitória por 1x0 diante da Coréia foi garantida pelo jogador Reza Ghochannejad (camisa 16 da foto abaixo) aos 15 min do segundo tempo.
A Seleção iraniana atual, classificada para a Copa de 2014
Em pé: Ghuchannejhad, Teymurian, Jabari, Beykzadeh, Hosseini e Nekunam (Capitão);
Sentados: Beikzadeh, Shojai, Ahmadi (Goleiro), Sadeghi e Heydari
Confira o desempenho do Irã nas Copas do Mundo: 

1930 a 1970 - Não disputou
1974 (Alemanha) - Não se classificou
1978 (Argentina)- Classificado - eliminado na primeira fase
1982 (Espanha) - Desistiu
1986 (México) - Desclassificado por se recusar a jogar em campo neutro
1990 (Itália) - Não se classificou
1994 (EUA)- Não se classificou
1998 (França) - Classificado - eliminado na primeira fase
2002 (Coreia/Japão)- Não se classificou
2006 (Alemanha) - Classificado - eliminado na primeira fase
2010 (África do Sul) - Não se classificou
2014 (Brasil) - Classificado

Sites consultados: Wikipedia e Soccermond


Vai ter Irã na Copa de 2014 no Brasil!

Seleção do Irã comemora a classificação para a Copa do Mundo 2014
Salam amigos da Pérsia! Futebol também é uma paixão dos iranianos, e nos últimos tempos o Time Melli   ("Time Nacional", apelido da seleção do Irã) tem dado muitos motivos para comemoração. A equipe que é  atualmente comandada pelo técnico português Carlos Queiroz, bateu a Coréia do Sul por 1 x 0 na manhã desta terça-feira na fase final da Copa da Ásia e garantiu a vaga para Copa do Mundo de 2014 em nosso solo brasileiro.
O único gol da partida disputada na cidade de Ulsan, na Coreia do Sul, ocorreu aos 15min do segundo tempo, em  uma rápida jogada do artilheiro Reza Ghochannejhad após contar com a falha de um zagueiro. Os anfitriões coreanos até que estavam jogando melhor e passaram a pressionar mais ainda após o gol sofrido, mas não conseguiram igualar o confronto. Apesar da derrota, o time sul-coreano também garantiu sua classificação na Copa de 2014.
Com o resultado, o Irã terminou na liderança da chave, com 14 pontos, seguido pela Coreia do Sul, com 13 pontos, empatada com o Uzbequistão, que perde em saldo de gols. Completam o grupo os eliminados Qatar, com 7 pontos, e Líbano, com 5.

>> Confira o vacilo do zagueiro coreano e o golaço do Irã :)


(Fonte: Terra Brasil e Payvand News of Iran)


O que aconteceu com as meninas do filme "A Maçã"?

As gêmeas Zahra e Masoumeh Naderi no filme "A Maçã"
Salam amigos da Pérsia que me enviaram esta pergunta! Confesso que revirei muito o Google para achar alguma informação sobre o caso das gêmeas Naderi que ficou conhecido no mundo inteiro através do premiado filme "A Maçã" feito por Samira Makhmalbaf em 1998. Uma das únicas descrições que encontrei  está no site dos cineastas da própria família  Makhmalbaf, não está datado, mas provavelmente haviam se passado 6 anos depois do filme e as garotas estavam com 19 anos:
Masoumeh e Zahra Naderi, as duas meninas que atuaram no filme documentário "A Maçã" feito por Samira Makhmalbaf , tinham desenvolvido um atraso social devido a estarem presas em sua própria casa por 11 anos (dos 2 aos 13 anos de idade). Depois de seu primeiro sucesso, [que foi protagonizar o filme] , agora elas obtiveram mais um sucesso. Outra família as adotou e as  portas se abriram para elas. Elas têm ido para a escola e, eventualmente, este ano Masoumeh e Zahra Naderi foram escolhidas como alunas ilustres da terceira série do ensino fundamental de sua escola com a média de 19/90 para Masoumeh e 20 para Zahra. Masoumeh quer ir para a universidade e estudar engenharia elétrica, Zahra tem a intenção de se tornar uma engenheira civil.

