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Breve história da miniatura persa

Miraj do Profeta, miniatura de Sultan Muhammad 1539-43.
O formato das nuvens  e as figuras de anjos mostram a influencia da arte chinesa.
É difícil  traçar com precisão as origens da arte da miniatura persa, já que esta atingiu o seu auge, principalmente durante os  períodos mongol e timúrida (séc. XIII e XVI). Os governantes mongóis do Irã  cultuavam a pintura chinesa e trouxeram para a Pérsia um grande número de artesãos chineses que passaram a influenciar  fortemente a  arte persa com seu estilo. Inclusive o papel, chegou a Pérsia através da China em 753 d.C.
Ilustração do Golestan de Saadi,
 miniatura de Amir Khalil, 1427
A função mais importante da miniatura era a ilustração de obras literárias, facilitando assim a sua compreensão. A arte da miniatura se desenvolveu num casamento entre as linguagens artística e poética e durante os últimos 10 séculos, houveram muitas grandes obras literárias para inspirar os grandes artistas de sua época. No final do século X, Ferdowsi criou seu imortal poema épico Shahnameh (O Livro dos Reis), que  relaciona entre fatos e  lendas, a história do Irã desde a criação do mundo, até as conquistas árabes do século VII. No século XII, o poeta Nezami criou sua obra romântica Khamsa (cinco histórias em verso), que era muito popular, e foi imitada várias vezes por poetas indianos que  escrevem em persa. O século XIII viu a criação de grandes obras do poeta Saadi,  autor de Bustan (Orquidário) e Golestan (Jardim das Rosas) considerados obras-primas da literatura persa.
No século XIV, houve as obras esclarecedoras e românticas de Amir Khosroe Dehlavi, Kermani Khajoo, Hafez e Khodjandi Kamal. Enquanto no século XV foi a vez do multifacetado poeta Jami, que escreveu os sete poemas épicos chamados Haft Owrang (Os Sete Tronos ou Ursa Maior). 
 Esta grande riqueza  inspiradora da literatura deu origem ao surgimento de muitas e importantes escolas de miniatura, cada uma com seu próprio estilo, criando uma grande diversidade de pinturas. Foi através dessas escolas que a miniatura persa atingiu o seu desenvolvimento esplêndido tanto no Irã quanto na Ásia central. Três das escolas mais influentes estavam em Shiraz, Tabriz (no Irã) e Herat (atual Afeganistão).
Bahram Gur matando o dragão, página do Shahnameh da escola de Shiraz, 1371
Nos séculos XIII e XIV Shiraz , capital de Fars testemunhou um grande desenvolvimento de sua vida cultural. A poesia floresceu e consequentemente também a arte da miniatura. Uma das obras mais importantes para os ilustradores do período foi o Shahnamah, e em Shiraz, havia uma grande equipe de pintores dedicados especialmente  a ele. Nas miniaturas de  Shiraz do século XIV, a simetria da construção foi predominante, enquanto a maior parte da composição era simples e monótona. No entanto, a escola de Shiraz teve grande influência em todo o Irã, e até o final do século XV produzia miniaturas de alta qualidade. As ilustrações do Khamsa (1491) de Nezami são um dos maiores exemplos da arte de Shiraz em seu auge.
O rapto de Zal pelo Simurgh, miniatura da escola de Tabriz, 1370
No final do século XIII, foi estabelecida uma escola de artes em  Tabriz. O desenvolvimento artístico inicial dessa escola difere de Shiraz, pois suas ilustrações  tendiam a combinar traços do Extremo Oriente com o estilo armeno-bizantino de pintura. Essa última  influência  pode ser explicado pela posição geográfica de Tabriz, que está na fronteira com a região armênia.
Relações mais estreitas surgiram entre os diferentes estilos artísticos das escolas de Shiraz e Tabriz no início do século XV. Isto foi devido a grande migração de pintores após a conquista de Bagdá (1393, 1401) e Tabriz (1402) por Timur. Muitos deles foram trazidos para Samarkand, a capital do conquistador, e para a corte de seu neto, Iskandar Sultan, o governante de Shiraz. Nos novos estúdios eles se adaptaram as idéias e gostos já existentes, ao mesmo tempo que introduziram muitas das tradições que seguiam antes da migração. 
No século XVI, sobre os vastos territórios do Irã e da Ásia Central, a poesia de Jami era extremamente popular, e enriqueceu a arte da pintura com novos temas. Este foi o início de um grande desenvolvimento entre as várias escolas de arte no Irã. Nas miniaturas de Tabriz havia uma magnífica habilidade para criar dentro de um espaço limitado, a ilusão total de uma determinada cena ou paisagem, por exemplo, uma imagem de um palácio, incluindo parte de seu quintal, jardim interior e detalhes dos interiores. As figuras dentro da composição passaram a ser representadas deforma mais animada e natural.
Casa de Banho, miniatura de Behzad
da escola de Herat, 1495
Na primeira metade do século XV uma escola de arte foi criada em Herat. Os melhores  artistas das escolas de Tabriz e Shiraz foram para lá.  À medida que a habilidade dos pintores foi aumentado, a estrutura rítmica da composição tornou-se mais complicada. Os artistas de Herat foram excepcionais em retratar pessoas, tornando o ambiente um mero acompanhamento. Um dos pintores mais conhecidos e mais influentes da escola Herat foi Kamal-od-Din Behzad, cuja arte criativa foi muito influenciada pelas obras dos poetas  Jami e Navai. As pinturas de Behzad trouxe em miniatura para sua verdadeira essência retratando com maestria cenas do cotidiano de sua época. Ele compartilhou a fama da pintura de Herat com outros destacados pintores em miniatura do se tempo como seu professor,  Mirak Nakkash, Ali Kasim, Khwadja Muhammad Nakkash, e Muzaffar Shah. 
Com o passar do tempo, o tema das miniaturas tornou-se mais limitado. No século XVII, retratavam principalmente cenas românticas, retratos e até mesmo algumas cópias de pintores europeus. No século XVIII surgiu um novo gênero decorativo que tratava de flores e pássaros.

