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Dois meninos iranianos jogando futebol no Brasil

Uma  linda história de determinação e amor pelo esporte. Conheça os dois garotos iranianos que vieram até o país do futebol para realizar um grande sonho, defender a seleção de seu país na Copa de 2014. Farbod, 17 anos e Matin, 14 anos, há pouco tempo no Brasil, estão dando um show de dedicação, aprendendo a falar o português e as táticas do esporte que não tem tanta tradição no seu país. 
A reportagem completa  com vídeo está no site do Globo Esporte, aqui eu fiz um resumo a partir dela:

Os meninos iranianos Farbod , 17 e Matin, 14 que vieram para o Brasil jogar no Juventus.
A aventura dos garotos iranianos começou em abril deste ano e depois de quase oito meses , a dupla se mostra entrosada com os outros jogadores do Juventus. Não fosse pela dificuldade para falar um português por vezes auxiliado pelo inglês, os dois poderiam se passar por brasileiros tranquilamente. Mas apesar das lições aprendidas no “novo mundo” não é a pretensão deles esquecer a cultura da pátria mãe.

Assistir aos jogos da Liga Iraniana e ir a estádios acompanhados por seus pais eram atividades corriqueiras para Farbod  e Matin. Assim como em muitos lares brasileiros, o futebol estava por toda parte nas casas dos dois garotos. Nos pôsteres, nas decorações das estantes, nas camisetas cuidadosamente guardadas no armário. A paixão por esse esporte, porém, é algo que transcende o âmbito familiar. É uma relação de amor espalhada por toda a nação iraniana, mas que, ao menos para Matin, não tem a mesma intensidade da “loucura” brasileira em torno do futebol.
Ao contrário do Brasil, onde o futebol reina absoluto como esporte nacional, o Irã tem outros esportes populares como o varzesh-e pahlavani (que significa o “desporto dos heróis”) que é a luta tradicional do Irã, mas é a versão olímpica da luta (especialmente o estilo livre) que mais atrai os iranianos. Farbod e Matin, porém, preferiram se juntar ao grupo de apaixonados pelo futebol, que a cada dia ganha novos amantes no Irã e já supera a luta em popularidade. A liga nacional, também conhecida como Copa do Golfo Pérsico, está em crescimento, mas é o time Melli (que significa "time do povo"), como é conhecida a seleção do Irã, que movimenta o futebol nacional.
Chegar à seleção do Irã é o sonho de Farbod e Matin. Eles ainda não tinham nascido quando sua seleção estreou em Copas do Mundo, na Argentina, em 1978.  O time Melli voltou à Copa na edição de 2006, na Alemanha, só que, pela terceira vez, não passou da primeira fase. Um reflexo da formação de jogadores nas categorias de base do país.

Depois de anos nas categorias de base do Irã, Farbod e Matin tiveram em suas mãos o que eles consideram a oportunidade de suas vidas: jogar na “terra de Pelé”. A chance surgiu através do preparador físico dos garotos e do empresário iraniano Mohammad Karim Tabatabaei, que firmou um intercâmbio cultural e esportivo com o Juventus. "Um dia meu pai falou: Mês que vem nós vamos para o Brasil. Você vai jogar e morar lá. Você quer? Disse que queria, claro. Minha mãe chorou, mas eu vim" – lembra Farbod (que iniciou nas escolinhas do Persepolis, um dos maiores times de Teerã).

Assustados e com poucas noções táticas, os dois garotos enfrentaram diversas barreiras ao chegar ao Juventus. A primeira foi a comunicação, já que os dois têm como língua nativa o persa (também conhecido como farsi), bem diferente do português. Com o técnico, que já havia treinado japoneses e coreanos anteriormente, o jeito foi conversar e receber instruções em inglês. Com os companheiros de time, porém, o papo não fluía. "
No começo era difícil. Eles são iranianos e falavam tudo enrolado. Conversávamos mais por gestos. Xingávamos eles (sic), e nem entendiam. Agora é o contrário (risos). Eles estão falando português melhor que nós" – diz Jean Marcos, companheiro de Farbod no time sub-20 do Juventus.



Aos poucos e com muito esforço, os dois aprenderam português – ao menos a linguagem de boleiro. O necessário para se virar nas ruas Farbod e Matin já sabem, mas não raras vezes têm de recorrer ao inglês. Assim, eles conseguiram se comunicar para superar a segunda barreira no “novo mundo”: a carência técnica.