Masoumeh e Zahra aos 19 anos
As outras informações um pouco mais completas que encontrei estão no site persa Hamshahri Newspaper, que precisei da ajuda de uma amiga iraniana para traduzir. Atualmente, as duas meninas já devem ter uns 28, mas as informações que se seguem também são da mesma época citada acima quando elas ainda tinham 19 anos: 
A irmã que se chama Zahra ainda vive com seu pai, ela  gostaria muito de  ser uma diretora de cinema como [Samira Makhmalbaf], mas atualmente trabalha em uma oficina de costura perto de sua casa. Ela gosta muito de fazer tarefas domésticas (cozinhar, limpar...) A outra irmã que se chama  Massoumeh, já é casada e tem sogros muito amáveis que a respeitam muito e ela também está feliz com seu marido...
Após o lançamento de "A Maçã" (1998) , o pai da diretora ,Mohsen Makhmalbaf doou uma parte do dinheiro arrecadado com o filme para o pai das meninas (Ghorban Ali Naderi) que receberam cuidados de ONGs e foram adotadas temporariamente por outra família. Mas depois de alguns anos, o pai pediu de novo pela guarda das filhas, mas após todo o processo de reestabelecimento social a família vive muito  melhor do que antes .

Confesso que essa pesquisa me deixou curiosa para saber por onde andam também crianças de outros filmes iranianos.  Para quem já assistiu  "Bashu, o Pequeno Estrangeiro" deve se lembrar do adorável garoto Adnan Afravian. Porém o momento de estrelismo de Bashu não foi muito adiante na vida do rapaz  que atualmente tem 38 anos e trabalha vendendo cigarros na cidade de Ahvaz, no sul do Irã. (Veja a foto dele aqui).
Outro exemplo distinto é o filme "Onde fica a casa do meu amigo?" de Abbas Kiarostami protagonizado pelo menino Babak Ahmadpoor no final dos anos 80 e que alguns anos depois reapareceu já  pré-adolescente em outro filme do diretor, "E a vida continua..." encenado após um terrível terremoto no norte do Irã em 1991.
Em um primeiro momento pode parecer triste que essas crianças sejam expostas a um momento de fama e depois esquecidas. Mas muitos de nós desconhecemos que a maioria dos filmes iranianos são estrelados por não-atores, entre eles crianças que não estão fazendo nada mais do que representar sua própria vida, assim como ela é na realidade. Gostaria de saber também por onde andam o menino do clássico "O Corredor" de Amir Naderi, as crianças de "Filho do Paraíso" de Majid Majidi e a garotinha de "Balão Branco" de Jafar Panahi...


Como os iranianos votam?

Salam amigos da Pérsia! Vocês devem estar curiosos para saber notícias a respeito do novo presidente do Irã, Hassan Rouhani e do que vai acontecer daqui pra frente nas terras da Pérsia. Então já vou adiantando mais uma vez que não tenho nenhuma intenção de fazer cobertura da política iraniana, nem propaganda de nenhuma ideologia. Mas para todos aqueles que adoram conhecer um pouco do cotidiano desse país mais de perto, vou fazer um convite diferente: vamos fazer um passeio em imagens por diversas cidades do Irã para saber como os iranianos votam de norte a sul? 

Kerman: além da assinatura, todos os eleitores tem que deixar sua impressão digital como identificação.
Mashhad: na maioria das cidades, o local de votação fica dentro das mesquitas.
Golfo Pérsico: até mesmo quem estava trabalhando em alto-mar pôde votar.  
Qazvin: eleitores de várias idades exibem a marca de tinta nas digitais e seus títulos de eleitor.
Qom: em uma das cidades sagradas dos xiitas, as mulheres de chador fazem fila para votar.
Rasht: jovens iranianos mostram que tem estilo e orgulho de seu país em uma escola local. 
Shiraz: rapazes nômades da etnia Qashqai com seus chapéus típicos participaram da eleição.
>> Veja mais fotos no site Payvand News.


