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Esculturas que enfeitam as cidades iranianas

A primeira vista,  as grandes cidades iranianas tem um caráter cinzento e sisudo, como costumam ser a maioria das cidades modernas mundo afora. Porém um olhar mais apurado pelos recantos dessas cidades nos revela uma variedade muito interessante de estátuas em cores e formatos inusitados, com temas históricos, decorativos e até mesmo lúdicos que embelezam a paisagem urbana. As fotografias a seguir, fazem parte de um projeto onde vários fotógrafos registraram exemplares dessas estátuas com o objetivo de mostrá-las para o público.

Esculturas em formato de pistaches e cisnes embelezam a cidade de Damghan, província de Semnan
Uma homenagem ao mestre e ao aluno em Rudehen, província de Teerã
Unicórnios encantadores, na rotatória de Lavasan, subúrbio de Teerã 
O Globo terrestre, à caminho de Qazvin
Um grande peixe salta do horizonte, à caminho de Kenareh, província de Fars
Uma caravana de camelos, na estrada para Semnan
O lendário arqueiro Arash na estrada para Kenareh
Uma taça de maçãs coloridas, entre Rasht e Teerã
Um simpático macado dá as boas vindas para quem vem a Bumehen, província de Teerã
Uma águia aponta a estrada para Kenareh, província de Fars

Estátua em homenagem ao campeão olímpico Gholamreza Takhti , na cidade de Izeh , província de Khuzestan

Imagens retiradas do site ShahreFarang


Entrevista com o diretor Asghar Farhadi

O diretor Asghar Farhadi
Ele entrou para a história, ao ser o primeiro diretor iraniano a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012. E este ano,  Asghar Farhadi  aos 41 anos, leva mais um premio histórico para sua carreira, e para o cinema iraniano. A atriz franco-argentina Berenice Bejo que atuou no último filme de Farhadi, intitulado de Le Passé ("O Passado") levou o prêmio de melhor atriz no 66º Festival anual de cinema de Cannes. Em uma entrevista para o site The Hollywood Reporter o diretor Farhadi falou sobre a censura no Irã, a possibilidade de futuros projetos, a esperança de obter novos prêmios e a condenação por parte do Irã ao vencedor do Oscar 2013, Argo:

The Hollywood Reporter's: Você foi o primeiro diretor iraniano a ganhar um Oscar por A Separação, no ano passado. Como você se sente sobre isso?

Asghar Farhadi: Foi muito agradável. Foi uma grande experiência, porque, como um diretor iraniano, eu sabia que iria trazer muita alegria para o meu povo, o público iraniano, e que iria significar muito para eles. Mesmo agora, eu acho que a alegria que dei a meu povo o torna uma das maiores lembranças da minha carreira e vida. Além disso, o filme teve o mesmo tipo de reação nas plateias do Irã, dos EUA e em todo o mundo. O que também teve um significado muito particular para mim. Isso foi muito agradável.

THR: O seu novo filme "O Passado", que fez parte da competição em Cannes, já está chamando a atenção. Alguma esperança para o Oscar?

Farhadi: Eu tento evitar pensar nisso. Não que não seja importante. Acho que todo o ser  humano aprecia ser incentivado e reconhecido. Mas eu tento não ter qualquer expectativa. Então, se isso acontecer, será o melhor. E se isso não acontecer, eu não estou perdendo nada.

THR: Você fez "O Passado" na França e com uma estrela bem conhecida, Berenice Bejo. Podemos esperar  vê-lo trabalhar com outras estrelas internacionais ou até mesmo fazendo um filme de Hollywood no futuro?

Farhadi: Eu sempre tento não responder a esta questão muito claramente, porque você nunca pode ter certeza. Mas devo dizer-lhe que há um projeto que é muito importante, com estrelas e atores importantes que eu gostaria de fazer, mas eu ainda não sei se vai ser meu próximo filme ou um outro. Ainda estou pensando sobre isso e ainda estou pensando sobre a história que vai ser contada. Este é o primeiro passo.

THR: O que você pode nos dizer sobre as histórias dos dois próximos filmes que você acabou de mencionar que espera fazer?

Farhadi: Tudo o que posso dizer é que será a continuação do que tem sido o meu  caminho até agora. Não vou seguir por uma direção diferente. Mas se você não se importa,  não vou dizer mais, de modo que a medida que você descobrir mais sobre ele ainda será interessante.

