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O Irã manda um macaco pro espaço


Essa notícia é no mínimo curiosa, mas não deve ter chamado muita atenção mundo afora. Aliás, apesar do título da reportagem parecer piada para muita gente, conforme mostram as fotos não tem nada de ironia. Aliás, quem aqui sabia que o Irã tava com essa tecnologia toda?
A República Islâmica do Irã enviou um macaco para o espaço em um vôo suborbital e ele retornou à Terra com segurança. Na segunda-feira, o Irã lançou o Pishgam Kavoshgar (Discoverer Pioneer) foguete, que levou o primata a uma altitude de 120 kms.  
"Neste projeto, estamos enviando um animal vivo, um macaco, para o espaço. A fisiologia deste tipo de macaco é muito semelhante a dos seres humanos. Estamos [usando] este macaco para testar sistemas de suporte à vida e condições de vôo. A cápsula é completamente selada e está equipada com máquinas que produzem oxigênio e absorvem o dióxido de carbono. Todos os sinais vitais serão transmitidos para a Terra, e as câmeras dentro da cabine vão gravar o evento ", disse o diretor da Agência Espacial iraniana, Hamid Fazeli.
O Irã lançou seu primeiro satélite de fabricação nacional, o Omid (Esperança), em 2009. A República Islâmica enviou suas primeiras bio-cápsulas de fabricação nacional contendo criaturas vivas ao espaço em fevereiro de 2010, utilizando o módulo  Kavoshgar-3  (Explorador-3).
O Irã é um dos 24 membros fundadores do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior, que foi criado em 1959.
 Fonte: Payvand 
 



Não é uma fofura esse macaquinho astronauta iraniano? Primatas somos nós! 


Abbas Kiarostami, o cineasta "Viajante" do Irã

O diretor Abbas Kiarostami
Abbas Kiarostami é um dos cineastas iranianos mais aclamados internacionalmente, autor de mais de 40 filmes, incluindo curtas e documentários produzidos desde a década de 1970.  Ele também é poeta, escritor, pintor, fotógrafo e designer e faz parte da geração New Wave do cinema iraniano que começou nos anos 60 e inclui outros cineastas pioneiros como Forough Farrokhzad, Mohsen Makhmalbaf e Bahram Beizai. Estes diretores têm em comum  a autoria de filmes de arte inovadores com conteúdo filosófico e político elevado, expressados ora através do realismo, ora através de metáforas.
Kiarostami se tornou conhecido por usar crianças como protagonistas, pelas histórias que acontecem no meio rural, pelas narrativas em estilo documental e pelos diálogos de personagens dentro de automóveis. Ele também faz uso da poesia contemporânea iraniana em muitos temas e títulos de seus filmes. Os óculos escuros que parecem uma excentricidade do diretor na verdade, usa por recomendação médica por causa da sensibilidade à luz. 
Abbas nasceu em Teerã em 1940, e sua primeira experiência no campo das artes foi a pintura. Aos 18, ele ingressou na Escola de Belas Artes da Universidade de Teerã, onde se formou em pintura e design gráfico.  Nessa época Abbas trabalhava como guarda de trânsito para manter os seus estudos. Nos anos 60, Kiarostami fez mais de 150 peças publicitárias para a televisão iraniana e ilustrou diversos livros infantis. Em 1969 ele se casou com Parvin Amir Gholi, com quem permaneceu 12 anos e teve dois filhos: Ahmad e Bahman. Bahman Kiarostami aos 15 anos se tornou diretor como o pai e em 1993 dirigiu seu primeiro Jornada à Terra do Viajante.
Bahman Kiarostami
Em 1970, Abbas foi convidado pelo governo do Irã,  para dirigir o  Instituto de Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente, onde passou a coordenar a seção de filmes. Neste mesmo ano viria sua estréia no cinema com o curta-metragem neo-realista O Pão e Beco (1970) e depois com o longa O Viajante (1974).
Confira também aqui no blog outros dois curtas de Kiarostami: Duas Soluções para um problema (1975) e As Cores (1976).
Kiarostami, foi um dos poucos diretores que permaneceram no Irã após a revolução de 1979, o que o diretor acredita ser uma das decisões mais importantes de sua carreira e fato que consolidou sua identidade como cineasta:
"Quando você tira uma árvore que está enraizada em um solo, e a transfere para outro lugar, essa árvore não mais produzirá frutos. E se produzir, os frutos não serão tão bons quanto seriam se estivesse no lugar de onde ela veio. Esta é uma regra da natureza. Eu acho que se eu deixasse o meu país, eu seria como essa árvore" - diz o cineasta iraniano.
Entre os temas mais comuns na filmografia de Abbas Kiarostami podemos citar: o individualismo, o jogo entre ficção e não-ficção, o conceito de vida e morte e o uso da linguagem poética, filosófica e até mesmo mística. Suas experimentações técnicas áudio-visuais também produzem resultados inesperados e surpreendentes como em sua obra de arte Shirin (2008).

Abbas Kiarostami e Juliette Binoche
Após seus primeiros longa metragens (Onde fica a casa do meu amigo?, 1987; Close-up, 1990; E a vida continua,1992 e Através das Oliveiras, 1994), seu maior reconhecimento internacional  veio com Gosto de Cereja (1997) vencedor da Palma  de Ouro em Cannes. Desde então, ele continuou sua produção de sucesso (O Vento nos Levará , 1999, ABC África, 2001; Dez, 2002; Cinco dedicados a Ozu, 2004), para o qual obteve mais de 70 prêmios.
Os únicos dois filmes de Kiarostami feitos fora do Irã foram: Cópia Fiel (Itália, 2010) que rendeu o prêmio de melhor atriz a Juliette Binoche em Cannes, mas foi censurado no Irã; e sua última produção Um Alguém Apaixonado (França, Japão, 2012) que também competiu no Festival de Cannes.

Cartaz feito por Kiarostami para a 19ª Mostra Internacional de Cinema de SP 
Praticamente todos os filmes de Abbas Kiarostami estiveram presentes na Mostra Internacional de Cinema de SP. Em 2004, Kiarostami ganhou uma retrospectiva completa de sua obra na 28ª Mostra, incluindo o lançamento de um livro com fotos e textos do diretor pela editora Cosac Naify. Há  também em português o livro "Caminhos de Kiarostami" de Jean Claude Bernardet lançando pela editora Cia. das Letras.

