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Feliz Páscoa, com Ovos de Nowruz!

No Ano Novo persa estes ovos simbolizam o surgimento da vida, algo em comum com a data de hoje? 
Salam amigos da Pérsia que celebram esta grandiosa data cristã da Ressurreição de Cristo. Alguém aí ao abrir o papel alumínio reluzente de seus  ovos de chocolate acabou se lembrando que já comeu tudo antes dessa manhã abençoada? Que pena! Mas tudo bem, quem sabe você se lembra que Páscoa é um dia de reflexão e deixa a gula um pouco de lado. Ou então faz que nem os persas e tinge uns ovinhos cozidos com as cores da natureza (como se fazia antigamente no interior) para celebrar a vida e agradecer por ter bacalhau ou sardinha toda Semana Santa na mesa!
Mas brincadeiras e ironias a parte, ninguém me tira da cabeça que a tradição dos ovos de Páscoa surgiu na Pérsia. Aí você se pergunta, quem surgiu primeiro: o Nowruz ou a Páscoa? 
Resposta: há 5000 anos, séculos antes da Pessach dos hebreus e do Cristianismo se tornar uma religião e, da  indústria alimentícia explorar a nossa paixão pelo alimento calórico mais gostoso da terra, o chocolate, os persas já celebravam a chegada da primavera e o Nowruz com ovos cozidos pintadinhos. O costume chegou à Europa só lá pelo séc. XV, mas dizem que os primitivos cristãos do oriente que estavam ali pelas adjacências da Pérsia já associavam o simbolismo do ovo à ressurreição e surgimento de uma nova vida. Porém, essa história de coelhinhos que trazem ovos, não tem nada a ver com a Pérsia mesmo (alguns dizem que remonta ao antigo Egito, outros dizem que faz parte da mitologia germânica, etc).
No Irã, só celebram a Páscoa os cristãos Armênios, Assírios, Católicos e Protestantes, ou seja, uma minoria que não chega a 1%. Mas como algumas dessas igrejas seguem diferentes calendários, a data provavelmente não coincide o dia de hoje. A saudação de Feliz Páscoa em persa é : Eid-e-Pak Mobarak!

Ressurreição de Cristo, afresco na Catedral de Jolfa em Isfahan
!عید پاک مبارک
Feliz Páscoa!


Documentário: Irã Ontem e Hoje

Salam amigos! Acho uma pena não ter encontrado este documentário em português. Mas recomendo para quem quiser desvendar um pouco dos mistérios deste fascinante país chamado Irã o  imperdível: Iran Yesterday and Today, que mostra a jornada do escritor americano Ricky Steves às cidades de Teerã, Abyaneh, Yazd, Isfahan e Shiraz em 2009. O que eu mais gostei neste documentário foi a belíssima abordagem colocando em primeiro plano o amistoso e acolhedor povo iraniano, com tantas diferenças culturais, o viajante estrangeiro encontra uma atmosfera de hospitalidade e segurança. Ele já inicia declarando que o Irã é "o país mais fascinante e surpreendente que ele já visitou". Mesmo para quem não entende Inglês, não tenho dúvida que assistir a estas imagens despertará a vontade de visitar as terras da Pérsia.


Jafar Panahi: "O Acordeon"

Com vocês, uma encantador curta-metragem de Jafar Panahi. A história de duas crianças que ganham a vida tocando instrumentos pelas ruas de Teerã, até que um dia ao tocarem perto de uma mesquita, têm o seu acordeon confiscado por um homem que diz que "música na casa de Deus é pecado". O garoto tenta uma medida desesperada para reaver o seu instrumento, enquanto sua irmãzinha tenta impedi-lo. Como será que vai acabar essa história?


