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Breve História dos Perfumes no Irã


Ervas, flores, perfumes e aromas sempre atraíram a atenção dos iranianos desde os tempos mais remotos. Por isso, é uma pena que o Irã não esteja entre os maiores fabricantes de perfumes do mundo. Em fontes antigas, incluindo as inscrições do período Aquemênida, assim como fontes gregas, romanas e textos Pahlavi, podem ser encontradas indicações claras sobre o interesse dos iranianos por vários tipos de perfumes, incensos e aromas adocicados. Um relevo nas rochas de Persépolis mostra o rei Dario sentado em seu trono com dois frascos de perfume ou queimadores de incensos e Xerxes está de pé atrás dele, segurando o mesmo tipo de flores na mão esquerda. Estas flores são, provavelmente, Lírio do Vale ou narciso, típicas da província de Fars.

Relevo em Persépolis: Xerxes, Dário e os perfumes da antiga Pérsia
De acordo com antigos escritos persas, a descoberta dos perfumes é atribuída ora a Jamshid, ora a Manouchehr ambos reis persas e personagens do épico Shahnameh. Além disso, há uma grande quantidade de documentos históricos que justificam o profundo apego dos iranianos pela preparação de perfumes, produtos aromáticos e uma variedade de incensos. De acordo com o historiador Will Durrant, os iranianos foram os primeiros fabricantes de vários tipos de perfumes e cosméticos. A invenção de essências e cremes cosméticos também é atribuída aos iranianos. O  cultivo de muitas espécies de ervas e flores aromáticas, e a obtenção de perfumes, especialmente o Golab ("água-de-rosas"), a preparação de óleos aromáticos, a  fabricação de almíscar e âmbar e a preparação de  incensos eram disseminados no Irã antigo, particularmente na província de Fars e seus  produtos aromáticos foram exportados para os cantos mais remotos do mundo.
Alguns pesquisadores acreditam que os hebreus aderiram ao uso dos incensos nas sinagogas desde o século VI a.C, quando estabeleceram contato com o rei Aquemênida (Ciro). Muitos dos costumes e ritos dos iranianos gradualmente se integraram aos costumes hebreus. Após o advento do cristianismo muitos desses costumes  persistiram com pequenas alterações. Durante o  período Sassânida a preparação de vários tipos de perfumes foi bastante prevalecente. Os monarcas sassânidas eram tão seletivos no uso de seus perfumes que os seus companheiros e parentes não eram autorizados a utilizar os mesmos perfumes que os reis. Há muitas  prova documentais disponíveis sobre o cultivo de flores, a preparação de vários tipos de perfumes, aromas e incensos no antigo Irã também durante o período pós-islâmico.

A colheira de rosas para fabricação do Golab 
No Irã os perfumes tem um lugar especial no coração das pessoas, independentemente da idade ou sexo.  Desde os tempos antigos, os iranianos usam fragrâncias exclusivas de sua terra e isso é continuado até hoje. Surpreendentemente as mulheres iranianas ainda hoje usam as mesmas fragrâncias que eram usadas nos tempos dos reis. O Golab ou  "água de rosas" está entre os perfumes antigos mais  usados ​​no Irã e ainda em uso em quase todas as partes do mundo. Embora ele venha do Irã antigo, o orgulho e o prestígio deste perfume continua até hoje e os iranianos costumam usar esta fragrância quando visitam cemitérios ou qualquer outro lugar sagrado. O Golab distribuído em várias cidades do Irã é uma grande atração para os turistas que ao visitarem o Irã nunca deixam de comprar este perfume.
Outra fragrância principal oriunda da Pérsia é o almíscar que era altamente valioso no passado. Assim como o Golab, ele também ainda é usado nos dias de hoje. Esta fragrância exclusiva do Irã é feita a partir de uma substância, secretada por uma glândula de forte odor da cauda da gazela ou cervo almiscarado. Embora seja feito em apenas algumas partes do Irã, atualmente é considerado raro. 
O Irã considera a rosa como o símbolo de sua nação e isso indica o quanto as fragrâncias são conectadas com o estilo de vida de seu povo. Existe um esforço especial para continuar a fabricação de fragrâncias nos dias atuais que os iranianos consideram como uma maneira de promover a sua economia de turismo. Se você olhar para a história antiga vai saber o quanto o perfume foi uma parte importante da cultura persa desde os primórdios. E fiel à sua história, os iranianos preservaram as suas fragrâncias, e por isso, você pode encontrar uma grande variedade deles em qualquer loja de perfume no Irã.

Iraniana experimentando fragrâncias em uma loja de Teerã


3 comentários

  1. Janaina,
    Adorei esse post!
    Achei lindo os frascos de perfume.
    Abraço,
    Ana

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    Respostas
    1. Salam querida Ana! Obrigada, eu também achei lindos os frascos. Escrevendo esse post eu fiquei imaginando o cheirinho delicioso do Golab!
      Abraços!!

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  2. Salam, Jana Jan!
    Gosto muito de perfumes e de essências também. Óleos essenciais são o máximo, não?
    Persas e árabes amam perfumes.
    Você conhece o documentário "The Frankincese trial" da BBC? Se puder, assista no youtube, é lindo.
    Por falar no povo do Golfo...Mencionei o Golfo num novo poema...Espia só.
    Beijinhos!

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