Baseado em Iran Chamber


7 comentários

  1. Salam, Jana Jan!

    sempre apreciei essas pinturas. Amo cores.
    Deixe-me relatar um fato para você e, quem sabe, você poderá postar algo para elucidar o ocorrido: Uma pessoa, ao conversar comigo, disse desconhecer que mulheres estudam no Irã. Eu fiquei perplexa e indaguei mais, perguntei de onde ela teria tirado tal pensamento. Então, ela prosseguiu dizendo: "Ué, os Aiatolás não proibem-nas de estudar?"
    Percebo, que é urgente que você escreva, ou se já escreveu, reescreva sobre mulheres iranianas nas universidades, escolas e etc.
    Estou até agora pensando que há muitas pessoas confundindo tudo no Brasil.

    Um beijo e muita paz nessa nova semana!
    sua amiga do Oásis no Golfo...

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    1. Olá Denise!
      Sim.... bem colocado. Há muitos equívoco quanto ao dia-a-dia no Irã. Essa questão sobre as mulheres é um dos equívocos mais absurdos. Sim, as mulheres estudam no Irã, sim, existem mulheres taxistas, parlamentares, arquitetas, engenheiras, médicas, etc., sim, o Irã é um país Matriarcal, onde cabem às mulheres muitas decisões de cunho familiar, sim, as mulheres usam veste coloridas, maquiagens, lenços de cores vivas e alegres, e NÃO, não podemos deixar esses equívocos perpetuarem-se... Contamos com todos que admiram a cultura Iraniana a ajudar a disseminar a verdade sobre os costumes e cotidiano de seu povo... Grande abraço Denise!

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  2. Oi Denise e Jana!
    Quanto ao pertinente questionamento da Denise, outro fato interessante sobre o Irã é a taxa de fertilidade baixíssima - típica de primeiro mundo.
    Um abraço às duas!

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  3. Salam Denise e Cris! Como sempre me trazendo ótimas sugestões!
    Agora sinto ainda mais a urgência de se ter um blog que esclareça acerca da cultura do Irã. Já ouvi tantas perguntas e comentários absurdos que já nem me surpreendem tanto!
    E apesar da crise atual, o Irã é um país que tem um grande potencial e um povo muito instruído. E diga-se que as mulheres constituem a maior parcela nas universidades, e não são poucas as que tem reconhecimento internacional... Vamos aos poucos desfazendo os equívocos, estamos aqui pra isso!
    Um super beijo a todas!

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  4. Salam Azizam Jana golam... pq miniaturas? Seria o tamanho das telas? Ou da proporcionalidade das gravuras? Agradeço sempre sua atenção! Booooos!

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    1. Salam Karla jun! O tamanho em miniatura é devido ao fato de estas obras quase sempre estarem dentro de livros e em escalas muito pequenas. Embora algumas sejam exibidas em molduras, como quadros, elas sempre mantem uma escala menor do que as pinturas convencionais e impressionam pelo detalhismo!
      Eu que agradeço sempre sua participação! Boos boos!

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