>>Veja neste vídeo algumas cenas marcantes do cinema de Kiarostami:



Sites consultados: Wikipedia|Abbas Kiarostami e Mostra Internacional de Cinema SP


Aulinha de Persa 16 - Família

Salam! Na aulinha de hoje vamos aprender como dizer os nomes dos membros da família em persa:


 خانواده  /khânevâdeh/ - A Família

 شوهر  /chôhar/ - Marido

همسر  /hamsar/  Esposa 

 پدر  /pedar/ - Pai
( بابا /bâbâ/ - papai )

مادر /mâdar/ - Mãe 
( مامان /māmān/ - mamãe)

 والدین /vâledeîn/ - Os Pais

  پسر /pesar/ - Filho

 دختر /dokhtar/ - Filha 

بچه ها /batcheh-hâ/ - Os Filhos

 برادر /barâdar/ - Irmão
(داداش /dâdash/ - mano)

 خواهر /khôhar/ - Irmã
(آبجی /âbji/ mana)

بستگان /bastegân/ - Os Parentes 

پدر بزرگ  /pedar bozorg/ - Avô

مادر بزرگ /mâdar bozorg/ -  Avó 

پدر پدر بزرگ /pedar pedarbozorg/ -  Bisavô

 مادر مادربزرگ /mâdar mâdarbozorg/ -  Bisavó  

 نوه پسر  /navehe pesar/ - Neto

نوه دختر /navehe dokhtar/  Neta 

ناپدری /nâpedarî/ - Padrasto

 نامادری /nâmâdarî/ -  Madrasta

برادر ناتنی /barâdare nâtanî/ - Meio-irmão

 پدرشوهر  یا  پدرزن  /pedar chôhar iâ pedar zan/ Sogro
(lit. pai do esposo ou da esposa)

 مادرشوهر یا مادرزن /mâdar chôhar iâ mâdar zan/ Sogra
( lit. mãe do esposo ou da esposa)

 داماد  /dâmâd/ - Genro

عروس  /'arûs/ - Nora 

خواهرشوهر یا خواهرزن /khôhar chôhar iâ khâhar zan/ - Cunhada
(lit. irmã do esposo ou da esposa)

 عموزاده 'amûzâdeh  - Primo / Prima

پسر برادر یا پسرخواهر  pesar barâdar iâ pesar khôhar -  Sobrinho
(lit. filho do irmão ou irmã )

ختر برادر یا دخترخواهر dokhtar barâdar iâ dokhtar khôhar - Sobrinha 
 (lit. filha do irmão ou irmã)

عمو  /'amû/ Tio paterno

 دایی /dai-î/  - Tio materno  

عمه /'ameh/- Tia paterna

خاله /khâleh/ - Tia materna 

Por hoje é só, espero que tenham aprendindo bastante, qualquer dúvida é só deixar um comentário. Até a próxima aulinha! Khoda Hafez! 


Kourosh Yaghmaei - Gole Yakh

Que tal um rock persa para iniciar o fim de semana? Este é o lendário cantor Kourosh Yaghmaei, considerado o  "pai do rock iraniano" e um dos maiores cantores e compositores da música popular persa. O nome desta canção significa "Flor de gelo", a faixa título do primeiro álbum do artista lançando em 1974.



Letra| Tradução:
Gole Yakh | Flor de Gelo

Gham miyoone do ta chashmoone ghashanget, loone kardeh |
A tristeza fez um ninho em seus belos olhos
Shab too moohaye siyahet, khoone kardeh |
A noite fez uma morada em seus cabelos negros 
Do ta chashmooneh siyahet, mesle shabhaye mane |
Seus  olhos negros, são como as minhas noites
Siyahiaye do cheshmet, mesle ghamhaye mane |
O negro dos seus olhos, é como a minha tristeza
vaghti boghz az mojeham payin miyad, baroon mishe |
Quando a raiva brota sob minhas pestanas, se torna como a chuva
sayle ghamha abadimo viroone karde |
a tristeza é como um dilúvio que arruinou meus esforços
vaghti ba man mimooni |
quando você está comigo
tanhayimo, bad mibare |
o vento, leva embora minha solidão
do ta cheshmam baroone, shaboone karde |
as lágrimas choveram dos meus olhos à noite 
bahar az dastaye man par zado raft |
a primavera desvaneceu das minhas mãos
gole yakh tooye delam javooneh karde |
a flor de gelo cresceu em meu coração
Too otagham daram az tanhayi atish migiram |
Eu estou tão só em minha sala
ey shokoofeh tooye in zamooneh karde |
ó, única que floresceu neste tempo 
chi bekhoonam, javoonim raft |
como posso cantar,  se minha juventude se foi?
ke sedam rafteh dige |
e minha voz se foi
gole yakh tooye delam javooneh kardeh (2x)|
a flor de gelo cresceu em meu coração

Letra do site
LyricsTranslate


Bagh-e-Fin: um jardim histórico

O Bagh-e-Fin em Kashan
A aproximadamente 300kms ao sul de Teerã, está a cidade histórica de Kashan, famosa por sua água-de-rosas e seus belos jardins. E o mais famoso desses jardins é o Bagh-e-Fin, onde está localizado o hammam (casa de banhos), onde o chanceler qajar Amir Kabir foi assassinado a mando do rei Nasreddin Shah, em 1852.
Construído em 1592, o Bagh-e-Fin é o maior dos jardins persas cobrindo uma área de 2,3 hectares. A estrutura compreende um jardim principal com numerosos ciprestes, cercado por muros e quatro torres circulares. Assim como a maioria dos jardins persas dessa época, as fontes e piscinas estão presentes dando um charme todo especial e refrescante a essa maravilha arquitetônica que combina elementos das dinastias Safávida, Qajar e Zand. Em 1935, o Bagh-e-Fin foi tombado como patrimônio nacional do Irã e em julho de 2012, foi declarado patrimônio mundial pela UNESCO.