Os protagonistas do filme "O Passado", Tahar Rahim e Berenice Bejo
 com o diretor Farhadi no Festival de Cannes 2013
THR: Há algum ator com quem você gostaria de trabalhar? 

Farhadi: Bem, há muitos atores que eu realmente gosto e cujo trabalho admiro. Mas nunca começa dessa maneira. Eu sempre começo com a história. Eu nunca penso em um ator e, em seguida, escrevo uma história para um ator específico. Sempre começa com a história, e uma vez que tenho a minha história, eu tento  achar um dos atores que tenho guardados na minha mente, que eu tenha gostado bastante para sentir que quero trabalhar com ele, e depois  tento colocá-lo na história.

THR: Qual foi a diferença de filmar "O Passado" na França? Será que isso o ajudou a lidar com a censura ao voltar para casa ?

Farhadi: Eu recebo essa pergunta muitas vezes, se o estrangeiro mudou a minha forma de trabalhar, especialmente devido às restrições e ao fato de que eu tinha menos restrições aqui. A única imagem que eu talvez possa usar para tentar dizer o que eu sinto é que, se você anda da mesma forma há 40 anos, e de repente, eles o colocam em um caminho que é mais plano, mais confortável, menos arriscado, você não muda o seu jeito de andar. Você ainda vai trilhar o mesmo caminho. A diferença é que  apenas você pode se sentir mais tranquilo ou mais confortável, por causa do novo caminho. Devo dizer que aqui na França eu tinha mais serenidade e segurança, quando eu estava trabalhando, porque eu sabia que eu estava fazendo o filme do jeito que eu queria e que o filme seria visto em última instância, o que nem sempre acontece no Irã. No Irã, você sempre trabalha tendo em mente essa preocupação de "serei capaz de continuar o projeto como  desejo e será que o público verá o filme?" Aqui, eu não tenho essas preocupações, com certeza.

THR: Como é que a censura no Irã trabalha esses dias? Há algum sinal de que o sistema está se tornando mais aberto ou mais restritivo?

Farhadi: O sistema passou a ser muito imprevisível. Você não pode dizer como ele é, você não pode descrevê-lo, porque ele está mudando o tempo todo. É uma nova história a cada dia. E talvez isso é o que torna mais difícil para nós. Se não houvesse regras específicas, gostaríamos de saber como lidar com elas ou evitá-las. Considerando, atualmente, a sua situação depende do humor das pessoas que tomam as decisões. Então, um dia, ele é mais aberto, e outro dia, de repente, é mais restritivo. E isso é o que torna muito difícil e imprevisível. Você tem que apresentar um filme duas vezes - primeiro como um projeto quando o roteiro está escrito e, em seguida, pouco antes de liberá-lo. Estes são os dois momentos cruciais que temos. Visto de fora, talvez, pode ser muito surpreendente como sob tal pressão, é possível ainda fazer filmes que têm um impacto e que dão uma sensação de liberdade e força. Isto é porque os nossos cineastas e artistas em geral continuam lutando e encontrando formas de evitar a censura e criando apesar de todas essas restrições. Às vezes eles falham, às vezes eles conseguem.

THR: Os filmes iranianos tem ganhado prêmios, incluindo o Oscar e em festivais ao redor do mundo. Por que você acha que os cineastas iranianos agradam tanto no exterior?

Farhadi: Você deve saber que o Irã tem um grande número de produções. Muitos filmes são liberados. A maioria deles, assim como no resto do mundo, são películas comerciais e superficiais. Estes são os mais populares. E há uns poucos que realmente desenvolvem aspectos mais profundos e pensativos da vida. Apenas alguns desses filmes viajam para fora do Irã. Há ainda grandes diretores iranianos que não são conhecidos fora do nosso país. Bons filmes têm que ir para fora do Irã. E isso é muito importante para o público iraniano, porque é um caminho para que o resto do mundo conheça de forma diferente e tenha uma imagem diferente do Irã e do povo iraniano do que aquela que é dada pela política. O público iraniano têm uma relação forte com esses filmes que viajam.

THR: O Irã condenou a premiação do Oscar para Argo. O que você pensa sobre essa controvérsia?