Zoroastrismo, uma religião ancestral presente no Irã atual

Representação de Zoroastro
Salam, amigos da Pérsia! Hoje é o dia de Khordad Sal ou aniversário de Zoroastro, então atendendo a pedidos, vamos falar um pouco sobre o Zoroastrismo uma religião que até hoje influencia o modo de vida dos iranianos.
Antes da chegada do islã no século VII, a religião oficial do Império persa Sassânida era o Zoroastrismo, a mais antiga religião monoteísta do mundo.  Anterior ao Cristianismo e ao Islamismo, esta é a religião mais antiga no Irã que sobreviveu até o presente. De acordo com o último censo de 2012, há cerca de 25 mil devotos desta fé no Irã, residindo principalmente nas cidades de Teerã, Yazd e Kerman.
O zoroastrismo foi concebido por meio das exortações do profeta Zoroastro ou Zaratustra (628 - 551 a.C.) que pregava uma religião de caráter dualista que pode ser explicada pela oposição entre  Ahura-Mazda (o Deus eterno, personificação do bem) e Ahrimãn (o mal). O livro sagrado do zoroastrismo é o Gathas, os hinos sagrados de Zoroastro. Os Gathas são parte do Avesta, que foi escrito séculos depois de Zoroastro. 
Os zoroastrianos chamam a  Deus de Ahura Mazda, que significa "Senhor da sabedoria".  E sua doutrina é baseada em bons pensamentos, boas ações e boas palavras. Um dos símbolos mais conhecidos da crença zoroastriana é o Faravahar. Cada parte do faravahar representa uma idéia, por exemplo, suas asas são símbolos do bem e do mal, o homem em seu centro personifica a mente humana e o anel em sua mão representa poder.

Faravahar na entrada do Templo Zoroastriano em Yazd
Os zoroastrianos rezam nos templos do fogo ou Atash, por isso são muitas vezes incorretamente rotulados como adoradores do fogo. Mas para os adeptos desta fé, o fogo representa um símbolo de sua religião, assim como a cruz para os cristãos. A cerimônia de iniciação é conhecida como Sedreh-Pushi. Ao participar desta cerimônia  os jovens iniciados assumem o compromisso de ser uma pessoa responsável na comunidade zoroastriana. 
Tradicionalmente, os zoroastrianos não enterravam seus mortos, mas deixavam os corpos em decomposição expostos em covas abertas no topo das chamadas dakhmas ou "torres do silêncio". Algumas dessas antigas torres estão nas cidades de Kerman e Yazd, onde os ossos dos mortos ainda podem ser vistos nas covas no topo. Mas hoje em dia, a comunidade enterra seus mortos em cemitérios próximos.
Séculos de perseguição também marcaram a identidade desta comunidade religiosa, e um dos exemplos mais notáveis é a arquitetura das casas em Yazd. Após as invasões mongóis que dizimaram totalmente as populações zoroastrianas das províncias de Sistan e Khorasan, Yazd saiu ilesa, protegida por suas vastas extensões de deserto inóspito e assim tornou-se um refúgio para os zoroastrianos de todo o Irã. Nesta cidade de jardins murados e cúpulas turquesa eles continuaram a praticar a sua religião e costumes relativamente intactos e ainda hoje falam seu próprio dialeto (um persa mais puro, sem a influência dos arabismos).

Torre do Silêncio em Yazd
Na visão do Zoroastrismo, o imperador da nação persa era considerado um representante do bem que deveria sempre buscar a vitória sobre o mal. Ciro, o "Grande", autor do primeiro código de leis da História da Humanidade, foi um desses imperadores.
Os festivais como o Nowruz, Mehregan e Shabe Yalda fazem parte da tradição pré-islâmica no Irã, e ainda hoje são respeitados inclusive pelos muçulmanos como um  patrimônio nacional. Acredita-se que o zoroastrismo influenciou também o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Idéias como céu e inferno, vida após a morte, e a vinda de um salvador, todas têm raízes em comum no zoroastrismo.
Na Índia, os zoroastrianos são conhecidos como parses. Algumas das personalidades conhecidas mundialmente,de origem parsi são o maestro Zubin Mehta e o vocalista da banda Queen, Freddie Mercury (cujo nome real era Farrokh Bulsara).
Fogo sagrado aceso há 1500 anos em Yazd
Segundo os seus seguidores a mensagem de Zoroastro é destinada à toda a humanidade e não apenas os iranianos. Não encontrei praticamente nenhuma informação sobre esta religião no Brasil, fora a existência da Comunidade Asha que se localiza em Goiânia da qual praticamente não encontrei referências na internet. Se tiver algum amigo do blog seguidor desta religião por favor, sinta-se a vontade para corrigir eventuais informações incorretas e compartilhar seus conhecimentos. 

(Baseado em Iran Chamber e Mundo Educação)


O que é Termeh?

