HOME SOBRE DIÁRIO DE VIAGEM LÍNGUA PERSA SEU GUIA FAQ CONTATO LOJINHA

Arte e Natureza no Parque Laleh em Teerã

Será um museu a céu aberto em Teerã?
O parque Laleh,  localizado na avenida Keshavarz em Teerã está recebendo atualmente um festival de Land Art, ou seja, esculturas e instalações que interagem com o meio ambiente. Segundo a organização do festival, todos os materiais utilizados na criação das obras foram retirados da natureza e não agridem o  ambiente. A land art é uma modalidade de arte contemporânea que está começando a ser explorada pelos artistas iranianos com muito sucesso, e muitas se comparam em qualidade com obras de artistas de outros lugares do mundo. O evento é encabeçado pelo artista visual Ahmad Nadalian, que já organizou 30 festivais de land art ao redor da aldeia de Polur, seu local de residência perto do monte Damavand. Nadalian também organizou um grupo de artistas que em breve criará obras de arte em estações do metro de Teerã. O festival do parque Laleh começou neste domingo e permanecerá e até o dia 1º de Abril. 

As esculturas interagem principalmente com as árvores do parque
Trazendo formas inusitadas...
E um espetáculo de cores surpreendentes!
Uma atmosfera futurística...
E também nostálgica...
As intervenções ora são sutis...
...ora extravagantes!
O povo do Irã ama as cores
Gostam de relembrar a grandeza de seus antepassados
Ensaiando a liberdade de voar
Entre a discrição e a ousadia
Olhar para a natureza na perspectiva das formigas...
Ou na perspectiva dos humanos?
Recordando que viemos do pó...
Baseado em Payvand


"O Tapa", um divertido curta iraniano

No vagão de um trem, há quatro passageiros: um soldado, o coronel, uma senhora e uma mocinha. De repente o trem entra em um túnel e zás... Só o barulho de um beijo e depois um tapa! Quem será que se aproveitou do escurinho para dar um beijinho? Quem foi o azarado que tomou um tapa? As legendas estão em inglês, mas dá pra entender... 


Por que os iranianos não engolem "Argo"?

Esse cartaz ilustra bem a ótica ocidental sobre o Irã,  não?
Salam amigos, a premiação do Oscar de melhor filme do ano para Argo ontem à noite, merece ou não  um comentário? Confesso que assisti à cerimônia aguardando que o premiado fosse Os Miseráveis, aliás um filme incrivelmente bem produzido e emocionante, saindo um pouco do meu vício pelo cinema estrangeiro... Mas o momento de anúncio do maior prêmio da noite não poderia ser mais espalhafatoso e teatral: direto da Casa Branca, anunciado por ninguém mais do que a primeira dama dos EUA, Michele Obama! 
Em seu discurso de agradecimento, o visivelmente eufórico, Ben Affleck, deixou escapar umas pérolas tipo "aos meus amigos do Irã que estão vivendo uma situação terrível agora...", e "agradeço à minha querida esposa, embora não costume associá-la ao Irã numa mesma frase..."
Por isso, achei  interessante traduzir aqui um trecho do artigo do jornalista Saeed Kamali Dehghan, que escreve para o site britânico The Guardian. Nele o jornalista iraniano, descreve sua experiência ao assistir o filme e faz um comentário bem razoável sobre o mal estar gerado pelos acontecimentos que deram origem ao filme:
...Quando eu fui assistir Argo de Ben Affleck, semana passada eu sabia de antemão que ia ser uma experiência bastante dolorosa.(...) "É um filme, não um documentário," tentei me lembrar. Mas a alegação de que foi "baseado em uma história real" criou grandes expectativas em mim (...) e algumas coisas me chamaram a atenção:
Primeiro, foi a tentativa desesperada de Affleck para fazer um filme ambientado no Irã sem ter sido capaz de ir pessoalmente para dentro das fronteiras [do país]. Tendo escolhido em vez disso filmar na Turquia, Affleck fez o seu melhor - bem, o melhor possível ao fazer um filme sobre o Irã, filmado em um país vizinho.

Para ser honesto, os locais não são muito ruins. Os edifícios são semelhantes aos do Irã, as casas não são tão diferentes, o bazar é bastante parecido com o real centro comercial no sul de Teerã. Banners, cartazes e sinais estão em persa e muitos personagens, na verdade, falam a língua, embora com algum sotaque.

No entanto, há alguns erros bobos, em uma cena, por exemplo, o protagonista Tony Mendez (Affleck) diz "salam" no final de sua conversa com uma autoridade iraniana. "Salam" significa "Olá" em persa não, "adeus".

