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30 de Abril: Dia Nacional do Golfo Pérsico


Você sabia? 30 de Abril é um dia muito importante para o povo iraniano. Sabe por que? Nesta data é comemorado o Dia Nacional do Golfo Pérsico (em persa, Ruze Mellie Khalij Fars). A data foi proclamada em 2004 e é marcada por várias cerimônias em todo o Irã, especialmente nas cidades costeiras do sul.  
O Golfo Pérsico é uma extensão do Oceano Índico situada entre o Irã (Pérsia) e da Península Arábica. De acordo com o livro Documentos sobre o nome do Golfo Pérsico: a eterna herança dos tempos antigos,  o termo Golfo Pérsico e seus equivalentes têm sido utilizados  desde 400 a.C, mas em 1964, a Liga Árabe ratificou a mudança do nome para  Golfo Árabe  Aparentemente, esta mudança não foi aceita por alguns países árabes, mas após a guerra Irã-Iraque, a decisão foi tomada o que deixou os iranianos  irritados, especialmente quando os árabes tentaram usar o nome Golfo Árabe nos meios de comunicação ingleses.
 Depois de muitos encontros e seminários, ONG's e  geógrafos do Irã pediram ao governo para preservar o nome histórico do Golfo Pérsico. Finalmente, a República Islâmica do Irã em 2004, oficialmente designou o dia  30 de abril como o "Dia Nacional  do Golfo Pérsico", a decisão foi tomada pelo Conselho Superior da Revolução Cultural , presidida pelo ex-presidente Mohammad Khatami. Uma vez que a data coincide com o aniversário de uma campanha militar bem-sucedida contra a marinha portuguesa na Reconquista de Ormuz (1622).  Por mais de um século, a ilha de Ormuz no Golfo, permaneceu sob controle dos portugueses, mas eles foram derrotados e forçados a se retirar pelas forças iranianas de Shah Abbas.

(Fonte Wikipedia)


Aulinha de Persa 17 - Saudações e Cumprimentos


Salam! Hoje vamos aprender algumas frases úteis para serem usadas em diversas situações em persa. Mas antes vamos entender algumas particularidades desse idioma:

 Salâm ou Dorûd ?

Para dizer "Olá!" em persa, é mais comum as pessoas usarem a saudação árabe-islâmica Salâm! - سلام que significa "A paz!", mas na antiga cultura zoroastriana era utilizada a saudação persa Dorûd!درود -
que significa "Eu te desejo bem, saúde e felicidade". 
Portanto, Salâm é mais usada nos dias de hoje. Mas se alguém te saudar com Dorûd, não se esqueça que ao se despedir você deve dizer Bedrûd! - بدرود .

Aprenda que, assim como em qualquer outra língua, há frases que variam do muito formal ao muito informal. Por isso é importante saber distinguir, as frases informais são aquelas que você pode usar em conversas com amigos e parentes próximos, as formais são recomendadas para se dirigir a pessoas mais velhas ou autoridades.

"Saudações e Apresentações" 

Olá! - Salâm! - سلام
Bom dia! Sobh bekheir! -  صبح بخير
Boa tarde! - Ba'd az zohr bekheir! - بعد از  ظهر بخیر
Boa noite (final da tarde)! - Asr bekheir! - عصر بخیر 
Seja bem vindo(a)! - Khoch âmadid! - خوش امدید 
Olá meu amigo/minha amiga! - Salâm duste man! - سلام دوسته من
Como vai você? (formal) Hâle chomâ tchetor ast? - حال شما چطور است
(informal) - Tcheturid? - چطورید  ou  khubîd? - خوبید
Eu estou bem, obrigado(a)! - Man khubam, mersi (mamnun) - (من خوبم  مرسی ( ممنون
E você? (formal) - Chomâ tcheturid? -  چطورید شما ; (informal) - To tchetûri? - تو چطوری
Não estou muito bem - Man kheili khûb nîstam - من خیلی خوب نیستم
Há muito tempo não te vejo - Kheili vaghteh ke to râ nadîdam. - خیلی وقته که تو را ندیدم
Senti sua falta (saudades) - Delam barât tang chodeh. - دلم برات تنگ شده 
Como vão as novidades? - Tche khabar? -چه خبر  
Nenhuma novidade - Hitch khabar - هیچ خبر 
Obrigado! - (formal) Mamnûn - ممنون ; (informal) - Mersî - مرسي ; (muito formal) Mot-chakkeram - متشكرم
Muito obrigado! - Kheili mamnûn - خیلی ممنون
De nada! - Khôhech mikonam! - خواهش میکنم
Entre! - Biâ tu! - بیا تو
Sinta-se em casa! - Injâ khâneh chomast! - اینجا خانه شماست

"Expressões  de Despedida"

Tenha um bom dia! - Rûze khûbi dachteh bachîd - روز خوب داشته باشد
Boa noite! - Chab bekheir - شب بخیر
Boa noite e bons sonhos!  Chab bekheir va khôbhâye chîrîn - شب بخیر و خوابهای  شیرین
Até mais tarde! - Ba'dan chomâ râ bebînam - بعدن شما را ببینم
Até logo! - (formal) Bezûdi chomâ râ bebînam; (informal)  mîbînamet - می‌بینمت
Até amanhã! - Fardâ chomâ râ bebînam - فردا  شما را ببینم ; (informal) Fardâ mebinamet - فردا میبینمت
Adeus! - (formal) Khodâhâfez - خداحافظ ou Khoda negahdâr -خدا نگهدار  ; (informal) Khodâfez - خدافظ
Tenha uma boa viagem! - Mosâferate khûbi dachteh bachîd - مسافرت خوب داشته باشید 
Tenho que ir - Man bâiad beravam - من باید بروم
Já volto! - Barmîgardam - برمیگردم

"Cumprimentos" 

Boa sorte!- Movafagh bashîd - موفق باشد
Feliz aniversário! - Tavalodat mobarak - تولدت مبارک
Feliz Ano Novo! - Sale nû mobarak - سال نو مبارک
Feliz Natal! - Krismass mobarak - کریسمس مبارک
Feliz Eid (fim do Ramadan) - Eide shoma mobârak! - عید شما مبارک 
Feliz Páscoa! - Eide pâk mobārak- عيد پاک مبارک
Bom apetite! - Nûchejân! - نوش جان
Saúde! (brindando com alguém) - Be salâmatî! - به سلامتی

Por hoje é só! Espero que tenham aprendido bastante! Khodâ hâfez!