O Termeh é um tipo de tecido artesanal, conhecido como kashmere iraniano produzido especialmente nas províncias de Yazd e Kerman.  Ele é empregado em toalhas de mesa, acessórios de decoração, roupas de cama, echarpes e até em vestimentas. 
Geralmente as peças são feitas com fibras de lã (pashm) e seda natural (abrisham), por artesãos especializados chamados de Goushvareh-kesh com a ajuda de assistentes, pois é um processo que exige muita sensibilidade  delicadeza e dedicação. Um bom tecelão consegue produzir apenas de 25 a 30 cm por dia! As cores de fundo geralmente são vermelho vivo, vermelho claro, verde, laranja ou preto. Alguns dos artigos mais finos, como a sofreh (toalha forrada no chão), que as vezes contem detalhes bordados com fios  de ouro e prata são usados em casamentos e cerimônias. 
Um dos padrões mais conhecidos do Termeh é o Botteh que conhecemos aqui no ocidente como "estampa de caxemira". Ele representa a árvore do cipreste que é o símbolo zoroastriano da vida. Nos desenhos de toalhas de mesa estão incluídos os quadriculados e hexagonais. Também há os padrões listrados multicoloridos, o Atabaki e o Zomorrodi que são predominantemente na cor verde. Os padrões conhecidos como Zartosht-doozy, típico dos zoroastrianos de Yazd, incluem figuras bordadas de flores, aves, peixes e formas geométricas.
Possivelmente sua origem remonta as antigas fábricas têxteis em Yazd e Kerman, que junto com a Caxemira no Norte da Índia e o vale de Fergana (atual Tadjiquistão e Uzbequistão)  faziam parte da antiga Rota da Seda, onde mercadores destas regiões se encontravam e compartilhavam produtos que certamente eram copiados pelos artesãos de cada localidade.
 Este tipo de artesanato tem sido objeto de admiração através da história: historiadores gregos comentavam sobre a beleza do artesanato persa durante as dinastias Aquemênida (532 a.C), Ashkani (222 d.C) e Sassânida (226-641 d.C). Com a chegada do Islã, a tecelagem persa se desenvolveu grandemente, especialmente durante a dinastia Safávida (1502-1736 d.C.), durante as quais as técnicas Zarbaf e Termeh foram significantemente refinadas. Apesar da dificuldade de produção, e do advento da tecelagem industrial, algumas poucas fábricas tradicionais restaram no Irã e a mais famosa é a Khojasteh Termeh em Yazd.

Antigo lenço Termeh de  Kerman (c. 1750)
Padrões Botteh, semelhante à "estampa de caxemira"
Comércio de Termeh no Grande Bazar de Teerã
Termeh bordado com fios de ouro, usado em cerimônias
Diversos acessórios decorativos em Termeh
(Baseado em Wikipedia e Zoroastrian Heritage Institute)


A historia de Naneh Sarma, a "Mamãe do Nowruz"

Grande marionete da Naneh Sarma em Teerã
Conforme prometido, vamos conhecer mais um personagem folclórico que representa a época do Nowruz, a adorável Naneh Sarma. Às vezes chamada de "Vovó Geada" ou "Senhora do Gelo", ela é a representante feminina do trio de personagens associados ao Ano Novo Persa que inclui o Haji Firuz e o Amu Nowruz. Como o próprio nome diz, ela representa o inverno, e assim que o Nowruz chega com a primavera, ela dá lugar ao seu filho, o Nowruz que chega trazendo as flores da estação. Compartilho com vocês um delicado conto que apresenta a provável origem de diversas tradições desta época:

Há muito tempo atrás, na Antiga Pérsia, havia uma velhinha chamada Naneh Sarma. Ela tinha cabelos brancos como a neve, as costas arqueadas pela idade e sua face enrugada demonstrava sabedoria. Ela vivia solitária em uma casinha no topo da Montanha Alborz. Ela teve apenas um filho, o Nowruz, que era um jovem alto e belo. Ele era gentil e amável com todas as criaturas e por onde caminhava trazia a vida, clima agradável, saúde e boa sorte com ele. Os antigos persas o amavam e celebravam a sua vinda a cada ano.
Naneh Sarma passava a vida observando as pessoas que viviam no vale lá embaixo. Ela amava o inverno e a neve. Cada ano, no final do verão quando o dia e a noite têm a mesma duração ela aparecia na porta de sua casa e chamava o ar frio para perto dela. A cada dia que passava, ela ia observando como os dias ficavam mais curtos e as noites mais longas. Quando o ar frio chegava ela o mandava para o vale com um balançar de seus braços. Cantava suas doces canções que embalavam as árvores em um sono profundo. Os animais iam para seus abrigos e as pessoas saíam para buscar lenha. 
Às vezes Naneh Sarma fazia fios de linha com as nuvens acima de sua casa. As cores dos fios variavam de um dia pro outro refletindo a luz do sol que atravessavam eles. Pensando em seu filho Nowruz, que prometeu que viria visitá-la em poucos meses, ela passou um longo tempo tecendo uma toalha de mesa. Bordou a toalha com lindos pássaros e flores coloridas porque  sabia que  Nowruz os adorava.
Ocasionalmente, Naneh Sarma ficava cansada de tecer e se levantava por alguns minutos para esticar as pernas e caminhava vagarosamente até em frente à sua porta. Com um olhar suplicante ela chamava o ar frio, tomava fôlego e soprva o ar para baixo, onde começava uma tempestade de neve. Naneh Sarma adorava ver o vale coberto por uma camada de neve branca. Ela adorava ver os flocos de neve na ponta do nariz das criancinhas. Os adultos caminhavam apressados enquanto as crianças brincavam e faziam bonecos de neve.
Na 40ª noite do inverno, ela via as pessoas do vale indo se encontrar na casa de um ancião. Elas faziam fogueiras, contavam histórias e recitavam poemas; também comiam frutas especiais como melancias e romãs. Esta era uma celebração especial, porque a partir daquele dia os dias ficariam mais longos e as noites mais curtas (veja o post  Yalda, a noite mais longa do Ano).
Naneh Sarma, ilustração de Mehrdokht Amini
Os longos dias faziam a anciã se sentir mais cansada, mas uma coisa a deixava feliz: a chegada de seu filho estava se aproximando. Ela começou a limpar a casa, varrendo e lavando os tapetes com água e sabão. Enquanto lá no vale havia uma camada de neve bem úmida mas fofa. Enquanto ela espanava seus móveis havia muito vento no vale. Uma vez, enquanto estava fazendo a faxina, quebrou-se acidentalmente seu colar e as pérolas rolaram para todos os cantos de sua casa. E lá no vale choveu granizos.
Neste momento, a anciã pensava somente em seu Nowruz, embora a limpeza da casa a tivesse deixado exausta. Ela plantou sete cereais em uma bandeja para que as pessoas pudessem ver qual cresceria mais fartamente naquele ano: trigo, lentilha, aveia, aveia branca, feijões, cevada e arroz. Quando as sementes germinaram, Naneh Sarma amarrou uma fita vermelha ao redor da planta e a colocou sobre a toalha de mesa especial que ela tinha acabado de bordar. Ela continuou a decorar a mesa com maçãs vermelhas, ovos pintados, velas, vinho, leite, senjed, um espelho, doces, moedas e um pote de água com um peixinho dourado. A cada item colocado  na mesa, ela fazia um pedido por saúde, amor e  felicidade para seu filho e para todas as pessoas do vale (veja o post sobre o simbolismo da Haft-Sin).
Na véspera da última quarta-feira do ano, a velhinha assistia as pessoas do vale fazendo fogueiras e dançando alegremente ao redor delas. Essa era a forma com que eles chamavam pelos espíritos de seus ancestrais para que estes os visitassem e abençoassem suas casas e familiares (veja post sobre a Chaharshanbeh Suri).
O clima começava a ficar mais quente e Naneh Sarma tinha certeza que veria seu filho em uma semana. Ela fez roupas novas para si mesma, mas exausta, sentou em sua cadeira e pouco a pouco começou a adormecer profundamente. Por volta desse momento, Nowruz caminhava pelo vale. A cada passo ele tornava a grama verde sob seus pés. As flores desabrochavam e as árvores despertavam de seu sono. Ele finalmente chegou na casa de sua mãe e a encontrou dormindo. Naneh Sarma parecia tão cansada que ele decidiu não acordá-la. Ele  beijou suas faces, deixou para ela os presentes das terras distantes e continuou sua jornada pela Terra. 
Quando Naneh Sarma acordou, os pássaros cantavam e as flores desabrocharam. Lá fora, ao lado de sua janela, um riacho corria através dos pedregulhos. A grama verde cobria o vale e as pessoas iam de casa em casa, saudando umas as outras. As crianças caminhavam com suas roupas novas e algumas levavam cestas com ovos coloridos. A anciã sabia que tudo isso era em honra de seu filho e tentou sorrir.
Ela caminhou lentamente para o canto onde Nowruz havia deixado seus presentes. A cada presente aberto lágrimas rolavam em sua face. Enquanto isso, uma chuva suave se precipitou sobre o vale. Ela o procurou ao redor, mas sentindo-se ainda cansada, decidiu continuar descansando. Abrindo as janelas, uma brisa suave entrou em seu quarto refrescando-a e trazendo uma fragrância que lembrava seu filho. No vale ecoavam os risos das crianças e músicas tocavam nas casas. Naquele dia, tudo fazia lembrar o Nowruz e de fato aquele era um "Novo Dia" no vale.    