O Irã em clima de eleições presidenciais

Com a iminência de novas eleições presidenciais no Irã, nesta sexta-feira, você deve estar se perguntando: por que  o Chá-de-Lima da Pérsia evita falar sobre esse assunto? Simples, para quem está chegando agora, deve saber, que este é um blog cujas únicas intenções é divulgar informações culturais sobre o Irã e não fazer apologia a nenhuma ideologia política ou religiosa. Mas para você amigo da Pérsia, que quer estar por dentro de tudo, saiba que as eleições no Irã são um tema que nos interessa sim! Porque, seja lá qual for o resultado, vai interferir diretamente em assuntos culturais, uma vez que na República Islâmica do Irã, o acesso a internet, livros, filmes e músicas é assunto de Estado! 
Veja uma série do fotógrafo Arash Khamooshi (publicada no site Payvand News) que retrata as últimas emoções do povo iraniano apoiando seus candidatos antes de ir as urnas em  Teerã: 












Até onde sei é que são 6 candidatos disputando a presidência do Irã, 4 conservadores e 2 liberais, e entre os favoritos há dois conservadores e um liberal. Espero que o povo iraniano dessa vez possa decidir o futuro de seu país sem distúrbios e que não haja manifestações violentas após a divulgação dos resultados.


Iranianas também fazem Parkour

Foto da comunidade Iranian Parkour Girls do Facebook
Em todo Irã, uma cena tem chamado a atenção na cena urbana. Grupos de garotas que adeririam a prática do parkour, um esporte difícil de categorizar, que consiste em  saltar de telhados, escalar paredes e usar todas as habilidades do corpo para superar qualquer tipo de obstáculo. Seria menos surpreendente, se o código de vestimenta islâmica não obrigasse as iranianas a se cobrirem da cabeça aos pés, até mesmo durante a prática de esportes, principalmente ao ar livre. 
Ao contrário dos rapazes que costumam associar o esporte a  cultura rap e rivalidade entre grupos, a prática do parkour pelas meninas surge mais com um propósito atlético, apesar dos maiores desafios que elas  enfrentam nas ruas. Enquanto os homens têm grandes torneios parkour em parques urbanos e podem falar abertamente  sobre o esporte sem nenhum impedimento por parte da polícia local, para as mulheres, o acesso às instalações esportivas e áreas públicas para  exercícios junto aos homens tem sido contestada pelo governo.
É notavel o apelo do parkour entre as mulheres iranianas e a amplitude da tendência. Estudantes de Lahijan a Shiraz, vestidas com calças e blusas largas, com bonés sobre seus práticos lenços Maghnee (que não saem da cabeça durante os movimentos mais ousados) tem aderido à prática. O mais interessante, como mostra o vídeo abaixo em Teerã, é ver que os próprios rapazes ajudam as garotas a fazerem os movimentos mais difíceis, mostrando claramente o interesse em ver suas colegas evoluírem nas habilidades do parkour


(Baseado em The Guardian)


Breve História da Moda no Irã

Pintura do palácio Hasht Behesht, da Era Safávida (séc. XVIII)
No Irã atual, as mulheres são obrigadas a vestir-se modestamente, mantendo os cabelos cobertos e usando roupas compridas e largas para ocultar a forma do corpo. Mas há aquelas que são ousadas ​​o suficiente para desprezar código de vestimenta da República Islâmica, correndo o risco de serem multadas, presas, e pior, até açoitadas. Mas mesmo com a ameaça de penalizações, muitas jovens iranianas trocaram o chador negro e vestidos compridos e disformes por  lenços coloridos e mantôs levemente ajustados ao corpo e na altura do joelho. Atualmente  esse é o código de vestimenta obrigatório para as iranianas e mulheres estrangeiras que visitam o Irã, mas  nem sempre foi assim na história persa.