>> Veja neste vídeo, um tour pelo maravilhoso jardim museu de Bagh-e-Fin:


Baseado em Payvand


Cozinha Persa, do tempo dos reis à atualidade

A cozinha persa tem uma história milenar e cosmopolita. Como exemplo, os hábitos alimentares da antiga Grécia, Roma e muitas culturas asiáticas e do Mediterrâneo influenciaram e foram influenciados pela culinária da Pérsia. Especiarias, estilos e receitas foram emprestadas da Índia e, por sua vez também influenciaram a culinária indiana. Existem muitos pratos que são compartilhados entre iranianos e turcos, a ponto de ser difícil distinguir o que é de quem.
Arquivos das principais cidades persas antigas contêm nomes de muitos ingredientes como manjericão, hortelã, cominho, cravo, açafrão e coentro que eram negociados junto com o azeite nas antigas rotas comerciais. Os partos e os sassânidas mencionam a romã, noz, pistache, pepino, fava, ervilha, gergelim e em seus registros comerciais. Os antigos médicos persas influenciados pelas ciências gregas consideravam alimentos e bebidas fatores importantes para a saúde do corpo. O consumo excessivo de carne  vermelha e de gorduras era considerado prejudicial para a saúde. Enquanto uma combinação equilibrada de frutas, legumes, aves, plantas, sementes e pétalas de flores mistas era considerado como uma dieta muito boa capaz de fortalecer o corpo e a mente.
As mulheres sempre tiveram uma grande influência na história da culinária no Irã. Os melhores chefs foram e ainda são as mulheres. Dos palácios dos reis persas até a dona de casa média, as mulheres sempre tiveram habilidades fabulosas na cozinha iraniana. A maioria dos homens  não cozinham, mas esperam  o melhor  de suas esposas ou mães. Os iranianos consideram a comida dos restaurantes como alimento de segunda classe, o caseiro é sempre mais valorizado e apreciado. Mesmo para casamentos e festas, quando são usados serviços de buffet, a comida deve ter a mesma qualidade que uma boa comida caseira. Restaurantes tanto no Irã  quanto fora do país preparam uma seleção muito restrita da cozinha iraniana. Geralmente os cardápios são muito limitados e servem principalmente os populares arroz e chelo kebab.

À noite em um palácio, detalhe de miniatura persa do séc. XVI
A cozinha persa é repleta de uma variedade de  pratos que incluem o arroz, algumas deles acompanham amêndoas, pistaches, cenouras, cascas de laranja e passas, com legumes, especiarias e ocasionalmente com carne. Uma característica especial é o uso do açafrão e um acabamento especial torradinho chamado tahdig. Geralmente os iranianos usam  arroz indiano basmati que é considerado o melhor tipo para suas receitas.
Outras receitas incluem ensopados, bolinhos, kebabs e legumes recheados acompanhados por diferentes molhos. Há muitas opções de pratos  vegetarianos e a mistura de doces e salgados, como grãos cozidos com frutas. O resultado é uma festa de sabores e texturas, bem como um deleite visual. Produtos pré-fabricados e  ingredientes semi prontos, como congelados ervas misturadas que atualmente estão se tornando populares entre as gerações mais jovens não são aceitáveis ​​para  a cozinha tradicional.
Para acompanhar as refeições há uma variedade de pães e todos são assados ​​em fornos especiais semelhantes aos fornos de barro em restaurantes indianos. No Irã, o pão é comprado fresco todos os dias e às vezes para cada refeição. Os que são vendidos na Europa e na América não têm a mesma qualidade que os pães do Irã, pois são cozidos em fornos convencionais modernos. Muitos tipos de sorvetes e refrescos naturais são preparados em casa. Uma pequena variedade existe nas lojas iranianas na América do Norte, mas novamente eles não têm a mesma qualidade que os caseiros. 

Vintage Regional Food Iran Map,1960 (imagem do site Etsy.com)
Muitos iranianos bebem todos os tipos de bebidas alcoólicas e não seguem a proibição islâmica sobre o álcool. No entanto, muçulmanos praticantes não consomem álcool e outros comestíveis proibidos pelos códigos islâmicos, como sangue de porco, e alguns tipos de peixes.
Os iranianos são grandes consumidores de todos os tipos de carne, exceto de porco, que não é permitido pela religião islâmica. A carne também tem que ser abatida de  acordo com a prescrição religiosa, ou seja halal. Halal significa permitido e  normalmente se refere às lojas que vendem carne abatida de acordo com os códigos islâmicos. Estas lojas existem em cada grande cidade e são de fácil acesso. Todos os sites islâmicos têm informações detalhadas sobre alimentos e bebidas proibidas e permitidas para os muçulmanos. Muitos iranianos fora do Irã não observam todas estas regras e consomem carne de lojas convencionais sem problemas.

Baseado em Culture of Iran


Os Famosos Bazares Persas


A palavra bāzār vem do persa, que significa "mercado" e este pode ser um complexo comercial localizado em um edifício estrategicamente localizado na maior praça da cidade ou uma rua com diversas lojas de mercadorias e serviços. Os bazares estão presentes em praticamente todas as cidades e vilas do Irã. Em um sentido mais abrangente, um grande bazar é composto de um conjunto de lojas com passagens e corredores. Dentro dos bazares também há outros serviços como escritórios, casas de banho, pousada para viajantes, escolas, mesquitas etc. Também existem os bazares menores que são chamados de Bazarcheh onde a população local faz suas compras no cotidiano.
No passado, os bazares eram o principal meio de economia no Irã, mas hoje, como resultado da modernização, eles estão gradualmente perdendo para os modernos shopping-centers. Com o crescimento em grande escala das cidades no Irã, as pessoas estão preferindo ir às compras em seu próprio bairro, a menos que estejam à procura de itens exclusivos que são vendidos  por um preço mais baixo no bazar. 
Além desses, ainda existem os bazares temporários que geralmente são feitos nas aldeias ou pequenos povoados, especialmente no norte do Irã ou nas áreas desérticas. Estes são mais parecidos com as  feiras tradicionais onde se pode ver artistas, vendedores de chá, pessoas com trajes coloridos e muitas outras atrações que produzem a atmosfera de um verdadeiro festival de compras.
Para os turistas, visitar um bazar persa não significa apenas compras e mais compras. É uma experiência mágica! Pois enquanto adquire, souvenirs de presente, em meio ao burburinho de vendedores e clientes também se tem a oportunidade de conhecer os hábitos e o calor humano do povo iraniano. E finalmente, não podia faltar a famosa pechincha! Enquanto negocia o melhor preço com o vendedor de tapetes, que tal saborear um bom café persa ou um chai adoçado com cubos de açúcar?