Farhadi: Eu acho que o povo iraniano e os espectadores não têm nenhum problema com o fato de um filme americano tratar de um evento histórico iraniano e que eles queiram  descrever este evento da maneira como eles acham que isso aconteceu e descrevam as pessoas que passaram por isso. O problema para o povo iraniano é que as pessoas de fora da embaixada, as pessoas nas ruas, as pessoas na vida cotidiana são mostradas exatamente da mesma maneira clichê e muito negativa, como as pessoas que realmente estavam envolvidas no caso da embaixada. E isso é algo que é muito difícil de digerir para o público iraniano. Se um filme estrangeiro está lidando com um fato iraniano, por que eles têm  uma abordagem superficial e imprecisa do povo iraniano?

(Adaptado da entrevista de Georg Zsalai para o site The Hollywood Reporter)


Dia dos Pais e dos Maridos no Irã


O Dia dos Pais, que também é o "Dia dos Maridos" no Irã foi comemorado ontem, isto é no dia 13 de Rajab do calendário islâmico, dia do aniversário do Imam Ali (genro do Profeta Mohammad), o primeiro Imam dos muçulmanos xiitas. 
Neste data, pais, avós e maridos são homenageados com lembrancinhas e demonstrações de afeto. Antes da Revolução Islâmica (1979), esse dia correspondia ao aniversário do rei Reza Shah (24 de Esfand do calendário iraniano, aproximadamente 14/03). A data é comemorada pelos iranianos como um complemento ao Dia das Mães que corresponde ao aniversário de Fátima (filha do Profeta) que este ano ocorreu em 1º de Maio.

Feliz dia dos pais e maridos aos amigos iranianos!


Quem bate à porta? Ele ou ela?

Você sabia? 
As portas das antiga casas iranianas têm duas aldravas ou "batedores" diferentes para identificar se quem estava à porta era um homem ou uma mulher. O batedor masculino, do lado esquerdo, é uma peça metálica maciça e pesada, e por isso faz um som mais forte. Enquanto o batedor feminino, do lado direito, tem o formato de um anel, mais leve e delicado e faz um som mais fraco. Dessa forma as pessoas que estão dentro da casa podem identificar através do som quem está atrás da porta. Estes batedores também foram criados devido ao costume islâmico no qual as mulheres não devem receber visitas de homens enquanto estão sozinhas, a não ser que sejam de sua família e vice-versa. Portanto, homens batem à esquerda e mulheres à direita. Eu me pergunto o que aconteceria se por acaso algum rapaz  ou moça estrangeiros usasse o batedor errado por curiosidade... Bater e sair correndo não vale! 

Veja alguns exemplos desses "batedores" em Yazd que são verdadeiras obras de arte:






Fotos do site: Quintin Lake Architetectural Photography Blog


A beleza e a simplicidade da vida em um vilarejo iraniano


Vilarejo de Souzan, na província de Hamedan no Irã
Conheça o vilarejo de Souzan na zona rural da cidade de Razan, província de Hamedan (NO do Irã). São imagens que retratam com uma beleza indescritível a vida simples no campo, o trabalho que envolve toda a comunidade e a combinação da energia e espontaneidade dos jovens com a sabedoria e serenidade dos anciãos. Um cenário onde cada cantinho e cada pessoa merece um registro fotográfico!

















(Fonte: Payvand )


Omid Abbasi, o Bombeiro Herói

A garotinha de 9 anos salva pelo bombeiro Omid Abbasi
Essa semana durante um incêndio em um complexo residencial em  Teerã, um bombeiro deu a sua vida para salvar a vida de uma garotinha de 9 anos. Essa história de coragem e amor ao próximo não poderia ficar de fora do nosso blog. 
Segundo notícias do site Mehr News, disse Jalal Maleki porta-voz da Organização Bombeiros do Irã: "os bombeiros receberam um chamado informando de um incêndio em um edifício residencial no bairro Bagheri em Teerã às 14:18 na terça-feira.Um mulher e seus dois filhos ficaram presos dentro de um apartamento. A mulher conseguiu escapar junto com seu filho, mas sua filha de 9 anos estava pendurada em uma janela  à beira de uma queda livre quando e foi salva pelos bombeiros.O jovem bombeiro, Omid Abbasi, deu a sua máscara de oxigênio para menina de 9 anos de idade. Ele, porém, posteriormente, sofreu morte cerebral."
No entanto, após a morte de Omid sua família em um ato louvável, decidiu doar os órgãos do bombeiro  herói para pacientes que necessitam de transplantes.
(Fonte Payvand)

Denscanse em paz Omid Abbasi,  você é um anjo na paz de Deus!