A Moda na Antiga Pérsia
Trajes masculinos da Pérsia antiga
Em todo o mundo antigo, incluindo a Pérsia, homens e mulheres usavam maquiagem, jóias e adornos além de vestes elaboradas e coloridas. Ao invés de serem separadas por gênero, as roupas eram separadas pela classe social. Cerca de 2.500 anos de costumes e tradições já haviam sido estabelecidas no antigo Oriente Médio, quando a dinastia aquemênida foi fundada  (séc. VI a.C.). Embora o persas tenham incorporado a moda assírias, babilônicas e egípcia em sua cultura, eles também desenvolveram seus próprios estilos.
Contudo,  no início do Império Persa havia pouca distinção entre roupas para homens e mulheres. Os materiais mais comumente usados eram algodão e linho. Peles de animais e couro eram amplamente utilizados, e a maioria das famílias produzia sua própria lã que as mulheres eram encarregadas de  tecer. Com o enriquecimento do Império Persa, aumentou a demanda por tecidos mais nobres, como a seda vinda da China, ornamentações elaboradas, corantes raros e intrincados desenhos pintados à mão. Fios de ouro e prata  e outras cores como o lápis-lazúli azul, verde oliva, azul-turquesa e vários tons de marrom eram freqüentemente usados. Entretanto,  o roxo veio a ser associado com a realeza, enquanto o branco tornou-se uma cor religiosa. 
A cultura helenística introduzida na Pérsia por Alexandre, o Grande e a dinastia selêucida que se seguiu,  tornou os trajes gregos populares entre os persas. Da mesma forma, os gregos também foram influenciados pelos trajes persas. No entanto, foi somente com o domínio dos Partos que a moda persa se tornou popular em todo o continente asiático. Na  dinastia  seguinte, dos Sassânidas, houve uma retaliação contra as influências estrangeiras, que estabeleceu um período de grande esplendor da cultura e arte persa. Os membros das classes superiores tornaram-se extremamente ricos e ornamentavam-se com requintada elegância. 

Origem do uso do Véu na Pérsia

O véu já fazia parte da cultura do Oriente Próximo antes do Islã
O véu tem uma longa história no antigo Oriente Próximo, bem como na culturas do Mediterrâneo e ao contrário da crença popular, apareceu vários séculos antes do Islã.  Os reis assírios foram os primeiros  a isolarem suas mulheres em um harém real e a introduzirem o uso do véu no Oriente Médio. No entanto, prostitutas e  escravas, eram proibidas de usar o véu. Além do Oriente Médio, haviam mulheres que viviam veladas e isoladas também na Grécia clássica, no mundo cristão bizantino, na Pérsia e entre as castas mais altas na Índia. A chegada dos árabes e do islamismo na Pérsia alterou drasticamente a configuração religiosa e social, mas houve poucas mudanças nos estilos de roupas em geral. 
Ao contrário dos tempos modernos, os primeiros muçulmanos não eram excessivamente preocupados com vestuário feminino, na verdade, a prática de cobrir as mulheres decorre de costumes regionais, com a difusão do  Islã por todo o mundo antigo. Foi somente a partir do séc. II  que o véu islâmico se tornou comum para as mulheres muçulmanas.
Mesmo assim, apenas algumas mulheres das classes urbanas  se cobriam e viviam em reclusão. A maioria, que eram  mulheres rurais e nômades, não usavam o véu e o traje persa manteve-se mais ou menos o mesmo durante todo o século XII. Como descrito nos contos das  Mil e Uma Noites, as mulheres durante o  período abássida usavam um casaco aberto na frente sobre o vestido, e um lenço ou cinto amarrado na cintura. Mais tarde, a invasão dos turcos e mongóis da Ásia Central introduziu o bordado na Pérsia. Entre os séculos XVI e XVIII,  durante a dinastia Safávida, a moda persa retomou modelos da antiga Pérsia para livrar o país de influências turcas. As mulheres começaram a usar calças compridas, amarradas nos tornozelos e um vestido sobre as calças.
A moda persa sofreu poucas mudanças com a chegada do Islã
Homens e mulheres também usavam uma  espécie de manto como parte de seu traje público. A corte real e as mulheres nobres começaram a usar o véu e segregar-se do público durante a última parte da dinastia Safávida. Enquanto isso o primeiro chador que não era preto mas com diferentes padrões de acordo com as regiões,  foi usado na Pérsia a partir do século  XVI. O chador totalmente preto só surgiu no final do século XVIII e entre as classes superiores. No campo, as mulheres sempre usaram véus  com estampas brilhantes e coloridas para proteger os cabelos enquanto trabalhavam. 