Alguns dos bazares mais famosos do Irã são:

  • Bazar de Teerã
Situado no sul da capital do Irã, é dividido em vários corredores e possui várias entradas. Cada corredor é especializado em diferentes tipos de mercadorias, incluindo artesanato em cobre, tapetes, papelaria, especiarias e metais preciosos. Também conta com os pequenos comerciantes que vendem todos os tipos de mercadorias. Hoje em dia, além dos muitos artigos tradicionais também há produtos modernos como eletrodomésticos.
  • Bazar de Isfahan
Construído no séc.XVII, o bazar que também é conhecido como Qeysarieh está localizado no centro antigo de Isfahan, na ala norte da monumental praça Naqsh-e Jahan. O complexo comercial fica em uma rua coberta de 2 kms  que liga a cidade antiga com a nova. O bazar de Isfahan, assim como a praça onde está localizado são famosos pela riqueza e sofisticação do artesanato local que atrai turistas do mundo inteiro.
  • Bazar de Tabriz
É um dos mais antigos bazares do Oriente Médio listado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2010. Localizado no centro da cidade de Tabriz, esta estrutura espetacular consiste em vários sub-bazares, como o Amir Bazaar (ouro e jóias), o Mozzafarieh ( bazar de tapetes), o bazar de calçados e muitos outros. O bazar de Tabriz também foi um lugar importante em eventos históricos como a Revolução Constitucional Iraniana no fim do séc. XIX e  Revolução Islâmica nos anos 70.
  • Bazar de Kashan
Localizado no centro da cidade de Kashan, o bazar é famoso por sua arquitetura, especialmente na seção Timcheh Amin al-dowleh, onde a luz do sol penetra no edifício por uma abertura na esplêndida cúpula do teto. No complexo, ao lado dos bazares principais, há várias mesquitas, túmulos, hospedarias, galerias, piscinas e cisternas construídos em vários períodos diferentes.
  • Bazar de Kerman
Localizado na área sul do complexo Ganjali Khan, o Bazar de Kerman é um dos mais antigos centros comerciais no Irã. Seu belo edifício de tijolos coloridos é herança do período safávida. 
  •  Bazar de Shiraz
É o principal bazar de Shiraz, localizado no centro histórico da cidade. Existe provavelmente desde o séc. XI, mas sua construção foi concluída no séc. XVIII. O edifício possui belos pátios, hospedarias, casas de banho, e lojas antigas, que são consideradas os melhores lugares em Shiraz para comprar todos os tipos de tapetes, especiarias, artesanato e antiguidades.

Baseado em Iran Visitor e Wikipedia|Bazaar


"Zagallo, Zagallo!", uma pérola dos anos 70

Quando o assunto é humor e futebol, brasileiros e iranianos têm muito em comum! Este vídeo de 1977 é uma homenagem cômica do cantor popular iraniano Zia Atabay para o nosso ex-técnico Mário Zagallo (que na época era técnico da seleção do Kuwait). A musiquinha foi feita na ocasião em que o Kuwait perdeu o jogo e a classificação, por causa do excesso de confiança do homem que achou que ia "detonar" a seleção persa...

A tradução seria mais ou menos assim:

No Brasil, você era o cara no campo  (Zagallo)
Você teve centenas de títulos (Zagallo)
Eu disse, nem sequer venha para o Irã
Você disse: Não.
Por que não? (Zagallo)
Se você conhecesse os iranianos (Zagallo)
Você não teria vindo pra perder (Zagallo)
O cara do do futebol mundial (Zagallo)
Você viu como perdeu para o Irã (Zagallo)

Agradecimento ao nosso amigo Farzan que encontrou esta pérola. 


Andy - "Khodahafez"

Pra estrear os lançamentos da música persa de 2013, a  nova canção do astro Andy Madadian. É linda demais! Kheili gashang!




اگر زندگیم شد سراپا حدیثت 
ترحم نمی خوام تو چشمای خیست
نو وعشق خوبت اگر قسمتم نیست 
به زانو نیفتم که این خصلتم نیست

نمیخوام تو چشمام بخونی احساسم

نمیخوام ببینی که در التماسم
اگر عاشق هستم هنوز که هنوزه
نمیخوام دل تو واسه من بسوزه

خداحافظ ای عشق خداحافظ ای گل
واسه دل شکستن نداری تحمل
خدا حافظ ای عشق برو به سلامت 
مثه من به غصه نداری تو عادت

من از تو نمیخوام دلیل و بهونه 

گناهی نداری همینه زمونه
تو نیستی به قلبم جوابی بدهکار 
منم که اسیرم تو نیستی گرفتار

برو موندنت رو به اصرار نمی خوام

نه هرگز من عشقو به اجبار نمی خوام
هنوزم عزیزم دلت نازنینه 
دیگه نیستی عاشق حقیقت همینه

خداحافظ ای عشق خداحافظ ای گل

واسه دل شکستن نداری تحمل
خدا حافظ ای عشق برو به سلامت 
مثه من به غصه نداری تو عادت 

برو موندنت رو به اصرار نمی خوام

نه هرگز من عشقو به اجبار نمی خوام
هنوزم عزیزم دلت نازنینه 
دیگه نیستی عاشق حقیقت همینه

خداحافظ ای عشق خداحافظ ای گل

واسه دل شکستن نداری تحمل
خدا حافظ ای عشق برو به سلامت 
مثه من به غصه نداری تو عادت 

خداحافظ ای عشق خداحافظ ای گل

واسه دل شکستن نداری تحمل...
Letra do site: IranSong


O tradicional bordado Pateh de Kerman


O Pateh é um tipo de  bordado artesanal iraniano feito com lã colorida geralmente adornando roupas e acessórios  femininos como bolsas, sapatos e echarpes. Os motivos que compõem o estilo são vegetais como o Toranj (bergamota), Sarv (cipreste) e Booteh (arbusto) que também são padrões tradicionais dos tapetes iranianos. O estilo pateh é único no mundo e compõe os trajes típicos das mulheres e meninas da região de Kerman, no sudeste do Irã. Veja como são lindos esses trajes e acessórios!





Baseado em Payvand


A "guerra" cinematográfica EUA x Irã

Cena do filme Argo, indicado ao Oscar 2013
Coincidência ou não, um ano após o Irã ter ganhado o Oscar pela primeira vez com "A Separação" de Asghar Farhadi, um filme acusado de propaganda anti-iraniana, é indicado à categoria de melhor filme. Esta notícia chama atenção para o que parece ser uma nova modalidade de luta ideológica de EUA x Irã: "a guerra cinematográfica".
O governo do Irã irá financiar um filme para mostrar a sua versão dos fatos contados no filme Argo, dirigido por Ben Affleck e indicado ao Oscar nesta quinta-feira. Desde o seu lançamento, no ano passado, Argo tem sido condenado pelo Irã, que o considera "anti-iraniano" e acusa Affleck de promover a islamofobia.