O treinador conta que os garotos participavam pouco das jogadas nos primeiros meses, porque não entendiam em que posição precisavam estar. Hoje, Matin  atua na ponta esquerda do time sub-15, enquanto Farbod se encontrou no meio-campo do sub-20. Os dois ainda são reservas, mas a dedicação rendeu ao menos ao mais velho a inscrição no Boletim Informativo Diário da CBF. A princípio, os dois ficam no Brasil até março do ano que vem, mas esperam que a permanência seja estendida. 
Enquanto isso, eles enfrentam as barreiras das diferenças culturais, algo que eles tiram de letra. O café da manhã não é mais servido com nam (espécie de pão iraniano) e mel. O kebab (espeto de carnes e legumes) e o berenj (arroz típico do Irã) também fazem falta, mas nem tanto quanto a família que ficou na terra natal. A saudade dos parentes é o que mais aflige os iranianos, especialmente Farbod, que mora com outros jogadores da base do Juventus – Matin ainda tem a companhia da mãe. Fora isso, eles adoram o Brasil e se dizem muito bem acolhidos.
"Quando vou aos shoppings ou ando nas ruas, as pessoas normalmente não reparam em mim, mas se elas ficam sabendo que eu sou estrangeiro, dão muita atenção. São pessoas muito amáveis" – diz Matin.
Sem conhecer muito a realidade do futebol iraniano, os companheiros de time pedem a Farbod e Matin para que os levem para seu país de origem. Os juventinos acreditam que o “eldorado árabe” se estende ao mundo persa, mas os garotos iranianos não têm essa ilusão. Para a dupla, o intercâmbio no Brasil é um trampolim para continuar suas carreiras longe de sua terra natal. Mesmo à distância, Farbod e Matin tentam se manter próximos à Teerã. O orgulho de ser iraniano é expresso em seu desejo maior: entrar para o time Melli.
"Eu acompanho todo dia a Liga Iraniana. Ligo para o meu pai e pergunto quanto e como foram os jogos, quem é o campeão, o artilheiro. Acho que esse período aqui pode me ajudar a chegar à seleção iraniana. Quando você treina aqui é muito diferente. Vou ter mais experiência e confiança para jogar. Meu futuro é para jogar em clube fora do meu país. Quero jogar na Europa ou na América do Sul, mas quero defender minha seleção" – acredita Farbod.
O jovem iraniano ainda não sabe quanto tempo vai ficar no Brasil, mas espera estar no país entre junho e julho de 2014, já como um integrante do time Melli. Bem classificado nas eliminatórias asiáticas, o Irã está perto de assegurar a vaga para sua quarta Copa do Mundo.
"Acho que o Irã vai se classificar. Eu terei 19 anos e quero jogar a Copa do Mundo. Vou treinar para que eles me convoquem. Mas se eles não quiserem ainda, quem sabe na próxima (na Rússia, em 2018)" – diz Farbod, ciente de que seu sonho, por mais distante que ainda esteja, pode um dia se tornar realidade com a ajuda dos ensinamentos na “Terra de Pelé”.


7 comentários

  1. apesar do Irã não ter uma tradição no futebol,realmente eles amam esse esporte, meu amigo iraniano é fanático pelo Barça e pelo Persepolis haha beijos

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  2. Pah, quando estive no Irã, numa praça de Teerã um jogo era transmitido, acho que final de uma Copa da UEFA. Todos estavam vidrados no telão, acompanhando. Igualzinho a brasileiros em finais de campeonatos estaduais. JH

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    1. é verdade, deve ser um tal de messi pra lá,manchester pra cá,o povo piraaa !!!e ai se você for debater futebol com eles haha ;)

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  3. Sim, tem até um filme do Jafar Panahi chamado "Fora do Jogo" que mostra como os iranianos, até mesmo as meninas são fanáticos pelo futebol. No filme, um grupo de meninas se disfarçam de meninos para assistir um jogo da seleção iraniana dentro do estádio, mas acabam se dando muito mal...
    De fato, a própria reportagem esclarece que o futebol está superando a luta olímpica em popularidade entre as novas gerações.

    Beijos e ótimo fim de semana a todos!

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    1. Ola janaina poderias me passar teu email? Precisava de uma ajudinha para traduzir uma frase para persa! Por favor me ajude!

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    2. Olá! Por favor sinta-se a vontade para mandar sua pergunta atráves da página de contato do blog. Obrigada!

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  4. Salam, Mash´Allah!

    que lindos!!!!!
    Eu só espero que o Brasil possa dar um jeito na crescente violência em São Paulo e em Santa Catarina. Também gostaria muito que as torcidas organizadas se pacificassem. Confesso que tenho até medo de usar a camisa de meu clube favorito e sair por aí...
    Estamos perto da Copa e tanta coisa errada no Rio também...

    Ah, comprei ontem o livro "O Irã sob o chador".

    Um beijo, com carinho,
    Denise (sua irmã muslimah)

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