Mostra "Cineastas Iranianos" em Brasilia e Rio de Janeiro

Salam amigos do Rio de Janeiro e Brasília! Esta é uma  super oportunidade para entrar em contato com o cinema iraniano através do olhar de dois diretores: o polêmico Jafar Panahi e seu prolífico colaborador Mohammad Rasoulof. Eu não poderei participar, mas fico aguardando a nossa vez aqui em SP!


A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 21 de maio a 2 de junho, a mostra Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi: cineastas iranianos, uma homenagem aos dois cineastas que, em 2010, foram sentenciados a seis anos de prisão e, no caso de Panahi, com proibição de escrever ou realizar filmes. Os dois, segundo as autoridades iranianas, teriam feito propaganda contra o Estado.
A mostra exibirá 12 produções que refletem sobre o Irã, a sociedade iraniana e suas raízes culturais, políticas e religiosas. A mostra acontece também na Caixa Cultural Brasília de 18 a 26 de maio.
(Fonte: Revista de Cinema).

A programação completa do evento está no site da CAIXA Cultural.


Hoje é Dia de Ferdowsi

Ferdowsi, pintura de Hojjatollah Shakiba
Você sabia? O dia 15 de maio tem um significado especial para os iranianos por ser o Dia  Nacional do poeta Ferdowsi. Muitos festivais de arte e cultura são realizados em todo o país para homenagear este inigualável poeta iraniano nascido no ano de 935 d.C em uma pequena aldeia perto de Tous, na cidade de Khorasan, que atualmente se localiza na província de Razavi Khorasan a NE do Irã. 
Ano passado publiquei aqui no blog dois posts dedicados ao poeta Ferdowsi, um deles falando sobre o legado deste poeta inigualável e outro sobre seu grande épico Shahnameh, "O Livro dos Reis" que é o maior livro escrito em poesia de todos os tempos, maior até que a Íliada e a Odisséia dos gregos juntas! 
Em homenagem a esse dia, alguns versos de Ferdowsi: 
Que não passemos mal a vida neste mundo,
empreguemos a mão da bondade em nossos esforços
Nem o bem nem o mal são eternos,
então será melhor que a bondade fique como lembrança.
Aquele tesouro, os dinares e o castelo
não te servirão de nada.
O bendito Fereidun nem era um anjo,
nem era feito de almíscare âmbar,
conseguiu sua fama pela bondade ao dar e oferecer.
- Abul Qāsem Ferdosí

(Poema adaptado de Lengua Persa)

Não foi falta de esforço meu, mas é incrivelmente difícil encontrar algum poema de Ferdowsi traduzido em português. Tentei até mesmo as pronúncias alternativas do nome do poeta: Ferdosi, Firdausi ou Firdusi, mas nada de poemas...
A notícia quase-boa é que encontrei um link para quem quiser ler os 18 capítulos do Shahnameh em Inglês. Espero que um dia nós brasileiros tenhamos o privilégio de ter uma tradução desta obra-prima da literatura persa e mundial! 


A Música Tradicional Persa

Detalhe de uma pintura do palácio Hasht-Behesht em Isfahan (c.1669)
A música tradicional iraniana (Musiqi-e sonnatī-e Irani) ou  música clássica iraniana (Musiqi-e-asil e Irani) é conhecida e apreciada em todas as regiões da Ásia onde há influência da cultura persa. Evidências arqueológicas  revelam que já existiam instrumentos musicais desde o período Elamita (800 a.C). Pouco se sabe sobre a música persa do mundo antigo, e muito menos sobre a música do Império Aquemênida. Entretanto, a música teve um papel importante nas cortes Sassânidas. Deste período, sabemos  os tipos de instrumentos que eram utilizados como harpas, alaúdes, flautas, gaitas de foles e outros.  Durante o império Sassânida, a música modal foi desenvolvida por um músico da corte chamado Barbad. Enquanto a tradição da música clássica no Irã dos dias de hoje tem os mesmos nomes de alguns dos modos da época, é impossível saber se tinham o mesmo som, porque não há nenhuma evidência de notação musical do período Sassânida. A música tradicional persa começou a se desenvolver após o advento do Islã no Irã, na era medieval e mais tarde durante a dinastia Qajar, o sistema clássico foi reestruturado em sua forma atual.