Não foram divulgados maiores detalhes sobre o filme, no entanto, segundo o jornal The Tehran Times, ele  se chamará "The General Staff" e será dirigido por Ataollah Salmanian, um cineasta iraniano pouco conhecido. “O filme será uma grande produção e servirá de resposta ao filme Argo, que peca por não ter uma visão correta dos eventos históricos", disse Salmanian à agência oficial Mehr.
De acordo com o jornal, o governo pretende mostrar a versão iraniana oficial da crise de 1979, quando 52 diplomatas americanos foram mantidos reféns por rebeldes anti-americanos durante 444 dias. 
Fonte: VEJA.com


Provérbios Persas


Provérbios são pérolas de sabedoria popular que não perdem sua validade com o passar do tempo. Você já ouviu algum desses provérbios persas?

"Vá e acorde sua sorte."

"A palavra que reténs dentro de ti é tua escrava. A que escapa de ti é tua senhora."

"Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se."

“Conhece-se o coração de um homem pelo que faz, e a sua sabedoria pelo que ele diz.”

"A paciência é árvore de raiz amarga, mas seus frutos muito doces."

"Se mergulhar no mar e não encontrar pérolas, não conclua que não há pérolas no mar."

"Não ergas alto um edifício sem fortes alicerces, se o fizeres viverás com medo."

"Uma única flor não faz primavera."

"Metade da alegria está em falar sobre ela."

"Não deixe que suas memórias superem suas esperanças."

"A sorte avança a passos de pomba e foge a passos de gazela."

"A paciência é uma árvore de raiz amarga, mas de frutos muito doces."

"Se ao meio-dia, o rei diz que é noite, você deve olhar para as estrelas."

"O homem teme o passar do tempo, e o tempo teme o passar das pirâmides."

"Quatro coisas temos em mais quantidade do que pensamos: inimigos, dívidas, anos e pecados."

"Com palavras agradáveis e um pouco de bondade se pode arrastar um elefante com um fio de cabelo."

"A areia do deserto é para o viajante cansado, o mesmo que a conversa incessante é para o amante do silêncio."

"O homem pode passar por sábio quando busca a sabedoria, mas se acredita tê-la encontrado é um tolo."

"Entre dois cozinheiros, a sopa se torna salgada ou sem sal."

"Não tenha medo de quem levanta um clamor; tenha medo de quem mantém a cabeça baixa."

"'Eu sou feliz', disse. Naturalmente, se tratava um tolo."

"Três coisas devem ser evitadas: um muro quebrado, um cão feroz, e uma megera."

"Sete conjuntos de jarras e pias, mas sem jantar ou almoço."

"Ele tem comido tantas cobras que se tornou uma víbora."

"Se não tem água para mim, com certeza tem pão para você."

"Valentia e covardia estão separadas por um passo."

"O que derrama do jarro é o que está dentro dele."

"A sede do coração não se acaba com uma gota de água."

"Quando a água permanece no mesmo lugar, estraga."

"Nós caímos do cavalo, mas não caímos da nobreza."

"Prove primeiro antes de dizer que está sem sal."

"Um homem precipitado faz as coisas duas vezes."

"Uma pessoa que vive necessita de uma vida."

"Acredite em Deus, mas amarre seu camelo."

"Ele empurra com a mão e puxa com o pé."

"Tudo que eu não gostava me aconteceu."

"O que o vento dá, o vento tira."

"Comprar barato, comprar um monte."

"O dia tem olhos, a noite ouvidos."

"A água é barrenta no manancial."

Fonte: Pensador e SiteQuente


Breve História da Cerâmica no Irã

A história da cerâmica no Irã vai desde a pré-história até os dias atuais. Mais precisamente, os utensílios de barro cozido surgiram no planalto iraniano com o início da agricultura. Os artesãos produziam uma variedade de utensílios como panelas, tigelas e potes para armazenar grãos. Em algumas escavações arqueológicas foram encontradas estátuas de barro em forma de animais e aves que presumivelmente eram usados como objetos decorativos e rituais.
Devido à posição geográfica do Irã, sendo a rota de caravanas de importantes civilizações, quase todas as regiões do país obtiveram algum conhecimento em cerâmica. Recentes pesquisas arqueológicas revelaram que havia quatro grandes olarias na região do planalto iraniano. Estas incluíam a parte ocidental do país, a oeste das montanhas de Zagros (Lurestan), e a área ao sul do Mar Cáspio (províncias de Gilan e Mazandaran). A terceira região se localizava na parte noroeste do país, na província do Azerbaijão. A quarta área ficava no sudeste, na região de Kerman e Baluchistão. A essas quatro regiões pode-se também adicionar a área de Kavir, onde a história da cerâmica remonta ao neolítico (8000 a.C).

Vaso iraniano do neolítico (c. de 8000 a.C)
Com a invenção da roda de oleiro, no 4º milênio a.C., tornou-se possível aperfeiçoar a simetria das peças e a decoração desses objetos era feita com maior  habilidade artística. Este tipo mais sofisticado de cerâmica foi produzido em várias partes do Irã revelando os laços econômicos e culturais que devem ter existido entre as comunidades pré-históricas. Idéias, técnicas e tendências artísticas devem ter viajado grandes distâncias e eram livremente trocadas. 
Em torno do 2º milênio a.C., a fabricação de cerâmica geralmente consistia de tigelas, jarros e potes simples, sem qualquer decoração, mas algumas tinham superfícies polidas e decoradas com padrões geométricos. As peças mais belas da época, no entanto, são os vasos zoomórficos (touros, camelos, carneiros, etc)  ou figuras humanas, que foram descobertos principalmente na região de Gilan. Este tipo provavelmente tinha duas funções distintas: alguns deles eram utilizados no dia a dia, enquanto outros, eram usados ​​em cerimônias religiosas. A fabricação de vasos e estatuetas zoomórficas continuou até a metade do 1º milênio a.C.
Cerâmica iraniana (c. de 1000 a.C.)
Durante o império medo-persa (séc. VIII a.C.), uma das inovações mais importantes foi a introdução do esmalte vitral, embora a evidência mais antiga aponta o seu uso em tijolos do templo elamita em Chogha Zanbil, datados do séc. XIII a.C. Com a vinda da Dinastia Aquemênida, no séc. VI a.C também foram feitos grandes avanços na fabricação de cerâmica tornando-a mais popular e difundida. No período Sassânida (224-651 d.C)  foram produzidas  figuras de terracota esmaltada das quais uma grande variedade são conhecidas hoje em dia.
Com o advento do Islã na primeira metade do séc. VII d.C, a fabricação de cerâmica gradualmente começou a mudar em todo o mundo islâmico. No início, os oleiros iranianos continuaram suas tradições pré-islâmicas. Mas, provavelmente devido ao contato com o Extremo Oriente, particularmente com a China e às mudanças trazidas pelo Islã,  novos tipos de cerâmica foram produzidos. Vale a pena ressaltar que a fabricação de cerâmica no Irã e no mundo persa esteve sempre à frente do resto do mundo islâmico.
Durante a dinastia dos samânidas (875-999 d.C.), os iranianos começaram a reviver suas tradições antigas  depois de séculos de proibições impostas pelos governantes árabes. As cerâmicas começaram a ser decoradas com belas frases caligráficas (orações e trechos do Alcorão), além de cenas de antigas histórias como Khosrow e Shirin, Bijan e Manijeh, etc. Durante o período dos Seljúcidas (1037-1194 d.C.), também foram usados padrões de animais e caligráficos na decoração dos objetos.

