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Jafar Panahi, o "Urso" iraniano de Berlim


A crônica também merece o título de "ninguém segura este diretor". Tudo porque, desde que  foi condenado a 6 anos de prisão domiciliar e proibido por 20 anos de fazer filmes e sair do próprio país, acusado de propaganda anti-governo, o diretor iraniano Jafar Panahi tem desafiado as restrições e parece até ironia que tenha ganhado o "Urso de Prata" em Berlim. De qualquer modo, deixando de lado suas preferências políticas, pode se dizer que Panahi  é mesmo uma "fera do cinema".
De acordo com as últimas notícias, o último filme de Jafar Panahi, Closed Curtain, lançado sem qualquer autorização do Ministério da Cultura e Orientação do Irã  foi exibido este mês na 63ª Berlinale (Festival de Cinema de Berlim) e ganhou o Urso de Prata de melhor roteiro. Mas Panahi não teve a glória de estar no tapete vermelho, apesar dos organizadores do festival terem  pedido autorização por meio do governo alemão para que ele pudesse viajar. 
Seu co-diretor e compatriota Kamboziya Partovi, que recebeu o prêmio pelo diretor, participou de uma coletiva de imprensa junto com a atriz Maryam Moghadam, atriz iraniana de nacionalidade sueca, mas ambos não faziam ideia das consequências de fazer o filme junto com  Panahi e outros envolvidos. "Nada aconteceu até agora", disse Partovi, falando através de um intérprete. "Não sabemos o que o futuro nos reserva", reconheceu também Moghadam que pretende continuar visitando sua família no Irã, a despeito de ter quer assumir eventuais "riscos".

Kamboziya Partovi e Maryam Moghaddam
Há tempos, Panahi é um querido do circuito ocidental de cinema e mais conhecido por seus filmes O Círculo (2000) e Fora do Jogo (2006). Seus filmes socialmente engajados sobre questões como os direitos das mulheres no Irã e apoio à oposição política fizeram dele um alvo das autoridades iranianas. Isto Não é um Filme (2011), o primeiro filme feito pelo diretor desafiando a proibição teria sido contrabandeado para fora do país em um pendrive escondido dentro de um bolo.
O gorverno do Irã protestou contra os organizadores do Festival de Cinema de Berlim por dar ao diretor Jafar Panahi o prêmio por um filme que feito desafiando uma proibição estatal. Segundo Javad Shamaghdari, ministro iraniano da Cultura e Orientação: "Qualquer filme enviado para ser exibido fora do país, de qualquer maneira precisa obter uma autorização do ministério." 
Shamaghdari disse que o ministério pretende comunicar as suas objeções ao Festival de Cinema de Berlim, e, logo que possível,  tenciona analisar o filme de Panahi junto a um grupo de especialistas de cinema para ter uma melhor noção do "peso qualitativo" do prêmio Urso de Prata Berlinale. O Ministério iraniano da Cultura e Orientação tornou-se muito rigoroso com a comunidade cinematográfica e enfatiza que não irá apoiar qualquer filme que tenta retratar a sociedade iraniana de forma negativa.

Cena do filme, Closed Curtain
Closed Curtain foi filmado em uma casa vazia no Irã, provavelmente na costa do Mar Cáspio. Um homem, interpretado por Partovi, chega com seu cão e  fecha as cortinas, protegendo-se do mundo exterior e das autoridades. Os outros dois personagens são um casal de jovens, em fuga da polícia  que os telespectadores devem decidir se são personagens ficcionais no roteiro de Panahi ou pessoas reais.
No olhar dos críticos, o filme é uma alegoria da vida de Panahi em prisão domiciliar e incapacidade de trabalhar livremente que o deixaram em depressão e o  fizeram até mesmo pensar em suicídio. "Ele não estava constantemente pensando em suicídio, senão ele não teria sido capaz de fazer o filme", ​​disse Partovi. Também de acordo com Partovi, Closed Curtain foi feito a partir de um desejo de expressar-se, mesmo que fosse pouco provável de ser visto por pessoas dentro do Irã.

Baseado em notícias dos sites: PayvandReuters Brasil e The News International


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