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Existem Igrejas no Irã?

Igreja armênia na província do Azerbaijão, Irã
Atualmente há mais de 200 igrejas armênias históricas no território iraniano, a maioria delas foi construída em torno  do séc. XIV. Mas isso não significa que não havia igrejas  no país antes desse período. Durante o reinado de Shah Abbas I, o rei safávida, um número considerável de cristãos da Armênia e do Azerbaijão se estabeleceram em Isfahan e outras regiões do Irã. Um bairro chamado Jolfa foi construído às margens do rio Zayande-rud em Isfahan e tornou-se a residência desses imigrantes e consequentemente, igrejas foram erguidas na cidade. Depois de um curto lapso de tempo, alguns armênios se mudaram para a província do Gilan enquanto outros foram para Shiraz. Após a morte de Shah Abbas, seu sucessor, Abbas II também deu especial atenção ao bem-estar da comunidade armênia e mais igrejas foram erguidas em Jolfa. A influência de muitos europeus durante o reinado dos Qajars levou ao florescimento de outras igrejas e alguns destes edifícios ganharam importância arquitetônica e artística. Na província do Azerbaijão é onde estão as mais antigas igrejas do Irã. Entre as mais significativas estão a  Vank Tatavous (Catedral de São Judas Tadeu), que também é chamado de Kelissa Ghara ou Kara Kelissa ("o mosteiro negro") na cidade de Maku e há também a igreja conhecida como Santo Stepanous (Santo Estevão), que fica  24km ao sul da cidade de Jolfa. 
Geralmente, cada igreja tem um grande salão de orações congregacionais, sua parte mais importante é erguida como um palco, adornado com as  imagens de ícones religiosos que também serve como um altar. A congregação reza de joelhos ou sentada diante da plataforma onde o sacerdote está celebrando os ritos da igreja, que é semelhante à prática muçulmana de rezar de frente para o nicho na mesquita. A estrutura das igrejas no Irã seguem mais ou menos o padrão da arquitetura iraniana, ou combinam elementos iranianos e não-iranianos.
Igreja de Santo Stepanous  no Azerbaijão.
A antiga Igreja de Santo Stepanous se assemelha mais a arquitetura armênia e georgiana e o interior do edifício é adornado com belas pinturas feitas por Honatanian, um renomado artista armênio. Hayk Ajimian, um estudioso e historiador armênio, registrou que a igreja foi originalmente construído no século IX d.C, mas  repetidos terremotos no Azerbaijão arruinaram completamente a estrutura anterior. A igreja foi reconstruída durante o governo de Shah Abbas II. 
A Igreja de Santa Maria em Tabriz foi construída no século XII e em suas crônicas, Marco Polo, o famoso viajante veneziano que viveu durante o século XIV,  se refere a esta igreja em seu caminho para a China.  É um edifício generosamente construído, com  diferentes edifícios anexos espalhados em uma grande área. 
Além das  três igrejas citadas acima, ainda  há outras no Azerbaijão, como a antiga igreja construída na aldeia de Modjanbar a 50 km de Tabriz e a grande igreja de São Sarkis, na cidade de Khoy. Durante o reinado de Shah Abbas,  foi construída a  Igreja de S.Gevorg (São Jorge), na aldeia de Haft, perto da cidade de Salmas. E na aldeia de Derishk nas proximidades de Shapur, também há uma igreja com uma cúpula admirável. 
Catedral de  São Tatavous ou "Mosteiro Negro"
Detalhe do Mosteiro
Interior da Catedral
A catedral mosteiro Vank Tatavous ou Kara Kelissa inicialmente, era composta de uma sala pequena com uma cúpula em forma de pirâmide semelhantes aos edifícios islâmicos  da era mongol. A parte principal desta estrutura piramidal  segue a arquitetura bizantina (Império Romano do Oriente), incluindo as franjas horizontais e paralelas feitas de pedras brancas e pretas do interior para o exterior. A fachada dominada por pedras negras, deu origem ao apelido de "mosteiro negro" pelos nativos. Durante o reinado do governante Qajar, Fath Ali Shah, novas estruturas foram adicionados à igreja de São Tatavous sob a ordem de Abbas Mirza, o príncipe herdeiro e governador do Azerbaijão. As reformas resultaram na ampliação da sala de oração e a pequena igreja antiga foi transformada em uma plataforma de oração, mantendo o altar, os ornamentos sagrados e um lugar onde o sacerdote poderia conduzir as orações. A torre do sino e da entrada da igreja estavam situadas em um lado do novo edifício, mas, infelizmente, essa parte ficou inacabada. Entretanto, devido a distúrbios políticos na região durante os períodos seguintes, a igreja foi abandonada e em ruínas. Alguns pequenos reparos foram realizados nos últimos anos. A cada ano, durante uma época especial (no verão), muitos armênios de todas as partes do Irã viajam a este local para oração e peregrinação. Eles vêm por jipes ou caminhões depois de cruzar uma rude passagem montanhosa. Eles se juntam ao redor da igreja, onde ficam por alguns dias realizando suas cerimônias religiosas. No resto do ano, porém, a igreja permanece deserta nessa área remota. Os acréscimos feitos à igreja de São Tatavous por ordem de Abbas Mirza consistem em imagens dos apóstolos gravadas sobre a fachada e decoração de flores, arbustos, leões e figuras de sol e arabescos, todas feitas por artesãos iranianos. A arquitetura do interior da igreja é uma combinação de desenhos bizantinos, armênios e georgianos. Ao lado da grande igreja, câmaras especiais foram construídos para abrigar peregrinos e eremitas.
Catedral Vank no bairro armênio de Jolfa em Isfahan
Catedral Vank (foto cedida por  Mehrdad G.)
Pinturas com cenas bíblicas no interior da Catedral Vank
Das igrejas históricas do Irã, sem dúvida a mais importante está localizada no bairro de Jolfa em Isfahan. É a antiga Catedral Vank, (vank significa "catedral" na língua armênia). Este grande edifício foi construído durante o reinado de Shah Abbas I, e reflete completamente a arquitetura iraniana. Tem uma cúpula de tijolos de dupla camada, que é muito semelhante àquelas construídas pelos safávidas. O interior da igreja é decorado com pinturas gloriosas e belas miniaturas que representam tradições bíblicas e imagens de anjos e apóstolos, os quais foram executados em uma mistura de estilos iraniano e italiano. O teto e as paredes são revestidas com azulejos da época safávida. Em um canto do pátio da grande  catedral, escritórios e salas foram construídas para acomodar os convidados, o arcebispo de Isfahan e sua comitiva, bem como outras autoridades religiosas armênias. O complexo da igreja também inclui um museu que está localizado em um edifício separado. O museu exibe  registros históricos e relíquias, e os decretos de reis iranianos que remontam ao tempo de Shah Abbas I, além de uma interessante coleção de obras de arte.
Isfahan também tem outras igrejas históricas, das quais a mais importante  é a Igreja de Beit-ol Lahm (Belém) em na Avenida Nazar. Há também a igreja de Santa Maria em  na Praça Jolfa Praça e a  Igreja Yerevan.
Em Shiraz, na parte leste da Avenida Ghaani, em um bairro chamado Sare Jouye Aramaneh, uma igreja armênia sobreviveu desde a era de Shah Abbas II. Sua estrutura principal está no meio de um jardim  é composto por uma sala de oração com um teto alto plano e várias células flanqueiam os dois lado do edifício. O teto é decorado com pinturas originais da época safávida e as células adjacentes são adornadas com nichos e arcos e moldagem de gesso, também no estilo safávida. Esta igreja é considerada um monumento histórico em Shiraz e definitivamente merece uma visita.