Erros menores à parte, o filme é uma visão em preto e branco dos iranianos, como em muitos outros filmes ocidentais sobre o Irã. Eles são retratado como feios, pobres, estritamente religiosos, fanáticos e ignorantes - tal como parecem os jovens revolucionários por trás da tomada de reféns na embaixada dos EUA em Teerã após a revolução islâmica de 1979, do qual o filme fala. A única iraniana boa no filme é a empregada do embaixador canadense.

Essa empreitada é o mesmo que pedir a um iraniano que nunca foi aos EUA para fazer um filme sobre o massacre na escola de Columbine. Você provavelmente vai acabar assistindo a um filme em que todos os americanos são loucos, têm uma arma em casa e estão prontos para atirar em seus colegas de classe.

Quando estava saindo do cinema com meu amigo iraniano (e presumo que fomos os únicos iranianos na sala), fomos cautelosos para não falar em persa muito alto para sermos notados. "Oh meu Deus, eles são iranianos", outros dizem, como se fôssemos de Marte.

Mas o que me preocupa mais é como o filme me lembra da história do Irã, de como um grupo de meus compatriotas traíram o Irã, tomando um grupo de pessoas como reféns e trazendo dor e trauma para outro país por 444 dias. Por anos na escola me ensinaram que a tomada de reféns de diplomatas americanos foi um ato de resistência, heroísmo em nome dos revolucionários mostrando sua ira contra a interferência dos EUA nos assuntos internos iranianos.

Argo, de repente apaga toda a retórica revolucionária e me lembra o outro lado da história. Ele mostra as faixas amarelas nas ruas de Washington DC, a angústia e a dor causados ​​pelo incidente, e isso me faz lamentar o que aconteceu há mais de 30 anos atrás. O filme de Affleck pode representar um Irã que eu quase não reconheço, mas é um lembrete amargo de como jovens revolucionários e seus líderes colocaram o Irã em uma crise que teve consequências para o seu povo a partir deste dia (...)
Baseado em  The Guardian

Meu comentário: Achei o filme dublado online em boa qualidade para quem quiser ver, clique aqui
Sinceramente, assisti às 2 horas de filme com cara de paisagem, procurando algo que pudesse me surpreender e ao menos achar uma razão para ele ter merecido o Oscar de melhor filme do Ano. O filme deixa de lado o drama histórico dos cerca de 60 funcionários reféns na embaixada americana em Teerã e se concentra apenas na fuga do grupo das 6 pessoas salvas pelo heroico mocinho da CIA (pra variar). Ele até consegue cumprir o objetivo de reproduzir bem as localidades e o visual dos anos 70 com uma boa fotografia, e nos fazer torcer  até o fim pela turma de americanos inocentes que tenta escapar das garras dos iranianos barbudos e "maus". Ah, o ator que faz o funcionário do consulado é o Rafi Pitts, um conhecido ator e diretor do cinema iraniano (amigo do Affleck, será?!)... Mas o resto achei  puro clichê e não acrescenta nada a longa lista de filmes estilo Bad Arab já feitos por Hollywood, retomando alguns dos mesmos arquétipos da série O Vôo da Águia, feita nos anos 80.  E o Oscar de melhor frase dita no filme vai para: "Argo vá se ferrar!" Essa é a minha opinião, tá gente, quem gostou do filme fique a vontade para discordar. 


Especial Irã: do Clichê à Realidade



Salam, amigos! Ontem encontrei este infográfico especial do Portal Terra sobre o Irã. A capa da reportagem promete surpreender! A reportagem é bem longa, levei bem uns 40 minutos para ler e ver tudo. Recomendo que vejam principalmente as fotos que são muito interessantes para quem não está familiarizado com a imagem do Irã como um país amistoso, de povo alegre e receptivo. O autor até consegue mostrar-se imparcial, depois de apresentar os aspectos positivos e tentar romper com os estereótipos, mostra também as críticas do povo ao governo e sobre a situação da mulher no país. Há também uma breve descrição sobre a paixão dos iranianos pelo Brasil, que não passa de outro clichê, afinal o mundo inteiro ama "o país do futebol e do carnaval". Por fim, a tentativa de mostrar o Irã como um país que ama receber os estrangeiros, dividido entre pessoas "liberais" e "religiosas", acaba ficando no meio termo entre clichê x realidade. Mas vale a pena conferir.