Googoosh - Hamsafar (1975)

Atendendo a pedidos, uma música da grande diva pop iraniana Googoosh. Devo admitir que não tenho tanto entendimento da história da música popular iraniana e nem vivi naqueles tempos áureos para dizer que sou fã dela, mas como meus amigos iranianos sempre sugerem aí vai uma indicação de um deles. Este vídeo mostra belíssimas cenas do filme clássico Hamsafar ("Companheiro de Viagem") de 1975, onde Googoosh  mostra sua potência vocal e talento dramático ao lado da maior lenda do Cinema Iraniano, o ator Behrouz Vossough com quem ela foi casada. Ambos, Googoosh e Behrouz atualmente vivem no exílio nos EUA, assim como muitos artistas que fizeram grande sucesso antes da Revolução Islâmica de 1979.


Shahzadeh, um jardim paradisíaco no meio do deserto

Vista aérea do Shahzadeh 
O magnífico Bagh-e Shahzadeh ou "Jardim dos Príncipes", se localiza no meio do deserto ao lado das montanhas Joupar a 6 km de Mahan, na província de Kerman. Ele faz parte da Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, juntamente com outros nove jardins espalhados pelo Irã  que exemplificam a evolução dos jardins persas que se adaptaram a diferentes condições climáticas, desde os tempos de Ciro, o Grande (séc. VI a.C.). 
A estrutura do Shahzadeh consiste em um jardim retangular de 5,5 hectares em um terreno inclinado, com portão de entrada na extremidade baixa e um pavilhão de dois andares, na extremidade alta. Uma fonte ornamental, percorre todo o jardim de uma extremidade a outra. Sua construção foi iniciada por  Mohammad Hasan Khan Qajar Sardari Iravani (c.1850 -1870) e se estendeu até o reinado de Abdolhamid Mirza Naseroldoleh. Próximo a ele também está o túmulo de Shah Nematollah Vali (mestre sufi e poeta que viveu entre os séc. XIV-XV). 
Sempre divididos em quatro setores, com a água desempenhando um papel importante tanto para a irrigação quanto para a ornamentação, os jardins persas eram concebidos para simbolizar o Éden e os quatro elementos do zoroastrismo: céu, terra, água e plantas. O projeto arquitetônico desses jardins também inclui edifícios, pavilhões, muros e sistemas de irrigação sofisticados. Foram os chamados pairi-daeza ou "paraísos" persas que  influenciaram o conceito de jardins da Índia (Taj Mahal) até a Espanha (Alhambra).

Entrada a partir do interior do jardim  Shahzadeh 
Vista para a fonte que irriga o jardim de uma extremidade a outra
A água desempenha um papel importante na ornamentação dos jardins persas
Vista noturna do Shahzadeh com o pavilhão ao fundo
A fachada do pavilhão no interior do jardim
>> Conheça mais do Jardim Shahzadeh e também o interior do edifício do túmulo de  Shah Nematollah Vali  neste vídeo:

(Baseado em Payvand e Wikipedia)