 Modernidade e Ocidentalização
Traje feminino da era Qajar, influência européia
Com o passar dos anos o uso do véu tornou-se mais difundido na Pérsia. No entanto, os persas não eram imunes às influências da moda européia. No século XIX  muitos iranianos viajavam pela Europa e  Extremo Oriente, trazendo para seu país tendências estrangeiras e contemporâneas. Por exemplo, durante a dinastia Qajar, o governante  Nasser-al-Din Shah, após ter assistido a um espetáculo de balé durante uma viagem à Europa, ordenou que as mulheres de seu harém usassem saias curtas inspiradas nas bailarinas europeias. O  governante, modernista, Reza Shah também encorajou os iranianos a usar roupas europeias durante a dinastia Pahlavi. Além disso, ele acreditava que o código de vestimenta islâmico e o hejab limitavam a modernização do país e proibiu o uso do chador. Em 1936, ele ordenou que  a polícia arrancasse à força os véus das mulheres que os usavam em público.
A ordem do xá causou um grande alvoroço, principalmente entre muitas mulheres iranianas que viam no véu  um sinal de virtude, proteção e respeito. Diante deste decreto aberrante, muitas mulheres optaram por permanecer em suas casas durante meses. Outras, no entanto, ignoraram a lei e continuaram a cobrir-se com o chador. As iranianas consideradas mais cultas e modernas no entanto, abraçaram a nova moda ocidental. Embora o filho de Reza Shah, Mohammad Reza Pahlavi, tivesse retirado a proibição do chador na sua época apenas um número muito limitado de mulheres usavam esse tipo de véu. Na verdade, pouco antes de a Revolução Islâmica no final de 1970, os estilos de roupas nas ruas do Irã eram muito semelhantes aos de Paris ou Londres.

Iranianas nos anos  30, forçadas a abandonar o chador
Estudantes iranianas nos anos 70, antes da Revolução Islâmica

A Revolução e a Volta do Hejab


O chador é um símbolo da religiosidade e não uma veste obrigatória
A Revolução Islâmica ocorreu em 1979 e causou uma grande reviravolta na vida dos iranianos. Um novo governo islâmico estava agora no comando, e ele viu a ocidentalização do país como um fenômeno negativo. Logo veio a imposição de um hejab mais conservador  que o novo governo alegou, ser uma forma de demonstrar a singularidade e superioridade da cultura do país, ao invés de permitir que ele seja visto como  atrasado e inferior para a cultura do ocidente. Mais uma vez as mulheres se levantaram em protesto contra a nova decisão sobre o seu traje, mas as suas manifestações não foram bem-sucedidas na prevenção da imposição do hejab.

Hoje em dia, as mulheres iranianas permanecem divididas sobre o tema do hejab. Para algumas, o rígido código de vestuário continua a ser uma marca da opressão e estas encontram maneiras de se rebelar contra ele usando maquiagem exagerada e acessórios da moda sob seus mantôs. Porém, há outras que vêem  no véu obrigatório um sinal de respeito e virtude Há também aquelas que vem o uso do hejab como um sinal de integração, pois no passado ao usá-lo, as mulheres eram autorizadas a circular mais livremente do lado de fora de suas casas e buscar a vida profissional e pública. Da mesma forma, ao usar o hejab as mulheres se sentiram capazes de frequentar áreas que antes eram fechadas para elas, tais como cursos, grupos de discussão e atividades religiosas. As  conservadoras vêem a vestimenta islâmica como uma forma de protege-las do assédio sexual e objetificação de seus corpos.
Por fim, uma mescla de tradição e modernidade, do religioso e do secular, essa tem sido a moda iraniana. E por sinal vai continuar assim por muitos anos, assim como o país luta para combinar suas necessidades de uma identidade étnica e religiosa, juntamente com a sua necessidade de progresso e modernização.
A moda iraniana atual, entre o conservadorismo e a modernização
(Adaptado do artigo de Naw Diana Htoo para o site IranDokht)


