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Objetos de Oração: Entendendo a expressão de Fé do outro

Salam queridos amigos da Pérsia! Hoje quero falar sobre um tema que considero muito importante: a FÉ do outro. Independente da crença, cada pessoa que acredita em um Deus, ou o Ser Superior se coloca em contato com o divino através da oração pedindo por  bençãos, proteção ou simplesmente se colocando em atitude de adoração. E que tal entendermos um pouco da prática da oração na religião que é predominante no nosso querido Irã?
Estatisticamente 94% da população do Irã é de muçulmanos xiitas, isto é, o segundo maior ramo de crentes do Islã. Para quem não sabe, a oração islâmica que é chamada de salat e em persa de namaz é feita 5 vezes ao dia, mas ao contrário dos sunitas, os xiitas costumam fazer as 5 orações em 3 chamadas diárias ao invés das 5.
Outra diferença interessante são os objetos utilizados para a oração. Enquanto os sunitas utilizam apenas um sajada (tapete) e uma qibla (bússola), os xiitas incorporam um elemento especial chamado de mohr que é uma espécie de selo de argila que simboliza as cidades sagradas dos xiitas, como Karbala no Iraque, onde ocorreu o martírio do Imam Hussein ou também Mashhad e Qom no Irã. 
Como o meu desejo é transmitir tudo o que tenho experimentando em termos de intercâmbio cultural por meio de meus amigos e irmãos de fé lá das terras da Pérsia, apresento-lhes os tradicionais objetos de oração de minha amiga iraniana Afsaneh que esteve aqui em São Paulo. Ela explica que esta é a forma como sua mãe a ensinou a rezar: 

Este é o gracioso "kit de oração" com o estojinho e o chador tradicional dobrado.
Dentro do estojinho há essas 2 peças de tecido que se chamam sajade, um tipo de pedra que se chama  mohr oriundo do santuário de Karbala e um rosário tasbih da cidade de Mashhad. 
Esta pedrinha que se chama mohr é uma espécie de selo de argila na qual está representado o santuário de Karbala, uma das cidades sagradas para os xiitas. Durante a oração o fiel toca ela com a testa, e esta nunca é colocada diretamente no chão, mas sobre o sajade.
Com a ajuda da bússola qibla o muçulmano encontra a direção da cidade de Meca.
 A seguir, um registro da minha "performance" do namaz  vestindo o lindo e delicado chador de Afsaneh. Mas atenção, quero deixar claro que estou apenas fazendo uma representação, isto não significa que me converti ou algo assim. E minha intenção jamais seria brincar com esse ritual sagrado para os meus irmãos de coração que realmente praticam o islamismo. Aliás, minha amiga que é muçulmana foi quem me convenceu a fazer estas fotos e confesso que me senti uma outra pessoa quando ela pôs em mim este traje que é basicamente um lençol cortado em semicírculo que seguramos com as mãos, ou com a ajuda de um alfinetinho sob o queixo, mas que muitas iranianas religiosas utilizam no dia-a-dia em suas versões em cores mais sóbrias. 

As muçulmanas xiitas costumam se cobrir com  chador durante o ritual do namaz

Espero que com essa pequena demonstração tenha ajudado a desvendar um pouco dessa religião que de qualquer modo expressa o modo de vida de grande parte da população do Irã. Apesar de existirem  também muçulmanos sunitas e outras religiões como os judeus, cristãos armênios, zoroastrianos, etc. convivendo no mesmo país, espero também conhecer e compreender a cada um destes. E que todos nós possamos unir nossas diferentes crenças e expressões e ajudar a construir um mundo de paz e igualdade!
E, se algum querido leitor muçulmano tiver alguma correção ou algo a acrescentar sobre este post, por favor não hesite em entrar em contato!
Para finalizar, vamos meditar com as palavras de Mawlana Rumi : 
"O que fazer se não me reconheço?
Não sou cristão, judeu ou muçulmano.
Se já não sou do Ocidente ou do Oriente,
Não sou das minas, da terra ou do céu.
Não sou feito de terra, água, ar ou fogo;
Não sou do Empíreo, do Ser ou da Essência.
Nem da China, da Índia ou Saxônia,
Da Bulgária, do Iraque ou Khorasan.
Não sou do paraíso ou deste mundo,
Não sou de Adão e Eva, nem do Hades.
O meu lugar é sempre o não-lugar,
Não sou do corpo, da alma, sou do Amado.
O mundo é apenas Um, venci o Dois."
(...) 
Jalaluddin Rumi


10 comentários

  1. Salam, Jana Jan!

    como sempre: belíssimo texto e fotos.
    Masha´Allah!

    Que você possa levar compreensão por onde passar!
    Um beijo de coração,
    Denise.

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    1. Salam Denise jan!
      COmo sempre,seus comentários alegram o meu coração!
      Acredito que devemos sempre caminhar lado a lado com compreensão em todos os momentos de nossa vida, e assim nunca estaremos sós.

      Um super beijo!!!

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  2. Assalam Alaikum, Jana

    Tenho um amigo indiano, o Ali, que é xiita. Tantas foram as vezes que o vi rezando e realmente nunca entendi o porquê da pedrinha "mohr". Eu perguntava e ele nunca me explicou com clareza. Gostei muito!

    Beijo, beijoo!

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    1. Wa alaikum assalam!
      Que bom Ayesha! Fico realmente muito feliz que meu post tenha te ajudado a compreender a expressão de "fé do outro". Imagino que muitos xiitas se sintam discriminados, daí não falarem tão abertamente de suas crenças...
      Beijo grande!!!

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  3. Muito bonita e respeitosa sua narrativa, Janaina. Gostei muito do post. Cada religião tem sua peculiaridade e observo todas à distância. JH

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  4. Mas eu juro que achava que você era muçulmana, Janaina! Só agora que li o texto acima fiquei sabendo que não!

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    1. Normal, muitos acham o mesmo, porque eu falo do Irã e porque estou usando hejab na foto do perfil do blog. Minha formação é católica, mas tenho imenso respeito por todas as religiões e meu carinho especial pelo Islã vêm do fato de conhecer pessoas que praticam essa religião e respeitam e amam as diferenças também.

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  5. Salam. Também sou católica convertida.
    Gostaria de saber sobre o Rosário Tasbh, como é rezado por eles?. Fiquei curiosa pois se parece com o nosso Terço que rezamos o Rosário. A Paz do Senhor!

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  6. Salam Ana! Em breve vou escrever um post sobre o tasbih!
    Seja sempre bem-vinda!
    Bjs

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  7. Fui ao Iran e trouxe comigo uma argila de oração, que agora sei se chama mohr. Mas ela se quebrou, como faço para conseguir outra, aqui no Brasil?

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