A História de Khosrow e Shirin por Nezami

Khosrow no Palácio de Shirin,
 miniatura persa do séc. XV
Khosrow e Shirin é o título de um famoso romance trágico persa escrito por Nezami Ganjavi (1141-1209). É uma versão altamente elaborada e ficcional da história de amor do rei Sassânida Khosrow II pela princesa armênia Shirin, que se torna a sua rainha. A narrativa, já era bem conhecida pelos persas através do grande poema épico Shahnameh, assim como obras de outros escritores persas e contos populares que têm o mesmo título. Outra variante da história também aparece sob o título Farhad e Shirin. Ao contrário do Shahnameh, que enfoca a história da realeza e batalhas de Khosrow, Nezami decidiu se concentrar no aspecto romântico da história.
A versão de Nezami começa contando a vida de Khosrow, filho do rei Hormoz. Uma noite, Khosrow sonhou com seu  avô Anushirvan que prevê para seu futuro uma esposa  chamada Shirin, um corcel chamado Shabdiz, um músico chamado Barbad e um grande reino, que é a Pérsia. O pintor Shapur, amigo íntimo de Khosrow lhe fala da rainha armênia  Mahin Banu e sua sobrinha Shirin. Ao ouvir as descrições de Shapur sobre a beleza de Shirin, o jovem príncipe se apaixona. Então Shapur viaja à Armênia à procura de Shirin e ao encontrá-la mostra a imagem de Khosrow para ela. Com efeito Shirin também se apaixona por Khosrow e foge de seu país para Mada'in, a terra de seu príncipe. Mas enquanto isso, Khosrow também foge da ira de seu pai e parte para a Armênia, em busca de Shirin.
No caminho, ele encontra Shirin tomando banho em um rio mas não a reconhece. Shirin percebe que alguém a está espiando, mas também não reconhece que é Khosrow, pois este viajava com roupas de camponês. Khosrow chega à Armênia e é recebido pela rainha Shamira que lhe informa da fuga de Shirin para Mada'in. Novamente, Shapur é enviado para encontrar Shirin, mas quando ela finalmente chega a Armênia, Khosrow tem que voltar para seu reino por causa da morte de seu pai. Os dois amantes passam por uma série de desencontros até que finalmente Khosrow é derrotado por um general chamado Bahram Chobin e busca refúgio na Armênia.
Khosrow avista Shirin se banhando no rio,  2011. Imagem do site Yolla Art
Os dois estão finalmente juntos, no entanto Shirin não concorda em se casar com Khosrow antes que este recupere seu país de volta das mãos de Bahram Choobin. Assim, Khosrow deixa Shirin na Armênia e parte para Constantinopla. Ali o Imperador concorda em ajudá-lo contra Bahram Choobin com a condição de que ele se casasse com sua filha Maryam. Khosrow também é obrigado a prometer que não vai se casar com outro enquanto Maryam viver. Khosrow consegue derrotar o seu inimigo e recuperar seu trono, mas sua esposa Maryam, mantém Khosrow afastado de Shirin.
Enquanto isso, um destemido pedreiro chamado Farhad apaixona-se por Shirin e se torna rival do príncipe. Não tolerando a presença de Farhad que é capaz de tudo pelo amor de Shirin,  Khosrow decide envia-lo para um exílio na montanha de Behistun onde ele é obrigado a cumprir a impossível tarefa de esculpir escadas nas rochas do penhasco. Farhad começa a sua tarefa na esperança de que Khosrow irá lhe permitir se casar com Shirin. No entanto, Khosrow envia um mensageiro para Farhad e lhe dá a notícia falsa da morte de Shirin. Ouvindo esta notícia falsa, Farhad se joga do alto da montanha e morre. Khosrow escreve uma carta para Shirin, expressando seu pesar pela morte de Farhad. Logo após este incidente, Maryam também morre, e Shirin responde a  Khosrow com outra carta de condolências.
Farhad carrega Shirin e seu cavalo sobre os ombros. Autor desconhecido.
Antes de ir propor o casamento com Shirin, Khosrow se relaciona com outra mulher de nome Shekar em Isfahan, o que o faz se atrasar para o encontro com a amada. Finalmente, ao chegar no palácio de Shirin,  Khosrow está bêbado,  e ela decide não deixá-lo entrar. Ela repreende Khosrow por ter estado com outra mulher e retorna ao seu palácio sentindo-se triste e traída.
Shirin eventualmente consente em se casar com Khosrow após vários episódios românticos e heróicos. No entanto, Shirouyeh, filho de Khosrow com sua falecida esposa Maryam, é também apaixonado por Shirin. Shirouyeh finalmente mata seu pai e envia um mensageiro para informar a Shirin que depois de uma semana, ela teria que se casar com ele. Shirin, a fim de evitar o casamento com o implacável Shirouyeh, comete suicídio. Segundo a história de Nezami, Khosrow e Shirin foram enterrados juntos no mesmo local.
Recontado pela tradição Sufi nos países de língua persa e nas histórias do Punjabi sob diferentes roupagens, este conto chegou até a Europa através do novelista húngaro Mor Jokai. Ele também serviu como inspiração para o filme Shirin (2008), dirigido por Abbas Kiarostami e para o escritor turco Orhan Pamuk no romance  Meu Nome é Vermelho (1998), que faz uma alusão a história usando o nome Husrev que é a grafia turca do nome Khosrow. O cinema de Bollywood também já fez pelo menos 5 versões de Shirin Fahrad entre os anos de 1926 e 1975.

(Baseado em Wikipedia)


Um passeio de 8 minutos pela Avenida Valiasr

Avenida Valiasr, Teerã
A Valiasr é uma gigantesca avenida que corta a cidade de Teerã, capital do Irã , em duas metades: ocidental e oriental. É também a maior rua no Oriente Médio e provavelmente uma das maiores do mundo com 17,3 km de comprimento. Nos dois estremos da Valiasr estão a Praça Tajrish ao norte e a Praça Rahahan ao sul. Construída nos tempos de Reza Shah Pahlavi, ela foi inaugurada com o nome de Avenida Pahlavi. Depois da Revolução Islâmica de 1979, o nome  foi mudado primeiro  para Avenida Mossadegh (em referência ao ex-primeiro-ministro nacionalista, Mohammad Mossadegh ) e mais tarde para Valiasr (uma referência ao 12 º Imam xiita). Ao longo da Valiasr  estão situadas inúmeras atividades da metrópole Teerã como um grande número de  lojas, shoppings, restaurantes,  hotéis, parques (como o Mellat) e centros culturais. (Fonte: Wikipedia)

Este vídeo mostra um passeio de automóvel por essa grande avenida. É meio longo, mas confesso que fiquei hipnotizada pela quantidade de árvores e pela trilha sonora que lembra um jogo de corrida!


Analisando a viagem de um fotógrafo ao Irã

Amos Chapple é um fotógrafo freelancer neozelandês que esteve três vezem em viagem pelo Irã, entre dezembro de 2011 e janeiro de 2013. Chapple disse que ficou impressionado com a diferença entre a percepção ocidental sobre o país, e o que ele realmente viu lá. Segundo ele, porque o Irã é um país de difícil acesso para os jornalistas, as pessoas têm uma imagem distorcida. Embora ao mesmo tempo o fotógrafo alega que "o governo do país promove uma imagem anti-ocidente enquanto os cidadãos comuns se envergonham da política de seu país e acolhem muito bem aos estrangeiros". De fato, a reportagem original na qual encontrei o trabalho de Chapple lança mais ênfase as descrições políticas e históricas redundantes e que pouco me acrescentam, suscitadas pelas imagens de acordo com seu ator. A meu ver esse não é um trabalho de fotojornalismo documental como pretendem as descrições, mas uma série de imagens poéticas que retratam um Irã de ângulos inusitados e uma pulsação de formas, luzes e cores sem igual. Tomo a liberdade de selecionar as 10 fotos que mais gostei e acrescentar aqui as minhas impressões: 

Vilarejo de Palangan perto da fronteira com o Iraque:  onde a luz das casas rústicas revestem a montanha de um brilho dourado.
Ainda na fronteira Irã-Iraque, o pastor apascenta suas ovelhas cuja lã alva se confunde com a névoa da manhã.
Dentro da mesquita Vakil em Shiraz, a luz,  a luz invade o interior desse templo onde poucos turistas vêm perturbar o seu silêncio pacífico. 