 Barbad tocando para o rei Khosrow. Ilustração do  Shahnameh de Firdowsi (1664)
A música clássica do Irã baseia-se tanto na improvisação quanto na composição, e numa série de escalas modais e melodias que devem ser memorizadas. O conhecimento  musical era passado de Ostad ("mestres")  para aprendizes, mas durante o século XX  a educação musical passou a ser exercida em universidades e conservatórios. O repertório comum consiste de mais de duzentos movimentos melódicos curtos chamados gusheh, que são classificados em sete dastgāh ou "modos". Dois destes modos têm modos secundários  chamados avaz. Cada gusheh e dastgah tem um nome próprio e o conjunto de todos eles é chamado de Radif  que existem em várias versões, de acordo com os ensinamentos de um determinado mestre. Muitas melodias e modos são semelhantes aos maqamat do repertório clássico turco e da música árabe por causa da troca de ciência musical que ocorreu no mundo islâmico entre a Pérsia e seus países vizinhos. Em  2009, os Radifs foram oficialmente registrados na  Lista  do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Músicos da atual geração da Radif iraniana (UNESCO)
Na música clássica o vocalista tem um papel crucial pois é ele que decide que humor vai expressar de acordo com o dastgah escolhido. Em muitos casos, o vocalista também é responsável pela escolha dos poemas a serem cantados. Se a performance requer um cantor, este é acompanhado por pelo menos um instrumento de sopro ou de cordas, e pelo menos um tipo de percussão. Podem haver mais instrumentos, desde que o vocalista mantenha seu papel principal. Em alguma canções Tasnīf (espécie de ode), os músicos podem formar um coro com o cantor ao longo de vários versos. Tradicionalmente, a música é realizada com o conjunto sentado sob almofadas e tapetes finamente decorados às vezes à luz de velas. O grupo de músicos e o vocalista decidem qual repertório irão executar, de acordo com o humor exigido pela ocasião.
A música clássica iraniana sempre teve e continua a ter em toda a sua história, muito mais uma função espiritual do que recreativa. As composições podem variar imensamente do início ao fim, geralmente alternando momentos contemplativos e exibições de habilidade musical chamados Tahrir.  A incoporação de textos religiosos passou a substituir em grande parte letras escritas por poetas sufis medievais, especialmente Hafez e Rumi.
"Músicos persas da era Qajar", pintura de Kamalolmolk, s.d 
Os instrumentos utilizados na música clássica persa incluem o kamancheh (instrumento de corda tocado com arco, ancestral do violino), o tonbak (tambor em forma de taça), o ney (flauta vertical de bambu), o daf (tambor emoldurado), os alaúdes de pescoço longo tar, setar, tanbur, dotar e o santur (harpa trapezoidal com 72 cordas percutidas). O violino europeu também é usado, com uma afinação alternativa preferida pelos músicos persas. O Chang (harpa persa),  um instrumento muito importante até a metade do império Safávida,  provavelmente foi substituído pelo Qanun (cítara). Também durante a dinastia Safávida foi introduzido o piano ocidental no Irã. 
Talvez o instrumento de cordas mais amado pelos persas seja  o tar. Tocadores de tar  geralmente são escolhidos para atuar como o principal instrumento de cordas em uma performance. O setar também é amado por sua delicadeza e é o favorito entre os músicos místicos. Alguns instrumentos como o Sorna (corneta), neyanban (gaita de foles), dohol (tambor), naghareh (dois pequenos tamborins), e outros, não são utilizados no repertório clássico, mas são usados ​​na música popular iraniana. O ghaychak, uma espécie de violino, está sendo re-introduzido na música clássica depois de muitos anos de exclusão. Os instrumentos utilizados no repertório clássico também são usados ​​na música folclórica iraniana.
Em um próximo post falarei mais detalhadamente sobre os instrumentos musicais iranianos. Aguardem!