Cerâmica iraniana do período islâmico
A dinastia Safávida (1502-1722) marcou um período de renascimento na história da cerâmica iraniana, com a reintrodução de  técnicas esquecidas. A maestria na arte da cerâmica também floresceu nos azulejos  utilizados na decoração das mesquitas, especialmente em Isfahan. A cidade de Isfahan também produzia um tipo de louça azul e branca e um tipo de  louça policromada e esmaltada ao longo do século XIX, mas a qualidade destas nunca chegou a da cerâmica Safávida.
Perto do final do século XIX, houve um declínio geral na fabricação da cerâmica no Irã, devido principalmente, à importação de porcelana industrial mais barata produzida na Europa e Extremo Oriente. Isso significou o fim da produção de cerâmica artística no Irã que não foi revivida até início de 1970. Atualmente, a produção de  cerâmica industrial e porcelana, já não é mais uma arte. Mas, felizmente ainda existem algumas oficinas tradicionais e o interesse das pessoas por esses produtos está crescendo.

Cerâmica esmaltada artesanal do Irã
Baseado em Iran Review


Estudantes brasileiros medalhistas em olimpíada de ciências no Irã

Equipe de estudantes brasileros em Teerã
Foto do site: Fundação Estudar
Salam! Não poderia deixar passar despercebida esta notícia. Leia a reportagem na íntegra no link da FSP e veja como um jovem estudante do Ensino Médio é capaz de superar as expectativas mesmo com um sistema de ensino que "desestimula" o aprendizado:
Com quase dois anos a menos que os 180 concorrentes de 28 países, Matheus Camacho, 14, foi à capital do Irã no início do mês passado para participar da Olimpíada Internacional de Ciências. Após dez dias de provas, voltou com a medalha de ouro por equipes na principal prova da competição, a prática. (Fonte:  Folha de S.Paulo.) 
O que a reportagem não diz, mas está no site do IJSO, é que todos os estudantes brasileiros obtiveram pelo menos 1 medalha em Teerã, em dezembro de 2012, e este foi o melhor resultado do Brasil na história da competição. Além disso, outro trio de estudantes brasileiros também recebeu medalhas de ouro e com essa pontuação o Brasil ficou à frente de países como Taiwan e Rússia, que dividiram a medalha de bronze, e Indonésia e Irã, que dividiram a prata. 

Parabéns a todos esses jovens atletas do conhecimento!


As Religiões no Irã


A religião oficial do Irã é o Islã xiita duodecimano da escola de jurisprudência Ja'fari que é seguida por cerca de 93,6% da população. A constituição do país estabelece que outras escolas islâmicas são livres e respeitadas. Os muçulmanos sunitas que são maioria no Oriente Médio e no mundo inteiro, são apenas cerca de  6,3% da população no Irã. O Sufismo, ou misticismo islâmico, é popular entre xiitas e sunitas que buscam interpretações espirituais do Islã. O restante da população, são seguidores de outras religiões, incluindo Baha'is, Mandeístas, Yarsanis, Zoroastrianos, Judeus e Cristãos. Os três últimos grupos são reconhecidos pelo Estado e têm assentos reservados no parlamento. A fé Baha'i que se originou no séc. XIX, não dispõe de reconhecimento oficial e seus seguidores têm sido intensamente perseguidos, perdendo direitos e liberdades civis que vedam o seu acesso ao estudo superior e ao trabalho. 

Santuário do Imam Reza em Mashhad
Catedral armênia de Vank em Isfahan
Os cristãos iranianos são estimados em 300.000, sendo sua maioria, da Igreja Apostólica Armênia. Sua presença no Irã é contemporânea à introdução do Islamismo. Outras denominações presentes são especialmente os Assírios, católicos, protestantes e evangélicos. O governo reconhece os Mandeístas (seguidores de João Batista) como cristãos, mas eles mesmos não se vêem assim.
O Zoroastrismo tem uma história milenar, antecendendo em muito o Cristianismo e o Islamismo, e é a mais antiga religião no Irã que sobreviveu até o presente. Durante o Império Persa foi a religião oficial. Calcula-se que sejam 35 mil seguidores por dados do governo.

O templo zoroastriano do fogo em Yazd
Sinagoga, no bairro judeu de Isfahan
A presença judaica no Irã data de tempos bíblicos, e sua comunidade é a maior do mundo islâmico, com cerca de 25 mil membros. Mas, a grande maioria dos judeus iranianos vive fora do Irã, principalmente nos Estados Unidos e em Israel.
A Constituição da República Islâmica reconhece o Islamismo, o Cristianismo, o Judaísmo e o Zoroastrianismo, mas determina como religião oficial do Estado apenas o Islamismo. No artigo 13 elas são citadas como "Povos do Livro", o que lhes assegura liberdade de culto. Três assentos entre os 270 do Parlamento são reservados aos três cultos não-islâmicos. Por outro lado, cargos oficiais importantes são reservados apenas para os muçulmanos. Todos os membros de religiões minoritárias, incluindo os muçulmanos Sunitas, não podem ser eleitos como Presidente da República. A Constituição do Irã, em tese autoriza em seu artigo 23 a liberdade de culto, mas em outros artigos os juízes são autorizados a determinar sentenças de acordo com a tradição e os decretos religiosos islâmicos.