Do alto de uma colina as mulheres observam a cidade de Teerã, envoltas em seus xadores negros que pouco a pouco se confundem com a escuridão do anoitecer.
No final da tarde, o jovem caminha sob um mosaico de luzes multicoloridas dos vitrais do Bazar em Teerã. Ele toma emprestado para si um pouco dos reflexos, orgulhoso da herança  que seus antepassados deixaram. 
A Teerã, dos constrastes entre o moderno e o tradicional vista do alto de um edifício. As luzes dos minaretes estáticos da mesquita e dos faróis dos carros em movimento evidenciam ainda mais essas duas realidades.
O Irã das artes milenares, recebe nas galerias de arte em sua capital Teerã, uma amostra da arte contemporânea de Andy Warhol, trazidas pela ex-imperatriz Farah Pahlavi. 
No metro de Teerã, encontramos uma realidade tão próxima do nosso cotidiano. Aqui a vivacidade do olhar dos garotos gêmeos contrasta com os homens adultos exaustos com o ritmo acelerado da capital. 
Um olhar para o passado: no relevo da grande Persépolis, que hoje testemunha o esforço do povo persa de manter viva tradições que existem há mais de 2500 anos. 
A Torre Azad ou da "Liberdade" é um  monumentos de linhas  e formas ousadas que traçam uma síntese histórica em sua arquitetura  que combina elementos que vão do período Sassânida ao Islâmico em   harmonia incomparável.

Comentário: na sequência completa das fotos, estão as descrições originais do autor em inglês. Eu não quis traduzi las aqui, porque algumas envolvem opiniões que não compartilho. Também não quis colocar aqui algumas imagens que considero clichês como a do muro da Embaixada Americana em Teerã com os dizeres Down with USA e a clássica forma da mulher de chador negro escondendo o rosto da câmera.
(Crédito das imagens: Amos Chapple. Para ver a sequencia completa das fotografias: The Atlantic)


Belas Paisagens do Azerbaijão Ocidental

Se você gosta de natureza, campos, montanhas, cavernas e lagos, um cenário ideal para uma aventura, deve conhecer um dia as paisagens marcantes da província do Azerbaijão Ocidental. Localizada no extremo noroeste do Irã, essa província faz fronteira com a Turquia, Iraque e a República Autônoma de Nakichevan. Sua capital é a cidade de Urmia, conhecida como a "cidade da água".


Refletindo com o Bule de Chá

Créditos da imagem: Gaku Homma
Salam amigos! Esta imagem fez tanto sucesso na nossa comunidade do Facebook, que resolvi compartilhar aqui para quem não participa. 
Imagine que você está em Teerã e se depara com um bule desses no bazar. Você com certeza vai pensar: mas pra que ele tem tantos bicos, pra servir vários copos ao mesmo tempo? Na verdade não, ele foi feito assim como uma pegadinha mesmo! Só por um dos bicos é que sai o líquido, que é justamente aquele que está no lado oposto da asa. Pra você descobrir o segredo, tem que olhar dentro do bule! 
O autor desta foto, compara esse bule ao Irã e diz que você tem que realmente "olhá-lo de dentro" pra descobrir como ele é de verdade. Gostaram? Esse bule é a cara do nosso Chá-de-Lima da Pérsia!


Por que há tantos terremotos no Irã?

Cena do filme E a Vida Continua (1991) de Abbas Kiarostami,
filmado  no norte do Irã após o devastador terremoto de 1990.
Salam amigos! Diante das última notícias, não há como não ficar atônito: 2 terremotos em um intervalo de apenas uma semana! Hoje na região de Sistan e Baluchistan (fronteira com o Paquistão) um terremoto ainda maior do que aquele que havia acontecido  na semana passada em Bushehr.
O tremor de 7.8 graus na escala Richter ocorreu às 15h14 (horário local) e não foi sentido apenas no Irã, mas também nas grandes cidades do Paquistão, como Islamabad, a capital, e sobretudo em Karachi. Também foi sentido em vários países do Golfo Pérsico, entre eles os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Omã e no leste da Arábia Saudita. Das 45 vítimas, 40 são iranianos e 5 paquistaneses.
Lembrando que o antepenúltimo aconteceu em Tabriz, em Agosto do ano passado. As estatísticas revelam uma média de quase 2 terremotos por ano desde o começo do século 21 em regiões distintas do Irã. Sem falar que durante o século passado foram um total de 20 em todas as décadas. 
O mais complicado é que praticamente todas as regiões do Irã são vulneráveis aos abalos sísmicos, isso ocorre porque o país se localiza na borda de uma  placa tectônica continental, que abrange da península Arábica até a Turquia. Os  terremotos são originados do choque desta placa com a placa Euroasiática que em tempos remotos foi a responsável pela origem do mar Vermelho.
A má notícia é que estes terremotos sempre aconteceram e continuarão acontecendo com regularidade nas terras da Pérsia. Além de muitas perdas humanas, principalmente nas áreas rurais, importantes patrimônios históricos foram severamente danificados como no terremoto que arrasou a cidade histórica de Bam em 2003 e que foi um dos piores da história do Irã (31 mil vítimas).

Mais uma vez, o blog Chá-de-Lima da Pérsia expressa os seus respeitos às vítimas do terremoto no Irã e no Paquistão. 
Arte de Mohammadali-Rajabi
Imagem do site: Irancartoon Web Gallery


Curta-metragem: "Não Acontece todo Dia"

Salam amigos! Vejam que delicadeza esse curta-metragem iraniano. Sem diálogos e com o mínimo de recursos, a história nos mostra através de detalhes sutis que muitas vezes o que percebemos como a indiferença em um relacionamento pode ter outro significado. O autor é Mohammad Reza Kesharvaz, um jovem diretor não muito conhecido. 