Amu Nowruz, o "bom velhinho" do Ano Novo Persa

Grande boneco do Amu Nowruz em Teerã
Ano passado falamos de um personagem que simboliza o Nowruz, o divertido Haji Firuz. Este ano vamos conhecer mais alguns personagens. Hoje apresento para vocês o Amu Nowruz! Seu nome significa, o "Tio do Nowruz", e ele quase sempre chega junto com o Haji Firuz na comemoração do Ano Novo Persa.  
O Amu Nowruz é aquele que traz as flores do início da primavera e presentes para as crianças, o que nos faz pensar que provavelmente ele seja um primo distante do nosso Papai Noel. Além do Haji Firuz e do Amu Nowruz, também há um terceiro personagem feminino relacionado com a data que é a Naneh Sarma, que vamos conhecer depois. 
Enquanto o Haji Firuz é um jovem e animado palhacinho que toca tamborim e dança anunciando a festa do Ano Novo, o Amu Nowruz  é mais conhecido como a figura de um ancião respeitável, de barbas brancas, túnica verde e cajado na mão representando com sua longevidade a presença histórica do Nowruz cuja tradição passa de geração em geração. Enquanto o Haji Firuz passa pedindo Eidi (presentes em dinheiro) o Amu Nowruz é aquele que presenteia, atende os pedidos das crianças e assegura que elas tenham um ano novo repleto de saúde e felicidade. Embora os dois cheguem sempre juntos, parece que a o Haji Firuz passou a ser um ícone mais comercial da data, já que a imagem do Amu Nowruz quase sempre fica em um plano mais tradicional.

Amu Nowruz: qualquer semelhança com símbolos natalinos é "mera coincidência" (?)
Veja o trailer do desenho animado "Babak e seus Amigos" que mostra os personagens:


Nowruz, um "Novo dia" para a Humanidade

Salam amigos da Pérsia, hoje é o primeiro dia do ano 1392 do calendário iraniano! 
Então quero aproveitar esse clima de festa lá do outro lado do planeta para deixar uma mensagem de paz e amor para todos. Nowruz, literamente significa, "novo dia", a chegada da primavera com um convite para contemplar a natureza, vestir roupas novas, limpar a casa e visitar e receber visitas de parentes e amigos. É um dia de lembrar que assim como a natureza sempre se renova a cada mudança de estação, assim também nós devemos abrir nossos corações para novas experiências e nos revestir com mais pensamentos positivos e mais determinação em nossas ações. Veja neste divertido vídeo, algumas das tradições e símbolos do Nowruz: a distribuição do Samanu, a limpeza e decoração das casas, o Amu Nowruz, o Haji Firuz, alguns elementos da Haft-Sin e a leitura de poesias com a família reunida ao redor da sofreh na virada do ano.