Igreja de Beit-ol Lahm em Isfahan
Igreja de São Simão em Shiraz
A Igreja de São Simão, em Shiraz  é uma outra  relativamente importante, mas não tão antiga. O grande salão é completamente feito em estilo iraniano, enquanto o telhado é romano. Pequenos cofres em forma de barril, obras de arte  iranianas e vitrais enfeitam a igreja. Em Ghalat, a 34 km de Shiraz há outra igreja chamada a" Glória de Cristo". Este edifício remonta ao período Qajar e está rodeado por jardins encantadores.
A  Igreja de São Tatavous (São Judas Tadeu) de  Teerã está localizada no distrito de  Meidan Chaleh , um dos mais antigos bairros da capital iraniana. Ela fica ao sul do Mausoléu Seyed Esmail. A igreja mais antiga de Teerã, foi construída durante o reinado do rei Qajar, Fath Ali Shah. O edifício tem um teto em forma de cúpula e quatro alcovas, um altar e uma cadeira especial reservada para o líder religioso armênio ou prelado.O vestíbulo que leva à igreja contém os túmulos de importantes cristãos não-iranianos que morreram no Irã. Eles foram mortos pelas forças revolucionárias de Teerã na época.
No Sul do Irã, em Bushehr, há uma igreja do período Qajar que é um bom exemplar da arquitetura iraniana. Todas as janelas são modeladas seguindo o modelo dos  antigos edifícios iranianos e os painéis coloridos são obras de arte puramente iranianas. Há também muitas outras igrejas em Urmia, e nas aldeias vizinhas às cidades de  Arasbaran, Ardabil, Maragheh, Naqadeh, Qazvin, Hamedan, Khuzestan, Chaharmahal, Arak, na velha aldeia de Vanak  ao norte de Teerã, etc. Porém, essas igrejas, estão todas abandonadas possuem pouca importância artística.

Baseado em Iran Chamber


7 comentários

  1. Salam, Jana Jan, como vai você?

    Nossa! Suntuosos monumentos, belas igrejas. Gostei de ver Tabriz.

    Feliz ano novo para você! Hoje se inicia mais um.
    Como eles celebram lá no Irã??

    Beijos, beijos, te aguardo lá no meu Oásis,
    Denise.

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    1. Salam Denise jan! kul aam wa anti bikhair! Lá no Irã e em outros países de lingua persa, como eles seguem o seu próprio calendário, celebram oficialmente o ano novo no Nowruz, que marca o fim do inverno próximo de 21 março.
      Essas igrejas históricas com essas lindas paisagens são de tirar o fôlego, não é?
      Já to indo com o meu camelinho até o seu oásis! rsrs
      Bause!

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  2. Olá Denise! Olá jana!
    Que post tão belo... fantástica arquitetura.
    Quero conhecer o mosteiro negro, seguindo pela rude passagem montanhosa.
    Um abração!

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    1. Olá Cri, que saudades de vc!
      Muitíssimo obrigada! Eu também quero conhecer a paz e a beleza misteriosa deste monumento na paisagem montanhosa do Noroeste do Irã, deve ser fantástico no começo da primavera!
      Um abraço e um beijão!

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  3. Salam, Janaina!

    Que igrejas lindas! Há um filme iraniano, que passou numa mostra, sobre uma igreja e sua comunidade e sobre um rapaz muçulmano que fica fascinado pela história e devoção a Meyryam (não sei bem como se escreve Maria).

    Beijos,

    Iara

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  4. E sobre a situação dos cristãos no país? Igrejas funcionando? Comunidades cristãs? Como está isto?

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