As Ruínas de Tchoga Zanbil

Tchogha Zanbil  foi a capital religiosa do reino elamita, construída ao redor de um grande zigurate (templo)   e rodeada por três enormes muralhas concêntricas. Fundada no século XIII a.C. entre Ansham e Susa, a cidade permaneceu inacabada quando foi invadida pelo rei assírio Assurbanipal em 640 a.C. conforme revelam os tijolos ainda novos deixados no local.
Tchogha Zanbil foi construída por volta de 1250 a.C. pelo rei Untash-Napirisha em honra do deus Inshushinak. O seu nome original era Dur-Untash ("Cidade de Untash").  A altura original do edifício era de 60m de altura, mas as ruínas encontradas atualmente ficaram reduzidas a uma altura de 25m.
Para suprir a população da cidade com água, Untash-Napirisha mandou escavar um canal de cerca de 50 km de comprimento, levando a um reservatório fora da cidade; parte desse canal ainda hoje é usada.
Escavações arqueológicas entre 1951 e 1962 revelaram Tchogha Zanbil, e o zigurate localizado perto da atual Susa, na província de Khuzestan no Irã, foi considerado o mais bem preservado do mundo. Em 1979, Tchogha Zanbil foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.







(Baseado em Payvand)


Shahram Nazeri - Atashi Dar Neyestan

Quem gosta de música clássica persa? Difícil de ouvir? Então experimente apreciá-la naqueles momentos em que você está sem inspiração, precisando ter uma ideia criativa. Comigo sempre funciona! Haja criatividade pra blogar tanto, né? Essa música foi enviada por um amigo que me explicou que a letra é inspirada em uma poesia sufi que fala sobre o bambu. Isso mesmo, aquela planta oca por dentro que não resiste muito ao fogo. É uma alegoria sobre a espiritualidade e a condição humana, sacaram? Quem nos encanta com essa melodia, é o mestre  Shahram Nazeri.


A Difícil Tarefa de Dizer quem Somos Nós

Salam amigos da Pérsia! No post de hoje vou trazer algumas pérolas do meu diário-de-bordo da amizade Brasil e Irã. E no nosso chá de hoje, a pergunta é: Quem somos nós e afinal, qual a imagem que nós brasileiros passamos para os iranianos? Para tentar responder a essa questão, vou começar falando de mim, afinal quem sou? Uma brasileira apaixonada  pelo Irã, que ainda não esteve no Irã mas está o tempo todo com o Irã. Nos chats com amigos do Irã, tentando aprender o idioma persa ou assistindo filmes e documentários sobre este país. Nas redes sociais papeando com amigos e amigas brasileiras apaixonados pelo Irã ou por alguém de lá. Assim não se passa nem sequer um dia em que eu esteja longe do Irã, há pelo menos uns 2 anos... Então nem preciso dizer por quais razões gosto tanto de manter este blog...
Agora vocês devem estar se perguntando: o que eu falo de nossa brava gente para os iranianos? Como passo a imagem de uma brasileira para eles? É o seguinte, o que vou falar agora se trata da minha experiência pessoal. Com certeza a sua impressão sobre seus amigos iranianos pode ser muito diferente da que eu descrevo aqui. 
Em primeiro lugar parece bobagem dizer isso, mas eu não ando hejab por aí como vocês estão vendo na foto do meu do perfil do blog e também não sou praticante da religião islâmica. Então a imagem que os meus amigos iranianos tem de mim quando conversamos por webcam geralmente é a mais natural possível. Mas quando falo que sou do Brasil, sempre fico na expectativa de algumas perguntas clichê do tipo: você sabe dançar samba? Você gosta de funk? Tem foto sua na praia? O Cristo Redentor é perto da sua casa? Quando a galerinha do Oriente Médio e adjacências abre seu leque de indagações normalmente reajo com calma e bom-humor, mas pode crer que tem vezes que fico brava pra valer! Até que com os iranianos isso não é sempre necessário. Normalmente sou eu que os assusto ao esclarecer que a realidade do Brasil não é tão cheia de purpurina, lantejoulas e penas de pavão como alguns deles pensam. Por exemplo, meu amigo Sadegh (nomes foram trocados neste post) disse: Queria tanto ver o carnaval de perto, eu vi no canal da BBC que é lindo! Eu respondo: Euzinha moro no Brasil desde que nasci e nunca fui ver o carnaval de perto...Eu tenho o direito de ser brasileira e não gostar de carnaval, não tenho? Tadinho, ainda tive que desiludi-lo que o desfile das Escolas de Samba não é de graça e nem no meio da rua como ele pensava. Até falei sobre os numerosos carnavais de rua populares que existem Brasil afora, mas que não eram grandes espetáculos de alegoria como o que ele tanto queria ver... (Tsc, tsc... imagine a cara de tacho...)
Alguém deve estar pensando que eu sou do tipo de brasileira que adora falar mal do nosso país, né? Mas não é bem assim... Por exemplo, o Sadegh adora reclamar da situação política do país dele, mas quando tentei expor para ele o que a mídia ocidental mostra, ele se transfigurou em um patriota inflado dando o maior sermão do mais genuíno orgulho persa! Da mesma forma eu insisto fortemente que o nosso país não é uma festa na laje no domingão. Falo logo que aqui também, existe fome, miséria, violência e corrupção (experimente perguntar para um iraniano o que é uma favela, ele provavelmente não sabe ou nunca viu uma!). Mas também gosto de falar da vastidão da nossa natureza e da nossa diversidade cultural ímpar e que eu me sinto muito feliz por ser parte dessa maravilhosa maçaroca de povos do mundo inteiro! Porque da mesma forma que me entristece os estereótipos sobre os iranianos serem chamados de terroristas, fico indignada com a visão que muitos estrangeiros têm de nós brasileiras como "mulheres cartão postal". 
Se bem que a maioria dos iranianos com quem converso não sabe absolutamente quase nada sobre o Brasil, exceto a escalação inteira da seleção de todas as copas...  São poucas as insinuações marotas como a de meu amigo Ershad que disse: Ouvi dizer que as mulheres brasileiras são muito bonitas, é verdade? E eu respondi brincando: Eu ouvi falar o mesmo das iranianas! Aliás ouvi falar dos iranianos também, hehe... Ershad diz: E eu, o que você acha de mim? Aí aproveito para tecer elogios sobre a cultura do colega e puxar a sardinha sobre o meu blog. A gratificante resposta que tenho quase sempre é: Obrigado por mostrar a cultura do meu país! Venha para cá nos visitar!