E como é o costume, que tal lermos um trecho do poema de Hafez também?
Os olhos do sol estão pintando campos novamente.
Suas chicotadas com golpes precisos são arrebatadoras através da terra.
Uma grande paleta de luz abraçou esta terra.
Hafiz, se apenas um pouco de argila e água
Misturados na tigela Dele
Pode produzir tais requintados aromas, vistas,
Músicas e formas rodopiantes.
Que maravilhas indizíveis devem aguardar com
O começo da revelação do infinito número de pétalas que é a alma.
Que emoção irá renovar o seu corpo
Quando todos começarmos a ver
Que o coração Dele reside em Tudo?
Deus tem uma raiz em cada ato e criatura das quais
Ele extrai sua misteriosa vida Divina.
Os olhos Dele estão pintando campos novamente.
O amado com Suas próprias mãos está cuidando,
Emergindo como uma criança preciosa, Ele mesmo em você.
(Fonte: Poesia Sufi )


Sale No Moubarek, Feliz Ano Novo Iraniano!


 !!سال نو مبارک 
Sale No Mobarek amigos da Pérsia! 

Este é o ano de 1392 no calendário persa, e o blog Chá-de-Lima da Pérsia comemora mais um Nowruz
Além do Irã, outros 10 países também celebram o  Nowruz: Afeganistão, Albânia, Azerbaijão, Cazaquistão,  Geórgia, Paquistão, Tadjiquistão, Quirquizistão, Turcomenistão, Uzbequistão e regiões do Curdistão além de outras comunidades persas ao redor do mundo. E este ano, Nowruz e Chaharshanbeh Suri chegam juntas trazendo muita prosperidade!
São 13 dias de festa, e nestas 2 semanas vamos  trazer muitas informações e curiosidades sobre a celebração mais grandiosa do calendário iraniano. Aguardem!!!


Quantos feriados há no Irã?

Ilustração: Eliane Duvekot
Esta semana, dia 20/03/13 iniciará um novo ano no Irã. E se você acha que temos muitos feriados aqui no Brasil, veja só esses dados: o nosso país tem oficialmente 12 feriados nacionais enquanto no Irã, são nada menos do que 26 dias em que não há expediente em escolas e órgãos públicos etc. Isso ocorre porque há uma sobreposição de datas dos calendários: islâmico (lunar) e iraniano (solar). Veja quais são os feriados nacionais do Irã em 2013:
  • 2 de janeiro: Arba'en - 40 dias depois da Ashura (feriado religioso)
  • 11 de janeiro: Morte do Profeta Mohammad (feriado religioso)
  • 12 de janeiro: Martírio do Imam Reza (feriado religioso)
  • 29 Aniversário do Profeta Mohammad  (feriado religioso)
  • 10 de fevereiro: Revolução Islâmica
  • 19 março: nacionalização da indústria do Petróleo
  • 20 de março: Nowruz-Ano novo persa
  • 21 de março: Nowruz-Ano novo persa
  • 22 de março: Nowruz-Ano novo persa
  • 23 de março: Nowuz-Ano novo persa
  • 1º de abril: Dia da República Islâmica
  • 2 de abril:  Sizdah Bedar - Dia da Natureza 
  • 14 de abril: Martírio de Fátima (feriado religioso)
  • 24 de maio: Aniversário do Imam Ali
  • 4 de junho: Morte do Imam Khomeini
  • 5 de junho: Aniversário do levante de Khordad 
  • 7 de junho: Ascensção do profeta Mohammad (feriado religioso)
  • 24 de junho: Aniversário do Imam Mahdi (feriado religioso)
  • 30 de julho: Martírio do Imam Ali (feriado religioso)
  • 9 e 10 de agosto: Eid-e-Fetr - fim do Ramadan (feriado religioso)
  • 2 de setembro: Martítio do Imam Jafar Sadegh (feriado religioso)
  • 16 de outubro: Eid Ghorban - festa do sacrifício (feriado religioso)
  • 24 de outubro: Eid Ghadir Khom (feriado religioso)
  • 13 de novembro: Taso'a (feriado religioso)
  • 14 de novembro: Ashura - martírio do Imam Hussein (feriado religioso)
(Fonte: Camiran e Q++ Studio)


Ovos de Nowruz?