Baseado em Wikipedia e S.F.Sepehr


Cinema Iraniano: "A Caminho de Kandahar"

FILME DO MÊS:
Um documentário ficcional extraordinário no cenário árido e desolado do Afeganistão, onde muitas vidas são ocultas pelo véu da opressão. 



A Caminho de Kandahar narra a peregrinação de Nafas (Niloufar Pazira), uma jornalista afegã radicada no Canadá que empreende uma viagem desesperada até a cidade do título (quartel-general da milícia Talibã, aliás). O motivo de sua jornada é impedir o suicídio da irmã, que já não tem vontade de viver sob a opressão da burca. Coberta também ela da cabeça aos pés, Nafas é conduzida através do deserto por quem se disponha a ajudá-la – uma família de refugiados que é roubada por milicianos, um garoto expulso da escola corânica, um negro americano que faz as vezes de médico num vilarejo e um homem mutilado por uma mina. Em pouco mais de uma hora, o diretor consegue algo que, desde os atentados de 11 de setembro, se transformou em artigo valioso: um retrato da vida como ela realmente é hoje no Afeganistão do Talibã.
A Caminho de Kandahar tem valores que ultrapassam o caráter meramente documental. O cenário de miséria que ele revela é tanto mais rascante porque Makhmalbaf, um expoente do cinema de seu país, consegue infundi-lo com uma espécie de poesia da desesperança – como na cena, bela e horrível, em que a câmara registra os rostos de um grupo de mutilados que correm com suas muletas e próteses toscas em direção a um helicóptero da Cruz Vermelha. Fiel à tradição iraniana, o diretor – que é conhecido aqui por Gabbeh e Um Instante de Inocência – empregou quase que só amadores no elenco. São na maioria refugiados afegãos que vivem na fronteira com o Irã (onde o filme foi rodado) e conhecem na pele o drama que interpretam. A protagonista é mesmo uma jornalista que mora no Canadá. Há mais de um ano, Niloufar pediu a Makhmalbaf ajuda para entrar no Afeganistão e retirar de lá uma amiga. O diretor não pôde atendê-la na ocasião, mas mais tarde sugeriu que filmassem uma versão ficcionalizada dessa história. Makhmalbaf, contudo, diz que ela é incompleta. "Se eu mostrasse toda a tristeza que vi, ninguém acreditaria."

Créditos: VEJA on-line

Filme: A Caminho de Kandahar
Irã, França| Drama | 85 min.| cor
Legendado em português
Direção: Mohsen Makhmalbaf
Título Original: Safar e Ghandehar
Título em inglês: Kandahar
Elenco: Niloufar Pazira, Hassan Tantai, Sadou Teymouri, Hoyatala Hakimi, Monica Hankievich, Noam Morgensztern, Zahra Shafahi, Safdar Shodjai, Mollazaher Teymouri

O link para este filme foi removido, desculpem o transtorno. 
Agradeço quem tiver sugestões de links para assistir este filme online.


Age Ye Rooz - Dariush e Faramarz Aslani

Dariush Eghbali é uma lenda da Musica Popular Iraniana e Faramarz Aslani um grande cantor e compositor cantor, ambos exilados desde a Revolução Islâmica.


Letra | Tradução:
Age ye rooz | "Se um dia"

Age ye rooz beri safar | Se um dia você partir
Beri ze pisham bi khabar | Deixar-me sem notícias
Asire royaha misham| Eu me manterei prisioneiro dos sonhos
Dobare baz tanha misham| E ficarei sozinho novamente
Be shab migam pisham bemoone| Direi para a noite ficar comigo
Be baad migam ta sob bekhoone| Direi para o vento cantar para mim até o amanhecer
Bekhoone az diare yari| Cantar para mim onde está meu amor
Chera miri tanham mizari| Como pôde me deixar sozinho

Age ye rooz faraamoosham koni| Se você me esquecer
Tarke aaghoosham koni| Se deixar os meus braços
Parandeie darya misham| Me tornarei um pássaro do mar
Too change moj raha misham| Estarei nos braços das ondas
Be del migam khamoosh bemoone| Direi, coração, para que você se aquiete
Miram ke har kassi bedoone|  Eu vou gritar para que todo mundo saiba
Miram bessooie oon diari| E  irei aonde você está
Ke toosh mano tanha nazaari| Onde você não me deixará sozinho

Age ye roozy noome to| Se um dia o seu nome

Too gooshe man seda kone| Ressoasse em meus ouvidos
Dobare baz ghamet biad| Mais uma vez a tristeza por você viria
Ke mano mobtala kone| E me deixaria aflito
Be del migam karish nabashe| Eu direi, coração, que não tem problema
Bezareh darde to davah she| Que deixaria essa dor se tornar remédio
Bereh tooyeh tamoomeh joonam| Que curaria toda a minha alma
Keh baz barat avaz bekhoonam| Que de novo, eu cantaria para você.

Age bazam delet meekhad| Se de novo seu coração quisesse
Yareh yek deegar basheem| Que nós fossemos amigos um do outro
Mesaleh ayoomeh ghadeem| Como antigamente, 
Bensheeneem va sahar pasheem| nós sentávamos juntos pela madrugada 
Bayad delet rangee begeereh|Seu coração deveria tomar alguma cor
Dobareh ahangee begeereh| Deveria tomar uma melodia novamente
Begeereh rangeh oon deeyaree| Deveria tomar a cor daquele clima
Keh toosh mana tanha nazaree| Que não me deixasse só

Age mikhay peesham bemoonee| Se você quer ficar comigo

Beeya ta bagheeye javoonee| Venha, para o resto da juventude
Beeya to poost beh ostokhooneh| Venha, enquanto há pele em nossos ossos
Nazar delam tanha bemooneh| Não me deixe ficar sozinho 
Bezar shabam rangee begeereh| Deixe minha noite tomar alguma cor
Dobareh ahangee begeereh| Deixe ela tomar novamente uma melodia
Begeereh rangeh oon deeyaree| Deixe tomar a cor daquele clima
Keh toosh mana tanha nazaree| Que não me deixasse só

Baseado em: LyricsTranslate.com


Dicas de Livros em Português sobre o Irã

Dicas de livros didáticos, romances e histórias em quadrinhos disponíveis em língua portuguesa para conhecer melhor a cultura do Irã:

O Irã sob o chador 
Ano de lançamento: 2010
Autoras: Adriana Carranca e Marcia Camargos
Editora: Globo Livros
Sinopse: Neste relato original e impactante, Adriana Carranca e Marcia Camargos revelam traços da cultura, os hábitos e o cotidiano iraniano. Questionando estereótipos e vivenciando experiências surpreendentes, O Irã sob o chador: duas brasileiras no país dos aiatolás expõe um país complexo e controverso, muito distante do que o imaginário ocidental ajudou a consagrar. Uma sociedade que caminha entre forças conservadoras e um ímpeto de renovação, em meio a mobilizações sociais raras no mundo contemporâneo.