Guia para a Pronúncia do Alfabeto Persa


Salam, amigos da Pérsia! Vamos iniciar uma nova fase das nossas aulinhas de língua persa. Eu sei que devem ter ficado muuuuitas dúvidas para quem começou a aprender do zero este idioma. Por isso, antes de começar algo mais complexo, vamos primeiro solucionar as dúvidas de pronúncia e alfabeto. Mas antes, vou responder algumas perguntinhas que você já deve ter feito:

1) Tenho mesmo que aprender essas "letrinhas estranhas" para ler em persa?
Sim! A não ser que você queira aprender persa apenas para se comunicar nas redes sociais, onde é usado principalmente uma mistura de persa com inglês, o famoso Penglish ou Finglish, você tem que aprender essas "letrinhas estranhas"! Ainda não inventaram livros ou revistas persas com transcrição para os ocidentais e mesmo os sites mais modernos do Irã utilizam o alfabeto persa.  

2) Em um lugar eu vi escrito salam e no outro salaam e no outro salâm, qual é a "pronúncia" certa?
Nenhuma é a "pronúncia" certa! A pronúncia você só vai aprender ouvindo! Essas são diferentes adaptações do alfabeto persa para o ocidental, não são pronúncias, mas transliterações e é impossível depender só delas para pronunciar corretamente. Aqui no blog eu continuarei usando elas para ajudar a memorização dos sons. E uma dica: quando anotar as lições, tente escrever as palavras no alfabeto persa também, e quando memorizar a pronúncia da palavra, delete a transliteração da sua vida! Eu sei que demanda um tempinho para memorizar um novo alfabeto, mas não desista.

Vamos dar uma olhada na nossa Tabela do Alfabeto Persa. Esse é um exemplo de transliteração do persa para o alfabeto ocidental. Mas isso não significa que esta seja a úníca forma correta de adaptar o persa para o nosso alfabeto.

Quem já viu as demais aulinhas, verá que eu fiz algumas mudanças na transliteração das palavras, por exemplo:  آبْنَبات = ābnabāt virou /âbnabât/. E por que ficou assim?

Para ficar mais simples de entender e melhor adaptá-las ao nosso idioma. Esse tipo de transliteração se chama "pronúncia figurada" é muito usado em aulas de inglês.

As Vogais
Em persa existem dois tipos de vogais: as vogais breves e as vogais longas.
  • As vogais breves geralmente não são escritas (a, e, o). Elas só são representadas como acentos ou diacríticos nos livros didáticos e textos clássicos, mas não no restante das mídias escritas modernas.
Exemplos:
َ = a em مَن /man/
ِ = e em یِک /yek/
ُ = o em پُل /pol/
  • vogais longas são aquelas que sempre são escritas: ی,و,ا (â, û, î):
ا = dependendo da palavra essa letra é pronunciada como ae , o. Quando aparece no começo das palavras dessa forma آ, e quando for indicada com acento circunflexo, (â), deve ser pronunciada  como um ó aberto. 

و = dependendo da palavra, é pronunciada como ô, û ou v.

ی = dependendo da palavra é pronunciada como um î sonoro ou i (semivogal) breve.

Algumas combinações de vogais geralmente são pronunciadas como uma única vogal:
وا /â/ ; او / û /;  ای /î/;  

A Acentuação

Em persa, geralmente a sílaba tônica é sempre a última. Mesmo que venha uma vogal longa antes.
Por exemplo, em uma palavra como آشپزخانه /âchpazkhâneh/, a última sílaba /neh/ deve ser pronunciada com mais força.

As Consoantes "Fáceis"

Essas consoantes não apresentam qualquer problema para o falante do português, pois sua pronúncia é  praticamente igual as letras que já conhecemos:
 /b/   ﺩ  /d /    /f/    ژj/      ک  /k /     پ  /p/

Já essas outras requerem um "tantinho" mais de atenção:
گ /g/ ( antes de vogais sempre como gue-gui),
 /l/, /m/,  /n/ (devem ser pronunciadas ao final da palavra como consoantes mudas, nunca vocalizadas como em "mal", nem anasaladas como em "bom" e "hífen"),
ﺭ /r/ (vibrante, melhor pronunciá-lo como em "arara").