>> QUER OUVIR A MÚSICA TRADICIONAL PERSA? CLIQUE AQUI! 

(Baseado em Wikipedia | Persian Traditional Music)


Atores iranianos: Homayoun Ershadi

Homayoun Ershadi
Salam! Hoje vamos estrear uma nova categoria no blog, para conhecermos os artistas mais conhecidos no cinema iraniano na atualidade e nos tempos áureos. E hoje vamos conhecer Homayoun Ershadi, ator iraniano nascido em Isfahan em 1947. Antes de se tornar ator, Ershadi estudou arquitetura na Itália e trabalhou nesta área, até ser descoberto dirigindo pelas ruas de Teerã pelo aclamado cineasta Abbas  Kiarostami que o escolheu para ser o protagonista de seu filme de maior sucesso Gosto de Cereja (1997). Mesmo não sendo um ator profissional e tendo começado a atuar já por volta dos 50 anos, ele teve êxito em trabalhos no cinema e na televisão. As marcas pessoais de Ershadi são o seu rosto calmo e sua voz grave que emprestam a seus personagens um ar de intelectualidade. 
Quem assistiu o filme O Caçador de Pipas (2007), baseado no best-seler afegão de Khaled Hosseini provavelmente deve se lembrar dele como o implacável pai do garoto Amir. Mais recentemente ele atuou nos filmes Alexandria (2009) como o personagem Aspasius e A Hora mais Escura (2012) como  Hassan Ghul.
Gosto de Cereja (1997) como Sr. Badi
O Caçador de Pipas (2007) como Baba
Alexandria (2009) como Aspasius
A Hora Mais Escura ( 2012) como Hassan Ghul
(Baseado em Wikipedia)


Não é a Capadócia... É Kandovan no Irã!

Kandovan, Irã
Kandovan é um estância turística na província do Azerbaijão Oriental, perto das cidades de Osku e Tabriz. Sua fama se deve aos vilarejos onde as casas são escavadas em rochas, muito semelhantes àquelas da Capadócia na Turquia. Aí você se pergunta, como surgiram essas rochas misteriosas com formatos estranhos?  Na verdade, elas são compostas das cinzas vulcânicas originárias de uma erupção do Monte Sahand, que já foi um vulcão ativo em um passado distante. A própria natureza se encarregou de esculpir essas torres em formato de cone ao longo de milhares de anos.   
Diz a lenda que os primeiros habitantes de Kandovan se mudaram para lá no séc. XIII para escapar da invasão do exército mongol. Eles cavaram esconderijos nas rochas vulcânicas, mas finalmente decidiram se estabelecer nessas cavernas que eles gradualmente desenvolveram e transformaram em edifícios de vários andares. Elas se tornaram um excelente abrigo, além de proporcionar um isolamento eficiente contra o frio rigoroso do inverno, assim como o calor do verão. Desde então, muitas gerações de seus descendentes continuaram vivendo nas mesmas casas. Algumas dessas casas existem há pelo menos 700 anos de idade e ainda são habitadas!
Para quem deseja se hospedar em Kandovan, no centro da vila há um hotel 5 estrelas escavado nas rochas chamado Kandovan Laleh Rocky que é uma espécie de irmão menos famoso do Cappadocia Cave Hotel, na Turquia e o segundo hotel deste gênero no mundo. Mas não pense que as únicas atrações de Kandovan se resumem a habitações trogloditas. O vilarejo está localizado em um vale verdejante de paisagem espetacular onde há plantas selvagens e nascentes de águas medicinais que segundo acredita-se tem a propriedade de curar doenças renais. Nem precisa dizer porque Kandovan é chamada de "Capadócia da Pérsia", só não tem passeio de balão... Mas  tudo bem, que tal um passeio de teleférico?

Chegando em Kandovan
Um paraíso verdejante
Passeio de nas alturas, teleférico em Kandovan
Vilarejo iluminado à noite
Lojas de artesanato tradicional
O aspecto sóbrio do vilarejo durante o dia
Casas nas rochas habitadas há mais de 700 anos
Interior de uma casa tradicional em Kandovan 
Kandovan Laleh Rocky, um hotel 5 estrelas nas rochas
(Baseado em Payvand)