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A História de Khosrow e Shirin por Nezami

Khosrow no Palácio de Shirin,
 miniatura persa do séc. XV
Khosrow e Shirin é o título de um famoso romance trágico persa escrito por Nezami Ganjavi (1141-1209). É uma versão altamente elaborada e ficcional da história de amor do rei Sassânida Khosrow II pela princesa armênia Shirin, que se torna a sua rainha. A narrativa, já era bem conhecida pelos persas através do grande poema épico Shahnameh, assim como obras de outros escritores persas e contos populares que têm o mesmo título. Outra variante da história também aparece sob o título Farhad e Shirin. Ao contrário do Shahnameh, que enfoca a história da realeza e batalhas de Khosrow, Nezami decidiu se concentrar no aspecto romântico da história.
A versão de Nezami começa contando a vida de Khosrow, filho do rei Hormoz. Uma noite, Khosrow sonhou com seu  avô Anushirvan que prevê para seu futuro uma esposa  chamada Shirin, um corcel chamado Shabdiz, um músico chamado Barbad e um grande reino, que é a Pérsia. O pintor Shapur, amigo íntimo de Khosrow lhe fala da rainha armênia  Mahin Banu e sua sobrinha Shirin. Ao ouvir as descrições de Shapur sobre a beleza de Shirin, o jovem príncipe se apaixona. Então Shapur viaja à Armênia à procura de Shirin e ao encontrá-la mostra a imagem de Khosrow para ela. Com efeito Shirin também se apaixona por Khosrow e foge de seu país para Mada'in, a terra de seu príncipe. Mas enquanto isso, Khosrow também foge da ira de seu pai e parte para a Armênia, em busca de Shirin.
No caminho, ele encontra Shirin tomando banho em um rio mas não a reconhece. Shirin percebe que alguém a está espiando, mas também não reconhece que é Khosrow, pois este viajava com roupas de camponês. Khosrow chega à Armênia e é recebido pela rainha Shamira que lhe informa da fuga de Shirin para Mada'in. Novamente, Shapur é enviado para encontrar Shirin, mas quando ela finalmente chega a Armênia, Khosrow tem que voltar para seu reino por causa da morte de seu pai. Os dois amantes passam por uma série de desencontros até que finalmente Khosrow é derrotado por um general chamado Bahram Chobin e busca refúgio na Armênia.
Khosrow avista Shirin se banhando no rio,  2011. Imagem do site Yolla Art
Os dois estão finalmente juntos, no entanto Shirin não concorda em se casar com Khosrow antes que este recupere seu país de volta das mãos de Bahram Choobin. Assim, Khosrow deixa Shirin na Armênia e parte para Constantinopla. Ali o Imperador concorda em ajudá-lo contra Bahram Choobin com a condição de que ele se casasse com sua filha Maryam. Khosrow também é obrigado a prometer que não vai se casar com outro enquanto Maryam viver. Khosrow consegue derrotar o seu inimigo e recuperar seu trono, mas sua esposa Maryam, mantém Khosrow afastado de Shirin.
Enquanto isso, um destemido pedreiro chamado Farhad apaixona-se por Shirin e se torna rival do príncipe. Não tolerando a presença de Farhad que é capaz de tudo pelo amor de Shirin,  Khosrow decide envia-lo para um exílio na montanha de Behistun onde ele é obrigado a cumprir a impossível tarefa de esculpir escadas nas rochas do penhasco. Farhad começa a sua tarefa na esperança de que Khosrow irá lhe permitir se casar com Shirin. No entanto, Khosrow envia um mensageiro para Farhad e lhe dá a notícia falsa da morte de Shirin. Ouvindo esta notícia falsa, Farhad se joga do alto da montanha e morre. Khosrow escreve uma carta para Shirin, expressando seu pesar pela morte de Farhad. Logo após este incidente, Maryam também morre, e Shirin responde a  Khosrow com outra carta de condolências.
Farhad carrega Shirin e seu cavalo sobre os ombros. Autor desconhecido.
Antes de ir propor o casamento com Shirin, Khosrow se relaciona com outra mulher de nome Shekar em Isfahan, o que o faz se atrasar para o encontro com a amada. Finalmente, ao chegar no palácio de Shirin,  Khosrow está bêbado,  e ela decide não deixá-lo entrar. Ela repreende Khosrow por ter estado com outra mulher e retorna ao seu palácio sentindo-se triste e traída.
Shirin eventualmente consente em se casar com Khosrow após vários episódios românticos e heróicos. No entanto, Shirouyeh, filho de Khosrow com sua falecida esposa Maryam, é também apaixonado por Shirin. Shirouyeh finalmente mata seu pai e envia um mensageiro para informar a Shirin que depois de uma semana, ela teria que se casar com ele. Shirin, a fim de evitar o casamento com o implacável Shirouyeh, comete suicídio. Segundo a história de Nezami, Khosrow e Shirin foram enterrados juntos no mesmo local.
Recontado pela tradição Sufi nos países de língua persa e nas histórias do Punjabi sob diferentes roupagens, este conto chegou até a Europa através do novelista húngaro Mor Jokai. Ele também serviu como inspiração para o filme Shirin (2008), dirigido por Abbas Kiarostami e para o escritor turco Orhan Pamuk no romance  Meu Nome é Vermelho (1998), que faz uma alusão a história usando o nome Husrev que é a grafia turca do nome Khosrow. O cinema de Bollywood também já fez pelo menos 5 versões de Shirin Fahrad entre os anos de 1926 e 1975.

(Baseado em Wikipedia)


2 comentários

  1. Salam, iranian girl!

    Jana Jan, você está cada vez mais iraniana! Esse texto é fantástico, embora trágico. Penso que a literatura sufi, no que diz respeito ao amor entre duas pessoas, é trágica demais. Já os contos sobre o cotidiano são menos dramáticos.
    Gosto das pinturas....

    O meu blog está celebrando muitas visitas, portanto, quero agradecer a você pelos comentários e pela amizade, você faz parte dele também.
    Um dia até falamos sobre o quanto é difícil manter um blog que não trate de violência e coisas banais desse mundo, que geralmente dão mais ibope, não é mesmo?
    Mas, relutemos e sigamos em frente! Porque falar de PAZ, Arte, Cultura, AMOR é tudo de BOM.
    um beijinho com amor de:
    Denise Bomfim.

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    Respostas
    1. Salam azizam Denise!
      Você sabe que os seus comentários deixam o perfume dá agua-de-rosas por aqui!. Amo a literatura que celebra todas as nuances da vida, do drama às alegrias! Mas os épicos iranianos tem essa qualidade de explorar o espetáculo das tragédias amorosas...
      Já estou passando lá no seu khaleej pra deixar o meu parabéns pelas muitas visitas de qualidade!
      Obrigada por ver com carinho e compreensao meu amor por essa cultura!
      Um beijão do tamanho da montanha Behistun!

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