Algumas letras combinam dois ou mais sons, mas devem ser pronunciados como se fossem um só, sem hiato:  ﺝ /dj/, چ /tch/,  /ch/

Felizmente, uma das vantagens do idioma persa é que você não precisará aprender a pronúncia de 29 consoantes. Algumas letras diferentes possuem exatamente a mesma pronúncia:
ﺹ ,ﺱ ,= /s/ (sempre com som de "ç")
ﻁ ,=/t /
ﻅ ,ﺽ, ﺯ , = /z/

As Consoantes "Difíceis"

Talvez o maior problema com essas consoantes é que elas não têm nenhum som correspondente em nossa língua. Elas são diferentes tipos de sons guturais. O que é isso?
gutural 
(latim guttur, -uris, garganta, goela, gula + -al)
adj. 2 g.
1. Que sai ou procede da garganta.2. [Fonética]  Que se articula com aproximação da língua ao palato mole. = VELAR3. [Fonética]  Que se articula na região do palato mole, da faringe ou da laringe.  
Fonte: Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa 
Não tem muito como explicar, a única solução aqui é ouvir e repetir! Felizmente são só 4 sons:
ﻩ , /h/ (é um som aspirado, como quando sopramos ar para limpar os óculos)
/kh/  (é como um /h/ pronunciado com mais força, similar ao som do ronco)
ﻉ /'/  (uma pausa muito breve como na interjeição oh-oh!)
ﻕ ,/gh/ ( como um "g" pronunciado atrás da garganta com suavidade)

E lembre-se, uma vez aprendido, pratique sempre, escreva e reescreva, ouça e repita em voz alta até ter certeza que a nova palavra agora  faz parte da sua vida! Por hoje é só e até a próxima aulinha de persa! Khodâ Hâfez!


Jafar Panahi, o "Urso" iraniano de Berlim


A crônica também merece o título de "ninguém segura este diretor". Tudo porque, desde que  foi condenado a 6 anos de prisão domiciliar e proibido por 20 anos de fazer filmes e sair do próprio país, acusado de propaganda anti-governo, o diretor iraniano Jafar Panahi tem desafiado as restrições e parece até ironia que tenha ganhado o "Urso de Prata" em Berlim. De qualquer modo, deixando de lado suas preferências políticas, pode se dizer que Panahi  é mesmo uma "fera do cinema".
De acordo com as últimas notícias, o último filme de Jafar Panahi, Closed Curtain, lançado sem qualquer autorização do Ministério da Cultura e Orientação do Irã  foi exibido este mês na 63ª Berlinale (Festival de Cinema de Berlim) e ganhou o Urso de Prata de melhor roteiro. Mas Panahi não teve a glória de estar no tapete vermelho, apesar dos organizadores do festival terem  pedido autorização por meio do governo alemão para que ele pudesse viajar. 
Seu co-diretor e compatriota Kamboziya Partovi, que recebeu o prêmio pelo diretor, participou de uma coletiva de imprensa junto com a atriz Maryam Moghadam, atriz iraniana de nacionalidade sueca, mas ambos não faziam ideia das consequências de fazer o filme junto com  Panahi e outros envolvidos. "Nada aconteceu até agora", disse Partovi, falando através de um intérprete. "Não sabemos o que o futuro nos reserva", reconheceu também Moghadam que pretende continuar visitando sua família no Irã, a despeito de ter quer assumir eventuais "riscos".

Kamboziya Partovi e Maryam Moghaddam
Há tempos, Panahi é um querido do circuito ocidental de cinema e mais conhecido por seus filmes O Círculo (2000) e Fora do Jogo (2006). Seus filmes socialmente engajados sobre questões como os direitos das mulheres no Irã e apoio à oposição política fizeram dele um alvo das autoridades iranianas. Isto Não é um Filme (2011), o primeiro filme feito pelo diretor desafiando a proibição teria sido contrabandeado para fora do país em um pendrive escondido dentro de um bolo.
O gorverno do Irã protestou contra os organizadores do Festival de Cinema de Berlim por dar ao diretor Jafar Panahi o prêmio por um filme que feito desafiando uma proibição estatal. Segundo Javad Shamaghdari, ministro iraniano da Cultura e Orientação: "Qualquer filme enviado para ser exibido fora do país, de qualquer maneira precisa obter uma autorização do ministério." 
Shamaghdari disse que o ministério pretende comunicar as suas objeções ao Festival de Cinema de Berlim, e, logo que possível,  tenciona analisar o filme de Panahi junto a um grupo de especialistas de cinema para ter uma melhor noção do "peso qualitativo" do prêmio Urso de Prata Berlinale. O Ministério iraniano da Cultura e Orientação tornou-se muito rigoroso com a comunidade cinematográfica e enfatiza que não irá apoiar qualquer filme que tenta retratar a sociedade iraniana de forma negativa.