Análise do filme Close-Up de Abbas Kiarostami

Neste breve documentário o escritor Geoff Andrew fala sobre a  importância da obra do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, considerado uma das figuras mais respeitáveis do cinema mundial. Ele trata especialmente do filme Close-Up, o primeiro do diretor a abordar uma temática diferente das histórias voltadas para crianças que ele estava estava acostumado a produzir desde o começo de sua carreira como por exemplo "Onde fica a casa do meu amigo?". Através dos comentários do escritor, somos convidados a ver como  esse filme de Kiarostami  não apenas reencena uma história real, mas torna indecifráveis os limites entre a ficção e a realidade, o que também é a marca de outro grande cineasta iraniano, Mohsen Makhmalbaf.


Cinema Iraniano: Close-Up

FILME DO MÊS: A reencenação de uma história real tornando indecifráveis os limites entre ficção e realidade. Considerado um dos 50 filmes mais brilhantes de todos os tempos!


Hossain Sabzian é aparentemente um homem simples, amante do cinema e grande fã do diretor iraniano Mohsen Makhmalbaf (diretor de Gabbeh e O Caminho para Kandahar). Certo dia, Sabzian está em um ônibus lendo o romance O Ciclista, quando por acaso conhece a Sra. Ahankhah, que também é  fã desse filme. Em um ímpeto de ousadia, Sabzian diz a ela que ele é o próprio Makhmalbaf, o autor do livro e do filme. Ela fica surpresa ao constatar que um diretor de cinema famoso também usa o transporte público, mas Sabzian explica que esta é a forma como ele descobre seus personagens o para cinema e que a arte deve brotar da vida. Posando como Makhmalbaf, Sabzian visita a família Ahankhah várias vezes durante várias semanas. Ele alega que quer usar a casa  da família para seu próximo filme e os filhos como seus atores. Ele ainda consegue obter uma  grande quantia em dinheiro, usando o argumento que era a verba destinada para o filme. O Sr. Ahankhah tem suas suspeitas, especialmente quando descobre em uma  revista uma foto do diretor Makhmalbaf mais jovem. Finalmente o chefe da família ludibriada convida um amigo jornalista ambicioso (Hossain Farazmand) que confirma que Sabzian é realmente um impostor. Sabzian acaba sendo preso, e o diretor Abbas Kiarostami intercala essas cenas com o julgamento do "Falso Makhmalbaf" ao longo do filme, em uma sequencia que não se atem a ordem cronológica. O filme intercala cenas reais como uma recriação dos acontecimentos  onde não sabemos quando estamos assistindo aos fatos  ou as encenações.
Close-Up é baseado um caso real que ocorreu no norte de Teerã no ano de 1989. Kiarostami ouviu falar de Sabzian, após ler  um artigo na revista iraniana Sorush escrito pelo jornalista Hassan Farazmand. Kiarostami imediatamente suspendeu a gravação de um outro de filme que ele estava produzindo para fazer um documentário sobre Sabzian. Kiarostami  obteve uma permissão para filmar o julgamento de Sabzian, assim como da própria família  Ahankhah e do jornalista Farazmand que concordaram em participar no filme e atuar como eles próprios. Kiarostami também pediu para que o próprio diretor Mohsen Makhmalbaf viesse ajudar Sabzian a obter o perdão da família Ahankhah. Uma das cenas mais comoventes é o momento em que o verdadeiro Makhmalbaf abraça o farsante arrependido Sabzian e o leva de carona em sua própria motocicleta. Considerado pela crítica internacional como um dos 50 filmes mais brilhantes de todos os tempos, é sem dúvida um marco do cinema iraniano, imperdível!

Filme: Close-Up (1990)
Irã |Drama| 93 min.| cor
Direção:Abbas Kiarostami
Título Original: Nema-ye Nazdik 
Elenco: Mohsen Makhmalbaf, Abolfazl Ahankhah, Mehrdad Ahankhah, Monoochehr Ahankhah, Mahrokh Ahankhah, Nayer Mohseni Zonoozi, Ahmad Reza Moayed Mohseni, Hossain Farazmand, Hooshang Shamaei, Mohammad Ali Barrati

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