 Ano de lançamento: 2007
Autora: Marcia Camargos
Editora: Ediouro
Sinopse: Este livro é um romance baseado na história real de um jovem iraniano e seu melhor amigo. Contrariando normas rígidas, Kurosh Majidi (nome fictício) apaixona-se por Zibã, uma não muçulmana. Na direção oposta, seu amigo Behruz abraça o radicalismo xiita. Quando a história assume proporções trágicas, Kurosh decide que chegou a hora de partir. Começa então sua epopéia, ponto central do livro. Kurosh aventura-se rumo à fronteira com a Turquia e acaba preso e torturado. Retorna à cidade natal, mas não desiste. Como um albatroz, a grande ave migratória, ele reúne forças, supera o medo e atravessa a cordilheira coberta de neve e infestada de lobos famintos.


Ano de lançamento: 2010
Autor: Mahbod Seraji
Editora: Rocco
Sinopse: Em Teerã é muito comum, no verão, dormir no telhado. O calor seco do dia resfria-se após a meia-noite, e quem fica lá em cima acorda com os primeiros raios de sol na face e com o ar fresco nos pulmões. E é deste lugar que os adolescentes Pasha e Ahmed, amigos inseparáveis, observam o mundo e as pessoas ao redor. É também dali que Pasha consegue ver e admirar Zari, sua vizinha, uma jovem já prometida para casamento. Este é o ponto de partida de Os telhados de Teerã, primeiro romance do autor iraniano, Mahbod Seraji, que emigrou para os Estados Unidos na década de 1970 e que, atualmente, vive na Califórnia, na Baía de São Francisco.


Ano de lançamento: 2004
Autora: Azar Nafisi
Editora: Edições Best Bolso
Sinopse: A autora iraniana Azar Nafisi nos conduz à intimidade da vida de oito mulheres que precisam encontrar-se secretamente para explorar a literatura ocidental proibida em seu país. Durante dois anos, antes de deixar o Irã, em 1997, Nafisi e mais sete jovens liam em conjunto "Orgulho e Preconceito", "Madame Bovary", "Lolita" e outras obras clássicas sob censura literária. A narrativa de Nafisi remonta aos primeiros dias da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini (1979), quando ela começou a lecionar na Universidade de Teerã, em meio a um turbilhão de protestos e manifestações. Obra de grande paixão e beleza poética que nos ajuda a entender os sangrentos conflitos do Irã com o vizinho Iraque, e a tirania do regime islâmico. 


Ano de lançamento: 2004
Autor: Jean-Claude Bernardet
Editora: Cia. das Letras
Sinopse: Caminhos de Kiarostami analisa as características estilísticas da obra do cineasta iraniano, um dos expoentes da cinematografia contemporânea. Baseando-se em inúmeros depoimentos do diretor e em filmes como Vida e nada mais, Close up, O gosto da cereja e Dez, Jean-Claude Bernardet reflete sobre o cinema de Abbas Kiarostami, com sua linguagem decididamente não narrativa e suas ficções com jeito de documentário. Mas a questão analisada não é a relação entre ficção e documentário, e sim o princípio da incerteza que rege a obra do cineasta: em decorrência desse recurso autoral, o espectador nunca sabe exatamente a que está assistindo.


Ano de lançamento: 2006
Autora: Alessandra Meleiro
Editora: Escrituras
Sinopse: Nas últimas décadas, o Novo Cinema Iraniano ganhou projeção internacional, conquistando vários prêmios e festivais consagrados. Os filmes de reconhecidos diretores, como Abbas Kiarostami e Mohsen Makhmalbaf, despertam, ao mesmo tempo, interesse, admiração e curiosidade no mundo inteiro. O Novo Cinema Iraniano - Arte e Intervenção Social coloca em cena a sociedade iraniana ávida por mudanças, decifrando a si mesma por meio de suas polêmicas produções cinematográficas. Filmes censurados internamente, porém com enorme repercussão no exterior.


Ano de lançamento: 2007
Autora: Marjane Satrapi
Editora: Cia. das Letras
Sinopse: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.


Ano de lançamento: 2010
Autora: Marjane Satrapi
Editora: Cia. das Letras
Sinopse: Os almoços de família na casa da avó de Marjane Satrapi, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual - enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas - o 'bordado'. O 'bordado' iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo 'tricô', não fosse uma acepção bastante particular - a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento, mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país. O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição. 


 Ano de lançamento: 2008
Autora: Marjane Satrapi
Editora: Cia. das Letras
Sinopse: Se em Persépolis Marjane Satrapi empreendeu um relato autobiográfico, em Frango Com Ameixas não é sua própria vida que está em foco, mas a de seu tio. Artista como ela, Nasser Ali começa a narrativa com uma tragédia pessoal - durante uma briga, sua mulher destrói o antigo e precioso tar (um instrumento de cordas da tradição persa) que o celebrizara como um dos maiores músicos do país. Nasser Ali sai em busca de um novo instrumento, mas parece impossível encontrar um que tenha o som tão perfeito como o que ele herdara na juventude, durante seus anos de formação. A procura pelo tar o leva a conflitos com a família, os amigos e sua própria identidade de artista - é como se ela tivesse se rompido junto com o instrumento. 


Ano de lançamento: (2010)
Autores: Amir & Khalil
Editora: Leya
Sinopse: O paraíso de Zahra é uma trama ficcional permeada de pessoas reais e eventos que buscam oferecer uma visão do que é o Irã no início do século XXI. É uma história que narra a revolta ainda em andamento neste país governado pelos aiatolás.





Sinopses tiradas do site  SKOOB