Cena do filme, Closed Curtain
Closed Curtain foi filmado em uma casa vazia no Irã, provavelmente na costa do Mar Cáspio. Um homem, interpretado por Partovi, chega com seu cão e  fecha as cortinas, protegendo-se do mundo exterior e das autoridades. Os outros dois personagens são um casal de jovens, em fuga da polícia  que os telespectadores devem decidir se são personagens ficcionais no roteiro de Panahi ou pessoas reais.
No olhar dos críticos, o filme é uma alegoria da vida de Panahi em prisão domiciliar e incapacidade de trabalhar livremente que o deixaram em depressão e o  fizeram até mesmo pensar em suicídio. "Ele não estava constantemente pensando em suicídio, senão ele não teria sido capaz de fazer o filme", ​​disse Partovi. Também de acordo com Partovi, Closed Curtain foi feito a partir de um desejo de expressar-se, mesmo que fosse pouco provável de ser visto por pessoas dentro do Irã.

Baseado em notícias dos sites: PayvandReuters Brasil e The News International


O que é Baba Karam?

O Baba Karam ou Jaheli é uma dança persa popular masculina, embora atualmente também seja bastante praticada por mulheres com um toque mais gracioso. A dança representa um tributo aos Jahels ("os ignorantes") personagens que eram uma espécie de "valentões do bairro", que tinham sua própria maneira de se vestir e suas próprias gírias. Geralmente eles não trabalhavam, portanto se encontravam nas casas de chá onde vivam bebendo até cair ou arrumando brigas. O personagem Baba Karam também é atribuído a um padeiro de certo vilarejo que após preparar os seus pães tarde da noite, saía com seus companheiros para beber e farrear usando seus trajes de galanteador.
Este tipo de dança com expressões bem-humoradas e movimentos atrevidos é executada principalmente em festas, e o figurino consiste em terno e chapéu pretos, camisas brancas e geralmente algum tipo de lenço que é parte importante da coreografia. Há um certo carinho pela imagem dos Jahels nos corações iranianos por representarem a ousadia e o bom-humor tão presentes na alma de seu povo.

>> Solo de Baba Karam apresentado pelo dançarino Davood Ashgharian:


>> Essa  performance do dançarino Mohammad Khordadian junto com um garotinho é muito fofa:


>> Um Baba Karam mais moderninho de Mohammad Khordadian com um grupo de garotas:


Estes vídeos apresentados aqui, são todos de iranianos que vivem fora do Irã e que popularizaram a dança que após a Revolução Islâmica foi proibida em público em seu país natal. Mas essas restrições não impedem que os iranianos sejam um povo apaixonado por dança.


Um super tapete de areia na Ilha de Ormuz


No último sábado uma obra de arte monumental, tomou conta das areias da Ilha de Ormuz no Golfo Pérsico: trata-se do "super tapete persa de areia". Esta já é a quarta vez que o evento é realizado no local em uma exposição aberta ao público. O tapete, medindo 1.400 m² quadrados, foi criado por artistas da província usando cores naturais de diferentes tipos de solo da ilha. Cerca de 40 artistas, juntamente com mais 40 assistentes participaram na criação desta mega-intervenção.

O cartaz anuncia o "Tapete de Areia de Ormuz"
Contemporâneo: com símbolos de USB e Bluetooth





Infelizmente a obra é efêmera, quando a natureza continuar fazendo o seu trabalho para transformá-lo só vão sobrar os registros. De qualquer modo, um "senhor tapete"!

Baseado em Payvand


Sepandarmazgan, o "Dia do Amor" iraniano

Enquanto no dia 14 de fevereiro muitos países celebram o Valentine's Day, o Irã também tem uma data especial para celebrar o amor. O Sepandarmazgan é uma festividade de origem Zoroastriana dedicado a Sepandarmaz, uma divindade protetora da Terra e das esposas. A data do festival na época Sassânida correspondia ao dia 5 do mês Sepandarmaz. O seu festival costumava ser dedicado às mulheres, e neste dia os homens devem presenteá-las e tratá-las como rainhas.
A observação deste festival, foi reavivada no Irã moderno, onde é definida no dia 29 de Bahman do calendário persa, que corresponde a cada ano em uma data diferente no nosso calendário. Este ano cai em 17 de fevereiro. O festival moderno é um dia de celebração do amor e respeito pelas filhas, esposas e mães (a mãe Terra também), e também é chamado de Jashne Marde Giran, que pode ser traduzido como "dia de mandar nos homens"! Devido ao fato de as datas de Valentine's e Sepandarmazgan estarem bem próximas, há quem misture as duas comemorações. De qualquer forma, ambos são dia de expressar o amor por alguém próximo.