Enquanto aqui no Brasil estamos ávidos pela chegada da Páscoa para comer ovos de chocolate, uma tradição de Nowruz (Ano Novo Iraniano) parece nos recordar uma provável origem deste símbolo associado à festa da Ressurreição de Cristo. Os iranianos também costumam fazer ovos coloridos chamados de tokhme-morgh para decorar a mesa do Haft-Sin, porque estes simbolizam o surgimento da vida, enfim, a chegada da primavera, onde as plantas e as flores desabrocham e os animais despertam de sua hibernação de inverno.
Este ano, em Teerã 92 artistas participaram de um evento em que foram decorados grandes ovos feitos de fibra de vidro. Estes ovos de Nowruz ficarão em exposição em vários lugares da cidade de Teerã até o final da época festiva. 












(Baseado em Payvand)


Chaharshanbeh Suri, dia de pular fogueira!

Chaharshanbeh Suri,  festival do fogo
Este ano na véspera da última quarta-feira antes do Nowruz, será celebrada a Chaharshanbe Suri, que significa "quarta-feira vermelha", ou dia de pular fogueira! Esta data simboliza a vitória da luz contra as trevas (do bem contra o mal) e remonta a um ritual celebrado pelos persas há  mais de 2500 anos oriundo dos ancestrais zoroastrianos.
Como a Chaharshanbeh Suri não é uma tradição islâmica, geralmente os grupos do origem árabe e os mais conservadores do Irã não a comemoram. Mas também não é reconhecida como uma tradição religiosa pelos iranianos muçulmanos, que costumam celebrar a data apenas como uma herança cultural se despedindo do inverno e saudando a chegada primavera!
Hoje à meia-noite as pessoas saem pelas ruas e fazem grandes piras, saltam sobre fogueiras ou brincam com fogos de artifício cantando a canção tradicional: Zardn-ye man az to, sorkhn-ye to az man, que pode ser traduzida como "Minha cor amarela para você, sua cor vermelha para mim" isto é um pedido para que toda as doenças (cor amarela, palidez) sejam tomadas pelo fogo e devolvidas como saúde e força (cor vermelha).

O garoto pula a fogueira!
A garota pula também!
Diferentes tipos de castanhas e passas também são comidas nesta data. Elas são conhecidas como Ajīl-e Moshkel-Goshā ("frutos que resolvem problemas"). A Chaharshanbeh Suri, também é um dia de agradecer pelas bençãos do ano anterior e pedir por um ano novo de saúde e felicidade.

Ajīl-e Moshkel-Goshā (castanhas e passas)
Outros rituais são bem curiosos lembrando o Halloween. Por exemplo, de acordo com a tradição, nos últimos dias do ano, os vivos são visitados pelos espíritos de seus ancestrais e muitas crianças saem vestidas como fantasminhas simbolizando esses ancestrais, batendo em panelas com colheres e pedindo agradinhos de porta em porta. O ritual é chamado qashogh-zani ("batucar colher") e simboliza afastar por meio do barulho toda má sorte da última quarta-feira do ano.

Crianças fazendo o qashogh-zani
Ha muitas outras tradições também, como o Kūze Shekastan, que significa "quebrar o vaso de barro" quebrando simbolicamente todo o infortúnio e o  Gereh-goshāi que consiste em dar um nó em uma das pontas de um lenço ou toalha de mesa e pedir para o primeiro passante desfazê-lo, afim de afastar tudo que "amarra sua vida".

(Baseado em Farsinet)


Preparando um Super Samanu!

 O Ano Novo Iraniano é doce, doce, doce!
Todo ano,  duas semanas antes da chegada do Nowruz, o Ano Novo Iraniano, um grupo de voluntários se reúne na mesquita Alroghieh no sul de Shiraz, para preparar uma grande quantidade de Samanu e distribuir para as pessoas carentes da cidade. E o que é um Samanu? É uma espécie de pudim feito de brotos de trigo  preparado especialmente para o Ano Novo Iraniano e também um dos componentes da mesa do Haft-SinEste ano, estas pessoas de boa vontade preparam 220 kg deste doce!

Preparando os brotos de trigo
Meninos separando os brotos

Garotos com a mão na massa!
Homens de boa vontade na cozinha...
Saindo um cremoso Samanu...
Oba! Esse é pra mim? :)
Tradicionalmente, a preparação do Samanu é feita pelas mulheres durante a noite. Enquanto cozinham elas cantam alegremente até o amanhecer. No Tadjiquistão e Afeganistão elas cantam: "O Samanu está fervendo e nós estamos batendo palmas, os outros estão dormindo e nós estamos tocando o daf".