Eis uma seleção de algumas pérolas desses preciosos diálogos com amigos iranianos (todos os nomes foram trocados para evitar confusão):

Samira: todas as brasileiras são simpáticas e alegres como você? 
Eu: Não, eu sou a mais triste e antipática... (Sorriso)

Mohsen: O que você acha do presidente do meu país? 
Eu: Não sei, eu não vivo aí no Irã. Aliás, o que você acha da minha presidente?

Homan: As garotas que desfilam nuas no carnaval são boas ou más pessoas?
Eu: Elas são muito beeeeeeeem pagas pra isso...

Ahmad: Eu vi um vídeo na internet sobre o Rio de Janeiro e fiquei encantado! Se eu pudesse dar uma cor para esse lugar seria vermelho!  
Eu: Vermelho é a cor que você vai ficar se for para lá sem bloqueador solar! (o garoto mora na cidade mais fria do Irã, oras...)

Kurosh: Você quer vir morar aqui no Irã e se casar com um iraniano?
Eu: Opa! Você está se candidatando?!

Abbas: Ouvi falar que aí no Brasil os homossexuais são livres. Eu queria tanto ver um deles de perto... 
Eu: Hmmm... Acho que eles também vão querer te ver de perto, seu lindo!

Eu começo a pensar que se tem alguém que pensa no Irã toda hora, a cada minuto pesquisa alguma coisa sobre as terras da Pérsia, pra dizer o quanto a ama...  Essa pessoa sou eu! Bem amigos do Chá-de-Lima, espero que tenham gostado desse momento descontraído de sexta-feira! 

Abraço carinhoso e continuem ligados neste blog de amor, amizade e respeito Brasil e Irã! 


"Masouleh", uma história cativante sobre amor e vida

Salam amigos! Recebi em meu e-mail esta linda e emocionante animação iraniana que conta uma história sobre a importância de agradecer e honrar cada momento de que somos capazes de recordar. O cenário é o belo vilarejo histórico de Masouleh nas montanhas do norte do Irã, onde vive uma população majoritariamente idosa. Nos dias atuais os jovens estão migrando para as cidades em busca de estudo e trabalho e deixando os idosos solitários. Um belo dia, um jovem casal de turistas chega ao vilarejo e começa a observar os belos artesanatos e a arquitetura local. Ao pararem para descansar observam uma cena adorável entre um casal de velhinhos, mas ao ir embora do local, eles não conseguem esquecer o que viram. Masouleh de Bahram Azimi já ganhou 5 prêmios em festivais nacionais e internacionais.


Homenagem às vítimas do terremoto em Bushehr


Salam amigos da Pérsia! Hoje fiquei sabendo da triste notícia de um terremoto  de 6.1 graus que atingiu as  cidades de Khormouj, Dayer e Kangan na província de Bushehr  sudeste do Irã, que deixou cerca de 37 mortos e 850 feridos. A usina nuclear que fica na região não sofreu nenhum dano, mas cerca de 200 casas foram danificadas nos vilarejos.  (Fonte: Inside of Iran).  
Quero partilhar aqui meus sentimentos e que Deus conforte as famílias das vítimas e dê força aos sobreviventes:
Não te aflijas: a beleza voltará a deliciar-te com o seu encanto; a cela de tristeza se transformará um dia em jardim de rosas.
Não te aflijas, coração sofredor: o teu mal se transmutará em bem; não te detenhas a pensar no que te inquieta: esse espírito agitado conhecerá de novo a paz. 
Não te aflijas: mais uma vez vai reinar a vida no jardim em que suspiras, e breve, ó cantor da noite, verás sobre a tua fronte uma cortina de rosas. 
Não te aflijas se, por instantes, as esferas estreladas não giram à feição dos teus desejos: a roda do tempo não anda sempre na mesma direção. 
Não te aflijas se, por amor do santuário, avanças no deserto e os espinhos te ferem. 
Não te aflijas, minha alma, se a torrente dos dias faz em ruínas a tua morada mortal: tens Amor para te salvar desse dilúvio.
 Não te aflijas se a viagem é rude e a meta invisível: não há caminho sem termo. 
 Não te aflijas, ó Hafiz, no humilde recanto em que te julgas pobre e na desolação das noites escuras: ainda tens o teu canto e o teu amor. 
(Poema de Hafez, extraído do blog Poesia Persa )


Breve História dos Perfumes no Irã


Ervas, flores, perfumes e aromas sempre atraíram a atenção dos iranianos desde os tempos mais remotos. Por isso, é uma pena que o Irã não esteja entre os maiores fabricantes de perfumes do mundo. Em fontes antigas, incluindo as inscrições do período Aquemênida, assim como fontes gregas, romanas e textos Pahlavi, podem ser encontradas indicações claras sobre o interesse dos iranianos por vários tipos de perfumes, incensos e aromas adocicados. Um relevo nas rochas de Persépolis mostra o rei Dario sentado em seu trono com dois frascos de perfume ou queimadores de incensos e Xerxes está de pé atrás dele, segurando o mesmo tipo de flores na mão esquerda. Estas flores são, provavelmente, Lírio do Vale ou narciso, típicas da província de Fars.