A Linguagem dos Pássaros

Quinto Dia da Criação, pintura de Mahmoud Farshchian
Salam! Deixo com vocês este belíssimo conto da sabedoria sufi. Uma parábola sobre a busca das criaturas pela união com a essência Divina:

Um grupo de pássaros desejava encontrar a seu rei; então pediram à poupa sábia (um pássaro com crista em forma de abano) que lhes ajudasse em sua busca. A poupa lhes disse que o rei que estão procurando se chama Simurgh (que significa em persa “Trinta Pássaros”) e que vive escondido na montanha de Qaf, porém é uma viajem muito difícil e perigosa. Os pássaros imploram à poupa que os guie. A poupa aceita e começa a ensinar a cada pássaro de acordo com seu nível e temperamento. Ela lhes diz que para alcançar o alto da montanha, necessitam atravessar cinco vales e dois desertos; quando tiverem passado o segundo deserto, entrarão no palácio do rei.
Os de vontade débil, temerosos da viagem, começam a por desculpas. O louro, que é egocêntrico e egoísta, diz que no lugar de ir em busca do rei, buscará o Santo Gral. O pavão real, a ave legendária do paraíso, exclama que tem sonhado que voltará ao céu e que vai esperar pacientemente esse dia. A pata, se lamenta porque sua vida depende de estar próxima da água e morreria se separasse dela. A garça tem uma desculpa similar; não lhe é possível viajar longe do mar, porque seu amor pela água é tão grande que, embora permaneça sentada durante anos à sua margem, não tem ousado beber nem uma gota, se não o mar acabaria sem água. A coruja declara que prefere ficar e buscar as ruínas com a esperança de encontrar um tesouro algum dia. O rouxinol diz que não necessita viajar, porque está enamorado da rosa e este amor é suficiente para ele. Possui os segredos do amor que nem outra criatura tem; e com uma voz maravilhosa canta ao amor:
- Conheço os segredos do amor. Toda noite derramo meu canto de amor. A música mística da flauta se inspira em meu lamento, e sou eu quem faz desabrochar a rosa e comover os corações dos namorados. Ensino mistérios com minhas tristes notas, e quem me ouve se perde em êxtase. Ninguém conhece os meus segredos, unicamente a rosa. Tenho me esquecido de mim mesmo e só penso na rosa. Alcançar a Simurgh está acima de mim! O amor da rosa é suficiente para o rouxinol!
 A poupa que escutou pacientemente responde ao rouxinol:
- Tu estás preocupado com a forma exterior das coisas, pelos prazeres de uma forma sedutora. O amor da rosa tem lançado espinhos a teu coração. Não importa quão grande seja a beleza da rosa, se desvanecerá em poucos dias; e o amor a algo tão passageiro só pode causar repulsa ao perfeito. Se a rosa te sorri é só para encher-te de dor, porque ela ri de ti a cada primavera. Abandona a rosa e seu quente calor.

A Linguagem dos Pássaros, miniatura do séc. XVI
“O que quer dizer Attar com esta simples conversação? Nós humanos temos o desejo de buscar a perfeição, mas muitas vezes tendemos a parar o processo tão logo detectamos o mais ligeiro sinal de progresso. Isto é especialmente certo nos aspirantes ao caminho espiritual: muitos buscadores estão encantados com as primeiras etapas do despertar e o confundem com a completa iluminação. Attar nos adverte de tais perigos: não devemos confundir o amor do imaginário com o amor do Real. Por esta razão, o rouxinol tem que abandonar seu enganoso apego pela rosa para buscar ao eterno Amado.”