(Baseado em Payvand)

Quer  aprender a fazer esse doce?  O preparo é complicado, mas se alguém quiser tentar, eis aqui a receita:

 Samanu (4 porções) 

Ingredientes: 
500g de grãos de trigo sem casca
2kg de farinha de trigo peneirada

Modo de preparo:
1-Lave o trigo com água fria, então escorra. Adicione, água fria até cobrir 2-3 cm do trigo. Deixe descansar por 2 dias, trocando a água depois do primeiro dia. O trigo deve começar a germinar. Enxague completamente.
2- Espalhe o trigo sobre um tecido fino e embrulhe. Coloque-o em uma bacia e deixe-a em um local aquecido. Uma ou duas vezes por dia, borrife um pouco de água fria sobre o tecido para deixá-lo úmido, mas não ensopado.
3- Quando as raízes do trigo surgirem, espalhe-o em uma bandeja larga, então abra-o tecido e borrife com água. Continue borrifando uma ou duas vezes até os brotos prateados aparecerem. O trigo deve ser usado antes que os brotos fiquem verdes.
4-Triture o trigo em um processador, adicione dois copos de água fria e misture bem. Coe o excesso de água. Pressione bem forte o trigo para extrair a massa. Adicione a farinha e continue misturando até obter uma mistura bem rala, adicione mais água se necessário.
5-Leve a mistura ao fogo médio em uma panela larga por 30 minutos, mexendo sempre até que comece a ferver e engrossar e obter uma cor de caramelo. Continue fervendo até a água evaporar.
6-Gradualmente, adicione mais 1-2 copos de água quente e misture bem. Deixe ferver lentamente, mexendo às vezes até a mistura engrossar levemente. 
7- Leve ao forno por cerca 30 minutos em temperatura moderada. Ao esfriar, coloque em tacinhas e leve a geladeira.
Importante: Não coloque açúcar! A combinação da farinha com o trigo criará o seu próprio açúcar.

(Receita do site IranChamber)


Um pouco de neve para refrescar!

Salam amigos da Pérsia! Enquanto aqui no Brasil estamos passando um calorão, lá no norte do Irã tudo está coberto por uma camada de neve. Então para nos refrescar um pouquinho, vejam as fotos que a minha amiga Afsaneh mandou do quintal da casa dela lá na cidade de Karaj:




Eu nunca estive na neve em toda a minha vida, mas só de olhar essas fotos já sinto um friozinho! :)


Mulheres da Pérsia

Salam! Há uns dias atrás falamos do Sepandarmazgan que é um dia dedicado ás mulheres no Irã. Mas os iranianos também comemoram o Dia Internacional da Mulher e ainda tem pela frente o Dia Islâmico da Mulher (aniversário de Fatima, a filha do Profeta).
Em homenagem a este dia, vamos conhecer algumas das grandes mulheres da história da Pérsia:

Amazonas durante a dinastia Aquemênida
As mulheres no antigo Império Persa  eram seres valiosos e muitas vezes ocupavam posições importantes no Estado. Acreditem, já houve uma época em que as mulheres persas comandaram até exércitos e dirigiram o país:
Rainha Ester, Shahbanu do Irã, esposa de Xerxes (Assuero)
Pantea, comandante da Guarda Imortal de Ciro, O Grande. Esposa do General  Aryasb.
Atossa,  princesa persa, filha de Ciro e esposa de seu irmão, Cambises
Artemísia de Helicarnasso, comandante em chefe da marinha persa e o grande amor de Xerxes.
Roxanna,  filha de Dario III e esposa de Alexandre, o Grande
Purandokht, imperatriz do Irã, filha de Khosrow Parviz, irmã mais velha de Azarmidokht
Azarmidokht, imperatriz do Irã, governou o Irã depois de sua irmã Purandokht durante a dinastia Sassânida.
Shirin, imperatriz do Irã, esposa de Khosrow Parviz
Turandokht, princesa sassânida irmã de Azarmidokht e Purandokht
Apranik, grande comandante Sassânida, filha de Piran, general de Yazdgird III.
Uma amazona, da etnia Luri do Irã atual. A mulheres desta região participam da caça e atividades equestres.

روز جهاني زن مبارك!!Feliz Dia Internacional da Mulher