Relevo em Persépolis: Xerxes, Dário e os perfumes da antiga Pérsia
De acordo com antigos escritos persas, a descoberta dos perfumes é atribuída ora a Jamshid, ora a Manouchehr ambos reis persas e personagens do épico Shahnameh. Além disso, há uma grande quantidade de documentos históricos que justificam o profundo apego dos iranianos pela preparação de perfumes, produtos aromáticos e uma variedade de incensos. De acordo com o historiador Will Durrant, os iranianos foram os primeiros fabricantes de vários tipos de perfumes e cosméticos. A invenção de essências e cremes cosméticos também é atribuída aos iranianos. O  cultivo de muitas espécies de ervas e flores aromáticas, e a obtenção de perfumes, especialmente o Golab ("água-de-rosas"), a preparação de óleos aromáticos, a  fabricação de almíscar e âmbar e a preparação de  incensos eram disseminados no Irã antigo, particularmente na província de Fars e seus  produtos aromáticos foram exportados para os cantos mais remotos do mundo.
Alguns pesquisadores acreditam que os hebreus aderiram ao uso dos incensos nas sinagogas desde o século VI a.C, quando estabeleceram contato com o rei Aquemênida (Ciro). Muitos dos costumes e ritos dos iranianos gradualmente se integraram aos costumes hebreus. Após o advento do cristianismo muitos desses costumes  persistiram com pequenas alterações. Durante o  período Sassânida a preparação de vários tipos de perfumes foi bastante prevalecente. Os monarcas sassânidas eram tão seletivos no uso de seus perfumes que os seus companheiros e parentes não eram autorizados a utilizar os mesmos perfumes que os reis. Há muitas  prova documentais disponíveis sobre o cultivo de flores, a preparação de vários tipos de perfumes, aromas e incensos no antigo Irã também durante o período pós-islâmico.

A colheira de rosas para fabricação do Golab 
No Irã os perfumes tem um lugar especial no coração das pessoas, independentemente da idade ou sexo.  Desde os tempos antigos, os iranianos usam fragrâncias exclusivas de sua terra e isso é continuado até hoje. Surpreendentemente as mulheres iranianas ainda hoje usam as mesmas fragrâncias que eram usadas nos tempos dos reis. O Golab ou  "água de rosas" está entre os perfumes antigos mais  usados ​​no Irã e ainda em uso em quase todas as partes do mundo. Embora ele venha do Irã antigo, o orgulho e o prestígio deste perfume continua até hoje e os iranianos costumam usar esta fragrância quando visitam cemitérios ou qualquer outro lugar sagrado. O Golab distribuído em várias cidades do Irã é uma grande atração para os turistas que ao visitarem o Irã nunca deixam de comprar este perfume.
Outra fragrância principal oriunda da Pérsia é o almíscar que era altamente valioso no passado. Assim como o Golab, ele também ainda é usado nos dias de hoje. Esta fragrância exclusiva do Irã é feita a partir de uma substância, secretada por uma glândula de forte odor da cauda da gazela ou cervo almiscarado. Embora seja feito em apenas algumas partes do Irã, atualmente é considerado raro. 
O Irã considera a rosa como o símbolo de sua nação e isso indica o quanto as fragrâncias são conectadas com o estilo de vida de seu povo. Existe um esforço especial para continuar a fabricação de fragrâncias nos dias atuais que os iranianos consideram como uma maneira de promover a sua economia de turismo. Se você olhar para a história antiga vai saber o quanto o perfume foi uma parte importante da cultura persa desde os primórdios. E fiel à sua história, os iranianos preservaram as suas fragrâncias, e por isso, você pode encontrar uma grande variedade deles em qualquer loja de perfume no Irã.

Iraniana experimentando fragrâncias em uma loja de Teerã


Robôs iranianos também batem um bolão!

Salam amigos! Pensem em um país da Ásia com uma tecnologia avançada na área da robótica, onde jovens estudantes compartilham e apresentam suas invenções na área de Inteligência Artificial em uma feira anual de nível internacional. Se você não leu o título do post, aposto que pensou em Japão, não é? Mas na verdade estamos falando do Irã!
Uma reportagem do site Payvand News mostra imagens da 8ª Edição da competição anual chamada  Robo Cup ("Copa dos Robôs) que começou em Teerã, em 5 de abril e encerrou neste domingo. O evento é organizado pelo Comitê Nacional Iraniano da Robo Cup  e pela Universidade Azad de Qazvin sendo realizado na Feira Internacional de Teerã. Esta competição internacional  de robótica cresceu em participação de equipes iranianas de tal maneira que houve a necessidade de incentivo à um evento dentro do país. Confira a sofisticação dos robozinhos iranianos criados pelo jovens talentos.









(Baseado em Payvand)


Yazd, a jóia do deserto no coração do Irã

Yazd é a capital da província homônima, no Irã central,  localizada a 270 km a sudeste de Isfahan. É uma cidade de arquitetura única devido a necessidade de adaptações sucessivas ao ambiente imprevisível do deserto que a circunda. Também é famosa por ser o centro da cultura zoroastriana, pela qualidade do seu artesanato e por suas lojas de doces.


Panorama de Yazd, uma cidade com 3000 anos de história
Situada em um oásis onde os desertos de Dasht-e Kavir  e Dasht-e Lut  se encontram, a cidade às vezes  é chamado de "a noiva do Kavir". Sua história remonta há mais de 3.000 anos, quando durante o Império medo persa era conhecida como Ysatis (ou Issatis). O nome atual da cidade  no entanto, é derivado de Yazdegerd I, um governante sassânida quando a cidade era definitivamente um centro zoroastriano. Depois da conquista árabe islâmica da Pérsia, muitos zoroastrianos fugiram de províncias vizinhas para Yazd. A cidade permaneceu zoroastriana, mesmo após a conquista, pagando uma taxa, mas gradualmente o Islã se tornou a religião dominante na cidade.

Uma viela de Yazd
O nome de Yazd também está relacionado à palavra Avestan Izad que siginfica "divina". Diz-se que os gregos conheciam a cidade como Issatis, que foi construída sobre uma cidade  mais antiga chamada Katteh ou Kaseh. Após a conquista árabe do Irã, a cidade ficou conhecida por um tempo como Darol'ebadeh. Entretanto a cidade de Yazd também ganhou apelidos poéticos com "a encruzilhada do Irã", "a Noiva do Deserto", "a Pérola do Deserto" e "a cidade dos Badgirs" (torres de vento).
Devido à sua localização remota no deserto e a dificuldade de abordagem, Yazd se manteve praticamente imune a grandes batalhas e era um refúgio para aqueles que enfrentavam o terror em outras partes da Pérsia durante a invasão de Gengis Khan. Ela também foi visitada por Marco Polo em 1272, que comentou sobre a sua grande indústria de tecelagem de seda.
Durante a Dinastia Muzafárida no século XIV, Yazd serviu brevemente como capital e foi sitiada, sem sucesso, entre 1350-1351 pelos Injúidas. A Mesquita Jameh-e-Kabir, sem dúvida  o maior marco arquitetônico da cidade e outros edifícios importantes, datam deste período.  Sob o domínio do Safavidas (séc. XVI), algumas pessoas emigraram de Yazd para uma área que é hoje na fronteira Irã-Afeganistão que ficou conhecido como Yazdi. Neste local, na cidade de Farah, no Afeganistão, ainda hoje, as pessoas falam com sotaque muito semelhante ao do povo de Yazd. Durante a dinastia Qajar (século XVIII) a cidade  foi governada pelos Khans Bakhtiari.

Vista geral da atual cidade de Yazd
Yazd  possui algumas das maiores expressões da arquitetura militar do Irã central, desde suas aldeias fortificadas, postos de estrada, castelos provinciais, cidadelas imperiais até as muralhas que cercam cidades inteiras; é uma cidade fortificada desde a sua criação no período Sassânida. Construída em grande parte com tijolos de barro e palha misturada com lama reforçada com madeira, as paredes de Yazd demonstram uma continuidade visual em escala, cor e forma com a arquitetura interna da cidade. Grandes porções das muralhas da cidade, abrangendo a Shahr-e Nau ou "Nova Cidade" foram demolidas no período Pahlavi e na atual República, para acomodar o crescimento urbano e rotas de tráfego em expansão.

Trecho da antiga muralha da cidade
Yazd é da maior importância como centro da arquitetura persa. Devido ao seu clima, tem uma das maiores redes de qanats (aquedutos) do mundo. Yazd é também uma das maiores cidades construídas quase inteiramente de adobe. Para lidar com os verões extremamente quentes, muitos edifícios antigos em Yazd tem badgirs, ou "torres coletoras de vento" e grandes áreas subterrâneas.

As Badgirs, ou "torres coletoras de vento"
Sempre conhecida pela qualidade de sua seda e tapetes, Yazd é hoje um dos centros industriais do Irã para têxteis. Uma parcela significativa da população também é empregada em outros setores, incluindo uma crescente indústria de tecnologia da informação. Atualmente Yazd é a maior fabricante de fibra óptica no Irã. As confeitarias de Yazd também são famosas em todo o Irã, e atraem muitos turistas para a cidade. As receitas tradicionais de doces são mantidas em segredo por famílias que mantiveram suas próprias empresas durante muitas gerações. Baghlava, ghotab e pashmak são os doces mais populares da cidade.

Templo Zoroastriano nos arredores de Yazd
A herança Yazd como um centro do Zoroastrismo também é importante. Há uma Torre do Silêncio na periferia e a cidade tem um Templo do Fogo, que mantém uma chama acesa continuamente desde 470 d.C. Mas atualmente,  os zoroastrianos compõem uma minoria significativa da população da cidade, cerca de  5 a 10 por cento.

PRINCIPAIS ATRAÇÕES TURÍSTICAS DE YAZD:

 Mesquita Jameh-e-Kabir 



A magnífica Mesquita Jameh é um marco importante da cidade, quase sempre lotada por turistas de dentro e fora do país. Sua imponente estrutura com vista para a imensidão do deserto, evoca a história das civilizações mais antigas escondidas na neblina do tempo. Segundo os historiadores, a mesquita foi construída no local do antigo templo fogo Sassânida no séc. XII e  é um exemplar dos melhores mosaicos persas e  excelente arquitetura. Seus minaretes são os mais altos do país com 52m de altura.

 Complexo de Amir Chaqmaq 


Esta grande praça foi construida durante a dinastia Timurida (sec. IX),  pelo governante Amir Jalal Al-Din Chaqmaq-e-Shami e sua esposa. O complexo é cercado por um reservatório de água, uma casa para dervixes, uma escola, uma hospedaria, um poço e uma grande mesquita. Dentro da mesquita há uma pedra de mármore com os nomes dos fundadores e a data de construção.
 Jardim  Dowlatabad 
Mohammad Taqi Khan conhecido como o Grande Khan foi o progenitor da dinastia dos Khans em Yazd. Ele construiu um qanat chamado Dowlatabad. Mais tarde, ele ordenou a construção do imóvel do Jardim como sua residência ao longo das águas que fluem do qanat. A propriedade é impressionante com seu grande badgir e uma varanda coberta de espelhos. O jardim é um exuberante paraíso com árvores frutíferas,  pinheiros e cipreste e uma variedade de flores, oferecendo um cenário típico de um oásis.

 Templo do Fogo (Atash Behram) 


Este elegante templo foi fundado em 1932 e construido com contribuições de zoroastrianos de  Yazd e da Índia (Parses) como  uma demonstração do estilo arquitetônico da Era Aquemênida (Persépolis). O imponente símbolo do Faravahar reluz no alto da fachada e uma chama que queima há 1500 anos atrai milhões de turistas durante todo o ano. É o fogo de Varahram que fica em uma câmara especial no interior do templo em uma pira de bronze.

Como este texto é muito pouco para falar de todas as belezas da magnífica "Jóia do Deserto" que reluz na aridez do Irã Central", deixo com vocês esta reportagem que mostra o Bazar de Yazd e outras preciosidades do artesanato, arquitetura e cultura local:


(Baseado em Iran Review)