A poupa deleita os pássaros com maravilhosas histórias daqueles que têm feito a perigosa viagem.
Depois de ter ouvido as histórias da poupa, os pássaros estão inspirados para começar sua viajem até o primeiro vale.
Entretanto, logo começam a ter problemas, e se dão conta de que o caminho vai ser mais difícil do que haviam imaginado. Alguns voltam a por desculpas. Um afirma que a poupa não é suficientemente sábia para conduzi-los. Outro se queixa que satanás lhe tem possuído e lhe está pondo as coisas difíceis. E outro expressa seu desejo de ter dinheiro e a comodidade de uma vida de luxo.
 Finalmente, a poupa decide que a única forma para que os pássaros compreendam, é descrever-lhes os sete vales e desertos da viajem. O primeiro é o Vale da Busca. Aqui se busca a Verdade com inquietude, diz a poupa. Com constância, se busca um significado maior ao propósito da vida. Só um buscador com dedicação pode atravessar a salvo o primeiro vale e ir ao segundo, o Vale do Amor. Aqui se sente um desejo ilimitado de ver ao Rei Amado. Um fogo abrasador começa a crescer no coração e se faz devastador. O lugar é mais perigoso que o primeiro vale, porque há obstáculos no caminho para por a prova o amor. Entretanto esse mesmo amor impulsiona ao buscador sair do vale e ir até uma terra mais alta: o terceiro vale, o Vale do Conhecimento. Uma vez que se entra nesta terra, o coração se ilumina com a verdade. Se adquire aqui o conhecimento interior do Amado. Deste lugar o viajante continua a viagem ao Vale do Desapego, onde perde seus desejos de possessões mundanas. Não existe ataduras com o mundo material para o viajante que atravessa esse vale; liberado dos desejos agora o aspirante é completamente independente.
Cada novo lugar que o buscador encontra é mais perigoso que o anterior e deve ser explorado passo à passo, porque cada um contém suas próprias provas e dificuldades. Assim, cada encontro com uma terra diferente é uma experiência nova.
O quinto vale é o Vale da Unidade. O viajante experimenta nele que todos os seres são unos em essência, que toda variedade de idéias, experiências e criaturas da vida tem realmente uma só fonte.
O viajante chega ao Deserto do Medo. Então se esquece da existência de si mesmo e de todos os demais. Vê a luz, não com os olhos da mente, sim com os olhos do coração. A porta do divino tesouro, o segredo dos segredos, se abre. Nesta terra, o intelecto já não funciona. Aqui se pergunta ao viajante quem é e o que és, responde: “Não sei nada.”
Finalmente chega ao Deserto do Aniquilamento e da Morte. Neste ponto, o aspirante entende finalmente como uma gota se funde no oceano da unidade com o Amado. Tem encontrado o destino da viajem para encontrar ao rei.
Depois de ouvir a descrição da poupa sobre o que lhes espera, os pássaros se animam tanto que imediatamente continuam sua viagem.
No caminho alguns morrem pelo calor e se jogam no mar. Outros se cansam e não podem continuar; um grupo é caçado por animais selvagens e outros mais se distraem tanto pelo atrativo das terras que atravessam, que se perdem e ficam para trás. Só trinta alcançam seu destino: a montanha de Qaf.
 No palácio real, o guarda da entrada trata cruelmente os trinta pássaros. Mas os pássaros, que têm passado o pior, são tolerantes e não se permitem sentir-se molestados por sua dureza. Finalmente, o servidor pessoal do rei sai e conduz os pássaros ao salão real. Ao entrar, os pássaros olham tudo assustados. Não sabem o que ocorre, porque no lugar de ver a Simurgh, “Trinta Pássaros”, tudo o que vêm é... Trinta Pássaros.
Finalmente compreendem que, olhando-se a si mesmos, têm encontrado ao rei, e que em sua busca do rei, têm encontrado a si mesmos.
Os que atravessam as sete cidades do amor se purificam. Quando chegam ao palácio real, encontram ao rei que se revela a seus corações.

Autor: Fariduddin Attar, séc. XII
(extraído do livro: História de la Tierra de los Sufíes)

Fonte: Poesia Sufi


Valentine's Day no Irã?!

Casal diante de uma loja de presentes em Teerã
Pois é, o governo proibiu mas alguns jovens iranianos compraram presentes de Valentine's Day o dia dos Namorados e da Amizade, uma data de origem cristã que é celebrada hoje em muitos países ao redor do mundo. E porque o governo do Irã proíbe a comemoração da data? Segundo o noticiário Payvand Iran News: "As autoridades iranianas disseram que Dia dos Namorados é um símbolo da invasão cultural  anti-religiosa e que os rituais relacionados com este dia  tem o objetivo de enfraquecer os valores familiares fundamentais da República Islâmica promovidos pela agenda capitalista do ocidente".
Ainda assim, segundo o site Huff Post, muitos jovens iranianos familiarizados com a cultura ocidental através do contato com a internet, driblaram as proibições e comemoram a data com jantares, flores e cartões. E até as lojas  de presentes exibiam decoração com velas, fitas vermelhas e corações para atrair os clientes. No próximo dia 17, os iranianos tem o seu próprio "Dia do Amor e da Terra" chamado Sepandarmazgan,  que remonta a era pré-islâmica, originalmente dedicado às mães e esposas.


Grupos Étnicos e seus Diferentes Casamentos

Os vários grupos étnicos de diferentes regiões do Irã têm cada um suas próprias tradições de casamento. Conheça um pouco delas através destas belas imagens :

Azeris da região de Ahar, Azerbaijão Ocidental

Os convidados em seus trajes coloridos e festivos
A dança dos meninos...
Muito dinheiro pra noiva!
Bandaris da Ilha Qeshm, Golfo Pérsico

O noivo chega de camelo...
Quem quer dinheiro?
O traje da noiva é verde...
Gooleh, cerimônia tradicional da região do Gilan

Família a caminho da cerimônia
A noiva misteriosa...
Enfim, marido e mulher!
Turcomanos de Gonbad-e-Qabus, Golestan

Lá vem os noivos..
O noivo ajuda a noiva a desmontar do camelo... 
O casamento é celebrado em uma tenda


Abbas Kiarostami - "O Pão e o Beco"

Título original: Nan-o-Kucheh (1970)
Este singelo curta-metragem com um olhar voltado para a infância é uma amostra da primeira fase da carreira do consagrado diretor Abbas Kiarostami :



7 Locais Sagrados Xiitas no Irã

Você sabia? Os muçulmanos xiitas consideram os lugares associados ao profeta Mohammad, seus familiares e descendentes (incluindo os imams xiitas), seus companheiros e aos profetas como lugares sagrados. Depois de Meca e Medina, Najaf e Karbala no Iraque são os lugares  mais reverenciados pelos xiitas. Dentro do Irã há uma grande quantidade de santuários ou harams que além de local de peregrinação também atraem os turistas pela beleza indescritível de sua arquitetura. Conheça alguns deles:

1) Santuário do Imam Reza (Mashhad)


É um complexo que contém o mausoléu do 8º Imam dos xiitas duodecimanos e a segunda maior mesquita do mundo. O complexo abriga também a Mesquita Goharshad, um museu, uma livraria, quatro seminários, um cemitério, a Universidade de Ciências Islâmicas Razavi, refeitório para peregrinos, vastos pavilhões de oração e outros edifícios.

2) Santuário de Fatima Masumeh (Qom)


O santuário de Fatima, irmã do Imam Ali ibn-Musa Reza está localizado em Qom, a segunda cidade mais sagrada para os xiitas no Irã após Mashhad. Grande parte do complexo foi construído por Shah Abbas I no início do século XVII. O santuário conta com dezenas de seminários e escolas religiosas e também é representado no verso da moeda iraniana de 50 rials.

3) Mesquita Jamkaran (Qom)


Jamkaran está localizado nos arredores da cidade de Qom. Segundo a crença local, o 12º Imã (Muhammad al-Mahdi), figura messiânica dos xiitas duodecimanos, apareceu e ofereceu orações em Jamkaran. Nas noites de terça-feira, dezenas de milhares de fiéis  se reúnem em Jamkaran para  rezar e deixar uma bilhete com preces para o Imam em um poço atrás da mesquita.

4) Ghadamgah do Imam Reza (Nishapur)


Localizado no leste de Nishapur, a importância do local se deve ao fato do Imam Reza ter parado ali durante a sua viagem de Medina para Marv. O nome ghadamgah significa "pegada" e refere-se a  uma famosa pedra negra na qual está uma marca do pé do Imam Reza.

5) Santuário do Shah Abdol Azim  (Rey)


A sudeste de Teerã,  encontra-se a antiga cidade de Rey onde está o santuário de Shah Abdol Azim. Dentro do complexo estão enterrados o erudito  religioso Shah Abdul Azim (786-865 d.C), um descendente do Imam Hussein; Hamzeh, um irmão do Imam Reza; Hussain, bisneto do 2º Imam Hassan e Taher, descendente do 4º Imam.

6) Santuário de Bibi Shahrbanu (Rey )



O Santuário de Bibi Shahrbanu, situado nas colinas próximas à cidade de Rey, abriga os restos mortais da filha do último rei sassânida, Yazdigrid III. De acordo com a tradição local, ela foi esposa do Imam Hussain, neto do profeta Maomé.

7) Santuário  Shah Cheragh (Shiraz)


Depois dos santuários do Imam Reza em Mashhad e de  Fátima Masumeh, em Qom, o terceiro lugar mais venerado no Irã é o santuário de Shah Cherag ("Rei da Luz "), em Shiraz. O local abriga o mausoléu de Amir Ahmad e  Mir Muhammad, ambos irmãos do Imam Reza. 

Sites consultados: